sexta-feira, 29 de novembro de 2013

“EU CREIO NA IGREJA, DE CRISTO”


“A igreja só é igreja quando vive para os outros” (Dietrich Bonhoeffer, pastor enforcado por Hitler)

Estou na busca de um Deus que se preocupa com gente. Que é gente como a gente. Também estou na busca de uma igreja que viva como este Deus vive, pensando em gente e se relacionando com gente. Que não faz barganhas com a gente. Por isso esta busca às vezes me parece muito difícil, pois achar uma igreja que se parece com gente está difícil nos nossos dias. 

Igreja que troca a fé pelo dinheiro, que vende o sacramento, que patrulha a vida uns dos outros, que populariza os seus líderes, sim, este tipo de igreja existe por demais e das maneiras as mais diversificadas no nosso tempo. Igrejas locais que se parecem mais com empresas por que são dominadas e lideradas por pastores e líderes-executivos, há muito. Igrejas que dependem única e exclusivamente de eventos, shows de final de semana, de “alvoroços espirituais”, há muito. 

Estou na busca incansável de uma igreja onde a gente é atraído a Cristo e não ao programa da igreja. Não, com certeza, Cristo não está nos negócios de marketing delas, Cristo não está nas politicagens de seus líderes, Cristo não está nas “fofocas” da semana que seus membros tratam uns com os outros pelos celulares e whatsapps. Estou buscando uma igreja em que todos se sentem valorizados pelo que são e não pelo que possuem. Estou na busca de uma igreja onde seus fiéis não vivem de melindres, pois estão certos que se são discípulos de Cristo, precisam sempre aprender a viver sob a necessidade de disciplina e orientação.

Estou buscando uma comunidade onde todos anelam encontrar sua posição dentro do Corpo que é de Cristo e não de um corpo que depende de conchavos e sanguessugas que parasitam e paralisam as ações do verdadeiro Espírito Santo, que o espremem dentro de um corporativismo engessado e padronizado. Busco uma igreja onde compartilhamos a mesma fé, mas de experiências as mais variadas. Busco uma igreja onde viver a vida de modo simples e comum é o maior prazer de todos. Busco uma igreja onde todos estão na caminhada de aprenderem a responder a todo aquele que pedir razão da esperança que há neles. 

Estou na busca de uma igreja que está conhecendo a Cristo pela oração como meio de graça. Que faz da oração o instrumento de conhecimento do Espírito Santo e não um amuleto para que muitos se deem bem na vida. Estou na busca de uma igreja que pela sua maturidade espiritual, não está vivendo para si, para seus projetos, para sua denominação, mas para o Reino de Cristo, pois é isso que realmente importa. Por causa dele que Cristo se fez gente e se entregou por gente. É por causa dele que estou na igreja, buscando fazer da igreja um pouco do que seja o Reino de Cristo.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

LONGE DO OLHOS, LONGE DO CORAÇÃO



Conta-nos uma das parábolas de Nosso Senhor que havia um “homem rico” e todos os dias vivia na luxúria e das coisas boas da vida. Mas fora de seu portão vivia deitado um mendigo, chamado “Lázaro”, todo coberto de úlceras, o qual desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico, e os cães vinham lamber-lhe as feridas. O mendigo morreu e foi para o Paraíso e o “homem rico” foi para o Hades. Alguns acham que nesta história o fim do “homem rico” foi cruel porque ele possuía muito dinheiro e o mendigo foi para o céu porque era pobre. Ledo Engano. O “homem rico” não tinha olhos para ninguém a não ser para ele mesmo, sua fé era egocêntrica e seus pensamentos orbitavam em torno dele mesmo. 

Nesta semana os meios de comunicação anunciaram que um dos maiores tufões da história varreu as Filipinas. Milhares morreram e milhares ficaram sem casas. A mídia televisiva que geralmente é norteada pelos países ricos, pouco fala sobre isso, pois não estão interessados nos problemas dos países pobres. Quando estes mesmos problemas abatem os países ricos que estão além da “linha do Equador” a comunidade mundial lamenta-se incansavelmente e assim as orações e a assistência dos crentes parece incansável. No fim, somos mais dirigidos pela Mídia Elitizada do que pelo amor desinteressado. Nosso interesse pelos problemas dos outros só é importante quando temos algo a ganhar com a solução destes mesmos problemas. O que pensar sobre os problemas que abatem a Síria, o Sudão e a Etiópia, a seca que aflige o Sertão Nordestino e os drogados ao lado de minha casa? Eles parecem não serem tão interessantes quanto os problemas estéticos da residência de nosso vizinho mais rico. 

O que quero apontar é de que nós sofremos e oramos apenas por aqueles que nos interessamos. Portanto necessitamos aprender a ver em todos e em tudo motivos para nossa oração despretensiosa. Orar e agir despretensiosamente são parte da vida do verdadeiro cristão, daquele que como Jesus Nosso Senhor via a todos como “ovelhas que não tem pastor”. Que também estejamos atentos para que não sejamos levados pelas vozes da mídia elitizada que nos engoda.

Nossa fé deve ser a fé que considera a todos: pobres e ricos, que ora por todos, mas que também presta assistência a todos. Que o espírito do “homem rico” seja extirpado de nosso coração e que nossos olhos sejam iluminados não pela fantasia do demônio, mas pelo amor de Cristo que nos leve a sairmos de dentro de nós e nos torne instrumentos da graça que não escolhe a quem ajudar, por quem orar e a quem amar.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A INSUFICIÊNCIA DAS FORÇAS HUMANAS


Dizem os antigos homens de oração, todos a uma só voz: "A primeira coisa que deves inculcar no espírito é que nunca, de modo algum, te deves apoiar em ti mesmo. O combate que vais enfrentar é extraordinariamente árduo, e as forças humanas, sozinhas, são de todo insuficientes para conduzi-lo. Se confias em ti mesmo, serás derrubado de imediato, e perderás toda a vontade de continuar a luta. Só Deus te pode dar a vitória, segundo o teu desejo”. 

Para muita gente, a decisão de não colocar em si mesmo a confiança é um sério obstáculo, que os impede de começar uma vez por todas. É necessário perseverar, sob pena de abandonar qualquer esperança de ir mais longe. Com efeito, como poderá um homem receber conselhos, formação e ajuda se pensa que conhece tudo, pode tudo, e não tem necessidade alguma de conselhos? Através de semelhante muro de suficiência, nenhum raio de luz consegue passar.

"Ai dos que são sábios a seus próprios olhos, e inteligentes na sua própria opinião!"(Is 5:21); e Paulo nos dá este conselho: "... não vos deis ares de sábios"(Rm 12:16). O reino dos céus foi revelado aos pequeninos, mas continua oculto aos sábios e aos doutores (Mt 11:25). Devemos, portanto, nos despojar dessa confiança imoderada que temos em nós mesmos. 

Muitas vezes, ela está arraigada em nós tão profundamente, que já nem percebemos o domínio que exerce sobre nosso coração. O nosso egoísmo, a preocupação com a nossa pessoa, o amor próprio são precisamente as causas de todas nossas dificuldades, de nossa falta de liberdade interior na provação, de nossas contrariedades, de nossos tormentos da alma e do corpo. Olha um pouco para ti mesmo, e verás a que ponto estás aprisionado pelo desejo de dar prazer ao teu "eu," e somente a ele. Tua liberdade está presa pelos laços estreitos do amor por ti mesmo; assim, és balançado ao acaso. "Agora, estou com vontade de beber", "agora, estou com vontade de sair", "agora estou com vontade de ler o jornal". A cada instante, teus próprios desejos te conduzem como por meio de uma rédea; e, se algum obstáculo se coloca no caminho, imediatamente perdes a calma, sob o efeito da contrariedade, da impaciência ou da cólera. 

Se sondares as profundezas de tua consciência, descobrirás as mesmas coisas. O sentimento de desagrado que experimentas, quando alguém te contradiz, possibilita facilmente essa verificação. Vivemos, assim, como escravos. Mas "... onde se acha o Espírito do Senhor, aí está a liberdade" (2ªCor 3:17). Que proveito poderás encontrar em gravitar assim, constantemente, em torno do teu "eu"? 

Não nos ordenou o Senhor que amássemos ao próximo como a nós mesmos e que amássemos a Deus acima de todas as coisas? Mas, nós o fazemos? Não estamos, ao contrário, sempre ocupados em pensar no nosso bem-estar? Convence-te pois, de que nada de bom pode vir de ti próprio. E se algum pensamento desinteressado despertar em ti podes estar certo de que não vem de ti, mas que deriva da Fonte da Bondade, e que foi depositado em ti; é um dom daquele que dá a vida. Do mesmo modo, o poder de fazer passar ao ato esse bom pensamento, não vem de ti, mas te é concedido pela Santíssima Trindade.
(Extraído: Pais do deserto)

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O PONTO DE PARTIDA NA VIDA CRISTÃ



Atitude e Perseverança

Se quiseres salvar tua vida e conseguir a vida eterna, sacode o teu torpor e busca a Deus. Não se obtém a fé pela reflexão, mas pela ação. Não são as palavras e a especulação que nos ensinam quem é Deus, mas a experiência. Para deixar entrar o ar fresco, é preciso abrir a janela; para bronzear a pele, é preciso expor-se ao sol. Para adquirir a fé, é a mesma coisa; como dizem os antigos: “não se chega ao objetivo, permanecendo confortavelmente sentado, esperando”. Imitemos o filho pródigo: "Partiu, então, e foi ter com o pai" (Lc 15:20).

Qualquer que seja o peso e o número de cadeias que te acorrentam à terra, nunca é tarde demais. Não é sem motivo que está escrito que Abraão tinha setenta e cinco anos quando partiu; e os operários da “undécima hora” receberam o mesmo salário que os que trabalharam desde a manhã. E também, nunca é excessivamente cedo. Nunca é cedo demais para apagar um incêndio na floresta. Gostarias de ver tua vida devastada e queimada? No batismo, recebes a ordem de te lançares num combate invisível contra os inimigos da tua vida. Põe mãos à obra. Há bastante tempo, usas de subterfúgios. Mergulhado na negligência e na preguiça, desperdiçastes um tempo precioso. Só te resta recomeçar do princípio, porque lamentavelmente deixastes que se empanasse a pureza que recebestes no batismo.

