sábado, 4 de abril de 2026

Ressurreição e Missão



“Então o lobo morará com o cordeiro” (Isaias 11.6) 

Há uma crença equivocada na Doutrina da Ressurreição. Entre os cristãos atuais transita uma idéia de ressurreição que não há base na Teologia Bíblica da Igreja Antiga. Na verdade a Ressurreição foi a motivação para a proclamação do evangelho durante os primeiros séculos. Paulo e os outros apóstolos pregavam “Cristo e a Ressurreição”. 

A mensagem evangélica era que o “Cristo morrera, mas ressuscitara”. Esta mensagem dava outro “tom” e outra “cor” ao anúncio da igreja. Com o passar dos séculos, Jesus não voltando (pois todos criam que sua volta era iminente), a pregação da igreja deixou de acentuar “Novos Céus e Nova Terra” para falar de uma salvação apenas celestial, paradisíaca somente para as almas crentes. 

A partir da diluição do conteúdo da mensagem, a missão foi sendo enfraquecida também, pois aquilo que antes era a grande notícia de nova vida e nova criação, que seria reconstituída, agora apenas se pregava uma mensagem que dava aos habitantes do mundo uma pobre salvação, isto é, apenas “alma se salvaria”. A idéia era de algo imaterial apenas, muitas vezes abstrata e etérea. 

Porém a salvação que Cristo vem nos trazer tem a ver com o resgate da vida em todo o seu sentido. É a transformação final de um sistema decadente para uma nova perspectiva física, material, gloriosa e eterna. Isso não envolve apenas o ser humano, mas sim tudo que o envolve: as vidas animal, mineral e vegetal. 

Aí então a missão faria sentido. Nosso problema com a evangelização é de que o que se prega, prega-se algo parcial e muitas vezes nebuloso e confuso. A mensagem da Fé Cristã é de que a Ressurreição de Nosso Senhor promove a esperança de que tudo será restaurado fisicamente, miraculosamente e eternamente. Por isso carecemos urgentemente de retornarmos a prática dos primeiros séculos. 

Precisamos de uma missão ecológica: Ora, se o Universo (cosmo) será refeito em Cristo, retornaremos a condição de um novo Universo. Isso tem a ver como nós tratamos o meio ambiente, como entendemos a ecologia, como domesticamos os nossos animais, como nos alimentamos, e como vivemos dentro deste sistema falido. Os cristãos deveriam ser os primeiros a possuírem políticas de vida a partir de uma forte teologia ecológica. 

Precisamos de uma missão política: Ora, se este sistema que aí está, é falido, a proposta dos cristãos é de um novo governo, sob a política teocrática: “Cristo é o Senhor”. Haveria de fato uma proposta de um novo Reino, sob as premissas de um novo Senhor. Isso com certeza produziria uma reação em cadeia do sistema satânico estabelecido. Foi também por isso que muitos cristãos eram martirizados. A igreja jamais será perseguida se não dizer “não” ao sistema político estabelecido. Precisamos de uma teologia política. 

Precisamos de uma missão social: Ora, se o ser humano em sua plenitude (corpo, alma, espírito) habitarão o novo estado de coisas, a missão deve ser a reconstrução de sua dignidade, personalidade e sociedade. Os cristãos deveriam ser os primeiros a estabelecerem escolas, hospitais, creches, orfanatos, casas-de-passagem e tudo que fosse necessário para a reconstrução do ser humano. O dinheiro e os bens deles deveriam primar por isso. 

Contudo ainda os cristãos precisam entender a ressurreição de Cristo e suas conseqüências. Enquanto isto não se der, estaremos a passos largos caminhando para a secularização da igreja e conseqüentemente para a “mundanização da mente” dos discípulos que se arvoram em afirmar que são de Cristo. Que Ele seja nossa luz a fim de aceitarmos as demandas de seu discipulado rumo a nova realidade eterna. 

quinta-feira, 2 de abril de 2026

PREPARAÇÃO PARA A CELEBRAÇÃO DA PÁSCOA II

Sequência da última semana de Jesus

A Quinta-feira - Última Ceia e prisão

• Preparação da Páscoa:
o Mateus 26:17–19
o Marcos 14:12–16
o Lucas 22:7–13

• Última Ceia:
o Mateus 26:20–29
o Marcos 14:17–25
o Lucas 22:14–23
o João 13

• Discurso final (no cenáculo):
o João 14–17

• Getsêmani (oração):
o Mateus 26:36–46
o Marcos 14:32–42
o Lucas 22:39–46

• Prisão de Jesus:
o Mateus 26:47–56
o Marcos 14:43–52
o Lucas 22:47–53
o João 18:1–11

Lavar os pés com uma toalha e uma bacia nas mãos. A disposição mental de Jesus para amar, sempre esteve muito bem definida em sua existência. Desde a eternidade, o Filho sempre existiu na relação do amor-serviço a Deus-Pai. Porém, ao desembarcar nesta terra, revelou de modo prático para que os homens pudessem perceber quem é Deus.

