Há uma
equivocada percepção sobre Deus e sobre Cristo. Por vezes nossa tendência é
padronizar certas experiências pessoais que temos com Deus. Achamos que se
alguém deve ter uma experiência com Deus, é necessário, indubitavelmente que
tal pessoa deve passar pela mesma experiência que nós passamos. Ledo engano.
Quando pensamos assim, ainda não compreendemos o que seja Graça e talvez não
tivemos uma experiência verdadeira com Jesus Nosso Senhor.
Como podemos
atestar isso? Ora, vejamos como Jesus Nosso Senhor se relacionava com as
pessoas nos evangelhos. Jamais vamos ver as pessoas com um mesmo tipo de vida,
mesmo estilo de conversa com o Senhor. Ao Fariseu, Jesus usava assuntos
polêmicos e um vocabulário dentro de sua realidade religiosa. À mulher samaritana
que todos os dias tirava água do poço, falou sobre água viva e sobre matar a
sede da alma. Às multidões que foram fartas com os pães, ele usava dizer que
era o “pão da vida”. Em tudo Jesus revelava Graça, de graça.
Nossas
padronizações mais oprimem as pessoas do que as liberta. A todos, Jesus
possibilitava que entendessem da verdade dentro de suas realidades, contextos e
histórias de vida. Assim quando exigimos uma resposta de cada um de acordo com
as nossas experiências religiosas, estamos anulando a Graça de Cristo e impondo
sobre as pessoas leis, regras e normas que para elas podem não fazer sentido
algum. Graça é graça desde quando se concebe uma experiência divina por meio da
fé, mas não há um único modo de experimentarmos isso. A graça é plural, e sendo
plural, há muitos modos da Graça.
Se o Espírito
Santo é como o vento (Jo 3.8) e não sabemos nem de onde vem e nem para onde
vai, a Graça é assim também. Por isso, se você espera que seu vizinho tenha a sua
mesma experiência de fé, então deverá repensar o que é a Graça de Deus. Talvez,
precise experimentar o que seja verdadeiramente esta experiência com Deus.
Como entender
melhor a Graça? A resposta está no fato de cada um de nós aceitarmos os outros
como eles são e não querermos mudá-los a partir de nós. Quando perdemos o
respeito pelas pessoas e nos achamos os únicos detentores da verdade, devido
nosso tempo de religiosidade, nossas tradições evangélicas, ou coisa parecida,
acabamos por sermos intolerantes e preconceituosos.
Nossas
experiências com Deus têm valor sim, mas para nós somente. Quantos cegos e
coxos Jesus curou? Porém nunca de uma mesma maneira. Cada um teve sua própria
experiência com Ele. Quanto mais profundos forem nossos encontros com Deus
maiores chances de vivermos e entendermos a Graça de Jesus Nosso Senhor. De
fato, peçamos sempre: “Senhor, tem misericórdia de mim, pecador”, e será o
primeiro passo para entendermos o que é Graça.