sábado, 3 de abril de 2021

AS FRASES DE JESUS CRISTO NA CRUZ


Hoje a cristandade ocidental se reúne para comemorar a sexta-feira da paixão e no domingo todos os anos, comemoramos a páscoa de Cristo, a sua ressurreição. Eu sempre costumo dizer que se nos reunimos no calendário cristão para cantar a Ressurreição de Cristo, deveríamos ser coerentes e nos reunirmos para cantar a sua agonia e a sua paixão.

O centro e o foco de todos os evangelhos então baseados na obra de Jesus Cristo, Sua morte e ressurreição. Não podemos apenas cultuar a Cristo e nos alegrar no domingo de Páscoa se não choramos os nossos pecados na cruz da agonia e da paixão de Cristo na sexta-feira.

Ora bem, estamos, portanto, hoje, às 12 horas para relembrar este facto terrível. Para nós salvação, para Cristo dor, agonia e morte. Mas por que às 12 horas? Porque o Senhor Jesus ficará pendurado na cruz das 12 até as 15 horas. Ele já havia sido torturado pelos soldados romanos a mando de Pôncio Pilatos que o haviam maltratado, chicoteado a tal ponto de Sua carne ser dilacerada, e agora estava pregado na cruz com cravos entre as mãos e nos pés.

Aqui nos lembramos da Escritura, do profeta Isaias 53.4-7 que nos diz: Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos. Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca.

Portanto, Nosso Senhor foi levado a Cruz. E na cruz o Senhor pronunciou 7 frases. Nelas, Nosso Senhor Jesus revela uma serie de sentimentos e verdades que marcam a nossa humanidade.

A primeira está registada no evangelho de Lucas 23.33, 34: E, quando chegaram ao lugar chamado a Caveira, ali o crucificaram e aos malfeitores, um, à direita, e outro, à esquerda. E dizia Jesus: "Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem”. Aquele que sempre ofereceu o perdão continuou a interceder pelos seus algozes. Ao lermos I Coríntios 2.8: encontramos o apóstolo Paulo a dizer: “mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória; sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória”. A ignorância para com Deus O ofende. Foi esta ignorância que nos traiu. Mesmo assim ele se entregou por nós espontaneamente. É o Cristo nos diz em João 10.18: Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar e poder para tornar a tomá-la. O perdão é a manifestação maior de sua misericórdia. No auge do sofrimento, Cristo não perde a dimensão da fragilidade do ser humano e implora o perdão para a culpa dos que o imolaram. O perdão é o primeiro passo para uma reconciliação. Seu sangue derramado na cruz nos torna limpos para voltar à casa paterna.

A segunda frase ainda em Lucas 23.42,43 foi dada ao ladrão que confessou seus pecados e admitiu sua culpa onde encontramos: “E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso. Sentindo terríveis dores, o homem crucificado ao lado de Jesus não o insultou como os demais. Ao contrário, pediu e recebeu o seu perdão incondicional e imediato. Cristo não lhe prometeu o paraíso para depois. Tampouco lhe falou de novas vidas ou de reencarnações. "Hoje mesmo" - afirmou Jesus! Jesus Cristo mostrou que a certeza da vida eterna é real e segura. Não é hesitante e falsa. Arrependimento é a chave para o encontro com o Senhor. A confissão levou o ladrão a receber a palavra de segurança. O pedido foi feito no futuro. A resposta aconteceu no presente. Hoje estarás comigo no paraíso. Hoje mesmo, e não depois.

A terceira frase foi a que o apóstolo João regista João 19.26,27: Ora, Jesus, vendo ali sua mãe e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse à sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa. Na cruz sua mãe estava ao seu lado. Maria vivenciou todos os grandes momentos de Cristo - nascimento, circuncisão, o milagre em Caná da Galileia e a condenação e morte). Maria agora é entregue a João. Estava viúva, mas o filho não esquece a mãe e a entrega a outro “filho”. A cruz é o grande símbolo do acolhimento e da proteção e do amor. Paulo aos Romanos 15.7 nos diz: Portanto, recebei-vos uns aos outros, como também Cristo nos recebeu para glória de Deus. Apesar de toda a infidelidade, ele se lembra dos seus mais queridos e amados. Neste caso, Maria sua Mãe, sem o Filho, ficaria desamparada. Ele deu a sua própria mãe para que João cuidasse dela. O Senhor continua a acolher os que estão conscientes da sua orfandade e desamparado. Os que nada tem e vivem uma vida solitária.

