sábado, 30 de outubro de 2010

A MISSÃO DE DEUS NO CATIVEIRO

O exílio babilônico foi um ponto decisivo na história de Israel. Jerusalém foi destruída por Nabucodonosor por volta do ano 600 a.C. Depois de 70 anos, uma parte dos judeus retornou à sua terra, porém a maioria preferiu permanecer no exílio, por razões diversas.
Eventualmente chegaram a representar 7% do Império Romano. No ano 70 AD um historiador relatou: “É difícil achar um único lugar sobre a terra habitada que não tenha dado lugar a essa raça de homens (Israel) e não seja possuído por ela”.
Foi durante esse período que a Missão de Deus por meio da nação de Israel mudou completamente. Em vez das nações afluírem a Jerusalém para aprender a Lei do Senhor, direta e indiretamente a Lei foi levada pelos judeus dispersos pelo Cativeiro até aos confins da terra. Pela primeira vez na sua história, Israel se tornou ativamente engajado em conquistar “adeptos” das nações pagãs.
Havia dois tipos de convertidos ao judaísmo: o “prosélito” (At 13.43) e o “temente a Deus” (At 10.2). Estes eram o resultado da expansão do judaísmo entre os gentios durante a Dispersão. Cinco características da vida religiosa judaica nesse período colaboraram para fazer convertidos e indiretamente preparam para a chegada do Cristianismo no Novo Testamento:
1- A Instituição da Sinagoga: Centro religioso e social da vida judaica. Espalhadas pelo Império Romano congregavam grande parte dos judeus que não podiam ir a Jerusalém e assim freqüentavam as sinagogas. Ainda que os pagãos (gentios) fossem excluídos do Templo (At 21.29), eles tinham livre acesso à sinagoga. Assim a sinagoga tornou-se o principal meio de fazer convertidos (Atos 17.1-3).
2- A Tradução das Escrituras para o Grego: A Septuaginta ou LXX teve o objetivo de beneficiar os judeus da Diáspora que passaram a usar o grego, língua franca da região do Mar Mediterrâneo. A LXX era lida cada Sábado nas sinagogas por todo o mundo de fala grega e latina (At 15.21).
3- O Conceito do Monoteísmo: O mundo grego e romano era infestado do politeísmo. Durante o cativeiro o povo de Israel fora curado da idolatria, e muitos gregos sinceros se voltavam ao monoteísmo dos hebreus (Atos 17).
4- A prática da moralidade: “A corrupção na política, libertinagem no prazer, fraudes nos negócios, engano, e superstição religiosa fizeram a vida humana em Roma deprimente para muitos”. Enquanto isso, os pais judeus ensinavam a Lei a seus filhos e mantinham um padrão familiar alto e todas as crianças aprendiam sua profissão.
5- A promessa de um Messias: A expectativa messiânica foi a grande bandeira do judaísmo. O Messias seria bem sucedido onde os outros dominadores falharam, pois estabeleceria um reino de paz universal para todos os povos, baseado na justiça absoluta.
Portanto, a missão de Deus se fez também enquanto os israelitas estavam sob a disciplina e castigo de Deus. É muito salutar entendermos que embora sejamos disciplinados pelo Senhor ou soframos as conseqüências de nossos erros e pecados, Deus em sua misericórdia continua manifestando sua graça aos nossos semelhantes mesmo quando andamos por caminhos difíceis como foi o caso de Israel, que sofreu os resultados de sua idolatria e de seu caminho longe do Senhor.
Cabe ainda ressaltar que todo este caminho que o povo de Israel fez antes e depois do Cativeiro Babilônico, promoveu a preparação do mundo antigo para a chegada do Messias Jesus, Deus Emanuel. Esta preparação se deu em todos os sistemas da vida humana, desde a política, a economia, a cultura e a religiosidade.
Deus está preocupado sim, como este mundo tem andado. Não podemos deixar de lado nossa preocupação com a realidade cruel que nossa sociedade vive. Devemos entender que em todos os processos da existência humana Deus está direta e indiretamente agindo a fim de que todos o conheçam e venham a se relacionar com Ele. A missão da igreja hoje deve ser a missão de Deus. A ação da igreja hoje deve refletir a ação de Deus. Será que a igreja necessita ser disciplinada pelo Senhor por tantas vezes buscar seu próprio benefício, a fim de que outros venham a conhecê-lo de modo verdadeiro?

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

ORAÇÃO...