Começa, pois, a trabalhar desde já, sem demora. Não adies a tua decisão para hoje à noite, para amanhã, para mais tarde, quando eu tiver terminado o que é preciso fazer agora. Um atraso pode ser fatal. Não; é agora, no mesmo instante de tomar a decisão, que deves mostrar pelos teus atos, que te despedistes do teu velho "eu" e que acabas de começar uma vida nova, à procura de um novo objetivo, seguindo novos caminhos.

Levanta-te, pois, corajosamente, e diz: "Senhor, concede-me que eu comece agora. Ajuda-me!" Porque, acima de tudo, tens necessidade da ajuda de Deus. Persevera em tua decisão, e não olhes para trás. Que o exemplo da mulher de Ló te sirva de lição: ela se transformou em coluna de sal, por ter olhado para trás (Gn 19:26). Abandones o homem velho: não retomes o que é desprezível. Como Abraão, ouça a voz do Senhor que te diz: "Deixa teu país, tua parentela e a casa de teu pai, e vá para o país que te mostrarei" (Gn 12:1). De agora em diante, é nesse país que se deve concentrar toda a tua atenção.

(Extraído: Pais do deserto)

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

ELES NÃO QUEREM UM PASTOR, QUEREM UM ESCRAVO (Renato Vargens)

"Tem gente que acha que pastor deve ser sisudo, cara amarrada, que não pode se divertir, brincar com os filhos, rir da vida, assistir um bom filme, tirar férias, contar piadas, ouvir música, viajar com a esposa, gargalhar, jogar bola, e outras coisas mais. Para estes, o pastor deveria ser um cara sem sorrisos, sem alegria, um tipo de escravo da Igreja e deles mesmos, prontos para atende-los como servos subservientes, sem direito contudo a fazer da vida uma grande celebração. Pois é, faço minhas as palavras do querido Luiz Sayao, Se por um lado alguns muçulmanos são Chiitas, por outro, alguns crentes são chaatos. Um bom dia todos!

Outro dia eu escrevi um texto sobre férias pastorais (leia aqui) e por mais incrível que possa parecer um número significativo de pessoas reclamaram considerando um verdadeiro absurdo o pastor tirar férias.

Houve alguns que disseram: "Férias pastorais? Ora, o diabo e os seus demônios não tiram férias e o pastor quer tirar?" Sou contra, bradou o fariseu da modernidade.

Noutra ocasião, um pastor amigo compartilhou que um dos diáconos de sua igreja disse: "Pastor, vamos aproveitar que o senhor está de férias e fazer uma visitinha?"

Caro leitor, lamentavelmente alguns dos evangélicos querem um escravo e não um pastor. Mesmo porque,  este tipo de gente acredita que o pastor tem que trabalhar o tempo todo sem direito a descanso, feriados  ou  lazer. Para os "workaholics" da fé, o pastor deve gastar todo o seu vigor visitando velhinhas ao final da tarde, paparicando marmanjos esquizofrênicos, além é claro de esmerar-se cotidianamente a resolver os problemas dos outros.

Esses hipócritas não vivem sem descanso, mas acham um absurdo com que os pastores dediquem parte do seu tempo as suas esposas e filhos num justo e merecido período de férias.

Infelizmente em virtude da pressão dessa corja religiosa não são poucos os pastores que perderam seus casamentos e filhos. O número de adolescentes desviados é assustador! Eu tenho um amigo pastor que perdeu o filho para o álcool, simplesmente pelo fato de ter dedicado todo o seu tempo a igreja, abandonando na esquina do esquecimento a família.

Prezado amigo,  por favor responda sinceramente: O que adianta o homem ganhar o mundo e perder os de sua casa? Lamento lhe informar que se você é daqueles que pensa que o pastor não deve tirar férias precisa urgentemente rever seus valores.

Como já afirmei anteriormente as férias pastorais são motivos de bênçãos para o ministro e para a igreja.  Sim! Isso mesmo! Para o pastor, que tem a oportunidade de renovar as suas baterias, além obviamente de investir INTEGRALMENTE na sua relação familiar. E para a igreja, que ao receber o pastor de volta o tem com gás novo pronto para um novo ano que se inicia.

Igrejas que incentivam os seus pastores a gozar de férias demonstram amor e consideração por aquele que com dedicação e esmero tem se doado a favor do reino.

Pense nisso!

... E eu acrescentaria.... ELES NÃO QUEREM UM PASTOR... QUEREM UM ESCRAVO.... E ESCRAVO EXECUTIVO...

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

DEUS FALA NO SILENCIO



“... Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som. Mesmo assim por toda terra se faz ouvir a sua voz até aos confins do mundo”. (Salmo 19.4)

Ainda me lembro, em minha adolescência, de quando ia ao sítio com meu pai para comprar leite no fim da tarde, gostava de sair de perto dele e ir “ouvir o silêncio”, por entre as árvores do sítio. Era algo tão bom, por que estava certo que isso me “alimentava”, mas era por pouco tempo. Logo que meu pai acertava a compra tínhamos que voltar para a cidade e isso já era noite. A cidade sempre foi para mim sinônimo de barulho, ruído e desordem. No princípio, o mundo foi criado por Deus no silêncio e o ser humano foi criado sem nenhum barulho. 

Contudo, vivemos no meio de uma Sociedade barulhenta e ruidosa. Somos envolvidos pela ideia de que o silêncio é consequência da ociosidade, da preguiça e da ignorância. Esta ideia também passa pelas igrejas de hoje e está presente na vida dos cristãos. Para que haja um “ambiente divino” nos cultos, muitos pensam e pregam que devemos fazer muito barulho como se isso fosse sinônimo da presença de Deus. 

Precisamos retornar urgentemente ao silêncio. Os pais apostólicos da Igreja Antiga entenderam, praticaram e ensinaram o silêncio. O silêncio é o único ambiente onde Deus se faz presente. Precisamos silenciar a nossa boca. As Escrituras Sagradas nos revelam que guardar silêncio é sinal de sabedoria. Quando aprendemos a silenciar, revelamos sabedoria. O muito falar está em muito pecar. Nossa tagarelice nos condena. O diabo trabalha com uma tempestade de ideias e muito barulho.

Mas além de calar nossas palavras, precisamos aprender também calar a nossa alma. O silêncio da alma revela uma vida estável e moderada. Uma alma agitada que não consegue se aquietar, certamente não terá como pensar e agir com sobriedade e maturidade diante dos problemas que a vida apresenta.

Nossos cultos são barulhentos demais, por que somos de coração inquieto. Somente quando aprendemos a domar o coração inquieto é que poderemos ouvir o Espírito Santo. A oração que primeiro não busca o silêncio de palavras como ouvirá o cicio do Espírito Santo? Pensamos que no muito falar a Deus que ele nos ouvirá. Ledo Engano. Neste caso somos parecidos com os pagãos, que Cristo adverte sobre o muito falar (Mat. 6.5). Não é gritando, nem fazendo muito barulho que Deus nos ouvirá, porque Deus não ouve palavras e sim o coração. Enquanto buscarmos evitar o silêncio, jamais vamos discernir as outras vozes que nos chegam aos ouvidos e querem nos dirigir. 

Deus não está fora de você, nem distante para que você tente fazê-lo ouvir. Ele está dentro de você. A sua necessidade é encontrá-lo no meio de tanta agitação de sua alma. A oração que não cala o coração ainda não produziu a maturidade própria dos que sabem que “Deus somente fala quando o coração se aquieta”.

sábado, 12 de outubro de 2013

VIVENDO A UNIDADE: RESPEITO NA DIVERSIDADE


Somos todos muito precipitados para rotular pessoas por aquilo que vemos nelas ou ouvimos delas. Geralmente este rótulo vem com determinados julgamentos pré-concebidos e preconceituosos.

No mundo, não é mais suficiente ser cristão, hoje se rotula uma pessoa pelos níveis de espiritualidade mensurados pelas coisas mais absurdas. É pela igreja que freqüenta, pela vestimenta que usa, pelos chavões que fala, pela sua pontualidade, assiduidade nas atividades de sua comunidade.

A sensibilidade anda diluída, e a confusão é tão grande que perdemos a noção daquilo que é essencial e do que é dispensável. Invertem-se os pólos e o que é essencial já não é mais essencial. A luta pela simplicidade cristã ficou de lado. Não buscamos mais a Deus pelo que Deus é, e sim pelo que Ele faz e tem que fazer, e se ele não faz, o fazem fazer. Dizem: "ele é ou não é Deus"?

Quando não vemos estes extremos, verificamos aqueles que não querendo compreender o mundo ao seu redor, com uma consciência fatalista e um espírito legalista, usam das “confissões de fé” que adotam como “escudo” para admitir para si mesmos que "o mundo não tem mais jeito”.

Parece que o melhor que tem a fazer é criarem os seus ‘guetos denominacionais’, transformando-se em "ETs" e abandonando o evangelho de Cristo quando revela sua plena humanidade vivendo plenamente sua cultura e sua religiosidade.

Em meio a tudo isso, perdemos a visão da unidade da fé e do corpo de Cristo e queremos transformar as pessoas em uma massa uniforme ignorando seus pensamentos e seu “modus vivendi”. Jesus jamais orou por uniformidade, Ele clamou pela unidade, para que seus discípulos tomassem o modelo do amor entre as personalidades da Trindade Santíssima.

Necessitamos voltar ao verdadeiro evangelho que nos permite viver a fé entre aqueles que embora sendo diferentes por meio de sua cultura e religião estão abertos a unidade do que seja o essencial da fé.


