sexta-feira, 7 de junho de 2019

"Ensinai a todas as nações"

"Quando a Igreja deixa de ser missionária, perde sua razão de ser..."

Seria demasiado óbvio destacar o fato de que o cristianismo teve início como uma missão por excelência. Precisamos somente remeter às últimas palavras do Senhor logo após sua ressurreição: "Ide, pois, de todas as nações fazei discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santos..."

A Boa-Nova transformou a antiga religião de uma nação, na nova religião de uma Pessoa: Jesus Cristo, por meio de quem e em quem as pessoas de todas as nações puderam encontrar a resposta, o significado da vida e puderam receber a revelação da chegada de Deus.

Esta ênfase na Boa-Nova é fundamental para a missão. E, ao mesmo tempo, extremamente importante é a inevitável luta do Reino de Deus com este mundo. A vida inteira de Cristo pode ser considerada como "reprovada", no sentido de que o mundo o recusou e finalmente foi condenado à morte. Cristo, porém, ressuscitou da morte pelo poder de Deus, não pelo poder do homem; e a verdade da ressurreição é um mistério revelado somente àqueles que crêem n'Ele e, por conseguinte, àqueles que "não são deste mundo". O anúncio da verdade do Evangelho deverá "fazer frente" aos que se opõem e acarretará divisões.

Para ser mais concreto, vou citar uma breve passagem do prólogo ao Evangelho de João, escrita, ao que parece, por Cirilo, o Constantino de Tessalônica, quando foi a Morávia em missões e lá pregar a Boa-nova. Uma de suas primeiras tarefas foi traduzir as Sagradas Escrituras para a língua eslava para dar aos convertidos a possibilidade de escutar e entender a palavra de Deus em sua própria língua. O prólogo ao qual me refiro é: "Como os profetas da Antiguidade, Cristo veio para reunir todas as nações e línguas, posto que é a vida deste mundo".

O prólogo prossegue com o tema do Pentecostes, que deve ser entendido biblicamente em contraposição a origem da "torre de babel", no livro do Gênesis, no qual o conceito de multiplicidade de línguas se converteu em uma maldição. Mas em Pentecostes, quando veio o Espírito Santo, todas as pessoas começaram a falar diferentes línguas, porém, a dizer "as mesmas coisas, no mesmo espírito". Em outras palavras, na torre de babel, o pluralismo de línguas se converteu em uma maldição. No Pentecostes, porém, a multiplicidade de línguas se converteu em uma bênção, porque permitiu que todas as pessoas entendessem: o Evangelho, a mesma verdade e o mesmo Espírito, com a finalidade de torná-lo conhecido de todo o mundo. Cristo veio para reunir todas as nações e línguas.

Este é o primeiro aspecto no conceito de missão de Cirilo e Metódio, no qual a igreja ao longo dos séculos tem permanecido fiel: a idéia de que cada nação tem o direito a escutar e entender a palavra de Deus em sua própria língua. Esta foi uma das chaves do êxito bizantino na idade média, como a palavra de Deus e a Liturgia foram traduzidas a língua de cada nação.

Precisamente porque a missão é inseparável da vida é também inseparável do progresso do pensamento teológico, do pensamento cristão e da vida. O missionário, o teólogo, o cristão, devem então entender o que os Antigos Pais da Igreja ensinaram, de que o mesmo Senhor pode proclamar a Boa Nova de um modo que seja claro para as gentes de todo mundo, em seu próprio tempo.

A missão cristã é fundamentalmente o anúncio da verdade de Cristo a todos. Podemos ter todas as organizações no mundo. Podemos ter todos os meios para pregar o Evangelho e, ainda podemos falar no que nos concerne pessoalmente ao conhecimento de Deus. Esta é a verdadeira condição para fazer nossas palavras significativas e plenas de sentido.
(adaptado de João Meyendorff)

terça-feira, 4 de junho de 2019

O SENHOR REINA

"O SENHOR reina.Regozije-se a terra, alegrem-se as muitas ilhas. Nuvens e obscuridade estão ao redor dele;justiça e juízo são a base do seu trono. Adiante dele vai um fogo que abrasa os seus inimigos em redor. Os seus relâmpagos alumiam o mundo; a terra ve e treme." (Salmo 97.1-4). 

Se tivéssemos uma pequena noção, como de um "flash", da vida de Deus, não viveríamos da maneira como estamos vivendo hoje. Embora creiamos que o Senhor é eternamente gracioso, também precisamos pedir olhos espirituais para que percebamos que "Deus é terrível"! perceber a sua glória é perceber que Ele tem em sua natureza nenhuma possibilidade de alteração sentimental ou emocional. Deus é impassível. 

Sua vida está além de nossa mera concepção visual e temporal, seu lugar é aquele que perpassa a todas as criaturas mas também jamais pode ser tocado por elas. Sua realidade é tão densa que o salmista usa termos como "nuvens" e "trevas" que estão a separar-nos de sua plena condição de existência. 

Hoje, é tempo de nos humilharmos e clamarmos sua misericórdia, hoje é tempo de percebermos que mesmo tão diferente de nós, por amor a seu cosmo visível e invisível, ele se humanizou, tornou-se gente, através de Seu Filho, Jesus Cristo, para que possamos perceber sua santidade e amor, e vivermos em temor todos os dias de nossa vida, porque já não vivemos pelo temor da condenação mas pelo amor eterno que ele nos amou em Jesus.

Ressurreição e Missão

“Então o lobo morará com o cordeiro” (Isaias 11.6)  Há uma crença equivocada na Doutrina da Ressurreição. Entre os cristãos atuais tra...