"Dê-me, Senhor, agudeza para entender, capacidade para reter, método e faculdade para aprender, sutileza para interpretar, graça e abundância para falar. Dê-me, Senhor, acerto ao começar, direção ao progredir e perfeição ao concluir"

(Santo Tomás de Aquino)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A missão de Deus nos Profetas

Não há entre os livros proféticos, nenhum que relatou mais claramente a visão missionária de Israel do que Isaias. Devemos fazer algumas considerações sobre alguns trechos dos profetas para que nos convençamos que a visão da missão de Deus pervade todo o cânon sagrado.

Em Isaias 6:1-8 encontramos todas as condições do chamado do profeta. Isaias tem a visão da glória de Deus, ao mesmo tempo que relata a experiência do perdão e após isso a comissão para profetizar entre o povo de Israel.

Há relatos notáveis a respeito da vinda do Messias (Is 9:1-7; Is 11:1-10), a ênfase no encorajamento dado a Israel para ser o mediador entre os povos (Is 41:8-10) e a profecia a respeito do Servo do Senhor como luz para os gentios (42:1-9; 49:1-7; Is 52:7). O profeta registra uma proclamação profética para os pagãos (Is 2.1-4). Os povos são levados a Israel (Is 5.24). As ilhas são convidadas a louvar a Deus (Is 24.14-16). A ordem para que todos os povos se congreguem ao redor do Deus eterno (Is 43.6-9). Deve ser ressaltada a abrangência da obra do Servo do Senhor (Is 49.1-7). Em Is 56.1-8 os estrangeiros são tratados como filhos e em Is 66.18-21, os que jamais ouviram falar de Javé (Senhor) também são alvo de Sua graça.

Outro profeta que devemos fazer menção é Jonas. Ele é chamado por Deus para ir a Nínive, cidade ímpia e idólatra, capital do Império Assírio. Seu objetivo é converter os inimigos de Israel. Mas o que se vê é um tratamento de Deus para com Jonas, um dos profetas do povo de Deus. O livro relata claramente o amor gracioso de Deus e a amargura de um profeta que deveria ser uma luz entre os pagãos. Deus não permite que Seu plano fosse frustrado, pelas palavras e atos do profeta. No caso, o livro de Jonas além de ser o registro de que Deus deseja ser conhecido pelos que não pertencem a Israel, como também o meio canônico de mostrar que Israel jamais poderia se envaidecer de sua eleição. O amor de Deus rompe barreiras para alcançar quem ele deseja salvar.

A) O Conceito de Reino: Juntamente com o movimento profético, o conceito de Reino vai sendo desenvolvido e amadurecido desde o início da revelação. Tal conceito se torna importante porque Jesus irá utilizar freqüentemente desse termo para fazer alusão ao Domínio eterno de Deus sobre o universo. Embora a idéia de Reino para Israel tenha sido usada desde o livro de Deuteronômio (Dt 17.14-20), o tempo dos Juízes trouxe a Israel uma motivação errada, o desejo de se tornar reino, isto é uma monarquia veio motivado pela inveja às nações circunvizinhas (1 Sm 8.6-9).

A monarquia durante o reinado de Davi tem a sua maior expressão. Ela é vista positivamente em contraste com o reinado de Saul, pois Davi encarna de fato o homem segundo o coração de Deus e adiciona a essa característica seu carisma como líder da nação. Assim encontramos um rico vocabulário que descrevia o rei como “filho de Deus” (Sl 2.7), “sacerdote de uma ordem única” (Sl 110.4) e até o próprio “fôlego que dava vida ao povo” (Lm 4.20). O rei se permanecesse obediente a vontade divina poderia ser uma fonte de vida, salvação e bênção para o povo de Javé (1 Sm 12.14; Sl 132.12).

É bom lembrar que é na eleição de Israel, muito tempo antes da monarquia que o conceito de reino começa a germinar. A eleição conscientizava a Israel que era o povo chamado para viver sob o governo de Deus e é aí que o conceito de reino se instala. O rei não governava de forma autônoma, mas ele deveria ser o delegado de Deus, responsável pela sua conduta diante de elohim, como também diante do povo. A época de Salomão trouxe um tempo de estabilidade e paz. “Na pessoa de Salomão, a liderança passou de carisma para dinastia”. Contudo com Salomão o povo intensificou o politeísmo e a idolatria.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Os Salmos e a Missão de Deus

Desde a tomada da Terra Prometida até a instauração da Monarquia em Israel, Javé traçou uma linha de responsabilidade para Seu povo chamando-o sempre a manter a Aliança que fora feita no Sinai. Esta visão de Deus não se revelou apenas nos livros da lei e nos livros históricos, mas também entre os chamados “Escritos” ou Livros Poéticos.