A quarta frase está Mateus 27.46,47: E, desde a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra, até à hora nona. E, perto da hora nona, exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lemá sabactâni, isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Em sua agonia, Jesus ora os Salmos, neste caso é o Salmo 22. Aqui é o momento da maior angústia: O Filho estava sentindo o abandono do Pai, por um lampejo de segundo. Aqui o Filho estava cumprindo a justiça do Pai. O Pai por amor abandona o filho por que ama também os pecadores e escolhidos. Toda a justiça deveria ser cumprida. Jesus por segundos foi abandonado, mas não foi e nunca será rejeitado! Encontramos em I Pedro 2.24: levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados.

A quinta frase é um clamor e está registada em João 19.28,29: Depois, sabendo Jesus que já todas as coisas estavam terminadas, para que a Escritura se cumprisse, disse: Tenho sede. Estava, pois, ali um vaso cheio de vinagre. E encheram de vinagre uma esponja e, pondo- a num hissopo, lha chegaram à boca. O corpo humano tem cerva de 40 litros de água. Se perder 15% as células murcham e o sangue fica viscoso, dificultando o trabalho do coração. O resultado é tontura, fadiga, inconsciência e por fim morte. Jesus sentiu todas as dores, chorou todas as lágrimas, verteu sangue, sentiu o cheiro da morte, da podridão e agora sentia sede. Aquele que sempre dessedentou o sedento e ofereceu a água da vida, agora recebe vinagre como resposta a sua súplica. Jesus teve sede, mas, ao invés de água, deram-lhe vinagre.

A sexta frase está em João 19.30: E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. é "está consumado!" Está pago! A obra de Cristo não é apenas uma obra de amor, mas sobretudo é uma obra de justiça. Alguém precisava completar o Pacto feito entre Deus e o primeiro homem, nosso representante. Nenhum ser humano poderia pagar. Não há um justo suficiente capaz e sem pecado para pagar o preço de um resgate de uma humanidade pecador e rebelde. Somente havia um – o Deus é homem e o homem que é Deus. Ele fora o escolhido do Pai. Jesus disse aos seus discípulos em João 12.27: Agora, a minha alma está perturbada; e que direi eu? Pai, salva-me desta hora; mas para isso vim a esta hora. Não há sacrifício humano algum capaz de receber o olhar de Deus. Não há mérito em nós. Não há obra alguma e nem a melhor intenção humana que se interponha entre nós e Deus. Contudo Jesus pagou por mim e por você. Hebreus 10.12-14 nos diz: mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre à destra de Deus, daqui em diante esperando até que os seus inimigos sejam postos por escabelo de seus pés. Porque, com uma só oblação, aperfeiçoou para sempre os que são santificados.

A última frase antes de sua morte está em Lucas 23.45-46: E era já quase a hora sexta, e houve trevas em toda a terra até à hora nona, escurecendo-se o sol; e rasgou-se ao meio o véu do templo. E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isso, expirou. – No final de sua vida o Senhor Jesus novamente ora os salmos em Salmo 31.5. Jesus rende-se diante do elemento mais aterrador, a morte. Sofre a separação do corpo e do espírito. Seu corpo baixa ao túmulo e seu espírito ainda vai ao Hades, libertar os espíritos aprisionados. (1 Pedro 3.18-19). A morte é a maior violação da criação divina. Ela será submetida. Chega ao final a agonia da cruz, Cristo entrega-se totalmente nas mãos do Pai. A ressurreição acontecerá no terceiro dia.

