Jesus sempre procurou
valorizar o pequeno. Aquilo que era muitas vezes menosprezado pelos homens, ele
atribuía seu verdadeiro valor e importância. Procurava enaltecer o desprezível,
o insignificante e o diminuto. Deu-nos muitos exemplos a este respeito para que
pudéssemos aprender a rever nossa posição diante daquilo que é julgado mínimo
pela maioria. A semente de mostarda, o dracma perdido, a espiga de trigo, a
ovelha perdida, o copo d”água oferecido ao sedento, são alguns exemplos que
receberam de Deus o valor devido, mostrando-nos que nem tudo o que
aparentemente é secundário para o mundo, seja assim para Deus. Ensinou que à
criança pura e sensível está destinado o Reino dos Céus; e nos instruiu a
imitá-la para que também pudéssemos ser dignos deste Reino.
Jesus não era um
homem das massas, procurava orientar seus discípulos que não contassem aos
outros a maioria dos milagres. Conhecia o coração das pessoas, sabia de seus
sofrimentos e de suas inquietudes, estava ciente do quanto os homens são afligidos
pelas doenças e pelos demônios.
Valorizou as viúvas
indefesas, os órfãos, os servos, os pobres, os excluídos, os marginalizados, os
doentes, os deficientes: todos eles sensibilizavam o Deus da Vida. Contudo, a
criança era a predileção de Jesus. Via nela a imagem da pureza, a imagem do
imaculado. Na criança a imagem e semelhança de Deus que nos foi dada na Criação
permanecem fidedignas, pois Deus se revela pela sua candura. Nada sensibilizava
mais seu coração quanto ver o sofrimento de uma criança inocente.
Trouxeram uma criança
que estava possuída por um espírito maligno e que por causa disso, sofria
ataques de epilepsia que a levavam a cair no fogo ou na água para o desespero
de seus familiares. Jesus ouve da boca do próprio pai que seus discípulos não
foram capazes de curar seu filho que padecia de uma grave enfermidade e que por
isso estava trazendo diante dele, como ultima esperança.
O Senhor expôs para
todos a fraqueza e a pequenez da fé que seus seguidores mais próximos tinham; e
denunciou que esta fé vulnerável era o motivo pelo qual a cura não tinha sido
alcançada. A falta de uma fé consistente em Deus da parte dos discípulos fez o
Senhor falar de um jeito mais enérgico beirando o desabafo. Jesus estava se
referindo a pouca fé dos apóstolos que, apesar de sempre estarem em sua
companhia, pareciam não aprender muito com ele.
Imediatamente Jesus
curou o menino. Sem espetáculo, sem alardes, sem ostentação, como lhe era
peculiar. Os discípulos ficaram atônitos diante da simplicidade do gesto de cura
realizada pelo Senhor.
O Senhor revelou que a
fé inquebrantável em Deus é resultante do contínuo diálogo com Deus. A
comunicação diária com o Senhor estreita os laços de nossa filiação e nos faz
sensíveis a esta realidade. Sem um mínimo de fé não há como persistir na oração
sincera. A fé nos é dada aos poucos, para que da mesma maneira possamos
contemplar a abundante graça divina que nos é ofertada.
Jesus diz a seus
discípulos que se tivéssemos fé do tamanho de uma semente de mostarda
transportaríamos uma montanha de um lado ao outro; e que faríamos obras maiores
do que as dele. Esta constatação estampa a fragilidade da nossa fé em Deus,
revela nossa falta de perseverança na oração. Talvez a montanha primeira que
teremos que transpor seja nossa própria resistência na freqüência da oração.
Paulo
Tamanine