Tomaremos o livro dos Salmos para compreender a visão da missão de Deus. Os Salmos não eram apenas o Hinário Nacional de Israel, mas, sobretudo, ensinavam e rememoravam ao povo que sua “Liturgia” deveria exaltar o “Deus de todos os povos” e suas ações na terra por meio da nação eleita que era Israel.
Portanto, há uma estreita ligação entre o binômio: Adoração e Missão. Estes termos sempre andam juntos e um depende do outro. Como afirma Dr. Timóteo Carriker: “A missão do povo escolhido encontra sua relação eficaz com o mundo à medida que responda sincera e pessoalmente a Deus”. Assim, o caráter do povo de Deus se mostra através de sua relação com Ele.

Portanto a Finalidade dos Salmos eram: Reproduzir a visão missionária ao povo que cantava; Estar em harmonia com o propósito e a mensagem de Israel; Chamar as nações a um culto ao Deus Universal; Glorificar ao Deus que reina sobre as nações; Revelar o domínio de Deus sobre o universo; Reafirmar a esperança messiânica; Revelar o juízo e a misericórdia de Deus sobre a terra;

Cumprir a missão de Deus tem uma profunda e forte ligação com a adoração. A missão é impulsionada e motivada pela relação que o povo tem com Deus.
No Antigo Testamento. Deus (Javé) estava determinando a Israel que adorasse ao Seu Criador, mas também estivesse olhando os povos ao seu redor. O povo que falava e cantava a Deus por meio dos Salmos, não somente enaltecia a Deus e as suas obras, como também recebia forte impressão acerca do Domínio Universal de Deus. Além disso, Israel como povo escolhido e nação sacerdotal (Ex 19.3-6) deveria responder a Deus sinceramente tanto quanto mais conhecesse a abrangência de sua Soberania.

A adoração e missão andam juntas. Orlando Costas afirma: “Missão é a comunicação e a antecipação da adoração. Liturgia sem missão é como um rio sem uma fonte. Missão sem adoração é como um rio sem o mar. Sem um, o outro perde sua vitalidade e seu significado”. E o pastor João Piper complementa: “Adoração é o combustível e o alvo na missão. Ela é o alvo da missão, porque na missão, nós tentamos trazer as nações para dentro do gozo supremo da glória de Deus. O alvo da missão é a alegria dos povos diante da grandeza de Deus. Mas adoração também é o combustível da missão. Paixão por Deus na adoração precede o que Deus oferece na pregação. Você não pode recomendar o que não é valorizado”. Portanto, a missão começa e termina em adoração.

A pobreza na vida devocional da igreja produz a pobreza na dedicação ao mundo. Quanto mais intensamente se relaciona com Deus, tanto mais haverá compromisso na missão ao mundo a fim de que todos ofereçam sua oferta, uma vez santificada pelo Espírito Santo (Rm 15.16-18). João Piper mais uma vez reafirma: "Quando a chama do culto queima com o calor da verdadeira dignidade de Deus, a luz da missão brilhará até os povos mais distantes da terra". E Carriker acentua: “Quando a paixão por Deus está fraca, o zelo pela missão certamente será fraco. As igrejas que não vivem a exaltar a majestade e a beleza de Deus dificilmente poderão acender uma luz forte para "anunciar entre as nações a sua glória" (Sl 96.3).

Os nossos cultos fervem com a exaltação da glória de Deus? O zelo pela glória de Deus no culto motiva a obra missionária? Os Salmos mostram o homem falando a Deus de maneira pessoal. Israel deveria ser assim. A Igreja deve ser assim também. É no conteúdo dos salmos que vemos a forma didática de Deus para ensinar seu povo (7.7,8; 10.16; 19.1-4; 22.27-28; 47.1-9; 50.1; 59.5; 64.9; 66.1,8; 67.1-8; 68.28-32; 72.8-11; 72.17; 86.9; 96.1-3; 98.2; 99.1; 100.1-5; 108.3; 105.1,44,45; 117.1-3).

A comunicação litúrgica mantinha sempre dois canais abertos. Um era o canal horizontal, onde o salmista falava a Deus, o segundo era o ensino que invadia o canal vertical, isto é, não havia somente louvor, mas também instrução e memorização das verdades ali registradas. Ao analisar os Salmos vemos quão importante é falar ao coração das pessoas. Quanto mais intensamente houver uma relação de intimidade em oração e adoração a Deus por meio do orar e cantar os salmos, mais conheceremos a Sua vontade, o Seu coração e assim também nos moveremos dentro de Sua missão. Você conhece a vontade, o coração e a missão de Deus? Desenvolva um caminho de adoração. Esse é o segredo.

