sexta-feira, 18 de junho de 2021

Que canseira, quanto desgaste.... Na busca desenfreada por ter!

Então, lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui.[...] Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus. 

Quanto esforço, quanto investimento, quanto custo para acumular. Lembremo-nos das palavras do Senhor: "A vida de uma pessoa não consiste na abundância de bens que ela possui". E na verdade é o que mais as pessoas buscam fazer. Lutam a vida toda para que tenham propriedades, objetos, conquistem popularidade, dinheiro e rendas. Isso traz segurança e um sentimento fantasioso de autocontrole. Diante da efemeridade da vida tudo se desavanece: sonhos, projetos, planos e estratégias. Tudo passa e o ser humano é consumido pelo poder da avareza.

O Senhor chama a atenção e afirma que o acúmulo é contra a esperança. Não é possível alguém afirmar que tem esperança em Deus, se estiver preocupado com conquistas pessoais, dinheiro investido, aquisições de propriedade e investimentos em bolsas de valores. É impossível que pessoas de fé vivam controladas pelo desejo de possuir. 

Avareza é o desejo incontrável de reter e não dividir. A avareza é a deusa deste mundo. Jesus recebeu uma proposta quase irrecusável. Satanás lhe propôs transferir todos os reinos do mundo sob seu domínio, se o Ele se curvasse e o adorasse. Seria a maior glória, receber todos os reinos do mundo, dominá-los, controlá-los e submetê-los sem ter que executar o plano preparado até a cruz. Sem esforço, sem suor e sangue todos os povos escravizados pelo poder do mal seriam transferidos para Cristo sem ter que suportar o poder da morte física. Mas o Filho de Deus, não foi avarento, não buscou glória pessoal e venceu a tentação de se tornar Senhor do mundo adorando o deus-deste-século. Porém a resposta ao acusador veio de pronto: "Adorarás ao Teu Deus e só a Ele servirás".

Não foi esse o pecado de Adão? Não foi esse o desejo de Babel? Não é esse o desejo de todo ser humano? Ser conquistador de si mesmo, de pessoas, de coisas e porque não dizer de impérios e territórios? 

A avareza é traidora, porque ela negocia a possibilidade para a celebridade e a famosidade, uma vez que se aceite a proposta daquilo que não se tem direito: o poder. Ledo engano. Não há poder dispensável a nenhum ser humano. Pelo contrário, o homem é escravo de seus pecados e paixões. De facto, a vida de alguém, não consiste nos bens materiais que possui. 

A avareza envolve ricos e pobres, cultos e incultos, homens e mulheres, famosos e desconhecidos. A avareza encanta e escraviza, promove e rebaixa, fomenta e vicia. Para que tantos títulos, para que tanto conhecimento, para que tanto esforço e trabalho? 

A avareza é idolatria. Ela leva a adorar um deus que não existe. Deus não negocia com a ela e nem com avarentos. Está decretado a estes que vivam eternamente longe da graça de Deus. Deus não trata com idólatras e adoradores do vício monetário.

Hoje a noite Deus poderá te chamar e certamente não levarás nada para o além. Esta noite Deus poderá pedir a tua vida e então o que tu farás com tudo o que conquistou até agora? O que se fará com tanta popularidade? O que se fará com tanta riqueza? O que tu farás hoje a noite, quando fechares teus olhos a dormir? Ainda manterás teus desejos e teus planos pessoais sem submetê-los a Deus? Tu poderás não abrir teus olhos neste mundo? E para que tanta luta? 

Ele te dá uma única solução? Vive e morre por Jesus Cristo, aquele que suportou e levou tua avareza sobre seu corpo na cruz. Ama, abre mão de tua idolatria e cultua aquele que se fez pobre para que tu te tornaste rico. 

FICA CONNOSCO...

Irmãos, quando foi que o Senhor Se deu a conhecer? Ao partir o pão. Estejamos, portanto, tranquilos: ao partir o pão, reconheceremos o Senhor. Se Ele só quis ser reconhecido nesse instante, foi por nossa causa, foi para que não O víssemos na carne comendo da sua carne. Portanto, tu que crês nele, quem quer que sejas, tu que não tomas em vão o nome de cristão, tu que não entras numa igreja por acaso, tu que escutas a palavra de Deus em temor e esperança, para ti o pão partido será uma consolação. A ausência do Senhor não é uma ausência verdadeira. Tem confiança, mantém a fé e Ele estará contigo, ainda que não O vejas.


