quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

CRESCIMENTO NATURAL DA IGREJA I

É essencial que entendamos que cada cristão, em cada igreja local, recebeu de Deus algumas capacidades espirituais especiais para cumprir seu ministério. Chamamos esta capacidade de dom espiritual (I Cor 12.7,11,18). Além disso, a Palavra de Deus afirma que o propósito de cada pastor e presbítero é cuidar do seu povo, como um pai faz com seus filhos (I Pe 5.2-4). Quando falamos dos líderes da igreja local uma das suas características é sobre sua capacidade de liderar não apenas a igreja como sua família. Mesmo sendo constituídos por homens, e sujeitos a queda, a autoridade final em autoridade não é o Conselho, mas Cristo como cabeça. (Ef 5.23). O Espírito Santo deve ser reverenciado por meio da liderança espiritual daqueles que estão exercendo as funções como um bispo ou presbítero. Mas há necessidade de que estes sejam pessoas maduras segundo a Palavra de Deus (I Tm 3.4-5).

Outra verdade que devemos ressaltar, é de que pequenos grupos que se reúnam para compartilhar, são tão importantes como o culto de domingo no templo. Encontramos na Confissão de Fé a seguinte afirmação: “Agora, sob o Evangelho, nem a oração, nem qualquer outro ato do culto religioso é restrito a certo lugar, nem se torna mais aceito por causa do lugar em que se ofereça ou para o qual se dirija, mas, Deus deve ser adorado em todo o lugar, em espírito e verdade, tanto em famílias diariamente e em secreto, estando cada um sozinho, como também mais solenemente em assembleias públicas, que não devem ser descuidosas, nem voluntariamente desprezadas nem abandonadas, sempre que Deus, pela sua providência, proporciona ocasião” (CFW XXI, 6). 

Em matéria de fé, devemos olhar como Deus olha, pois o seu agir por meio do Espírito Santo não está reservado a dias e horas, mas segundo a sua livre iniciativa na vida das pessoas, seja em um espaço como o templo, bem como nas casas, e lugares até mesmo pouco ambientais para o serviço religioso (At 2.46; 5.42; Jo 3.8).

Com relação a pregação na igreja a Bíblia nunca ensinou que o tipo correto de pregação na Igreja, deve ser evangelística, até porque não existe um tipo específico de pregação. (I Tm 4.13-16). O ensino fiel das Sagradas Escrituras é a fiel exposição das Escrituras. Por isso, devemos ter uma visão correta para o que deve ser o serviço de culto. Através da livre iniciativa do Espírito Santo, Ele regenera por meio das Escrituras, mesmo quando não intencionamos “converter” as pessoas. 

A maior prova de que alguém é um verdadeiro discípulo de Cristo é a de que esse vive em comunhão com outros e se importa com pessoas. No que se refere a devolver o dízimo na igreja e a fazer ofertas, isso torna-se uma questão de fé, e deve ser observável, tanto quanto essa pessoa se torna fiel em manter a comunhão uns com os outros. (João 13.34-35 e I João 1.7)

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Despeço-me do culto espetáculo

O mundo sofre... Crianças gemem e morrem. Diante dos horrores da história, abandonei a pretensão de ser abençoado. 

Qualquer prece, com um mínimo de senso ético, deve considerar os mais sofredores. Quem se atreveria a furar a fila da bênção onde esperam africanos exilados e haitianos sem-teto? Um Deus que dispensa bênçãos, prioritariamente, sobre quem tem olhos azuis não merece a atenção de ninguém. Repetir que ele é uma divindade irada, sempre pronta a castigar, não mete medo, apenas aversão. Se existe um Deus que na hora de distribuir maldições começa pelos mais miseráveis, ele deve ser tratado como um demônio. Não desejo continuar com uma fé que espera milagre de um Deus tribal. A divindade que fazia chover apenas no quintal dos seus queridos, não faz sentido para mim. A noção primitiva de um Deus que afugenta gafanhotos quando vê obediência e que destrói plantação e causa fome diante do erro, não me seduz. Benção e maldição retributivas não condizem com o amor gratuito de Deus em Jesus. Deus jamais se valeria do papel do bedel indignado que abandona bilhões à míngua.

Sem instrumentalizar a espiritualidade, desejo transubstanciar fé em ações; desde o silêncio contemplativo, cumprir a missão de incluir o marginalizado, valorizar o desprezado e cuidar do esquecido. O seguimento - do verbo seguir – de Jesus nasce de corações calmos. Um cristianismo existencial se tornou a melhor expressão para a minha piedade. Noto que liturgias centradas em emocionalismo desmerecem a tradição profética dos dois Testamentos. 

Desde Isaías, cultuar só tem sentido se a justiça é protegida. Deus não tolera ajuntamentos e cerimônias autocentradas. Fazer culto para buscar o seu favor agride os céus. A verdadeira adoração disponibiliza pessoas para cuidar de órfãos e de viúvas. A verdadeira religião, segundo Tiago, consiste em cuidar dos mais esquecidos. Qualquer verticalização de louvor só tem sentido quando promove a horizontalização do serviço. Espiritualidade cristã autêntica reconhece Deus no rosto do pobre, do nu, do faminto, do desterrado. Tudo o mais não passa de individualismo travestido de religião piegas.

Despeço-me do culto espetáculo. 

Não quero estar em ambientes frenéticos. Anseio por reuniões que celebrem a graça sem paranóia, sem alguém tentando infundir culpa. Quero participar de comunidades leves, sem a afetação do glamour do mundo; uma igreja onde os sorrisos sejam gratos e os abraços, sinceros. O caminhar de Jesus não combina com espaços espetaculosos. Os valores do Reino prescindem dos holofotes.

Juliano Fabricio

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

COMO PODEMOS VIVER UM 2014 MELHOR?




Alegrai-vos sempre no Senhor (Filipenses 4.4)


Se formos seguir o curso deste mundo no qual vivemos, não temos muito que nos alegrar com respeito às expectativas no novo ano. Por isso gostaria de sugerir que você e eu pudéssemos inaugurar 2014 com alguns princípios básicos para nossa vida ser melhor do que 2013:

1º ) Em 2014, esteja certo que o novo ano não será melhor, se você não for melhor.Temos uma noção equivocada que se orarmos muito pelo ano que entra, teremos muita saúde, prosperidade e conforto. Isto é uma fantasia. A grande diferença entre um ano e outro é que os tempos serão melhores se pessoalmente tomarmos a decisão e tivermos perseverança de tratar nosso interior, isto é, nosso coração. Melhoramos sempre quando deixamo-nos ser tratados e quando somos ensináveis. Se continuarmos a pensar que dependemos de tempos e períodos de anos para nos sentir melhores, jamais o seremos. Esta ideia acaba por nos levar a demonizarmos as pessoas que estão ao nosso redor e esquecer que nós, pessoalmente, precisamos mudar interiormente, para que vejamos até mesmo nas calamidades, a presença de Deus.

2º) Em 2014, esteja certo que seguir os passos do discipulado de Jesus será bem melhor do que seguir a filosofia da sociedade atual. Outro ledo engano quando chegamos às portas de um novo ano é acreditarmos, mesmo passivamente, que a filosofia de nossa sociedade, manifestada pelos meios de comunicação, são interessantes e positivos. Há muitas igrejas que pregam a necessidade de sermos prósperos financeiramente e fisicamente como sinal da presença divina e o contrário como sinal de maldição. Por isso vemos tão poucas pessoas se doando por outras, pois a doação sugere renúncia e dedicação. O discipulado de Jesus elimina esta máxima demoníaca da prosperidade e nos leva a entender que somente há verdadeira felicidade quando aprendemos a ser verdadeiramente discípulos de Jesus vivendo em prol dos outros. 

3º) Em 2014, esteja certo que você poderá ter tantas oportunidades de alegria, se seus motivos de viver forem se alegrar em Cristo todos os momentos. Imagine se o apóstolo Paulo que estava encarcerado ao escrever aos Filipenses, segundo o texto bíblico acima, dependesse de circunstâncias e momentos para viver a alegria em sua vida? Pelo contrário, sua relação com o Senhor é que mudava o seu coração mesmo quando as oportunidades fossem as piores possíveis. Temos uma visão equivocada que podemos ter um ano novo melhor, se possuirmos coisas, objetos, se tivermos ascendência social e educacional, se conquistarmos títulos e ganharmos mais dinheiro. Essa é a filosofia do diabo. A verdadeira alegria não está nas coisas e sim unicamente no desenvolvimento de uma relação profunda com a Trindade Santa. 

Essa é minha ideia e meu conselho, antes de pensar no ano que virá, pense na pessoa melhor que você poderá ser em comunhão com o Deus da vida. Um Feliz 2014, em Cristo! 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

MOISÉS, JESUS E YASMIN

“Em Ramá se ouviu uma voz, lamentação e grande pranto: Raquel chorando os seus filhos, e não querendo ser consolada, porque eles já não existem”. (Mat 2:18)

Em nossa Sociedade o Natal não é apenas tempo de muita comida e bebida sem sentido, mas também de expressões sem sentido, palavras sem sentido e manifestações inócuas. Vivemos a Era dos eventos insanos e também histéricos. Há muita gente que celebra o Natal sem razão de ser, sem sentido algum. Alguns usam o período natalino até para cometer os atos mais desumanos e monstruosos que revelam o quanto, sem o Natal verdadeiro o “ser humano” é um “humanóide hedonista”.

Os primórdios destes atos monstruosos toma lugar no Egito Antigo quando do nascimento do grande libertador do povo de Israel. Devido ao crescimento numérico dos filhos de Israel no Egito, o Faraó decide exterminar todo menino que nascesse dos hebreus, por receio de que o povo que vivia escravo se tornasse mais forte que os egípcios. Por medo, Faraó mata milhares de crianças, mas por intervenção divina Moisés, um menino recém-nascido jogado às águas do Rio Nilo é resgatado pela filha do Imperador. É salvo, e torna-se conhecedor de toda a ciência egípcia e o grande libertador de Israel.