Não há missão sem unidade, unidade que respeita os limites de cada um, que não negocia a necessidade da experiência da fé, e que convive com as diferenças. Lutemos e clamemos por uma reforma na vida cristã ou sepultaremos a marca da diversidade na unidade. Que Cristo não nos impute o pecado do denominacionalismo que revela tão somente o espírito do Anticristo que o Mestre e os apóstolos previram no primeiro século.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A NECESSIDADE URGENTE DE UMA REFORMA LITURGICA

Na Grande Reforma Protestante, foi necessário reformar não somente a teologia da Igreja, mas também a sua prática, inclusive a sua liturgia. Martinho Bucer em 1524 foi um dos primeiros a celebrar o culto na língua do povo e não em Latim. Martinho Lutero publicou a ordem do culto da Santa Ceia em seu idioma alemão, em 1526.

Foi especialmente em Genebra que as Igrejas Reformadas, guiadas por João Calvino, reformaram o culto conforme os princípios da Palavra de Deus e a prática da Igreja Primitiva. Em 1542, Calvino publicou um livro de culto “A forma de orações e cânticos eclesiásticos, como a maneira de administrar os sacramentos e consagrar o casamento, conforme a prática da Igreja Antiga”. Este livro serviu para guiar as Igrejas de Cristo de volta a um culto agradável a Deus, conforme a Sua vontade revelada, em Espírito e em Verdade.

O culto reformado, quando comparado, por exemplo, com o culto Cristão descrito por Justino Mártir, um Pai Apostólico, no 2º século, é quase idêntico. As orações escritas, e as formas descrevendo o significado dos sacramentos, estão repletas de citações e referências Bíblicas.

A prática de usar a liturgia de Genebra se espalhou por todas as Igrejas Reformadas da Europa. O Presbiteriano Escocês João Knox, quando pastoreou a Igreja Inglesa em Genebra, publicou uma versão em inglês. Mas tarde, a Igreja Presbiteriana da Escócia adotou esta liturgia e formas.

Portanto, devemos nos voltar aos princípios aos quais a Reforma de 1517 fez uso. Devemos retornar aos Símbolos de Fé, ao Sacramento da Santa Ceia como elemento da Eucaristia. Vivemos a banalização da Divina Liturgia que um dia não somente inspirou os Pais da Igreja, mas norteou os Primeiros Reformadores.

A Liturgia é o Grande Encontro onde todos estão juntos elevando seus corações a Cristo e a Trindade Santíssima está presente. Voltemos a Igreja Antiga e abandonemos o culto antropocêntrico, consumista e sensacionalista. Voltemos a nos encontrar com Deus.

Rev. Luiz Augusto (adaptado: igrejasreformadasdobrasil.org

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

CURSO BÍBLICO DE ESPIRITUALIDADE CRISTÃ


Você está sem tempo de estudar a Bíblia?

Conhece-a pouco ou quer estudá-la de maneira mais objetiva e há muito tempo deseja estudá-la?

Desacreditou de estudos ou escolas sem conteúdo bíblico, se sentindo prejudicado no estilo que lhe ensinaram?

Tem dificuldade de compreender as várias maneiras que Deus fala na Bíblia?

Então... Você poderá sem problema, tomar a decisão de estudar a Bíblia de maneira clara e objetiva.

O Prof. Luiz Bueno terá imenso prazer em responder e enviará outras informações.
Trata-se de um curso on-line. Não possui “cor” denominacional ou religiosa.
Este foi cuidadosamente elaborado para pessoas como você: interessadas em conhecer e aprender da Bíblia.

O Prof. Luiz Bueno é teólogo formado pela UNICAP (Universidade Católica de Pernambuco), exerce o Ministério Pastoral há 25 anos e é pastor da Igreja Presbiteriana de Jardim São Paulo em Recife, PE.

Como você faz o Curso de Espiritualidade Bíblica?
1) Basta escrever para luizbueno65@gmail.com pedindo sua inscrição.
2) Haverá uma plataforma virtual onde você receberá as aulas.
3) Você tirará suas dúvidas com o Prof. Luiz Bueno pelo Skype, agendando previamente com ele;
4) Você receberá no final do curso seu certificado de conclusão.

Duração:3 meses

Assuntos a serem abordados:

1. Espiritualidade na Bíblia
2. Modelos de espiritualidade
3. Os pais do deserto e a oração
4. Espiritualidades contemporâneas
5. Descobrimento da espiritualidade em um contexto
6. O Espírito de Deus e a cultura
7. Intimidade com Deus
8. Saúde interior
9. Disciplinas espirituais
10. Adoração e oração
11. Peregrinação pessoal e comunidade
12. Espiritualidade e Sofrimento
13. Conflito espiritual e oração
14. Espiritualidade e Serviço

Envie um email para luizbueno65@gmail.com e peça o programa do Curso

ESPIRITUALIDADE - DISCIPLINAS ESPIRITUAIS




O que é? Qual a diferença entre espiritualidade e religiosidade?

Ler a bíblia, orar e ir à igreja são práticas devocionais ou disciplinas espirituais, e estas são meios de se exercer a espiritualidade. Espiritualidade é um processo mais amplo! Na história da igreja, temos 17 (dezessete) disciplinas espirituais e elas são, apenas, meios, através dos quais nós vivemos a nossa espiritualidade.

A pessoa religiosa participa de todas atividades, mas não tem um relacionamento com Deus. A prática devocional ou as disciplinas espirituais pressupõe um relacionamento com o Senhor. O preconceito se dá em cima de impressões ou conceitos negativos. 

Espiritualidade: Um Processo composto de 4 etapas: Trata-se de um processo cíclico, que se retro-alimenta numa cadeia aspiral, crescente.

ETAPAS

1ª) SEDE (de Deus): Esta sede é posta pelo próprio Deus ao nos criar (sede do transcendente). Segundo Platão, o perigo de se envolver com o mundo das coisas é esquecer do mundo ideal (das idéias, que é igual a eternidade; saudade de um Deus que entre no nosso vazio). Todas as pessoas têm um nível de espiritualidade! No nível da SEDE, temos a infância espiritual (infante).

2ª) ESTA SEDE, POR SUA VEZ, PRESSUPÕE UMA BUSCA: A BUSCA do outro, do nosso semelhante, deve ser respeitada, em seus processos (através do nosso olhar, tom de voz, de nossos gestos, etc.). A SEDE que leva à BUSCA tem o significado da adolescência espiritual. Algumas características desta BUSCA é Insegurança, Rebeldia, Querer provar de tudo, etc.

3ª) QUEM TEM SEDE E BUSCA, DESEMBOCA NUMA EXPERIÊNCIA!: É neste nível, que se dá a EXPERIÊNCIA, que, em si, traz o significado da juventude espiritual. Algumas características: Desejo de Definições instáveis e Maturidade incompleta. A espiritualidade cristã começa aqui, nesta etapa; ou seja, na Experiência que passa, necessariamente, por um encontro com o DEUS TRINITÁRIO! NÓS SOMOS O ÚNICO MONOTEÍSMO TRINITÁRIO! Observação: A nossa dificuldade é provar que DEUS é TRINO! Toda EXPERIÊNCIA com Deus tem que ser com o Deus-Pai, Deus-Filho e Deus-Espírito Santo.
("EX" – sair) + ("PERI" – ao redor) + ("CIÊNCIA" – conhecimento) = EXPERIÊNCIA.

4ª) RELAÇÃO: Nesta quarta etapa se dá a maturidade espiritual. Quem fundamenta a RELAÇÃO é a própria relação, onde é Deus quem controla a re-lação, e aonde se vai construindo uma ligação sólida e profunda. O que sustenta esta relação é o vínculo. A nossa relação com Deus não deve estar baseada em "sensações".  

Rev. Eduardo Rosa Pedreira
Recife, 29 de março de 2006

sábado, 5 de outubro de 2013

CREDO DE NICÉIA



Primeira Confissão da Cristandade (ano de 325)

Cremos em um só Deus, Pai, Todo-Poderoso, Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis.

Cremos em um só Senhor Jesus Cristo, o unigênito Filho de Deus, gerado pelo Pai antes de todos os séculos, Luz da Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado, não criado, de uma só substância com o Pai, pelo qual todas as coisas foram feitas; o qual, por nós homens e para nossa salvação, desceu dos céus, encarnou pelo Espírito Santo  no seio da Virgem Maria, e se fez homem. Foi crucificado por nós sob Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras. Subiu aos céus e assentou-se à direita do Pai, e de novo há de vir com glória para julgar os vivos e os mortos, e o seu reino não terá fim.

Cremos no Espírito Santo, Senhor e Fonte de Vida, que procede do Pai e que com o Pai e o Filho conjuntamente é adorado e glorificado. Foi Ele que falou através dos profetas. 

Cremos na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica. 

Confessamos um só batismo para remissão dos pecados. 

Esperamos a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir. 

Amém.

A ORAÇÃO PELA UNIDADE



“para que sejam um...” João 17.20-23

O último desejo de Jesus em oração pelos seus discípulos foi pela Unidade como marca característica de seus discípulos. Em sua oração sacerdotal Cristo pede ao Pai que nós manifestássemos a fé a partir de  nossa identidade como Corpo de Cristo. Sem unidade não há corpo, não há verdadeira realização, Deus não pode agir no mundo. Portanto a unidade torna-se a condição “sine qua non” para que nós hoje realizemos nosso testemunho e cumpramos nossa missão. 

Por que então devemos buscar a unidade?

1. Porque a Unidade reflete a presença de Deus. Cristo ora “para que sejam um e como és tu ó Pai em mim e eu em ti”. Ele também disse: ”onde houver dois ou três reunidos em meu nome ali estarei no meio deles”. Assim como o relacionamento entre as pessoas da Santíssima Trindade existe por meio do amor que é nutrido entre eles. Então cremos que esta unidade necessita ser espiritual e homogênea. A Igreja em unidade é o reflexo do próprio Deus.