Quando o Senhor os abordou, os discípulos não tinham fé. Não acreditavam na sua ressurreição; nem sequer esperavam que Ele pudesse ressuscitar. Tinham perdido a fé; tinham perdido a esperança. Eram mortos que caminhavam ao lado de um vivo; caminhavam mortos juntamente com a vida. A vida caminhava com eles mas, no coração destes homens, a vida ainda não se tinha renovado.
E tu? Desejas a vida? Imita os discípulos e reconhecerás o Senhor. Eles ofereceram-lhe a sua hospitalidade; o Senhor parecia estar decidido a seguir o seu caminho, mas eles detiveram-no. […] Detém, também tu, o estrangeiro, se queres reconhecer o teu Salvador. […] Aprende onde podes procurar o Senhor, onde podes possuí-lo, onde podes reconhecê-lo: partilhando o pão com ele.

Santo Agostinho (354-430)
bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermão 235; PL 38, 1117

ANJOS... ELES EXISTEM

 A existência dos seres espirituais, não corporais, a que Sagrada Escritura chama anjos, é uma verdade de fé. O testemunho da Escritura a este respeito é tão claro quanto a unanimidade dos Pais da Igreja.

Santo Agostinho diz acerca deles: 

«Anjo (mensageiro) é a designação do encargo, não da natureza. Se perguntares pela designação da natureza, é um espírito; se perguntares pelo encargo, é um anjo: é espírito por aquilo que é, é anjo por aquilo que faz». 

Por todo o seu ser, os anjos são servidores e mensageiros de Deus. Porque contemplam «constantemente a face de meu Pai que está nos céus» (Mt 18,10), são «poderosos executores da sua Palavra, obedientes ao som de sua ordem» (Sl 103,20).

Como criaturas puramente espirituais, são dotados de inteligência e de vontade: são criaturas pessoais e imortais. Superam em perfeição todas as criaturas visíveis. Disto dá testemunho o fulgor da sua glória.

Cristo é o centro do mundo angélico. São os anjos dEle: «Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os seus anjos» (Mt 25,31). São seus porque foram criados por Ele e para Ele: «Pois nele foram criadas todas as coisas, nos Céus e na Terra, as visíveis e as invisíveis: tronos, dominações, principados, potestades; tudo foi criado por Ele e para Ele» (Col 1,16). São seus, mais ainda, porque Ele os fez mensageiros do seu projeto de salvação. «Porventura não são todos eles espíritos servidores, enviados ao serviço dos que devem herdar a salvação?» (Heb 1,14)

Acredite, eles existem.

Quer conhecer um verdadeiro cristão?

 Ele está voltado para todo o ensino do Sermão do Monte. Ele não vasculha e escolhe, mas permite que toda parte da Bíblia fale com ele. Ele não é impaciente, mas toma tempo para ler, e não se apressa aos poucos salmos favoritos ou usa-os para o levar ao sono à noite, como algo hipnótico. Ele permite que toda a Palavra o examine e o busque.

Longe dele evitar esta busca, pelo contrário, ele dá boas-vindas a ela. Ele sabe que isso é bom para ele e não se opõe à possível dor que ela venha a causar... O verdadeiro cristão se humilha sob a Palavra. Ele aceita como verdade o que ela diz dele. Na verdade, ele diz: 'Ela não disse o suficiente acerca de mim mesmo'. Ele não se ressente de suas críticas, nem das de outras pessoas, mas diz a si mesmo: 'Eles não dizem metade de mim, eles não me conhecem'... O Cristão imediatamente se confoma as bem-aventuranças por causa do efeito da Palavra de Deus sobre si, e devido a isso, deseja se conformar ao tipo e modelo que está diante dele. 

Este é um teste muito bom. Você gostaria de viver o Sermão do Monte? Este é o seu verdadeiro desejo? Esta é a sua ambição? Se é assim, isto é um bom e saudável sinal. Alguém que deseja viver este tipo de vida é um Cristão. 

Ele tem fome e sede de justiça. Esta bem-aventurança é a virtude principal em sua vida. Ele não está satisfeito com o que ele é. Ele diz: 'óh que eu possa ser como os santos. Se somente eu fosse como os homens que viveram nas cavernas e antros da terra e se sacrificaram e sofreram todas as coisas por amor ao Seu nome. Se somente eu fosse como Paulo. Óh que eu fosse mais parecido como meu bendito Senhor'. 