Belém tornou-se também um lugar controverso. A noite de Natal trouxe fé, paz e esperança, Jesus, filho de José e Maria, o filho de Deus acaba de nascer. A festa envolve a terra e o céu. Todavia, a alegria é trocada pelo pranto e desespero. Assim como Moisés, o grande libertador de Israel foi salvo de um infanticídio, Jesus Cristo foi poupado da insanidade de Herodes, o Tetrarca. Cheio de ira e tomado de medo, o incapaz rei extermina todas as crianças daquela pequena vila. Jesus é salvo, quando em sonhos José é avisado previamente e tomando Maria fogem para o Egito a fim do Menino-Deus ser guardado do Maligno. O evangelista Mateus, faz questão de registrar este fato em analogia a Moisés. 

Mas Yasmin, não teve a mesma sorte. Yasmin foi encontrada morta na segunda-feira dia 09/12, em uma obra, um dia após ter saído da casa da avó para ir até a feira onde a mãe estava trabalhando. No entanto, a menina não chegou ao destino. Após o sumiço, familiares e policiais chegaram a procurá-la, mas não a encontraram. Isso se deu em Catalão, uma cidade de porte médio no estado de Goiás. Não houve um "anjo", não houve uma "princesa" que a resgatasse das mãos do terrível estuprador. Juntamente com ela o Natal também se reveste de tristeza e dor, de indignação e crueldade. Yasmin é mais um caso perdido em uma Sociedade que banaliza vida e os que dizem acreditar no Menino-Deus se calam diante das atrocidades.

Para nossos dias, portanto, o Natal somente tem sentido se continuarmos crendo que por causa do amor a humanidade, Cristo se deu por todos, e num misto de esperança e senso de justiça, foi o menino Jesus poupado quando criança, porém cruelmente morto pela insanidade dos líderes políticos e religiosos que preferiram dar cabo de sua vida do que se submeterem a lei do amor que Ele plantara. 

O Natal somente faz sentido se como cristãos, continuarmos a lutar por justiça social e política, elementos que estarão presentes no Novo Reino do Messias, o Cristo. Enquanto a igreja cristã continuar subserviente ao Estado, aos líderes manipuladores das grandes massas religiosas, ainda muitas Yasmins continuarão morrendo tragicamente porque não tem havido fome e sede de justiça por parte de muitos que se dizem crentes em Cristo.

Natal não é somente festa, é tempo de rededicação e de compromisso com o Reino factível e verdadeiro, que rompe com as amarras da injustiça e da escravidão moral e da insensibilidade massificante. Natal só será Natal se fizermos mais do que apenas visitarmos os templos religiosos para nos desincumbir de nossos sentimentos de culpa, por não termos “tempo” para estendermos as mãos às Yasmins de hoje que morrem pela banalização da vida, seja no Brasil, seja em qualquer parte deste mundo.

Que o Senhor tenha misericórdia de nós!

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

COMO ELE AMOU O UNIVERSO



Deixou de soprar o fôlego de vida para receber oxigênio pelo cordão umbilical. Deixou de colocar o universo na palma de sua mão para ter sua mão formada no ventre da jovem mãe. Deixou agradáveis perfumes dos céus para nascer em meio ao fétido estábulo. Deixou de assentar-se no sublime trono para dormir na manjedoura improvisada de palha.



Deixou de emitir voz de retumbante trovão para exprimir-se através do choro rouco recém-nascido. Deixou o aplauso de toda criação em troca de ser levantado pelas mãos de um velho no templo. Deixou de comandar os exércitos celestiais para fugir da matança, ainda bebê, carregado no colo. Deixou sua posição de quem tudo sabe (e como sabe!) para sentar-se no banco escolar da sinagoga.



Deixou as riquezas imarcescíveis para viver do rendimento de um simples marceneiro. Deixou de caminhar em ruas de ouro para andar em estradas poeirentas. Deixou festas no paraíso para estar em jantares com coletores de impostos. Deixou a adoração de serafins e querubins para ouvir desaforos e provocações.



Deixou de tocar as estrelas para tocar nossas feridas. Deixou de chamar as estrelas pelo nome para chamar, pelo nome, muita gente humilde. Deixou coros celestiais para ouvir sussurros e gemidos de miseráveis. Deixou de ser servido pelos anjos para servir os marginalizados.



Deixou a posição de Senhor para tornar-se o mais humilde servo. Deixou todo conforto do palácio para enfrentar as dores mais intensas. Deixou de viver acima e distante para viver bem pertinho no nosso meio. Deixou de agir como Deus, sem deixar de ser Deus, para agir como gente comum.



Deixou seu trono alto e sublime para fazer amigos. Deixou seu sangue ser derramado para fazer irmãos. Deixou sua vontade própria para tomar do cálice. Deixou-se morrer para nos ressuscitar.



Deixou o que não precisava deixar. Deixou pra trás o lugar onde todos desejariam estar. Deixou tudo para não nos deixar. Deixou tudo para nos salvar!



Rodolfo Montosa

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

“NESTE NATAL, ARRUME SUA CASA”

“Não havia lugar para eles na hospedaria” (Lucas 2,6)

Aquele que fez o Universo, que criou as dimensões visíveis e invisíveis, que criou os sistemas destes mundos, que confeccionou tudo o que existe, desde a menor célula até o maior astro, aquele que culminou toda a sua criação com o ser humano – sua própria imagem e semelhança, aquele que embora já humano, tomou a decisão de encarnar a fim de resgatar o próprio mundo separado dele. Aquele que buscou em todos os momentos prover a restauração do relacionamento Criador-criatura – pois só há razão do cosmos existir quando há profunda comunhão do Céu com a Terra, ao tomar a forma humana, não encontrou sequer um lugar para poder nascer como qualquer ser humano nascera.

Assim como os belemitas não abriram as portas de suas casas para acolher José, Maria e o Menino-Deus - o Desenhista do Universo - ainda hoje, os seres humanos continuam a não acolhê-lo. A famosa frase “veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1.11), “latu senso” envolve a todos os que de fato foram criados e amados por Deus, na pessoa de Cristo e que não o receberam em seus corações.

O homem continua a rejeitar Cristo. Esta rejeição por vezes até parece não existir, pois muitos falam de Deus, nações falam de Deus, igrejas falam de Deus, porém embora discursando sobre Deus, muitos ainda nem sequer o conhecem. Não somente os ateus, mas os que se dizem cristãos, precisam abrir as portas de suas vidas ao verdadeiro Cristo, pois muitos se abrem para uma ideologia cristã, um programa cristão, para uma denominação eclesiástica, para um sistema de vida diferenciado, para uma liturgia ou um tipo de culto, para um pensamento que envolva as doutrinas cristãs, mas continuam fazendo o que os moradores da cidade de Belém fizeram ao ponto de deixá-lo nascer em um dos locais mais insalubres, num curral - recinto onde se recolhe o gado. É num local imundo onde ainda mantemos o Criador-do-Universo.

Cristo precisa nascer no coração do ser humano. Porém ele é também imundo. O Santo Menino-Deus não faz caso de nascer neste local, pois assim como nascera isento de pureza física e o purificou com sua santidade, maior problema seria nascer em um local de impureza espiritual. Eis aí o coração humano – o local mais inóspito e sujo do mundo todo.

Neste Natal, ao celebrar mais uma vez a Encarnação do Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem, não deixe a sua casa desarrumada e desarranjada, cheia de imundície. Abra-se a possibilidade, com fé, de começar a conhecer a Cristo e permita que ele entre em sua casa-interior. Jogue fora a sujeira que se acumulou durante o ano todo. Somente assim você estará nascendo para quem já nasceu e morreu para que por meio da sua ressurreição você possa viver eternamente.

domingo, 8 de dezembro de 2013

PRINCÍPIOS PARA A VIDA QUE JAMAIS DEVEMOS NOS ESQUECER

Parênese por ocasião da sessão solene de Formatura no Seminário de Educação Cristã - SEC
2Tm 4:1-5: Conjuro-te diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua vinda e pelo seu reino; prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério. 

Excentíssima Sra. Daisy Santos Correia de Oliveira –  Presidente do Conselho Administrativo do SEC; Mui Digna Profa. Ábia Saldanha Figueiredo - Diretora Executiva do Seminário de Educação Cristã; Excentíssimo Prof. Ivanildo Alves Lopes, Coordenador Acadêmico do SEC, Excelentíssima Profa. Mônica Cristina Santos Torres - Patronesse da Turma de formandos 2013; Excelentíssimo Prof. Pr. Ney Ladeia – Pastor Titular da Igreja Batista da Capunga, a qual nos hospeda neste momento; Queridas formandas, querido formando, Digníssimos Professores e Professoras, funcionários e funcionárias da Casa, demais irmãos e amigos em Cristo Nosso Senhor.

Falar nestes últimos momentos quando nos despedimos de pessoas queridas com quem convivemos de perto, não é tão simples assim. Nossa vida sempre é marcada pelas saudações dos começos e pelas despedidas das conquistas. Lembro-me aqui da despedida do apóstolo Paulo dos irmãos da igreja de Éfeso quando no livro de Atos dos Apóstolos (20.17ss) narram uma das passagens mais lindas onde revela o quanto Paulo e os seus presbíteros eram amigos, mais chegados que irmãos. Paulo ali dá aos mesmos um relato sobre sua vida, conselhos e revela um coração cheio de emoção. 

Deus tem seus tempos de abraçar e tempos de deixar de abraçar. Estar no serviço do Senhor requer coragem e ousadia para que seu nome seja levado até os confins da terra e conviver com as despedidas também. 

Durante estes anos que passamos juntos, posso observar que tivemos alguns pontos em comum: Convivemos juntos nas aulas de segunda feira à noite, passamos pelas provas, provações, necessidades e alegrias. Não apenas tratamos sobre conteúdos das disciplinas, mas também compartilhamos as coisas da vida. Tivemos o privilégio de chorar com alguns e nos alegrar com todos. O Currículo do programa foi conquistado passo a passo, semestre após semestre. Sabemos que nem tudo, vocês puderam absorver completamente, mas vocês mesmos irão posteriormente usufruir das matérias estudadas como ferramentas no Campo Missionário e Ministerial. 