2. Porque a Unidade promove o testemunho da igreja no mundo. Jesus diz: “para que o mundo creia que tu me enviaste”. A igreja não utilizava de métodos ultramodernos, cruzadas ou campanhas evangelísticas para o testemunho, somente procuravam viver em comunhão, unidade. (At 2.42-47; At 4.32-35).

3. Porque a Unidade em nós conduz-nos ao aperfeiçoamento espiritual (17.23). Nossa fé não é uma fé individualista, é uma fé que se conduz e se produz por meio da comunidade. Então a convivência, o amor e exortação, a renúncia e doação devem fazer parte de nossa fé. Somos um povo que se conduz através do amor ágape. (Fil 2.1-8).

Portanto, a igreja somente será igreja quando aprendermos o caminho do esforço pela unidade. O Apóstolo Paulo já afirmava: “Esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz”. (Ef 4.3). Somos hoje levados a repensar nossa missão por causa de nossa falta de unidade. Um reino não pode subsistir, já dizia o Senhor! 

O que você está fazendo em prol da unidade? Santo Agostinho, um dos teólogos da igreja já afirmava: “Unidade nas coisas essenciais, Liberdade nas coisas não essenciais e Amor em tudo”. Você não precisa ser uniforme com seu irmão, mas naquilo que é essencial você tem o dever de desenvolver a unidade. O Credo Niceno é o fundamento principal para que sejamos um. Faça algo em prol da unidade. Desenvolva uma fé que consegue viver na diferença do que não é essencial e você será maduro espiritualmente.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

UM REINO DE CABEÇA PRA BAIXO


“E suscitou-se entre eles uma discussão sobre qual deles seria o maior”. Lucas 9.46

A igreja cristã desde os seus primórdios sempre compreendeu muito mal as palavras “serviço” e “poder”. Essa má interpretação gerou muitos desvios e atitudes que não somente trouxeram perdas para a igreja como também foi uma tragédia para a humanidade. Devido a esta questão, a igreja em nome de Deus matou e ainda mata. Essa discussão é tão antiga quanto é o relacionamento entre o ser humano e o próprio Deus. Mas é na relação entre Cristo e os seus discípulos que ficou muito bem claro o que Deus pensa deste binômio e o seu ensino sobre o Reino de Deus. Este é o que chamamos de o “reino de cabeça para baixo”, pois todos os princípios são valores invertidos e incoerentes para a visão do mundo e da sociedade. Portanto a igreja que é uma agência do reino de Deus na terra deve lutar por espelhar e manter estes princípios paradoxais entre os discípulos de Cristo. 

1) No reino de Cristo, somente aquele que serve ao seu semelhante é o que recebe “poder”. O ‘poder’ que chamamos de ‘capacitação’, não é concedido para aquele que apenas tem o nome de cristão, mas sobretudo para o que está disposto a servir. ‘Servir’ então é o maior sinal do ‘poder’ de Deus. Não há poder de Deus senão em prol do serviço. O poder somente existe para capacitar os que são servos a servirem as pessoas em suas necessidades. Se alguém serve seu semelhante aí o poder de Cristo reside.

2) No reino de Cristo, somente é considerado “grande” quem dá a vida pelos outros. Em suma, aquele que está em serviço contínuo ao semelhante é que será considerado o maior. Porque Cristo foi considerado o “Senhor”? Por que se entregou pela humanidade, deu sua vida pelos outros, porque aprendeu o serviço. Na escala de valores ninguém que está presidindo pode presidir se nele não são encontradas as obras de serviço. 

3) No reino de Cristo, não há espaço para os “sanguessugas”, para a exploração do outro, para usar o semelhante como “massa de manobra”. Se isso acontece, mesmo dentro da igreja, há muito esta se tornou uma “sinagoga de Satanás”. O reino de Cristo somente está presente no mundo porque os que pertencem a ele se dedicam em prol dos outros, da reconciliação, da reconstrução do ser humano, do bem e da verdadeira paz. 


Portanto, precisamos extirpar qualquer ensino e conduta que enfoque o ser humano como o centro de tudo. Quando manifestamos outro sentimento ou comportamento que não seja o serviço ao semelhante, podemos parecer com o reino de Cristo, mas na verdade somos parecidos com o time de Satã. Precisamos renunciar a uma liderança que oprima, que seja mesquinha, interesseira, exploradora, que venda o sacramento aos fiéis, que tome para si um “poder” que não é o verdadeiro serviço de Cristo. Se quisermos uma liderança eclesial verdadeira, ela será a primeira a servir e não a ser servida. Precisamos nos identificar com Cristo e não usarmos Seu nome e Seu reino para tirarmos proveito das coisas e das pessoas. Precisamos aprender a nos doar mais pelos outros. Temos que banir de nosso coração o egocentrismo, pois estar no centro das atenções é próprio de um coração que não conhece de verdade a Cristo. 

Nas palavras de Francisco de Assis necessitamos em todo momento, pedir que o Senhor faça de nós um instrumento de Sua paz. Onde houver Ódio, que levemos o Amor, onde a Ofensa, que levemos o Perdão. Onde a Discórdia, que levemos a União. Onde a Dúvida, que levemos a . Onde o Erro, que levemos a Verdade. Onde o Desespero, que levemos a Esperança. Onde houver Tristeza, que levemos a Alegria. Onde as Trevas, que levemos a Luz. Que busquemos mais consolar, que sermos consolados; mais compreender, que sermos compreendidos; mais amar, que sermos amados. E que possamos aprender que é dando, que recebemos. Que é perdoando, que somos perdoados e que é morrendo, que vivemos para a vida eterna

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

RASGUE SEU CORAÇÃO



“E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes”. Joel 2.12

Lemos frequentemente na Bíblia que Javé pedia por meio de seus profetas que seu povo Israel mantivesse um relacionamento profundo com Ele e isso não poderia ocorrer sem começar do coração. Essa necessidade é fortemente enfatizada por Jesus Nosso Senhor nos Evangelhos. De fato, o que retemos neste ensino é que não há qualquer possibilidade de entrarmos em um relacionamento verdadeiro com Deus se não através do íntimo, que pode significar “recôndito”, “oculto” ou “coração”. Contudo, apesar de Seu povo Israel reconhecer que Deus pedia antes de tudo o coração, poucos foram aqueles que conseguiram se relacionar com Javé.

Um dos momentos mais fortes na história de Israel é a profecia de Joel. Embora a nação israelita praticasse suas formas de adoração, sacrifícios e holocaustos ao Senhor, liturgicamente, o relacionamento com Deus era superficial. Por isso Joel, drasticamente pedia ao povo: “rasguem o coração e não apenas as suas vestes”. Isto é, ademais de toda forma litúrgica pois isso era necessário, os israelitas o faziam sem nenhum eco interior. “Rasgar as vestes” que era uma das práticas litúrgicas que significa humilhação e conversão a Deus tornara-se apenas um teatro, um rito frio e programado. 

Jamais devemos aniquilar as Liturgias e nossos cultos, sejam eles coletivos ou pessoais, por que tudo que fazemos possui um rito. O ritual é necessário para nos dar direcionamento com o que fazemos e como fazemos para Deus. O Ritualismo é o desvio do ritual. Porém é necessário “rasgar o coração”. Vejamos por que:

1. Rasgar o coração é dispor o coração a um quebrantamento permanente e não apenas um sentimento de tristeza emocional. O que significa então que rasgar o coração é se despir de preconceitos, da amargura e do orgulho pessoal que envolve nosso íntimo e não nos permite viver a experiência da fé verdadeira. 

2. Rasgar o coração também significa dispor o coração a um culto sincero e não apenas estético, teatral, de aparência. Rasgar vestes sem sinceridade é manter o coração impuro e enganoso, na busca de sensações que não são verdadeiras e sim imaginárias e fantasiosas. O demônio lança-nos a uma espiritualidade mentirosa e de sensacionalismo.

3. Rasgar o coração é dispor o coração a uma mudança interior e não exterior. Os sacerdotes rasgavam seus vestidos dentro do culto, mas era apenas teatro. Não havia mudança interior. Não havia realização em prol do necessitado, não havia melhoramento de seus relacionamentos pessoais, não se praticava mais a caridade, as pessoas continuavam interesseiras pensando em si e não no próximo. Mantinham os mesmos procedimentos nos negócios e no trato com a comunidade. 

Hoje a igreja precisa “rasgar o coração”. Adoração não pode ser confundida com “show”. Os que dirigem os cultos não podem querer aparecer mais do que Cristo. Muitas pessoas estão em busca de “espaço para cantar”, para “pregar” e dizer o que se pensa sobre isso e aquilo. Os cultos de oração estão abarrotados de pessoas que querem mostrar muita eloquência, palavras bonitas e no fundo não passam da figura do Fariseu que orava de si para si. Cristo os desconhecia. 

Rasgar o coração é uma luta diária. O coração é enganoso e corrupto. (Jeremias 17.9). Você e eu precisamos colocar nosso coração diariamente no lugar certo e para isso precisamos de uma espiritualidade que nos discipline. Precisamos de exercícios espirituais que nos levem a enxergar o real estado de nosso íntimo e tratar o pecado como pecado e não vermos a graça de Deus como uma “graça barata” e Deus como um “bonachão”. 

Kyrie Eleison (Senhor, Misericórdia).

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

NÃO SOU MAIS EVANGÉLICO

Depois de 25 anos de ministério como pastor, devo manifestar minha opinião pessoal quanto ao que se ouve, se fala e se vê dentro do movimento evangélico brasileiro. Devo admitir em prol de minha sanidade física e espiritual bem como para a comunidade a qual pastoreio que não posso mais fazer parte do movimento evangélico atual por algumas razões: 

1. O movimento evangélico brasileiro se transformou em um “negócio em nome de Deus”. Não posso vender o sacramento. Nunca fui autorizado a fazer negócio com o Reino de Deus. Não posso suportar mais esse estilo de vida. O movimento evangélico só ambiciona “lucro” seja de que tipo for: financeiro, social ou mesmo de cunho propagandista. O movimento evangélico tornou-se a Babilônia do Apocalipse.

