A PROPAGAÇÃO DO EVANGELHO! Este mapa animado é uma poderosa representação visual do movimento mais importante da história: a difusão do cristianismo.Traçando a evolução geográfica do Evangelho ao longo dos últimos 2.000 anos, este mapa mostra as viagens missionárias dos apóstolos, os pontos avançados da igreja primitiva, os focos de perseguição, os motivos de paragem de grandes batalhas teológicas da Igreja, e muito mais. Veja o poder do Evangelho para transformar "toda nação, tribo, língua, povo," e seja inspirado pelos legados dos bravos irmãos e irmãs que fielmente levaram o Evangelho de Cristo aos confins da terra. (Via Western Conservatory)
Posted by Vintage180 on Segunda, 8 de junho de 2015
quinta-feira, 11 de junho de 2015
A PROPAGAÇÃO DO EVANGELHO!
domingo, 31 de maio de 2015
Liderança Saudável ou Doentia?
“Quem faz o bem é de Deus; mas quem faz o mal não tem visto a Deus” 3ª. João 1.11
Uma liderança é caracterizada por palavras e atitudes. Todos nós espelhamos algum tipo de liderança. Seja em casa, no trabalho, na escola, na política ou na igreja. A liderança também possui estilos próprios e também motivações ou razões próprias. Quando falamos de liderança em comunidades cristãs, nos cansamos de ver homens e mulheres que nem sempre imprimem sua liderança pelo amor e sim pelo terror. O Novo Testamento nos relata a história de dois líderes no final da vida do apóstolo João. O apóstolo escrevia a seu amigo e discípulo Gaio e se preocupava tanto com “Diótrefes” quanto com “Demétrio”.
Diótrefes gostava de ter a primazia diante das pessoas, tratava seus superiores cristãos com desrespeito e falava palavras maledicentes contra eles e por fim não acolhia as pessoas, pelo contrário, com seu estilo de líder opressor e egoísta, acabava por exercer uma liderança doentia e imprimia o medo nos outros. Já Demétrio, o apóstolo chega a mencionar que em sua vida, palavras e ações era um conjunto, afirmando que a “própria verdade testemunhava a favor dele”. Tudo indica que Demétrio exercia sua liderança pelo amor e não pelo temor.
Quando não lideramos por amor, acabamos desejando o que Lúcifer desejou: a proeminência. Assim como Diótrefes, hoje ainda temos muitos deles em nosso meio porque apenas desejam ter a primazia sobre pessoas e não se oferecem a eles, servindo-os através de seus dons e ministérios. A igreja de Cristo sempre teve que enfrentar os líderes que desejavam aparecer mais do que Cristo e sempre foram e serão precipitados para onde está Lúcifer.
O apóstolo Paulo fala de bispos, presbíteros e diáconos não com a conotação de líderes que são servidos, mas de líderes que servem e entendem que o propósito último de suas vidas é doarem-se pelos outros como foi a vida de Cristo enquanto esteve entre nós.
O ministro, presbítero ou diácono são vistos como “mordomos”, ou “administradores” do que foi confiado a eles. O ministério não é deles, nem mesmo os seus ofícios. Este foi confiado por seu Senhor para que eles com fidelidade possam exercer até o fim. Eles são vistos como “despenseiros” porque dispensam e administram bens materiais e espirituais, trabalham com questões visíveis e invisíveis. E acima de tudo terão que prestar contas de tudo o que foi confiado a eles.
Assim, nos nossos dias, deveríamos ter menos líderes na concepção literal da palavra. O fato é que temos muitos por causa de um “diploma” e devido à ansiosa busca por títulos. A “Simonia” que era a compra de cargos eclesiásticos ainda impera não apenas pelo dinheiro, mas pela ansiedade de proeminência. Deveríamos compreender que para os líderes, o julgamento será duplicado (Tiago 3.1). Portanto neste dia, quando escolhemos pessoas para a liderança da igreja deveríamos estar convictos de que ser líder é algo glorioso, porém há demanda e custo. O bônus não virá enquanto servimos aqui e sim depois do ônus da doação, da renúncia, da entrega e da oferta da própria vida como fizeram tantos apóstolos e discípulos durante toda a história da Cristandade.
Para isso, devemos pedir a Deus sensibilidade espiritual para escolher líderes. Fazer separação entre os que geram saúde e os que geram doença, os que produzem opressão e os que promovem libertação. Que voltemos nossos corações e nossos olhos aos Demétrios e extirpemos o espírito de Diótrefes, pois cada um receberá de Cristo o que já está decretado.
domingo, 17 de maio de 2015
PRESBÍTERO: SUA VIDA E MINISTÉRIO
Presbítero vem da palavra “presbyteros” e significa ancião. Na igreja antiga o presbítero era considerado o “pai espiritual” ou o “pastor” das ovelhas do Senhor. O apóstolo Paulo falava que o Senhor concedeu alguns para “pastores” (presbíteros) e que além de cuidar, sua função era também de supervisionar como um bispo (episkopos). Envolvia o cuidado, o zelo, a fim de que as igrejas locais, o Corpo de Cristo vivesse segundo a Vontade de Deus. O apóstolo Paulo afirmava também que os presbíteros deveriam apascentar a igreja de Deus, a qual o Senhor havia comprado com seu sangue (At 20.28). A igreja não era dos presbíteros, mas eles deveriam cuidar dela, como mordomos.
Vale a pena ressaltar que o ministério ou a função presbiterial é de uma extrema relevância para o Reino de Deus e para a própria comunidade. Ele é chamado de “embaixador de Cristo” (2Co 5.20), “ministro de Cristo” (1Co 4.1) e de “apologista ou defensor da Fé” (Fp 1.30; Tt 1.9).
O comportamento positivo de um presbítero era se assemelhar a Cristo e aos Apóstolos. Os primeiros presbíteros foram os Apóstolos, função a qual envolvia, em seus primórdios, todas estas ações, dentre elas a perseverança na oração e no ministério da palavra (At 6.4). Pode-se dizer então que todo presbítero deveria se dedicar em primeiro lugar à piedade e a meditar nas Sagradas Escrituras (Fp 1.4-5). Além disso, sua característica não menos valiosa era seu caráter de “saber aprender” e “ensinar” aos outros. Esta missão era sua, primordialmente. O Apóstolo Paulo dizia que ao servo do Senhor não convinha contender e sim ter mansidão, sendo capaz de ensinar (2Tm 4.13) e que se dedicasse a leitura pública das Escrituras (1Tm 4.13). Ainda aos Romanos, Paulo dizia que eles deveriam ministrar, isto é, servirem e também instruir (Rm 12.7).
Eles também deveriam cuidar para não serem incoerentes no ministério. Os presbíteros deveriam abdicar de serem dominadores sobre o rebanho. Hoje há muitos que exercem opressão e não cuidado. Deveriam buscar também evitar o lucro vil. Paulo chama isso de cobiça de torpe ganância (At 20.33). Deveriam ser moderados, não ser briguentos ou avarentos (1Tm 3.3). Jamais deveriam ser “cheios de truques” isto é, astuciosos (2Co 4.2). Nem mesmo preocupados em agradar a pessoas (1Co 4.3; Gl 1.10). Paulo também diz que os presbíteros deveriam cuidar para não serem embaraçados com as coisas desta vida, isto é envolvidos e amealhados pelo mundo (2Tm 2.4). E não deveriam ser beberrões, nem glutões (Tt 1.7).
Portanto, assumir este ministério é viver transitando entre o divino e o humano, lutando pela santidade, buscando sempre ser fiel ao chamado de Cristo. Ser presbítero é estar convicto de sua vocação e não meramente exercer um cargo numa igreja. Que busquemos este alvo, para a glória de Deus.
quinta-feira, 14 de maio de 2015
quinta-feira, 2 de abril de 2015
FESTA DA PÁSCOA: A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A NOSSA RESSURREIÇÃO
Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é. (1ª João 3.2)
A maior glória de um humano pecador é saber que ele voltará ao seu estado original. Há uma enorme confusão quando os evangélicos se reúnem para celebrarem a Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Muitos nem entendem o que a Bíblia afirma sobre ressurreição. Outros confundem ressurreição com a morada intermediária celestial. Outros nunca chegam a pensar nisso e acreditam que seja uma ressurreição espiritual.
A Escritura nos ensina claramente que a ressurreição de Cristo é a nossa ressurreição. Isso significa que iremos viver fisicamente, mas em uma nova realidade: esta vida será a vida de Deus e será eterna. Por isso a Páscoa de Cristo tem tanto significado para a Cristandade. A mesma condição de Adão será readquirida e da mesma maneira que viveu Adão antes do pecado também nós viveremos.
Medite no texto acima: “Ainda não se manifestou o que haveremos de ser, mas quando Ele se manifestar seremos como Ele, por que o veremos assim como ele é”. Cristo ressuscitou para assegurar-nos que haverá uma ressurreição final. Ele nos afirma isso quando diz: “vem a hora quando todos os que estão nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão, uns para a ressurreição do juízo e outros para a ressurreição da vida (Jo 5.28-29).
Festejamos a Páscoa de Cristo segundo o Novo Testamento não apenas porque Cristo venceu a morte, mas, sobretudo porque a sua ressurreição será a nossa, tendo-o como modelo e padrão. Se ele ressuscitou em seu próprio corpo, nós também. Se ele vive eternamente em seu corpo, nós também. Haverá novo sentir, novo vinho a beber, novo olfato, novo paladar, os sentidos serão restituídos, a comunhão com terra, água e ar será renovada. A criação geme esperando a redenção do corpo. Se permanecêssemos em nossa alma no céu, a Sua obra seria incompleta. Mas de fato, como afirma o apóstolo S. Paulo, Cristo ressuscitou dos mortos, sendo ele as primícias dos que adormeceram (1ª Co 15.20).
Cristo foi o primeiro e nosso representante eterno. Depois nós, assim afirma Paulo, quando de Sua volta, os que morreram em Cristo sairão para a ressurreição. Um corpo glorificado, incorruptível numa Nova Terra, esta que será restaurada e numa só comunhão com todo o Reino de Deus: a criação estará presente, flora e fauna, mundo mineral, visível e invisível serão unidos e reunidos. Ele estará presente e o Seu Espírito estará dentro de nós e em nós.
Assim vale celebrar a Festa da Páscoa. Há muitos que celebram a Páscoa de Cristo ainda com os olhos no Antigo Testamento. Ledo Engano. Falsa Interpretação. A saída do povo de Israel do Egito e a passagem do anjo da morte eram apenas sombras do que haveria de ser.
