KYRIE ELÉISON
Reflexões e meditações sobre a vida, o mundo, a igreja e o Reino de Deus.
sábado, 4 de abril de 2026
Ressurreição e Missão
quinta-feira, 2 de abril de 2026
PREPARAÇÃO PARA A CELEBRAÇÃO DA PÁSCOA II
• Preparação da Páscoa:
o Mateus 26:17–19
o Marcos 14:12–16
o Lucas 22:7–13
o Mateus 26:20–29
o Marcos 14:17–25
o Lucas 22:14–23
o João 13
• Discurso final (no cenáculo):
o João 14–17
• Getsêmani (oração):
o Mateus 26:36–46
o Marcos 14:32–42
o Lucas 22:39–46
• Prisão de Jesus:
o Mateus 26:47–56
o Marcos 14:43–52
o Lucas 22:47–53
o João 18:1–11
quarta-feira, 1 de abril de 2026
PREPARAÇÃO PARA A CELEBRAÇÃO DA PÁSCOA
Sequência da última semana de Jesus
A Quarta-feira: Conspiração e traição
o Mateus 26:1–5o Marcos 14:1–2o Lucas 22:1–2
o Mateus 26:14–16o Marcos 14:10–11o Lucas 22:3–6
o Mateus 26:6–13o Marcos 14:3–9o João 12:1–8
A traição nunca virá de um inimigo, mas sempre daquele que se faz amigo e acolhedor. Judas Iscariotes embora tendo sido chamado a ser discípulo e ainda que tenha sido nomeado a ser tesoureiro do grupo mais íntimo de Jesus, não chegou a perceber o Reino de Deus e o tratou como um reino de homens. Iscariotes deixou-se influenciar pela ideologia nacionalista que esperava um Messias político e triunfante, segundo o modelo humano. Foi levado pela idolatria da avareza, quando questionava o porque de gastar com os desfavorecidos.
Iscariotes deixou-se dominar pelos líderes institucionais que manipulavam o povo com oratória e eloquência dos sermões maravilhosos e se punia por não conseguir ser mais do que era: um simples homem. Ele queria mais! Por isso traiu, foi comprado pela ilusão de ser bem quisto pelos que estão no poder de julgar. Judas traiu não somente o "sangue inocente", mas desprezou o Senhor que lhe deu vida. A portanto, amargou e amargurou, pois mesmo depois de ter traído Jesus, ouviu da boca dEle: "A que viestes, amigo"?
Embora, possamos dizer, de maneira banal: "tudo isto estava profetizado", a personagem de Iscariotes nos remete ao nosso coração, quando refletimos: "quantas vezes, todos os dias, traímos ao filho de Deus, ao nos submetermos aos valores e à ética desta sociedade e ao nos deixamos manipular mentalmente pelos desejos incontroláveis da carne"? Quantas vezes usamos nossos "amigos" e não os amamos? Somos todos "tipos" de Iscariotes. Entretanto, Judas não teve melhor sorte.
Todavia, hoje, ao olharmos para traz, temos o perdão, se de facto nos arrependemos e buscamos o Senhor de todo nosso coração. Digamos: Senhor, tem misericórdia de mim, pecador!
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
Abrindo a porta do curral das ovelhas
“Aquele, porém, que entra pela porta é o pastor das ovelhas. A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas, e as traz para fora. E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz”. (João 10.2-4)
Na metáfora que Jesus faz do pastor e suas ovelhas, há um porteiro que administra o curral destas. Para que as ovelhas saiam dele é necessário que o porteiro, que vê o Pastor chegar, abra a porta e assim permita que elas saiam para junto dEle. O porteiro pode ser identificado como a igreja visível, guardiã deste curral. A ela, cabe abrir a porta. A igreja é o Corpo de Cristo, dotada de dons e ministérios e capacitada pelo Espírito Santo. Ela deve estar consciente em obedecer o Pastor.
Mas abrir a porta do curral não é uma tarefa simples. Parece, mas não é, porque na maioria das vezes, o porteiro, que é a Igreja, pode pensar que o curral pertence a ele, bem como as ovelhas. E ele deve discernir quem é aquele que vem chegando, se é o verdadeiro Pastor ou o mercenário.
As ovelhas não pertencem ao porteiro, elas são do Pastor. Abrir a porta do
curral a um mercenário que parece com o Pastor significa entregá-las ao engano e à morte. Os mercenários são caracterizados pelo falso ensino, à ideologia política e pelo consumismo da fé. O mercenário e o falso pastor usam os milagres e
pregam como se fossem o Pastor, que já possui uma promessa a estes que procuram usá-las com o objetivo de satisfazer o egoísmo e alimentar avareza, para obterem lucro.
Abrir a porta do curral é permitir que elas possam descansar em pastos verdejantes junto de seu Pastor (Salmo 23). Um dos serviços mais importantes da igreja e especialmente de seus líderes é distinguir o Pastor do ladrão. A
igreja, que é o porteiro, tem a tarefa de ser uma facilitadora para que outros se encontrem com Jesus de Nazaré.
Portanto, abrir a porta é vencer o desejo da
aparência, da exposição e da vaidade que tende obscurecer a visão da igreja confundindo o mercenário com o Pastor, sentindo-se proprietária eclesiástica das ovelhas. Se nós soubermos fazer o serviço de modo fiel,
cumprir-se-á a profecia que diz: “haverá um só rebanho e um só pastor”.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
LIBERALIDADE: OFERTA E PARTILHA
Notas sobre a vida contemplativa (#6,7)
Não o peço, Senhor, pelos meus méritos, mas por causa da tua misericórdia. Devo confessar que sou realmente pecador e indigno, mas "também é verdade que os cachorrinhos comem debaixo da mesa as migalhas das crianças". Dá-me portanto, Senhor, em fiança pela herança futura, ao menos uma gota da chuva celeste para refrescar a minha sede, pois estou sequioso de amor». [...]
prior da Grande Cartuxa
quinta-feira, 18 de setembro de 2025
A tentação de Jesus e a nossa
Pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, um que, à nossa semelhança, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Hebreus 4:15.