Ao refletir sobre os eventos da última quinta feira, somente conseguimos espelhar lampejos do amor de Deus se vencemos, dentro de nós, o obstáculo da nossa "ego-latria", a nossa própria condição, de nos auto-cultuar.

Quando a ceia terminou, Jesus tomou uma toalha e uma bacia nas mãos e começou lavar os pés de seus de seus discípulos. É impressionante. Abdicar da condição de Senhor e passar à condição de um servo ou escravo é reflexo de uma consciência pacífica: "Mais bem-aventurado é dar do que receber".

Porém, "lavar os pés e enxugar-lhos é também permitir que a sujeira destes pés respingue em nosso rosto e nas nossas vestimentas". Quantas vezes o Senhor recebeu os respingos de nossa sujeira? Mas ele decretou: "Se eu não te lavar, não tens parte comigo".

Entretanto Pedro, retruca: "De modo nenhum!" O que Jesus responde: "Pedro, tu nada entendeste até agora. Não me bajule, aceite! Tu farás isso muitas vezes com outros. A bajulação é evidência do coração vaidoso que quer tirar vantagem ao que é bajulado. Pedro tem que se resignar à sua condição de "nada".

Não há hipótese, o caminho está traçado e o exemplo dado. Só podemos amar a Deus e servi-lo, se o fazemos aos outros, a lavar-lhes a sujeira, deixando respingá-las em nós. "Se eu sou Senhor e Mestre e vos fiz, vós deveis também lavar os pés uns dos outros". Assim podereis viver ao meu lado, eternamente. Já tomamos a toalha e a bacia em nossas mãos?

quarta-feira, 1 de abril de 2026

PREPARAÇÃO PARA A CELEBRAÇÃO DA PÁSCOA

Sequência da última semana de Jesus

A Quarta-feira: Conspiração e traição

Plano para matar Jesus:
o Mateus 26:1–5
o Marcos 14:1–2
o Lucas 22:1–2
Judas Iscariotes combina traição:
o Mateus 26:14–16
o Marcos 14:10–11
o Lucas 22:3–6
Unção em Betânia:
o Mateus 26:6–13
o Marcos 14:3–9
o João 12:1–8

A traição nunca virá de um inimigo, mas sempre daquele que se faz amigo e acolhedor. Judas Iscariotes embora tendo sido chamado a ser discípulo e ainda que tenha sido nomeado a ser tesoureiro do grupo mais íntimo de Jesus, não chegou a perceber o Reino de Deus e o tratou como um reino de homens. Iscariotes deixou-se influenciar pela ideologia nacionalista que esperava um Messias político e triunfante, segundo o modelo humano. Foi levado pela idolatria da avareza, quando questionava o porque de gastar com os desfavorecidos. 

Iscariotes deixou-se dominar pelos líderes institucionais que manipulavam o povo com oratória e eloquência dos sermões maravilhosos e se punia por não conseguir ser mais do que era: um simples homem. Ele queria mais! Por isso traiu, foi comprado pela ilusão de ser bem quisto pelos que estão no poder de julgar. Judas traiu não somente o "sangue inocente", mas desprezou o Senhor que lhe deu vida. A portanto, amargou e amargurou, pois mesmo depois de ter traído Jesus, ouviu da boca dEle: "A que viestes, amigo"? 

Embora, possamos dizer, de maneira banal: "tudo isto estava profetizado", a personagem de Iscariotes nos remete ao nosso coração, quando refletimos: "quantas vezes, todos os dias, traímos ao filho de Deus, ao nos submetermos aos valores e à ética desta sociedade e ao nos deixamos manipular mentalmente pelos desejos incontroláveis da carne"? Quantas vezes usamos nossos "amigos" e não os amamos? Somos todos "tipos" de Iscariotes. Entretanto, Judas não teve melhor sorte. 

Todavia, hoje, ao olharmos para traz, temos o perdão, se de facto nos arrependemos e buscamos o Senhor de todo nosso coração. Digamos: Senhor, tem misericórdia de mim, pecador!

Ressurreição e Missão

“Então o lobo morará com o cordeiro” (Isaias 11.6)  Há uma crença equivocada na Doutrina da Ressurreição. Entre os cristãos atuais tra...