Acordem evangélicos e cristãos! Olhem para cima, mais alto. Compreenda que há uma revelação maior, completa e eterna. Jogue fora todas as vozes sejam elas comerciais e consumistas da páscoa. Isso nada mais é do que a voz do demônio. Jogue também no lixo todas as interpretações que já lhe deram sobre a ressurreição e em fé retenha a graça para que você possa viver de olho no futuro, sendo Nova Criação já. Arrependa-se, mova seus olhos de fé em Cristo que lhe traz a esperança viva.
sexta-feira, 27 de março de 2015
NÓS E O TEMPO DA VISITAÇÃO DE DEUS
A Escritura Sagrada e os Credos e Confissões da Igreja na história sempre nos ensinaram acerca do Deus que criou todas as coisas e assim continua a exercer por meio da Graça Comum em prol de seus escolhidos sua ação de manutenção e ordenança, seja no mundo visível seja no invisível. A isso damos o nome de Providência. Em tudo e em todos Deus por meio da graça perene está agindo e continuará agindo para que o Seu Plano Redentor Eterno seja concluído.
Mas nem sempre os homens sentiram e perceberam o agir de Deus. Não perceberam, porque não foram sensíveis ao mover de Deus na face da terra. Assim nós também, cristãos e fiéis, crentes na Sua Palavra nem sempre percebemos o agir de Deus em nossas vidas e no mundo em geral. Aqui exponho algumas razões por que não percebemos o agir de Deus em tudo e em todos.
Primeiro, porque vivemos a miséria de nossa realidade no pecado. A situação a qual o mundo ficou sujeito após a queda e desobediência dos primeiros pais condicionou-nos a perder nossa sensação de que Deus está perto, agindo, interagindo e integrando-se em todas as coisas. Falta-nos o discernimento de que Deus está presente em tudo o que acontece no mundo e em nossa vida.
Segundo, porque em nossa concepção evangélica moderna, Deus somente age no mundo quando vemos grandes portentos e grandes coisas acontecendo. O homem sem Cristo e as pessoas “crentes” perderam e tem perdido paulatinamente a concepção de que Deus está agindo nas pequenas coisas, nas mínimas e nas coisas desprezadas pelo mundo natural. O agir de Deus vai muito mais além de nossa percepção obtusa e pobre.
Terceiro, por que em nossa concepção evangélica atual Deus somente age quando alguma coisa acontece positivamente e nunca negativamente. Esta é a influência da assim chamada “teologia positiva ou da prosperidade”. Dizem que Deus nunca pode agir negativamente em nós, mas sempre em nosso favor. Ledo engano e pura heresia hermenêutica. Até no sofrimento e nos paradoxos da vida Deus está agindo (1ª Co 1.26-28).
Assim como o povo de Israel perdera a noção de que Deus estava visitando seu povo quando Nosso Senhor Jesus Cristo estava em “carne e osso” na terra, assim também nós perdemos esta noção quando deixamos de, insensíveis ao Espírito Santo, percebermos os lampejos, o trabalhar dele em nossa vida, em nossa comunidade, em nosso trabalho, em nossos estudos.
Deus é como uma brisa, um vento que não sabemos de onde vem nem para onde vai. Mas ele continua agindo, se revelando, se relacionando, salvando, julgando, recriando, trazendo pessoas para ele, disciplinando, mantendo a vida dentro de nós e através de nós. Quanta graça! Quanto amor! Quanta ação! Segundo após segundo...
O que lhe falta para ver Deus nas mínimas coisas? Será que não lhe falta sensibilidade? Naturalidade? Contemplação? Lute contra seu coração duro e insensível, suplique para que o Espírito Santo mostre aquilo que Ele está fazendo. Pois por isso Israel perdeu de ver o que os Profetas queriam ver e não viram, apenas esperavam pela fé. Passou o tempo da nação de Israel! Sabe por quê? Porque eles não perceberam o tempo da visitação de Deus. (Lucas 19.44)
sexta-feira, 20 de março de 2015
CERTEZA DE SALVAÇÃO. VOCÊ TEM?
“Muitos, comparativamente, apenas creem, mas poucos ficam realmente persuadidos”. Esta é uma grande verdade. Um dos escritos do bispo reformado J. C. Ryle sobre “Segurança” traz um estudo sobre isso. Esse assunto retira das Escrituras todo embasamento teológico para defender este assunto tão relevante para a pregação e também é prático porque está interessado em questões cruciais para a nossa vida. Concordo plenamente com ele, quando muitos creem, porém poucos são os que estão persuadidos nesta fé. Principalmente nestes dias, quando nos detemos ao analisar a mensagem da Igreja Evangélica. Além do mais a obra missionária tem sido prejudicada por uma crescente onda de doutrinas variadas, na sua grande maioria infectada por outros princípios. Cremos que a Certeza de Salvação é a base de toda a vida cristã. Ryle continua: “Muitos comparativamente, possuem a fé que salva, mas poucos obtêm aquela confiança gloriosa que transparece claramente na linguagem de Paulo. Penso que todos devem admitir que assim, de fato, acontece.”
A grande maioria das mensagens de hoje, tem levado muitos a obterem uma fé nominal, mas não são persuadidos a desenvolverem sua salvação com tremor e temor (Fp 2.12). Os ventos de doutrina têm soprado e tem distorcido a ética transformando-a em ações convenientes. Quando lemos a história da igreja, claramente vemos homens e mulheres levando até às últimas consequências seu testemunho, tudo porque possuíam uma convicção inigualável que os levava a dizer: “não temos nada a perder”! Estas palavras eram o resultado, creio firmemente, da doutrina da certeza da fé, da segurança da salvação que possuíam.
Segundo J. I. Packer, “algumas vezes, os reformados modernos falavam sobre segurança da salvação como fruto da fé e outras vezes como uma qualidade da fé” e Joel Beeke acrescenta: “Neste sentido, segurança é o ‘nata’ da fé. Calvino reafirmava o que Lutero e Zwinglio defendiam. Assim para ele, fé nunca é meramente uma confirmação, mas sempre envolve conhecimento e confiança. Calvino afirmava que conhecimento e confiança são dimensões da vida de fé, mais do que mera noção material. Fé não é conhecimento histórico como Beza ensinava, mas um conhecimento certo e salvífico conjugado com uma confiança segura”. Quando os Cânones de Dort falam sobre perseverança, há uma forte ênfase de que esta certeza ocorre de acordo com a medida de sua fé, pela qual os cristãos creem que são e permanecerão verdadeiros e vivos membros da igreja invisível e que têm o perdão dos pecados e a vida eterna. Geoffrey Thomas define segurança da fé como aquela que o cristão possui e lhe dá certeza de que é um fiel e que o capacita a dizer “eu sei que meus pecados estão perdoados; eu sei que vou para o céu; eu sei por que... e dá as razões”. Hildersam assevera que a verdadeira segurança da salvação que o Espírito Santo opera no coração é como uma força que o detém de uma vida licenciosa e o une intimamente em amor e obediência a Deus.
Por causa deste tema tão apaixonante, os reformadores foram exaustivos. Claramente faziam também distinções entre fé e segurança, sempre demonstrando que havia necessidade de distinguir claramente a essência da fé e o desenvolvimento da mesma que “rechearia” esta mesma, robustecendo-a durante a caminhada cristã. E então, você tem certeza da salvação? Pense e ore sobre isso! (continua...)
quinta-feira, 19 de março de 2015
A Importância do Silêncio para Nossa Espiritualidade (Eduardo Carlos Pereira)
" Bom é aguardar a salvação do SENHOR, e isso, em silêncio". (Lamentações 3:26)
Como qualquer outro tempo da história, o nosso é uma realidade complexa com muitas variáveis e características. Duas delas saltam aos olhos por expressarem significativamente a lógica de fundo sob a qual nossa vida tem acontecido.
A primeira pode ser chamada de o culto à eficiência ou à obsessão por resultados instantâneos. Para algo ser capaz de captar nossa atenção, ganhar espaço em nossa agenda é necessário apresentar resultados concretos e rápidos, provando assim sua eficiência. Quaisquer ações, exercícios, atitudes, processos, pessoas incapazes de produzir resultados a curto prazo são descartados. A segunda marca apresenta-se como um círculo vicioso de inquietação. Radicalmente diferente de tempos outros, hoje, nosso cotidiano está repleto de estímulos externos. Estamos numa sociedade "over", onde tudo é encontrado em toneladas: informação, alimentos, cultura, arte, religião... Esta enormidade de opções nos faz viver inconscientemente uma angústia provocada pelo excesso. Alia-se a isto o fato de habitarmos cidades extremamente barulhentas. Sem que percebamos, nossos ouvidos captam inúmeros sons advindos dos mais variados objetos, pessoas e situações que compõem a complexa e incrivelmente barulhenta teia da vida urbana pós-moderna. Viver hoje é receber, num só dia, enormes doses de estímulos e barulho, tendo cada um deles poder de afetar nosso mundo interior, produzindo preocupações, ansiedades, distrações, perturbações, inquietações... Fica estabelecido então, o círculo vicioso da inquietação: um ambiente externo alimenta a inquietude do nosso mundo interior e por sua vez é exatamente esta interioridade perturbada a responsável por um mundo cada vez mais barulhento e perturbadoramente estimulante.
Falar da experiência do silêncio em tal contexto é sem dúvida nadar contra a correnteza. Quando tudo, fora e dentro de nós, convida-nos ao barulho e à inquietação, buscar experimentar o silêncio e a quietude é uma árdua tarefa. Além disso, nosso vício na eficiência vai perguntar: para que serve o silêncio? Que resultados práticos pode ele promover? Aparentemente nenhum! Então, quão desestimulante e ineficaz pode parecer para nós ser esta busca pelo silêncio e a quietude! Mas certamente, o silêncio tem sim um lugar importante na nossa vida e mais especificamente em nossa espiritualidade.
O silêncio do qual estamos falando não é uma estratégia, antes é uma disciplina espiritual. Portanto, não se trata apenas de deixar de falar com os lábios, mas, sobretudo de fazer calar as muitas vozes interiores. Não é um jejum de palavras somente, é um esforço para aquietar, ou mesmo domar, as múltiplas perturbações interiores que nos assolam cotidianamente.
É precisamente esta a lição advinda da experiência do profeta bíblico Jeremias. Ele escreve um livro barulhento. Chama-o de Lamentações. Nele registra suas inúmeras queixas para com Deus, com sua missão, com o seu povo, com seu mundo. Grita seus lamentos grávidos de irritação, decepção, frustração, ansiedade, raiva contida... Sente-se perdido. Tudo que desejava: a salvação de Deus. Ele a teve. Depois, reflete sobre esta experiência e relata: "bom é aguardar a salvação do SENHOR, e isso, em silêncio." Neste deserto vivido pelo escritor bíblico, ele encontra no silêncio seu oásis. Partindo de sua própria experiência, ele nos convida a aguardar a salvação que vem de Deus numa postura de profundo silêncio. Ao contrário do que poderia parecer, este aguardar em silêncio uma salvação que ainda não veio, não é ruim e angustiante, mas é descrito por ele como algo bom. Depois de vivida a experiência do silêncio, Jeremias dá testemunho do seu "sabor" e nos deixa saber que é bom. Por isso o silêncio aqui não é como uma regra fria a ser seguida, um "passo metodológico" para se conseguir algo, mas sim uma experiência a ser vivida, um gozo a ser usufruído.
Mas, por que este aguardar em silêncio é bom? Porque há nele um elemento curador da ansiedade até que a salvação se faça presente em nossa vida. Este silencioso aguardar pode nos levar a uma profunda serenidade interior, uma libertação de perturbações inimagináveis, nos moldando para ter uma tranqüila espera até a chegada da ansiada salvação, por isso ele é bom.
