domingo, 26 de setembro de 2021

Quem vos der a beber um copo de água por serdes de Cristo

Dá os bens deste mundo e receberás os bens eternos. Dá na Terra e receberás no Céu. Mas a quem os darás? [...] Escuta o que te diz a Escritura: «Quem dá ao pobre empresta ao Senhor» (Pr 19,17). Deus não precisa de ti, seguramente: mas outro precisará. O que deres a um, outro o receberá. Porque o pobre nada tem para te dar; bem quereria, mas nada encontra para dar; nele, há apenas essa vontade vigilante de orar por ti. Mas, quando um pobre ora por ti, é como se dissesse a Deus: «Senhor, recebi um empréstimo, sê Tu a minha caução». Se o pobre com quem lidas está insolvente, tem um bom fiador, pois Deus diz-te: «Não tenhas receio de dar, Eu respondo por ele [...], Eu darei, sou Eu que recebo, é a Mim que dás».

Acreditas que Deus te diz: «Sou Eu que recebo, é a Mim que dás»? Sim, seguramente, pois Cristo é Deus, e nisto não há dúvidas. De facto, Ele disse: «Tive fome e destes-Me de comer». E, quando Lhe perguntamos: «Senhor, quando foi que Te vimos com fome?», Ele mostra-nos que é de facto o fiador dos pobres, que responde por todos os seus membros [...], e diz-nos: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25,35s).

Santo Agostinho (354-430)
bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
3.º Sermão sobre o Salmo 36

Como é difícil praticar o desapego, a renúncia em dar! E essa prática é aquela será a prova de nossa fé. Não serão quantas vezes ouvimos um sermão, ou quantas vezes lemos a Bíblia, ou mesmo quantas vezes decoramos um verso litúrgico. A grande questão para a recompensa não será quantas actas de sociedades internas eclesiásticas escrevemos, ou mesmo quantos livros de teologia passaram em nossas mãos. Não será quantos títulos de graduação em teologia alcançamos, mas sim, simplesmente se nós aprendemos o desapego e amamos o semelhante, da mesma forma que Cristo amou o mundo e se entregou por ele, entregando-se a nós, como Aquele que cumpriu por nós a lei do amor. 

Absolutamente, a recompensa virá não como um prêmio, mas como um presente da Graça - favor imerecido de Deus, por tantas vezes cumprirmos a lei da caridade e do amor abnegado. Não como troca ou barganha, mas como gratidão eterna. Entregarmo-nos inteiramente ao Amor eterno.

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Tudo acabará bem

Juliana de Norwich (*1342, +1416)

Na minha ignorância, surpreendia-me que a profunda sabedoria de Deus não tivesse impedido o início do pecado; porque, se o tivesse feito, pensava eu, tudo estaria bem. [...] Jesus respondeu-me: «O pecado é inelutável, mas tudo acabará em bem, tudo acabará em bem, todas as coisas, quaisquer que sejam, acabarão em bem». 

Com esta pequena palavra «pecado», Nosso Senhor apresentou-me ao espírito tudo o que não é bom: o desprezo ignóbil e as provações extremas que sofreu por nós ao longo da sua vida e na sua morte; todos os sofrimentos e as dores, corporais e espirituais, de todas as suas criaturas. [...] 

Contemplando todos os sofrimentos que existiram ou existirão, compreendi que a Paixão de Cristo era o maior, o mais doloroso de todos, e que a todos ultrapassa. [...] Mas não vi o pecado. Sei, pela fé, que ele não tem substância nem qualquer espécie de ser; só o podemos reconhecer pelo sofrimento que causa. Percebi que este sofrimento é temporário: ele purifica-nos, leva-nos a conhecer-nos a nós mesmos e a gritar por misericórdia. 

A Paixão de Nosso Senhor fortifica-nos contra o pecado e o sofrimento: esta é a sua santa vontade. No seu terno amor por todos aqueles que serão salvos, Nosso Senhor reconforta-os pronta e suavemente, como se lhes dissesse: «É verdade que o pecado é a causa de todas estas dores, mas tudo acabará em bem: todas as coisas, quaisquer que sejam, acabarão em bem». Ele disse-me estas palavras com grande ternura, sem a mínima censura. [...]

Nestas palavras, vi um mistério profundo e maravilhoso, oculto em Deus. Ele desvendará e nos fará conhecer esse mistério plenamente no Céu. Quando o conhecermos, entenderemos por que razão permitiu a vinda do pecado a este mundo. E, ao ver isto, regozijar-nos-emos por toda a eternidade.

quarta-feira, 7 de julho de 2021

OUVIR MAIS DO QUE FALAR




«Que cada um esteja sempre pronto para escutar, mas seja lento para falar» (Tim 1,19). Sim, irmãos, digo-vos francamente [...], eu que muitas vezes vos falo a vosso pedido: a minha alegria é sem mancha quando me sento entre os ouvintes; a minha alegria é sem mancha quando escuto e não quando falo. É então que saboreio a palavra com toda a segurança, pois a minha satisfação não é ameaçada pela vanglória. Quem pode recear o precipício do orgulho se estiver sentado sobre a pedra sólida da verdade? «Escutarei e encher-me-ás de alegria e de júbilo», diz o salmista (Sl 50,10). É quando escuto que me sinto mais alegre; é o papel de ouvintes que nos mantém numa atitude de humildade.


Pelo contrário, quando tomamos a palavra, [...] precisamos de uma certa contenção; pois, mesmo que não ceda ao orgulho, tenho receio de o fazer. Mas, se escuto, ninguém me pode roubar a alegria (Jo 16,22), porque ninguém é testemunha dela. É verdadeiramente a alegria do amigo do esposo de quem S. João diz que «fica de pé e escuta» (Jo 3,29). Fica de pé porque escuta. Também o primeiro homem escutava Deus de pé; quando escutou a serpente, caiu. O amigo de esposo fica, pois, «transbordante de alegria à voz do Esposo»; o que faz a sua alegria não é a sua voz de pregador ou de profeta, mas a voz do próprio Esposo.

Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África)
Discurso sobre o salmo 139,15; Sermões sobre S. João, n.º 57

UMA ESCOLA PREPARATÓRIA

 




Em Mateus 7, Jesus está enfatizando que estamos a caminhar sob os olhos do Pai. O assunto específico que o Senhor está a lidar é principalmente nosso relacionamento com outras pessoas, mas sobretudo a coisa mais importante é nosso relacionamento com Deus. Isto é fundamental. Nós somos lembrados em todo o seu sermão que nossa vida por cá é uma jornada e uma peregrinação e que é isso que nos levará ao julgamento final: uma última avaliação, determinação e proclamação de nosso destino final e eterno.

Metade de nossos problemas são devido ao facto que vivemos na suposição de que esta é a única vida e este é o unico mundo a viver. Se formos questionados se nós cremos que viveremos após a morte e que nós deveremos ver a face de Deus no julgamento final, nós sem dúvida diríamos "sim"! Mas como vivemos de hora em hora? Estamos atentos a isso? O que distingue o povo de Deus de todos os outros é que é um povo que caminha na consciência de seu eterno destino. O homem "natural" não cuida de seu eterno futuro. Para ele, este é o único mundo a ser vivido. Ele vive por essa ideia e esta ideia o controla.

Mas o cristão verdadeiro caminha através desta vida consciente que ela é transitória e passageira, um tipo de escola preparatória. Ele reconhece sempre que está a caminhar na presença de Deus e que ele está a ir encontrar-se com Deus e que este pensamento determina e controla a sua vida inteira, porque nós estamos a ser preparados para este julgamento final. Nós teremos que prestar contas.

Para sempre sobre os olhos de meu Mestre (D. M. Lloyd-Jones)

sexta-feira, 18 de junho de 2021

Que canseira, quanto desgaste.... Na busca desenfreada por ter!

Então, lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui.[...] Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus. 

Quanto esforço, quanto investimento, quanto custo para acumular. Lembremo-nos das palavras do Senhor: "A vida de uma pessoa não consiste na abundância de bens que ela possui". E na verdade é o que mais as pessoas buscam fazer. Lutam a vida toda para que tenham propriedades, objetos, conquistem popularidade, dinheiro e rendas. Isso traz segurança e um sentimento fantasioso de autocontrole. Diante da efemeridade da vida tudo se desavanece: sonhos, projetos, planos e estratégias. Tudo passa e o ser humano é consumido pelo poder da avareza.

O Senhor chama a atenção e afirma que o acúmulo é contra a esperança. Não é possível alguém afirmar que tem esperança em Deus, se estiver preocupado com conquistas pessoais, dinheiro investido, aquisições de propriedade e investimentos em bolsas de valores. É impossível que pessoas de fé vivam controladas pelo desejo de possuir. 

Avareza é o desejo incontrável de reter e não dividir. A avareza é a deusa deste mundo. Jesus recebeu uma proposta quase irrecusável. Satanás lhe propôs transferir todos os reinos do mundo sob seu domínio, se o Ele se curvasse e o adorasse. Seria a maior glória, receber todos os reinos do mundo, dominá-los, controlá-los e submetê-los sem ter que executar o plano preparado até a cruz. Sem esforço, sem suor e sangue todos os povos escravizados pelo poder do mal seriam transferidos para Cristo sem ter que suportar o poder da morte física. Mas o Filho de Deus, não foi avarento, não buscou glória pessoal e venceu a tentação de se tornar Senhor do mundo adorando o deus-deste-século. Porém a resposta ao acusador veio de pronto: "Adorarás ao Teu Deus e só a Ele servirás".

Não foi esse o pecado de Adão? Não foi esse o desejo de Babel? Não é esse o desejo de todo ser humano? Ser conquistador de si mesmo, de pessoas, de coisas e porque não dizer de impérios e territórios? 

A avareza é traidora, porque ela negocia a possibilidade para a celebridade e a famosidade, uma vez que se aceite a proposta daquilo que não se tem direito: o poder. Ledo engano. Não há poder dispensável a nenhum ser humano. Pelo contrário, o homem é escravo de seus pecados e paixões. De facto, a vida de alguém, não consiste nos bens materiais que possui. 

A avareza envolve ricos e pobres, cultos e incultos, homens e mulheres, famosos e desconhecidos. A avareza encanta e escraviza, promove e rebaixa, fomenta e vicia. Para que tantos títulos, para que tanto conhecimento, para que tanto esforço e trabalho? 

