sábado, 21 de julho de 2018

HUMILDADE

"O meu servo não quebrará a cana já fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega [...]; e as nações colocarão a esperança no seu nome" (Profeta Isaias 42.3)

Quero abrir a boca, irmãos, para vos falar do altíssimo assunto da humildade. E estou cheio de temor, como quem sabe que vai falar de Deus com a língua dos seus próprios pensamentos. Porque a humildade é a roupagem da divindade. Fazendo-se Homem, o Verbo revestiu-se de humildade. Por ela, viveu connosco no seu corpo. E todo o que vive na humildade torna-se verdadeiramente semelhante àquele que desceu das alturas e cobriu a sua grandeza e a sua glória com as vestes da humildade, para que, ao vê-lo, a criação não fosse consumida. Porque a criação não teria podido contemplá-lo se Ele não tivesse tomado sobre si a humildade e não tivesse vivido com ela: não teria sido possível olhá-la face-a-face; a criação não teria ouvido as palavras da sua boca. [...]

Por isso, quando a criação vê um homem revestido da semelhança do seu Mestre, honra-o, tal como o fez ao Mestre, que viu viver revestido de humildade. Com efeito, que criatura não se deixa enternecer diante do humilde? Contudo, enquanto a glória da humildade não se tinha revelado a todos em Cristo, desdenhava-se desta visão tão cheia de santidade. Mas agora a sua grandeza elevou-se aos olhos do mundo. Foi concedido à criação receber, pela mediação do Homem humilde, a visão do seu Criador. Por isso, o humilde não é desprezado por ninguém, nem sequer pelos inimigos da verdade. Aquele que aprendeu a humildade é honrado por causa dela, como se tivesse sobre si uma coroa e vestes de púrpura.
Isaac o Sírio (século VII)
próximo de Mossul, Iraque

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