Com isso, Jeremias nos ensina de que há sim um lugar para o silêncio na nossa relação com Deus. Mais que isso, poder-se-ia mesmo afirmar ter o silêncio um lugar central na nossa experiência espiritual. O silêncio aparece aqui quase como uma condição para se usufruir esta salvação. Não há salvação fora do silêncio, pois este é o prelúdio para se experimentar aquela.
Entendamos a salvação, da qual fala o profeta, não no seu sentido eterno, mas sim no seu aspecto cotidiano. A salvação aqui descrita refere-se à intervenção salvífica de Deus naquele momento histórico. Não poderia ser de outra maneira, posto que se reduzirmos a salvação de Deus à eternidade, perdemos a sua beleza presente nas tramas e dramas da nossa existência cotidiana. Assim, há uma dimensão da ação de Deus que nos salva da ansiedade, da inquietação, da perturbação, enfim, dos múltiplos encarceramentos vividos por cada um de nós. É de dentro deste contexto que falamos do silêncio como condição fundamental para se experimentar a salvação diária nascida no alto, porém concretizada dentro e ao redor de nós.
domingo, 15 de março de 2015
O COMBATE INTERIOR (II)
Como já disse no boletim anterior, nossa maior batalha não está fora e sim dentro de nós. O maior objetivo de vivermos em Cristo enquanto estamos vivendo aqui é nos parecer com Ele. Para isso temos que viver sob o domínio do Espírito Santo. Neste caso, devemos aprender o tempo todo a expelir o que não presta de nós e nos enchermos das coisas relativas a Deus. Isso começa em nossa mente, mas tem como finalidade chegar ao coração, ao mais íntimo de nosso ser para que experimentemos o que o apóstolo Paulo chama de domínio próprio.
Há muitos crentes que não tem domínio próprio, nem trabalham isso em suas vidas. O fato de chegar ao grau de autodomínio na vida espiritual tem a ver com um conjunto de virtudes que são adicionadas na vida. São as experiências que amadurecem nosso ser. A maturidade espiritual é o propósito do enchimento do Espírito. Mas sem o enfrentamento de nossos pecados e mazelas, nenhum cristão que se digne ser chamado de crente poderá vencer as suas paixões carnais e seus desejos egoístas. Há muitos crentes egoístas, pessoas já vividas na vida, mas que não conseguem olhar as coisas e as pessoas com os olhos de Jesus Cristo. Isso porque ainda não entraram no combate interior a fim de submeterem suas paixões ao Espírito Santo.
Sem dúvida alguma as disciplinas espirituais estão ao nosso dispor para que estas nos ajudem a dominar-nos e junto ao Espírito Santo vencermos esta batalha que se não for travada, nos levará sempre a sermos os “carnais” que Paulo nos diz em Primeira aos Coríntios capítulo três. A meditação, a oração pessoal, o jejum, a solitude são deveres mais que urgentes a fim de expelirmos a agressividade, a amargura, a ironia, o sinismo, o egocentrismo, a vaidade, a melancolia, a intemperança, a mentira, e todas as demais obras que não vem do Espírito Santo de Deus.
Volto a lhe dizer, enquanto não tomarmos a decisão de confrontarmos nosso coração, não haverá uma mudança substancial dentro de nós. A presença de Deus em alguém somente poderá ser sentida no momento que depusermos nossa altivez. A HUMILDADE é a primeira das grandes virtudes que nascem em um coração rendido a Cristo, mas ela é só a primeira. Ninguém, absolutamente poderá ser um seguidor de Cristo se seu coração não for dobrado e submetido a Ele.
Há muitos crentes que embora afirmem que Cristo é o seu salvador, não o conhecem como Senhor. Seus planos pessoais, seu dia-a-dia não revelam que são salvos nem estão vivendo como o Senhor quer que vivam. Alguns dizem que são crentes por que se converteram ao método de espiritualidade de sua igreja ou denominação. Ainda lhes falta sim, uma conversão profunda e marcante. Ainda precisam entrar no combate interior, submeterem-se ao Espírito Santo. Portanto, veja como anda seu nível de humildade e verá o quanto tem do Espírito de Deus!
terça-feira, 10 de março de 2015
O COMBATE INTERIOR (I)
O combate interior espiritual é mais duro que a batalha dos homens, já dizia Rimbald. O mundo ao redor de nós nos impõe uma relação de stress. Porém somos produto do meio e somos resultado de nosso mundo interior também. Temos um patrimônio genético e possuímos uma natureza que nos trai minuto após minuto. Muitos acabam por aceitar e sucumbir ao mando da natureza interior e se submetem acatando as suas ordens, sendo dominados pelos desejos e pelas tendências do coração. Ficam como “sonâmbulos”.
Ao encontrarmo-nos com a verdade de Cristo, podemos ser conduzidos ao despertar interior e a partir daí dá-se início ao grande combate interno. Na verdade a ação do Espírito Santo em nós deseja que nos despertemos para algo mais profundo, mais intenso e mais verdadeiro em nossa relação com Ele. Cristo deseja desenterrar do fundo de nossa alma todos os elementos que obstruem uma profunda comunhão. Ele quer que aprendamos a varrer nossa alma, a procura da “dracma perdida” que está escondida na poeira dos “móveis”, onde está gravada a imagem do Cristo. Isso é o começo da santificação. Mas nossa santificação embora dependa do Espírito Santo, também depende de nós. E é neste ponto que muitos não prosperam. Aqui devemos colaborar com Deus. Prosperar na santificação não é apenas uma questão divina, mas humana também. Então travamos nosso combate interior. Por isso precisamos das disciplinas espirituais. A sua finalidade é libertar-nos do peso, da gordura espiritual, que embora tendo recebido o Espírito Santo em nossa regeneração, precisa ser sensível a ação de Deus dentro de nós a fim de minimizar os efeitos do pecado interiormente.
Muitos acham que a disciplina espiritual é algo legalista, mas não é. Ela é uma ferramenta para que possamos limpar o nosso interior e deixarmo-nos prontos ao Espírito Santo. Uma contemplativa dos primeiros anos dizia: “Grandes esforços e lutas penosas aguardam aqueles que se convertem, porém a eles segue uma alegria inexprimível. Quem quer acender o fogo, no início é incomodado pela fumaça que faz chorar, mas depois consegue o que desejava. Nosso Deus é fogo que consome. Assim devemos deixar que Ele acenda seu fogo em nós a fim de que sejamos mais e mais purificados por Ele”.
“Por isso digo: vivam pelo Espírito e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne. Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito; e o Espírito, o que é contrário à carne. Eles estão em conflito um com o outro, de modo que vocês não fazem o que desejam” (Gálatas 5.16,17).
Você está sendo convocado a entrar no combate interior a fim de que seu coração seja dominado e submetido a Cristo. Que suas paixões, seus pecados, suas manias e suas inclinações sejam pelo combate interior, afetados por esta luta que não se dá fora, mas dentro de você.
domingo, 1 de março de 2015
NÃO HÁ RESSURREIÇÃO SEM CRUZ
“dizia a todos: "Se alguém deseja seguir-me, negue-se a si mesmo. Tome a sua cruz, dia após dia, e caminhe após mim.” (Lucas 9.23)
A cruz no Novo Testamento tem o sinônimo de morte. Nenhum homem ou mulher que fosse pendurado em uma cruz possuía a certeza que sairia com vida dali, a cruz era a pena capital. O evangelho que Nosso Senhor Jesus veio anunciar sempre foi o evangelho da cruz.
A fé verdadeira não é uma fé apenas para se viver, mas para se aprender a morrer. Tomar a cruz, então, para o verdadeiro cristão e seguidor de Jesus Cristo, é o anúncio de sua morte pois não há vida sem morte. Não há vida sem sofrimento. Não há ressurreição sem cruz, não há poder se não na fraqueza. Por isso todos nós somos convidados por Nosso Senhor a morrer por que sem a morte a vida verdadeira não desabrochará dentro de nós. Lembremo-nos de quantas vezes Ele ensinava: "Quem quiser viver, deve aprender a morrer". "Quem quiser ganhar, irá perder". "Quem desejar ser o maior que seja o menor".
Neste tempo que antecede a festa da Páscoa Cristã, a ressurreição de Nosso Senhor, somos chamados a tomar a nossa Cruz dia após dia. Isso nos ensina que:
1) Devemos aprender a morrer para nossos pecados. Enquanto alguém não aprender o caminho da cruz, nunca viverá eternamente. Somente quando nos desarmamos e confiamos em Cristo, como o único possível para gerar a vida, morreremos para os nossos pecados. Morrer para nosso pecado é deixar que Cristo nos liberte da escravidão a qual estamos. Nosso Senhor dizia aos Judeus: “Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36). O pecado dentro de nós nos amarra, nos torna servidores dele mesmo. Para isso, foi revelado Nosso Senhor, para nos libertar. Confiar em Cristo e entregar-se a Ele é o primeiro passo.
2) Devemos aprender a esvaziarmo-nos de nós mesmos. Nosso coração é enganoso e nos engana a todo o momento. O pecado jaz em nosso íntimo. Nossa vaidade é a maior manifestação do pecado que existe em nós. Nosso Senhor nos ajuda a entender dizendo que “o mal não é o que entra em nós senão aquilo que sai de nós”. O primeiro engano que trazemos dentro de nós é a autoconfiança, que somos bons, que somos verdadeiros e sinceros. Por isso aquele que não possuir uma visão correta de si mesmo sofrerá mais. Precisamos dia a dia esvaziarmos de nós mesmos. O caminho para isso é o auto exame de nossas motivações e sentimentos. Saber o porque, de facto, faço isso ou aquilo é o ponta-pé inicial.
3) Devemos aprender a doarmo-nos para os outros. Nosso Senhor disse: “Não existe maior amor do que este, que de alguém dê a sua vida em prol de seus amigos”. Quando renunciamos nosso amor-próprio e nos doamos aos outros, estamos aprendendo o caminho da cruz, porque renunciamos algo em nós. Cristo nos deixou o exemplo para seguirmos os seus passos. Isso não significa suicídio mental ou intelectual. Doação e renúncia formam os dois elementos do amor de Deus. Para que nos doemos pelos outros, devemos aprender a renunciar algo dentro de nós mesmos.
Portanto, essa é a essência da vida. Não vivemos melhor quando tudo está em ordem ou estamos conquistando muito, ou quando estamos abastados financeiramente, mas quando entramos na luta dentro de nós, uma luta com nosso próprio EU.
Essa luta que começa dentro de nós, possui um alvo: ressuscitar com Cristo. Não há nada nesse mundo que possa trazer ao ser humano a verdadeira graça senão de se encontrar com Cristo. Prepare-se para ressuscitar, mas antes entre no bom combate. Aquele que passa pela luta interior terá a coroa da vida.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
CANSADO MAS NÃO ESGOTADO!
Cansado daqueles que prometem e nunca cumpriram.