A avareza é idolatria. Ela leva a adorar um deus que não existe. Deus não negocia com a ela e nem com avarentos. Está decretado a estes que vivam eternamente longe da graça de Deus. Deus não trata com idólatras e adoradores do vício monetário.

Hoje a noite Deus poderá te chamar e certamente não levarás nada para o além. Esta noite Deus poderá pedir a tua vida e então o que tu farás com tudo o que conquistou até agora? O que se fará com tanta popularidade? O que se fará com tanta riqueza? O que tu farás hoje a noite, quando fechares teus olhos a dormir? Ainda manterás teus desejos e teus planos pessoais sem submetê-los a Deus? Tu poderás não abrir teus olhos neste mundo? E para que tanta luta? 

Ele te dá uma única solução? Vive e morre por Jesus Cristo, aquele que suportou e levou tua avareza sobre seu corpo na cruz. Ama, abre mão de tua idolatria e cultua aquele que se fez pobre para que tu te tornaste rico. 

FICA CONNOSCO...

Irmãos, quando foi que o Senhor Se deu a conhecer? Ao partir o pão. Estejamos, portanto, tranquilos: ao partir o pão, reconheceremos o Senhor. Se Ele só quis ser reconhecido nesse instante, foi por nossa causa, foi para que não O víssemos na carne comendo da sua carne. Portanto, tu que crês nele, quem quer que sejas, tu que não tomas em vão o nome de cristão, tu que não entras numa igreja por acaso, tu que escutas a palavra de Deus em temor e esperança, para ti o pão partido será uma consolação. A ausência do Senhor não é uma ausência verdadeira. Tem confiança, mantém a fé e Ele estará contigo, ainda que não O vejas.


Quando o Senhor os abordou, os discípulos não tinham fé. Não acreditavam na sua ressurreição; nem sequer esperavam que Ele pudesse ressuscitar. Tinham perdido a fé; tinham perdido a esperança. Eram mortos que caminhavam ao lado de um vivo; caminhavam mortos juntamente com a vida. A vida caminhava com eles mas, no coração destes homens, a vida ainda não se tinha renovado.
E tu? Desejas a vida? Imita os discípulos e reconhecerás o Senhor. Eles ofereceram-lhe a sua hospitalidade; o Senhor parecia estar decidido a seguir o seu caminho, mas eles detiveram-no. […] Detém, também tu, o estrangeiro, se queres reconhecer o teu Salvador. […] Aprende onde podes procurar o Senhor, onde podes possuí-lo, onde podes reconhecê-lo: partilhando o pão com ele.

Santo Agostinho (354-430)
bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermão 235; PL 38, 1117

ANJOS... ELES EXISTEM

 A existência dos seres espirituais, não corporais, a que Sagrada Escritura chama anjos, é uma verdade de fé. O testemunho da Escritura a este respeito é tão claro quanto a unanimidade dos Pais da Igreja.

Santo Agostinho diz acerca deles: 

«Anjo (mensageiro) é a designação do encargo, não da natureza. Se perguntares pela designação da natureza, é um espírito; se perguntares pelo encargo, é um anjo: é espírito por aquilo que é, é anjo por aquilo que faz». 

Por todo o seu ser, os anjos são servidores e mensageiros de Deus. Porque contemplam «constantemente a face de meu Pai que está nos céus» (Mt 18,10), são «poderosos executores da sua Palavra, obedientes ao som de sua ordem» (Sl 103,20).

Como criaturas puramente espirituais, são dotados de inteligência e de vontade: são criaturas pessoais e imortais. Superam em perfeição todas as criaturas visíveis. Disto dá testemunho o fulgor da sua glória.

Cristo é o centro do mundo angélico. São os anjos dEle: «Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os seus anjos» (Mt 25,31). São seus porque foram criados por Ele e para Ele: «Pois nele foram criadas todas as coisas, nos Céus e na Terra, as visíveis e as invisíveis: tronos, dominações, principados, potestades; tudo foi criado por Ele e para Ele» (Col 1,16). São seus, mais ainda, porque Ele os fez mensageiros do seu projeto de salvação. «Porventura não são todos eles espíritos servidores, enviados ao serviço dos que devem herdar a salvação?» (Heb 1,14)

Acredite, eles existem.

Quer conhecer um verdadeiro cristão?

 Ele está voltado para todo o ensino do Sermão do Monte. Ele não vasculha e escolhe, mas permite que toda parte da Bíblia fale com ele. Ele não é impaciente, mas toma tempo para ler, e não se apressa aos poucos salmos favoritos ou usa-os para o levar ao sono à noite, como algo hipnótico. Ele permite que toda a Palavra o examine e o busque.

Longe dele evitar esta busca, pelo contrário, ele dá boas-vindas a ela. Ele sabe que isso é bom para ele e não se opõe à possível dor que ela venha a causar... O verdadeiro cristão se humilha sob a Palavra. Ele aceita como verdade o que ela diz dele. Na verdade, ele diz: 'Ela não disse o suficiente acerca de mim mesmo'. Ele não se ressente de suas críticas, nem das de outras pessoas, mas diz a si mesmo: 'Eles não dizem metade de mim, eles não me conhecem'... O Cristão imediatamente se confoma as bem-aventuranças por causa do efeito da Palavra de Deus sobre si, e devido a isso, deseja se conformar ao tipo e modelo que está diante dele. 

Este é um teste muito bom. Você gostaria de viver o Sermão do Monte? Este é o seu verdadeiro desejo? Esta é a sua ambição? Se é assim, isto é um bom e saudável sinal. Alguém que deseja viver este tipo de vida é um Cristão. 

Ele tem fome e sede de justiça. Esta bem-aventurança é a virtude principal em sua vida. Ele não está satisfeito com o que ele é. Ele diz: 'óh que eu possa ser como os santos. Se somente eu fosse como os homens que viveram nas cavernas e antros da terra e se sacrificaram e sofreram todas as coisas por amor ao Seu nome. Se somente eu fosse como Paulo. Óh que eu fosse mais parecido como meu bendito Senhor'. 

O Cristão é aquele que pode dizer honestamente que está construindo sobre a rocha. Que está se conformando com as bem-aventuranças. Observe a natureza do teste. Ele não está perguntando se você é mais ou menos perfeito ou tem mais ou menos pecado. O teste está perguntando a você o que você deseja ser.  

Martin Lloyd-Jones

Nunca perca Jesus Cristo de vista

 Você se lembra da famosa história de William Wilberforce e a mulher que veio até ele no auge de sua campanha escravagista e perguntou-lhe: "Sr. Wilberforce, o que dizer da sua alma?" e Wilberforce voltou-se para ela e disse: 'Senhora, eu tenho quase me esquecido que eu tenho uma alma'! Com o devido respeito a ele, a mulher estava certa. É claro, ela poderia parecer intrometida, mas não há evidencia que ela foi de facto. Provavelmente a mulher viu que ele era um bom e fiel cristão, a fazer esse excelente trabalho. Sim, mas ela também viu e diagnosticou sobre o perigo que estava a frente dele. Pelo trabalho que o absorvia na questão da libertação dos escravos, ele poderia esquecer de se preocupar com sua alma. 

Alguém pode ser tão ocupado com suas pregações nos púlpitos que pode chegar a esquecer e negligenciar sua própria alma. Depois de você ter atendido todas os seus encontros, denunciado movimentos anti-cristãos, ser um apologista capacitado e ter exibido conhecimento teológico e sua perceção dos tempos e épocas e planeado seus próximos cinquenta anos, depois de você ter lido todas as traduções disponiveis da Bíblia e ter revelado proficiência no conhecimento bíblico, eu venho a perguntar-lhe: 'como está o seu relacionamento com Jesus Cristo?' Depois de lidar com Cristo desde o ano passado, você O conhece melhor hoje? Voce pode estar a denunciar as coisas erradas do mundo, mas você ama a Cristo mais do que tudo isso? Você está a obedecer seus mandamentos e está crescendo nEle? O fruto do Espírito Santo está mais evidente em sua vida depois deste ano que passou? Estas são as quetsões: conhecê-lO e ser como Ele! 

Se todas aquelas coisas tomam o lugar de Cristo, então nós estamos no caminho errado. Todas estas coisas são significativas para nos levar ao conhecimento dEle mas se nós estamos a ficar apenas com elas, estaremos nos roubando dEle.

M. Lloyd-Jones 

Se ficar esperando até sentir-se bem, você nunca virá


Há uma simples forma de testar-se, para saber se você crê que "nós precisamos olhar para Cristo e Cristo somente". Nós nos traímos pelo que nós dizemos... Eu tenho frequentemente que lidar com este ponto com as pessoas, e tenho explicado sobre o que é a "justificação pela fé" e conversado com elas como isto tudo está em Cristo e que Deus coloca sua justiça sobre nós. 

Eu tenho explicado a muitos e então eu digo: "Bem, agora que você está feliz com essa verdade, você crê nela?" E eles dizem: "Sim". Então eu digo: "Bem, agora você está pronto para dizer que é um cristão verdadeiro!" E então eles hesitam. E eu percebo que eles não entenderam nada. Então eu digo: "Qual o problema por que você está hesitante"? E eles dizem: "Eu não sinto que sou bom o suficiente".

De uma vez só Eu sei que num sentido eu acabo desperdiçando meu "gás". Os que assim pensam, estão pensando em si mesmos, sua idéia ainda é que eles têm que se tornar bons o suficiente para ser aceitos por Cristo. Ele acham que tem que fazer isso! "Eu não sou bom suficiente". Isto parece muito modesto, mas ... isto é uma negação da fé! Você pensa que você está sendo humilde. Mas você nunca será bom o suficiente. Ninguém tem sido bom o suficiente. A essencia da salvação cristã é dizer que Cristo é bom o suficiente e que eu estou NELE.

Contanto que você continue pensando em si mesmo e dizendo "Ah sim, Eu gostaria mas não sou bom o bastante. Eu sou um pecador, um grande pecador!", você estará sempre negando a Deus e você nunca será feliz... Eu tento dizer isto todos os domingos, por que eu penso que isto é a questão central que está roubando de milhares de pessoas a alegria de Deus em suas vidas.