Dia do Mestre - Minha aula, meu culto

Hoje faço um tributo a Deus, pela minha vocação. Lembro-me de minha mãe e de meu pai. Não apenas me geraram, mas me repassaram o DNA de minha vocação. Recordo-me das tantas vezes que minha mãe Marly, Mestra do Ensino Fundamental, me ensinava a ler pela cartilha "caminho suave". Com ela aprendi as primeiras letras, com ela aprendi a amar como ela amava tão sinceramente, tão profundamente. Recordo-me de meu pai Raul, Mestre e Instrutor do SENAI. Com ele aprendi os primeiros passos da Eletricidade Básica. Com ele aprendi a seriedade e a honestidade. Lembro-me de meu pastor Rev. Dirceu, Mestre da alma que me ensinou os primeiros passos da fé e me incentivou ao ministério pastoral, jamais esquecerei de seus sermões e homilias que enchiam a minha alma ainda quando jovem na igreja de Rio Claro. Recordo-me sim, de todos os meus mestres, de todos e de todas.

Hoje, ensino aos meus alunos não apenas os valores que aprendi deles, mas faço de minhas aulas o meu verdadeiro culto a Deus. Ser Mestre é mais do que ensinar teorias e fórmulas. Ser Mestre é doar-se pela alma e pelo aprendizado de tantos que desejam crescer e se libertar, não somente na alma mas também no intelecto.

Hoje, quando estou ensinando, não sei se estou servindo ao meus alunos ou se estou adorando a Deus. A verdade é que "ensinar" é um mistério que vai além das regras básicas da comunicação, da didática, da pedagogia e da metodologia. O ensino é um encontro de almas que se interagem e se integralizam. Ali não sabemos quem ensina e quem aprende.

Hoje, lembro-me de meu país, meu Brasil, tão vasto, tão rico, tão verdadeiro, tão pluralista, mas também tão pobre, tão analfabeto, tão inculto, tão mísero, tão manipulado, tão explorado por que faltam Mestres Verdadeiros que façam de sua vocação o seu culto a Deus. Que façam de sua Maestria não apenas um meio de vida, mas que façam de suas vidas um meio para a libertação de nosso país. Nestes últimos anos, nosso país pode até ter dado melhores chances às camadas mais baixas da sociedade, mas está embrutecendo, emburrecendo, e diluindo os valores que recheiam o intelecto de qualquer ser humano.

Precisamos de Mestres que possam conduzir seus alunos a uma libertação social, espiritual, cultural e intelectual, que abram caminhos e iluminem os passos para uma sociedade melhor e mais justa.

Cada vez mais lhe falta educação, alfabetização cultural, libertação intelectual e valorização da vida. Não basta que os políticos se comprometam com um Brasil mais forte economicamente. É necessário enriquecer a mente de cada cidadão.

Neste dia, aos meus pais e mestres, queridos e amados, rememorados por meio de toques, gestos, palavras e semblantes, ergo diante de meu Cristo, meu tributo e agradeço pelas mãos que me conduziram.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