Cansado daqueles que fazem muito barulho mas nunca produziram som harmonioso.
Cansado daqueles que pregam muito bem mas nunca geraram compromisso com Cristo.
Cansado daqueles que impressionam com seu carismatismo mas nunca viveram com caráter.
Cansado daqueles que fazem muita propaganda mas sempre foram vazios e manipuladores.
Cansado daqueles que falam sobre oração mas que nunca oraram incessantemente.
Cansado daqueles que são referências da sã doutrina mas que nunca praticaram vida piedosa.
Cansado daqueles que falam de obediência, mas nunca se sujeitaram a alguém.
Cansado daqueles que usam jargões sobre prosperidade, mas nunca viveram com simplicidade.
Cansado daqueles que sempre disseram "faça o que eu mando", mas nunca afirmaram "faça o que eu faço".
Cansado daqueles que irresponsavelmente dizem "não olhe para mim, olhe para Jesus".
Cansado daqueles que vivem a falar de um evangelho raso usando como base a espiritualidade de terceiros.
Apesar de todo cansaço...
Não me canso de esperar por aquele dia, onde Cristo descerá do céu e fará tremer os montes e queimará a palha e colocará uma nova ordem neste sistema entrecortado de falácias que se aninham no coração dos homens.
Não me canso de esperar por aquele dia quando Cristo colocará os "bodes" de um lado e as "ovelhas" do outro e julgará retamente segundo as obras de cada um.
Não me canso de esperar por aquele dia quando Cristo fará passar no cadinho a vida de cada um e diante do Seu Temível e Grande Tribunal e tomar para si os que lutaram e viveram em conformidade com a Sua Palavra.
Não me canso de esperar por aquele dia quando Cristo num piscar de olhos promoverá a restauração desta terra e ressuscitará aqueles que morreram em Cristo e não amaram suas próprias vidas.
Não me canso de esperar por aquele dia quando muitos, embora chamados, poucos serão escolhidos.
Não me canso de esperar por aquele dia quando Cristo olhar profundamente para mim e perguntar: "Você acreditou que eu lhe amei"?
Ajuda-me Senhor a continuar me cansando daquelas coisas próprias deste mundo e me renove a continuar esperando por aquele dia quando Tu mesmo descortinará uma nova e eterna história.
Maranatá, ora vem Senhor Jesus!
Cansado daqueles que usam jargões sobre prosperidade, mas nunca viveram com simplicidade.
Cansado daqueles que sempre disseram "faça o que eu mando", mas nunca afirmaram "faça o que eu faço".
Cansado daqueles que irresponsavelmente dizem "não olhe para mim, olhe para Jesus".
Cansado daqueles que vivem a falar de um evangelho raso usando como base a espiritualidade de terceiros.
Apesar de todo cansaço...
Não me canso de esperar por aquele dia, onde Cristo descerá do céu e fará tremer os montes e queimará a palha e colocará uma nova ordem neste sistema entrecortado de falácias que se aninham no coração dos homens.
Não me canso de esperar por aquele dia quando Cristo colocará os "bodes" de um lado e as "ovelhas" do outro e julgará retamente segundo as obras de cada um.
Não me canso de esperar por aquele dia quando Cristo fará passar no cadinho a vida de cada um e diante do Seu Temível e Grande Tribunal e tomar para si os que lutaram e viveram em conformidade com a Sua Palavra.
Não me canso de esperar por aquele dia quando Cristo num piscar de olhos promoverá a restauração desta terra e ressuscitará aqueles que morreram em Cristo e não amaram suas próprias vidas.
Não me canso de esperar por aquele dia quando muitos, embora chamados, poucos serão escolhidos.
Não me canso de esperar por aquele dia quando Cristo olhar profundamente para mim e perguntar: "Você acreditou que eu lhe amei"?
Ajuda-me Senhor a continuar me cansando daquelas coisas próprias deste mundo e me renove a continuar esperando por aquele dia quando Tu mesmo descortinará uma nova e eterna história.
Maranatá, ora vem Senhor Jesus!
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
SE QUERES A PAZ, PREPARA-TE PARA A GUERRA!
Na verdade, nosso mundo é o reflexo de nossas almas, quando, simplesmente, em nome da liberdade ofendemos nosso semelhante, desrespeitamos a liberdade de consciência revelando o quanto desumanos somos. A filosofia ateísta e agnóstica europeia e estaduninense que pratica o desrespeito é absurdamente monstruosa e mata tanto quanto os terroristas islâmicos.
Por isso, Nosso Senhor veio não apenas para assumir a reconstrução de nossa humanidade como também para reconciliar pessoas, povos e nações. Ao afirmar a máxima do amor, Cristo define que amar a Deus é também ao mesmo tempo, amar o semelhante. E aqui, amar subentende-se toda a virtude que transforma o ser des-humano em humano em sua plenitude. Portanto, nossa sociedade somente encontrará a paz (sinônimo de ordem e ausência de conflito), quando tão somente cada ser des-humano experimentar um encontro interior com o Deus-Humano e for transformado, não de fora para dentro, mas, de dentro para fora, a partir da fé pessoal.
O mote: “se quiseres a paz, prepara-te para a guerra”, foi desconstruído na Cruz do Calvário. Na cruz, Deus nos ensina que Ele mesmo, rompeu os céus e desceu para dar o primeiro passo na conquista do ser des-humano a fim de que eles fossem humanizados plenamente recebendo a boa-notícia: “Deus é amor”! E essa paz começa em todo relacionamento, seja conjugal, familiar, social, religioso e político.
O mundo ainda há de ver muito sangue sendo derramado. Alguns por conhecerem o amor de Deus oferecerão suas próprias vidas, outros, por usarem o nome de Deus como justificativa para seus atos egoístas e ainda outros por não compreenderem o que realmente significa liberdade. “Se vocês permanecerem na minha palavra, são verdadeiramente meus discípulos, e conhecerão a verdade, e a verdade os libertará". João 8:31,32
sábado, 10 de janeiro de 2015
HUMILDADE: A GLÓRIA DA CRIATURA
A vida que Deus entregou é concedida não de uma vez, mas a cada momento, continuamente, pela operação incessante de Seu grandioso poder. A humildade, o lugar da plena dependência de Deus, é, pela própria natureza das coisas, a primeira obrigação e a virtude mais elevada da criatura, e a raiz de toda virtude. O orgulho, ou a perda dessa humildade, então, é a raiz de todo pecado e mal. Foi quando a serpente exalou o veneno do seu orgulho, o desejo de ser como Deus, no coração de nossos primeiros pais, que eles também caíram da sua posição elevada para toda a desgraça na qual o homem está, agora, afundado.
Por isso, nossa redenção tem de ser a restauração da humildade perdida, o relacionamento original e o verdadeiro relacionamento da criatura com seu Deus. E, portanto, Jesus veio trazer a humildade de volta à terra, fazer-nos participantes dessa humildade e, por ela, nos salvar. Nos céus, Ele se humilhou para tornar-se homem. Sua humildade deu à Sua morte o valor que ela hoje tem e, então, se tornou nossa redenção. E agora a salvação que Ele concede é uma comunicação de Sua própria vida e morte, Sua própria disposição e espírito, Sua própria humildade. Jesus Cristo tomou o lugar e cumpriu o destino do homem, como uma criatura, por Sua vida de perfeita humildade. Sua humildade é nossa salvação. Sua salvação é nossa humildade. Com minúscula no original, não se referindo ao Espírito Santo, mas usada como sinônimo de disposição.
Todo o relacionamento do ser humano com Deus tem de ser marcado por uma humildade que a tudo permeia. Sem isso, não se pode permanecer verdadeiramente na presença de Deus ou experimentar do Seu favor e o poder do Seu Espírito; sem isso não há fé, ou amor, ou regozijo ou força permanentes. A humildade é o único solo no qual a graça enraíza-se; a falta de humildade é a suficiente explicação de todo defeito e fracasso. A humildade não é apenas uma graça ou virtude como outras; ela é a raiz de todas, pois somente ela toma a atitude correta diante de Deus, e permite que Ele faça tudo.
O chamado para a humildade tem sido muito pouco considerado na Igreja porque sua verdadeira natureza e importância têm sido muito pouco compreendidas. Humildade não é algo que apresentamos para Deus ou que Ele concede; é simplesmente o senso do completo nada-ser. Na vida dos cristãos sérios, aqueles que buscam e professam a santidade, a humildade tem de ser a marca principal de sua retidão. É frequentemente dito que isso não é assim. Não poderia ser uma razão para isso o fato de que, no ensinamento e exemplo da Igreja, a humildade nunca teve o lugar de suprema importância que lhe pertence? E que isso, por sua vez, é devido à negligência desta verdade: que, forte como é o pecado como um motivo para humildade, há uma influência mais ampla e mais poderosa, a qual faz os anjos, a qual fez Jesus, a qual faz o mais santo dos santos nos céus tão humildes: que a primeira e principal marca do relacionamento da criatura, o segredo de sua bem-aventurança, é a humildade e o nada-ser que permitem que Deus seja tudo?
Portanto, essa humildade não é algo que virá por si mesma, mas deve ser feita o objeto de especial desejo, e oração, e fé e prática. Vamos estudar o caráter de Cristo até nossa alma estar cheia de amor e admiração por Sua humildade. E vamos crer que, quando temos a percepção de nosso orgulho e de nossa impotência para expulsá-lo, o próprio Jesus Cristo virá para dar essa graça também como parte de Sua maravilhosa vida dentro de nós.
Adaptado de Andrew Murray
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
O QUE SERÁ DE NÓS EM 2015?
O ano de 2015 pode ser difícil. Muito difícil. As previsões econômicas e políticas no Brasil não são otimistas. É bem possível que a inflação continue a crescer. O governo federal já anunciou nesta semana uma série de cortes nos direitos dos trabalhadores.
Poderíamos fechar este ano como muitos fazem, desejando uns aos outros “muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender”. Poderíamos correr a beira-mar para, como tantos, darmos os sete pulinhos quebrando as ondas do mar a fim de que conquistemos todos os nossos desejos.
Mas meus amigos e irmãos, 2015 só depende de nós! Não há mistério, nem superstição ou simpatia que contribua mais ou menos para nossa vida. Somos resultado do que pensamos, falamos e fazemos. Se o fazemos com Cristo no coração tudo irá bem, mesmo quando acharmos que não está bem. Nosso caminhar sempre será sob as vistas daquele que a tudo vê e a tudo dirige.
Cabe-nos sincronizar-nos todos os dias com Aquele que tem o mundo nas mãos. Então enquanto caminhamos olhamos para frente, tendo satisfação verdadeira naquele que tem o poder da vida e da morte. Porque quer vivamos, quer morramos somos de Cristo, o Senhor. Isso basta! Um forte abraço, daquele que sempre roga em suas pobres preces por vocês.
Continuemos a caminhada da fé, esperando sempre “novos céus e nova terra, onde habita a justiça”.
Que Deus abençoe o ano de 2015
sábado, 27 de dezembro de 2014
E O QUE VEM DEPOIS DO NATAL?