O Cristão é aquele que pode dizer honestamente que está construindo sobre a rocha. Que está se conformando com as bem-aventuranças. Observe a natureza do teste. Ele não está perguntando se você é mais ou menos perfeito ou tem mais ou menos pecado. O teste está perguntando a você o que você deseja ser.  

Martin Lloyd-Jones

Nunca perca Jesus Cristo de vista

 Você se lembra da famosa história de William Wilberforce e a mulher que veio até ele no auge de sua campanha escravagista e perguntou-lhe: "Sr. Wilberforce, o que dizer da sua alma?" e Wilberforce voltou-se para ela e disse: 'Senhora, eu tenho quase me esquecido que eu tenho uma alma'! Com o devido respeito a ele, a mulher estava certa. É claro, ela poderia parecer intrometida, mas não há evidencia que ela foi de facto. Provavelmente a mulher viu que ele era um bom e fiel cristão, a fazer esse excelente trabalho. Sim, mas ela também viu e diagnosticou sobre o perigo que estava a frente dele. Pelo trabalho que o absorvia na questão da libertação dos escravos, ele poderia esquecer de se preocupar com sua alma. 

Alguém pode ser tão ocupado com suas pregações nos púlpitos que pode chegar a esquecer e negligenciar sua própria alma. Depois de você ter atendido todas os seus encontros, denunciado movimentos anti-cristãos, ser um apologista capacitado e ter exibido conhecimento teológico e sua perceção dos tempos e épocas e planeado seus próximos cinquenta anos, depois de você ter lido todas as traduções disponiveis da Bíblia e ter revelado proficiência no conhecimento bíblico, eu venho a perguntar-lhe: 'como está o seu relacionamento com Jesus Cristo?' Depois de lidar com Cristo desde o ano passado, você O conhece melhor hoje? Voce pode estar a denunciar as coisas erradas do mundo, mas você ama a Cristo mais do que tudo isso? Você está a obedecer seus mandamentos e está crescendo nEle? O fruto do Espírito Santo está mais evidente em sua vida depois deste ano que passou? Estas são as quetsões: conhecê-lO e ser como Ele! 

Se todas aquelas coisas tomam o lugar de Cristo, então nós estamos no caminho errado. Todas estas coisas são significativas para nos levar ao conhecimento dEle mas se nós estamos a ficar apenas com elas, estaremos nos roubando dEle.

M. Lloyd-Jones 

Se ficar esperando até sentir-se bem, você nunca virá


Há uma simples forma de testar-se, para saber se você crê que "nós precisamos olhar para Cristo e Cristo somente". Nós nos traímos pelo que nós dizemos... Eu tenho frequentemente que lidar com este ponto com as pessoas, e tenho explicado sobre o que é a "justificação pela fé" e conversado com elas como isto tudo está em Cristo e que Deus coloca sua justiça sobre nós. 

Eu tenho explicado a muitos e então eu digo: "Bem, agora que você está feliz com essa verdade, você crê nela?" E eles dizem: "Sim". Então eu digo: "Bem, agora você está pronto para dizer que é um cristão verdadeiro!" E então eles hesitam. E eu percebo que eles não entenderam nada. Então eu digo: "Qual o problema por que você está hesitante"? E eles dizem: "Eu não sinto que sou bom o suficiente".

De uma vez só Eu sei que num sentido eu acabo desperdiçando meu "gás". Os que assim pensam, estão pensando em si mesmos, sua idéia ainda é que eles têm que se tornar bons o suficiente para ser aceitos por Cristo. Ele acham que tem que fazer isso! "Eu não sou bom suficiente". Isto parece muito modesto, mas ... isto é uma negação da fé! Você pensa que você está sendo humilde. Mas você nunca será bom o suficiente. Ninguém tem sido bom o suficiente. A essencia da salvação cristã é dizer que Cristo é bom o suficiente e que eu estou NELE.

Contanto que você continue pensando em si mesmo e dizendo "Ah sim, Eu gostaria mas não sou bom o bastante. Eu sou um pecador, um grande pecador!", você estará sempre negando a Deus e você nunca será feliz... Eu tento dizer isto todos os domingos, por que eu penso que isto é a questão central que está roubando de milhares de pessoas a alegria de Deus em suas vidas.