De agora em diante vocês começarão a andar com seus próprios pés, aprenderão na prática as questões que puderam apenas ver na teoria. A maior lição que podemos aprender é de que sempre seremos aprendizes. Enquanto formos discípulos do Mestre Nosso Senhor Jesus Cristo, sempre estaremos no nível de alunos. Aprendizes, sobretudo no conhecimento da intimidade com Deus, dos seus segredos, dos seus desejos, do seu plano. Seremos discípulos para aprender da Autoridade Divina, do Poder Divino, mas também da Misericórdia Divina.

Eu não posso esquecer de dizer sobre o cafezinho! Ah o cafezinho no intervalo! Não posso deixar de agradecer o cafezinho, às vezes com torrada, às vezes com bolachinha. Vocês sabem cuidar de seus professores. Muito obrigado!

Durante três anos, vocês viram, e ouviram muitas palavras, frases, sermões, aulas, orações, mas mesmo que vocês se esqueçam de tudo que vocês ouviram e viram, mesmo que tenham momentos de colocar em jogo tudo que vocês pensam acerca de seus ministérios, eu gostaria de deixar quatro conselhos que para mim são inegociáveis para alguém que está engajado e comprometido com o ministério missionário de Cristo, coisas que, se vocês perderem tudo, se tudo o que vocês planejarem não der certo, se aquilo que vocês esperavam não acontecer, se vocês passarem pela pressão do ministério, por provas, por aflições, seja a situação que vocês passarem aqui, ou onde estiverem nunca se esqueçam destes quatro conselhos que deixarei para vocês:

Em primeiro lugar, “Nunca abram mão de seus princípios”: 
O monge agostiniano e reformador da igreja do séc. XVI, Martinho Lutero na Dieta de Worms, quando convocado para se retratar diante do Papa e do Rei Carlos V fez a seguinte afirmação: “A menos que vocês provem para mim pela Escritura e pela razão que eu estou enganado, eu não posso e não me retratarei. Minha consciência é cativa a Palavra de Deus. Ir contra a minha consciência não é nem correto nem seguro. Aqui permaneço eu. Não há nada mais que eu possa fazer. Que Deus me ajude". 

Os métodos, formas, didática, adequações para melhorar a vida não são mais importantes que os princípios que devem reger uma vida. Os princípios a gente vai levar para o túmulo e para a vida eterna, por eles vivemos, por eles morremos. Pelos princípios que temos dentro de nós é que nos doamos a pessoas, aos projetos e planos e por outros que talvez nunca iremos conhecer. Uma pessoa sem princípios é alguém sem passado, sem presente e sem futuro. Alguém que não sabe o que é, e nem para que veio fazer aqui neste planeta. As pessoas que realizam alguma obra, um feito, deixam gravados na história os seus princípios. Quando negociamos estes princípios nos tornamos “massa de manobra” de outros que detêm o poder das massas e manipulam o povo a partir de suas paixões. Nos tornamos marionetes e fantoches da história de outros. 

Na missão de Deus, somos servos de Cristo, servos que possuem os princípios de Cristo, que embora aprendendo a submissão a Deus, não podemos deixar de reger a nossa vida por princípios que a Palavra de Deus comunica aos nossos corações. A frase histórica de Martinho Lutero nos ensina a manter a palavra até mesmo quando nossa reputação está sendo questionada e colocada em jogo. Se vocês alimentarem sua relação com Cristo e desenvolverem a comunhão com Ele, buscando ser seguros na Palavra, na confiança, no caráter, então seus princípios serão preservados e acima de tudo vocês glorificarão a Deus e serão agradáveis a Ele. Portanto não se esqueçam de viverem pelos seus princípios.

Em segundo lugar, “Nunca abandonem a fidelidade a Deus”: 
Uma das passagens bíblicas que mais marcaram a minha vida quando estudava no seminário era a de I aos Coríntios 4.2 que diz: “Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um seja encontrado fiel”. É verdade sim que para Deus ninguém é fiel, porque todos são pecadores e somente são o que são pela graça de Deus. Nossa busca pela fidelidade é o nosso ideal. Ser fiel a Deus como ideal é viver na busca de ser parecido com Cristo. Hoje este ideal de vida, isto é “ser fiel a Deus” ou se tornou coisa de somenos importância ou tem sido um mero chavão verbal usado pelos crentes e lançado ao ar sem o menor compromisso com Deus. Hoje é possível você estar na liderança eclesiástica e continuar mantendo um procedimento questionável, é possível ser um religioso, um pastor, um presbítero, um líder missionário, mas sem compromisso com Deus e Seu Reino. O texto de 1ª. aos Coríntios deve ser não apenas o lema de nossa vida, mas a motivação para nosso ministério. Pode ser que vocês não sejam ótimos e ótimas nas línguas originais, em Grego, Velho Testamento, Missiologia, mas uma coisa vocês não podem deixar de ser: fiéis a Deus. Quando digo fidelidade a Deus digo acerca de questões práticas: Como vocês estarão sendo mordomos de Deus. Como administrarão o tempo, o dinheiro que receberão, a sua profissão, o trabalho de evangelização entre tantas coisas. Como serão fiéis a Cristo na submissão às autoridades constituídas sobre vocês. Isto significa que buscar ser fiel a Deus, resulta também em uma contracultura cristã. Fidelidade até para poder se posicionar diante daquilo que é certo e daquilo que é errado. Elden Peterson diz: "Se o seu inicio foi desastroso, não se preocupe. O que realmente importa é a maneira como você irá terminar." Fidelidade não olha para quanto você faz, mas como você faz. Fidelidade não fala sobre início maravilhoso, mas em término vitorioso. Portanto nunca abandonem a busca por serem fiéis a Cristo.

Em terceiro lugar: “Nunca abandonem a Integridade”. 
Morris Mandel, um judeu polonês radicado nos Estados Unidos certa feita afirmou: "Integridade: Um nome que traz consigo um selo de tudo aquilo que chamamos de caráter. Você pergunta: ‘O que é um nome?’ Eu respondo: ‘Tudo aquilo que você faz’.

Hoje vivemos uma crise de integridade. Há muita gente com Carisma, mas sem caráter. As pessoas não estão tão preocupadas mais com esta virtude interior. Apenas vêem as coisas e as pessoas como produto de marketing. O ditado que diz que os fins justificam os meios, tem campeado até dentro das igrejas. 

Integridade é o selo de nossa vida. É o quanto você vale. Isso não significa se você é a pessoa mais completa, pois integridade não quer dizer isso. Integridade tem a ver com dignidade. A coisa mais terrível é quando o seu nome e a sua dignidade são colocadas em cheque. A integridade não se adquire da noite para o dia. É preciso tempo. É preciso experiência. É preciso levar em consideração o que já se fez, é preciso ter história. E esta história se for digna, parecida com a de Nosso Senhor, revelará o caráter de Cristo que há em você. Esta integridade deve nos conduzir a persistirmos mesmo em tempos chamados “difíceis”. Quando nos lembramos dos fariseus e saduceus da época de Jesus, vemos claramente que eles eram muito devotados a Lei ao sistema social e religioso, mas não possuíam integridade não passavam de pessoas vazias. O Rei David era íntegro não porque era completo, mas por que era sincero e verdadeiro para com Deus. Seus Salmos revelam o quanto ele o amava apesar de tantas vezes ter sido reprovado. Tantas quantas foram suas reprovações tanto quanto revelou o coração sincero para com Deus, isso é dignidade, isso é integridade. Portanto, não abandonem a busca pela integridade. 

Em quarto lugar, “Nunca percam a visão missionária”. 
A visão tem a ver com amplitude dos olhos de Deus. Nem todos estão indo aos campos missionários, mas todos devemos ver a mundo como Deus vê. Hoje o que melhor temos em nossas igrejas é a missão e visão missionárias restritas a um departamento ou um grupo que fale ou faça a missão. Para que a missão de Deus seja eficaz em nós precisamos de igrejas visionárias. A visão de Deus é que fará de vocês grandes pessoas. Não podemos olhar apenas para nossas denominações, temos que olhar para o Reino de Deus. Quando olhamos como Deus olha e vemos como Deus vê, aprendemos a nos submeter ao Espírito Santo que é como um vento que “sopra onde quer, e não sabemos de onde ele vem e nem para onde vai”. Uma das frases mais impressionantes do Pai das Missões Modernas, o missionário William Carey é: “Esperai grandes coisas de Deus, Empreendei grandes coisas para Deus”. É a visão que nos motivará a dinâmica da vida e de nossos ministérios. São as obras que são a consequência de nossa visão. É a visão que nos fará pessoas determinadas e persistentes, é a visão que nos fará correrem riscos por amor a Jesus. Portanto, jamais percam a visão missionária.

Termino com outra frase, desta vez de Lester Sumral. Ele diz: "GENTE VITORIOSA SÃO PESSOAS MUITO ESPECIAIS. SÃO AQUELAS PESSOAS QUE TEM A HABILIDADE DE VER ALEM DOS PERIGOS, DOS RISCOS, DOS OBSTÁCULOS E DAS DIFICULDADES." 

Que Deus os abençoe. Seja o que acontecer se lembrem dos seus princípios, da sua fidelidade a Cristo, da busca de uma vida com integridade e jamais deixem de ver o mundo com os olhos de Cristo, essa será a visão missionária de vocês. E esperem aquela grande declaração de Nosso Senhor quando vocês estiverem diante dele: “Servo bom e fiel, foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei”! 

Sim, mais uma vez, muito obrigado pelos cafezinhos no meio das aulas.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

“NATAL DESNATADO”


“Guarda o depósito que te foi confiado, por meio do Espírito Santo que habita em nós” (Paulo a Timóteo, II – 1,14)
Nosso tempo se caracteriza pelo esvaziamento dos conteúdos. Nossa sociedade enaltece e honra os que têm aparência, mas não tem essência. Somos a cultura da música que balança muito, mas não encanta nada. Somos um mundo de modismos que vai do sapato que usamos até o penteado que fazemos. Enfim, nossa cultura é a cultura do vazio. 

