Como estamos a testemunhar de Cristo? Há muita propaganda e pouca identificação. Há muito turismo em nome da fé e pouca adaptação. Sempre devemos ter coragem para avaliar a maneira como comunicamos o evangelho. Não é suficiente usar apenas a “média” para anunciar as Boas Novas. Estamos expostos todos os dias a internet, e percebemos que na grande maioria das vezes, as programações e os eventos das igrejas, nada tem a ver com a valorização da pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas sim com a necessidade de uma exposição pessoal e coletiva no mundo virtual. Toda gente gosta de ser celebridade.
Outro perigo que estamos a correr é de dar nomes a determinados eventos para chamarmos a atenção de todos. Um dos mais populares é o termo: “avivamento espiritual”. A maioria desses eventos assim chamados de extraordinários não passam de “coreografia litúrgica” regado a muita gritaria e sensacionalismo.
Afinal, o que é evangelizar à maneira de Jesus Cristo? Sem uma perceção correta da missão do Senhor no evangelho, não haveremos de cumprir a missão segundo a vontade do Senhor. Em primeiro lugar, precisamos rejeitar algumas ideias usadas pelo movimento evangélico popular que reproduz formas e métodos usados pelo mundo corporativo empresarial e de mercado. Para uma missão parecida com a de Jesus de Nazaré, devemos evitar com firmeza a evangelização praticada por muitos a “pescar no aquário” de outros a fazerem o famoso proselitismo .
Para que cumpramos nossa missão devemos redescobrir a “encarnação de Cristo” como maior modelo. Sempre devemos nos estimular e fundamentar na maneira como Cristo, falou, agiu e viveu entre nós. Devemos nos perguntar: O que é a missão de Cristo? Como o Senhor falava? Como Ele ensinava? Como curava? Enfim, como Jesus se envolvia com as pessoas de sua época? Então vamos achar as respostas e seremos desafiados pelas suas palavras: “assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20.21). O Senhor Jesus Cristo, portanto, é o modelo para que nós realizemos a nossa missão. Devemos seguir o padrão que o Deus-Pai usou para enviar o Deus-Filho.
Portanto, esse é o grande desafio para nós, em nossos dias. Em todos os planos que fazemos, devemos nos espelhar na maneira e no modo como Nosso Senhor testemunhou de Si mesmo. Procuremos lutar contra as maneiras fantasiosas e alegóricas. Abandonemos a ideia que precisamos de muito dinheiro para cumprir a missão. A simplicidade ainda é a correcta maneira. Sem contextualização pessoal não haverá missão como a de Nosso Senhor. Ensinemo-nos uns aos outros a viver o evangelho em nossa natureza. Algumas vezes deveremos “arregaçar as mangas” e “colocar os pés na lama” para que nossa evangelização não seja nem estranha e nem estrangeira, mas simples de tal forma que o Espírito Santo possa usar e manifestar a Sua graça.
Identifiquemo-nos com Cristo e nos envolvamos com toda a gente, as mais diferentes e as mais diversas. Quanto mais nos identificarmos com Cristo mais nos envolveremos com mundo a nossa volta. Mas o contrário também é verdade. Portanto, nossa missão não pode ficar apenas nos cultos virtuais e dominicais. Deve ir além de uma mensagem verbal. Deve ser um testemunho de serviço, encarnacional, modelado pelo jeito de Cristo, com sentimento e dinâmica, com criatividade e inteligência, baseados na Escritura.
Lembremo-nos da oração do Senhor: “para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17.21) Os actos de amor, de justiça e de misericórdia falam mais alto do que muitos discursos postados num mundo virtual!
Rev. Luiz Augusto