 David Martin Lloyd-Jones

O que o ser humano tornou-se, realmente

 "E Deus viu que a maldade do homem era grande na terra, e que era continuamente mau todo o desígnio do seu coração (Gn. 6:5)

O testemunho divino relativo ao homem é, que ele é um pecador. Deus testemunha contra ele, não a seu favor; e testifica que "não há nenhum justo, nem um sequer"; que "não há quem faça o bem"; nenhum que "entenda"; nenhum "que busque a Deus" e, mais ainda, nenhum que O ame (Sl. 14:1-3; Rm. 3:10-12). Deus fala de forma amável, mas severamente ao homem; como alguém que procura ansiosamente por uma criança perdida, contudo sem fazer qualquer concessão para com o pecado, e que "de modo nenhum inocenta o culpado".(Na.1:3)

Ele declara o homem perdido, alguém que se desviou, um rebelde, alguém " aborrecido de Deus " (Rm. 1:30); não um pecador ocasional, mas um pecador em tempo integral; não um pecador com partes boas, mas um pecador por completo; não satisfazendo-se com a bondade; mau tanto no coração quanto na vida, "morto em delitos e pecados" (Ef. 2:1); um praticante do mau, e consequentemente debaixo de condenação; um inimigo de Deus, e por isso "debaixo da ira"; alguém que continuamente quebra a reta lei de Deus, estando portanto "debaixo da maldição da lei" (Gl. 3:10). O pecador não somente traz o pecado diante de si, mas ele o carrega consigo, como seu segundo eu; ele é um "corpo de pecado" (Rm. 6:6), e " corpo de morte " (Rm. 7:24), não sujeito à lei de Deus, mas a " lei do pecado " (Rm. 7:23).

Há ainda outra sentença pior contra ele. Ele não acredita no nome do Filho de Deus, nem ama o Cristo de Deus. Este é o principal pecado dele. Que o coração dele não é reto para com Deus, é a primeira sentença contra ele. Que o coração dele não é reto para com o Filho de Deus, é a segunda. E esta segunda sentença, que é a principal de todas, traz sobre si mais terrível condenação do que todos os outros pecados juntos.

"O que não crê (nEle), já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus" (Jo 3:18). "Aquele que não dá crédito a Deus, O faz mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus dá acerca do seu Filho"(1 Jo. 5:10). "Quem, porém, não crer será condenado" (Mc. 16:16). E, portanto, o primeiro pecado que o Espírito Santo leva em conta, é a incredulidade; "quando Ele [o Espírito Santo] vier, convencerá o mundo do pecado...: do pecado porque não crêem em mim " (Jo. 16:8-9).

O homem não pode dizer uma só palavra boa sobre si mesmo, ou ainda declarar-se inocente, a menos que ele possa mostrar que ama, e sempre amou a Deus de todo coração e alma. Se ele pode dizer isto verdadeiramente, ele é reto, ele não é um pecador, e não precisa de perdão. Ele achará seu próprio caminho para o reino de Deus, sem a cruz e sem um Salvador.

Mas, se ele não pode dizer isto, sua boca está emudecida e ele é culpado diante de Deus . Conquanto uma vida de boa conduta externa possa dispô-lo e a outros a olharem, no presente, favoravelmente para si mesmos, o veredicto contra ele, virá no futuro. Este é o dia do homem, quando os julgamentos dos homens prevalecem; mas o dia de Deus está vindo, quando o caso será julgado em seus reais méritos. Então o Juiz de toda a terra fará justiça, e o pecador será envergonhado. Este é um veredicto divino, não humano. É Deus, não o homem, que condena; e "Deus não é homem para mentir". Este é o testemunho de Deus relativo ao homem, e nós sabemos que este testemunho é verdadeiro. Compete-nos recebê-lo como tal, e agirmos baseados nisto.

"Olhai para mim, e sede salvos, vós, todos os termos da terra; porque Eu sou Deus, e não há nenhum outro " (Is. 45:22), um "Deus justo e Salvador" (v. 21). "Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo os seus pensamentos; converta-se ao senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar" (Is. 55:7).

Volte seus olhos, olhos da fé, para a cruz e veja estas duas coisas: os crucificadores e o crucificado. Veja os crucificadores, os inimigos de Deus e do Seu Filho, Jesus. Eles são você.

Perceba neles o seu próprio caráter. Então agora, veja O crucificado. É o próprio Deus; amor encarnado. Seu Criador, Deus manifesto em carne, sofrendo, morrendo pelo pecador. Você pode duvidar da Sua graça? Você pode acalentar pensamentos maus sobre Ele? Você pode imaginar qualquer outra coisa, que desperte em você a mais completa e franca confiança? Você interpretará mal aquela agonia e morte, dizendo que elas não querem dizer graça, ou que a graça que elas representam não são para você? Relembre o que está escrito:"Nisto conhecemos o amor, em que Cristo deu a sua vida por nós" (1 Jo. 3:16) e, "Nisto consiste o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou, e enviou o Seu Filho como propiciação pelos nossos pecados " (1 Jo. 4:10).

O cristão e o não-cristão

 


O cristão e o não cristão são pessoas absolutamente diferentes no que admiram. O cristão admira o homem que é "pobre de espírito", enquanto os filósofos gregos da época clássica desprezavam tal homem. E todos os que seguem a filosofia grega se intelectual ou praticamente, ainda fazem exatamente, hoje, a mesma coisa... 

O mundo crê na autoconfiança, na auto expressão, e no domínio da vida. O cristão crê em ser 'pobre de espírito". Tome os jornais e veja o tipo de pessoa que o mundo admira. Você nunca encontrará alguma coisa mais fora das bem-aventuranças do que aquilo que se apela ao homem do mundo. O que evoca sua admiração é a própria antítese do que você encontra aqui.

Então obviamente, eles são diferentes no que eles buscam. 'Bem-aventurados os que tem fome e sede' e depois o que mais? Saúde, dinheiro posição, fama? De jeito nenhum. 'Justiça'.... Tome algum homem que não reclama ser um cristão... Descubra o que ele está buscando e o que ele realmente quer e você verá isso diferente das bem-aventuranças.

Portanto é claro, estes homens são absolutamente diferentes no que eles fazem. Isto segue necessariamente... o não-cristão é absolutamente consistente. Ele diz que vive para este mundo. 'Este', ele diz, 'é o único mundo e estou lutando para obter tudo o que ele pode me oferecer'. Agora o cristão... considera este mundo apenas como o caminho de entrada para algo amplo, eterno e glorioso. Seu panorama e ambição são diferentes. Ele sente que precisa viver de modo diferente. 

Assim como o homem do mundo é consistente, assim o cristão deveria ser consistente. Se ele for assim, ele será muito diferente do outro homem. Ele não pode evitar. Como encontramos em I Pedro 2.11,12: 'Amados, peço a vocês, como peregrinos e forasteiros que são, que se abstenham das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma, tendo conduta exemplar no meio dos gentios, para que, quando eles os acusarem de malfeitores, observando as boas obras que vocês praticam, glorifiquem a Deus no dia da visitação'...

 Outra diferença essencial...está em sua convicção sobre o que eles podem fazer... o homem do mundo confia na sua própria capacidade... e o cristão é um homem... que é verdadeiramente consciente de suas limitações.

(David Martin Lloyd-Jones)

Um pobre ritmo de morte

 "Eles foram para Betsaida, e algumas pessoas trouxeram um cego a Jesus, suplicando-lhe que tocasse nele. Ele tomou o cego pela mão e o levou para fora do povoado. Depois de cuspir nos olhos do homem e impor-lhe as mãos, Jesus perguntou: "Você está vendo alguma coisa?" Ele levantou os olhos e disse: "Vejo pessoas; elas parecem árvores andando". Mais uma vez, Jesus colocou as mãos sobre os olhos do homem. Então seus olhos foram abertos, e sua vista lhe foi restaurada, e ele via tudo claramente". Marcos 8:22-25


É dificil descrever esta pessoa que curada neste epsódio. Um cego que foi curado por Jesus, mas em seu processo de cura, no primeiro momento via os outros como vultos e não perfeitamente. Dizia ele: "Vejo pessoas; elas parecem árvores andando".

Você não pode afirmar que ele não é mais cego. O que então? Ele é ou não é cego? Pode-se dizer ao mesmo tempo que ele é e que ele não é cego. Ele não é uma coisa nem outra.

Esta é precisamente a condição que desejo lidar neste momento Estou preocupado com aqueles cristãos inquietos, infelizes e miseráveis por falta de clareza e visão. É quase impossível definí-los. Você às vezes conversa com este tipo de cristão e pensa: "Esta pessoa é cristã"! E você encontra com tal pessoa outra vez e é lançado em dúvida outra vez e diz: Certamente essa pessoa não pode ser cristã, se ele pode dizer uma coisa destas, ou coisa como esta! ... Além disso, a dificuldade é os outros pensam assim dela como também eles pensam assim acerca deles mesmos. Eles são infelizes porque não tem clareza sobre si mesmos. Algumas vezes eles servem a Deus e dizem: "Sim, eu sou um cristão, eu creio nisto". Então alguma coisa diferente acontece e eles dizem: "Eu não posso ser um cristão, se eu fosse um cristão não poderia ter tais pensamentos e não quereria fazer as coisas que eu faço..."

Eles parecem saber o suficiente sobre o Cristianismo para não se satisfazerem com as paixões do mundo e, ainda assim, não sabem o suficiente para se sentirem felizes consigo mesmos. Eles são "nem quente e nem frio". Eles vêem e ainda não vêem. É uma condição angustiante e a mensagem antecipadamente é dizer a fé no evangelho não faz isso com ninguém e não deixa niguém nestas condições. Diz-nos ainda mais: Ninguém necessita ficar nesta condição. É uma verdadeira infelicidade e a fé no evangelho não transforma pessoas para serem pessoas míopes espiritualmente.

Martin Lloyd-Jones

De mãos dadas com Jesus

 "Quando formos abandonados por todos os homens, tentados pelo demónio e Deus Se esconder de nós, quando sofrermos todas as dores do corpo e da alma, agradeçamos a Deus, rejubilemos e exultemos de alegria (cf. Lc 6.23), porque andaremos de mãos dadas com Jesus. 


Quando, orando dia e noite, permanecermos na escuridão, na dor e na amargura do sofrimento, quando orarmos pelo que devemos orar e não formos atendidos, quando o mal - o mal moral, o pecado - continuar a inundar-nos e a inundar o que nos rodeia, agradeçamos a Deus, rejubilando e exultando de alegria, porque andaremos de mãos dadas com Jesus.