No que se diz respeito a manutenção dos costumes e da história o mundo ocidental tem perdido as tradições, os ritos de passagem e as cerimônias que fazem parte da natureza do ser humano. Logo, estamos nos desumanizando com tanta rapidez que não damos mais o devido valor a nada, por que não há mais nada de valor em que fazemos. Não há mais conteúdo.

Assim são as festas, assim é a religião. A religião que se vive não é religião. É uma confusão de ideias e a cada instante os que dominam a religiosidade do povo tem que inventar algo diferente porque a sociedade é impaciente e logo perde o “afã” pelas coisas e pelos acontecimentos. Os pregadores agora devem ser animadores de auditório a fim de atrair outros pela novidade. 

As festas religiosas como o Natal também passa pela mesma necrose. Há muito que ele já morreu, dando lugar meramente às motivações comerciais. As igrejas evangélicas já não falam dele e nem mais o querem celebrar. Não possuem lastro histórico e o consideram como uma festa mundana qualquer.

A igreja cristã primitiva e dos pais apostólicos ensinava a preservar a celebração da Encarnação de Deus. O apóstolo Paulo ensinava ao seu discípulo Timóteo a preservar o depósito da fé, as tradições que alimentavam a alma e que geravam a esperança no coração da igreja. 

Hoje somos desafiados a guardar a celebração da Encarnação de Deus como o grande acontecimento da vida para toda a humanidade. Deus se fez gente. Encarnou-se, veio para viver o que ele nunca havia experimentado antes: ser humano, plenamente humano a fim de humanizar o que homem desumanizou. 

Nestes dias, preparemos nossos corações para exaltarmos e glorificarmos ao Filho de David que é ao mesmo tempo o Filho de Deus. Aquele que abriu mão de sua glória e se esvaziou, tornando-se semelhança de homem e tendo assumido a forma de escravo foi obediente até a morte e morte de cruz. Exaltemos aquele que embora possuindo a imortalidade se fez mortal a fim de que recebêssemos a imortalidade pela fé. Alegremo-nos pelo Natal condensado, rico e verdadeiro e abandonemos o Natal que embora tão pomposo e cheio de glamour não passa de um "natal desnatado".

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

“EU CREIO NA IGREJA, DE CRISTO”


“A igreja só é igreja quando vive para os outros” (Dietrich Bonhoeffer, pastor enforcado por Hitler)

Estou na busca de um Deus que se preocupa com gente. Que é gente como a gente. Também estou na busca de uma igreja que viva como este Deus vive, pensando em gente e se relacionando com gente. Que não faz barganhas com a gente. Por isso esta busca às vezes me parece muito difícil, pois achar uma igreja que se parece com gente está difícil nos nossos dias. 

Igreja que troca a fé pelo dinheiro, que vende o sacramento, que patrulha a vida uns dos outros, que populariza os seus líderes, sim, este tipo de igreja existe por demais e das maneiras as mais diversificadas no nosso tempo. Igrejas locais que se parecem mais com empresas por que são dominadas e lideradas por pastores e líderes-executivos, há muito. Igrejas que dependem única e exclusivamente de eventos, shows de final de semana, de “alvoroços espirituais”, há muito. 

Estou na busca incansável de uma igreja onde a gente é atraído a Cristo e não ao programa da igreja. Não, com certeza, Cristo não está nos negócios de marketing delas, Cristo não está nas politicagens de seus líderes, Cristo não está nas “fofocas” da semana que seus membros tratam uns com os outros pelos celulares e whatsapps. Estou buscando uma igreja em que todos se sentem valorizados pelo que são e não pelo que possuem. Estou na busca de uma igreja onde seus fiéis não vivem de melindres, pois estão certos que se são discípulos de Cristo, precisam sempre aprender a viver sob a necessidade de disciplina e orientação.

Estou buscando uma comunidade onde todos anelam encontrar sua posição dentro do Corpo que é de Cristo e não de um corpo que depende de conchavos e sanguessugas que parasitam e paralisam as ações do verdadeiro Espírito Santo, que o espremem dentro de um corporativismo engessado e padronizado. Busco uma igreja onde compartilhamos a mesma fé, mas de experiências as mais variadas. Busco uma igreja onde viver a vida de modo simples e comum é o maior prazer de todos. Busco uma igreja onde todos estão na caminhada de aprenderem a responder a todo aquele que pedir razão da esperança que há neles. 

Estou na busca de uma igreja que está conhecendo a Cristo pela oração como meio de graça. Que faz da oração o instrumento de conhecimento do Espírito Santo e não um amuleto para que muitos se deem bem na vida. Estou na busca de uma igreja que pela sua maturidade espiritual, não está vivendo para si, para seus projetos, para sua denominação, mas para o Reino de Cristo, pois é isso que realmente importa. Por causa dele que Cristo se fez gente e se entregou por gente. É por causa dele que estou na igreja, buscando fazer da igreja um pouco do que seja o Reino de Cristo.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

LONGE DO OLHOS, LONGE DO CORAÇÃO



Conta-nos uma das parábolas de Nosso Senhor que havia um “homem rico” e todos os dias vivia na luxúria e das coisas boas da vida. Mas fora de seu portão vivia deitado um mendigo, chamado “Lázaro”, todo coberto de úlceras, o qual desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico, e os cães vinham lamber-lhe as feridas. O mendigo morreu e foi para o Paraíso e o “homem rico” foi para o Hades. Alguns acham que nesta história o fim do “homem rico” foi cruel porque ele possuía muito dinheiro e o mendigo foi para o céu porque era pobre. Ledo Engano. O “homem rico” não tinha olhos para ninguém a não ser para ele mesmo, sua fé era egocêntrica e seus pensamentos orbitavam em torno dele mesmo. 

Nesta semana os meios de comunicação anunciaram que um dos maiores tufões da história varreu as Filipinas. Milhares morreram e milhares ficaram sem casas. A mídia televisiva que geralmente é norteada pelos países ricos, pouco fala sobre isso, pois não estão interessados nos problemas dos países pobres. Quando estes mesmos problemas abatem os países ricos que estão além da “linha do Equador” a comunidade mundial lamenta-se incansavelmente e assim as orações e a assistência dos crentes parece incansável. No fim, somos mais dirigidos pela Mídia Elitizada do que pelo amor desinteressado. Nosso interesse pelos problemas dos outros só é importante quando temos algo a ganhar com a solução destes mesmos problemas. O que pensar sobre os problemas que abatem a Síria, o Sudão e a Etiópia, a seca que aflige o Sertão Nordestino e os drogados ao lado de minha casa? Eles parecem não serem tão interessantes quanto os problemas estéticos da residência de nosso vizinho mais rico. 

O que quero apontar é de que nós sofremos e oramos apenas por aqueles que nos interessamos. Portanto necessitamos aprender a ver em todos e em tudo motivos para nossa oração despretensiosa. Orar e agir despretensiosamente são parte da vida do verdadeiro cristão, daquele que como Jesus Nosso Senhor via a todos como “ovelhas que não tem pastor”. Que também estejamos atentos para que não sejamos levados pelas vozes da mídia elitizada que nos engoda.

Nossa fé deve ser a fé que considera a todos: pobres e ricos, que ora por todos, mas que também presta assistência a todos. Que o espírito do “homem rico” seja extirpado de nosso coração e que nossos olhos sejam iluminados não pela fantasia do demônio, mas pelo amor de Cristo que nos leve a sairmos de dentro de nós e nos torne instrumentos da graça que não escolhe a quem ajudar, por quem orar e a quem amar.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A INSUFICIÊNCIA DAS FORÇAS HUMANAS


Dizem os antigos homens de oração, todos a uma só voz: "A primeira coisa que deves inculcar no espírito é que nunca, de modo algum, te deves apoiar em ti mesmo. O combate que vais enfrentar é extraordinariamente árduo, e as forças humanas, sozinhas, são de todo insuficientes para conduzi-lo. Se confias em ti mesmo, serás derrubado de imediato, e perderás toda a vontade de continuar a luta. Só Deus te pode dar a vitória, segundo o teu desejo”. 

Para muita gente, a decisão de não colocar em si mesmo a confiança é um sério obstáculo, que os impede de começar uma vez por todas. É necessário perseverar, sob pena de abandonar qualquer esperança de ir mais longe. Com efeito, como poderá um homem receber conselhos, formação e ajuda se pensa que conhece tudo, pode tudo, e não tem necessidade alguma de conselhos? Através de semelhante muro de suficiência, nenhum raio de luz consegue passar.

"Ai dos que são sábios a seus próprios olhos, e inteligentes na sua própria opinião!"(Is 5:21); e Paulo nos dá este conselho: "... não vos deis ares de sábios"(Rm 12:16). O reino dos céus foi revelado aos pequeninos, mas continua oculto aos sábios e aos doutores (Mt 11:25). Devemos, portanto, nos despojar dessa confiança imoderada que temos em nós mesmos. 

Muitas vezes, ela está arraigada em nós tão profundamente, que já nem percebemos o domínio que exerce sobre nosso coração. O nosso egoísmo, a preocupação com a nossa pessoa, o amor próprio são precisamente as causas de todas nossas dificuldades, de nossa falta de liberdade interior na provação, de nossas contrariedades, de nossos tormentos da alma e do corpo. Olha um pouco para ti mesmo, e verás a que ponto estás aprisionado pelo desejo de dar prazer ao teu "eu," e somente a ele. Tua liberdade está presa pelos laços estreitos do amor por ti mesmo; assim, és balançado ao acaso. "Agora, estou com vontade de beber", "agora, estou com vontade de sair", "agora estou com vontade de ler o jornal". A cada instante, teus próprios desejos te conduzem como por meio de uma rédea; e, se algum obstáculo se coloca no caminho, imediatamente perdes a calma, sob o efeito da contrariedade, da impaciência ou da cólera. 

Se sondares as profundezas de tua consciência, descobrirás as mesmas coisas. O sentimento de desagrado que experimentas, quando alguém te contradiz, possibilita facilmente essa verificação. Vivemos, assim, como escravos. Mas "... onde se acha o Espírito do Senhor, aí está a liberdade" (2ªCor 3:17). Que proveito poderás encontrar em gravitar assim, constantemente, em torno do teu "eu"? 

