sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

TRIBUTO A DEUS PELA VIDA DE MEU PAI


Quero lembrar das palavras do evangelho de São João 11.25,26: “Disse-lhe Jesus: "Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente.” E também das palavras do Livro do Apocalipse 21.1-4: “Então vi um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra tinham passado; e o mar já não existia. Vi a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, preparada como uma noiva adornada para o seu marido. Ouvi uma forte voz que vinha do trono e dizia: "Agora o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais ele viverá. Eles serão os seus povos; o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou". 

Sob extrema tristeza e dor pelo passamento de sua vida, quero dizer que somente Deus poderia me dar forças suficientes para poder escrever estas poucas linhas. Somente Deus pode consolar-nos diante da morte, pois não fomos criados para a morte e sim para a imortalidade.

Tenho o privilégio de dizer que sou filho deste homem, meu companheiro e meu professor. Desconheço alguém que evidenciou tanto sua fé em Deus como meu pai. Raul não era homem de exibir discursos sobre Deus e sobre sua fé, mas a exercia através de ações e de obras. Portanto, não tenho dúvidas que ele está com Cristo neste momento. A fé em Deus é muito mais valorosa quando se fala pouco, e se pratica aquelas coisas que Jesus nos ensinou. Raul foi uma destas pessoas. 

Raul era assim, homem de coração sincero, disponível, doador, dedicado, preocupado com pessoas e não com coisas. Procurava amar as pessoas e usar as coisas. Diferente da natureza humana em que se "ama as coisas" e "usa-se as pessoas". Raul sempre foi solícito a ajudar e a procurar aliviar a dor dos amigos com algum serviço que lhe era peculiar. 

Raul me ensinou, assim como minha mãe, a ser um aprendiz. Era alguém de coração aberto para sempre receber algum conhecimento. Fui aluno dele no SENAI. Como professor era austero e disciplinado, mas nunca deixava o lado brincalhão com seus alunos quando o momento favorecia. 

Foi um homem que me motivava a tratar minha vocação pastoral como uma vocação divina e não como uma profissão. Sou pastor da igreja presbiteriana e não poucas vezes meu pai me dizia quando nos encontrávamos: “Luiz, Deus lhe chamou para uma função especial, por isso seja firme e um exemplo”. Sendo um religioso, meu pai entendia o valor dessa missão especial. Diante da morte de tantos amigos e parentes que vivenciava, a começar de minha mãe em 1975, ele dizia: “Luiz, todos nós vamos passar pela morte um dia, assim é a vida”. Raul sempre teve uma visão realista da vida. 

Raul foi sempre muito apegado a familia. Sempre fez questão de falar da genealogia de nossos avós, tios e tias. Sempre apegado aos amigos, professores do SENAI, amigos da pescaria. Como Raul gostava de pescar. Ainda me lembro quando menino, nas tardes de sábado, me levava a pescar com ele no Rio “Passa-cinco”. Raul foi exemplo de vida. Um mestre da vida. Quantos ex-alunos o chamam até hoje de “professor”... Eu dizia a ele quando o visitava: Se o senhor se candidatar a vereador, será eleito. Raul sempre valorizou a boa amizade.

Enfim, hoje agradeço a Deus pela vida de meu pai. Com minhas irmãs Andréa e Adriana, meu cunhado David e os netos Beatriz, Pedro Augusto e Mariana agradecemos aos amigos Sr. Dirnei e da. Lucia, da. Dirce que estiveram com ele até o seu último suspiro. Agradecemos a Deus pela vida de nossos parentes e amigos que procuraram aliviar a dor de sua enfermidade através das visitas e o apoio na manutenção dos serviços em casa. 

Não tenho dúvidas que neste momento nosso pai está junto de Cristo e junto daqueles que levaram a sério a sua vida de fé. Minha oração é que o Senhor Deus console a todos nós. Não perdemos nosso pai, nosso professor, nosso amigo. Iremos nos reencontrar naquele Dia, quando Cristo, o Senhor da história, voltar e inaugurar um novo tempo, a vida eterna, a todos que como ele, viveram a fé, através de suas obras.

Meu desejo pessoal é que cada um dos que estão aqui a ler este escrito possam um dia se encontrar com Cristo na eternidade e juntos com o Seu Raul, viverem a vida eterna prometida a todos os que amam a Deus verdadeiramente.

Que Deus nos console com a sua graça.


Ressurreição e Missão

“Então o lobo morará com o cordeiro” (Isaias 11.6)  Há uma crença equivocada na Doutrina da Ressurreição. Entre os cristãos atuais tra...