Quando formos desprezados por todos, o último dos homens, quando nos apedrejarem, em sentido próprio ou em sentido figurado, quando os desconhecidos troçarem de nós e os conhecidos nos desdenharem e ridicularizarem, quando formos caluniados e desprezados, agradeçamos a Deus de todo o coração, rejubilando e exultando de alegria, porque andaremos de mãos dadas com Jesus. 


Quando escarnecerem de nós e nos lançarem injúrias pela rua, e ao passarem junto a nós nos cobrirem de ridículo e nos disserem palavras grosseiras, agradeçamos a Deus com alegria e reconhecimento profundos, rejubilando e exultando de alegria, porque andaremos de mãos dadas com Jesus."


SE ME PERSEGUIRAM A MIM, TAMBÉM VOS PERSEGUIRÃO A VÓS"

Charles de Foucauld (1858-1916)

terça-feira, 15 de junho de 2021

OS DOIS CAMINHOS DE VIDA


"Eis que o ímpio está cada vez mais arrogante; suas vontades não visam o bem; mas o justo viverá pela sua fé". (Habacuque 2.4)

Esta importante declaração é citada várias vezes no Novo Testamento. Estudiosos discordam quanto a exata tradução da primeira parte do verso, se pode ser: Sua alma que se ergue não é reta nele, ou como citado em Hebreus 10.38 onde está declarado que Deus não tem prazer na alma que recua. 

A verdade declarada é que há somente duas atitudes possíveis para a vida neste mundo. A atitude de fé e a atitude da descrença. A atitude da confiança e a da desconfiança. Qualquer um de nós ve a vida em termos de fé e de não-fé em Deus e as conclusões e perspetivas estão baseadas na rejeição de Deus ou não e as consequências disso.

Nós podemos nos retirar do caminho da fé em Deus ou podemos viver pela fé em Deus. Os próprios termos sugerem estilos de vida correpondentes. Como o homem crê, assim ele é! O justo viverá pela fé. Ou em outras palavras, o homem que vive pela fé é justo. Por outro lado, o homem que recua é injusto porque ele não vive pela fé. 

Aqui está a grande divisão das águas para a vida. Todos estamos de um lado ou de outro. Qualquer que seja minha visão política ou filosófica, elas precisam ter este denominador comum, se minha vida está baseada na fé ou não, ou se eu sou controlado por ideologias políticas, sociais, econômicas ou mesmo pelo consumismo. O que importa é se estou a aceitar o governo de Deus ou não.

(D.M.Lloyd-Jones, From fear to faith (p.50), Tradução livre)

sábado, 3 de abril de 2021

AS FRASES DE JESUS CRISTO NA CRUZ


Hoje a cristandade ocidental se reúne para comemorar a sexta-feira da paixão e no domingo todos os anos, comemoramos a páscoa de Cristo, a sua ressurreição. Eu sempre costumo dizer que se nos reunimos no calendário cristão para cantar a Ressurreição de Cristo, deveríamos ser coerentes e nos reunirmos para cantar a sua agonia e a sua paixão.

O centro e o foco de todos os evangelhos então baseados na obra de Jesus Cristo, Sua morte e ressurreição. Não podemos apenas cultuar a Cristo e nos alegrar no domingo de Páscoa se não choramos os nossos pecados na cruz da agonia e da paixão de Cristo na sexta-feira.

Ora bem, estamos, portanto, hoje, às 12 horas para relembrar este facto terrível. Para nós salvação, para Cristo dor, agonia e morte. Mas por que às 12 horas? Porque o Senhor Jesus ficará pendurado na cruz das 12 até as 15 horas. Ele já havia sido torturado pelos soldados romanos a mando de Pôncio Pilatos que o haviam maltratado, chicoteado a tal ponto de Sua carne ser dilacerada, e agora estava pregado na cruz com cravos entre as mãos e nos pés.

Aqui nos lembramos da Escritura, do profeta Isaias 53.4-7 que nos diz: Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos. Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca.

Portanto, Nosso Senhor foi levado a Cruz. E na cruz o Senhor pronunciou 7 frases. Nelas, Nosso Senhor Jesus revela uma serie de sentimentos e verdades que marcam a nossa humanidade.

A primeira está registada no evangelho de Lucas 23.33, 34: E, quando chegaram ao lugar chamado a Caveira, ali o crucificaram e aos malfeitores, um, à direita, e outro, à esquerda. E dizia Jesus: "Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem”. Aquele que sempre ofereceu o perdão continuou a interceder pelos seus algozes. Ao lermos I Coríntios 2.8: encontramos o apóstolo Paulo a dizer: “mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória; sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória”. A ignorância para com Deus O ofende. Foi esta ignorância que nos traiu. Mesmo assim ele se entregou por nós espontaneamente. É o Cristo nos diz em João 10.18: Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar e poder para tornar a tomá-la. O perdão é a manifestação maior de sua misericórdia. No auge do sofrimento, Cristo não perde a dimensão da fragilidade do ser humano e implora o perdão para a culpa dos que o imolaram. O perdão é o primeiro passo para uma reconciliação. Seu sangue derramado na cruz nos torna limpos para voltar à casa paterna.

A segunda frase ainda em Lucas 23.42,43 foi dada ao ladrão que confessou seus pecados e admitiu sua culpa onde encontramos: “E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso. Sentindo terríveis dores, o homem crucificado ao lado de Jesus não o insultou como os demais. Ao contrário, pediu e recebeu o seu perdão incondicional e imediato. Cristo não lhe prometeu o paraíso para depois. Tampouco lhe falou de novas vidas ou de reencarnações. "Hoje mesmo" - afirmou Jesus! Jesus Cristo mostrou que a certeza da vida eterna é real e segura. Não é hesitante e falsa. Arrependimento é a chave para o encontro com o Senhor. A confissão levou o ladrão a receber a palavra de segurança. O pedido foi feito no futuro. A resposta aconteceu no presente. Hoje estarás comigo no paraíso. Hoje mesmo, e não depois.

A terceira frase foi a que o apóstolo João regista João 19.26,27: Ora, Jesus, vendo ali sua mãe e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse à sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa. Na cruz sua mãe estava ao seu lado. Maria vivenciou todos os grandes momentos de Cristo - nascimento, circuncisão, o milagre em Caná da Galileia e a condenação e morte). Maria agora é entregue a João. Estava viúva, mas o filho não esquece a mãe e a entrega a outro “filho”. A cruz é o grande símbolo do acolhimento e da proteção e do amor. Paulo aos Romanos 15.7 nos diz: Portanto, recebei-vos uns aos outros, como também Cristo nos recebeu para glória de Deus. Apesar de toda a infidelidade, ele se lembra dos seus mais queridos e amados. Neste caso, Maria sua Mãe, sem o Filho, ficaria desamparada. Ele deu a sua própria mãe para que João cuidasse dela. O Senhor continua a acolher os que estão conscientes da sua orfandade e desamparado. Os que nada tem e vivem uma vida solitária.

A quarta frase está Mateus 27.46,47: E, desde a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra, até à hora nona. E, perto da hora nona, exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lemá sabactâni, isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Em sua agonia, Jesus ora os Salmos, neste caso é o Salmo 22. Aqui é o momento da maior angústia: O Filho estava sentindo o abandono do Pai, por um lampejo de segundo. Aqui o Filho estava cumprindo a justiça do Pai. O Pai por amor abandona o filho por que ama também os pecadores e escolhidos. Toda a justiça deveria ser cumprida. Jesus por segundos foi abandonado, mas não foi e nunca será rejeitado! Encontramos em I Pedro 2.24: levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados.

A quinta frase é um clamor e está registada em João 19.28,29: Depois, sabendo Jesus que já todas as coisas estavam terminadas, para que a Escritura se cumprisse, disse: Tenho sede. Estava, pois, ali um vaso cheio de vinagre. E encheram de vinagre uma esponja e, pondo- a num hissopo, lha chegaram à boca. O corpo humano tem cerva de 40 litros de água. Se perder 15% as células murcham e o sangue fica viscoso, dificultando o trabalho do coração. O resultado é tontura, fadiga, inconsciência e por fim morte. Jesus sentiu todas as dores, chorou todas as lágrimas, verteu sangue, sentiu o cheiro da morte, da podridão e agora sentia sede. Aquele que sempre dessedentou o sedento e ofereceu a água da vida, agora recebe vinagre como resposta a sua súplica. Jesus teve sede, mas, ao invés de água, deram-lhe vinagre.

A sexta frase está em João 19.30: E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. é "está consumado!" Está pago! A obra de Cristo não é apenas uma obra de amor, mas sobretudo é uma obra de justiça. Alguém precisava completar o Pacto feito entre Deus e o primeiro homem, nosso representante. Nenhum ser humano poderia pagar. Não há um justo suficiente capaz e sem pecado para pagar o preço de um resgate de uma humanidade pecador e rebelde. Somente havia um – o Deus é homem e o homem que é Deus. Ele fora o escolhido do Pai. Jesus disse aos seus discípulos em João 12.27: Agora, a minha alma está perturbada; e que direi eu? Pai, salva-me desta hora; mas para isso vim a esta hora. Não há sacrifício humano algum capaz de receber o olhar de Deus. Não há mérito em nós. Não há obra alguma e nem a melhor intenção humana que se interponha entre nós e Deus. Contudo Jesus pagou por mim e por você. Hebreus 10.12-14 nos diz: mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre à destra de Deus, daqui em diante esperando até que os seus inimigos sejam postos por escabelo de seus pés. Porque, com uma só oblação, aperfeiçoou para sempre os que são santificados.

A última frase antes de sua morte está em Lucas 23.45-46: E era já quase a hora sexta, e houve trevas em toda a terra até à hora nona, escurecendo-se o sol; e rasgou-se ao meio o véu do templo. E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isso, expirou. – No final de sua vida o Senhor Jesus novamente ora os salmos em Salmo 31.5. Jesus rende-se diante do elemento mais aterrador, a morte. Sofre a separação do corpo e do espírito. Seu corpo baixa ao túmulo e seu espírito ainda vai ao Hades, libertar os espíritos aprisionados. (1 Pedro 3.18-19). A morte é a maior violação da criação divina. Ela será submetida. Chega ao final a agonia da cruz, Cristo entrega-se totalmente nas mãos do Pai. A ressurreição acontecerá no terceiro dia.