Até nascermos de novo, o único tipo de tentação que compreendemos é a mencionada por S. Tiago: "Cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência". Mas, pela regeneração, somos elevados a outro reino, onde há outras tentações a enfrentar, a saber, o tipo de tentações que Nosso Senhor enfrentou. As tentações de Jesus não nos atraem, não têm lugar nenhum na nossa natureza humana. As tentações de Nosso Senhor e as nossas movem-se em esferas diferentes até nascermos de novo e nos tornarmos Seus irmãos. As tentações de Jesus não são as de um homem, mas as tentações de Deus como Homem. Pela regeneração, o Filho de Deus é formado em nós, e na nossa vida física Ele tem o mesmo ambiente que teve na Terra. Satanás não nos tenta a fazer coisas erradas; Ele tenta-nos para nos fazer perder o que Deus colocou em nós pela regeneração, a saber, a possibilidade de sermos valiosos para Deus. Ele não vem com a intenção de nos tentar a pecar, mas sim de mudar o ponto de vista, e só o Espírito de Deus pode detetar isso como uma tentação do diabo.
Tentação significa o teste, por um poder estranho, das posses de uma personalidade. Isto torna a tentação de Nosso Senhor explicável. Depois de Jesus, no Seu batismo, ter aceite a vocação de levar o pecado do mundo, foi imediatamente colocado pelo Espírito de Deus na máquina de testes do diabo; mas Ele não se cansou. Passou pela tentação "sem pecado" e manteve intactas as posses da Sua personalidade.
Chambers, Oswald. 1986. O meu máximo para o máximo dele: Selecções do ano. Grand Rapids, MI: Oswald Chambers Publications; Marshall Pickering.
quarta-feira, 27 de agosto de 2025
Teologia Viva
sábado, 24 de maio de 2025
O QUE TENS NA TUA MÃO?
sexta-feira, 11 de abril de 2025
SEMANA SANTA: O CANTO DO SERVO SOFREDOR
O primeiro texto de Isaias que a Igreja cantava está no capítulo 42.1-9:
"Eis o meu servo, a quem sustento, o meu escolhido, em quem tenho prazer. Porei nele o meu Espírito, e ele trará justiça às nações. Não gritará nem clamará, nem erguerá a voz nas ruas. Não quebrará o caniço rachado, e não apagará o pavio fumegante. Com fidelidade fará justiça; não mostrará fraqueza nem se deixará ferir, até que estabeleça a justiça sobre a terra. Em sua lei as ilhas porão sua esperança. "É o que diz Deus, o Senhor, aquele que criou o céu e o estendeu, que espalhou a terra e tudo o que dela procede, que dá fôlego aos seus moradores e vida aos que andam nela: "Eu, o Senhor, o chamei em retidão; segurarei firme a sua mão. Eu o guardarei e farei de você um mediador para o povo e uma luz para os gentios, para abrir os olhos aos cegos, para libertar da prisão os cativos e para livrar do calabouço os que habitam na escuridão. "Eu sou o Senhor; esse é o meu nome! Não darei a outro a minha glória nem a imagens o meu louvor. Vejam! As profecias antigas aconteceram, e novas eu anuncio; antes de surgirem, eu as declaro a vocês".
A igreja cristã olhava para o Servo (o Messias) com os olhos do Deus da Graça. Sua escolha como "aquele que possui o Espírito de Deus e que estabelecerá a Justiça no meio das nações". E como Jesus Cristo de fato assim fêz, não fazia de sua vida e de seus milagres o seu "marketing pessoal". Sabia que o ser humano era como um caniço rachado, mas nem por isso pisava nele a fim de quebrá-lo de vez. Via as gentes como um pavio que estava quase se apagando, mas nem por isso o apagava, por que ainda via que havia fogo suficiente para incendiar uma floresta.
Nosso Senhor, o servo sofredor não vacilou nem se desacorçoou. Ele mesmo dizia a respeito de sua intenção em estar entre nós. "Ninguém me tira a vida, eu a espontaneamente a dou". Diante de sua sentença já decretada em seu nascimento, Jesus foi silente e determinado. Não correu, nem conseguiu um substituto para não sofrer por gente fétida e imunda.
Ele abriu os olhos dos cegos, não meramente curando-os de cegueira física, mas livrando-os da cegueira da "não-fé". Abriu os olhos de todos aqueles que queriam enxergar além da visão física, além do legalismo, além da vida biológica.
Nosso Senhor libertou muitos cativos. Cativos, não por que eram escravos de um sistema social espúrio, mas porque eram escravos de si mesmos, enjaulados em suas dores, em seus traumas e suas próprias esquizofrenias por não se autoconhecerem como plenamente humanos. Por isso dizia a alguns: Ninguém podia ver o reino de Deus, se não nascesse do "Alto", onde na verdade isso nada mais era que encontrar-se com o "Alto" dentro de si mesmo, por meio de uma experiência muito maior que a simploriedade racional.
