Em nossa vida vamos encontrar muitas
situações de alegria e paz, contudo não podemos nos esquecer de que ela possui
também seus engodos e seus enganos, suas tentações e seus laços. Um deles é o que
a Bíblia chama de “laço do passarinheiro”.
Uma figura que nos traz a mente as
armadilhas e os alçapões usados pelos caçadores atrás de suas caças. O laço do
passarinheiro é um termo usado no Antigo Testamento para exemplificar o modo
como o Salmista via seus inimigos e adversários, prontos para matá-lo. Trazendo
para nosso tempo, o “laço do passarinheiro” - na verdade - pode ser considerado
toda à situação ardilosa como as armadilhas, tentações, chamadas e provocações
que pessoas e mesmo o inimigo de Deus nos propõe com o intento de conseguir arruinar,
prender, escravizar e matar, destruindo-nos.
Há muitos que se deixam prender
pelos “laços dos passarinheiros”. Há muitos que em troca de suas “iscas” acabam
por perecer dentro de um alçapão. E nestes últimos dias, vimos um laço de passarinheiro
que “deu certo”.
A tragédia de Santa Maria foi uma
armadilha muito bem montada para arrastar 235 vidas para a morte. Em troca do
prazer sem limites, 235 jovens foram presos e arrastados para o fim. Eram
jovens, tinham todo um futuro pela frente, mas que encontraram a morte num
alçapão chamada “boate”. Para que isso ocorresse, outros laços de passarinheiros
foram montados e ainda permanecessem. A juventude levada pela música, pelos
desejos e paixões, pela fama, pelo prazer sem limites, não se dá conta dos
perigos e riscos que estes laços oferecem. O sistema político vigente e o
consumismo revelado pela Mídia, as casas de shows sem qualquer fiscalização,
seus os proprietários vorazes pelo dinheiro e as bandas, pouco estão se
importando com a tragédia. Estão preocupados com o dinheiro e com muito
dinheiro, seja na oferta dos shows para entreter os jovens “passarinhos” seja para
corromper o poder público que se deixa levar pelo vil metal.
Nestes dias, os laços estão armados.
Os meios de comunicação estão oferecendo-os e cabe cuidar para que nem você,
nem os seus, fiquem presos em nenhum alçapão da morte. As drogas, o sexo fácil,
as possibilidades hedonistas são irrestritas. Como nossos filhos estão reagindo
a isso? Quantos adolescentes e jovens se deixam levar pela bebida que leva a
droga, que leva a uma vida escravizada eternamente?
Cuidado com os passarinheiros e seus laços. Na verdade, não são eles os
responsáveis por tragédias. Somos nós mesmos, como já avisava São Tiago:
“Cada um, porém, é tentado pelo próprio
mau desejo, sendo por este arrastado e seduzido. Então esse desejo, tendo
concebido, dá à luz o pecado, e o pecado, após ter se consumado, gera a morte.
Meus amados irmãos, não se deixem enganar. Toda boa dádiva e todo dom perfeito
vêm do alto, descendo do Pai das luzes, que não muda como sombras inconstantes.
Por sua decisão ele nos gerou pela palavra da verdade, a fim de sermos como que
os primeiros frutos de tudo o que ele criou”. (1:14,16).
Choremos os jovens mortos, oremos por suas famílias, mas, cuidemos
espiritualmente uns dos outros para que não caiamos nas redes e nem nos
alçapões armados, mostrados pela Mídia e pelos seus inventores de fantasias.
Nestes tempos apocalípticos lembremo-nos das palavras do livro profético: “Continue
o injusto a praticar injustiça; continue o imundo na imundícia; continue o
justo a praticar justiça; e continue o santo a santificar-se”. “Eis
que venho em breve! A minha recompensa está comigo, e eu retribuirei a cada um
de acordo com o que fez. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o
Princípio e o Fim”. (Apocalipse 22.11-13).
