Tu me guias com teu conselho, e depois me recebes na glória. (Salmo 73.24)
Há um ano estava a chorar copiosamente. O Senhor levara meu pai, o Seu Raul. Partiu em silêncio, sentado num banquinho. Fechou seus olhos e expirou. Pensaram que estava desmaiado. Foi morar com Deus.
Muitos pensamentos povoaram minha mente e meu coração. A distância e a impossibillidade de viajar para seu funeral aumentou a dor e a saudade. Hoje ainda dói a sua ausência. Talvez porque ainda penso que ele está em casa a trabalhar em sua oficina. Mas Deus que é riquíssimo em compaixão vai amenizando a falta da conversa e da presença.
Acredito que o Salmo 73.24 pode ser um retrato daquilo que foi o Seu Raul. Na versão original grega diz: "Tu me conduzes pela mão a ensinar-me". Cristo ensinou várias coisas ao meu pai. Foram experiências, as mais dolorosas e as frustrações com pessoas que estimava, mas guardava todas elas no seu coração. Falava muito pouco de suas dores. Mas enfim, o Senhor o recebeu na glória.
Não por mim, nem pelas minhas certezas tão duvidosas, mas a palavra de Deus afirma, que Deus nos recebe na glória. No original é "me acolhes na glória". Se Deus nos conduzir aqui, com toda segurança ele nos acolherá em Sua glória.
A nossa vida ao lado de Cristo não é cheia de vitórias. O Salmista escritor estava a passar por uma crise existencial de identidade extremamente violenta. Dúvidas brotavam em seu coração, principalmente acerca dos que viviam na impiedade e a prosperidade deles. Até que um Dia, ele entrou "no santuário de Deus".
O templo fez toda a diferença. É na adoração e na contemplação que podemos conhecer mais o Senhor e quais são seus planos para nós. Deus se revelou ao Salmista. Ele entrou no templo e adorou, percebeu o fim dos ímpios e aceitou a compaixão de Deus em sua vida.
"Senhor, levas-me ao templo para adorar-te. Estás em meu coração e por tua graça sou um 'templinho do Senhor', onde teu Espírito habita. Concedes-me conhecer-te mais e mais até o Dia que Tu me recebas na glória".
Covilhã, 27/01/2022