A igreja cristã dos primeiros séculos soube encontrar o alimento da alma, por que não apenas lia as Escrituras mas contemplava aquele que está além das Escrituras. A igreja pós-moderna perdeu a contemplatividade, desencaminhou-se pela racionalidade, deixou de alimentar a sua alma com o "pão do céu". Esqueceu a simplicidade e abandonou o exemplo de "serva" do "servo". Não fala mais em doação, não caminha mais ao lado do "servo sofredor".
sexta-feira, 7 de março de 2025
Retrato de Mulher
O maior pecado após a desobediência do homem a Deus, foi a
subjugação do ser humano que dele foi tirado. Assim, quando foram expulsos do
paraíso terrestre, o homem não mais via a mulher como "osso de seus
ossos", mas uma concorrente em potencial. A subjugação da mulher e do feminino
na história é prova de que o macho jamais conheceu a Deus em sua plenitude e
pela força decretou a opressão sobre aquela a quem ele deveria aprender a amar e torná-la uma parceira-em-igual. Agora a mulher
não seria mais a que caminharia ao seu lado, mas que iria ficar sob o ataque e
a opulência deste ser inseguro e violento, características próprias daquele que está distante de Deus.
Entretanto, qual o melhor retrato que podemos guardar de uma mulher num tempo de tantas confusões de ideologias filosóficas? Não é fácil pensar num retrato feminino, senão envolto pelos movimentos de liberalização, de conflito, ou dos direitos feministas. Para isso teríamos que nos esforçar para pensar em questões de carinho, delicadeza, bondade, graça, afago, abraço, romance, afabilidade, amabilidade, cortesia, sorriso, força, determinação e tantos outros adjetivos quando o Deus Soberano criou este ser. Sim, foi Deus que colocou tudo isso e muito mais neste dócil ser humano-feminino. De facto, ele não economizou estas características na mulher.
quinta-feira, 23 de janeiro de 2025
VOCÊ JÁ SE ALIMENTOU HOJE?
sábado, 30 de março de 2024
As consequências da ressurreição de Cristo
quarta-feira, 27 de março de 2024
Tu não sabes o quanto eu amo-te
terça-feira, 26 de março de 2024
CAIFÁS e JESUS DE NAZARÉ
"Algo terrível aconteceu a Caifás. A religião abandonou o domínio do respeito pela pessoa. Para Caifás o sagrado tornou-se instituições, estruturas e abstrações. Ele dedica-se ao povo, de modo que indivíduos de carne e osso são dispensáveis. Caifás dedica-se à nação. Mas a nação não sangra como Jesus. Ele dedica-se ao Templo — impessoais cimento e pedras. Caifás tornou-se impessoal ele mesmo, não mais um ser humano caloroso, mas um robô, tão rígido e inflexível quanto seu mundo imutável.
A escolha normalmente apresentada aos cristãos não é entre Jesus e Barrabás. Ninguém quer se identificar com quem é tão obviamente um assassino. A escolha com a qual temos de ser cuidadosos é entre Jesus e Caifás. E Caifás nos engana. Ele é um homem muito "religioso". O espírito de Caifás é mantido vivo em todos os séculos nos burocratas religiosos que condenam sem hesitação gente boa que quebrou leis religiosas ruins. Sempre por uma boa razão, é claro: pelo bem do templo, pelo bem da igreja. Quanta gente sincera já foi banida da comunidade cristã por religiosos ávidos de poder com um espírito tão entorpecido quanto o de Caifás?
O espírito embotador da hipocrisia vive nos clérigos e políticos que desejam ter uma boa imagem sem serem de facto bons; vive nas pessoas que preferem entregar o controle das suas vidas a regras a correr o risco de viver em união com Jesus”.
O evangelho maltrapilho. p. 66
terça-feira, 19 de março de 2024
A DEFINIÇÃO DE UM HOMEM SANTO
2. O homem santo se esforçará para evitar TODO o pecado conhecido e guardar cada um dos mandamentos revelados. Terá uma decidida disposição mental para Deus, um desejo sincero de fazer a sua vontade, um medo maior de desagradar a Ele do que desagradar ao mundo.
3. O homem santo lutará para ser igual ao nosso Senhor Jesus Cristo.
4. O homem santo seguirá a mansidão, a resignação, a bondade, a paciência, a disposição amável e o domínio de sua língua. Suportará muito, tolerará muito, passará muito por alto e será lento para falar de afirmar os seus direitos.
5. O homem santo seguirá a temperança e a abnegação. Esforçar-se-á em fazer morrer os desejos do seu corpo, crucificará a sua natureza desumana com os seus afetos e inclinações, porá freio às suas paixões, reprimirá as suas tendências carnais.
6. O homem santo esforçar-se-á por fazer cumprir a regra de ouro, que consiste em fazer aquilo que gostaria que o próximo lhe fizesse.
7. O homem santo seguirá uma atitude misericordiosa e benevolente para com os demais.
8. O homem santo seguirá o temor do Senhor. (Este temor é o temor do filho que ama tanto o Pai que não quer decepcioná-lo).
10. O homem santo seguirá a fidelidade, concernente a todos os deveres e relações da vida. Homens santos deveriam colocar como meta: fazer o bem, sentir vergonha quando se permite realizar algo de maneira errada. Deveriam esforçar-se por serem bons maridos, bons pais e bons filhos, bons empregadores e bons empregados, bons vizinhos, bons súditos, bons em privado, bons em público, bons no lugar de trabalho, bons no lar.
11. O homem santo esforçar-se-á por ter seus olhos completamente postos em coisas do alto, aspirará por viver como alguém que tem um tesouro na eternidade e por passar por este mundo como um estrangeiro e peregrino que viaja para o seu lar. Aspirará por ter comunhão com Deus em oração, na Bíblia, na reunião do seu povo. Estas coisas serão o principal deleite do homem santo. Valorizará cada coisa, cada lugar, cada companhia, segundo a medida em que os mesmos o aproximem mais de Deus.
J.C. Ryle (Bispo Anglicano)
sábado, 16 de março de 2024
Que Jesus é Este?