E a pergunta que fica é: Mas porque Jesus precisou morrer por nós? Vamos agora entrar no aspeto teológico da história. Em Romanos 3.12 encontramos: Não há quem faça o bem. E em Romanos 6.23, lemos que o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor. Essa morte é a separação espiritual entre nós e o ser de Deus, entre pecadores e o Santíssimo, aqui não devemos compreender morte como apenas a morte física, a morte espiritual, isto é nossa separação. Além disso somos incapazes de agradar a Deus, porque estamos separados dele. Não há compatibilidade entre a santidade dele e nossa pecaminosidade. Vemos isso em Romanos 8.8: Portanto, os que estão na carne, isto é submetidos a natureza humana, não podem agradar a Deus.A consequencia para toda a humanidade é de derrota, miséria e escravidão física e espiritual. Paulo já nos diz em Romanos 7.24: Miseravel homem que sou. Quem me livrará do corpo desta morte? E nada que façamos em nossa condição miserável poderá mudar a natureza de Deus, pois é Justo. Portanto, percebemos que se Nosso Senhor Jesus Cristo, seu filho nãose encarnasse e morresse por nós, jamais poderíamos ser acolhidos por Deus. Pois a condenação de seres humanos culpados e rebeldes contra o justo Deus é o banimento eterno, longe de Deus e de sua glória.

Mas houve uma reversão. Jesus tomou o nosso lugar. II Corintios 5.21 nos diz: Aquele que não conheceu o pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele fossemos feitos justiça de Deus. E em Romanos 3.24 vemos: Mas, agora, se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemunho da Lei e dos Profetas, isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;

O significado, portanto, é que tudo o que contribui para a salvação dos homens deve ser encontrada em Cristo, e não deve para ser procurado em qualquer outro lugar; ou - o que dá no mesmo – que a perfeição da salvação está contida nele.

João Calvino afirma: Cristo contrasta sua morte com a sacrifícios antigos e com todas as figuras; como se ele tivesse dito: "De tudo o que foi praticado sob a Lei, não havia nada que tivesse qualquer poder em si mesmo para fazer expiação pelos pecados, para apaziguar a ira de Deus e obter justificação; mas agora a verdadeira salvação é exibida e manifestada ao mundo." E diz mais: a religião comum tende a levar os homens a inventarem eles próprios inúmeros métodos de busca de salvação; e, portanto, inferimos, que está transbordando de abomináveis ​​sacrilégios. Todos os sacrifícios da Lei devem ter cessado, pois a salvação dos homens foi completada pelo único sacrifício da morte de Cristo.

O pregador Martin Lloyd Jones nos diz: As pessoas que não acreditam nas Escrituras, não parecen perceber completamente o que Nosso Senhor fez na Cruz do Calvário. Eles podem aceitar a sua morte sacrificial e expiatória, mas eles não conseguem perceber as implicações de sua morte. Eles sabem o suficiente para serem salvos. Muitos estão em um estado de depressão porque não percebem plenamente o que isso significa. Eles esquecem o que o anjo anunciou a José no começo que “ele salvaria Seu povo dos pecados deles”. O anjo não disse que ele salvaria de todos os pecados exceto algum único pecado que você tenha cometido. Não! Ele salvaria seu povo de seus pecados. Não há qualificação aqui, não há limites. Os pecados todos foram colocados lá na cruz. Cada um. Não há limites, não há nada deixado. Todos os pecados estavam lá. Cada um deles. Ele disse, está consumado, está finalizado. Não somente os pecados cometidos como também todos os pecados que poderiam ser cometidos.

Hoje vimos um pouco sobre o sacrifício de Jesus por nós. E você? Já se posicionou quanto a este grande acontecimento? Mas para muitos isto é apenas um evento histórico e religioso. Contudo, para os que creem é o sentido da vida e a razão de viver. Já é hora de uma dedicação total e irrestrita a este Deus que amou sem medida, que entregou seu filho para que todos os que creem nele, não pereçam espiritualmente, mas tenham a vida eterna.

terça-feira, 16 de março de 2021

Por que parar é essencial?

"Guardai-vos por amor da vossa alma, não carregueis cargas no dia do descanso, nem as introduzais pelas portas de Jerusalém" Jeremias 17.21


Já se perguntou porque Deus recheia o Antigo Testamento com mandamentos sobre o Shabat (descanso)? Em todos os livros vetero-testemanetários temos exortações sobre a necessidade de se guardar o dia do Shabat. Deus - elohim - guardou o dia sétimo, (que no hebraico é shabat) e descansou nele. Ele mesmo deu o exemplo. 

Retirando as tradições religiosas e a proposta herética de que a guarda do dia de sábado é a base da salvação, como dizem algumas denominações evangélicas, o que está em jogo neste mandamento, é a necessidade de parar. Parar significa estancar a agitação. Travar a inquietude. Silenciar os ouvidos. Paralisar a fala. Resignar o coração. Ouvir a Deus. Contemplar o Senhor. Voltar-se para si. Convencer-se que o ser humano não tem controle da vida. 

O grande ensinamento da guarda do Shabat para os hebreus é de que eles, bem como todos precisamos urgentemente parar por um dia dentro dos sete que vivemos a correr, movidos e agitados pelo stress, para ouvir, contemplar, meditar, orar de maneira proposital, porque o que corre contra a alma do ser humano é o pecado que jaz dentro de dele. O mal que nos conduz intensa e automaticamente leva-nos a realizar a nossa vontade e não a de Deus. 

A alma do ser humano é indisciplinada para buscar a Deus desde que se afastou de Deus. Falamos mais do que ouvimos. Julgamos mais do que silenciamos. E percebemos que Deus não está presente no ruído, no muito falar, na quantidade de palavras. Deus fala no silencio e não no barulho.

Por isso precisamos do silencio. Ele nos ajuda a recompor ideias diante de Deus. Enquanto não praticamos isso com disciplina e obediência, sempre iremos confundir a voz de Cristo com a voz de nosso próprio interior e com a voz do diabo. Quando confundimos essas vozes e não somos sensíveis a voz do Espírito Santo, carregamos fardos imensos dentro de nós e perdemos a direção da vida. Tomamos decisões inseguras. Pensamos em ter ouvido a voz do Bom Pastor, mas o que ouvimos foi a voz do lobo. Esta voz simplesmente é o desejo de nossa alma de seguir os nossos próprios desejos. São nossas paixões que comandam e guerreiam dentro nós.

Por isso você precisa parar, urgentemente. Tem que o fazer disciplinada, metódica e religiosamente. É bem provável que se você nunca praticou o shabat da sua alma, você esteja fora e bem longe da vontade de Deus.

Pare, descanse sua alma, para que ela ouça o cicio de Deus o quanto antes, pare para ouvir o voz do Espírito Santo. Quando isso acontecer, de tempos em tempos, de dia em dia, Deus estará esperando para lhe dizer palavras inefáveis. Ao ouvi-las, voce perceberá que então Deus falou a você. 

Como começar? A Bíblia é o começo. A oração é o caminho. A meditação nas Suas palavras é o método. Guarde sua alma e seja enérgico consigo mesmo. Não esqueça das palavras de Cristo. As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. (João 10.37) 


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

"A vida de uma pessoa não consiste na abundância de bens que ela possui"

 Então, lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui.[...] Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus. 

Quanto esforço, quanto investimento, quanto custo para acumular. Lembremo-nos das palavras do Senhor: "A vida de uma pessoa não consiste na abundância de bens que ela possui". E na verdade é o que mais as pessoas buscam fazer. Lutam a vida toda para que tenham propriedades, objetos, conquistem popularidade, dinheiro e rendas. Isso traz segurança e um sentimento fantasioso de autocontrole. Diante da efemeridade da vida tudo se desavanece: sonhos, projetos, planos e estratégias. Tudo passa e o ser humano é consumido pelo poder da avareza.

O Senhor chama a atenção e afirma que o acúmulo é contra a esperança. Não é possível alguém afirmar que tem esperança em Deus, se estiver preocupado com conquistas pessoais, dinheiro investido, aquisições de propriedade e investimentos em bolsas de valores. É impossível que pessoas de fé vivam controladas pelo desejo de possuir. 

Avareza é o desejo incontrável de reter e não dividir. A avareza é a deusa deste mundo. Jesus recebeu uma proposta quase irrecusável. Satanás lhe propôs transferir todos os reinos do mundo sob seu domínio, se o Ele se curvasse e o adorasse. Seria a maior glória, receber todos os reinos do mundo, dominá-los, controlá-los e submetê-los sem ter que executar o plano preparado até a cruz. Sem esforço, sem suor e sangue todos os povos escravizados pelo poder do mal seriam transferidos para Cristo sem ter que suportar o poder da morte física. Mas o Filho de Deus, não foi avarento, não buscou glória pessoal e venceu a tentação de se tornar Senhor do mundo adorando o deus-deste-século. Porém a resposta ao acusador veio de pronto: "Adorarás ao Teu Deus e só a Ele servirás".

Não foi esse o pecado de Adão? Não foi esse o desejo de Babel? Não é esse o desejo de todo ser humano? Ser conquistador de si mesmo, de pessoas, de coisas e porque não dizer de impérios e territórios? 

A avareza é traidora, porque ela negocia a possibilidade para a celebridade e a famosidade, uma vez que se aceite a proposta daquilo que não se tem direito: o poder. Ledo engano. Não há poder dispensável a nenhum ser humano. Pelo contrário, o homem é escravo de seus pecados e paixões. De facto, a vida de alguém, não consiste nos bens materiais que possui. 

A avareza envolve ricos e pobres, cultos e incultos, homens e mulheres, famosos e desconhecidos. A avareza encanta e escraviza, promove e rebaixa, fomenta e vicia. Para que tantos títulos, para que tanto conhecimento, para que tanto esforço e trabalho? 

A avareza é idolatria. Ela leva a adorar um deus que não existe. Deus não negocia com a ela e nem com avarentos. Está decretado a estes que vivam eternamente longe da graça de Deus. Deus não trata com idólatras e adoradores do vício monetário.

Hoje a noite Deus poderá te chamar e certamente não levarás nada para o além. Esta noite Deus poderá pedir a tua vida e então o que tu farás com tudo o que conquistou até agora? O que se fará com tanta popularidade? O que se fará com tanta riqueza? O que tu farás hoje a noite, quando fechares teus olhos a dormir? Ainda manterás teus desejos e teus planos pessoais sem submetê-los a Deus? Tu poderás não abrir teus olhos neste mundo? E para que tanta luta? 

