sábado, 4 de maio de 2019

Vaidade: o grande pecado

"O mais alto anseio do indivíduo vaidoso é ser cumprimentado. Exteriormente, ele procura ter uma aparência atraente. Interiormente, se esforça por apresentar a fachada de uma personalidade agradável. Seu motivo básico é fazer uma boa figuração em público, de modo a chamar a atenção. A pessoa vaidosa sente forte atração pelo espelho. Contempla sua figura e gosta do que vê. Num sentido figurado, ele mira também todas as suas reações, atividades e conversas num espelho e tem prazer nelas.

O vaidoso esquece, entretanto, que há um outro espelho - o olho de Deus - que nos mostra a verdade acerca de nós mesmos, aquilo que está por trás da fachada. Através dele podemos ver como tudo é realmente "vazio", transitório e perecível. Mas, se evitamos o espelho de Deus, estamos enganando a nós mesmos com o espelho dos olhos humanos que miramos o tempo e fazemos as seguintes perguntas: Como reagem os outros em relação a nós? Somos populares? Então nossa vaidade cresce cada vez mais, embora, no fim, nos torne infelizes. Porque, quanto maior ela é, mais nos domina. Não seremos capazes de fazer algo, sem pensar em como reagirão os outros. Acabamos por fazer com que os que nos rodeiam se sintam constrangidos, porque eles sentem as exigências de nosso ego vaidoso.

A vaidade coloca o ego no trono. Ela idolátra o ego e é por isso que ela é um grande pecado. Todo ídolo toma o lugar que, em nossa vida, devia ser de Deus. É por isso que o mesmo veredicto que Deus pronunciou contra os adoradores de ídolos nos atinge também. Porque não podemos servir a Deus e ao nosso ídolo-ego. Nossa vaidade quer que os outros admirem nossa beleza, inteligência, talentos e habilidades. Em alguns casos tudo isso é combinado com acréscimos de riquezas mundanas. Gastamos, então, grandes somas de dinheiro na aquisição de custoso guarda-roupa e de outras coisas que nos ajudem a ganhar a admiração dos demais.

O primeiro passo para nos desembaraçarmos desse pecado é admitirmos honestamente que somos vaidosos. Poderemos dizer: "Como poderia eu ser vaidoso? Mesmo que eu fosse excecionalmente atraente ou talentoso, que importância teria aos olhos de Deus, que sabe o que existe realmente em meu coração? Eu devia sentir-me envergonhado por estar tão afastado de Deus, visto que estou contente com minha pobre pessoa".

Agora é a hora de pedirmos o "colírio" (Apocalipse 3.18). Que significa isso? Significa que pedimos a Deus e aos outros que nos digam o que somos na realidade. Isso nos vai ferir, mas, em compensação, nos ajudará a perceber a verdade a respeito de nós mesmos. Precisamos também pedir ao Senhor: "expõe à luz o máximo do meu pecado, de modo que eu possa vê-lo mais claramente. Então me sentirei envergonhado e perderei a vaidade.

Outro passo para ficar livre da vaidade é revelar nossos pensamentos vaidosos e confessá-los a outra pessoa. Se quisermos receber a graça de Deus, temos de estar livres da vaidade, porque a graça só será dada aos humildes e aos pecadores contritos, que não ficam satisfeitos consigo mesmos. Mas, se continuarmos a admirar no espelho nossas supostas qualidades e deixarmos que a mão esquerda veja o que faz a direita, já recebemos nossa recompensa (Mateus 6.1). Existe Alguém que não achou aprovação em Si mesmo, sendo Ele o único que podia fazê-lo: Jesus (Romanos 15.3). E nEle somos retos, isto é, fomos purificados de todo pecado da vaidade, inclusive. Ele mudará nosso coração de modo que nós não procuremos agradar aos homens, mas somente a Deus".

M. Basilea Schlink





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