Vocação é um
mistério. Não se discerne racionalmente. A vocação tem um lastro histórico que
antecede ao Profetismo Israelita. Não se consegue compreender como pessoas tão
frágeis e tão limitadas foram chamadas por Deus para proclamar ou realizar
tarefas em nome de Deus na terra.
O que marca a
vida do vocacionado é o encontro, o chamado, a experiência com o transcendente.
Como explicar a vocação? Não sei. É um mistério. Não se explica, se vive, se
relaciona, se envolve. Não apenas se proclama com a boca, se vive uma
encarnação com o que se proclama ou com o que se faz. Todos os profetas, na
Bíblia, menos um, rejeitaram ser profetas. E sucumbiram ao Chamado. É melhor
não ser chamado (Tg 3.1). Mas se o foi, não há como fugir.
A mesma
condição vocacional continua no Novo Testamento. Não são apenas alguns, mas
agora todos são chamados. Todos são convocados a Experiência, ao Mistério. O
Espírito Santo continua convocando para o Encontro Misterioso. Não se pode
tratar com Deus como se ele fosse qualquer coisa, ou qualquer um.
Antes da Unção
há o Encontro. Não menos profundo, não menos verdadeiro do que os profetas do
Tempo Antigo. Hoje é necessário rever a Teologia do Chamamento para os cristãos.
Que Chamamento
é este? Na simplicidade do ser, conjugado com os talentos, se encontra o
propósito divino. Na profundidade da relação com o Transcendente, conjugado com
o relacionamento com as pessoas e suas necessidades se encontra o propósito da
ação.
O fracasso da
Vocação está na imaturidade do relacionamento com Deus. Estar consciente para “o
que foi chamado” é tão importante quanto estar consciente de “Quem o chamou”.
Muitos confundem esta questão e se envolvem mais com o "para que foi
chamado", do que com "Quem o chamou". Isto é sinal de que,
embora chamado, não se sabe “para onde vai’ nem “para que vai”, por que não
alimenta a sua relação com "Quem o chamou".
O êxito da
vocação é aquela que, por causa do relacionamento profundo com o Sujeito da
Vocação, pode-se saber o que fazer e como fazer.
Não existe um
chamado padrão, por que não existem experiências padronizadas. O que existe é
um chamado de acordo com a peculiaridade e natureza de cada um. O que se tem
nas mãos, o que se tem na mente, o que se absorveu como aprendizado é o
conteúdo do que se vai fazer.
Você já sabe
qual a sua vocação? (1ª. Pedro 4.10)
( foto do Ricardo Amaral, tirada em 1984, no muro do Seminário Presbiteriano do Sul, Campinas, onde comecei os meus estudos teológicos: ao meu lado, da esquerda para a direita: Ismael Leandro, Pasquale, Serginho)