Ele te dá uma única solução? Vive e morre por Jesus Cristo, aquele que suportou e levou tua avareza sobre seu corpo na cruz. Vive, ama, abre mão de tua idolatria e cultue aquele que se fez pobre para que tu te tornasses rico. 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

TRIBUTO A DEUS PELA VIDA DE MEU PAI


Quero lembrar das palavras do evangelho de São João 11.25,26: “Disse-lhe Jesus: "Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente.” E também das palavras do Livro do Apocalipse 21.1-4: “Então vi um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra tinham passado; e o mar já não existia. Vi a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, preparada como uma noiva adornada para o seu marido. Ouvi uma forte voz que vinha do trono e dizia: "Agora o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais ele viverá. Eles serão os seus povos; o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou". 

Sob extrema tristeza e dor pelo passamento de sua vida, quero dizer que somente Deus poderia me dar forças suficientes para poder escrever estas poucas linhas. Somente Deus pode consolar-nos diante da morte, pois não fomos criados para a morte e sim para a imortalidade.

Tenho o privilégio de dizer que sou filho deste homem, meu companheiro e meu professor. Desconheço alguém que evidenciou tanto sua fé em Deus como meu pai. Raul não era homem de exibir discursos sobre Deus e sobre sua fé, mas a exercia através de ações e de obras. Portanto, não tenho dúvidas que ele está com Cristo neste momento. A fé em Deus é muito mais valorosa quando se fala pouco, e se pratica aquelas coisas que Jesus nos ensinou. Raul foi uma destas pessoas. 

Raul era assim, homem de coração sincero, disponível, doador, dedicado, preocupado com pessoas e não com coisas. Procurava amar as pessoas e usar as coisas. Diferente da natureza humana em que se "ama as coisas" e "usa-se as pessoas". Raul sempre foi solícito a ajudar e a procurar aliviar a dor dos amigos com algum serviço que lhe era peculiar. 

Raul me ensinou, assim como minha mãe, a ser um aprendiz. Era alguém de coração aberto para sempre receber algum conhecimento. Fui aluno dele no SENAI. Como professor era austero e disciplinado, mas nunca deixava o lado brincalhão com seus alunos quando o momento favorecia. 

Foi um homem que me motivava a tratar minha vocação pastoral como uma vocação divina e não como uma profissão. Sou pastor da igreja presbiteriana e não poucas vezes meu pai me dizia quando nos encontrávamos: “Luiz, Deus lhe chamou para uma função especial, por isso seja firme e um exemplo”. Sendo um religioso, meu pai entendia o valor dessa missão especial. Diante da morte de tantos amigos e parentes que vivenciava, a começar de minha mãe em 1975, ele dizia: “Luiz, todos nós vamos passar pela morte um dia, assim é a vida”. Raul sempre teve uma visão realista da vida. 

Raul foi sempre muito apegado a familia. Sempre fez questão de falar da genealogia de nossos avós, tios e tias. Sempre apegado aos amigos, professores do SENAI, amigos da pescaria. Como Raul gostava de pescar. Ainda me lembro quando menino, nas tardes de sábado, me levava a pescar com ele no Rio “Passa-cinco”. Raul foi exemplo de vida. Um mestre da vida. Quantos ex-alunos o chamam até hoje de “professor”... Eu dizia a ele quando o visitava: Se o senhor se candidatar a vereador, será eleito. Raul sempre valorizou a boa amizade.

Enfim, hoje agradeço a Deus pela vida de meu pai. Com minhas irmãs Andréa e Adriana, meu cunhado David e os netos Beatriz, Pedro Augusto e Mariana agradecemos aos amigos Sr. Dirnei e da. Lucia, da. Dirce que estiveram com ele até o seu último suspiro. Agradecemos a Deus pela vida de nossos parentes e amigos que procuraram aliviar a dor de sua enfermidade através das visitas e o apoio na manutenção dos serviços em casa. 

Não tenho dúvidas que neste momento nosso pai está junto de Cristo e junto daqueles que levaram a sério a sua vida de fé. Minha oração é que o Senhor Deus console a todos nós. Não perdemos nosso pai, nosso professor, nosso amigo. Iremos nos reencontrar naquele Dia, quando Cristo, o Senhor da história, voltar e inaugurar um novo tempo, a vida eterna, a todos que como ele, viveram a fé, através de suas obras.

Meu desejo pessoal é que cada um dos que estão aqui a ler este escrito possam um dia se encontrar com Cristo na eternidade e juntos com o Seu Raul, viverem a vida eterna prometida a todos os que amam a Deus verdadeiramente.

Que Deus nos console com a sua graça.


sábado, 26 de dezembro de 2020

«Senhor, não lhes atribuas este pecado»

Imitemos Nosso Senhor e oremos pelos nossos inimigos. [...] Estando crucificado, Ele orou a seu Pai por aqueles que O haviam crucificado. Mas como posso eu imitar o Senhor, perguntamo-nos. Se quiseres, podes; pois, se não pudesses, Ele não teria dito: «Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração» (Mt 11,29). [...]

Se tens dificuldade em imitar o Senhor, imita pelo menos aquele que é também seu servo, seu diácono: Estêvão. Com efeito, ele imitou o Senhor; pois assim como Cristo, esquecendo a cruz, esquecendo a sua própria situação, intercedeu junto do Pai em favor dos seus carrascos (Lc 23,34), assim o seu servo, rodeado por aqueles que o lapidavam, assediado por todos, submetido a uma chuva de pedras, sem ter em conta os sofrimentos que lhe causavam, pediu: «Senhor, não lhes atribuas este pecado» (At 7,60). Estás a ver como falava o Filho e como orava o seu servo? O primeiro ora: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem» e o segundo pede: «Senhor, não lhes atribuas este pecado». De resto, para compreendermos melhor o ardor com que Estêvão orava, notemos que não orava simplesmente de pé, sob os golpes das pedras: era de joelhos que falava, com convicção e compaixão. [...]

Cristo disse: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem», Estêvão gritou: «Senhor, não lhes atribuas este pecado» e Paulo declarou: «Ofereço este sacrifício «pelo bem dos meus irmãos, os da minha raça, segundo a carne» (cf Rm 9,3). Moisés pediu a Deus: «Perdoa-lhes este pecado, ou então apaga-me do livro que escreveste» (Ex 32,32), e David suplicou-Lhe: «Peço que descarregues a tua mão sobre mim e sobre a minha família!» (2Sam 24,17). [...] Que perdão podemos obter se fizermos o contrário daquilo que nos é pedido e orarmos contra os nossos inimigos, quando o próprio Senhor e os seus servos, tanto do Antigo como do Novo Testamento, nos exortam a pedir por eles?

João Crisóstomo (c. 345-407); presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja

sermão da Sexta-feira Santa «A cruz e o ladrão»

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

O que é Crer J.C.Ryle


A fé e a crença, tratados por mim anteriormente, são uma graça de suma importância e serão, naturalmente, falsificadas, portanto, precisamos estar preparados para isso. Assim como existe uma fé morta, também existe a fé viva; a fé dos perversos, assim como a fé dos eleitos por Deus; a fé que é vã e inútil e a fé que justifica e salva. Como o homem saberá se ele tem a fé verdadeira ou não? Como ele saberá se acredita na salvação de sua alma? Há como descobrir. Um etíope é reconhecido pela sua pele, assim como um leopardo por suas manchas. A fé verdadeira pode ser reconhecida por algumas marcas. Elas estão expostas claramente nas escrituras. Leitor, vou me esforçar para deixar essas marcas de forma clara diante de você. Observe-as cuidadosamente e teste sua própria alma com o que vou dizer.

1.  Aquele que acredita em Cristo tem, dentro de si, paz e esperança.  Está escrito “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo”, “Porque nós, os que temos crido, entramos no repouso” (Rm 5:1, Hb 4: 3). Os pecados do cristão são perdoados e suas iniquidades são levadas embora, sua consciência já não está mais carregada com o peso de suas transgressões não perdoadas. Ele está reconciliado com Deus e tornou-se um de seus amigos, podendo olhar para a morte, o julgamento e a eternidade sem temor. A tormenta da morte é afastada e quando o julgamento do dia final for realizado e os livros forem abertos, não haverá nada posto a seu cargo. Ele estará preparado para quando a eternidade chegar, porque sua esperança está no céu e na cidade sólida. Ele pode não ser completamente sensível a todos esses privilégios, seu senso e visão sobre estas coisas podem variar enormemente dependendo do momento e podem ser frequentemente obscurecidos por dúvidas e medos. Como uma criança que ainda é muito nova, mas herda uma grande fortuna, ele pode também não estar ciente do valor de suas posses, mas com todas as suas dúvidas e temores, ele tem uma esperança verdadeira, sólida e real que o fará suportar as provas e poderá dizer “Tenho uma esperança que faz com que não me sinta envergonhado”. (Rm 5: 5.)

2.  Aquele que acredita em Cristo tem um novo coração. Está escrito, “Assim, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo“, “mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos quais crêem no seu nome, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”, “Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus” (2 Co 5:17, Jo 1:12,13, I Jo 5:1). Um cristão não tem mais a mesma natureza de antes. Ele está mudado, renovado e transformado à imagem de seu Senhor e Salvador. Aquele que se preocupa primeiro com os assuntos da carne, não tem fé. A verdadeira fé e regeneração espiritual são companheiras inseparáveis. Uma pessoa não convertida não é cristã!

3.  Aquele que acredita em Cristo é uma pessoa cujo coração e vida são santos. Está escrito que Deus purifica “os seus corações pela fé” e que cristãos são “santificados pela fé”, “E qualquer que nele tem esta esperança, purifica-se a si mesmo” (At 15: 9, 26: 18, I Jo 3: 3). Um cristão ama aquilo que Deus ama e odeia o que Deus odeia. O desejo do seu coração é caminhar segundo as ordenanças de Deus e se abster de qualquer costume maldoso. Seu desejo é andar segundo o que é justo, puro, honesto, amável e de bom testemunho e purificar-se de toda impureza da carne e do espírito. Por diversas vezes ele está muito aquém de seus propósitos e vê sua vida diária como um duelo constante contra a corrupção que habita nele. Ele luta e se recusa a servir o pecado. Onde não há santidade, podemos ter certeza de que não há fé salvífica. Um homem profano não é cristão!