2. O movimento evangélico é uma “massa de manobra” para muitos líderes que usam de sua liderança para explorar as carências humanas. Os púlpitos tem sido usados para isso, seja nas chamadas denominações tradicionais seja nas chamadas pentecostais ou neo-pentecostais. Não posso fazer parte de um movimento que usa o nome de Deus para violar a sanidade mental das pessoas que foram criadas à imagem e semelhança de Cristo, seja nas reuniões de orações, seja em qualquer evento realizado.

3. O movimento evangélico é pragmático e desonesto. É inadmissível que pastores e fiéis de determinada denominação vivam “pescando no aquário de outros” com o propósito de “encher o rol de membros da sua igreja”. O Movimento é pragmático e proselitista porque usa de uma evangelização desonesta como base de toda e qualquer “ação pastoral”. Estão mais preocupados com números de pessoas do que com o pastoreio e o cuidado das mesmas.

4. O movimento evangélico é idolátrico. Essa idolatria se manifesta pela música e por meio dos “cantores gospel” aos quais cobram cachês altíssimos para produzirem seus shows que nada mais são do que a manifestação da luxúria em nome de Deus. Enquanto for pastor de uma igreja, nenhum destes indivíduos cantará em um culto por mim dirigido. Deus quer ser adorado por corações humilhados. Não há adoração quando o homem é exaltado e idolatrado. Onde há vaidade, Deus não está presente.

5. O movimento evangélico é pobre na sua mensagem. Recuso-me a usar chavões evangélicos como: “Amém? Está fraco: AMÉM?”. “Quem quer receber uma bênção de Deus hoje, levante a mão”. “Existe a lei da semeadura, e o número da conta é…”. “você nasceu pra ser cabeça, não cauda!”. ”Esse acidente aconteceu porque você deve ter dado brecha”. “O Diabo quer lhe destruir”. “Estou vendo uma obra de bruxaria em sua vida”. “Vamos quebrar as setas inimigas”. “Nada vai impedir que você seja um conquistador”. “Não há nada de errado com o dinheiro; o único problema é o amor ao dinheiro”. “Nossa denominação ainda vai conquistar o mundo”. “Nós somos um povo que não conhece derrota”. “Venha para Jesus e pare de sofrer”. “Você é filho do Rei e não merece estar nessa situação”.”Temos a visão de conquistar a Europa para Cristo”. “Essa doença não existe, ela é apenas uma ameaça do Diabo”. “Deus está nos dirigindo para abrirmos uma igreja em...”. “Vamos amarrar os demônios territoriais que estão sobre o Brasil”. “Todos os que fizerem a campanha das sete semanas alcançarão seus sonhos”. “Compre esta Bíblia fantástica com os comentários de…”. “Estamos num mover apostólico e o avivamento brasileiro é semelhante ao do livro de Atos”. “Teremos uma explosão de milagres na maior concentração religiosa da história”. “Coloquemo-nos em pé para receber o Grande Homem de Deus, fulano de tal, com uma salva de palmas”. “Quando vejo essa multidão de quinze mil pessoas, só tenho vontade de dizer que amo cada um de vocês”. “O Reino de Deus precisa de um candidato na Câmara; vamos eleger nosso irmão que vai fazer a diferença”. “Deus abrirá uma porta de emprego para você, meu irmão”. “Os Estados Unidos são uma bênção porque o presidente deles é crente”. “Tudo é miçanga, só Deus é joia”. “Não sou dono do mundo, mas sou filho do dono”. “Olhe para o seu irmão do lado e diga: Eu amo você”!

6. O movimento evangélico tornou-se um movimento legalista e de patrulhamento. Não estarei me submetendo a padrões de pensamento, de comportamento e de espiritualidade policiada. Não serei patrulhado pelo que penso ou deixe de pensar. Não farei parte dos que se submetem aos cabrestos teológicos.

7. O movimento evangélico é pagão. A cada dia se torna mais e mais mundano. É mundano e se seculariza, diluindo a fé e seu conteúdo em nome da propaganda, na busca de ser bem aceito pela sociedade. Não promoverei nos cultos e liturgias por mim dirigidas nenhum atrativo coreográfico de danças, shows, pessoas ou títulos. Não me comprometo em pregar posicionamentos teológicos, fazer propaganda denominacional do púlpito e sim unicamente a Cristo e seu evangelho. Não suportarei o uso de elementos tecnológicos para chamar atenção das pessoas, ou levá-las a um transe coletivo sensacionalista. 

Por essas razões e por outras mais não estarei mais me denominando evangélico. Buscarei continuamente a glória de Cristo e de seu evangelho onde quer que eu esteja. Que o Senhor me ajude.

Recife, 13 de setembro de 2013
Para esclarecimento do que estou escrevendo, em primeiro lugar não escrevi esta reflexão por que desejo "consertar" o movimento evangélico atual, pois entendo que este abandonou a fé  dos primeiros pais, por isso é apóstata e consequentemente herético. Com respeito a heresia trato o movimento como os  apóstolos e pais  apostólicos trataram como ferramenta de Satanás.  A ele e seu movimento custará o fogo do inferno.

Também quero manifestar meu repúdio contra os teólogos ou pensadores covardes que embora desejem me intimidar com comentários críticos,  não tem a coragem de Cristo para assinarem o que escrevem e por isso seus comentarios não serão publicados.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

ORAÇÃO UNÂNIME - O que é um culto de oração verdadeiro?



“Tendo entrado na cidade, subiram a sala de cima, onde costumavam ficar,[...] unânimes, perseveravam na oração, os discípulos com algumas mulheres, entre as quais, Maria, a mãe de Jesus e com seus irmãos”. Atos 1.13, 14. 

O primeiro grande desafio para nós, cristãos, é aprendermos a orar. A oração não é meramente uma simples conversa com Deus. É um encontro profundo, marcante, poderoso e contemplativo. Mas o segundo grande desafio tão importante quanto esse é orarmos juntos. Para isso entendemos a oração não apenas como um encontro de uns com os outros, mas de todos com a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Portanto, algumas lições nós temos que aprender e continuamente nos lembrar:

1) A oração em conjunto, necessita ser uma oração unânime, isto é, devemos desenvolver um mesmo espírito, uma só fé, um só pensamento. Para que Deus nos ouça unanimemente, é essencial que tenhamos uma mesma visão de Deus, abrindo-nos para um encontro espontâneo e voluntário.

2) As orações podem ser espontâneas, mas também podem ser orações escritas. Devemos usar as orações escritas, uma vez que nossa mente sempre tende ao imaginário e a ao sensacionalismo. As palavras são o carro chefe de nossos pensamentos. As palavras e orações podem ser repetidas. O problema é a vã repetição, a palavra dita mecanicamente. Jesus nos proíbe disso, uma vez que nossas leituras bíblicas e nossas orações podem ser também mecânicas se não forem absorvidas pela mente e pelo coração. Então o problema não são as orações escritas, o pecado está na leitura e na palavra dita de modo inócuo e sem valor. As palavras não podem ser usadas como amuletos. Esse perigo corre aqueles que usam “chavões espirituais”.

3) O grande entrave para a oração em conjunto é a “vaidade”. Quando oramos, também estamos ensinando outras a orar. A oração em conjunto deve eliminar as barreiras intelectuais e culturais que talvez existam entre nós. As orações escritas e espontâneas devem ser palavras comuns, pois as pessoas que nunca oraram estarão desejosas para orarem da mesma forma, assim não haverá barreiras culturais ou intelectuais. Há também as barreiras “pseudo-espirituais”. Algumas pessoas não oram com outras por pensarem que as que oram são “mais espirituais e as mais consagradas”. Isso é um verdadeiro desastre na igreja. Isso deve ser dissipado pelo espírito daqueles que estão juntos para orar. Há também as que chamamos de barreiras antipáticas. O acolhimento e a empatia é um fator preponderante para o crescimento na maturidade e a aceitação de cada um. Ser solidário com as intenções de um irmão que pede oração é importante. Sentir o que o outro sente é fundamental no encontro de oração.

Enfim, nossas orações devem ser reunidas todas na Oração Dominical, pois ela deve conter de fato todos os nossos desejos maiores e nossas intenções. Portanto haverá uma igreja verdadeira, quando houver irmãos que orem juntos. Quando estamos juntos em UM Corpo, em UM Espírito, em UMA só esperança, em UMA só fé, em UM só batismo, tudo em nossa volta será mais forte, pois entramos juntos num ambiente onde a ÚNICA igreja dos céus e da terra está em oração e adoração unânime e seremos aqueles fiéis que o Senhor deseja encontrar quando voltar. Não desprezemos a prática da oração, seja individual, seja em conjunto.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

ORAÇÃO E SANTIDADE



A oração torna o coração puro. É este o começo da santidade. A santidade não é um luxo reservado a alguns: é um dom simples oferecido a vós e a mim. Onde começa a santidade? Nos nossos corações. É por isso que temos necessidade da oração contínua para manter o coração puro e assim ele tornar-se-á sacrário do Deus vivo. (...) Deixar o amor de Deus tomar posse do coração, de forma total e absoluta, torna-se para o coração como uma segunda natureza. Que o coração não deixe entrar nada nele que seja contrário ao amor de Deus; que se esforce continuamente por aumentar este amor de Deus ao procurar agradar-Lhe em tudo e não Lhe recusando o que Ele pede; que aceite, como vindo da mão de Deus, tudo o que lhe acontece; que tome a firme decisão de nunca cometer uma falta deliberada e conscientemente, mas se cair, que peça perdão e se levante imediatamente. Um coração assim ora continuamente. O conhecimento de Deus produz o amor e o conhecimento de si próprio faz-se na humildade. A humildade é apenas a verdade. O que é que possuímos que não tenhamos já recebido? - pergunta São Paulo. Se recebi tudo, que bem é que tenho de mim mesmo? Se estamos convencidos disto, nunca ergueremos a cabeça com orgulho. Se fordes humildes, nada vos tocará, nem o louvor nem o opróbrio, porque vós sabeis o que sois. Se vos culpam, não desanimareis. Se vos proclamam santo, não vos colocareis a vós próprios num pedestal. O conhecimento de nós próprios faz-nos ajoelhar. Mudai os vossos corações...Não há conversão sem mudança de coração:mudar de lugar não é solução; mudar de atividade não é solução. A solução é mudar os nossos corações.E como os mudamos? Orando. 
(Madre Teresa de Calcutá, em "Oração: Frescura duma fonte")

terça-feira, 20 de agosto de 2013

«A ORAÇÃO DO CORAÇÃO»