O Natal passou. As ofertas de compras chegaram. Muitas lojas como de costume acabam por baixar os preços de seus produtos para tentarem dar fim ao estoque que ficou. Muitos vivenciam a ressaca de uma noite de bebedices e gulodices. Vivem agora o amargor de um Natal onde os limites das paixões se perderam entre pagodes e sambas. Para muitos o Natal não passa de uma festa onde a maioria nem sabe porque mais um feriado. Bem, dizem estes, se é feriado, vamos lá para mais uma festança.
Na Igreja Antiga o Natal vem recheado de uma série de símbolos e de significados. O Natal não se celebra em um dia apenas mas em um período. A Igreja Oriental direcionada pelo Calendário Juliano somente celebra a Encarnação de Deus no dia 6 de janeiro e a Igreja Ocidental em 25 de dezembro. Mas a celebração vai além de uma data histórica, ela ultrapassa a ideia popular e ignorante e nos leva a refletir, orar, meditar e consagrar-se a Deus de modo mais salutar e concreto. Não há sentido algum celebrar o Natal se não estamos em comunhão com a Divindade por meio de Cristo, Deus Encarnado.
Portanto, o Natal traz novas perspectivas de vida. Ao comemorarmos e meditarmos profundamente sobre este acontecimento somos conduzidos a estreitar mais ainda nosso relacionamento com Cristo. Qualquer pessoa que esteja em comunhão mais profunda resignar-se-á a tal ponto de aceitar a soberania divina sobre sua vida. Deus tomou a iniciativa de revelar-se em nossa humanidade. Ao mesmo tempo, que se dedicará mais exclusivamente a Deus. Comprometer-se-á com Ele e com as consequências de uma fé objetiva. Pela fé adotará um estilo diferente e lutará por isso. A história do Natal se completa em nós quando achamo-nos conscientes de nossa condição de miséria espiritual e aceitamos viver debaixo da verdade de que “se Cristo se encarnou e me aceitou, a graça em minha vida é uma realidade cotidiana”.
O que vem depois das comemorações do Natal? Se forem as consequências naturais de uma vida aos pés de Cristo, então esse caminho é o certo. O Deus dos cristãos tem nome, não é um ser abstrato, etéreo, uma divindade impessoal. Os cristãos verdadeiros se saúdam com o Natal de Cristo. Por meio de Cristo, Verdadeiro Homem e Verdadeiro Deus, encontramo-nos conosco mesmos, e nos expomos a viver em prol dos outros como Ele viveu. A Lei do Antigo Testamento culmina-se em Cristo e nos estimula a viver seus mandamentos de modo que estes não são um fim, mas um meio para a santificação. A regra pela regra não tem sentido algum, diante do Deus gracioso que por amor ao ser humano, planejou uma grande agenda a fim de conquistá-lo eternamente.
O Natal nos inspira, nos estimula, nos motiva e nos arranca de nossa zona de conforto e nos leva em missão ao mundo.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
O MAIOR ACONTECIMENTO DA HUMANIDADE
Verdadeiramente o Cristianismo é a única religião neste planeta que afirma que a Divindade se fez homem. Durante muitos anos esta afirmação foi contestada dentro da própria igreja, até que no ano 325 (d.C.) a Igreja asseverou as duas naturezas de Cristo: Divina e Humana, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem.
Com o passar dos tempos muitos tentaram ensinar que Jesus Cristo era um deus menor e por isso a Igreja sempre lutou contra as heresias. Você já imaginou se Cristo não fosse Deus realmente? A conclusão que temos é de que se Ele não fosse Deus todo o propósito para a salvação da humanidade e a reconstrução deste planeta estaria fadada ao fracasso. Deus em sua Soberania, em prol de sua busca pelos homens, determinou que nós, feitos a Sua imagem e à Sua semelhança tivéssemos a possibilidade de sermos resgatados pelo sacrifício de Seu Filho, de sua mesma essência embora homem em toda a sua plenitude. Portanto, o Natal não pode e nem nunca será uma festa mundana e comercial. Para os verdadeiros cristãos o Natal se reveste de um conteúdo celebrativo e de grande alegria. O Deus Soberano não ficou longe de nós. O Logos se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos s a Sua glória como a do filho único de Deus.
Assim, os cristãos verdadeiros glorificam a Deus, pois sua encarnação trouxe a esperança de novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça. Nosso Natal jamais pode ser comparado e delimitado pelas alegrias efêmeras e motivado por presentes e mimos.
Longe disso, os cristãos verdadeiros estão conscientes que Deus desceu, nasceu de uma virgem, isso não foi uma teofania, recebeu carne e sangue, tornou-se verdadeiramente homem e viveu como tal, a fim de que fosse nosso representante fiel. Adão no passado, não conseguiu nos redimir pela sua infidelidade, pelo contrário, o primeiro homem trouxe o pecado, mas o Segundo Adão trouxe-nos a vida abundante (Rm 5.12-21).
Você é convidado a aceitar esta verdade: Deus veio em carne e osso, em cheiro e suor, para lhe representar, diante da justiça divina, substituir-nos naquela cruz e ressuscitar a fim de que o Plano Divino fosse perfeito e todos aqueles que o recebessem por meio da fé começassem a viver desde já a alegria verdadeira daquilo que será real e física, eterna e duradoura. O maior acontecimento da humanidade mudou a história do mundo. O Deus verdadeiro se encarnou! Deixe seu coração ser conquistado por Ele!
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
NATAL: ESPERA TRANSFORMADA EM FATO
Para que o próprio Deus se encarnasse, houve um tempo de espera e preparação. O tempo conhecido por Advento é um tempo de espera até o momento do nascimento do Rei. Mas, esperar nem sempre é bom.
Quantas vezes nos desesperamos porque não acontece o que pedimos na hora que queremos? Quantos não esperam ansiosamente a conversão de um ente querido ou a cura de uma pessoa que amamos ao lado de uma cama de hospital? Esperar não é fácil! De uma forma mais profunda, quanto tempo o mundo visível e invisível esperou a encarnação de Jesus Cristo? No mínimo por 5.000 anos.
Deus se fez homem, habitou entre nós, morreu e ressuscitou para cumprir o plano divino para restaurar o homem e o universo. Agora, o nascimento de Cristo traz um novo significado. A espera tornou-se um fato histórico e uma oportunidade. Oportunidade para compartilhar as boas novas de vida com nossa geração. O mistério que estava oculto pelos século, agora foi manifestado. O medo transformou-se em fé, pois, apesar da luta, por esperar a solução de problemas, podemos crer que assim como Deus prometeu Jesus para nos dar vida, também Ele voltará para abrir diante de nós novos céus e nova terra.
Assim refletimos, entendendo que o Natal nos encoraja a não desesperarmo-nos enquanto esperamos. O Natal nos ensina a confiar em Cristo mesmo quando passamos por situações terríveis e desesperadoras. Com certeza Deus há de cumprir todas as suas promessas. Se a maior promessa foi cumprida ao enviar Seu Filho, como não nos dará com Cristo todas as coisas? As Escrituras nos afirmam que Deus não é homem para mentir. Se você entregou-se a Cristo pela fé, tenha absoluta certeza que se Ele prometeu que você seria salvo, assim o é e assim o será. Paulo aos Gálatas 4.4, que na plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho.
Espere a plenitude do tempo na sua vida. Descanse no Senhor, entregue suas inquietações a Ele, desenvolva um espírito de resignação enquanto você não tem visto algo claro com respeito à vontade de Deus. Conheça o Deus que é fiel a seu plano eterno e com certeza Ele o conduzirá dentro de sua vontade. Desenvolva a prática da oração e a vida comunitária entre os irmãos da mesma fé. Continue crendo contra a esperança dos homens que se desvanece. Grande lição o Natal nos ensina. Considere a Encarnação Divina e sua vida esperará não apenas a redenção de sua alma, mas também de seu corpo, eternamente.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
NATAL: ENCARNAÇÃO DO DEUS VIVO
E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai. (João 1.14)
A comunhão íntima do Apóstolo João com Jesus lhe dá autoridade de revelá-lo como Deus. Ele revela a grande doutrina de Deus: A encarnação do Verbo Divino. O período natalino não teria razão de ser, se não descobrirmos a razão de nossa fé: Deus se fez Homem. Mas nem todos podem perceber isso. O fato é histórico e espiritual. Historicamente queremos dizer que Deus tocou a nossa história. Não é uma lenda. Espiritualmente não se percebe porque somente alguém que nasce de Deus pode acolher esta verdade eterna.
Algumas verdades brotam deste versículo:
1. Deus habitou entre nós: Ele não é impessoal, mas o verbo aqui empregado indica que “Deus abriu as abas de sua barraca sobre”. Ele tabernaculou, morou, sendo UM conosco. Sendo Igual na humanidade, porém diferente na essência. Se submetendo a viver com homens, a viver sob os sistemas humanos. Para prover aos homens a vida .
2. Deus habitou cheio de graça e verdade: A partir de agora a glória de Deus está naquele que foi criado. Ao humanizar-se, Deus revelou a sua graça. Jeremias profetizava: “Porei uma nova aliança”. A vida de Jesus é cheia de graça e de verdade do começo até o fim. Jesus revela fortemente a sua graça, a iniciativa de Deus, o favor imerecido, está no cântico de Maria (Lc1.50), na aceitação de José sobre o período de gestação de Maria (Mt 1.23 cf. Is 7.14 – O Deus conosco).
3. Deus habitou revelando a glória de Deus: A glória de Deus foi vista pelos pastores, revelada em Jesus por meio de palavras e gestos. É assim que Ele se revela a mulher samaritana, ao paralítico no dia de Sábado, às multidões famintas de pão, sendo o único meio de dessedentar o árido, na cura do cego, como bom pastor, produzindo a esperança da ressurreição na história de lázaro. Ele é aquele que você pode ver na vida dos seus irmãos. João 17.22: E eu lhes dei a [glória] que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um; POR MEIO DA UNIDADE.
Neste Natal encontre-se com Aquele que se encarnou, para revelar Aquele que embora tão Infinito é tão pessoal quanto você é. Glória a Ele para todo sempre.
sábado, 8 de novembro de 2014
CRESCIMENTO DA IGREJA LOCAL
Será que você já se perguntou alguma vez? O que Deus deseja da minha comunidade local? O que as Sagradas Escrituras nos ensinam sobre a atuação de Deus na comunidade?
O Crescimento da Igreja é como um processo de vida. Precisa ser visto como uma ação coletiva. Alan R. Tippet dizia que “um corpo cresce quando o faz nas diversas áreas da vida e reciprocamente”. Orlando Costas também afirmava: “O crescimento do Corpo de Cristo ocorre em vários níveis, é multidimensional”. Quando há um verdadeiro crescimento em uma igreja local podemos percebê-lo pelo menos em três dimensões: Quantitativamente (em números de pessoas), qualitativamente (em maturidade espiritual pessoal e coletivo) e organicamente (como Corpo de Cristo nos diversos ministérios, dons e talentos). Este crescimento deve ser equilibrado. Se uma dimensão cresce mais que outra haverá deformação.