Não nos ordenou o Senhor que amássemos ao próximo como a nós mesmos e que amássemos a Deus acima de todas as coisas? Mas, nós o fazemos? Não estamos, ao contrário, sempre ocupados em pensar no nosso bem-estar? Convence-te pois, de que nada de bom pode vir de ti próprio. E se algum pensamento desinteressado despertar em ti podes estar certo de que não vem de ti, mas que deriva da Fonte da Bondade, e que foi depositado em ti; é um dom daquele que dá a vida. Do mesmo modo, o poder de fazer passar ao ato esse bom pensamento, não vem de ti, mas te é concedido pela Santíssima Trindade.
(Extraído: Pais do deserto)

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O PONTO DE PARTIDA NA VIDA CRISTÃ



Atitude e Perseverança

Se quiseres salvar tua vida e conseguir a vida eterna, sacode o teu torpor e busca a Deus. Não se obtém a fé pela reflexão, mas pela ação. Não são as palavras e a especulação que nos ensinam quem é Deus, mas a experiência. Para deixar entrar o ar fresco, é preciso abrir a janela; para bronzear a pele, é preciso expor-se ao sol. Para adquirir a fé, é a mesma coisa; como dizem os antigos: “não se chega ao objetivo, permanecendo confortavelmente sentado, esperando”. Imitemos o filho pródigo: "Partiu, então, e foi ter com o pai" (Lc 15:20).

Qualquer que seja o peso e o número de cadeias que te acorrentam à terra, nunca é tarde demais. Não é sem motivo que está escrito que Abraão tinha setenta e cinco anos quando partiu; e os operários da “undécima hora” receberam o mesmo salário que os que trabalharam desde a manhã. E também, nunca é excessivamente cedo. Nunca é cedo demais para apagar um incêndio na floresta. Gostarias de ver tua vida devastada e queimada? No batismo, recebes a ordem de te lançares num combate invisível contra os inimigos da tua vida. Põe mãos à obra. Há bastante tempo, usas de subterfúgios. Mergulhado na negligência e na preguiça, desperdiçastes um tempo precioso. Só te resta recomeçar do princípio, porque lamentavelmente deixastes que se empanasse a pureza que recebestes no batismo.

Começa, pois, a trabalhar desde já, sem demora. Não adies a tua decisão para hoje à noite, para amanhã, para mais tarde, quando eu tiver terminado o que é preciso fazer agora. Um atraso pode ser fatal. Não; é agora, no mesmo instante de tomar a decisão, que deves mostrar pelos teus atos, que te despedistes do teu velho "eu" e que acabas de começar uma vida nova, à procura de um novo objetivo, seguindo novos caminhos.

Levanta-te, pois, corajosamente, e diz: "Senhor, concede-me que eu comece agora. Ajuda-me!" Porque, acima de tudo, tens necessidade da ajuda de Deus. Persevera em tua decisão, e não olhes para trás. Que o exemplo da mulher de Ló te sirva de lição: ela se transformou em coluna de sal, por ter olhado para trás (Gn 19:26). Abandones o homem velho: não retomes o que é desprezível. Como Abraão, ouça a voz do Senhor que te diz: "Deixa teu país, tua parentela e a casa de teu pai, e vá para o país que te mostrarei" (Gn 12:1). De agora em diante, é nesse país que se deve concentrar toda a tua atenção.

(Extraído: Pais do deserto)

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

ELES NÃO QUEREM UM PASTOR, QUEREM UM ESCRAVO (Renato Vargens)

"Tem gente que acha que pastor deve ser sisudo, cara amarrada, que não pode se divertir, brincar com os filhos, rir da vida, assistir um bom filme, tirar férias, contar piadas, ouvir música, viajar com a esposa, gargalhar, jogar bola, e outras coisas mais. Para estes, o pastor deveria ser um cara sem sorrisos, sem alegria, um tipo de escravo da Igreja e deles mesmos, prontos para atende-los como servos subservientes, sem direito contudo a fazer da vida uma grande celebração. Pois é, faço minhas as palavras do querido Luiz Sayao, Se por um lado alguns muçulmanos são Chiitas, por outro, alguns crentes são chaatos. Um bom dia todos!

Outro dia eu escrevi um texto sobre férias pastorais (leia aqui) e por mais incrível que possa parecer um número significativo de pessoas reclamaram considerando um verdadeiro absurdo o pastor tirar férias.

Houve alguns que disseram: "Férias pastorais? Ora, o diabo e os seus demônios não tiram férias e o pastor quer tirar?" Sou contra, bradou o fariseu da modernidade.

Noutra ocasião, um pastor amigo compartilhou que um dos diáconos de sua igreja disse: "Pastor, vamos aproveitar que o senhor está de férias e fazer uma visitinha?"

Caro leitor, lamentavelmente alguns dos evangélicos querem um escravo e não um pastor. Mesmo porque,  este tipo de gente acredita que o pastor tem que trabalhar o tempo todo sem direito a descanso, feriados  ou  lazer. Para os "workaholics" da fé, o pastor deve gastar todo o seu vigor visitando velhinhas ao final da tarde, paparicando marmanjos esquizofrênicos, além é claro de esmerar-se cotidianamente a resolver os problemas dos outros.

Esses hipócritas não vivem sem descanso, mas acham um absurdo com que os pastores dediquem parte do seu tempo as suas esposas e filhos num justo e merecido período de férias.

Infelizmente em virtude da pressão dessa corja religiosa não são poucos os pastores que perderam seus casamentos e filhos. O número de adolescentes desviados é assustador! Eu tenho um amigo pastor que perdeu o filho para o álcool, simplesmente pelo fato de ter dedicado todo o seu tempo a igreja, abandonando na esquina do esquecimento a família.

Prezado amigo,  por favor responda sinceramente: O que adianta o homem ganhar o mundo e perder os de sua casa? Lamento lhe informar que se você é daqueles que pensa que o pastor não deve tirar férias precisa urgentemente rever seus valores.

Como já afirmei anteriormente as férias pastorais são motivos de bênçãos para o ministro e para a igreja.  Sim! Isso mesmo! Para o pastor, que tem a oportunidade de renovar as suas baterias, além obviamente de investir INTEGRALMENTE na sua relação familiar. E para a igreja, que ao receber o pastor de volta o tem com gás novo pronto para um novo ano que se inicia.

Igrejas que incentivam os seus pastores a gozar de férias demonstram amor e consideração por aquele que com dedicação e esmero tem se doado a favor do reino.

Pense nisso!

... E eu acrescentaria.... ELES NÃO QUEREM UM PASTOR... QUEREM UM ESCRAVO.... E ESCRAVO EXECUTIVO...

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

DEUS FALA NO SILENCIO



“... Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som. Mesmo assim por toda terra se faz ouvir a sua voz até aos confins do mundo”. (Salmo 19.4)

Ainda me lembro, em minha adolescência, de quando ia ao sítio com meu pai para comprar leite no fim da tarde, gostava de sair de perto dele e ir “ouvir o silêncio”, por entre as árvores do sítio. Era algo tão bom, por que estava certo que isso me “alimentava”, mas era por pouco tempo. Logo que meu pai acertava a compra tínhamos que voltar para a cidade e isso já era noite. A cidade sempre foi para mim sinônimo de barulho, ruído e desordem. No princípio, o mundo foi criado por Deus no silêncio e o ser humano foi criado sem nenhum barulho. 

Contudo, vivemos no meio de uma Sociedade barulhenta e ruidosa. Somos envolvidos pela ideia de que o silêncio é consequência da ociosidade, da preguiça e da ignorância. Esta ideia também passa pelas igrejas de hoje e está presente na vida dos cristãos. Para que haja um “ambiente divino” nos cultos, muitos pensam e pregam que devemos fazer muito barulho como se isso fosse sinônimo da presença de Deus. 

Precisamos retornar urgentemente ao silêncio. Os pais apostólicos da Igreja Antiga entenderam, praticaram e ensinaram o silêncio. O silêncio é o único ambiente onde Deus se faz presente. Precisamos silenciar a nossa boca. As Escrituras Sagradas nos revelam que guardar silêncio é sinal de sabedoria. Quando aprendemos a silenciar, revelamos sabedoria. O muito falar está em muito pecar. Nossa tagarelice nos condena. O diabo trabalha com uma tempestade de ideias e muito barulho.

Mas além de calar nossas palavras, precisamos aprender também calar a nossa alma. O silêncio da alma revela uma vida estável e moderada. Uma alma agitada que não consegue se aquietar, certamente não terá como pensar e agir com sobriedade e maturidade diante dos problemas que a vida apresenta.

Nossos cultos são barulhentos demais, por que somos de coração inquieto. Somente quando aprendemos a domar o coração inquieto é que poderemos ouvir o Espírito Santo. A oração que primeiro não busca o silêncio de palavras como ouvirá o cicio do Espírito Santo? Pensamos que no muito falar a Deus que ele nos ouvirá. Ledo Engano. Neste caso somos parecidos com os pagãos, que Cristo adverte sobre o muito falar (Mat. 6.5). Não é gritando, nem fazendo muito barulho que Deus nos ouvirá, porque Deus não ouve palavras e sim o coração. Enquanto buscarmos evitar o silêncio, jamais vamos discernir as outras vozes que nos chegam aos ouvidos e querem nos dirigir. 

Deus não está fora de você, nem distante para que você tente fazê-lo ouvir. Ele está dentro de você. A sua necessidade é encontrá-lo no meio de tanta agitação de sua alma. A oração que não cala o coração ainda não produziu a maturidade própria dos que sabem que “Deus somente fala quando o coração se aquieta”.

sábado, 12 de outubro de 2013

VIVENDO A UNIDADE: RESPEITO NA DIVERSIDADE


Somos todos muito precipitados para rotular pessoas por aquilo que vemos nelas ou ouvimos delas. Geralmente este rótulo vem com determinados julgamentos pré-concebidos e preconceituosos.

No mundo, não é mais suficiente ser cristão, hoje se rotula uma pessoa pelos níveis de espiritualidade mensurados pelas coisas mais absurdas. É pela igreja que freqüenta, pela vestimenta que usa, pelos chavões que fala, pela sua pontualidade, assiduidade nas atividades de sua comunidade.