Jesus não anunciou a vinda do Reino
com armas nas mãos. Não feriu — curou. Não decretou a luta de classes, nem
promoveu guerra santa em nome de qualquer libertação social. Não veio para
dominar, mas para servir. Rejeitou todo tipo de poder opressor, renunciou à
violência, denunciou a manipulação das pessoas e combateu a coação. Não se
alinhou a grupos sociais, partidos políticos ou sistemas religiosos.
Jesus é revolucionário no sentido
mais verdadeiro e radical da palavra. Ele revoluciona pelo modo de pensar,
falar e agir. Sua maneira de ser nos transforma de dentro para fora,
recolocando em seu devido lugar nossas estruturas políticas, econômicas, sociais,
culturais e religiosas — tantas vezes marcadas pela injustiça, opressão e
desumanização.
Ele confronta a falsa religião que
oprime: aquela que produz discípulos em série, que se curva ao consumismo ou
sufoca a liberdade de pensar. Indigna-se contra a religião que cria relações
parasitárias, alimenta disputas denominacionais e promove um messianismo
coercitivo.
Jesus veio romper com essas forças.
Veio humanizar o que foi desumanizado. Quanto mais nos aproximamos dEle, mais
somos alcançados pela graça de Deus. Enquanto estruturas religiosas de poder
excluem faltosos e pecadores, Ele acolhe, transforma e converte, libertando o
ser humano para aprender a servir — como Ele serviu.
Mas não nos enganemos: não há
conversão a Ele sem entrega plena e incondicional. Somente a mensagem da cruz e
da ressurreição dá sentido à vida daqueles que, sinceramente, desejam
conhecê-lo.
Esse é Jesus. Fora dEle, restam
caricaturas — e delas já estamos cansados. São sombras que amedrontam e
escravizam a humanidade.
Rev. Luiz AC Bueno
sábado, 2 de março de 2024
VOCÊ NÃO DEVE SER CRISTÃO
Francisco de Assis e nós
A IGREJA DE CRISTO É MAIOR DO QUE VOCÊ PENSA
AUTOCONFIANÇA
Ser
de Cristo não é uma tese que defendemos, nem uma frase de efeito que repetimos
para nós e para outros. Mas é o culminar de uma luta interior, travada dentro
de nós, resultado da perseverança pessoal, na mortificação da natureza falida e
miserável, alimentando virtudes eternas, impercetível para o ser humano natural
e para a lógica filosófica.
Devemos
estar tão seguros de nossa fé, quanto segura for a nossa determinação de lutar
contra os males que vivem dentro de nós. A luta interior jamais acaba enquanto
estivermos cá e somente terá o seu coroamento no encontro eterno com Cristo, se
com paciência lutarmos.
Enquanto
estivermos cá, estaremos sempre vulneráveis por palavras e imagens, propagandas
falsas, oratórias inebriantes que querem nos levar a acreditar que somos salvos
sem nos preocuparmos com o que fazemos em nosso dia-a-dia e em nossa conduta
diante do próximo. As palavras entorpecem, da mesma forma como uma bebida forte
pode levar-nos a embriaguez.
Por
isso, devemos pensar inúmeras vezes se nossa segurança está fundamentada em
livros, comentários ou mesmo nos pregadores atuais e sempre nos avaliar
pessoalmente porque podemos dar mais valor ao tempo decorrido de nosso batismo
até hoje, sem que alguma mudança tenha sido operada para melhor dentro de nós.
De nada irá resolver se tivermos esperado mais nestas coisas do que em nosso
combate interior.
Vivemos
saturados de informações, mas elas não irão nos conduzir aos braços de Cristo,
nem mesmo se ouvirmos bons sermões. Estes não tem poder para isso. Esses
elementos podem ser ferramentas a nosso favor uma vez que o Espírito Santo se
utilize delas, mas se o nosso coração não for marcado pela luta interior,
estaremos eternamente nos braços das trevas.
Portanto,
necessitamos descer de nosso pedestal, curvarmos nosso pescoço, envergarmos a
nossa coluna e clamarmos constantemente: "Tenha piedade de mim, Senhor,
por que sou um pecador". Este é o segredo para que não vivamos enganados
pelo nosso próprio coração.
terça-feira, 31 de outubro de 2023
Reflexão no dia da comemoração da Reforma Protestante do séc. XVI
Hoje lembramos da Reforma Protestante. Há especificamente 506 anos o Padre e Monge alemão Martinho Lutero, fixava as 95 teses contra as indulgências da Igreja Católica Romana. Nossa fé, reformada é herdeira desse movimento de volta à Bíblia, que varreu a Europa nos séculos posteriores, trazendo nova esperança e vigor espirituais, mas que parou e se estagnou principalmente nos nossos dias.
Precisamos novamente da Reforma, agora, como avivamento, um despertamento da alma e do espírito, na busca do que chamamos de revolução quietista e silenciosa, que tem no coração a fonte de tudo. Essa Reforma deve extirpar a ânsia pelos shows-gospel, a confissão positiva, o tradicionalismo ignorante, a mera religiosidade, a verborragia e os jargões evangélicos, mas também a apatia, a carnalidade e a infantilidade espiritual, o desejo incontrolável pela aparência das redes sociais.
Devemos novamente fazer renascer a fé simples, isenta de pompas e circunstâncias, dos rebuscamentos de cultos e eventos igrejeiros, onde se ensaia e se canta muito, mas onde se adora pouco. Necessitamos de homens e mulheres que voltem a ler a mesma Bíblia que Lutero e os reformadores leram. Devemos fazer da oração nosso pão cotidiano. Precisamos de pais e mães que voltem a ler a Bíblia com seus filhos e prepará-los para enfrentar esse mundo tenebroso, amoral, agnóstico, ateu, humanista e ególatra.