 David Martin Lloyd-Jones

O que o ser humano tornou-se, realmente

 "E Deus viu que a maldade do homem era grande na terra, e que era continuamente mau todo o desígnio do seu coração (Gn. 6:5)

O testemunho divino relativo ao homem é, que ele é um pecador. Deus testemunha contra ele, não a seu favor; e testifica que "não há nenhum justo, nem um sequer"; que "não há quem faça o bem"; nenhum que "entenda"; nenhum "que busque a Deus" e, mais ainda, nenhum que O ame (Sl. 14:1-3; Rm. 3:10-12). Deus fala de forma amável, mas severamente ao homem; como alguém que procura ansiosamente por uma criança perdida, contudo sem fazer qualquer concessão para com o pecado, e que "de modo nenhum inocenta o culpado".(Na.1:3)

Ele declara o homem perdido, alguém que se desviou, um rebelde, alguém " aborrecido de Deus " (Rm. 1:30); não um pecador ocasional, mas um pecador em tempo integral; não um pecador com partes boas, mas um pecador por completo; não satisfazendo-se com a bondade; mau tanto no coração quanto na vida, "morto em delitos e pecados" (Ef. 2:1); um praticante do mau, e consequentemente debaixo de condenação; um inimigo de Deus, e por isso "debaixo da ira"; alguém que continuamente quebra a reta lei de Deus, estando portanto "debaixo da maldição da lei" (Gl. 3:10). O pecador não somente traz o pecado diante de si, mas ele o carrega consigo, como seu segundo eu; ele é um "corpo de pecado" (Rm. 6:6), e " corpo de morte " (Rm. 7:24), não sujeito à lei de Deus, mas a " lei do pecado " (Rm. 7:23).

Há ainda outra sentença pior contra ele. Ele não acredita no nome do Filho de Deus, nem ama o Cristo de Deus. Este é o principal pecado dele. Que o coração dele não é reto para com Deus, é a primeira sentença contra ele. Que o coração dele não é reto para com o Filho de Deus, é a segunda. E esta segunda sentença, que é a principal de todas, traz sobre si mais terrível condenação do que todos os outros pecados juntos.

"O que não crê (nEle), já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus" (Jo 3:18). "Aquele que não dá crédito a Deus, O faz mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus dá acerca do seu Filho"(1 Jo. 5:10). "Quem, porém, não crer será condenado" (Mc. 16:16). E, portanto, o primeiro pecado que o Espírito Santo leva em conta, é a incredulidade; "quando Ele [o Espírito Santo] vier, convencerá o mundo do pecado...: do pecado porque não crêem em mim " (Jo. 16:8-9).

O homem não pode dizer uma só palavra boa sobre si mesmo, ou ainda declarar-se inocente, a menos que ele possa mostrar que ama, e sempre amou a Deus de todo coração e alma. Se ele pode dizer isto verdadeiramente, ele é reto, ele não é um pecador, e não precisa de perdão. Ele achará seu próprio caminho para o reino de Deus, sem a cruz e sem um Salvador.

Mas, se ele não pode dizer isto, sua boca está emudecida e ele é culpado diante de Deus . Conquanto uma vida de boa conduta externa possa dispô-lo e a outros a olharem, no presente, favoravelmente para si mesmos, o veredicto contra ele, virá no futuro. Este é o dia do homem, quando os julgamentos dos homens prevalecem; mas o dia de Deus está vindo, quando o caso será julgado em seus reais méritos. Então o Juiz de toda a terra fará justiça, e o pecador será envergonhado. Este é um veredicto divino, não humano. É Deus, não o homem, que condena; e "Deus não é homem para mentir". Este é o testemunho de Deus relativo ao homem, e nós sabemos que este testemunho é verdadeiro. Compete-nos recebê-lo como tal, e agirmos baseados nisto.

"Olhai para mim, e sede salvos, vós, todos os termos da terra; porque Eu sou Deus, e não há nenhum outro " (Is. 45:22), um "Deus justo e Salvador" (v. 21). "Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo os seus pensamentos; converta-se ao senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar" (Is. 55:7).

Volte seus olhos, olhos da fé, para a cruz e veja estas duas coisas: os crucificadores e o crucificado. Veja os crucificadores, os inimigos de Deus e do Seu Filho, Jesus. Eles são você.