OS PACTOS, A MISSÃO E A IGREJA

ELEITOS PARA O SERVIÇO
O chamado de ser bênção para todas as famílias da terra, concedida a Abraão (Gn 12.1-3) e a sua posteridade, é confirmada em Isaque (Gn 26.1-6) e mais uma vez repetida para com seu neto Jacó (Gn 28.10-14). Mas essa aliança confirmada com os Patriarcas se consolida para com os filhos de Israel (Jacó), não como família, mas como uma nação. É na peregrinação do deserto, antes do povo receber as leis sociais, cerimoniais e litúrgicas, Deus mais uma vez repete os mesmos princípios agora de forma mais desenvolvida como se vê em (Ex 19.1-6).
A aliança no Sinai seria a base contínua do relacionamento de Israel com Javé e também a conseqüência da sua eleição como povo. Esta Aliança precisava ser renovada a cada geração, pois a mesma era condiciona a uma vida de obediência. Em Êxodo 19, mais uma vez Deus fala a Moisés reafirmando a Graça sobre a nação desde quando o povo é libertado do cativeiro egípcio: “... tendes visto o que vos fiz.... e vos cheguei a mim...” (Ex 19.4). Vinculada a esta Graça está a Aliança do povo para com o Senhor. A Palavra era a base desta aliança “....agora pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança”. O termo usado para guardar é melhor traduzido por cumprir. Isso traz a idéia de obediência. A obediência à Palavra de Deus traria à nação condições e características dadas somente ao povo israelita: “...então sereis minha Propriedade Peculiar, um Reino de Sacerdotes e uma Nação Santa.”
Aqui reside o primeiro chamado oficial de Israel como Reino Sacerdotal. Uma nação que é eleita para estar no meio das nações pagãs e a partir daí ser bênção aos povos pela Obediência a Javé, pela Palavra de Deus, anelando a santidade de vida que é inerente ao ser de Deus mas também comunicada a Israel para ser espelho da glória de Deus. Aí temos a primeira forma de missão: a Missão centrípeta de Israel. Isto é, a nação de Israel não sairia para testemunhar, e sim os povos pagãos é que viriam procurar Deus onde? Em Israel.
1. SOMOS SEPARADOS PARA SERVIR. Assim compreendemos que o termo “ser santo”, não expressa favoritismo, nem particularismo da parte de Deus, mas implica em que alguém é separado para servir (I Pe 2.9); Não há santidade sem uma finalidade.
2. DEUS QUER A SUA IGREJA NO MUNDO E NÃO FORA DELE. A igreja, assim como Israel deve ter como maior propósito além de glorificar a Deus, ser o Reino de Sacerdotes no meio da sociedade em cada geração. Essa compreensão sobre si mesma implica numa função de mediação e ministração (Mt 5.13-16);
3. A ELEIÇÃO NÃO NOS PROTEGE DO MUNDO, MAS NOS EXPÕE A ELE. Nesse caso a eleição envolve risco, sacrifício, auto-entrega e serviço. Muito diferente do pensamento popular sobre eleição, esta visão não envolve o eleito numa redoma de vidro, mas o lança no mundo para interagir com ele (Lc 9.23);
4. SER ELEITO LEVARÁ O CRISTÃO A SE PRONUNCIAR PUBLICAMENTE. O chamado vocacional e ministerial exige pública confissão, à vista de todos. A eleição é para Deus e também para o mundo. Para Deus, pois ele escolhe como quer, mas também para o mundo, pois é nele que o cristão confirma o seu chamado.
5. SOMOS ESCOLHIDOS PARA SERVIR SEM BARGANHAS COM O MUNDO. Somos uma geração eleita para que? A eleição reafirmará o serviço despretensioso do Novo Israel, a Igreja (2ª Pe 1.3-12). Não há barganhas com o mundo e sim serviço devotado em todas as áreas da vida humana. Esse serviço enfocará a glória de Deus e a evangelização do mundo. O serviço deve ser em todas as áreas e de todas as maneiras. (I Coríntios 9.19-27)
6. OLHE PARA UM ELEITO DE DEUS, ELE ESTARÁ SERVINDO. Certamente ele não estará de braços cruzados. Portanto o testemunho da igreja está intimamente ligado com a doutrina da eleição. Ora se quisermos ver um eleito de Deus, ele estará servindo focado em um determinado ministério, em sua vida comum, em prol da expansão do Reino de Deus.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

“A MISSÃO DE DEUS A PARTIR DE ABRAÃO”

A histórica canônica, isto é bíblica, relatada nas Sagradas Escrituras possui 3 grandes períodos históricos, como já vimos anteriormente. O primeiro período da relação de Deus com a humanidade de modo geral encerra-se na história da Torre de Babel (Gn 11.1-9). Ali mais uma vez a humanidade rejeita a possibilidade de buscar em Deus a razão da vida e revelam-se mais uma vez inescrupulosos, cheios de vaidade e egoístas. Os seus projetos visavam a si mesmos como autores e consumadores da vida.

1) Babel é o fim de um longo período turbulento e egocêntrico (Gn 3-11.).
Na história de Babel a humanidade toma a firme resolução de “construir uma cidade” (11.4a). Vemos que toda a motivação deste empreendimento tem sua origem no homem, isto é na sua intenção de conquista, domínio e opressão sobre outros. Babel é o retrato da busca incessante pelo poder. Este projeto nasce no coração pervertido dos homens. Eles tomam iniciativas individualistas e egoístas, enquanto os mandatos de Deus na Criação não eram estes. Além disso, os habitantes da planície de Sinear enfatizavam: “edifiquemos para nós” e mais: “para que não sejamos espalhados”(11.4c).
Estes homens estavam preocupados com sua estabilidade, estavam preocupados com a formação de uma classe exclusivista. Diziam uns para os outros: “tornemos famoso o nosso nome” (11.4b). Estas pessoas desejavam a “celebridade”, a “fama” e a “proeminência”. Queriam ser conquistadores, e como conquistadores, Deus não fazia parte de seus planos. O homem tornara-se o fim último de tudo que poderia existir. Devemos nos preocupar não apenas com o fim de nossos projetos, mas também com a motivação dos mesmos. Quais as reais motivações de nossos planos pessoais?

