quarta-feira, 7 de julho de 2021

OUVIR MAIS DO QUE FALAR




«Que cada um esteja sempre pronto para escutar, mas seja lento para falar» (Tim 1,19). Sim, irmãos, digo-vos francamente [...], eu que muitas vezes vos falo a vosso pedido: a minha alegria é sem mancha quando me sento entre os ouvintes; a minha alegria é sem mancha quando escuto e não quando falo. É então que saboreio a palavra com toda a segurança, pois a minha satisfação não é ameaçada pela vanglória. Quem pode recear o precipício do orgulho se estiver sentado sobre a pedra sólida da verdade? «Escutarei e encher-me-ás de alegria e de júbilo», diz o salmista (Sl 50,10). É quando escuto que me sinto mais alegre; é o papel de ouvintes que nos mantém numa atitude de humildade.


Pelo contrário, quando tomamos a palavra, [...] precisamos de uma certa contenção; pois, mesmo que não ceda ao orgulho, tenho receio de o fazer. Mas, se escuto, ninguém me pode roubar a alegria (Jo 16,22), porque ninguém é testemunha dela. É verdadeiramente a alegria do amigo do esposo de quem S. João diz que «fica de pé e escuta» (Jo 3,29). Fica de pé porque escuta. Também o primeiro homem escutava Deus de pé; quando escutou a serpente, caiu. O amigo de esposo fica, pois, «transbordante de alegria à voz do Esposo»; o que faz a sua alegria não é a sua voz de pregador ou de profeta, mas a voz do próprio Esposo.

Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África)
Discurso sobre o salmo 139,15; Sermões sobre S. João, n.º 57

UMA ESCOLA PREPARATÓRIA

 




Em Mateus 7, Jesus está enfatizando que estamos a caminhar sob os olhos do Pai. O assunto específico que o Senhor está a lidar é principalmente nosso relacionamento com outras pessoas, mas sobretudo a coisa mais importante é nosso relacionamento com Deus. Isto é fundamental. Nós somos lembrados em todo o seu sermão que nossa vida por cá é uma jornada e uma peregrinação e que é isso que nos levará ao julgamento final: uma última avaliação, determinação e proclamação de nosso destino final e eterno.

Metade de nossos problemas são devido ao facto que vivemos na suposição de que esta é a única vida e este é o unico mundo a viver. Se formos questionados se nós cremos que viveremos após a morte e que nós deveremos ver a face de Deus no julgamento final, nós sem dúvida diríamos "sim"! Mas como vivemos de hora em hora? Estamos atentos a isso? O que distingue o povo de Deus de todos os outros é que é um povo que caminha na consciência de seu eterno destino. O homem "natural" não cuida de seu eterno futuro. Para ele, este é o único mundo a ser vivido. Ele vive por essa ideia e esta ideia o controla.

Mas o cristão verdadeiro caminha através desta vida consciente que ela é transitória e passageira, um tipo de escola preparatória. Ele reconhece sempre que está a caminhar na presença de Deus e que ele está a ir encontrar-se com Deus e que este pensamento determina e controla a sua vida inteira, porque nós estamos a ser preparados para este julgamento final. Nós teremos que prestar contas.

Para sempre sobre os olhos de meu Mestre (D. M. Lloyd-Jones)

Ressurreição e Missão

“Então o lobo morará com o cordeiro” (Isaias 11.6)  Há uma crença equivocada na Doutrina da Ressurreição. Entre os cristãos atuais tra...