De acordo com os ensinamentos de Jesus, Nosso
Senhor, a riqueza não é seguro de vida e muito menos demonstra se estamos
cumprindo a vontade de Deus ou não. Para os cristãos nem sempre a riqueza é
sinal de benção divina; é, muitas vezes, causa de perdição.
Jesus inicia uma parábola contando que certo homem
teria uma ótima colheita, mas que não teria celeiros suficientes para
armazená-la, já que os que possuía já estavam abarrotados. Pensou então em
construir celeiros maiores e estocar suas riquezas para depois desfrutá-la,
comendo e bebendo. Seu erro está focado em um horizonte terreno. A ele o que
importa é o ter, é o comer e o beber, é sugar da vida todos os prazeres que lhe
são oferecidos. Trabalhou durante anos, acumulando bastante para depois
desfrutar.
Diante desta maneira de pensar a vida, o próprio
Deus responde: "Insensato"! Não somos donos da vida. A nós não coube
estabelecer seu inicio e nem cabe a nós estabelecer seu fim. A morte faz parte
da vida; ela é inerente à realidade; nem dela pode fugir ou adiar seu curso. A
morte revela o quanto a vida tem uma dimensão finita, mensurável pelo tempo e
limitada pelo espaço.
O cristão deve olhar a vida como dom de Deus e não
como propriedade sua. Se é dom de Deus, a Ele devemos prestar contas. A nossa
preocupação não deveria ser como o do rico da parábola: acumular tesouros para
o mundo. Esses tesouros são bens temporais e devem ser vistos e aceitos como
tais, isto é, contingentes, efêmeros, transitórios, passageiros. O que de fato
são perenes e duradouros são os tesouros que "nem a traça nem a ferrugem
corroem".
O fato de possuirmos "bens materiais" não
é condenável. Torna-se prejudicial, porém, quando nos deixamos possuir por
eles. O avarento, o cobiçoso não possui, mas é possuído por seus bens e
desejos. O apego é colidente com a caridade, com a doação e com a entrega.
É necessário que nossa relação com os bens deste
mundo não se tornem obstáculos à relação filial que temos com nosso Deus e que
eles sejam apenas e somente meios para melhor promover a dignidade humana e,
jamais um fim em si mesmos.
Nosso tesouro é Deus e embora carreguemos este
tesouro em vasos de argila, como revela-nos o Apóstolo Paulo, é preciso que
haja plena confiança n'Ele e em sua Providência. Esta confiança é uma condição
para que resistamos aos apelos consumistas e ao apego material em geral de
nosso tempo e de nossa sociedade. A base da confiança do homem está na certeza
da fidelidade de Deus.
Facilmente os homens denominam de "ricos"
os que possuem bens, os que têm posses e por terem tanto são tratados de
maneira singular, especial, muitas vezes em detrimento dos demais. Para Deus
rico é aquele que, com o que é seu, ajuda aos que pouco ou nada têm. "Quem
se compadece do próximo, empresta a Deus" (Pr 19,17).
Ricos ou pobres, afortunados ou não, todos nós nos
depararemos com a realidade da morte. Não levaremos nada de material. Oxalá,
não sejamos nós a ouvir que fomos "insensatos", quando deveríamos ser
prudentes ao acumularmos tesouros que aprouve ao Criador nos confiar.
Para Nosso Senhor Jesus, o que importa não é quando
damos, mas quanto nós acumulamos.
(Extraído: ECCLESIA)