A oração que leva ao descanso em que a alma habita com Deus, é a oração do coração. Para nós que damos tanta importância à mente, aprender a orar com o coração e a partir dele tem importância especial. Os antigos cristãos nos mostram o caminho. Embora não exponham nenhuma teoria sobre a oração, suas narrativas e seus conselhos concretos apresentam as pedras com as quais é possível construir uma espiritualidade. Os autores apoiam-se todos na tradição do deserto. Encontramos a melhor formulação da oração do coração nas palavras do místico russo Teófano, o Recluso: "Orar é descer com a mente ao coração e ali ficar diante da face do Senhor, Onipresente, Onividente dentro de nós". No decorrer dos séculos, essa perspectiva da oração tem sido central no hesicasmo.
Orar é ficar na presença de Deus com a mente no coração, isto é, naquele ponto de nossa existência em que não há divisões nem distinções e onde somos totalmente um. Ali habita o Espírito de Deus e ali acontece o grande encontro. Ali, coração fala a coração, porque ali ficamos diante da face do Senhor, onividente, dentro de nós. É bom saber que aqui a palavra "coração" é usada em seu sentido bíblico pleno. em nosso meio, ela se tornou lugar-comum. Refere-se à sede da vida sentimental. Expressões como "coração partido" e "sentido no coração" mostram ser comum pensarmos no coração como o lugar quente onde se localizam as emoções, em contraste com o frio intelecto onde têm lugar nossos pensamentos. Mas, na tradição judeu-cristã, a palavra "coração" refere-se à fonte de todas as energias físicas, emocionais, intelectuais, volitivas e morais.
No coração, originam-se impulsos impenetráveis, além de sentimentos, disposições e desejos conscientes. O coração também tem suas razões e é o centro da percepção e do entendimento. Finalmente, ele é a sede da vontade: faz planos e chega a uma boa decisão. Assim, é o órgão central e unificador de nossa vida pessoal. Nosso coração determina nossa personalidade e é, portanto, não só o lugar onde Deus habita mas também o lugar ao qual Satanás dirige seus ataques mais ferozes. Esse coração é o lugar da oração. A oração do coração dirige-se a Deus a partir do centro da pessoa e, assim, afeta toda a nossa compaixão.
Macário, o Grande, diz: "A tarefa principal do atleta (isto é, do orante) é entrar em seu coração". Isso não significa que o que ora deva procura encher sua oração de sentimento; significa que deve esforçar-se para deixar que ela remodele toda a sua pessoa. O discernimento mais profundo dos monges do deserto é que entrar no coração é entrar no Reino de Deus. Em outras palavras, o caminho para Deus é pelo coração. Isaac, o Sírio, escreve:
"Procure entrar na câmara do tesouro... que está dentro de você e então descobrirá a câmara do tesouro do céu. Pois ambas são a mesma coisa. Se conseguir entrar em uma, você verá ambas. A escada para este Reino está escondida dentro de você, em sua alma. Se você purificar a alma, ali verá os degraus da escada que deve subir."
E João de Cárpato diz:
"É preciso grande esforço e luta na oração para alcançar aquele estado da mente que é livre de toda perturbação; é um céu dentro do coração (literalmente 'intracardíaco'), o lugar onde, como o apóstolo Paulo assegura, "Cristo está em vós" (2Cor13,5).
Em suas falas, os monges do deserto nos indicam uma visão bastante holística de oração. Eles nos afastam de nossas práticas intelectuais, nas quais Deus se transforma em um dos muitos problemas com os quais temos de lidar. Mostram-nos que a verdadeira oração penetra no âmago de nossa alma e não deixa nada sem tocar. A oração do coração não nos permite limitar nosso relacionamento com Deus a palavras interessantes ou emoções piedosas. Por sua própria natureza, essa oração transforma todo o nosso ser em Cristo, precisamente porque abre os olhos de nossa alma à verdade de nós mesmos e também à verdade de Deus. Em nosso coração passamos a nos ver como pecadores abraçados pela misericórdia de Deus. É essa visão que nos faz clamar: "Senhor Jesus Cristo, Filho do Deus vivo, tem misericórdia de mim, pecador". A oração do coração nos exorta a não esconder absolutamente nada de Deus e a nos entregar incondicionalmente a sua misericórdia.
Assim, a oração do coração é a oração da verdade. Desmascara as muitas ilusões sobre nós mesmos e sobre Deus e nos conduz ao verdadeiro relacionamento do pecador com o Deus misericordioso. Essa verdade é o que nos dá o "descanso" do hesicasta. Quando ela se abriga em nosso coração, somos menos distraídos por pensamentos mundanos e nos voltamos mais sinceramente para o Senhor de nossos corações e do universo. Assim, as palavras de Jesus: "Felizes os corações puros: eles verão a Deus" (Mt 5,8) tornam-se reais em nossa oração. As tentações e as lutas continuam até o fim de nossas vidas, mas com um coração puro ficamos tranqüilos, mesmo em meio a uma existência agitada.
Isso levanta o problema de como praticar a oração do coração em um ministério bastante agitado. É a essa questão de disciplina para a qual precisamos agora voltar a atenção.

Oração e Ministério

Como nós, que não somos monges nem vivemos no deserto, praticamos a oração do coração? Como ela influencia nosso ministério cotidiano?
A resposta a essa pergunta está na formulação de uma disciplina definitiva, uma regra de oração. Há três características da oração do coração que nos ajudam a formular essa disciplina:
·         A oração do coração alimenta-se de orações breves e simples.
·         A oração do coração é incessante.
·         A oração do coração inclui tudo.
·         Alimenta-se de Orações Breves
No contexto de nossa cultura verbosa, é significativo ouvir os monges do deserto nos aconselhando a não usar palavras em excesso:
"Perguntaram ao aba Macário: 'Como se deve orar?' O ancião respondeu: 'Não há, em absoluto, necessidade de fazer longos discursos; basta estender a mão e dizer: Senhor, como queres e como sabes, tem misericórdia. E se o conflito ficar mais ameaçador, dizer: Senhor, ajuda. Ele sabe muito bem do que precisamos e nos mostra sua misericórdia'".
João Clímaco é ainda mais explícito:
"Quando Orar, não procure se expressar em palavras extravagantes pois, quase sempre, são as frases simples e repetitivas de uma criancinha que nosso Pai do céu acha mais irresistíveis. Não se esforce em muito falar, para que a busca de palavras não lhe distraia a mente da oração. Uma única frase nos lábios do coletor de impostos foi suficiente para lhe alcançar a misericórdia divina; um pedido humilde feito com fé foi suficiente para salvar o bom ladrão. A tagarelice na oração sujeita a mente à fantasia e à dissipação; por sua natureza, as palavras simples tendem a concentrar a atenção. Quando encontrar satisfação ou contrição em determinada palavra de sua oração, pare nesse ponto".
Essa é uma sugestão muito útil para nós que tanto dependemos da capacidade verbal. A tranqüila repetição de uma única palavra ajuda-nos a descer com a mente ao coração. (Também a base da OC, nota da autora do site). Essa repetição nada tem a ver com mágica. Não tem o propósito de enfeitiçar Deus, nem de forçá-lo a nos ouvir. Pelo contrário, uma palavra ou sentença repetida com freqüência ajuda-nos a nos concentrar, a nos mover para o centro, a criar uma tranqüilidade interior e, assim, a ouvir a voz de Deus. Quando simplesmente tentamos ficar sentados em silêncio e esperar que Deus nos fale, nos vemos bombardeados por intermináveis pensamentos e idéias conflitantes. Mas quando usamos uma sentença bastante simples como: "Ó Deus, vem em meus auxílio", ou "Jesus, mestre, tem piedade de mim", ou uma palavra como "Senhor" ou "Jesus", é mais fácil deixar as muitas distrações passarem sem nos deixarmos iludir por elas. Essa oração simples, repetida com facilidade, esvazia aos poucos nossa vida interior apinhada e cria o espaço sossegado onde habitamos com Deus. É como uma escada pela qual descemos ao coração e subimos a Deus. Nossa escolha de palavras depende de nossas necessidades e das circunstâncias do momento, mas é melhor usar palavras da Escritura.
Quando somos fiéis a essa oração simples e a praticamos com regularidade, ela nos conduz devagar a uma experiência de descanso e nos abre à presença ativa de Deus. Além disso, em um dia muito atarefado, podemos levar essa oração conosco. Quando, por exemplo, passamos, no início da manhã, 20 minutos sentados na presença de Deus com as palavras: "O Senhor é meu pastor", elas lentamente constroem em nosso coração um pequeno ninho para si mesmas e ali ficam o restante de nosso dia atarefado. Até enquanto falamos, estudamos, cuidamos do jardim ou construímos alguma coisa, a oração continua em nosso coração e nos mantém conscientes da orientação onipresente de Deus. A disciplina não é agora dirigida para um discernimento mais profundo do que significa chamar Deus de nosso Pastor, mas para a íntima experiência da ação pastoral de Deus em tudo que pensamos, dizemos ou fazemos.

