Congregai os meus santos, aqueles que fizeram comigo um pacto com sacrifícios. (…) Oferece a Deus sacrifício de louvor e paga os teus votos ao Altíssimo. Invoca-me no dia da angústia, eu te livrarei e tu me glorificarás". Salmo 50.5,14,15
O Salmo 50 é um poema de Asafe, um levita do tempo do Rei Davi que cuidava dos louvores no Templo de Jerusalém. Ninguém melhor do que ele para saber e ensinar sobre o que é louvar e conduzir os sacerdotes a adoração. Certamente o Senhor se agrada quando oferecemos louvores a Ele. Porém o que Asafe nos revela aqui é que louvor, para ser verdadeiro, deve conter algumas atitudes pessoais e coletivas.
Primeiro, o que Asafe nos diz é que Deus somente aceita o louvor daquele que aceitou fazer um Pacto de sacrifício. Na verdade nenhum de nós é capaz de sacrificar-se, a não ser o próprio Filho de Deus. Ele foi o sacerdote e o sacrifício por todos aqueles que em fé no Seu sacrifício, O buscam de coração. Este sacrifício não é nosso, mas sim de Cristo que nos substituiu, condenado em nosso lugar, ofereceu-se ao Pai em nosso lugar. De nós, apenas podemos por meio da fé nEle entregarmo-nos como oferta incondicional de nossa vida.
Nosso sacrifício de adoração é o sacrifício-oferta de nosso Senhor. Por causa disso podemos e devemos nos oferecer a ele não por obrigação legal mas por gratidão amorosa. As nossas ações agora, são ações de obediência prazerosa. Contudo, o Senhor não aceita o sacrifício de louvor de alguém que embora afirme sua fé Nele, viva como um descrente.
Segundo, para que o sacrifício de louvor seja aceito por Deus é necessário cumprir os votos que cada um fez ao Senhor. Votos são promessas que fazemos a Deus. Sim, promessa é uma palavra empenhada, é a expressão verbal do que vai no coração. O Senhor nos adverte: melhor é não fazer votos, contudo se o fizer, pague-os. E para lembrar, os primeiros votos que fazemos são o voto do Batismo e da Profissão de fé. Neles, afirmamos que estamos sinceramente arrependidos do mal que temos praticado e que desejamos viver entregando cada segundo de nossa vida ao Senhor, santificando-nos e buscando em primeiro a justiça do Reino de Deus. Poderíamos enumerar uma série de votos que fazemos ao Senhor desde o momento da participação da Ceia do Senhor como, e até, todas as vezes que em oração estamos nos consagrando ao Senhor ou cantando um hino a dizer que queremos servi-lo para sempre.
Para que isso aconteça é necessário que desenvolvamos o que chamamos de discplinas espirituais, pois elas nos auxiliam a desenvolver a nossa salvação (Ef 2.12). O Espírito Santo nos supre com as mais variadas discplinas espirituais: o tempo de devoção em oração todos os dias, a presença em cultos de adoração comunitária, a participação dos sacramentos entre outros.
Lembremos que nossa natureza é inconstante, fraca, suscetível a erros. Fazer votos a Deus significa também evitar a maledicência, do perjuro, o julgamento temerário, a fofoca, a murmuração, o convívio com os impiedosos, os negócios escusos, as palavras de baixo calão. Nosso sacrifício de louvor é aceito quando renovamo-nos espiritualemnte, todos os dias e sob a graça de Deus podemos e devemos ser melhores e mais parecidos com o Senhor do que os dias que já se passaram.
Terceiro, o sacrifício de louvor é recebido pelo Senhor, quando buscamos a vida de oração constante. O Senhor diz: invoca-me no dia da angustia, eu te livrarei e tu me glorificarás. Invocar significa buscá-lo em oração. É in-vocare, isto é chamar para dentro de nosso coração a presença do Espírito Santo. Mas não devemos esquecer de fazer um trabalho de limpeza constante. O que é isso? É o esvaziamento de nós mesmos, de toda sujeira que retemos no dia-a-dia. Precisamos nos esvaziar da vaidade pessoal, do vitimismo, da prepotência intelectual e social. Sem esse esvaziamento, o Senhor não pode viver dentro de nós, ou mesmo tomar todos os cômodos de nosso coração. Quando O invocamos, ele promete que no dia da angústia Ele nos livrará. Portanto, o Senhor afirma que isso redundará em glorificação a Ele: Tu me glorificarás.
Portanto, nosso sacrifício de louvor terá sentido. Do contrário, o que faremos em particular e nos cultos comunitários será apenas muita cantoria. Canta-se muito, ensaia-se muito para depois cantar mais, Porém louvamos pouco. Nosso cantar não pode ser um canto comum, como se canta qualquer música popular. Sem o verdadeiro sacrifício, não há glorificação. Glorifiquemos o Senhor e respondamos ao seu pacto, cumpramos nossos votos e invoquemos Seu nome. Assim nosso louvor será como o dos anjos que cantam no mais altos Céus.