domingo, 26 de setembro de 2021

Quem vos der a beber um copo de água por serdes de Cristo

Dá os bens deste mundo e receberás os bens eternos. Dá na Terra e receberás no Céu. Mas a quem os darás? [...] Escuta o que te diz a Escritura: «Quem dá ao pobre empresta ao Senhor» (Pr 19,17). Deus não precisa de ti, seguramente: mas outro precisará. O que deres a um, outro o receberá. Porque o pobre nada tem para te dar; bem quereria, mas nada encontra para dar; nele, há apenas essa vontade vigilante de orar por ti. Mas, quando um pobre ora por ti, é como se dissesse a Deus: «Senhor, recebi um empréstimo, sê Tu a minha caução». Se o pobre com quem lidas está insolvente, tem um bom fiador, pois Deus diz-te: «Não tenhas receio de dar, Eu respondo por ele [...], Eu darei, sou Eu que recebo, é a Mim que dás».

Acreditas que Deus te diz: «Sou Eu que recebo, é a Mim que dás»? Sim, seguramente, pois Cristo é Deus, e nisto não há dúvidas. De facto, Ele disse: «Tive fome e destes-Me de comer». E, quando Lhe perguntamos: «Senhor, quando foi que Te vimos com fome?», Ele mostra-nos que é de facto o fiador dos pobres, que responde por todos os seus membros [...], e diz-nos: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25,35s).

Santo Agostinho (354-430)
bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
3.º Sermão sobre o Salmo 36

Como é difícil praticar o desapego, a renúncia em dar! E essa prática é aquela será a prova de nossa fé. Não serão quantas vezes ouvimos um sermão, ou quantas vezes lemos a Bíblia, ou mesmo quantas vezes decoramos um verso litúrgico. A grande questão para a recompensa não será quantas actas de sociedades internas eclesiásticas escrevemos, ou mesmo quantos livros de teologia passaram em nossas mãos. Não será quantos títulos de graduação em teologia alcançamos, mas sim, simplesmente se nós aprendemos o desapego e amamos o semelhante, da mesma forma que Cristo amou o mundo e se entregou por ele, entregando-se a nós, como Aquele que cumpriu por nós a lei do amor. 

Absolutamente, a recompensa virá não como um prêmio, mas como um presente da Graça - favor imerecido de Deus, por tantas vezes cumprirmos a lei da caridade e do amor abnegado. Não como troca ou barganha, mas como gratidão eterna. Entregarmo-nos inteiramente ao Amor eterno.

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Tudo acabará bem

Juliana de Norwich (*1342, +1416)

Na minha ignorância, surpreendia-me que a profunda sabedoria de Deus não tivesse impedido o início do pecado; porque, se o tivesse feito, pensava eu, tudo estaria bem. [...] Jesus respondeu-me: «O pecado é inelutável, mas tudo acabará em bem, tudo acabará em bem, todas as coisas, quaisquer que sejam, acabarão em bem». 

Com esta pequena palavra «pecado», Nosso Senhor apresentou-me ao espírito tudo o que não é bom: o desprezo ignóbil e as provações extremas que sofreu por nós ao longo da sua vida e na sua morte; todos os sofrimentos e as dores, corporais e espirituais, de todas as suas criaturas. [...] 

Contemplando todos os sofrimentos que existiram ou existirão, compreendi que a Paixão de Cristo era o maior, o mais doloroso de todos, e que a todos ultrapassa. [...] Mas não vi o pecado. Sei, pela fé, que ele não tem substância nem qualquer espécie de ser; só o podemos reconhecer pelo sofrimento que causa. Percebi que este sofrimento é temporário: ele purifica-nos, leva-nos a conhecer-nos a nós mesmos e a gritar por misericórdia. 

A Paixão de Nosso Senhor fortifica-nos contra o pecado e o sofrimento: esta é a sua santa vontade. No seu terno amor por todos aqueles que serão salvos, Nosso Senhor reconforta-os pronta e suavemente, como se lhes dissesse: «É verdade que o pecado é a causa de todas estas dores, mas tudo acabará em bem: todas as coisas, quaisquer que sejam, acabarão em bem». Ele disse-me estas palavras com grande ternura, sem a mínima censura. [...]

Nestas palavras, vi um mistério profundo e maravilhoso, oculto em Deus. Ele desvendará e nos fará conhecer esse mistério plenamente no Céu. Quando o conhecermos, entenderemos por que razão permitiu a vinda do pecado a este mundo. E, ao ver isto, regozijar-nos-emos por toda a eternidade.

Farto!

Estou farto de caprichos e melindres,  de queixumes dos que vivem a lustrar as moedas de seu passado. Estou farto dos caciques eclesiais. Qu...