Portanto você deve se perguntar: “O que Deus deseja de minha comunidade local?” Se olharmos as diversas parábolas contadas por Cristo como a do grão de mostarda (Mt 13.31-32), como a do fermento (Mt 13.33), como a da rede cheia de peixes (Mt 13.47-50) ou como a da colheita no campo (Mt 13.24-30), vemos que em todas elas há consequências que falam de crescimento (Mt 16.18; Sl 22.27; 1 Tm 2.4; Jo 3.17).
Então sua igreja precisa crescer de forma balanceada e cada um de nós temos uma participação efetiva nisso. O crescimento precisa envolver quantidade (É pessoal e social porque envolve um aumento no número de participantes no grupo e na família da Fé). O crescimento precisa ser orgânico (É coletivo e envolve o relacionamento horizontal entre os membros e congregados da igreja e o serviço de uns para com outros é fundamental). O crescimento precisa revelar maturidade espiritual (É pessoal, íntimo e vertical, porque envolve o relacionamento entre cada um de nós e a pessoa bendita do Espírito Santo).
Vemos que o Espírito Santo, o "dono" de nossas vidas sempre trabalha de maneira equilibrada. Assim ele também deseja e nos encoraja a crescer, equilibradamente. Veja as ênfase: "... antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo (Efésios 4.15) ou "... e o próprio Deus de paz vos santifique completamente; e o vosso espírito, e alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo" (1ª Tessalonicenses 5.23) ou "um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei a vós, que também vós vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros" (Ev. João 13.34,35). Eles afirmam que todos, indistintamente, todos os cristãos devem manter comunhão contínua, serviço frequente e espiritualidade pessoal.
Quero lhe perguntar: “O que aconteceu em sua comunidade ou grupo de fé até o dia de hoje”? Pense com sinceridade. Analise sua participação na igreja. Dentre os três tipos de crescimento, o qualitativo é o mais difícil de medir; o quantitativo é o mais fácil e o orgânico, apesar de fácil, precisa-se de muita análise.
Mesmo que você não esteja frequentando há muito tempo uma igreja, vale a pena procurar fazer uma análise pessoal e comunitária para que você veja onde está e como a coletividade quer ir. Pense e tome uma decisão hoje mesmo de participar efetivamente do crescimento de sua igreja. Mas sempre equilibradamente, não segundo os homens e sim segundo o Espírito Santo. Comece a buscar o crescimento de sua igreja, só depende de você, para começar.
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
UM MENINO OS CONDUZIRÁ!
Nosso país vive uma crise de autoridade. Autoridade que depende não somente de legitimidade para governar como condições e qualificações para o cargo. O sistema ao qual estamos submetidos sempre fala que autoridade tem aquele que é forte física e intelectualmente. O reino de Cristo apregoa uma autoridade daquele que é simples e menor aos olhos humanos. No evangelho de Mateus (18.1-6) a disputa dos discípulos era a respeito de quem seria o maior no Reino. Isto se deu pelo fato do acontecido no Monte da Transfiguração onde Pedro, Tiago e João tiveram o privilégio de estarem com Jesus. Porém o Senhor enfatiza de que a principal preocupação dos discípulos deveria ser entrar e participar do Seu reino. Isso é o que importa. Conquista, prosperidade, grandeza, investimentos, bens, estabilidade são palavras avessas ao reino de Cristo. Portanto, é essencial que entendamos algumas premissas para nos tornarmos parte deste reino eterno:
1) Mudança interior. Nosso Senhor afirma: “se não vos converterdes” (18.3). O melhor exemplo é o da criança. O reino começa dentro de nós. Tornar-se como uma criança é estar preparado para uma reviravolta completa nos propósitos e no destino de nossa personalidade. Os participantes deste reino se convertem ao princípio que rejeita os padrões mundanos e ordinários como honra humana, posição elevada, fama, preconceito, etc.
2) Simplicidade. Cristo nos afirma: “e não vos fizerdes como crianças.” (18.3,4). A simplicidade é a característica do reino de Deus. É o elemento vital de grandeza deste reino. Jesus mostra que é impossível ao homem desenvolver um relacionamento com Deus baseado em arrogância, opulência e força. A humildade do reino de Cristo é exemplificada na vida de uma criança. Quando o caráter é moldado pela simplicidade de Cristo, o comportamento faz diferença numa sociedade que prega o luxo, a discriminação, o preconceito, a duplicidade e o engano como tipos de sucesso.
3) Solidariedade. Ele também afirma: “qualquer que receber esta criança em meu nome a mim me recebe” (18.5). A solidariedade demonstra o cumprimento da Lei de Cristo: “Amar ao próximo como a ti mesmo”. Fazer parte do reino de Cristo é saber acolher e receber os que muitas vezes são estigmatizados pela convivência social. Assim vemos no exemplo de Jesus com a mulher samaritana, o cego de Jericó, o endemoninhado gadareno e com as crianças (desprovidas de maturidade e entendimento). A Solidariedade valoriza o ser humano (Fl 2.3).
sábado, 4 de outubro de 2014
E AGORA, JOSÉ? A igreja e missão: Uma reflexão
Não há outra igreja a não ser a igreja enviada ao mundo, e não há outra missão, a não ser a da Igreja de Cristo”. (Johannes Blauw)
Nosso século é o século das anomalias e doenças. Vivemos isso também no que se refere à religião. Há muitos que separam a igreja de sua missão. Acham que somente podem estar engajados em missão se estiverem “libertos” da igreja. Ledo engano. Nosso Senhor Jesus Cristo é conhecido como o “enviado” do Pai. Nos escritos de João, Cristo sempre é descrito como “aquele que foi enviado”. O fato dele ser enviado revela que sua mensagem era a sua pessoa. Seu projeto missionário era ele mesmo. Não há como separar Jesus de sua missão.
Assim a igreja que o Espírito Santo constituiu é o Corpo de Cristo no mundo e também não pode ela ser separada de sua missão. Se quisermos encontrar uma igreja, ela estará em missão e se quisermos encontrar uma missão ela se apresentará como uma igreja. Devido às anomalias que vemos hoje em nosso século, alguns acreditam que podemos fazer nossa missão independente da igreja. Em contrapartida a igreja por olhar somente para si, abandonou a sua natureza missionária acreditando que é possível existir sem sua missão. Então faço esta pergunta: “E agora, José”?
Se o que vemos e ouvimos não desembocar em vida prática, de nada vale ouvir e ver. Se não houver dedicação, mais engajamento, mais compromisso de cada um de nós e ao mesmo tempo como coletividade, de nada vale. Se os departamentos internos de uma igreja local não se assumem como braços da missão da igreja de nada vale. Podemos gastamos muita energia, muito esforço e dinheiro em nós mesmos sem alteração de nosso mundo e de nosso contexto. Isso de nada vale.
Cabe agora o compromisso, o engajamento além de uma profunda reflexão, pois quanto mais sabemos e conhecemos, muito mais seremos cobrados e exigidos, não somente por Cristo, mas também pelo mundo. Nossas reflexões e ajuntamentos litúrgicos devem acontecer para sairmos do “casulo”, pensarmos e vivermos com uma mente aberta, deixarmos as nossas “caixinhas” e “zonas de conforto”, promovermos mudanças sérias que deverão mexer com tudo que somos e possuímos. Isso tem a ver com nosso orçamento financeiro e com nosso tempo, com nossa agenda e nossa Fé.
É a hora de perguntar-nos: Qual o meu engajamento na Missão? Qual o meu papel no Corpo de Cristo?
Quando separamos a missão da igreja, separamos a alma do corpo e acabamos morrendo. Somente há vida quando estamos em missão. John Stott afirmava: “Teologia sem prática é puro teologismo”. Se cada um assumir seu papel, seremos verdadeiramente Igreja, uma vez que não é possível ser cristão e continuar apático, passivo, sem compromisso, pensando somente em si, acumulando dinheiro e se apegando as coisas deste mundo.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
DEVOÇÃO E ESPIRITUALIDADE NA FORMAÇÃO MINISTERIAL
Há um diagnóstico extremamente sério na formação pastoral e missionária. Nos últimos anos, 71% dos missionários enviados para campos transculturais têm abandonado o campo por razões que poderiam ser evitáveis. No caso do Brasil o índice é de quase 25%.[1] Na área de formação teológica e pastoral, há que se notar um número excessivo de teólogos que congestionam os Concílios Eclesiásticos a fim de buscarem a ordenação e um campo de trabalho pastoral.
Em conseqüência disso, não somente a tarefa missionária fica prejudicada, mas os missionários envolvidos que não perseveram e abandonam seus campos, caem em crises profundas, desde a frustração pessoal como o abandono da igreja.
O início do século XXI revela novos moldes do cristianismo evangélico ocidental. A liturgia como de praxe, tem sido o cartão postal das mais variadas igrejas locais, ao mesmo tempo em que estas têm sido invadidas por um formato cultural cada vez mais veterotestamentário. “O Deus da Bíblia se manifesta através de lugares e pessoas ungidas”, dizem os profetas atuais.
Os fundamentos bíblicos revelam que a adoração ou o que será denominado neste trabalho de devocionalidade é o agente motivador e alimentador da missão. Ela leva consigo mesma os princípios que fazem parte da credenda e também de sua agenda. Pode-se afirmar que a respeito de sua credenda, há uma íntima ligação com a formação de seus líderes, pastores, ministros e missionários.
Corroborada à formação ministerial, a idéia triunfalista e de “sucesso de mercado” têm sido estimulada e desenvolvida. Essa realidade tem se refletido em muitas escolas teológico-missionárias, e os estudantes às missões e candidatos ao ministério não têm sido uma geração ensinada a perseverar, a despeito de problemas que são encontrados no campo. [2]
Esta situação tem gerado uma profissionalização do púlpito e ao mesmo tempo um retorno precoce de missionários dos seus campos. Nunca o espírito megalomaníaco atingiu tanto as igrejas como nos dias de hoje. Esse espírito tem sido mais importante do que as pequenas e singelas coisas a serem trabalhadas e nutridas no seio das igrejas locais.
Projetos monumentais e a criação de “castelos feudais eclesiásticos” têm sido a motivação de muitos líderes religiosos. Os termos utilizados pelos que defendem os Movimentos de Crescimento de Igrejas incluem não somente a nomenclatura “Grandes Igrejas”, mas atualmente também “Mega-Igrejas”. A missão tornou-se um fim em si mesma e na grande maioria, projetos missionários a longo prazo são descartados, devido ao imediatismo e aos mega-projetos personalizados em seus “mega-líderes”. Grandes templos, grandes perspectivas, grandes “poderios” e “castelos eclesiásticos” nunca representarão um compromisso com o Reino de Deus.
A preocupação exagerada com o local pode fazer esquecer a pregação a todas as nações. Ainda em 1947, o Conselho Missionário Internacional reunido em Whitby afirmava que “a missão precisa ser vista não com um sentimento imperialista, mas com o espírito de solidariedade ao mundo”. [3] Isto significa que o problema da missão é resultado de uma equivocada visão do que seja espiritualidade e ou devocionalidade. Onde a missão não seja opressora e sim libertadora, transformadora e redentora.
