segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Abrindo a porta do curral das ovelhas

“Aquele, porém, que entra pela porta é o pastor das ovelhas. A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas, e as traz para fora. E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz”. (João 10.2-4)

Na metáfora que Jesus faz do pastor e suas ovelhas, há um porteiro que administra o curral destas. Para que as ovelhas saiam dele é necessário que o porteiro, que vê o Pastor chegar, abra a porta e assim permita que elas saiam para junto dEle. O porteiro pode ser identificado como a igreja visível, guardiã deste curral. A ela, cabe abrir a porta. A igreja é o Corpo de Cristo, dotada de dons e ministérios e capacitada pelo Espírito Santo. Ela deve estar consciente em obedecer o Pastor.

Mas abrir a porta do curral não é uma tarefa simples. Parece, mas não é, porque na maioria das vezes, o porteiro, que é a Igreja, pode pensar que o curral pertence a ele, bem como as ovelhas. E ele deve discernir quem é aquele que vem chegando, se é o verdadeiro Pastor ou o mercenário. 

As ovelhas não pertencem ao porteiro, elas são do Pastor. Abrir a porta do curral a um mercenário que parece com o Pastor significa entregá-las ao engano e à morte. Os mercenários são caracterizados pelo falso ensino, à ideologia política e pelo consumismo da fé. O mercenário e o falso pastor usam os milagres e pregam como se fossem o Pastor, que já possui uma promessa a estes que procuram usá-las com o objetivo de satisfazer o egoísmo e alimentar avareza, para obterem lucro.

Abrir a porta do curral é permitir que elas possam descansar em pastos verdejantes junto de seu Pastor (Salmo 23). Um dos serviços mais importantes da igreja e especialmente de seus líderes é distinguir o Pastor do ladrão. A igreja, que é o porteiro, tem a tarefa de ser uma facilitadora para que outros se encontrem com Jesus de Nazaré.

Portanto, abrir a porta é vencer o desejo da aparência, da exposição e da vaidade que tende obscurecer a visão da igreja confundindo o mercenário com o Pastor, sentindo-se proprietária eclesiástica das ovelhas. Se nós soubermos fazer o serviço de modo fiel, cumprir-se-á a profecia que diz: “haverá um só rebanho e um só pastor”.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

LIBERALIDADE: OFERTA E PARTILHA


A história do Antigo Testamento nos conta que o dízimo e as ofertas somente foram regulamentados após a libertação do povo de Israel do Egito por meio de Moisés. Esta regulamentação foi necessária para gerir as questões sociais daquela nação. Entretanto, numa perspectiva mais primitiva, esta prática se desenvolveu a partir da Aliança entre Abrão e Jahweh. Como descendentes deste Patriarca, a Aliança seria respondida pelos israelitas em fidelidade, gratidão e reconhecimento.

Tomando essa realidade como exemplo em nossos dias, toda a espiritualidade passa também pela maneira como administramos a vida, os planos, bens e valores. Como vemos tanta gente inconstante e dividida, em rotatividade de igreja em igreja, sem objetivo em suas vidas vivem a transitar entre entre denominações e a religiosidade. A avareza inconsciente revela a doença dos corações.

Quantos não vivem em condições de cativeiro - escravos do dinheiro, do consumismo? São prisioneiros da infelicidade, não conseguem submeterem-se a líderes, causando divisões e conflitos nas igrejas, ou já são líderes, mas são condutores infiéis que só pensam em dinheiro. Vivemos num cenário de vaidade e a espiritualidade é apenas uma utopia, porque não está encarnada na vida. Vivemos a “ilha da fantasia religiosa do século XXI”!

Quando se crê nas Escrituras - Antigo e Novo Testamentos - admite-se princípios que devem ser levados em consideração como balizas do relacionamento com Deus. Foi assim com Israel e foi assim com a igreja primitiva. As ofertas, bem como a partilha foram métodos que os Apóstolos padronizaram a fim de que os primeiros cristãos ajustassem a espiritualidade à prática da vida pessoal e comunitária. Estes meios materiais não eram um fim em si mesmos, mas instrumentos para os disciplinar quanto à vida cristã. 

O dízimo que era ligado ao oferecimento, ao sacrifício e ao altar era parte do culto na Antiga Aliança, agora no Novo Testamento tomava a forma de gratidão, como oferta a Deus. As ofertas e a partilha eram respostas que os cristãos davam às necessidades daqueles que viviam em condição de precariedade. Por isso a partilha, sinal de contribuição, deveria existir entre eles, para que soubessem dividir o que tinham para a sobrevivência de todos. Por isso a fé é percebida na vida comunitária, sobretudo.

Portanto o dízimo, a oferta e a partilha só pode existir quando o fazemos pela fé. São expressões de uma vida coletiva e solidária. Deus não precisa do dinheiro e dos bens dos crentes. 

Notas sobre a vida contemplativa (#6,7)

«Senhor, que só Te deixas ver pelos corações puros (cf Mt 5,8), eu procuro, na leitura e na meditação, encontrar a verdadeira pureza do coração e a forma de a obter, a fim de, graças a ela, Te conhecer, por pouco que seja. Procurei o teu rosto, Senhor, procurei o teu rosto (cf Sl 26,8). Meditei muito dentro do meu coração, e um fogo se iluminou na minha meditação: o desejo de Te conhecer melhor. Quando partes para mim o pão da Sagrada Escritura, reconheço-Te nessa fração de pão (cf Lc 24,30-35); e quanto melhor Te conheço, mais desejo conhecer-Te, não só no sentido do texto, mas no sabor da experiência.

Não o peço, Senhor, pelos meus méritos, mas por causa da tua misericórdia. Devo confessar que sou realmente pecador e indigno, mas "também é verdade que os cachorrinhos comem debaixo da mesa as migalhas das crianças". Dá-me portanto, Senhor, em fiança pela herança futura, ao menos uma gota da chuva celeste para refrescar a minha sede, pois estou sequioso de amor». [...]

Guigues, o Cartuxo (1083-1136)
prior da Grande Cartuxa

Ressurreição e Missão

“Então o lobo morará com o cordeiro” (Isaias 11.6)  Há uma crença equivocada na Doutrina da Ressurreição. Entre os cristãos atuais tra...