Os dias não são fáceis, mas nós podemos facilitá-los e descomplicá-los quando não nos deixamos dominar pela vaidade e pelo egocentrismo que exige atenção. Quando naõ quisermos ter mais do que podemos e estivermos convencidos que será na paciência que seremos salvos.
Voltemos a clamar a Deus em família e não permitamos que a sociedade instrua nossos filhos por meio de uma pedagogia cultural marxista e consumista. Sim, precisamos de uma nova Reforma, urgente, porque a fé sincera está escoando pelas nossas mãos. Clamemos ao Senhor incessantemente: “Converte-nos ó Deus, faze resplandecer o teu rosto e seremos salvos” (Salmo 81.3).
quarta-feira, 19 de julho de 2023
Uma advertência por zelo de amor
«E quisera Deus que a vossa alma estivesse no lugar da minha! Também eu vos consolaria com as minhas palavras e levantaria a cabeça sobre vós. A minha boca fortalecer-vos-ia e eu moveria os lábios para vos poupar» (Job 16.5-6).
Por vezes, perante espíritos injustos que não se deixam reorientar pela pregação dos homens, é necessário desejar-lhes, com toda a bondade, as pragas de Deus. Porque, quando chegamos a isso pelo zêlo de um grande amor, não é certamente um castigo que pedimos para os transviados, mas uma advertência; o que assim exprimimos não é uma maldição, mas uma oração.
Note-se que Job não diz: «E quisera Deus que a minha alma estivesse no lugar da vossa!»; pois, se quisesse ser como eles, estaria a amaldiçoar-se a si próprio. O que ele queria era a elevação daqueles a quem tinha desejado um destino semelhante ao seu. Ora, nós consolamos os espíritos injustos no meio da sua flagelação quando lhes fazemos ver que os golpes exteriores reforçam a sua salvação interior; levantamos a cabeça quando orientamos o seu espírito, que é a parte mestra do nosso ser, para a compaixão; e fortalecemo-los quando sublinhamos a violência da sua dor com a suavidade das nossas palavras.
De facto, há homens que, por estarem fechados à vida interior, se veem abatidos até ao desespero pelos golpes do mundo exterior, o que leva o salmista a dizer: «Não resistirão à desgraça» (Sl 139.11); porque só aquele que vai buscar a alegria à sua esperança interior é capaz de resistir aos males exteriores.
Gregório Magno (540-604). Doutor da Igreja. Livro XIII
segunda-feira, 17 de julho de 2023
O sacrifício que agrada a Deus
Congregai os meus santos, aqueles que fizeram comigo um pacto com sacrifícios. (…) Oferece a Deus sacrifício de louvor e paga os teus votos ao Altíssimo. Invoca-me no dia da angústia, eu te livrarei e tu me glorificarás". Salmo 50.5,14,15
O Salmo 50 é um poema de Asafe, um levita do tempo do Rei Davi que cuidava dos louvores no Templo de Jerusalém. Ninguém melhor do que ele para saber e ensinar sobre o que é louvar e conduzir os sacerdotes a adoração. Certamente o Senhor se agrada quando oferecemos louvores a Ele. Porém o que Asafe nos revela aqui é que louvor, para ser verdadeiro, deve conter algumas atitudes pessoais e coletivas.
Primeiro, o que Asafe nos diz é que Deus somente aceita o louvor daquele que aceitou fazer um Pacto de sacrifício. Na verdade nenhum de nós é capaz de sacrificar-se, a não ser o próprio Filho de Deus. Ele foi o sacerdote e o sacrifício por todos aqueles que em fé no Seu sacrifício, O buscam de coração. Este sacrifício não é nosso, mas sim de Cristo que nos substituiu, condenado em nosso lugar, ofereceu-se ao Pai em nosso lugar. De nós, apenas podemos por meio da fé nEle entregarmo-nos como oferta incondicional de nossa vida.
Nosso sacrifício de adoração é o sacrifício-oferta de nosso Senhor. Por causa disso podemos e devemos nos oferecer a ele não por obrigação legal mas por gratidão amorosa. As nossas ações agora, são ações de obediência prazerosa. Contudo, o Senhor não aceita o sacrifício de louvor de alguém que embora afirme sua fé Nele, viva como um descrente.
Segundo, para que o sacrifício de louvor seja aceito por Deus é necessário cumprir os votos que cada um fez ao Senhor. Votos são promessas que fazemos a Deus. Sim, promessa é uma palavra empenhada, é a expressão verbal do que vai no coração. O Senhor nos adverte: melhor é não fazer votos, contudo se o fizer, pague-os. E para lembrar, os primeiros votos que fazemos são o voto do Batismo e da Profissão de fé. Neles, afirmamos que estamos sinceramente arrependidos do mal que temos praticado e que desejamos viver entregando cada segundo de nossa vida ao Senhor, santificando-nos e buscando em primeiro a justiça do Reino de Deus. Poderíamos enumerar uma série de votos que fazemos ao Senhor desde o momento da participação da Ceia do Senhor como, e até, todas as vezes que em oração estamos nos consagrando ao Senhor ou cantando um hino a dizer que queremos servi-lo para sempre.
Para que isso aconteça é necessário que desenvolvamos o que chamamos de discplinas espirituais, pois elas nos auxiliam a desenvolver a nossa salvação (Ef 2.12). O Espírito Santo nos supre com as mais variadas discplinas espirituais: o tempo de devoção em oração todos os dias, a presença em cultos de adoração comunitária, a participação dos sacramentos entre outros.
Lembremos que nossa natureza é inconstante, fraca, suscetível a erros. Fazer votos a Deus significa também evitar a maledicência, do perjuro, o julgamento temerário, a fofoca, a murmuração, o convívio com os impiedosos, os negócios escusos, as palavras de baixo calão. Nosso sacrifício de louvor é aceito quando renovamo-nos espiritualemnte, todos os dias e sob a graça de Deus podemos e devemos ser melhores e mais parecidos com o Senhor do que os dias que já se passaram.
