Jesus não anunciou a vinda do Reino
com armas nas mãos. Não feriu — curou. Não decretou a luta de classes, nem
promoveu guerra santa em nome de qualquer libertação social. Não veio para
dominar, mas para servir. Rejeitou todo tipo de poder opressor, renunciou à
violência, denunciou a manipulação das pessoas e combateu a coação. Não se
alinhou a grupos sociais, partidos políticos ou sistemas religiosos.
Jesus é revolucionário no sentido
mais verdadeiro e radical da palavra. Ele revoluciona pelo modo de pensar,
falar e agir. Sua maneira de ser nos transforma de dentro para fora,
recolocando em seu devido lugar nossas estruturas políticas, econômicas, sociais,
culturais e religiosas — tantas vezes marcadas pela injustiça, opressão e
desumanização.
Ele confronta a falsa religião que
oprime: aquela que produz discípulos em série, que se curva ao consumismo ou
sufoca a liberdade de pensar. Indigna-se contra a religião que cria relações
parasitárias, alimenta disputas denominacionais e promove um messianismo
coercitivo.
Jesus veio romper com essas forças.
Veio humanizar o que foi desumanizado. Quanto mais nos aproximamos dEle, mais
somos alcançados pela graça de Deus. Enquanto estruturas religiosas de poder
excluem faltosos e pecadores, Ele acolhe, transforma e converte, libertando o
ser humano para aprender a servir — como Ele serviu.
Mas não nos enganemos: não há
conversão a Ele sem entrega plena e incondicional. Somente a mensagem da cruz e
da ressurreição dá sentido à vida daqueles que, sinceramente, desejam
conhecê-lo.
Esse é Jesus. Fora dEle, restam
caricaturas — e delas já estamos cansados. São sombras que amedrontam e
escravizam a humanidade.
Rev. Luiz AC Bueno