Não é nada fácil deixar a sua cultura e migrar para viver em outra. Imagino a luta do Primeiro e Maior Missionário. Estava em sua "zona de conforto", tinha o "aconchego" de sua Família, e que Família! Um amor inigualável, um ambiente de afeto e de doação. Sua realidade permitia que se beneficiasse de uma alimentação de primeira qualidade, não adoecia jamais. A relação com os "empregados da casa" era de total confiança e todos lhe obedeciam, afinal era Filho Único e na verdade todos lhe eram obedientes. Quanta segurança, alegria e realização.
Mas um Dia ele atendeu o chamado a ser o Missionário. E para isso com a anuência de seu pai, precisou "abrir mão" de sua família. Teria que ir sozinho. Abriu mão do aconchego, do carinho e da intimidade. Abdicou da excelente alimentação, dos empregados que lhe eram fiéis e partiu para ir ao mundo cheio de miséria.
Teve que se submeter a um sistema diferente. Teve que sentir na pele e na mente bem como nas emoções uma nova maneira de pensar, sentir, a procurar entender aquele povo e as pessoas com que ele agora estava a se relacionar. Pelo fato de ter uma saúde perfeita antes, agora começou a adoecer, suas emoções outrora muito bem equilibradas, agora eram tendentes a pressão e dependentes da opressão de uma realidade que não era a sua, antes.
Precisou se adequar à uma comida diferente. Por certo, jamais apeteceria ao seu paladar plenamente, mas, quanto esforço por se submeter aos tipos de refeição às vezes as mais indigestas. Sem falar de que precisou aprender a se submeter a um sistema político cheio de corrupção e miserável, onde o mais imoral era louvado e o governo anti-Deus era exaltado. Aprendeu a pagar impostos exorbitantes. Teve que aprender outros idiomas além daquele que aprendera de Seu Pai, coisa que anteriormente nem era preciso se preocupar. Em sua família e em sua Casa havia uma linguagem de um "sexto-sentido" onde todos se comunicavam. Teve que aprender a se submeter a um sistema social injusto e viver dentro deste. Quanta coisa este Primeiro Missionário teve que suportar.
Ao final, seu maior sucesso foi aprender a submeter-se a calúnias e difamações de muitas pessoas. Poderia abandonar o campo missionário devido a tantas pressões, mas foi até o final. Acabou sendo morto, cruelmente assassinado.
Mas valeu a pena. A plantação de sua igreja, começou com 1, depois com 3, depois com 12, depois com 120 e então para 3000, e subiu para 5000 e sua comunidade transpôs povos, territórios e gerações.
O que achei interessante nesta história é que se ele não abrisse mão de sua condição, de seu tempo, de suas prioridades, de seus títulos, de suas conquistas e de seus afazeres, jamais eu iria receber o que recebi dele mesmo: seu ideal, sua paixão e sua motivação.
Obrigado meu Cristo por me ensinar a lutar contra mim mesmo para que eu aprenda todos os dias a ser de fato um missionário segundo o Seu coração.