Vivemos um
tempo onde em nossa cultura muitos estão à procura de emprego, mas poucos
querem trabalho. Venho pensando por que o Brasil não vai pra frente e chego à conclusão que o problema é cultural.
Cultura é o que se apreende de geração em geração, por meio da formação de um
povo, onde está em jogo sua história, sua colonização, as estruturas familiares
e sua idéia de luta e de conquista.
É através da
vida das pessoas de um povo onde se transmite sua paixão, sua gana e seus desejos de conquista. O que
marca uma nação conquistadora é a não-alienação, é o compromisso com pessoas e
com a coletividade. Porém, definitivamente não temos isso. Fomos colonizados
por raças que apenas fizeram sugar as nossas riquezas e nunca nos ensinaram que
vale a pena lutar mesmo na instabilidade. Nossos heróis são controversos e
esquisitos, mais devotados a matar do que se oferecerem como mártires.
Hoje vivemos
num país que culturalmente não tem muito para oferecer, não apenas para os que
aqui vivem como para o mundo que se degenera em lutas. Vemos algumas nações
hoje dominarem o mundo com sua forte condição monetária e empreendimentos
bélicos e sabemos que sua história foi regada pelo sangue dos que se entregaram
pelos ideais patrióticos. Estes, mesmo algumas vezes sendo submetidos e
derrotados em guerras passadas, hoje continuam sendo potências mundiais e estão
no topo da economia e do desenvolvimento.
No âmbito
político nossa história é decepcionante, a tal ponto de vermos na semana
passada um senador cassado que já no dia posterior era readmitido sem problema
algum em seu gabinete como Procurador Geral da República em Goiás, não perdendo
jamais os benefícios que a vida pública brasileira pode oferecer.
Poucos desejam
servir, muitos querem receber. Parece que na vida de fé, isso não muda também.
Muitos desejam receber bênçãos divinas, porém poucos querem o compromisso de
servir sem pretensão às pessoas.
Enquanto o ser
humano não for tocado por Deus em sua vida, em sua cultura, em seus ideais, pouco
será feito no âmbito horizontal. Devido a isso, percebemos que para as “coisas
de Deus”, tudo é muito difícil, é moroso e é complicado. O que mais vemos são
pessoas que desejam o poder, mas sem compromisso, sem perseverança e sem
abnegação. O problema da igreja é também de formação, de conceito, de
conversão. Hoje precisamos pagar para que vejamos o serviço fraternal feito.
Quando nos
abrirmos para Jesus, com sinceridade e simplicidade, veremos que ademais de
qualquer sistema cultural, a vida de Jesus de Nazaré é apaixonante, é cheia da
graça, é cativante, porque mesmo com todas as dificuldades existentes na sua
época, ele nunca abandonou seu objetivo de vida. Servir aos homens! Não
ofereceu o que restava, o que sobrava, mas ele mesmo entregou a vida, tudo que
era e o que possuía.
Ele é modelo e
o exemplo. Que você possa se dar conta de que não há outra razão de viver se
não viver em prol de Deus e das pessoas. Isso vai além de qualquer desculpa,
qualquer racionalização, qualquer cultura manchada e dominada pelo egoísmo e
egocentrismo.