2) Abraão é o início de um novo período de altruísmo (Gn 12.1-4)
Enquanto em Babel os homens decidiram ser o alvo e a razão de sua existência, tomando a decisão de rejeitarem a Deus e por isso recebendo as conseqüências desta iniqüidade, em sua misericórdia, Deus por graça, resolve escolher um povo para que a humanidade que havia rejeitado ao mesmo Deus, pudessem ser reconciliados com Ele. Por isso Deus mantém os mesmos propósitos da criação.
Lembrando do mandato cultural, quando Deus, o criador, falara ao homem e à mulher para serem fecundos e se multiplicarem, estava implícito a resolução divina de encher a terra com Seu conhecimento.
Enquanto Babel rejeitara este mandato buscando a segregação e a centralização, ao chamar Abraão, Deus reafirma a ordem: “Sai da tua terra” (12.1). O seu plano não poderia ser frustrado. O Deus que cria e ordena tudo para o bem estar da humanidade chama um homem para que continuasse seu plano de misericórdia e amor.
Deus é o chefe dos planos de Abraão. Além disso, se contrapondo aos desejos carnais de Babel, Deus diz a Abraão: “Eu farei famoso o teu nome” (12.2). É Deus que trata de tornar Abrão famoso. É Deus que engrandece seu nome. É Deus que abençoa. O homem não tem nem este poder, nem esta vontade.
Então, ao ordenar a Abraão: “Sai da tua terra”, “seja tu uma bênção” e “em ti serão benditas todas as famílias da terra” (12.3), Deus (Elohim) lembra ao homem que o cabeça de todo Seu plano de relacionamento com toda sua criação vem dEle próprio.
O projeto de Deus é um projeto abrangente que envolve a todos. Deus é um Deus “liberal”, pois está objetivando não somente um homem (Abraão) ou um povo (Israel), mas a todo o mundo, toda a humanidade.
Conclusão:
Portanto, enquanto o homem pensa em si mesmo, em seus projetos pessoais, Deus nos ensina a pensar como Ele, altruisticamente. Enquanto o homem pensa em armazenar, poupar, guardar, Deus pensa em dar abnegadamente. Enquanto o homem pensa em tornar-se seu próprio deus, Deus pensa em ser o Deus de todos.
Fundamentados neste estudo, somos levados a refletir e buscar mudanças em nós mesmos. Quais são os nossos planos? Eles são personalistas? Quem são o sujeito e o objeto de nossos planos? Se Deus for o dono de seu projeto siga o que Moody disse: "Se Deus é seu parceiro, então faça os seus planos bem grandes." Para quem você vive? Para quem você existe? Para que você faz seus planos? Onde você investe seu dinheiro? Quais as suas reais motivações? Nunca se esqueça: “Deus não está preocupado o quanto você dá, mas o quanto você acumula”.