A sensibilidade anda diluída, e a confusão é tão grande que perdemos a noção daquilo que é essencial e do que é dispensável. Invertem-se os pólos e o que é essencial já não é mais essencial. A luta pela simplicidade cristã ficou de lado. Não buscamos mais a Deus pelo que Deus é, e sim pelo que Ele faz e tem que fazer, e se ele não faz, o fazem fazer. Dizem: "ele é ou não é Deus"?

Quando não vemos estes extremos, verificamos aqueles que não querendo compreender o mundo ao seu redor, com uma consciência fatalista e um espírito legalista, usam das “confissões de fé” que adotam como “escudo” para admitir para si mesmos que "o mundo não tem mais jeito”.

Parece que o melhor que tem a fazer é criarem os seus ‘guetos denominacionais’, transformando-se em "ETs" e abandonando o evangelho de Cristo quando revela sua plena humanidade vivendo plenamente sua cultura e sua religiosidade.

Em meio a tudo isso, perdemos a visão da unidade da fé e do corpo de Cristo e queremos transformar as pessoas em uma massa uniforme ignorando seus pensamentos e seu “modus vivendi”. Jesus jamais orou por uniformidade, Ele clamou pela unidade, para que seus discípulos tomassem o modelo do amor entre as personalidades da Trindade Santíssima.

Necessitamos voltar ao verdadeiro evangelho que nos permite viver a fé entre aqueles que embora sendo diferentes por meio de sua cultura e religião estão abertos a unidade do que seja o essencial da fé.


Não há missão sem unidade, unidade que respeita os limites de cada um, que não negocia a necessidade da experiência da fé, e que convive com as diferenças. Lutemos e clamemos por uma reforma na vida cristã ou sepultaremos a marca da diversidade na unidade. Que Cristo não nos impute o pecado do denominacionalismo que revela tão somente o espírito do Anticristo que o Mestre e os apóstolos previram no primeiro século.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A NECESSIDADE URGENTE DE UMA REFORMA LITURGICA

Na Grande Reforma Protestante, foi necessário reformar não somente a teologia da Igreja, mas também a sua prática, inclusive a sua liturgia. Martinho Bucer em 1524 foi um dos primeiros a celebrar o culto na língua do povo e não em Latim. Martinho Lutero publicou a ordem do culto da Santa Ceia em seu idioma alemão, em 1526.

Foi especialmente em Genebra que as Igrejas Reformadas, guiadas por João Calvino, reformaram o culto conforme os princípios da Palavra de Deus e a prática da Igreja Primitiva. Em 1542, Calvino publicou um livro de culto “A forma de orações e cânticos eclesiásticos, como a maneira de administrar os sacramentos e consagrar o casamento, conforme a prática da Igreja Antiga”. Este livro serviu para guiar as Igrejas de Cristo de volta a um culto agradável a Deus, conforme a Sua vontade revelada, em Espírito e em Verdade.

O culto reformado, quando comparado, por exemplo, com o culto Cristão descrito por Justino Mártir, um Pai Apostólico, no 2º século, é quase idêntico. As orações escritas, e as formas descrevendo o significado dos sacramentos, estão repletas de citações e referências Bíblicas.

A prática de usar a liturgia de Genebra se espalhou por todas as Igrejas Reformadas da Europa. O Presbiteriano Escocês João Knox, quando pastoreou a Igreja Inglesa em Genebra, publicou uma versão em inglês. Mas tarde, a Igreja Presbiteriana da Escócia adotou esta liturgia e formas.

Portanto, devemos nos voltar aos princípios aos quais a Reforma de 1517 fez uso. Devemos retornar aos Símbolos de Fé, ao Sacramento da Santa Ceia como elemento da Eucaristia. Vivemos a banalização da Divina Liturgia que um dia não somente inspirou os Pais da Igreja, mas norteou os Primeiros Reformadores.

A Liturgia é o Grande Encontro onde todos estão juntos elevando seus corações a Cristo e a Trindade Santíssima está presente. Voltemos a Igreja Antiga e abandonemos o culto antropocêntrico, consumista e sensacionalista. Voltemos a nos encontrar com Deus.

Rev. Luiz Augusto (adaptado: igrejasreformadasdobrasil.org

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

CURSO BÍBLICO DE ESPIRITUALIDADE CRISTÃ


Você está sem tempo de estudar a Bíblia?

Conhece-a pouco ou quer estudá-la de maneira mais objetiva e há muito tempo deseja estudá-la?

Desacreditou de estudos ou escolas sem conteúdo bíblico, se sentindo prejudicado no estilo que lhe ensinaram?

Tem dificuldade de compreender as várias maneiras que Deus fala na Bíblia?

Então... Você poderá sem problema, tomar a decisão de estudar a Bíblia de maneira clara e objetiva.

O Prof. Luiz Bueno terá imenso prazer em responder e enviará outras informações.
Trata-se de um curso on-line. Não possui “cor” denominacional ou religiosa.
Este foi cuidadosamente elaborado para pessoas como você: interessadas em conhecer e aprender da Bíblia.

O Prof. Luiz Bueno é teólogo formado pela UNICAP (Universidade Católica de Pernambuco), exerce o Ministério Pastoral há 25 anos e é pastor da Igreja Presbiteriana de Jardim São Paulo em Recife, PE.

Como você faz o Curso de Espiritualidade Bíblica?
1) Basta escrever para luizbueno65@gmail.com pedindo sua inscrição.
2) Haverá uma plataforma virtual onde você receberá as aulas.
3) Você tirará suas dúvidas com o Prof. Luiz Bueno pelo Skype, agendando previamente com ele;
4) Você receberá no final do curso seu certificado de conclusão.

Duração:3 meses

Assuntos a serem abordados:

1. Espiritualidade na Bíblia
2. Modelos de espiritualidade
3. Os pais do deserto e a oração
4. Espiritualidades contemporâneas
5. Descobrimento da espiritualidade em um contexto
6. O Espírito de Deus e a cultura
7. Intimidade com Deus
8. Saúde interior
9. Disciplinas espirituais
10. Adoração e oração
11. Peregrinação pessoal e comunidade
12. Espiritualidade e Sofrimento
13. Conflito espiritual e oração
14. Espiritualidade e Serviço

Envie um email para luizbueno65@gmail.com e peça o programa do Curso

ESPIRITUALIDADE - DISCIPLINAS ESPIRITUAIS




O que é? Qual a diferença entre espiritualidade e religiosidade?

Ler a bíblia, orar e ir à igreja são práticas devocionais ou disciplinas espirituais, e estas são meios de se exercer a espiritualidade. Espiritualidade é um processo mais amplo! Na história da igreja, temos 17 (dezessete) disciplinas espirituais e elas são, apenas, meios, através dos quais nós vivemos a nossa espiritualidade.

A pessoa religiosa participa de todas atividades, mas não tem um relacionamento com Deus. A prática devocional ou as disciplinas espirituais pressupõe um relacionamento com o Senhor. O preconceito se dá em cima de impressões ou conceitos negativos. 

Espiritualidade: Um Processo composto de 4 etapas: Trata-se de um processo cíclico, que se retro-alimenta numa cadeia aspiral, crescente.

ETAPAS

1ª) SEDE (de Deus): Esta sede é posta pelo próprio Deus ao nos criar (sede do transcendente). Segundo Platão, o perigo de se envolver com o mundo das coisas é esquecer do mundo ideal (das idéias, que é igual a eternidade; saudade de um Deus que entre no nosso vazio). Todas as pessoas têm um nível de espiritualidade! No nível da SEDE, temos a infância espiritual (infante).

2ª) ESTA SEDE, POR SUA VEZ, PRESSUPÕE UMA BUSCA: A BUSCA do outro, do nosso semelhante, deve ser respeitada, em seus processos (através do nosso olhar, tom de voz, de nossos gestos, etc.). A SEDE que leva à BUSCA tem o significado da adolescência espiritual. Algumas características desta BUSCA é Insegurança, Rebeldia, Querer provar de tudo, etc.

3ª) QUEM TEM SEDE E BUSCA, DESEMBOCA NUMA EXPERIÊNCIA!: É neste nível, que se dá a EXPERIÊNCIA, que, em si, traz o significado da juventude espiritual. Algumas características: Desejo de Definições instáveis e Maturidade incompleta. A espiritualidade cristã começa aqui, nesta etapa; ou seja, na Experiência que passa, necessariamente, por um encontro com o DEUS TRINITÁRIO! NÓS SOMOS O ÚNICO MONOTEÍSMO TRINITÁRIO! Observação: A nossa dificuldade é provar que DEUS é TRINO! Toda EXPERIÊNCIA com Deus tem que ser com o Deus-Pai, Deus-Filho e Deus-Espírito Santo.
("EX" – sair) + ("PERI" – ao redor) + ("CIÊNCIA" – conhecimento) = EXPERIÊNCIA.

4ª) RELAÇÃO: Nesta quarta etapa se dá a maturidade espiritual. Quem fundamenta a RELAÇÃO é a própria relação, onde é Deus quem controla a re-lação, e aonde se vai construindo uma ligação sólida e profunda. O que sustenta esta relação é o vínculo. A nossa relação com Deus não deve estar baseada em "sensações".  

Rev. Eduardo Rosa Pedreira
Recife, 29 de março de 2006

sábado, 5 de outubro de 2013

CREDO DE NICÉIA



Primeira Confissão da Cristandade (ano de 325)

Cremos em um só Deus, Pai, Todo-Poderoso, Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis.

Cremos em um só Senhor Jesus Cristo, o unigênito Filho de Deus, gerado pelo Pai antes de todos os séculos, Luz da Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado, não criado, de uma só substância com o Pai, pelo qual todas as coisas foram feitas; o qual, por nós homens e para nossa salvação, desceu dos céus, encarnou pelo Espírito Santo  no seio da Virgem Maria, e se fez homem. Foi crucificado por nós sob Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras. Subiu aos céus e assentou-se à direita do Pai, e de novo há de vir com glória para julgar os vivos e os mortos, e o seu reino não terá fim.

