domingo, 1 de março de 2015

NÃO HÁ RESSURREIÇÃO SEM CRUZ


“dizia a todos: "Se alguém deseja seguir-me, negue-se a si mesmo. Tome a sua cruz, dia após dia, e caminhe após mim.” (Lucas 9.23)

A cruz no Novo Testamento tem o sinônimo de morte. Nenhum homem ou mulher que fosse pendurado em uma cruz possuía a certeza que sairia com vida dali, a cruz era a pena capital. O evangelho que Nosso Senhor Jesus veio anunciar sempre foi o evangelho da cruz. 

A fé verdadeira não é uma fé apenas para se viver, mas para se aprender a morrer. Tomar a cruz, então, para o verdadeiro cristão e seguidor de Jesus Cristo, é o anúncio de sua morte pois não há vida sem morte. Não há vida sem sofrimento. Não há ressurreição sem cruz, não há poder se não na fraqueza. Por isso todos nós somos convidados por Nosso Senhor a morrer por que sem a morte a vida verdadeira não desabrochará dentro de nós. Lembremo-nos de quantas vezes Ele ensinava: "Quem quiser viver, deve aprender a morrer". "Quem quiser ganhar, irá perder". "Quem desejar ser o maior que seja o menor". 

Neste tempo que antecede a festa da Páscoa Cristã, a ressurreição de Nosso Senhor, somos chamados a tomar a nossa Cruz dia após dia. Isso nos ensina que:

1) Devemos aprender a morrer para nossos pecados. Enquanto alguém não aprender o caminho da cruz, nunca viverá eternamente. Somente quando nos desarmamos e confiamos em Cristo, como o único possível para gerar a vida, morreremos para os nossos pecados. Morrer para nosso pecado é deixar que Cristo nos liberte da escravidão a qual estamos. Nosso Senhor dizia aos Judeus: “Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36). O pecado dentro de nós nos amarra, nos torna servidores dele mesmo. Para isso, foi revelado Nosso Senhor, para nos libertar. Confiar em Cristo e entregar-se a Ele é o primeiro passo. 

2) Devemos aprender a esvaziarmo-nos de nós mesmos. Nosso coração é enganoso e nos engana a todo o momento. O pecado jaz em nosso íntimo. Nossa vaidade é a maior manifestação do pecado que existe em nós. Nosso Senhor nos ajuda a entender dizendo que “o mal não é o que entra em nós senão aquilo que sai de nós”. O primeiro engano que trazemos dentro de nós é a autoconfiança, que somos bons, que somos verdadeiros e sinceros. Por isso aquele que não possuir uma visão correta de si mesmo sofrerá mais. Precisamos dia a dia esvaziarmos de nós mesmos. O caminho para isso é o auto exame de nossas motivações e sentimentos. Saber o porque, de facto, faço isso ou aquilo é o ponta-pé inicial.

3) Devemos aprender a doarmo-nos para os outros. Nosso Senhor disse: “Não existe maior amor do que este, que de alguém dê a sua vida em prol de seus amigos”. Quando renunciamos nosso amor-próprio e nos doamos aos outros, estamos aprendendo o caminho da cruz, porque renunciamos algo em nós. Cristo nos deixou o exemplo para seguirmos os seus passos. Isso não significa suicídio mental ou intelectual. Doação e renúncia formam os dois elementos do amor de Deus. Para que nos doemos pelos outros, devemos aprender a renunciar algo dentro de nós mesmos.

Portanto, essa é a essência da vida. Não vivemos melhor quando tudo está em ordem ou estamos conquistando muito, ou quando estamos abastados financeiramente, mas quando entramos na luta dentro de nós, uma luta com nosso próprio EU. 

Essa luta que começa dentro de nós, possui um alvo: ressuscitar com Cristo. Não há nada nesse mundo que possa trazer ao ser humano a verdadeira graça senão de se encontrar com Cristo. Prepare-se para ressuscitar, mas antes entre no bom combate. Aquele que passa pela luta interior terá a coroa da vida. 

Ressurreição e Missão

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