EVANGELICALISMO FRAGMENTADO

Não dá pra ser amoral. Ou se busca a moralidade, ética, verdade, valores absolutos, ou então se é conivente e conveniente. Não podemos ser incoerentes entre a prática e o discurso. O que estamos a ver com tanta informação, é um “grito de desespero” dentro de uma igreja evangélica altamente fragmentada. O cristianismo dos primeiros séculos sofreu barbaramente não por que era moralista, mas porque se vivia a unidade em questões básicas de fé e da ética. Muitos morreram porque a prática de vida era coerente com o discurso da igreja cristã dos primeiros séculos. Hoje, o movimento evangélico dentro do cristianismo tem se fragmentado não somente na eclesiologia, mas, sobretudo no ensino e na fé mais elementar e simples. O que tenho visto e meditado sobre este momento é de que muitos dentro do movimento evangélico querem “montar” e “manter” seu “castelinho feudal”. A natureza da igreja se manifesta na unidade, na catolicidade, na santidade e na apostolicidade. Porém todas estas marcas da igreja estão (idealmente falando) apoiadas na maior marca que é a UNIDADE. Tem gente evangélica dando “tiro pra todo canto”. Até agora não vejo nenhum setor da igreja evangélica se pronunciar sobre questões coletivas e abrangentes. Digo setor, pois alguns ministros falam aqui e acolá, tentam se pronunciar, mas são personalistas. Por quê? Porque o movimento evangélico tornou-se um “sistema suicida”. O que podemos esperar deste movimento dentro da cristandade é um processo de conformação ético-ideológico-personalista. As denominações ou igrejas estão abalizadas pelo personalismo de seus líderes. O que é isso? Fragmentação. Não julgo aqueles que são sérios, mas se são sérios sejam sérios em buscar unidade ”verdadeira” e não apenas “conveniente” diante dos novos tempos “amorais” a que a sociedade esta vivendo. Há necessidade da igreja evangélica se pronunciar publicamente confessando a sua “iniqüidade” dentro deste “evangelicalismo” que tenta sobre-viver. O ponto aqui não é a iniqüidade da sociedade, mas a iniqüidade da igreja. Se não houver metanóia e mudança de vida, não haverá emails e mensagem que curem esta igreja. Vivemos os dias de Éfeso (aproximadamente em 96 AD) quando Jesus Glorificado através de São João já se referia a esta igreja como uma igreja “apóstata” (abandonara o amor-agape). Jesus ainda diz: “volta a pratica das primeiras obras”. O ágape UNE e não SEPARA. Ele AGLUTINA e não DILUI. Alguém sabe o que viver o cristianismo puro e simples? Leiam “Justino, o Mártir” no século II, em sua “Apologia” e verão o que é cristianismo verdadeiro diante de uma sociedade pagã. O que estamos a ver é uma igreja evangélica “menina” ou “adolescente”, não somente pela sua idade, mas também pela sua imaturidade. Será que algum líder eclesiástico pode entender a oração de Jesus? “Óh Pai, ....para que sejam um... Tu em mim... eles em nós? Para que o mundo creia que TU me enviaste.” Pergunto: Qual líder evangélico se submeterá a outro? Podemos tentar criar Alianças, Redes, ou qualquer tipo de Pacto entre igrejas e denominações, mas se não houver a busca pela UNIDADE, amigos, não há IGREJA. Qual a mensagem dos púlpitos das igrejas de hoje? Prosperidade, cura interior, vitória, sucesso e por aí vai... Qual é o púlpito que busca integrar a fé do coração com a vida prática. 99,99999.... das mensagens são “teologias da prosperidade” que vão do estio mais grosseiro até o mais estilizado, nas igrejas de linha neo-pentecostais até as históricas e tradicionais. A igreja precisa publicar a sua INIQUIDADE. Enquanto isso vamos ainda receber muitos emails e mensagens na busca de atitudes paliativas e não na cura desta igreja evangélica brasileira.

Marana tha

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

“A criação do homem e o modelo para a missão da igreja”