Aqui, deve ser relatado que a firme busca por uma devoção a Deus poderá, se o foco da devoção, for desviado, uma devoção à denominação. As buscas, os encontros, os cultos, os movimentos e eventos, se tornarão um reflexo de uma devoção à igreja local, ao evento em si, aos programas e aos departamentos nela existentes.
Ao tratar sobre este tema, David Bosch, faz uma crítica ao distanciamento entre a igreja e a missão, dizendo:
“A fundação da igreja e o início da missão coincidem no livro de Atos em seu capítulo dois. Missão era a missão da igreja e igreja era a igreja missionária. No decorrer dos tempos, contudo, uma congregação atrás da outra foram estabelecidas e desenvolveu-se uma tendência para concentrar-se em seus problemas paroquiais e negligenciaram o relacionamento da igreja com o mundo.[4]
Assim há questões que são importantes, mas outras que são essenciais. A devocionalidade é essencial. Sem ela, a igreja perde a sua “salinidade” como “sal da terra” e sua “luz” torna-se mera “luz de um tição tirado do fogo”.
Portanto o espírito devocional deve ser a mola propulsora da missão da igreja no mundo por meio dos mais variados ministérios. Para tanto, as Escrituras Sagradas são o fundamento para que a devocionalidade seja redescoberta no meio da formação ministerial.
1. A relação entre a devoção e a missão na formação ministerial.
O Antigo Testamento trata do caráter fenomenológico da adoração que permeia toda a Escritura. Mas é nos Salmos que esta visão se torna mais concreta. O povo de Israel falava a Deus por meio dos Salmos. Não somente enaltecia a Deus e as suas obras, como também recebiam forte impressão acerca do domínio universal de Deus e sua Soberania. Além disso, Israel como povo escolhido e também como nação sacerdotal deveria responder a Deus sinceramente tanto quanto conhecesse a amplitude de sua Soberania. Timóteo Carriker comenta assertivamente:
“E nesta resposta de Israel a Deus e ao mundo encontraremos grande significado missiológico, já que missão implica não só no discurso do povo de Deus com o mundo, mas numa tríade entre Deus, o seu povo e o mundo. A missão do povo escolhido encontra sua relação eficaz com o mundo à medida que responda sincera e pessoalmente a Deus.” [5]
A devocionalidade que deve ser vista como o relacionamento pessoal com Deus e porque não dizer com toda a Trindade Santíssima. Mas algo que compromete a hermenêutica é a confusão de vários intérpretes bíblicos com respeito à devoção. Pois a tendência é negar a vida de devoção pela ênfase na obediência pelas obras. A nação de Israel conhecia o Deus transcendente porém aparentava algo mais impessoal. Brennan Manning afirma a este respeito:
“Israel conheceu um Deus santo, que transcendia a tudo que era visível e tangível. Ele era de certo modo refletido em coisas, mas não deveria ser identificado com coisas. Êxodo retrata Deus como estável e interessado, uma rocha de confiabilidade em meio a tantos dependentes. Os judeus relacionavam-se, dessa forma, com um Deus-aliança que havia tomado a iniciativa do contrato, que havia falado em primeiro lugar, que havia gerado Israel como nação e dado a ela um senso de identidade. Nesse estágio primitivo de relacionamento, o Deus de Israel era calmo, até mesmo frio. Qualidades como interesse, fidelidade e estabilidade eram apreciáveis, mas a ternura e a radiância não haviam aparecido. Iavé era como a Rocha de Gibraltar diante dos ventos de mudança. Ele possuía um rosto, mas era uma fisionomia impassível, com um toque de benignidade... não havia extravagância em Iavé. Ele era firme, justo e digno de confiança. Confiabilidade implacável”.[6]
Porém no Novo Testamento, a forma da devocionalidade se transforma em carne, sangue e ossos. A encarnacionalidade do verbo é o primeiro momento onde vê-se o Filho Unigênito deixando sua glória e abdicando de seu status. Aqui o Deus-Iavé vem ao encontro do homem em cheiro e suor. O relacionamento agora deixa de permanecer na base da obediência para depender exclusivamente da graça, do amor, da livre-iniciativa de Deus. A relação entre Deus-homem com a humanidade no pecado toma nova forma.
É Deus mesmo que ensina ao homem o que é espiritualidade e desenvolve a visão de uma devocionalidade que extrapola as idéias paradigmáticas de tempo, espaço e liturgia. Jesus envolve-se com todos e deixa-se ser adorado por todos.
Foi em um contexto de adoração que a Igreja Primitiva recebeu a plenitude do Espírito Santo para proclamar as boas novas (At 4.23-31). Foi em um ambiente de adoração que a Igreja de Antioquia da Síria separou a Paulo e a Barnabé para a obra missionária (At 13.1-3). Quando o apóstolo trata sobre a questão de culto entre os Coríntios, ele também envolve descrentes no contexto e demonstra que a mensagem pregada deve ser inteligível aos ouvidos dos incrédulos (I Coríntios 14). Enquanto Paulo e Barnabé estavam adorando e louvando, Deus permitiu a pregação ao coração do carcereiro de Filipos após o terremoto. (Atos 16).
Os evangelistas também fazem questão de enfatizar a adoração, partindo do pressuposto que, embora Deus fosse trancendente, não deixava de receber a adoração de “todos” os homens e mulheres, que segundo o ponto de vista farisaico, eram gentios e indignos de se achegarem a Deus. Isso, o evangelista Lucas relata ao tratar sobre a mulher que ungiu os pés de Jesus em uma ceia na casa de uma fariseu.[7]
A devocionalidade envolve a pergunta: “Como ser aceito por Deus?” E também durante toda a história a resposta foi sendo formada a idéia de que existem pessoas classificadas como “privilegiadas por um acesso a Deus”. O tempo de Jesus é marcado por esta realidade: Os fariseus eram detentores das condições ideais para adorarem a Deus. Aqui é o grande perigo de uma devocionalidade altamente discriminadora e preconceituosa na formação missionária e teológica. O Pr. Edwinn Orr afirma: Centenas de cristãos, bem intencionados, que assistem convenções e conferências e tentam aprofundar a vida religiosa, regozijar-se com a graça que lhes foi dispensada, rapidamente caem na mesma vida de derrota espiritual porque não há uma completa e permanente compreensão e consagração da devoção pessoal a Deus. [8]
No caso do contexto bíblico supra-citado a “notável pecadora”, estava desprovida de riquezas e do ponto de vista religioso, desprovida de toda e qualquer condição para se fazer presente entre os “espirituais”. A palavra de Jesus esclarece e demonstra que somente ela, na verdade, possuía as condições ideais para a verdadeira devoção.
Esta mulher era digna de adorar porque reconheceu honestamente a Cristo como verdadeiro Deus. O texto afirma: “...estando por detrás, aos seus pés...”. Jesus era mais valioso que sua situação cultural, religiosa e social. (Hb 10.19-22). Embora, sua presença não fosse bem vinda na casa de um alto religioso, dotado do “conhecimento de Deus”, aquela mulher não estava preocupada com o cinismo do mesmo. Pelo contrário ela se coloca na posição de uma adoradora. Além disso, a sua devoção revelava um quebrantamento sincero. Seu quebrantamento foi marcado por rendição, reverência e humildade. Quebrantamento se constituiu da quebra de paradigmas além do estilo habitual de se adorar. Quebrantamento significa sinceridade que brota de um coração cheio de fé. Quebrantamento reflete o quanto se ama a Cristo.
Sua devoção achou resposta da parte de Cristo. Ela recebe a restauração de sua vida. Jesus corresponde a sua manifestação de amor. Jesus perdoa os seus pecados, referenda a sua salvação, e a cura de todos os traumas e frustrações emocionais, sentimentais e familiares que possivelmente ela deveria ter absorvido por toda sua vida.
Portanto, não há missão sem verdadeira devoção. Em contraste com nossos merecimentos, está o reconhecimento de que somente Cristo é o verdadeiro Deus. Isto destrona nosso ego e coloca no centro de nossa vida a Cristo como Senhor. Não pode haver verdadeira adoração se não houver verdadeiro quebrantamento, plena submissão, entrega de sentimentos armados, espírito endurecido. (Sl 51.16,17). 4) O alívio do perdão, a certeza de salvação, e a cura de doenças emocionais somente podem acontecer quando Cristo responde a nossa fé manifestada por esses princípios.
Ora é imprescindível que adoração e missão andem juntos. Orlando Costas declara: “Missão é a comunicação e a antecipação da adoração... Liturgia sem missão é como um rio sem uma fonte. Missão sem adoração é como um rio sem o mar... Sem um, o outro perde sua vitalidade e seu significado”.[9] lindas metáforas
E John Piper complementa: “Adoração, portanto, é o combustível e o alvo em missões. Ela é o alvo de missões, porque em missões, nós tentamos trazer as nações para dentro do gozo supremo da glória de Deus. O alvo de missões é a alegria dos povos diante da grandeza de Deus. Mas adoração também é o combustível de missões. Paixão por Deus na adoração precede o que Deus oferece na pregação. Você não pode recomendar o que não é valorizado. Missão começa e termina em adoração”.[10]
É altamente importante que seja aqui tratada a crise por que passa o treinamento e formação teológicos. Não se deve negar que a igreja bem como as escolas teológicas absorvem fortemente a idéia da Teologia da Prosperidade. A relação com Deus é diluída em barganha em nível material e físico. A idéia de Deus é repassada como o deus que tem a obrigação de suprir ao seu filho todas as suas necessidades materiais e físicas. A oração então, passou em ser uma mera ferramenta para um relacionamento frio, tal qual a nação de Israel provava. Esta realidade tem sido a base de formação de novos pastores, ministros e ministras do evangelho na maioria das denominações evangélicas na América Latina.
Portanto, fenomenologicamente, o caráter adorativo está intimamente relacionado com a obra missionária, suas causas e suas conseqüências fazendo parte inerente da formação ministerial.
2. Discernimento para uma espiritualidade criativa
Ao avaliar a prática da igreja contemporânea, embora exista uma avalanche de louvor e música na Igreja está aquém do compromisso com uma missão integral e global. O quanto e o como se canta para Deus é inversamente proporcional ao quanto e o como de faz pelo mundo sem Deus. Ademais da comercialização da música, a igreja adora pouco e canta muito para Deus.
A pobreza na vida devocional da igreja, produz a pobreza na devoção ao mundo. Quanto mais corretamente fala-se a Deus, tanto mais a Igreja se comprometerá com o mundo na perspectiva de proclamar às nações para que elas também ofereçam sua oferta, uma vez santificada pelo Espírito Santo (Rm 15.16-18).
A adoração tem deixado de ser cristocêntrica para tornar-se antropocêntrica. A devoção a Deus não deve ser esquecida na adoração.