4.  Aquele que acredita em Cristo trabalha na obra de Deus. Está escrito que a “fé opera pelo amor” (Gl 5:6). Uma crença verdadeira nunca fará um homem perder tempo, nem permitirá que ele fique imóvel, satisfeito com sua própria religião. Essa crença o motivará a realizar atos de amor, bondade e caridade quando perceber uma oportunidade. Ele será compelido a andar pelo mesmo caminho que seu Mestre, que “andou fazendo o bem”. De uma forma ou de outra, fará com que ele trabalhe. As obras que ele faz, talvez não atraiam os olhares do mundo. Elas podem parecer insignificante para muitas pessoas, mas não serão esquecidas por Ele, que nota até um copo de água gelada oferecida em Seu nome. Onde não há um trabalho por amor, não há fé. Um cristão preguiçoso e egoísta não pode caracterizar-se como cristão!

5.  Aquele que acredita em Cristo vence o mundo. Está escrito que “todo o que é nascido de Deus, vence o mundo, e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (I Jo 5:4). Um verdadeiro cristão não se regra pelos padrões mundanos de certo e errado, verdade ou mentira, não depende da opinião do mundo e não se importa com o reconhecimento do mundo. Ele não é movido pela censura do mundo, nem busca seus prazeres, tampouco ambiciona as recompensas dele. Ele olha para o que não se pode ver. Ele vê um Salvador invisível, um julgamento por vir e uma coroa de glória que não se desvanece. Tudo isso faz com que ele pense pouco do mundo. Onde o mundo reina no coração, não há fé. Um homem conformado com esse mundo, não pode se denominar cristão!

6.  Aquele que acredita em Cristo, tem um testemunho interno de sua crença.  Está escrito que “quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho” (I Jo 5:10). A marca diante de nós, requer um manejo delicado. A testemunha do Espírito é, inquestionavelmente, um assunto muito difícil, mas não posso temer em declarar minha própria convicção, de que verdadeiros cristãos sempre têm sentimentos dentro de si que são peculiares a eles, sentimentos que estão conectados com sua fé e que fluem dela, sentimentos que descrentes desconhecem. Ele tem o Espírito da adoção, pelo qual ele olha para Deus como o Pai reconciliador e o observa sem temor. Ele tem o testemunho de sua consciência, borrifada pelo sangue de Cristo, de que, tão fraco quanto possa ser, ele descansa em Cristo. Ele agora tem esperança, alegria, medo, dor, consolação e expectativa, coisas que não conhecia antes de crer. Ele recolheu evidências que o mundo não consegue entender, mas que são bem melhores para ele, mais do que qualquer livro de evidências existente. Os sentimentos são, sem dúvida alguma, muito enganosos. Mas onde não há sentimentos religiosos, não há fé. Um homem que não sabe nada sobre religião interna, espiritual e experimental, não é, ainda, um cristão!

7.  Por último, aquele que acredita em Cristo, tem um olhar especial em sua religião à pessoa de Cristo. Está escrito, “E assim para vós, os que credes, é preciosa” (I Pe 2: 7). Esse texto merece uma atenção especial. Ele não diz que o cristianismo é precioso, ou que o evangelho é precioso, ou que a salvação é preciosa, mas que Cristo é precioso. A religião de um cristão não consiste em mero consentimento intelectual a algumas afirmações e doutrinas, não é uma crença fria de um conjunto de verdades e fatos concernentes a Cristo. Ela consiste em união, comunhão e camaradagem com uma Pessoa que vive: Jesus, o Filho de Deus. É uma vida de fé, confiança e descanso em Jesus; uma vida de sugar o máximo dEle, falar com Ele, trabalhar para Ele, amá-lO e ansiar pela Sua segunda vinda. Essa vida parece entusiasmar a muitos, mas onde há fé verdadeira, Cristo será sempre conhecido e visto como um amigo vivo e pessoal. Aquele que não vê a Cristo como seu pastor, médico e redentor, não tem conhecimento algum sobre crer!

Leitor, agora coloquei diante de você, as sete marcas de quem crê e peço para que considerem-nas. Não estou dizendo que todos os cristãos as têm igualmente, e também não estou dizendo que aquele que não tiver todas essas marcas, não será salvo. Sei que muitos cristãos são tão fracos na fé, que passam todos os dias de sua vida duvidando até deles mesmo. Digo apenas que existem marcas para as quais o homem deveria direcionar-se primeiro, caso queira responder à questão: você crê?


terça-feira, 17 de novembro de 2020

RENUNCIE!



Queres viver eternamente?

Renuncie...

Sua familia...

Seu pai...

Sua mãe...

Seus irmãos...

Seus familiares...

Sua tradição....

Seu casamento...

Seu marido...

Sua esposa...

Sua noiva...

Seu noivo....

Sua namorada....

Seu namorado...

Seus filhos....

Seus títulos ...

Sua formação educacional...

Sua profissão....

Seus cargos...

Seus bens...

Seu carro...

Seus investimentos...

Seu dinheiro...

Sua saúde....

Seus entretenimentos...

Suas viagens....

Sua casa...

Suas rendas...

Sua popularidade...

Suas amizades....

Sua arrogância...

Seu egocentrismo...

Seu egoísmo...

Seu pecado...

Sua manias...

Seus vícios...

Seu passado...

Sua religiosidade...

Sua tradição religiosa...

Sua tradição cultural...

Porque Jesus Cristo diz que: "todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo". (Evangelho de São Lucas 14.33), por que se tu amares alguém ou alguma coisa mais do que a Deus, você nunca viverá eternamente.

domingo, 8 de novembro de 2020

VENHA À MISSÃO

Venham à missão do jeito que estiverem. Não esperem ser mudados integralmente. A missão se faz a longo prazo, em nossa miséria, com nossos pecados, com nosso lauto ou parco conhecimento. É claro que o alvo de nossa vida é ser como o Senhor, mas quantos ficam a esperar o momento ideal para se pôr à missão? Entretanto ficarão apenas a esperar, enquanto o Espírito Santo está a fazer aquilo que fora dado a todos nós: o serviço.

A missão não pode ser escravizada, limitada e elitizada pelo muito saber. Inúmeros religiosos, excelentes intelectuais, vivem e são supridos de suas teorias e pensamentos bem intencionados sobre Deus, mas nunca pisaram fora de seus arrraiais colocando-se ao serviço.

Na vida precisamos de dois extremos: inteligência e espiritualidade, e assim desenvolver o intelecto tão profundamente quanto nos entregar a uma profunda espiritualidade. Se não acontecer assim, o serviço será uma caricatura do Senhor Jesus Cristo, apenas. Sem essa vivência teremos bons oradores de bom conhecimento, mas sem a presença do Deus pessoal.

É verdade, nossa missão nunca será perfeita e conterá aqui e acolá vestígios de nossos equívocos e míseros actos e palavras. Se não confiarmos na ação do Deus Todo poderoso enquanto semeamos, seremos vítimas de nossa própria vaidade e arrogância. Teremos um séquito distinto, um número imenso de seguidores como influencers, mas estaremos fora da missão do Reino de Cristo.

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Quem ousará levantar-me um processo?

Melitão de Sardes (?-c. 195)

bispo

Homilia Pascal (do Ofício de Leitura da 2.ª-feira da Oitava da Páscoa)


«Tenho a certeza de que não ficarei confundido. O meu defensor está junto de mim. Quem ousará levantar-me um processo?» (Is 50,7-8)


O Senhor, sendo Deus, fez-Se homem e, tendo sofrido em vez do enfermo, tendo sido encarcerado em vez do prisioneiro, tendo sido condenado em vez do criminoso e sepultado em vez do que jazia no sepulcro, ressuscitou dos mortos e exclamou com voz poderosa: «Quem ousará levantar-Me um processo? Aproxime-se de Mim! (cf Is 50,8) Eu libertei o condenado, dei a vida ao morto, ressuscitei o que estava sepultado. Quem ousará atacar-Me? (cf Is 50,9) Eu sou Cristo, Aquele que destruiu a morte, que venceu o inimigo, que calcou aos pés o inferno, que sujeitou o violento (cf Lc 11,22) e que arrebatou o homem para as alturas dos Céus. Eu sou Cristo.

»Vinde, portanto, todas as nações da terra oprimidas pelo crime, e recebei a remissão dos pecados. Eu sou o vosso perdão, a Páscoa da salvação, o Cordeiro por vós imolado, a água que vos purifica, a vossa vida, a vossa ressurreição, a vossa luz e salvação, o vosso Rei. Eu vos elevarei às alturas dos Céus; Eu vos ressuscitarei e vos mostrarei o Pai que está nos Céus; Eu vos exaltarei pela minha mão direita».

Assim é Aquele que fez o Céu e a Terra e no princípio criou o homem (cf Gn 2,7), Aquele que Se fez anunciar pela Lei e pelos profetas, Aquele que nasceu da Virgem, foi crucificado no madeiro, sepultado na terra, ressuscitado dentre os mortos, ascendeu às alturas do Céu, Se sentou à direita do Pai e detém o poder de tudo julgar e de tudo salvar. Por Ele criou o Pai tudo o que existe, desde o princípio até à eternidade. É Ele o Alfa e o Ómega (cf Ap 1,8), o princípio e o fim, Cristo, a quem sejam dados a glória e o poder pelos séculos dos séculos, Ámen.

sábado, 1 de agosto de 2020

TESTEMUNHO?


Como estamos a testemunhar de Cristo? Há muita propaganda e pouca identificação. Há muito turismo em nome da fé e pouca adaptação. Sempre devemos ter coragem para avaliar a maneira como comunicamos o evangelho. Não é suficiente usar apenas a “média” para anunciar as Boas Novas. Estamos expostos todos os dias a internet, e percebemos que na grande maioria das vezes, as programações e os eventos das igrejas, nada tem a ver com a valorização da pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas sim com a necessidade de uma exposição pessoal e coletiva no mundo virtual. Toda gente gosta de ser celebridade.

Outro perigo que estamos a correr é de dar nomes a determinados eventos para chamarmos a atenção de todos. Um dos mais populares é o termo: “avivamento espiritual”. A maioria desses eventos assim chamados de extraordinários não passam de “coreografia litúrgica” regado a muita gritaria e sensacionalismo. 

Afinal, o que é evangelizar à maneira de Jesus Cristo? Sem uma perceção correta da missão do Senhor no evangelho, não haveremos de cumprir a missão segundo a vontade do Senhor. Em primeiro lugar, precisamos rejeitar algumas ideias usadas pelo movimento evangélico popular que reproduz formas e métodos usados pelo mundo corporativo empresarial e de mercado. Para uma missão parecida com a de Jesus de Nazaré, devemos evitar com firmeza a evangelização praticada por muitos a “pescar no aquário” de outros a fazerem o famoso proselitismo .