Perceba neles o seu próprio caráter. Então agora, veja O crucificado. É o próprio Deus; amor encarnado. Seu Criador, Deus manifesto em carne, sofrendo, morrendo pelo pecador. Você pode duvidar da Sua graça? Você pode acalentar pensamentos maus sobre Ele? Você pode imaginar qualquer outra coisa, que desperte em você a mais completa e franca confiança? Você interpretará mal aquela agonia e morte, dizendo que elas não querem dizer graça, ou que a graça que elas representam não são para você? Relembre o que está escrito:"Nisto conhecemos o amor, em que Cristo deu a sua vida por nós" (1 Jo. 3:16) e, "Nisto consiste o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou, e enviou o Seu Filho como propiciação pelos nossos pecados " (1 Jo. 4:10).

O cristão e o não-cristão

 


O cristão e o não cristão são pessoas absolutamente diferentes no que admiram. O cristão admira o homem que é "pobre de espírito", enquanto os filósofos gregos da época clássica desprezavam tal homem. E todos os que seguem a filosofia grega se intelectual ou praticamente, ainda fazem exatamente, hoje, a mesma coisa... 

O mundo crê na autoconfiança, na auto expressão, e no domínio da vida. O cristão crê em ser 'pobre de espírito". Tome os jornais e veja o tipo de pessoa que o mundo admira. Você nunca encontrará alguma coisa mais fora das bem-aventuranças do que aquilo que se apela ao homem do mundo. O que evoca sua admiração é a própria antítese do que você encontra aqui.

Então obviamente, eles são diferentes no que eles buscam. 'Bem-aventurados os que tem fome e sede' e depois o que mais? Saúde, dinheiro posição, fama? De jeito nenhum. 'Justiça'.... Tome algum homem que não reclama ser um cristão... Descubra o que ele está buscando e o que ele realmente quer e você verá isso diferente das bem-aventuranças.

Portanto é claro, estes homens são absolutamente diferentes no que eles fazem. Isto segue necessariamente... o não-cristão é absolutamente consistente. Ele diz que vive para este mundo. 'Este', ele diz, 'é o único mundo e estou lutando para obter tudo o que ele pode me oferecer'. Agora o cristão... considera este mundo apenas como o caminho de entrada para algo amplo, eterno e glorioso. Seu panorama e ambição são diferentes. Ele sente que precisa viver de modo diferente. 

Assim como o homem do mundo é consistente, assim o cristão deveria ser consistente. Se ele for assim, ele será muito diferente do outro homem. Ele não pode evitar. Como encontramos em I Pedro 2.11,12: 'Amados, peço a vocês, como peregrinos e forasteiros que são, que se abstenham das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma, tendo conduta exemplar no meio dos gentios, para que, quando eles os acusarem de malfeitores, observando as boas obras que vocês praticam, glorifiquem a Deus no dia da visitação'...

 Outra diferença essencial...está em sua convicção sobre o que eles podem fazer... o homem do mundo confia na sua própria capacidade... e o cristão é um homem... que é verdadeiramente consciente de suas limitações.

(David Martin Lloyd-Jones)

Um pobre ritmo de morte

 "Eles foram para Betsaida, e algumas pessoas trouxeram um cego a Jesus, suplicando-lhe que tocasse nele. Ele tomou o cego pela mão e o levou para fora do povoado. Depois de cuspir nos olhos do homem e impor-lhe as mãos, Jesus perguntou: "Você está vendo alguma coisa?" Ele levantou os olhos e disse: "Vejo pessoas; elas parecem árvores andando". Mais uma vez, Jesus colocou as mãos sobre os olhos do homem. Então seus olhos foram abertos, e sua vista lhe foi restaurada, e ele via tudo claramente". Marcos 8:22-25


É dificil descrever esta pessoa que curada neste epsódio. Um cego que foi curado por Jesus, mas em seu processo de cura, no primeiro momento via os outros como vultos e não perfeitamente. Dizia ele: "Vejo pessoas; elas parecem árvores andando".

Você não pode afirmar que ele não é mais cego. O que então? Ele é ou não é cego? Pode-se dizer ao mesmo tempo que ele é e que ele não é cego. Ele não é uma coisa nem outra.

Esta é precisamente a condição que desejo lidar neste momento Estou preocupado com aqueles cristãos inquietos, infelizes e miseráveis por falta de clareza e visão. É quase impossível definí-los. Você às vezes conversa com este tipo de cristão e pensa: "Esta pessoa é cristã"! E você encontra com tal pessoa outra vez e é lançado em dúvida outra vez e diz: Certamente essa pessoa não pode ser cristã, se ele pode dizer uma coisa destas, ou coisa como esta! ... Além disso, a dificuldade é os outros pensam assim dela como também eles pensam assim acerca deles mesmos. Eles são infelizes porque não tem clareza sobre si mesmos. Algumas vezes eles servem a Deus e dizem: "Sim, eu sou um cristão, eu creio nisto". Então alguma coisa diferente acontece e eles dizem: "Eu não posso ser um cristão, se eu fosse um cristão não poderia ter tais pensamentos e não quereria fazer as coisas que eu faço..."

