terça-feira, 21 de junho de 2022

Não podeis servir a Deus e ao dinheiro

Vede que vantagens Jesus Cristo nos promete e como os seus preceitos nos são úteis, livrando-nos de grandes males. O mal que as riquezas vos causam, diz Ele, não é só o de armarem os ladrões contra vós e encherem o vosso espírito de trevas. A grande ferida que eles fazem é arrancar-vos ao bem-aventurado serviço de Jesus Cristo, para vos tornarem escravos de um metal insensível e inanimado. «Não podeis servir a Deus e ao dinheiro». 

Tremamos, irmãos, só de pensar que forçamos Jesus Cristo a falar-nos do dinheiro como divindade oposta a Deus!Mas então, direis vós, os antigos patriarcas não arranjaram maneira de servir simultaneamente a Deus e ao dinheiro? De forma nenhuma. Como foi então que Abraão, como foi que Job, irradiaram a sua magnificência? Não estamos a falar daqueles que possuem riquezas, mas dos que são possuídos por elas. Job era rico; servia-se do dinheiro, mas não servia o dinheiro, era seu gestor mas não seu adorador. Considerava os seus bens como se pertencessem a outro, considerava-se dispensador e não proprietário. [...] Foi por isso que não se afligiu quando os perdeu. 

João Crisóstomo (c. 345-407) 
presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, Pai da Igreja 
Homilias sobre o Evangelho de S. Mateus, n°21, 1; PG 57, 294-296

terça-feira, 7 de junho de 2022

«Eu pedirei ao Pai, que vos dará outro Parácleto»

Não há nada tão manso ou suave em Deus como o seu Espírito Santo; Ele é a própria bondade de Deus; Ele é Deus. [...] Ao princípio – era necessário que assim fosse –, o Espírito invisível manifestou a sua vinda através de sinais visíveis. Mas hoje, quanto mais espirituais são os sinais, mais convenientes são e mais parecem dignos do Espírito Santo. Assim, Ele veio sobre os apóstolos sob a forma de línguas de fogo, a fim de que eles anunciassem a todos os povos palavras de fogo e que pregassem com língua de fogo uma lei de fogo. Que ninguém se queixe por o Espírito não Se nos manifestar da mesma forma. «A cada um é dada a manifestação do Espírito, para proveito comum» (1Cor 12,7). Será necessário dizê-lo? — foi mais para nós do que para os apóstolos que esta manifestação teve lugar. Com efeito, de que lhes teria servido falar línguas estrangeiras se não fosse para converter os povos?

Mas houve outra revelação que os tocou intimamente e ainda hoje é assim que o Espírito Se manifesta em nós. Ficou claro para todos que eles tinham sido revestidos da «força do alto» (Lc 24,49) porque, de um espírito tão medroso, passaram ter a uma grande segurança. Deixaram de fugir, deixaram de se esconder por receio; passaram então a empregar mais energia na pregação do que a que tinham empregado para fugir. Esta transformação foi obra do Altíssimo, como é claramente visível em Pedro, o príncipe dos apóstolos: se ontem se assustara à voz de uma criada (cf Mt 26,69), agora está inabalável diante das ameaças dos sumos-sacerdotes. «Os apóstolos saíram da presença do Sinédrio cheios de alegria, por terem merecido serem ultrajados por causa do nome de Jesus» (At 5,41). No entanto, havia ainda pouco, ao levarem Jesus ao sinédrio, tinham-se posto em fuga e tinham-no abandonado.

Quem poderia duvidar da vinda do Espírito de fortaleza, cujo poder invisível lhes iluminara os corações? Da mesma forma, o que o Espírito opera em nós presta testemunho da sua presença em nós.

Bernardo de Claraval (1091-1153)
monge cisterciense
1.º Sermão para o Pentecostes, 1-2

Ressurreição e Missão

“Então o lobo morará com o cordeiro” (Isaias 11.6)  Há uma crença equivocada na Doutrina da Ressurreição. Entre os cristãos atuais tra...