John Piper assevera: Quando a chama do culto queima com o calor da verdadeira dignidade Deus, a luz da obra missionária brilhará até os povos mais distantes da terra. [11]
E Carriker acentua: Quando a paixão por Deus está fraca, o zelo por missões certamente será fraco também. As igrejas que não exaltam a majestade e a beleza de Deus dificilmente poderão acender um desejo efervescente para "anunciar entre as nações a sua glória" (Salmo 96.3). Os nossos cultos fervem com a exaltação da glória de Deus? O zelo pela glória de Deus no culto motiva a obra missionária. [12]
Para que a missão da igreja não seja interrompida e nem mal interpretada há necessidade de mover os olhos e o coração a Deus. É interessante notar o que Carriker declara:
Se fosse pelo amor do ser humano, nossa ênfase deveria estar na salvação de indivíduos que estão próximos, e isto, de fato, é a prática comum. O amor a Deus, entretanto, leva a outra conclusão, que acredito ser a bíblica: a ênfase na prioridade de etnias, e especificamente etnias não alcançadas porque:
1) há mais beleza e poder de adoração na unidade de culto derivada da diversidade de povos que canta todas as partes dum hino a Deus do que no coro que canta uníssono (Salmo 96.3-4);
2) a fama, a grandeza, e o valor dum objeto de beleza aumenta na proporção da diversidade daqueles que reconhecem tal beleza;
3) a força, a sabedoria e o amor dum líder se magnifica na proporção da diversidade de povos que ele inspira para segui-lo;
e 4) ao focalizar todos os grupos humanos do mundo, Deus está subvertendo o orgulho etnocêntrico que se baseia em alguns atributos distintivos que cada povo gosta de destacar. Ao invés disto, o orgulho etnocêntrico natural de cada povo dá lugar à graça imerecida de Deus.[13]
Portanto, ainda que a adoração esteja em crise, não pelo aspecto litúrgico cultural, mas por causa dos princípios a ela atrelados, deve-se entender a missão e adoração desvinculado de uma vida liturgia. No Novo Testamento, a vida é liturgia e liturgia é a vida.
Os mais necessitados do ponto de vista da adoração são os que ainda nunca ouviram falar sequer o Evangelho do Reino. Os não alcançados devem ter prioridade na missão. O lema de Paulo é "não onde Cristo já fora anunciado" (Rm 15.20-21). A Igreja deve repudiar o culto antropocêntrico e os princípios que não resultam em compromisso de vidas com a obra integral da Igreja.
Neste caso a formação ministerial têm uma grande responsabilidade. Deve-se forjar nos alunos uma devoção que está vinculada a adoração, ao culto,e ao mesmo com a vida cotidiana, os afazeres, as atividades chamadas de “seculares”. Pois tudo envolve um culto a Deus.
As escolas teológicas ensinam em sua maioria uma espiritualidade voltada para os fariseus do século XXI, desprovida da vida de alegria, de graça e de energia. Há uma espiritualidade mais esotérica do que propriamente bíblica nos seminários teológicos.
Portanto, ao buscar a preservação da adoração bíblica, os seus professores de “liturgia e hinologia” e de “homilética” deverão ter a responsabilidade de preservar os princípios da verdadeira adoração, ensinando uma liturgia integral para que a igreja respondendo sinceramente a Deus, assim também responderá às necessidades da sociedade por meio daqueles que receberão o evangelho da graça de Deus.
3. Missão e Devoção: um ciclo retroalimentador.
Para compreender um pouco mais sobre a visão de uma espiritualidade que envolva devoção e missão, há de ser usado o modelo franciscano. As ordens mendicantes foram a busca pela vida que se confunde com a devoção. Aqui a adoração se mescla com a vida de ministério.
O monasticismo e as ordens mendicantes são termos estranhos à cultura evangélica atual, como também para o contexto teológico a que se está tratando. Contudo, é desafiador enquanto se caminha pela história das missões, estudar mesmo que não exaustivamente este momento histórico por que passava a Igreja Cristã. O momento que a Igreja Cristã estava vivendo gerava aqui e acolá, movimentos que tentavam reformar a Igreja, para que esta voltasse ao rumo ideal, sob as máximas do Evangelho do Reino e ao mesmo tempo aos pés do Senhor Jesus.
O monasticismo conquanto um grande movimento missionário em séculos passados, estava neste momento histórico em crise. A igreja cristã, seguramente envolvida pelo caos espiritual, político e social, embriagada pelas “pompas e circunstâncias”, fechava os seus olhos para as reais necessidades do mundo como a miséria galopante que dizimava populações inteiras. Os movimentos intra e extra eclesiásticos eram “pedras que clamavam” a igreja o retorno a sua natureza missionária.
Valdir Steuernagel dá uma excelente definição sobre este momento e auxilia a compreensão sobre as Ordens Mendicantes. Afirma ele:
O monasticismo tem a sua história composta pela experiência de milhares de cristãos que desde muito cedo na história da Igreja desenvolveram um modelo de vida solitário e separatista. Vivendo de forma ascética e alimentado pelas fileiras leigas da Igreja, este movimento, que cedo formou os seus próprios monges e constituiu as suas próprias e poderosas comunidades monásticas, desempenhou um papel fundamental na vida da Igreja. [1]
Conquanto fosse também um movimento, conhecido como um tipo de “para-eclesiástico”, o monasticismo pregava uma atitude excludente da sociedade. Se houvesse uma procura pelos monges, eles estariam, com certeza, entre as cavernas e os mosteiros, separados fisicamente do mundo, buscando uma espiritualidade contemplativa, uma devoção que não envolvia o semelhante, mas era algo muito individualista.
O movimento mendicante, enquanto mantinha os mesmos ideais das ordens monásticas, sua visão era muito mais ampla, como explica Steuernagel:
Mas o movimento mendicante vai além do monasticismo e introduz na decadente igreja uma nova maneira de conceber a vida cristã. O ideal cristão não deveria ser apenas a reclusividade monástica. Este tem um intrínseco caráter missionário e é intestinamente comunitário. Enquanto o monge dizia “viva como se estivesse sozinho com Deus neste mundo”, o frade, símbolo do movimento mendicante, dizia “viva como se você existisse apenas em função dos outros”. O frade já não foge ao deserto pelo deserto, ele invade a cidade, abraça o pobre e prega o evangelho.[2]
Portanto naquele momento, o movimento mendicante era uma tentativa de recuperar a missão da igreja pela devoção a Deus e o amor ao próximo, vivendo no meio de uma sociedade em crise, envolvida por grandes transformações sociais.
O surgimento das ordens mendicantes, dos Franciscanos, fundada por Francisco de Assis (1182-1226) e dos Dominicanos, fundada por Dominic de Gusmão (1170-1221), formaram um clamor para a recuperação da natureza missionária já diluída. Além disso, estes movimentos puderam lançar luz sobre a necessidade de uma reforma missionária na igreja.
Para os mendicantes, espiritualidade era uma questão de estar engajado na missão ao mundo. No caso de Francisco de Assis, a idéia de espiritualidade se confundia com a devoção aos outros, a ternura para com os pobres e o respeito pela natureza como parte da criação que também deveria ser redimida.
A igreja cristã necessitava ser restaurada em sua missão, por meio de uma reforma das suas motivações e de seus objetivos. As ordens mendicantes também radicalizam com seus objetivos. Os Dominicanos levavam a sério o ideal missionário que chegavam a estar prontos ao martírio foi para com seu maior expoente, Raimundo Lullo, missionário na Tunísia e Argélia, morrendo apedrejado nesse país.
CONCLUSÃO
Assim, a igreja que é a fonte incrementadora de ministérios será a igreja missionária e aquela que gera e desenvolve ministérios de maneira que a espiritualidade é reconhecida como reflexo de um ministério sadio e verdadeiro. Todos os cristãos serão os “chamados”, serão considerados “ungidos” e valorizados igualmente. A igreja que vive sua missão ao mundo consagra os seus missionários, profetas, evangelistas, mestres, tanto quanto ordena seus pastores.
O déficit ministerial na Igreja será minimizado. Os missionários e pastores terão motivação para perseverar no campo. O caso é que muitos têm fracassado ministerialmente porque não têm aprendido a prevalecer. Isso porque tanto orgânica como espiritualmente a igreja não trata seus missionários e pastores no mesmo nível.
A vida ministerial e a espiritualidade atingirão o púlpito, que atingirá a liderança e a visão ministerial deixará de ser privilégio apenas para alguns. A visão demoníaca de expandir ministérios personificados em mega-projetos acabará.
Esta condição que vive a Igreja contemporânea é resultado da diluição de sua natureza missionária deixando-se ser seduzida pelo estilo de vida do mundo. Há uma concorrência denominacional e ministerial não somente entre igrejas, mas também entre pastores. O estilo de marketing tem sido absorvido, mesmo que inconscientemente pelos ministros, levando a uma superficialidade do que seja vida de discipulado em Cristo e cooperação na obra de Deus. Frank Dietz fala corretamente sobre o assunto:
Os missiólogos nos ensinam que a primeira onda missionária foi iniciada com Guilherme Carey e liderada principalmente pelos europeus. A segunda onda surgiu com Hudson Taylor e foi liderada principalmente pelos norte-americanos. Uma das coisas que foi definitivamente exportada pelo ocidente para o terceiro mundo foi o espírito de competição. Se é verdade que esta terceira onda de missões será liderada pelos dois terços do mundo, então é muito importante que exorcizemos esse demônio de competição.[14]
Assim, é altamente importante que a igreja evangélica resgate esta devocionalidade e não somente o conhecimento teológico. Pastores e missionários que vejam a missão como adoração e a adoração como missão. Eis a realidade, eis o desafio.
Soli Deo Gloria
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__________________, ed. A Missão da Igreja. Belo Horizonte: Missão Editora, 1994.
Notas:
[1] Margaretha N. Adiwardana, Treinar missionários para perseverar: um preparo holístico para situações de adversidade, em: Capacitando para missões transculturais, (São Paulo: APMB, 2000), 5.
[2] Margaretha Adiwardana, Missionários: preparando-os para perseverar (São Paulo: Editora Descoberta, 1999), 26.
[3] David J. Bosch, Witness to the World. (Atlanta: John Knox Press, 1980), 176.
[4] Id, 95.
[5] Timóteo Carriker, Missão Integral,(São Paulo: Editora Sepal, 1992), 102.
[6] Brennan Manning, O evangelho maltrapilho, (São Paulo: Editora Textus - Mundo Cristão, 2000), 101.
[7] Evangelho de São Lucas 7.36-50
[8] Extraido das notas de sermões do Rev. Samuel Falcão, ex-professor e ex-diretor do Seminario Presbiteriano do Norte, em Recife, PE, Brasil.
[9] Orlando Costas, The integrity of Mission (New York: Harper & Row, 1979), 91. Texto citado por Ricardo Agreste, em A natureza e propósito missionário do povo de Deus.
[10] John Piper, Let the Nations be glad, (Grand Rapids: Baker Books, 1993), 11.
[11] Id.,12.
[12] Timóteo Carriker, A missão Integral da Igreja, (Campinas: 1999), 1.
[13] Id., 04.
[14] Frank Dietz, Ministros de Cristo no Século XXI, (São Paulo: ABBA Press, 1995), 96.
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