Para que cumpramos nossa missão devemos redescobrir a “encarnação de Cristo” como maior modelo. Sempre devemos nos estimular e fundamentar na maneira como Cristo, falou, agiu e viveu entre nós. Devemos nos perguntar: O que é a missão de Cristo? Como o Senhor falava? Como Ele ensinava? Como curava? Enfim, como Jesus se envolvia com as pessoas de sua época? Então vamos achar as respostas e seremos desafiados pelas suas palavras: “assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20.21). O Senhor Jesus Cristo, portanto, é o modelo para que nós realizemos a nossa missão. Devemos seguir o padrão que o Deus-Pai usou para enviar o Deus-Filho.

Portanto, esse é o grande desafio para nós, em nossos dias. Em todos os planos que fazemos, devemos nos espelhar na maneira e no modo como Nosso Senhor testemunhou de Si mesmo. Procuremos lutar contra as maneiras fantasiosas e alegóricas. Abandonemos a ideia que precisamos de muito dinheiro para cumprir a missão. A simplicidade ainda é a correcta maneira. Sem contextualização pessoal não haverá missão como a de Nosso Senhor. Ensinemo-nos uns aos outros a viver o evangelho em nossa natureza. Algumas vezes deveremos “arregaçar as mangas” e “colocar os pés na lama” para que nossa evangelização não seja nem estranha e nem estrangeira, mas simples de tal forma que o Espírito Santo possa usar e manifestar a Sua graça. 

Identifiquemo-nos com Cristo e nos envolvamos com toda a gente, as mais diferentes e as mais diversas. Quanto mais nos identificarmos com Cristo mais nos envolveremos com mundo a nossa volta. Mas o contrário também é verdade. Portanto, nossa missão não pode ficar apenas nos cultos virtuais e dominicais. Deve ir além de uma mensagem verbal. Deve ser um testemunho de serviço, encarnacional, modelado pelo jeito de Cristo, com sentimento e dinâmica, com criatividade e inteligência, baseados na Escritura.

Lembremo-nos da oração do Senhor: “para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17.21) Os actos de amor, de justiça e de misericórdia falam mais alto do que muitos discursos postados num mundo virtual!

Rev. Luiz Augusto

sábado, 18 de julho de 2020

“Vai ficar tudo bem!”: A verdadeira filosofia do Escapismo


Quantas frases de efeito temos recebido em nossas caixas de correio eletrônico, nas redes sociais e visto nas faixas a frente de instituições públicas? Nossa Sociedade caminha a passos largos para a nulidade, diante das incertezas a que somos sujeitos. 

Como o relativismo[1] foi sedimentado na filosofia de vida de toda gente, hoje não sabemos mais o que fazer quando enfrentamos tragédias e calamidades que afetam o mundo todo. A mente do ser humano do século XXI foi modelada pelos meios de comunicação e não consegue se pautar por algo consistente que gere esperança, pois não sabemos mais em que acreditar. 

Vivemos uma época onde a prática filosófica do Escapismo veio para ficar. Define-se “Escapismo” como o desejo de evasão. É o alívio ou a distração mental de obrigações ou realidades desagradáveis, recorrendo a devaneios e imaginações. É a desconsideração da realidade. Percebe-se que diante das maiores atrocidades que possam acontecer a humanidade, devido a ausência de princípios absolutos na Sociedade, os meios de comunicação e os líderes governamentais colhem frases de efeito para produzir na população uma esperança, mesmo que esta seja vã. Por exemplo a frase que está em alta é esta que todos já lemos ou ouvimos: Tudo vai ficar bem. 

Parece que entramos num tempo de devaneios onde devemos afirmar e reafirmar determinadas frases para que nos sintamos melhor e diante da sensação de desespero. O relativismo fez isso com todos e por causa disso devemos mentir para nós mesmos em rejeitar a realidade que nos cerca. Isso é muito mal porque quando praticamos isso: 

1. Subtraímos de nós a nossa realidade. Fugir da realidade é a prática mais usual, devido a não termos como responder concretamente e obtermos afirmações lógicas para que vivamos de modo confortável. Por isso tentamos escapar da realidade porque ela nos incomoda e nos constrange. 

2. Buscamos um escape, a fugir diante do desconhecido. A pandemia do Covid19 trouxe-nos a incerteza total. Se Deus havia “morrido” no final do século 19 para a filosofia europeia, hoje os deuses propostos pelos atuais filósofos e religiões não conseguiram gerar em toda a gente um estilo de vida melhor com esperança para os dias em que se vê a morte tão próxima de cada um. O desconhecido é originador de pânico e desespero. 

3. Vivemos um mundo de fantasia. Viver a realidade é tremendamente cruel para qualquer pessoa, então melhor que nos saturemos das frases de efeito escapistas do que buscar a viver com princípios absolutos e encarar a verdadeira miséria que estamos a viver. 

Como então viver e enfrentar a realidade sem os devaneios da fantasia escapista? 

1. Acreditar em princípios absolutos. A Bíblia nos revela não apenas um Deus, mas o verdadeiro Deus, Criador e sustentador deste universo. Nele, nos movemos e existimos. Ele é o princípio absoluto de tudo que há e o Seu Filho Jesus Cristo, verdadeiro Homem e verdadeiro Deus é a sua plena e absoluta revelação. Ele revela nossa cruel miséria e a carência do ser humano diante de sua finitude. Acreditar neste Deus é se mover por princípios absolutos. 

2. Encarar a miséria em que estamos a viver. A morte e o sofrimento são realidades que devemos aceitar, sem antes também aceitar que em Deus através de Cristo há uma realidade eterna que suplanta toda esta situação e que Ele propõe a toda gente viver além desse mundo, recebendo-o como Seu Salvador eterno e Senhor de toda a vida. Nele há verdadeira fé, esperança e amor. 

3. Dedicar nossa vida ao Deus verdadeiro. Ao percebermos a cruel condição de cada um de nós, e a miséria espiritual e física a que estamos destinados, ao percebermos o amor eterno de Deus em Cristo, ao se dar numa cruz para cumprir um propósito para que todos, através da fé, recebamos a eternidade, sem nossa participação e sem nosso esforço, apenas por amor, percebemos que embora soframos neste presente tempo, receberemos uma vida eterna e nossa ressurreição física para vivermos num tempo onde jamais haverá pranto, dor e luto. 

Rompa com a fantasia e o escapismo de uma Sociedade que está sem rumo. Encaminhe-se diante do Deus, que nos amou desde a fundação do mundo. 

Rev. Luiz Bueno

[1] O relativismo é o conceito de que os pontos de vista não têm uma verdade absoluta ou validade intrínsecas, mas eles têm apenas um valor relativo, subjetivo, e de acordo com diferenças na perceção e consideração.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Tinha ainda alguém para enviar: o seu querido filho


«Cristo confiou-nos o mistério da reconciliação» (2Cor 5,18). São Paulo realça a grandeza dos Apóstolos ao mostrar-nos que mistério lhes foi confiado, ao mesmo tempo que manifesta com que amor Deus nos amou. Depois de os homens se terem recusado a ouvir Aquele que Ele lhes tinha enviado, Deus não fez soar a sua cólera, nem os rejeitou, mas persiste em chamá-los, por Si próprio e através dos Apóstolos. [...]
«Deus pôs na nossa boca a palavra da reconciliação» (v. 19). Viemos portanto, não para uma obra penosa, mas para fazer de todos os homens amigos de Deus. Se não vos escutarem, diz-nos o Senhor, continuai a exortá-los, até que encontrem a fé. Por isso, São Paulo acrescenta: «Nós somos embaixadores de Cristo; é o próprio Deus que vos chama através de nós. Suplicamos-vos em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus». [...]
A que poderemos comparar tão grande amor? Depois de termos pagado estes benefícios com insultos, longe de nos punir, Ele deu-nos o seu Filho querido, para nos reconciliar consigo. No entanto, longe de quererem reconciliar-se, os homens deram-Lhe a morte. Deus enviou embaixadores para os exortar e depois tornou-se Ele próprio suplicante por eles. Continua a ser Ele que pede: «Reconciliai-vos com Deus». Ele não diz: «Reconciliai Deus convosco», pois não é Ele que nos rejeita; sois vós que recusais ser amigos dele. Poderá Deus ter sentimentos de ódio?

João Crisóstomo (c. 345-407)
presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja
11.ª homilia sobre a 2.ª carta aos Coríntios

quarta-feira, 6 de maio de 2020

«Quem Me vê, vê Aquele que Me enviou»

Alguém que tinha chamado «bom mestre» a Jesus, pedindo-Lhe conselho para alcançar a vida eterna, recebeu esta resposta: «Porque Me chamas bom? Ninguém é bom senão um só: Deus» (Mc 10,17-18). [...] Sim, se Me vires na minha condição divina, Eu sou bom, mas se Me vês somente na condição humana, que contemplas agora, porque Me interrogas acerca do que é bom, se és daqueles que apenas «hão de olhar para Aquele que trespassaram»? (Jo 19-37; Zac 12,10). Essa visão trar-lhes-á infelicidade, porque será a visão do castigo.

Existe, com efeito, uma visão em que contemplaremos a imutável substância de Deus, invisível aos olhos humanos, e essa visão, que só é prometida aos santos, é aquela a que o apóstolo Paulo chama um «face a face» (1Cor 13,12); dessa visão, diz o apóstolo João: «Seremos semelhantes a Ele, porque O veremos tal como Ele é» (1Jo 3,2); e o salmista: «Uma só coisa peço ao Senhor e ardentemente a desejo: habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida» (Sl 26,4). O próprio Senhor o diz: «Eu o amarei e hei de manifestar-Me a ele» (Jo 14,21). É por essa visão que purificamos os nossos corações na fé, para pertencermos ao número dos «puros de coração que verão a Deus» (Mt 5,8). Essa visão, e apenas ela, é o nosso supremo bem e é para a alcançarmos que temos o dever de fazer tudo o que fazemos de bom.

Santo Agostinho (354-430)
bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sobre a Trindade, I, 13, 30-31











Ressurreição e Missão

“Então o lobo morará com o cordeiro” (Isaias 11.6)  Há uma crença equivocada na Doutrina da Ressurreição. Entre os cristãos atuais tra...