Terceiro, o sacrifício de louvor é recebido pelo Senhor, quando buscamos a vida de oração constante. O Senhor diz: invoca-me no dia da angustia, eu te livrarei e tu me glorificarás. Invocar significa buscá-lo em oração. É in-vocare, isto é chamar para dentro de nosso coração a presença do Espírito Santo. Mas não devemos esquecer de fazer um trabalho de limpeza constante. O que é isso? É o esvaziamento de nós mesmos, de toda sujeira que retemos no dia-a-dia. Precisamos nos esvaziar da vaidade pessoal, do vitimismo, da prepotência intelectual e social. Sem esse esvaziamento, o Senhor não pode viver dentro de nós, ou mesmo tomar todos os cômodos de nosso coração. Quando O invocamos, ele promete que no dia da angústia Ele nos livrará. Portanto, o Senhor afirma que isso redundará em glorificação a Ele: Tu me glorificarás.
Portanto, nosso sacrifício de louvor terá sentido. Do contrário, o que faremos em particular e nos cultos comunitários será apenas muita cantoria. Canta-se muito, ensaia-se muito para depois cantar mais, Porém louvamos pouco. Nosso cantar não pode ser um canto comum, como se canta qualquer música popular. Sem o verdadeiro sacrifício, não há glorificação. Glorifiquemos o Senhor e respondamos ao seu pacto, cumpramos nossos votos e invoquemos Seu nome. Assim nosso louvor será como o dos anjos que cantam no mais altos Céus.
A quem o Reino de Deus pertence?
Fé e obras: marcas do verdadeiro discípulo de Jesus
Vários que dominicalmente vão às igrejas, vivem por adiar seu compromisso com Deus. Muitos que procuram por Deus, não desejam se render a Sua autoridade. Quando o Senhor Jesus Cristo convida a todos a seguí-lo, lembra que a obediência não é opcional e que a fé do verdadeiro discípulo não é uma fé fácil.
Há um custo pelo discipulado e consequentemente pela vida eterna. Atualmente, qualquer que se declare cristão, poderá afirmar sua profissão de fé sem considerar o seu compromisso. Muitos crêem que estão salvos, que viverão eternamente nas moradas celestiais, todavia vivem completamente estéreis, por que continuam adiando seu compromisso com Cristo, ou seja, com o discipulado que envolve aprender a submeter-se a outros, praticar a resignação em comunidade e viver sob princípios de um liderança pastoral e espiritual.
Jesus nos afirma que nenhuma experiência de fé pode ser tomada como evidência de salvação se estiver separada de uma vida de obediência a Ele. Somos encorajados a examinar a nós mesmos frequentemente. Cada árvore é conhecida pelo seu fruto. A evidência da atuação do Espírito Santo em alguém é o fruto inevitável de um comportamento em transformação em que se vive a buscar as virtudes que Nosso Senhor expressou enquanto aqui viveu: compreensão, aceitação, resignação, não-violência verbal, paciência, paz com as pessoas, domínio próprio, gentileza, cordialidade, linguagem sadia, doação aos outros, submissão. Onde há também ausência da prática da verdadeira justiça e a presença do jeitinho nas negociações pessoais, do famoso chico-esperto, onde o ego quer levar vantagem em tudo, tais pessoas ainda vivem sua impiedade distantes da vida eterna, mesmo que afirmem verbalmente que estão salvas.
A salvação não é somente um ato. É um processo em andamento que depende de uma decisão. Não é possível receber a Cristo como Salvador e rejeitá-lo como Senhor. Com toda certeza “o Senhor não irá salvar aqueles em quem Ele não pode mandar” (A.W. T.). Mas todo discipulado começa com uma decisão. É o ponto de partida e não o ponto de chegada.
Há uma idéia equivocada sobre a fé o discipulado em Jesus. Ele nos afirma que a chamada do Calvário tem que ser vista pelo que realmente é, um convite. Ser um cristão de verdade é atendê-la de corpo e alma. Qualquer coisa menos que isso é incredulidade. Mas esta caminhada nos custa um esforço e um planeamento. S. Paulo nos diz que a verdadeira Graça nos ensina a renegar a impiedade e as paixões desse sistema mundano para que vivamos em piedade e em boas obras. A Graça não nos concede permissão para viver como queremos. Ela é inseparável do arrependimento, da rendição e da decisão de obedecer seus mandamentos.
Hoje se fala muito em aceitar Cristo, um conceito que elimina a submissão, a rendição pessoal e o abandono do pecado deliberado, desvalorizando as obras como evidência de salvação eterna. Porém, o arrependimento está no âmago da Fé. As Escrituras igualam fé e obediência. Fé e obras jamais são incompatíveis. A verdadeira salvação, operada por Deus, nunca deixa de produzir frutos na vida de uma pessoa e através dela.
terça-feira, 6 de junho de 2023
QUAL A TUA COMENDA?
"não dando nós nenhum motivo de escândalo em coisa alguma, para que o ministério não seja censurado. Pelo contrário, em tudo recomendando-nos a nós mesmos como ministros de Deus: na muita paciência, nas aflições, nas privações, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns, na pureza, no saber, na longanimidade, na bondade, no Espírito Santo, no amor não fingido, na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, quer ofensivas, quer defensivas; por honra e por desonra, por infâmia e por boa fama, como enganadores e sendo verdadeiros; como desconhecidos e, entretanto, bem-conhecidos; como se estivéssemos morrendo e, contudo, eis que vivemos; como castigados, porém não mortos; entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo. 2 Coríntios 6:3-10.