Eles parecem saber o suficiente sobre o Cristianismo para não se satisfazerem com as paixões do mundo e, ainda assim, não sabem o suficiente para se sentirem felizes consigo mesmos. Eles são "nem quente e nem frio". Eles vêem e ainda não vêem. É uma condição angustiante e a mensagem antecipadamente é dizer a fé no evangelho não faz isso com ninguém e não deixa niguém nestas condições. Diz-nos ainda mais: Ninguém necessita ficar nesta condição. É uma verdadeira infelicidade e a fé no evangelho não transforma pessoas para serem pessoas míopes espiritualmente.

Martin Lloyd-Jones

De mãos dadas com Jesus

 "Quando formos abandonados por todos os homens, tentados pelo demónio e Deus Se esconder de nós, quando sofrermos todas as dores do corpo e da alma, agradeçamos a Deus, rejubilemos e exultemos de alegria (cf. Lc 6.23), porque andaremos de mãos dadas com Jesus. 


Quando, orando dia e noite, permanecermos na escuridão, na dor e na amargura do sofrimento, quando orarmos pelo que devemos orar e não formos atendidos, quando o mal - o mal moral, o pecado - continuar a inundar-nos e a inundar o que nos rodeia, agradeçamos a Deus, rejubilando e exultando de alegria, porque andaremos de mãos dadas com Jesus.


Quando formos desprezados por todos, o último dos homens, quando nos apedrejarem, em sentido próprio ou em sentido figurado, quando os desconhecidos troçarem de nós e os conhecidos nos desdenharem e ridicularizarem, quando formos caluniados e desprezados, agradeçamos a Deus de todo o coração, rejubilando e exultando de alegria, porque andaremos de mãos dadas com Jesus. 


Quando escarnecerem de nós e nos lançarem injúrias pela rua, e ao passarem junto a nós nos cobrirem de ridículo e nos disserem palavras grosseiras, agradeçamos a Deus com alegria e reconhecimento profundos, rejubilando e exultando de alegria, porque andaremos de mãos dadas com Jesus."


SE ME PERSEGUIRAM A MIM, TAMBÉM VOS PERSEGUIRÃO A VÓS"

Charles de Foucauld (1858-1916)

terça-feira, 15 de junho de 2021

OS DOIS CAMINHOS DE VIDA


"Eis que o ímpio está cada vez mais arrogante; suas vontades não visam o bem; mas o justo viverá pela sua fé". (Habacuque 2.4)

Esta importante declaração é citada várias vezes no Novo Testamento. Estudiosos discordam quanto a exata tradução da primeira parte do verso, se pode ser: Sua alma que se ergue não é reta nele, ou como citado em Hebreus 10.38 onde está declarado que Deus não tem prazer na alma que recua. 

A verdade declarada é que há somente duas atitudes possíveis para a vida neste mundo. A atitude de fé e a atitude da descrença. A atitude da confiança e a da desconfiança. Qualquer um de nós ve a vida em termos de fé e de não-fé em Deus e as conclusões e perspetivas estão baseadas na rejeição de Deus ou não e as consequências disso.

Nós podemos nos retirar do caminho da fé em Deus ou podemos viver pela fé em Deus. Os próprios termos sugerem estilos de vida correpondentes. Como o homem crê, assim ele é! O justo viverá pela fé. Ou em outras palavras, o homem que vive pela fé é justo. Por outro lado, o homem que recua é injusto porque ele não vive pela fé. 

Aqui está a grande divisão das águas para a vida. Todos estamos de um lado ou de outro. Qualquer que seja minha visão política ou filosófica, elas precisam ter este denominador comum, se minha vida está baseada na fé ou não, ou se eu sou controlado por ideologias políticas, sociais, econômicas ou mesmo pelo consumismo. O que importa é se estou a aceitar o governo de Deus ou não.

(D.M.Lloyd-Jones, From fear to faith (p.50), Tradução livre)

Ressurreição e Missão

“Então o lobo morará com o cordeiro” (Isaias 11.6)  Há uma crença equivocada na Doutrina da Ressurreição. Entre os cristãos atuais tra...