Cremos no Espírito Santo, Senhor e Fonte de Vida, que procede do Pai e que com o Pai e o Filho conjuntamente é adorado e glorificado. Foi Ele que falou através dos profetas. 

Cremos na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica. 

Confessamos um só batismo para remissão dos pecados. 

Esperamos a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir. 

Amém.

A ORAÇÃO PELA UNIDADE



“para que sejam um...” João 17.20-23

O último desejo de Jesus em oração pelos seus discípulos foi pela Unidade como marca característica de seus discípulos. Em sua oração sacerdotal Cristo pede ao Pai que nós manifestássemos a fé a partir de  nossa identidade como Corpo de Cristo. Sem unidade não há corpo, não há verdadeira realização, Deus não pode agir no mundo. Portanto a unidade torna-se a condição “sine qua non” para que nós hoje realizemos nosso testemunho e cumpramos nossa missão. 

Por que então devemos buscar a unidade?

1. Porque a Unidade reflete a presença de Deus. Cristo ora “para que sejam um e como és tu ó Pai em mim e eu em ti”. Ele também disse: ”onde houver dois ou três reunidos em meu nome ali estarei no meio deles”. Assim como o relacionamento entre as pessoas da Santíssima Trindade existe por meio do amor que é nutrido entre eles. Então cremos que esta unidade necessita ser espiritual e homogênea. A Igreja em unidade é o reflexo do próprio Deus.

2. Porque a Unidade promove o testemunho da igreja no mundo. Jesus diz: “para que o mundo creia que tu me enviaste”. A igreja não utilizava de métodos ultramodernos, cruzadas ou campanhas evangelísticas para o testemunho, somente procuravam viver em comunhão, unidade. (At 2.42-47; At 4.32-35).

3. Porque a Unidade em nós conduz-nos ao aperfeiçoamento espiritual (17.23). Nossa fé não é uma fé individualista, é uma fé que se conduz e se produz por meio da comunidade. Então a convivência, o amor e exortação, a renúncia e doação devem fazer parte de nossa fé. Somos um povo que se conduz através do amor ágape. (Fil 2.1-8).

Portanto, a igreja somente será igreja quando aprendermos o caminho do esforço pela unidade. O Apóstolo Paulo já afirmava: “Esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz”. (Ef 4.3). Somos hoje levados a repensar nossa missão por causa de nossa falta de unidade. Um reino não pode subsistir, já dizia o Senhor! 

O que você está fazendo em prol da unidade? Santo Agostinho, um dos teólogos da igreja já afirmava: “Unidade nas coisas essenciais, Liberdade nas coisas não essenciais e Amor em tudo”. Você não precisa ser uniforme com seu irmão, mas naquilo que é essencial você tem o dever de desenvolver a unidade. O Credo Niceno é o fundamento principal para que sejamos um. Faça algo em prol da unidade. Desenvolva uma fé que consegue viver na diferença do que não é essencial e você será maduro espiritualmente.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

UM REINO DE CABEÇA PRA BAIXO


“E suscitou-se entre eles uma discussão sobre qual deles seria o maior”. Lucas 9.46

A igreja cristã desde os seus primórdios sempre compreendeu muito mal as palavras “serviço” e “poder”. Essa má interpretação gerou muitos desvios e atitudes que não somente trouxeram perdas para a igreja como também foi uma tragédia para a humanidade. Devido a esta questão, a igreja em nome de Deus matou e ainda mata. Essa discussão é tão antiga quanto é o relacionamento entre o ser humano e o próprio Deus. Mas é na relação entre Cristo e os seus discípulos que ficou muito bem claro o que Deus pensa deste binômio e o seu ensino sobre o Reino de Deus. Este é o que chamamos de o “reino de cabeça para baixo”, pois todos os princípios são valores invertidos e incoerentes para a visão do mundo e da sociedade. Portanto a igreja que é uma agência do reino de Deus na terra deve lutar por espelhar e manter estes princípios paradoxais entre os discípulos de Cristo. 

1) No reino de Cristo, somente aquele que serve ao seu semelhante é o que recebe “poder”. O ‘poder’ que chamamos de ‘capacitação’, não é concedido para aquele que apenas tem o nome de cristão, mas sobretudo para o que está disposto a servir. ‘Servir’ então é o maior sinal do ‘poder’ de Deus. Não há poder de Deus senão em prol do serviço. O poder somente existe para capacitar os que são servos a servirem as pessoas em suas necessidades. Se alguém serve seu semelhante aí o poder de Cristo reside.

2) No reino de Cristo, somente é considerado “grande” quem dá a vida pelos outros. Em suma, aquele que está em serviço contínuo ao semelhante é que será considerado o maior. Porque Cristo foi considerado o “Senhor”? Por que se entregou pela humanidade, deu sua vida pelos outros, porque aprendeu o serviço. Na escala de valores ninguém que está presidindo pode presidir se nele não são encontradas as obras de serviço. 

3) No reino de Cristo, não há espaço para os “sanguessugas”, para a exploração do outro, para usar o semelhante como “massa de manobra”. Se isso acontece, mesmo dentro da igreja, há muito esta se tornou uma “sinagoga de Satanás”. O reino de Cristo somente está presente no mundo porque os que pertencem a ele se dedicam em prol dos outros, da reconciliação, da reconstrução do ser humano, do bem e da verdadeira paz. 


Portanto, precisamos extirpar qualquer ensino e conduta que enfoque o ser humano como o centro de tudo. Quando manifestamos outro sentimento ou comportamento que não seja o serviço ao semelhante, podemos parecer com o reino de Cristo, mas na verdade somos parecidos com o time de Satã. Precisamos renunciar a uma liderança que oprima, que seja mesquinha, interesseira, exploradora, que venda o sacramento aos fiéis, que tome para si um “poder” que não é o verdadeiro serviço de Cristo. Se quisermos uma liderança eclesial verdadeira, ela será a primeira a servir e não a ser servida. Precisamos nos identificar com Cristo e não usarmos Seu nome e Seu reino para tirarmos proveito das coisas e das pessoas. Precisamos aprender a nos doar mais pelos outros. Temos que banir de nosso coração o egocentrismo, pois estar no centro das atenções é próprio de um coração que não conhece de verdade a Cristo. 

Nas palavras de Francisco de Assis necessitamos em todo momento, pedir que o Senhor faça de nós um instrumento de Sua paz. Onde houver Ódio, que levemos o Amor, onde a Ofensa, que levemos o Perdão. Onde a Discórdia, que levemos a União. Onde a Dúvida, que levemos a . Onde o Erro, que levemos a Verdade. Onde o Desespero, que levemos a Esperança. Onde houver Tristeza, que levemos a Alegria. Onde as Trevas, que levemos a Luz. Que busquemos mais consolar, que sermos consolados; mais compreender, que sermos compreendidos; mais amar, que sermos amados. E que possamos aprender que é dando, que recebemos. Que é perdoando, que somos perdoados e que é morrendo, que vivemos para a vida eterna

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

RASGUE SEU CORAÇÃO



“E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes”. Joel 2.12

Lemos frequentemente na Bíblia que Javé pedia por meio de seus profetas que seu povo Israel mantivesse um relacionamento profundo com Ele e isso não poderia ocorrer sem começar do coração. Essa necessidade é fortemente enfatizada por Jesus Nosso Senhor nos Evangelhos. De fato, o que retemos neste ensino é que não há qualquer possibilidade de entrarmos em um relacionamento verdadeiro com Deus se não através do íntimo, que pode significar “recôndito”, “oculto” ou “coração”. Contudo, apesar de Seu povo Israel reconhecer que Deus pedia antes de tudo o coração, poucos foram aqueles que conseguiram se relacionar com Javé.

Um dos momentos mais fortes na história de Israel é a profecia de Joel. Embora a nação israelita praticasse suas formas de adoração, sacrifícios e holocaustos ao Senhor, liturgicamente, o relacionamento com Deus era superficial. Por isso Joel, drasticamente pedia ao povo: “rasguem o coração e não apenas as suas vestes”. Isto é, ademais de toda forma litúrgica pois isso era necessário, os israelitas o faziam sem nenhum eco interior. “Rasgar as vestes” que era uma das práticas litúrgicas que significa humilhação e conversão a Deus tornara-se apenas um teatro, um rito frio e programado. 

Jamais devemos aniquilar as Liturgias e nossos cultos, sejam eles coletivos ou pessoais, por que tudo que fazemos possui um rito. O ritual é necessário para nos dar direcionamento com o que fazemos e como fazemos para Deus. O Ritualismo é o desvio do ritual. Porém é necessário “rasgar o coração”. Vejamos por que:

1. Rasgar o coração é dispor o coração a um quebrantamento permanente e não apenas um sentimento de tristeza emocional. O que significa então que rasgar o coração é se despir de preconceitos, da amargura e do orgulho pessoal que envolve nosso íntimo e não nos permite viver a experiência da fé verdadeira. 

2. Rasgar o coração também significa dispor o coração a um culto sincero e não apenas estético, teatral, de aparência. Rasgar vestes sem sinceridade é manter o coração impuro e enganoso, na busca de sensações que não são verdadeiras e sim imaginárias e fantasiosas. O demônio lança-nos a uma espiritualidade mentirosa e de sensacionalismo.

3. Rasgar o coração é dispor o coração a uma mudança interior e não exterior. Os sacerdotes rasgavam seus vestidos dentro do culto, mas era apenas teatro. Não havia mudança interior. Não havia realização em prol do necessitado, não havia melhoramento de seus relacionamentos pessoais, não se praticava mais a caridade, as pessoas continuavam interesseiras pensando em si e não no próximo. Mantinham os mesmos procedimentos nos negócios e no trato com a comunidade. 

Hoje a igreja precisa “rasgar o coração”. Adoração não pode ser confundida com “show”. Os que dirigem os cultos não podem querer aparecer mais do que Cristo. Muitas pessoas estão em busca de “espaço para cantar”, para “pregar” e dizer o que se pensa sobre isso e aquilo. Os cultos de oração estão abarrotados de pessoas que querem mostrar muita eloquência, palavras bonitas e no fundo não passam da figura do Fariseu que orava de si para si. Cristo os desconhecia. 