O apóstolo São Paulo como um servidor do evangelho em sua carta aos Coríntios, estava a se recomendar visto que alguns questionavam a sua autoridade apostólica. Ele então apresenta a sua "Comenda". É a sua apresentação e a sua carta de recomendação a eles.
Pensando em si mesmo, já parou para pensar quais são as suas Comendas? Em que você pode se auto-recomendar às pessoas que estão a sua volta? Qual é o seu curriculum vitae? O que referenda a sua vida como um cristão, um filho de Deus, uma testemunha de Cristo?
Sua paciência e aflições passadas por Cristo lhe recomendam? O quanto de necessidade e angústia você já passou por Cristo homologam o seu testemunho? Seu sofrimento físico e emocional por causa de Cristo, seu trabalho e privação de comida e sono lhe recomendam como filho de Deus? Sua santidade e pureza ou mesmo seu conhecimento e paciência lhe recomendam como uma testemunha de Jesus, o Senhor?
Seu amor sacrificial homologam a sua fé? Já chegou a ser confundido como um enganador ou forasteiro? Já passou pelo esgotamento emocional, já se deprimiu por amor a Cristo? Já perdeu seu dinheiro por amor a Ele?
Lembre-se que o nível da fé é expresso em sua vida proporcionalmente em suas ações e estilo de vida. Nosso êxito deve ir além do político e socialmente corretos! Seu VERDADEIRO ÊXITO deve ser um paradoxo. Aos olhos dAquele que lhe conhece melhor que você mesmo, o que importa são ações e não discursos. Esse paradoxo está baseado na coragem de se gloriar em sua fraqueza. Porque quando somos fracos aos nossos olhos e aos de outros, então é que somos fortes. (2Co 12.9,10).
Enfim, qual é a tua Comenda?
VAMOS EM FRENTE!
quarta-feira, 26 de abril de 2023
O cristão e o não-cristão
O cristão e o não-cristão são absolutamente diferentes naquilo que admiram. O cristão admira o homem que é “pobre de espírito”, enquanto os filósofos gregos desprezavam tal homem, e todos que seguem a filosofia grega, seja intelectual ou praticamente, ainda fazem exatamente a mesma coisa. O mundo acredita na autoconfiança, na autoexpressão e na maestria da vida; o cristão acredita em ser “pobre de espírito”. Pegue os jornais e veja o tipo de pessoa que o mundo admira. Você nunca encontrará nada que esteja mais distante das bem-aventuranças do que aquilo que apela ao homem natural e ao homem do mundo. O que desperta sua admiração é a própria antítese do que você encontra aqui...
Então, obviamente, eles devem ser diferentes naquilo que buscam. ‘Bem-aventurados os que têm fome e sede...’ Depois de quê? Riqueza, dinheiro, status, posição, publicidade? De jeito nenhum. 'de Justiça'. . . Pegue qualquer homem que não afirme ser um cristão... Descubra o que ele está procurando e o que ele realmente quer, e você verá que é sempre diferente disso.
Então, é claro, eles são absolutamente diferentes naquilo que fazem. Isso segue por necessidade... O não-cristão é absolutamente consistente. Ele diz que vive para este mundo. 'Este', diz ele, 'é o único mundo, e vou tirar tudo o que puder dele.' Agora, o cristão... considera este mundo apenas como o caminho de entrada em algo vasto, eterno e glorioso. Toda a sua visão e ambição é diferente. Ele sente, portanto, que deve estar vivendo de uma maneira diferente. Como o homem do mundo é consistente, o cristão também deve ser consistente. Se for, será muito diferente do outro homem; ele não pode evitar. Veja o que nos diz 1ª Pedro 2:11, 12: “Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das paixões carnais que combatem contra a alma; tendo o vosso viver honesto entre os gentios; para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no Dia da visitação, pelas boas obras que em vós observem”. Outra diferença essencial é em sua crença sobre o que eles podem fazer. O homem do mundo está muito confiante quanto à sua própria capacidade. O cristão é um homem… que está verdadeiramente consciente de suas próprias limitações. D.Martin Lloyd Jones, Estudos no Sermão do Monte, 1, pp. 37-8. (tradução livre)
sábado, 4 de fevereiro de 2023
FRAUDE: UM SINTOMA DA FALTA DE TEMOR A DEUS
sábado, 22 de outubro de 2022
PARA ALÉM DO CAMINHO VIVIDO PELO MONGE
sábado, 8 de outubro de 2022
POR UMA NOVA REFORMA, URGENTE
No dia 31 de outubro de 1517, um Monge e Padre da Ordem Agostiniana, chamado Martinho Lutero, fixou na Porta da Catedral de Wittemberg, na Alemanha, 95 temas que revelavam o desvio da Igreja Cristã Ocidental quanto a prática da fé, da graça divina e o uso das Escrituras Sagradas. Basicamente Lutero declarava que o evangelho de Cristo não podia ser trocado por dinheiro, como a compra das “indulgências” oferecidas pela Igreja a qual prometia o perdão eterno a anos de salvação pelo valor que alguém pudesse pagar. Este ato foi suficiente para dar início a uma revolução na Europa que culminou na Reforma Religiosa do século 17.
A partir de então, a Igreja Católica Romana foi sacudida por movimentos liderados por vários Padres e Teólogos que também afirmavam, segundo a Bíblia, a necessidade de um retorno ao Cristianismo Original, por que a igreja havia se “desviado” de seu foco, a testemunhar livremente da Verdade que era Cristo, fundamentada nas Escrituras Sagradas e recebida unicamente pela Graça de Deus.
Hoje depois de 505 anos desta revolução, a igreja que antes era chamada de “Protestante” agora é conhecida como “Evangélica”, e possui pelo menos 80.000 denominações fragmentadas no mundo todo e a cada dia vai se distanciando mais do foco que viveu a Igreja Primitiva. Muitas destas fragmentações são mais comprometidas com elas mesmas do que com o próprio Evangelho que Lutero e tantos outros defenderam. A liturgia de culto que antes era um serviço prestado a Deus, hoje é um show-business onde se canta mais do que se serve e suas músicas fazem parte do mundo gospel de artistas famosos.