E a pergunta que fica é: Mas porque Jesus precisou morrer por nós? Vamos agora entrar no aspeto teológico da história. Em Romanos 3.12 encontramos: Não há quem faça o bem. E em Romanos 6.23, lemos que o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor. Essa morte é a separação espiritual entre nós e o ser de Deus, entre pecadores e o Santíssimo, aqui não devemos compreender morte como apenas a morte física, a morte espiritual, isto é nossa separação. Além disso somos incapazes de agradar a Deus, porque estamos separados dele. Não há compatibilidade entre a santidade dele e nossa pecaminosidade. Vemos isso em Romanos 8.8: Portanto, os que estão na carne, isto é submetidos a natureza humana, não podem agradar a Deus.A consequencia para toda a humanidade é de derrota, miséria e escravidão física e espiritual. Paulo já nos diz em Romanos 7.24: Miseravel homem que sou. Quem me livrará do corpo desta morte? E nada que façamos em nossa condição miserável poderá mudar a natureza de Deus, pois é Justo. Portanto, percebemos que se Nosso Senhor Jesus Cristo, seu filho nãose encarnasse e morresse por nós, jamais poderíamos ser acolhidos por Deus. Pois a condenação de seres humanos culpados e rebeldes contra o justo Deus é o banimento eterno, longe de Deus e de sua glória.

Mas houve uma reversão. Jesus tomou o nosso lugar. II Corintios 5.21 nos diz: Aquele que não conheceu o pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele fossemos feitos justiça de Deus. E em Romanos 3.24 vemos: Mas, agora, se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemunho da Lei e dos Profetas, isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;

O significado, portanto, é que tudo o que contribui para a salvação dos homens deve ser encontrada em Cristo, e não deve para ser procurado em qualquer outro lugar; ou - o que dá no mesmo – que a perfeição da salvação está contida nele.

João Calvino afirma: Cristo contrasta sua morte com a sacrifícios antigos e com todas as figuras; como se ele tivesse dito: "De tudo o que foi praticado sob a Lei, não havia nada que tivesse qualquer poder em si mesmo para fazer expiação pelos pecados, para apaziguar a ira de Deus e obter justificação; mas agora a verdadeira salvação é exibida e manifestada ao mundo." E diz mais: a religião comum tende a levar os homens a inventarem eles próprios inúmeros métodos de busca de salvação; e, portanto, inferimos, que está transbordando de abomináveis ​​sacrilégios. Todos os sacrifícios da Lei devem ter cessado, pois a salvação dos homens foi completada pelo único sacrifício da morte de Cristo.

O pregador Martin Lloyd Jones nos diz: As pessoas que não acreditam nas Escrituras, não parecen perceber completamente o que Nosso Senhor fez na Cruz do Calvário. Eles podem aceitar a sua morte sacrificial e expiatória, mas eles não conseguem perceber as implicações de sua morte. Eles sabem o suficiente para serem salvos. Muitos estão em um estado de depressão porque não percebem plenamente o que isso significa. Eles esquecem o que o anjo anunciou a José no começo que “ele salvaria Seu povo dos pecados deles”. O anjo não disse que ele salvaria de todos os pecados exceto algum único pecado que você tenha cometido. Não! Ele salvaria seu povo de seus pecados. Não há qualificação aqui, não há limites. Os pecados todos foram colocados lá na cruz. Cada um. Não há limites, não há nada deixado. Todos os pecados estavam lá. Cada um deles. Ele disse, está consumado, está finalizado. Não somente os pecados cometidos como também todos os pecados que poderiam ser cometidos.

Hoje vimos um pouco sobre o sacrifício de Jesus por nós. E você? Já se posicionou quanto a este grande acontecimento? Mas para muitos isto é apenas um evento histórico e religioso. Contudo, para os que creem é o sentido da vida e a razão de viver. Já é hora de uma dedicação total e irrestrita a este Deus que amou sem medida, que entregou seu filho para que todos os que creem nele, não pereçam espiritualmente, mas tenham a vida eterna.

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