segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Transformando Olhos em Ouvidos

"Uma imensa ironia que nosso próprio trabalho resulte no abandono dele. No decorrer de nossas tarefas para executá-lo, acabamos por abandoná-lo. Mas lendo, ensinando e pregando as Escrituras, isto acontece: deixamos de ouvi-la e, conseqüentemente, minamos a intenção de colocá-la em primeiro lugar.

Ler a Bíblia não é o mesmo que ouvir Deus. Um não está necessariamente ligado ao outro, mas, muitas vezes, presume-se que sejam a mesma coisa. Os pastores, que passam mais tempo lendo as Escrituras do que a maioria dos cristãos (não em face da devoção, mas do seu trabalho), adotam essa opinião sem justificativa com freqüência alarmante.

Isso acontece tão comumente e de forma tão insidiosa que temos que estar alertas para analisar as maneiras pelas quais o ouvir a palavra de Deus vai-se tornando ler sobre a palavra de Deus e, então, com energia, recuperar nossos ouvidos, para que voltem a se abrir.

O interesse dos cristãos nas Escrituras tem sido sempre o de ouvir Deus falar, e não o de analisar notas morais. A prática comum é desenvolver uma disposição para ouvir - o ouvido absorto em vez do olho distante - ansiando por tornar-se ouvinte apaixonado da palavra em lugar de leitor frio da página. Mas é exatamente esse ouvir cheio de alegria e paixão que diminui, chegando, mesmo, a desaparecer, no decorrer do exercício do pastorado. Quando isso acontece, um dos ângulos essenciais que definem e dão precisão ao nosso trabalho se foi. 

Isso não ocorre porque os pastores repudiaram ou negligenciaram a Bíblia: o fato aparece no próprio ato de leitura das Escrituras. A leitura, por si só, é responsável pelo trabalho fatal.

Ouvir e ler não são a mesma coisa. Envolvem sentidos diferentes. Ao ouvir, usamos nossos ouvidos; na leitura, os olhos. Ouvimos o som de uma voz, lemos marcas em um papel. Essas diferenças são significativas e têm conseqüências profundas. Ouvir é um ato interpessoal, que envolve duas ou mais pessoas em razoável proximidade. 

A leitura envolve uma pessoa com um livro escrito por alguém que pode estar a muitos quilômetros de distância, ou morto há séculos, ou ambas as coisas. O ouvinte precisa de estar atento ao falante, e estar mais ou menos à mercê dele. Com o leitor, a situação é bem diferente, já que é o livro que está à mercê dele e pode ser levado de um lugar para outro, aberto ou fechado, de acordo com sua vontade, lido ou não. 

No momento em que leio, o livro não sabe se estou prestando atenção ou não. Quando ouço, a outra pessoa sabe muito bem se estou ou não atento a ela. Ao ouvir, outros iniciam o processo; na leitura, eu começo. Ao ler, eu abro o livro e presto atenção às palavras. Posso fazê-lo sozinho, mas não ouvir sozinho. Ouvindo, o falante está no controle; na leitura, quem controla é o leitor. 

Muitas pessoas preferem ler a ouvir, porque exige menos, emocionalmente falando, e pode-se adaptar a leitura de forma a atender às conveniências pessoais. O estereótipo é o marido enterrado no jornal, durante o café da manhã. Ele prefere ler as notícias do último escândalo em um governo europeu, os resultados das competições esportivas da véspera e as opiniões de alguns colunistas, que ele nunca vai conhecer, a ouvir a voz da pessoa que acabou de dormir na mesma cama que ele e preparou seu café da manhã, embora ouvir essa voz viva prometa amor, esperança, profundidade emocional e exploração intelectual, muito além do que ele consegue juntar nas informações de todos os jornais que lê juntos. Na voz dessa pessoa viva, ele tem acesso a uma história colorida, um sistema emocional incrivelmente complexo, e combinações de palavras nunca antes escutadas que podem surpreende-lo, comovê-lo, agradá-lo ou irritá-lo: sendo qualquer dessas opções mais atraente para um ser humano vivo do que reunir algumas informações, das quais nenhuma, ou poucas, terão qualquer impacto sobre a vida daquele dia. 

Dessa forma, a leitura não aumenta nossa capacidade de ouvir. Em alguns casos, diminui". (Eugene Peterson)

sábado, 16 de fevereiro de 2013

PROCURO UM HOMEM





Em sua época Diógenes, um filósofo grego, andava durante o dia em meio às pessoas com uma lanterna acessa pronunciando ironicamente a frase: “Procuro um homem”. 

Hoje estou procurando um homem, mas não acho. Não estou encontrando. Estou na busca de alguém que verdadeiramente esteja vivendo sua natureza e sua essência do modo mais humano..., mas está difícil.

O homem que encontro está escravizado pela agenda, pelos planos, pelos projetos, pelo sistema da vida, pelos compromissos, pelos problemas que ele mesmo criou para si e para os outros. Encontro um ser “religioso”, mas não espiritual, encontro um ser “sociável”, porém não fraterno, encontro um ser “sabido”, porém não sábio, encontro um ser “manipulador”, porém não reverente, encontro um ser “egocentrista”, porém não altruísta, encontro um ser “cheio de deus”, mas vazio do homem.

O homem que aí está, vive rodeado de coisas e pessoas, mas não consegue viver como Homem, porque não possui mais tempo para conhecer aquele que é o “Homem e Deus Verdadeiro”, sua matriz, sua origem, seu modelo e sua imagem. O homem que encontro não tem tempo para pensar nEle, de conviver com outros homens que também possam estar pensando nEle para transformarem a sua essência.