Incessante

A segunda característica da oração do coração é ser incessante. A pergunta de como seguir a ordem de Paulo: "Orai incessantemente" foi fundamental no hesicasmo desde a época dos monges do deserto até a Rússia oitocentista. Há muitos exemplos desse interesse nos dois extremos da tradição hesicástica. (Vejamos um dos principais:)
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Na famosa história do Peregrino Russo lemos:
"Pela graça de Deus sou cristão, mas pelas minhas ações sou um grande pecador... No vigésimo quarto domingo depois de Pentecostes, fui à igreja para ali fazer minhas orações durante a liturgia. Estava sendo lida a primeira Epístola de S. Paulo aos Tessalonicenses e, entre outras palavras, ouvi estas: 'Orai incessantemente' (1Ts 5,17). Foi esse texto, mais que qualquer outro, que se inculcou em minha mente, e comecei a pensar como seria possível Orar incessantemente, já que um homem tem de se preocupar também com outras coisas a fim de ganhar a vida".
O camponês foi de igreja em igreja, para ouvir sermões, mas não encontrou a resposta que queria. Finalmente, encontrou um santo staretz que lhe disse:
"A oração interior incessante é um anseio contínuo do espírito humano por Deus. Para sermos bem-sucedidos nesse exercício consolador, precisamos suplicar com mais freqüência a Deus que nos ensine a Orar sem cessar. Orar mais e Orar com mais fervor. É a própria oração que lhe revela como Orar sem cessar; mas leva algum tempo".
Então, o santo staretz ensinou ao camponês a Oração de Jesus: "Senhor Jesus Cristo, tem misericórdia de mim". Enquanto viajava como peregrino pela Rússia, o camponês passou a repetir essa oração com os lábios. Até considerava a oração de Jesus sua companheira verdadeira. E, então, um dia, teve a sensação de que a oração passou sozinha de seus lábios para seu coração. Ele diz: "... parecia que, pulsando normalmente, meu coração começava a dizer as palavras da oração a cada batida... Desisti de dizer a oração com os lábios. Passei simplesmente a ouvir o que meu coração dizia".
Aqui aprendemos outro jeito de chegar à oração incessante. A oração continua a orar dentro de mim, até enquanto falo com os outros ou me concentro no trabalho manual. Ela se torna a presença ativa do Espírito de Deus que me guia pela vida.
Desse modo vemos como, pela caridade e pela atividade da oração de Jesus em nosso coração, nosso dia todo se transforma em oração contínua. Não sugiro que imitemos o peregrino russo, mas que, também nós, em nosso ministério atarefado, nos preocupemos em orar sem cessar, para que, seja o que for que comamos ou bebamos, seja o que for que façamos o façamos pela glória de Deus. (Veja 1Cor 10,31). Amar e trabalhar pela glória de Deus não pode permanecer uma idéia sobre a qual pensamos de vez em quando. Deve se tornar uma incessante doxologia interior.

Inclui Tudo

Uma última característica da oração do coração é que ela inclui todos os nossos interesses. Quando entramos com a mente no coração e ali ficamos na presença de Deus, então todas as nossa preocupações mentais se transformam em oração. O poder da oração do coração é precisamente que, por meio dela, tudo que está em nossa mente se transforma em oração.
Quando dizemos a alguém: "Vou orar por você", assumimos um compromisso muito importante. É uma pena que esse comentário muitas vezes não passe de uma expressão de interesse. Mas, quando aprendemos a descer com nossa mente em nosso coração, todos os que fazem parte de nossa vida são guiados à presença curativa de Deus e tocados por ele no centro de nosso ser. Falamos aqui de um mistério para o qual palavras são inadequadas. É o mistério em que o coração, centro de nosso ser, é transformado por Deus em seu coração, um coração grande o bastante para abraçar todo o universo. pela oração, carregamos em nosso coração toda a dor e tristeza humanas, todos os conflitos agonias, toda a tortura e a guerra, toda a fome, solidão e miséria, não por causa de alguma grande capacidade psicológica ou emocional, mas porque o coração de Deus uniu-se ao nosso.
Aqui vislumbramos o sentidos das palavras de Jesus:
"Tomais sobre vós o meu jugo e sede discípulos meus, porque eu sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas. Sim, o meu jugo é fácil de carregar, e o meu fardo é leve" (Mt 11,29-30).
Jesus nos convida a aceitar seu fardo, que é o do mundo todo, um fardo que inclui o sofrimento humano em todos os tempos e lugares. Mas esse fardo divino é leve e podemos carregá-lo quando nosso coração se transforma no coração manso e humilde de nosso Senhor.
Vemos aqui o íntimo relacionamento entre oração e ministério. A disciplina de conduzir todo o nosso povo com suas lutas ao coração manso e humilde de Deus é a disciplina de oração e também do ministério. Enquanto o ministério significar apenas que nos preocupamos muito com as pessoas e seus problemas; enquanto significar um número interminável de atividades que dificilmente conseguimos coordenar, ainda dependeremos muito de nosso coração tacanho e ansioso. Mas quando nossas preocupações são elevadas ao coração de Deus e ali se transformam em oração, ministério e oração se tornam duas manifestações do mesmo amor universal de Deus.
Vimos como a oração do coração se nutre de orações breves, é incessante e inclui tudo. Essas três características mostram como a oração do coração é o alento da vida espiritual e de todo o ministério. Na verdade, essa oração não é apenas uma atividade importante, mas o próprio centro da nova vida que queremos representar e na qual queremos iniciar nosso povo. As características da oração do coração deixam claro que ela exige uma disciplina pessoal. Para levar uma vida de oração não podemos passar sem orações específicas. Precisamos dizê-las de uma forma que nos ajude a ouvir melhor o Espírito que ora em nós. Precisamos continuar a incluir em nossa oração todas as pessoas com as quais e para as quais vivemos e trabalhamos. Essa disciplina vai nos ajudar a passar de um ministério entontecedor, fragmentário e muitas vezes frustrante para um ministério integrador, holístico e muito gratificante. Ela não vai facilitar o ministério, mas simplificá-lo; não vai torná-lo doce e piedoso, mas sim espiritual; não vai fazê-lo indolor e sem lutas, mas tranqüilo no verdadeiro sentido hesicástico."
Henri Nouwen

Fonte: Capítulo extraído do livro: "A Espiritualidade do Deserto e o Ministério Contemporâneo - O Caminho do Coração" - por Henri J. M.Nouwen - (indicado para os padres, mas também a todos que têm um ministério na Igreja, enfim a todos os cristãos.) Ed. Loyola - ano 2000.


sexta-feira, 16 de agosto de 2013

NÃO LEVA TANTO TEMPO


Um dos grandes problemas humanos hoje se chama “impaciência”. Por causa do sistema de vida que levamos ninguém mais hoje tem “paciência”. Somos impacientes com tudo que nos rodeia, com coisas, pessoas, circunstâncias e até mesmo conosco. Mas também temos visto que esta condição tem a ver como tratamos Deus e as coisas espirituais. Uma das formas que expressamos nossa impaciência é como praticamos a oração. Uma das frases mais ouvidas acerca disso é: “Por que leva tanto tempo para Deus responder as orações”? 

Sabemos que o canal aberto com Deus depende de nosso espírito. Isto é, como estamos quando nos relacionamos com Deus? Um dos males que mantemos, todos nós, é a vaidade! O Salmista já dizia: “Se eu no coração contemplar a vaidade, o Senhor não me ouvirá” (66.18). Por muito que pedimos e não somos atendidos pode ser que a vaidade seja a grande responsável. Da vaidade procede outra série de problemas. Quando nossos desejos e planos são fundamentados nela, Cristo não ouve por que vivemos alimentando este mal em nós. Para que nossa oração esteja no altar de Deus, precisamos ter coragem para tratar com nossos pecados pessoais, os mais ocultos, aqueles que estão no fundo do coração e que nós nem sequer damos conta. Cristo não se relaciona com um coração arrogante e vaidoso. Precisamos aprender a purificar nossa vida, confessando nossos pecados e isso todos os dias, a todo momento. 

Vale a pena fazer uma lista, de memória, dos muitos pecados que precisamos confessar. Quais seriam os pecados específicos que você se lembra quando lê o Salmo 66.18? Um dos mais sutis é geralmente nossa atitude superior com relação a nossa condição espiritual quando comparada aos outros. Às vezes podem ser outros que nem sentimos como os motivos que dividem nosso coração em fazer o bem como o egoísmo, a presunção e o desejo de fazer crescer nosso mérito próprio aos olhos dos outros. Pode ser a pretensão, isto é colocarmo-nos num pedestal, nos envaidecendo pela posição de “mais espiritual” que outros. O orgulho também pode ser um obstáculo. Por exemplo, às vezes sem querer dizemos para nós mesmos ou para outros: “Olhem para o que eu fiz”!

A verdade é que não precisamos ser imorais aos olhos humanos, basta que contemplemos no coração qualquer tipo de impureza. São os conhecidos “pequenos pecados cristãos”. Deus muito mais que nós conhece-nos totalmente (I Pe 3.12). Portanto, o primeiro pré-requisito para a oração é confessar o pecado que tenazmente nos assedia (Hb 12.1). Pode ser que você passou disto há muito tempo. Mas preciso descobrir que quando penso que superei isto, um pouco de orgulho surge e tenho de confessá-lo depressa e extirpá-lo e depois continuar”. A chave é a oração contínua: “Senhor Jesus Filho de Deus tem misericórdia de mim”. Se a praticarmos com sinceridade, Cristo sempre estará ouvindo, perdoando e disposto a responder nossas orações, segundo a sua vontade.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

ORAÇÃO É A RESPOSTA!


“Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados. A oração de um justo é poderosa e eficaz”. Tiago 5.16



O grande desafio pessoal para nós é aceitarmos a prática da oração como o único caminho para que Deus realize sua vontade em nós. Há uma luta dentro de nós quanto a fazer a vontade de Deus e fazer a nossa vontade. O profeta Jeremias já dizia que o “coração do homem é enganoso e corrupto” (17.9). O apóstolo Paulo dizia que a nossa “carne combate contra nosso espírito” (Gl 5.17) e ainda afirmava “quando quero fazer o bem, acabo fazendo o mal” (1Co 7.18). Que tragédia.

Se depender de nossas paixões humanas e de nossa vontade pessoal nunca chegaremos perto de Deus a não ser que subjuguemos nossa vontade à vontade dEle. E a oração é o único caminho para isso. Portanto, chegamos à conclusão que a prática da oração ininterrupta é a prioridade para Deus.

Então temos que tratar com as nossas prioridades, nosso tempo e nosso planejamento de vida. Temos que lutar contra o sistema que nos domina para que a oração tenha um lugar de prioridade em nossa vida. Muitos querem fazer a vontade de Cristo, estar em comunhão com Ele, porém não estão prontos para submeterem-se à disposição de Cristo.

Muitos falam do Espírito Santo, mas sequer possuem um momento de estar a sós com Ele. Ouvir o Espírito Santo é condição básica para um filho de Deus. A oração precede qualquer planejamento, qualquer desejo, e qualquer sonho. O livro de Provérbios afirma “O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa vem do Senhor” (16.1). A inquietude é sinal de agitação de alma e de inconstância espiritual.

Assim somos orientados a sempre orar primeiro e planejar depois. Deus quer que sejamos organizados, Ele espera que administremos nosso tempo, que disciplinemos a nós mesmos, que preparemos programas bem planejados, mas se pudéssemos aprender a orar primeiro e planejar depois como seria diferentes as nossas casas, nossas igrejas, nossos estudos bíblicos, nossa profissão ou o que quer que estejamos fazendo. É bem possível que estejamos planejando em uma direção e a vontade de Deus esteja em outra. “O Senhor quer que nos ponhamos à disposição dEle e digamos antes de começarmos a planejar: ‘Senhor, o que quer que eu faça, aonde quer que eu vá’?”.

Quando cedemos nosso tempo à oração, começamos a compreender o que significa o “muito pode” da oração do justo. E o justo é aquele que não somente é justificado de seus pecados, mas busca ser como Cristo, buscando a santidade em sua vida e vive praticando a justiça. Para que achemos a vontade de Deus antes de qualquer coisa precisamos achar o caminho da oração que começa com a conhecida oração do coração: “Senhor Jesus Cristo Filho de Deus tem piedade de mim, pecador”. Oração, oração, oração é a resposta!

sexta-feira, 26 de julho de 2013

O QUE VALE SER EVANGÉLICO E NADA FAZER?

“A igreja existe por causa da missão, assim como o fogo existe enquanto queima”. Emil Brunner

A primeira conferência missionária vem nos trazer algumas questões que devemos refletir e repensar a prática de cada um de nós. A estagnação que vivem os crentes e a letargia que sustenta a fé atual é uma amostra de quanto estamos precisando encarar a necessidade de uma ação missionária inteligente e despreconceituosa. Encontramos crentes e uma igreja “ensimesmada”, isto é voltada apenas para a manutenção de seus departamentos internos e crentes despreocupados com os outros. Cada um correndo em prol de sua aldeiazinha evangélica que vive uma sociabilidade para manutenção de seu “status quo”. 

Sou da época em que a oração motivava as pessoas a fazer algo de bom em prol dos outros, do bairro e da comunidade. Sou da época que a oração era o elo que ligava a vida de contemplação a Deus à vida ética, a moral e a santidade. Hoje encontramos igrejas locais com seus crentes que fazem da fé um fim em si mesma. Encontramos crentes que não oram, não contribuem, não fazem absolutamente nada na vida política e na vida social. São meros frequentadores de cultos e os pastores e pregadores são “excelentes executivos” da fé. A missão não passa de mais um departamento nas igrejas e a evangelização virou sinônimo de proselitismo denominacional. Há tempos que não se fala de céu e salvação nas igrejas. Perde-se tempo ouvindo o chavão: “venha para Jesus que ele vai resolver os seus problemas”. 

Os cultos precisam ferver de pessoas que visem a glória de Deus somente. E não ferver de coreografias litúrgicas. Dr. Carlos van Engen afirma: “A igreja só pode achar a sua mais plena expressão para com o mundo se viver a sua natureza como povo missionário”. Só há uma igreja e só há verdadeiros cristãos: São aqueles que adoram a Deus e vivem como salda terra e luz do mundo. O Dr. Stephen Neill define a missão como “a transposição intencional de barreiras, partindo-se da Igreja em direção à não-igreja, em gestos e palavras, por amor à proclamação do evangelho”. A intenção de transpor família, geografia, cultura e idioma deve ser uma consequência natural daqueles que vivem uma experiência cotidiana com Jesus Nosso Senhor. 

Que esta primeira conferencia nos leve a repensar nossa vida, nossos valores, nossa atuação nesta sociedade, a fim de que possamos nos encontrar no final de tudo ouvindo as palavras do Senhor: “Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei” e “sede bem vindos benditos de meu Pai”. Que nossa vida seja vivida em prol dos outros e não em prol de nós mesmos. Que nossa maior alegria seja de ver os outros caminhando na verdade e dando frutos, não somente em nossa “Jerusalém” mas também sendo luz “até os confins da terra”.

terça-feira, 23 de julho de 2013

ALIMENTANDO O REBANHO OU ENTRETENDO OS CABRITOS?


Um mal terrível está no acampamento do Senhor, tão grande em infecciosidade que até os mais míopes não conseguem fazer vistas grossas a ele.

Durante os anos passados ele tem se desenvolvido numa dimensão anormal. Tem agido como um fermento insistente para que toda a massa seja levedada. O maligno jamais causou tanto mal à Igreja do que fazendo-a pensar que sua missão é prover entretenimento para as pessoas, com a boa intenção de conquistá-las. De fato, a Igreja tem diminuído gradualmente a cor do seu testemunho, se moldado e adaptado as frivolidades que constituem o modismo de cada época, Depois passa a tolerá-las em seu território. No próximo passo irá adotá-las sob o argumento de alcançar as massas.

Meu primeiro argumento é que providenciar diversão para as pessoas jamais é mencionado nas Escrituras como sendo função da Igreja. Se esta é uma tarefa cristã, por que Cristo nunca falou sobre ela? "Ide portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo;" (Mt 28:19). Isto é suficientemente claro, se não, Ele teria acrescentado "e providenciem entretenimento para todos aqueles que não se renderem ao evangelho". Palavras como estas jamais serão encontradas na Bíblia! Parece que o Senhor da Igreja não pensou nisso! De novo, "Ele concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para pastores e mestres... para a edificação do corpo de Cristo" (Ef. 4:11). Onde aparecem os entretenedores? O Espirito Santo se cala a respeito deles! Os profetas foram perseguidos por divertirem o público ou porque se recusaram a fazê-lo? Os concertos de entretenimento não têm rol de mártires!

De novo, oferecer entretenimento está em completo antagonismo com a vida e ensino de Cristo e de todos os seus apóstolos. Qual era a atitude da Igreja para com o mundo? "Vos sois o sal da terra", não a bala de açúcar! Algo que o mundo vai cuspir fora e não engolir facilmente. Curta e afiada foi a exortação: "deixe que os mortos enterrem os seus mortos". Ele falava movido por uma honestidade terrível!

Se Cristo tivesse introduzido alguns elementos mais chamativos e agradáveis em sua missão, Ele teria sido mais popular e procurado de novo por aqueles que O abandonaram irritados. No entanto, Ele nunca disse: "corram atrás dessas pessoas, Pedro, e diga-lhes que teremos um outro tipo de culto amanhã, algo breve e atrativo com uma pregação bem curta. Nos teremos uma noite agradável e descontraída voltada para a vontade do povo. Diga-lhes que sem duvida o programa será muito bom. Seja rápido, Pedro, precisamos segurar essas pessoas de alguma maneira!"

Jesus tinha piedade dos pecadores, cuidava e chorava por eles, mas nunca procurou diverti-los. As Escrituras serão estudadas em vão se quisermos encontrar qualquer sinal do evangelho do entretenimento ou base para o ministério da diversão. Para Jesus não havia outra arma camuflada para conquistar os rebeldes espirituais. Ele tinha confiança na eficácia do evangelho puro e simples!

Quando Pedro e João foram separados para pregação do evangelho, a Igreja teve uma reunião de oração, mas eles não pediram "Senhor, conceda aos teus servos uma boa dose de criatividade santa, para que possam trazer um entrenenimento piedoso a fim de que as pessoas vejam quão alegres nos somos!" O fato é que, como eles não cessaram de pregar a Cristo, não tiveram tempo de promover entretenimentos! Espalhados pela perseguição, foram por todas as partes pregando o evangelho, Eles "viraram o mundo de cabeça para baixo". Esta é a única diferença! Senhor, tenha misericórdia e nos conduza aos métodos apostólicos!

Finalmente, a missão do entretenedor falha por não alcançar o fim esperado. Seu ministério operará inversamente na vida do recém convertido que participa de todos os atos do grande show sem ter tempo de ser levado a maturidade. Permite aos zombadores e descuidados na fé, gratos a Deus porque a Igreja os alimenta pela metade, um envolvimento ministerial incompetente e comprometedor. Assim não haverá ninguém a quem dirigir uma resposta porque a missão do entretenedor não produz convertidos! A necessidade da nossa hora para o ministério é a junção de capacidade preparada e espiritualidade honesta, uma surgindo da outra como o fruto brota a partir da raiz. A necessidade é doutrina bíblica, tão compreendida e sentida, que venha a por o ser humano em chamas.

C. H. Spurgeon (1834-1892) - Londres.

Ressurreição e Missão

“Então o lobo morará com o cordeiro” (Isaias 11.6)  Há uma crença equivocada na Doutrina da Ressurreição. Entre os cristãos atuais tra...