Rasgar o coração é uma luta diária. O coração é enganoso e corrupto. (Jeremias 17.9). Você e eu precisamos colocar nosso coração diariamente no lugar certo e para isso precisamos de uma espiritualidade que nos discipline. Precisamos de exercícios espirituais que nos levem a enxergar o real estado de nosso íntimo e tratar o pecado como pecado e não vermos a graça de Deus como uma “graça barata” e Deus como um “bonachão”. 

Kyrie Eleison (Senhor, Misericórdia).

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

NÃO SOU MAIS EVANGÉLICO

Depois de 25 anos de ministério como pastor, devo manifestar minha opinião pessoal quanto ao que se ouve, se fala e se vê dentro do movimento evangélico brasileiro. Devo admitir em prol de minha sanidade física e espiritual bem como para a comunidade a qual pastoreio que não posso mais fazer parte do movimento evangélico atual por algumas razões: 

1. O movimento evangélico brasileiro se transformou em um “negócio em nome de Deus”. Não posso vender o sacramento. Nunca fui autorizado a fazer negócio com o Reino de Deus. Não posso suportar mais esse estilo de vida. O movimento evangélico só ambiciona “lucro” seja de que tipo for: financeiro, social ou mesmo de cunho propagandista. O movimento evangélico tornou-se a Babilônia do Apocalipse.

2. O movimento evangélico é uma “massa de manobra” para muitos líderes que usam de sua liderança para explorar as carências humanas. Os púlpitos tem sido usados para isso, seja nas chamadas denominações tradicionais seja nas chamadas pentecostais ou neo-pentecostais. Não posso fazer parte de um movimento que usa o nome de Deus para violar a sanidade mental das pessoas que foram criadas à imagem e semelhança de Cristo, seja nas reuniões de orações, seja em qualquer evento realizado.

3. O movimento evangélico é pragmático e desonesto. É inadmissível que pastores e fiéis de determinada denominação vivam “pescando no aquário de outros” com o propósito de “encher o rol de membros da sua igreja”. O Movimento é pragmático e proselitista porque usa de uma evangelização desonesta como base de toda e qualquer “ação pastoral”. Estão mais preocupados com números de pessoas do que com o pastoreio e o cuidado das mesmas.

4. O movimento evangélico é idolátrico. Essa idolatria se manifesta pela música e por meio dos “cantores gospel” aos quais cobram cachês altíssimos para produzirem seus shows que nada mais são do que a manifestação da luxúria em nome de Deus. Enquanto for pastor de uma igreja, nenhum destes indivíduos cantará em um culto por mim dirigido. Deus quer ser adorado por corações humilhados. Não há adoração quando o homem é exaltado e idolatrado. Onde há vaidade, Deus não está presente.

5. O movimento evangélico é pobre na sua mensagem. Recuso-me a usar chavões evangélicos como: “Amém? Está fraco: AMÉM?”. “Quem quer receber uma bênção de Deus hoje, levante a mão”. “Existe a lei da semeadura, e o número da conta é…”. “você nasceu pra ser cabeça, não cauda!”. ”Esse acidente aconteceu porque você deve ter dado brecha”. “O Diabo quer lhe destruir”. “Estou vendo uma obra de bruxaria em sua vida”. “Vamos quebrar as setas inimigas”. “Nada vai impedir que você seja um conquistador”. “Não há nada de errado com o dinheiro; o único problema é o amor ao dinheiro”. “Nossa denominação ainda vai conquistar o mundo”. “Nós somos um povo que não conhece derrota”. “Venha para Jesus e pare de sofrer”. “Você é filho do Rei e não merece estar nessa situação”.”Temos a visão de conquistar a Europa para Cristo”. “Essa doença não existe, ela é apenas uma ameaça do Diabo”. “Deus está nos dirigindo para abrirmos uma igreja em...”. “Vamos amarrar os demônios territoriais que estão sobre o Brasil”. “Todos os que fizerem a campanha das sete semanas alcançarão seus sonhos”. “Compre esta Bíblia fantástica com os comentários de…”. “Estamos num mover apostólico e o avivamento brasileiro é semelhante ao do livro de Atos”. “Teremos uma explosão de milagres na maior concentração religiosa da história”. “Coloquemo-nos em pé para receber o Grande Homem de Deus, fulano de tal, com uma salva de palmas”. “Quando vejo essa multidão de quinze mil pessoas, só tenho vontade de dizer que amo cada um de vocês”. “O Reino de Deus precisa de um candidato na Câmara; vamos eleger nosso irmão que vai fazer a diferença”. “Deus abrirá uma porta de emprego para você, meu irmão”. “Os Estados Unidos são uma bênção porque o presidente deles é crente”. “Tudo é miçanga, só Deus é joia”. “Não sou dono do mundo, mas sou filho do dono”. “Olhe para o seu irmão do lado e diga: Eu amo você”!

6. O movimento evangélico tornou-se um movimento legalista e de patrulhamento. Não estarei me submetendo a padrões de pensamento, de comportamento e de espiritualidade policiada. Não serei patrulhado pelo que penso ou deixe de pensar. Não farei parte dos que se submetem aos cabrestos teológicos.

7. O movimento evangélico é pagão. A cada dia se torna mais e mais mundano. É mundano e se seculariza, diluindo a fé e seu conteúdo em nome da propaganda, na busca de ser bem aceito pela sociedade. Não promoverei nos cultos e liturgias por mim dirigidas nenhum atrativo coreográfico de danças, shows, pessoas ou títulos. Não me comprometo em pregar posicionamentos teológicos, fazer propaganda denominacional do púlpito e sim unicamente a Cristo e seu evangelho. Não suportarei o uso de elementos tecnológicos para chamar atenção das pessoas, ou levá-las a um transe coletivo sensacionalista. 

Por essas razões e por outras mais não estarei mais me denominando evangélico. Buscarei continuamente a glória de Cristo e de seu evangelho onde quer que eu esteja. Que o Senhor me ajude.

Recife, 13 de setembro de 2013
Para esclarecimento do que estou escrevendo, em primeiro lugar não escrevi esta reflexão por que desejo "consertar" o movimento evangélico atual, pois entendo que este abandonou a fé  dos primeiros pais, por isso é apóstata e consequentemente herético. Com respeito a heresia trato o movimento como os  apóstolos e pais  apostólicos trataram como ferramenta de Satanás.  A ele e seu movimento custará o fogo do inferno.

Também quero manifestar meu repúdio contra os teólogos ou pensadores covardes que embora desejem me intimidar com comentários críticos,  não tem a coragem de Cristo para assinarem o que escrevem e por isso seus comentarios não serão publicados.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

ORAÇÃO UNÂNIME - O que é um culto de oração verdadeiro?



“Tendo entrado na cidade, subiram a sala de cima, onde costumavam ficar,[...] unânimes, perseveravam na oração, os discípulos com algumas mulheres, entre as quais, Maria, a mãe de Jesus e com seus irmãos”. Atos 1.13, 14. 

O primeiro grande desafio para nós, cristãos, é aprendermos a orar. A oração não é meramente uma simples conversa com Deus. É um encontro profundo, marcante, poderoso e contemplativo. Mas o segundo grande desafio tão importante quanto esse é orarmos juntos. Para isso entendemos a oração não apenas como um encontro de uns com os outros, mas de todos com a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Portanto, algumas lições nós temos que aprender e continuamente nos lembrar:

1) A oração em conjunto, necessita ser uma oração unânime, isto é, devemos desenvolver um mesmo espírito, uma só fé, um só pensamento. Para que Deus nos ouça unanimemente, é essencial que tenhamos uma mesma visão de Deus, abrindo-nos para um encontro espontâneo e voluntário.

2) As orações podem ser espontâneas, mas também podem ser orações escritas. Devemos usar as orações escritas, uma vez que nossa mente sempre tende ao imaginário e a ao sensacionalismo. As palavras são o carro chefe de nossos pensamentos. As palavras e orações podem ser repetidas. O problema é a vã repetição, a palavra dita mecanicamente. Jesus nos proíbe disso, uma vez que nossas leituras bíblicas e nossas orações podem ser também mecânicas se não forem absorvidas pela mente e pelo coração. Então o problema não são as orações escritas, o pecado está na leitura e na palavra dita de modo inócuo e sem valor. As palavras não podem ser usadas como amuletos. Esse perigo corre aqueles que usam “chavões espirituais”.

3) O grande entrave para a oração em conjunto é a “vaidade”. Quando oramos, também estamos ensinando outras a orar. A oração em conjunto deve eliminar as barreiras intelectuais e culturais que talvez existam entre nós. As orações escritas e espontâneas devem ser palavras comuns, pois as pessoas que nunca oraram estarão desejosas para orarem da mesma forma, assim não haverá barreiras culturais ou intelectuais. Há também as barreiras “pseudo-espirituais”. Algumas pessoas não oram com outras por pensarem que as que oram são “mais espirituais e as mais consagradas”. Isso é um verdadeiro desastre na igreja. Isso deve ser dissipado pelo espírito daqueles que estão juntos para orar. Há também as que chamamos de barreiras antipáticas. O acolhimento e a empatia é um fator preponderante para o crescimento na maturidade e a aceitação de cada um. Ser solidário com as intenções de um irmão que pede oração é importante. Sentir o que o outro sente é fundamental no encontro de oração.

Enfim, nossas orações devem ser reunidas todas na Oração Dominical, pois ela deve conter de fato todos os nossos desejos maiores e nossas intenções. Portanto haverá uma igreja verdadeira, quando houver irmãos que orem juntos. Quando estamos juntos em UM Corpo, em UM Espírito, em UMA só esperança, em UMA só fé, em UM só batismo, tudo em nossa volta será mais forte, pois entramos juntos num ambiente onde a ÚNICA igreja dos céus e da terra está em oração e adoração unânime e seremos aqueles fiéis que o Senhor deseja encontrar quando voltar. Não desprezemos a prática da oração, seja individual, seja em conjunto.

Ressurreição e Missão

“Então o lobo morará com o cordeiro” (Isaias 11.6)  Há uma crença equivocada na Doutrina da Ressurreição. Entre os cristãos atuais tra...