Meu filho, foge de todo o mal ou daquilo que se assemelha ao mal. Não sejas irascível, porque a cólera leva ao crime. Não sejas ciumento, conflituoso ou violento, porque dessas paixões nascem os homicídios. Meu filho, não sejas sensual, porque a sensualidade é o caminho para o adultério. Não uses uma linguagem licenciosa, nem tenhas um olhar atrevido, porque também isso engendra adultério. [...]
Resguarda-te dos encantamentos, da astrologia, das purificações mágicas; recusa-te a vê-las e a ouvi-las, pois seria [...] perderes-te na idolatria. Meu filho, não sejas mentiroso, porque a mentira conduz ao roubo. Não te deixes seduzir pelo dinheiro nem pela vaidade, que também incitam a roubar. Meu filho, não murmures contra os outros, pois tornar-te-ás blasfemo. Não sejas insolente nem malévolo, pois isso também conduz à blasfémia.
Usa de mansidão: «Felizes os mansos, porque possuirão a Terra» (Mt 5,5). Sê paciente, misericordioso, sem malícia, cheio de paz e bondade. Respeita sempre as palavras que ouviste do Senhor (Is 66,2). Não te engrandeças, não abandones o teu coração ao orgulho. Não te alies aos soberbos, mas frequenta os justos e os humildes. Recebe os acontecimentos da vida como dons, sabendo que é Deus quem dispõe todas as coisas.
Didaque (c. 60-120). O Ensino dos primeros apóstolos.