Procuro um homem que em sua natureza esteja comprometido com Jesus Cristo, não pela igreja, pela denominação, pela associação, pelo ministério, pelas hierarquias de poder. Procuro um homem que seu compromisso não seja apenas de agenda, de protocolo, de filantropia, de auto-endeusamento. Estou à procura de alguém que esteja identificado com o conteúdo de um relacionamento profundo. Estou em busca de alguém que ao se envolver com o Deus-Homem, por querer viver a vida deste, viva intensamente sua humanidade por que convive, conversa, sente, e contempla visceralmente aquele que o criou. Que viva Deus tão de perto, que possa viver perto dos homens.

Não há como achar este homem até que eu encontre alguém que viva de coração aberto para o Homem-Deus, contemple Aquele que nasceu como um homem, viveu como um homem, morreu como um homem, mas aprendeu a ser gente da forma mais humana que se confundia como Deus. Hoje sou desafiado a viver assim e continuar a procura de pessoas que saibam ser “gente plenamente” por estarem vivendo tão perto de Deus.  

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

AVIVAMENTO URGENTE


Por que os crentes da igreja embora saibam que os cultos na igreja são periódicos, não aparecem para os estudos bíblicos e nem para as orações?


Quando perdemos a vontade de estar juntos e estudarmos a Palavra de Deus com paciência, necessitamos de um avivamento. 

Não o avivamento que gera o sensacionalismo e emocionalismo, a gritaria e a histeria, mas o lado interior da mudança. 

Não o avivamento irresponsável que somente se caracteriza pelos cultos neo-pentecostais. 

Isso não é avivamento, é "circo". O verdadeiro avivamento não faz do púlpito um picadeiro.

Decididamente, precisamos de um avivamento do Espírito Santo.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

OS LAÇOS DOS PASSARINHEIROS



Em nossa vida vamos encontrar muitas situações de alegria e paz, contudo não podemos nos esquecer de que ela possui também seus engodos e seus enganos, suas tentações e seus laços. Um deles é o que a Bíblia chama de “laço do passarinheiro”.

Uma figura que nos traz a mente as armadilhas e os alçapões usados pelos caçadores atrás de suas caças. O laço do passarinheiro é um termo usado no Antigo Testamento para exemplificar o modo como o Salmista via seus inimigos e adversários, prontos para matá-lo. Trazendo para nosso tempo, o “laço do passarinheiro” - na verdade - pode ser considerado toda à situação ardilosa como as armadilhas, tentações, chamadas e provocações que pessoas e mesmo o inimigo de Deus nos propõe com o intento de conseguir arruinar, prender, escravizar e matar, destruindo-nos. 

Há muitos que se deixam prender pelos “laços dos passarinheiros”. Há muitos que em troca de suas “iscas” acabam por perecer dentro de um alçapão. E nestes últimos dias, vimos um laço de passarinheiro que “deu certo”.

A tragédia de Santa Maria foi uma armadilha muito bem montada para arrastar 235 vidas para a morte. Em troca do prazer sem limites, 235 jovens foram presos e arrastados para o fim. Eram jovens, tinham todo um futuro pela frente, mas que encontraram a morte num alçapão chamada “boate”. Para que isso ocorresse, outros laços de passarinheiros foram montados e ainda permanecessem. A juventude levada pela música, pelos desejos e paixões, pela fama, pelo prazer sem limites, não se dá conta dos perigos e riscos que estes laços oferecem. O sistema político vigente e o consumismo revelado pela Mídia, as casas de shows sem qualquer fiscalização, seus os proprietários vorazes pelo dinheiro e as bandas, pouco estão se importando com a tragédia. Estão preocupados com o dinheiro e com muito dinheiro, seja na oferta dos shows para entreter os jovens “passarinhos” seja para corromper o poder público que se deixa levar pelo vil metal.

Nestes dias, os laços estão armados. Os meios de comunicação estão oferecendo-os e cabe cuidar para que nem você, nem os seus, fiquem presos em nenhum alçapão da morte. As drogas, o sexo fácil, as possibilidades hedonistas são irrestritas. Como nossos filhos estão reagindo a isso? Quantos adolescentes e jovens se deixam levar pela bebida que leva a droga, que leva a uma vida escravizada eternamente?

Cuidado com os passarinheiros e seus laços. Na verdade, não são eles os responsáveis por tragédias. Somos nós mesmos, como já avisava São Tiago: “Cada um, porém, é tentado pelo próprio mau desejo, sendo por este arrastado e seduzido. Então esse desejo, tendo concebido, dá à luz o pecado, e o pecado, após ter se consumado, gera a morte. Meus amados irmãos, não se deixem enganar. Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, que não muda como sombras inconstantes. Por sua decisão ele nos gerou pela palavra da verdade, a fim de sermos como que os primeiros frutos de tudo o que ele criou”. (1:14,16).

Choremos os jovens mortos, oremos por suas famílias, mas, cuidemos espiritualmente uns dos outros para que não caiamos nas redes e nem nos alçapões armados, mostrados pela Mídia e pelos seus inventores de fantasias. Nestes tempos apocalípticos lembremo-nos das palavras do livro profético: “Continue o injusto a praticar injustiça; continue o imundo na imundícia; continue o justo a praticar justiça; e continue o santo a santificar-se”. “Eis que venho em breve! A minha recompensa está comigo, e eu retribuirei a cada um de acordo com o que fez. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim”. (Apocalipse 22.11-13).

Ressurreição e Missão

“Então o lobo morará com o cordeiro” (Isaias 11.6)  Há uma crença equivocada na Doutrina da Ressurreição. Entre os cristãos atuais tra...