Assim como em todas as épocas, as comunidades cristãs necessitam fazer uma auto-crítica de seus princípios e envidar esforços para retornar a simplicidade e verdade do Evangelho. Quando isto não acontece as comunidades vão morrendo e a fé torna-se apenas uma oratória. Portanto, neste mês que comemoramos a Reforma, devemos nos lembrar de Lutero e tantos outros que viveram a fé para a sua geração. Não desejamos voltar a Época Medieval, mas sim aos princípios de vida do Evangelho simples e sinceros. Jamais deixemos que a Fé seja sinônimo de troca e discurso. Precisamos hoje de homens e mulheres que como Lutero tiveram a coragem para mudar e sinceridade para manifestar a fé em todas as áreas de suas vidas.
AH! QUE SAUDADE DE LUTERO!
segunda-feira, 3 de outubro de 2022
Tu me guais com teu Conselho e depois me recebes na glória
Tu me guias com teu conselho, e depois me recebes na glória. (Salmo 73.24)
Há um ano estava a chorar copiosamente. O Senhor levara meu pai, o Seu Raul. Partiu em silêncio, sentado num banquinho. Fechou seus olhos e expirou. Pensaram que estava desmaiado. Foi morar com Deus.
Muitos pensamentos povoaram minha mente e meu coração. A distância e a impossibillidade de viajar para seu funeral aumentou a dor e a saudade. Hoje ainda dói a sua ausência. Talvez porque ainda penso que ele está em casa a trabalhar em sua oficina. Mas Deus que é riquíssimo em compaixão vai amenizando a falta da conversa e da presença.
Acredito que o Salmo 73.24 pode ser um retrato daquilo que foi o Seu Raul. Na versão original grega diz: "Tu me conduzes pela mão a ensinar-me". Cristo ensinou várias coisas ao meu pai. Foram experiências, as mais dolorosas e as frustrações com pessoas que estimava, mas guardava todas elas no seu coração. Falava muito pouco de suas dores. Mas enfim, o Senhor o recebeu na glória.
Não por mim, nem pelas minhas certezas tão duvidosas, mas a palavra de Deus afirma, que Deus nos recebe na glória. No original é "me acolhes na glória". Se Deus nos conduzir aqui, com toda segurança ele nos acolherá em Sua glória.
A nossa vida ao lado de Cristo não é cheia de vitórias. O Salmista escritor estava a passar por uma crise existencial de identidade extremamente violenta. Dúvidas brotavam em seu coração, principalmente acerca dos que viviam na impiedade e a prosperidade deles. Até que um Dia, ele entrou "no santuário de Deus".
O templo fez toda a diferença. É na adoração e na contemplação que podemos conhecer mais o Senhor e quais são seus planos para nós. Deus se revelou ao Salmista. Ele entrou no templo e adorou, percebeu o fim dos ímpios e aceitou a compaixão de Deus em sua vida.
"Senhor, levas-me ao templo para adorar-te. Estás em meu coração e por tua graça sou um 'templinho do Senhor', onde teu Espírito habita. Concedes-me conhecer-te mais e mais até o Dia que Tu me recebas na glória".
Covilhã, 27/01/2022
terça-feira, 21 de junho de 2022
Não podeis servir a Deus e ao dinheiro
terça-feira, 7 de junho de 2022
«Eu pedirei ao Pai, que vos dará outro Parácleto»
Não há nada tão manso ou suave em Deus como o seu Espírito Santo; Ele é a própria bondade de Deus; Ele é Deus. [...] Ao princípio – era necessário que assim fosse –, o Espírito invisível manifestou a sua vinda através de sinais visíveis. Mas hoje, quanto mais espirituais são os sinais, mais convenientes são e mais parecem dignos do Espírito Santo. Assim, Ele veio sobre os apóstolos sob a forma de línguas de fogo, a fim de que eles anunciassem a todos os povos palavras de fogo e que pregassem com língua de fogo uma lei de fogo. Que ninguém se queixe por o Espírito não Se nos manifestar da mesma forma. «A cada um é dada a manifestação do Espírito, para proveito comum» (1Cor 12,7). Será necessário dizê-lo? — foi mais para nós do que para os apóstolos que esta manifestação teve lugar. Com efeito, de que lhes teria servido falar línguas estrangeiras se não fosse para converter os povos?
Mas houve outra revelação que os tocou intimamente e ainda hoje é assim que o Espírito Se manifesta em nós. Ficou claro para todos que eles tinham sido revestidos da «força do alto» (Lc 24,49) porque, de um espírito tão medroso, passaram ter a uma grande segurança. Deixaram de fugir, deixaram de se esconder por receio; passaram então a empregar mais energia na pregação do que a que tinham empregado para fugir. Esta transformação foi obra do Altíssimo, como é claramente visível em Pedro, o príncipe dos apóstolos: se ontem se assustara à voz de uma criada (cf Mt 26,69), agora está inabalável diante das ameaças dos sumos-sacerdotes. «Os apóstolos saíram da presença do Sinédrio cheios de alegria, por terem merecido serem ultrajados por causa do nome de Jesus» (At 5,41). No entanto, havia ainda pouco, ao levarem Jesus ao sinédrio, tinham-se posto em fuga e tinham-no abandonado.
Quem poderia duvidar da vinda do Espírito de fortaleza, cujo poder invisível lhes iluminara os corações? Da mesma forma, o que o Espírito opera em nós presta testemunho da sua presença em nós.
Ressurreição e Missão
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