“Tudo o que Deus tem criado pertence a Ele e para Ele somente. E ele tem o poder e o controle da História” (Dietrich Bonhöffer). Ele tem a jurisdição sobre tudo e tudo está submetido a Ele.
A maneira como Deus em Sua soberania criou o universo e a humanidade deve servir de modelo para direcionar a missão da igreja. A ação de Deus na criação deve também nortear os relacionamentos e as motivações quando nos relacionamos.
A história da Criação é o primeiro elemento do evangelho cristão. Ao criar o homem e a mulher, Deus nos ensina a reconhecer no ser humano características e naturezas que não devem ser desprezadas em qualquer tipo de relacionamento especialmente dentro da missão e na evangelização (Gn 1.26-31; 2.7-9; 15-25).
As pessoas são seres humanos complexos físico-psíquicos (corpo e mente) e não almas encarnadas em corpos, como bem ensina o Espiritismo. O que a teologia sistemática ensina quanto a maneira que devemos distinguir o homem, seja corpo e alma ou corpo, alma e espírito, pode nos ajudar, porém, o ser humano é muito mais complexo que essa idéia. Portanto, devemos compreender que ao criar o ser humano o Senhor Deus o cria de maneira integral.
Primeira verdade: “O corpo e alma tem a mesma importância para Deus”. O ser humano é um ser integral (alma, mente, corpo, espírito, sentimento, emoção, temperamento, caráter, personalidade). Jamais podemos entender alguém que consiga separar algo que Deus criou como um todo muito bem arregimentado e articulado. São muitos os textos que nos ajudam a entender a importância do ser humano para Deus (Salmo 8:4, 144:3, Heb2:6).
Segunda verdade: “O homem é um ser discursivo”. As pessoas necessitam compreenderem o evangelho de Cristo através de uma linguagem acessível e inteligível. O homem foi criado por Deus possuindo uma linguagem própria. E não somente isso, as pessoas necessitam usar a razão para entenderem o amor de Deus. Embora que a fé suplementa a razão, mas não há como negar, o homem é um ser racional.
Terceira verdade: “O homem é um ser estético-tecnológico”. Isto é utilizamo-nos de ferramentas e instrumentos em nosso dia-a-dia para nosso bem estar. Assim entendemos que a busca pelo bem estar e qualidade de vida são inerentes ao ser humano. Quando o homem foi criado Deus o fez com capacidade de desenvolver equipamentos e condições aprazíveis a sua vida. Portanto o evangelho, ao resgatar a pessoa, também deve estar comprometido com seu bem estar e com o avanço da tecnologia. Além disso é natural do homem criar e desenvolver meios utilitários de conforto.
Quarta verdade: “O homem foi criado um ser social”. O ser humano é um “ser-em relação”. Não somente foi criado para se relacionar com o mundo invisível, mas também com o mundo visível. Foi criado para viver em relacionamento com tudo que o envolve e que se corresponde a ele. O evangelho então não pode separá-lo de pessoas, animais, vegetais e do meio ambiente em que vive. Além disso, o ser humano estabelece-se por meio de associações e comunidades. Jamais poderá existir um evangelho “virtual”.
Quinta verdade: “O homem é um ser histórico”. Não se pode negar a necessidade das tradições. O passado tem grande influência no seu tempo presente. Negar a tradição histórica das pessoas é “castrar” parte da vida delas . Quando o homem foi criado, Deus o fez com um passado familiar. As tabelas genealógicas no Genesis não são para apenas ilustrar mas revelar a importância da ação de Deus em uma linhagem familiar e tradicional.
Sexta verdade: “O homem é um ser ético”. Quando criado o ser humano tornou-se sensível aos valores morais. Ele possui regras para a vida mas a vida também possui valores morais que o direcionam e determina as razões e motivações para viver e existir, porque tomar tal e tal atitude. Não vive apenas pela legalidade mas sobretudo pela moral. Bom é lembrar que o desvio da moralidade é o moralismo.
Sétima verdade: “O homem é um ser religioso”. Tudo que o homem faz projeta-se para um mundo não-visível. O homem foi criado para manter uma relação íntima com o Transcendente. Não há homem que não se relacione ou que não deixe de buscar um ser que entenda maior que ele.
Portanto, a pergunta que devemos fazer é: Como devemos exercer a missão e a evangelização neste mundo? Devemos pensar nas pessoas à nossa volta como possuidoras de características singulares e únicas, a fim de que nossa missão seja de fato, uma missão integral, que responda ao homem integralmente. Eis nosso desafio!

O “quando” e o “como” da missão de Deus

É muito importante compreendermos que nossa vida tem um objetivo que é viver e se dedicar totalmente a Deus. Mas essa dedicação não se dá num vazio e sim quando vivemos para cumprir nossa missão na vida de nossos semelhantes. O estudo da missão é, portanto algo imprescindível para o cristão. Sem uma real concepção de nosso serviço, podemos viver uma vida religiosa sem consciência de nossa verdadeira razão de ser. Por isso, continuaremos a estudar com mais profundidade esse assunto, que neste estudo de hoje tem a ver com as perguntas “quando” se inicia a missão e “como” a história bíblica se divide.
1. O PONTO DE PARTIDA
O povo de Israel sempre criou muitos nomes para Deus. Cada nome tem um significado relacionando sempre um determinado feito ou milagre de Deus na Antiguidade. No caso de Gênesis 1.1. a palavra Deus (Elohim), é apresentada aqui como o Deus de todos os povos, o Deus criador, o Deus Universal. Já o termo Senhor (Jaweh) significa o “Deus da Aliança” que expressava a relação do povo de Israel com Deus (Ex 20.2; 20.11; Sl 124.8; Sl 42.5; Jr 10.16). No Antigo Testamento encontramos vários nomes para cada atividade específica de Deus: El, Eliom, El Shadday, Jeovah Nissi, entre outros. Em Gênesis 1.1 encontramos o termo Elohim que nos dá o sentido não apenas de pluralismo, de plenitude, mas também sobretudo o Deus Todo-Poderoso que criou todas as coisas e todos os povos.
O termo “El” é encontrado na maioria das línguas semíticas. No passado estas línguas possuíam em comum este nome para Deus. Para eles não era apenas o deus mais alto, mas o único Deus. Isso não impedia de que estes povos fossem politeístas, isto é tivessem mais de um deus, mas o termo aqui era usado para reconhecer o Elohim como o Deus maior, de todas as nações.
Portanto, Deus ao se revelar no Gênesis não se revelou a um só povo como muitos pensam, mas sim a todos os povos. Ele deseja, ainda hoje, ser reconhecido por todas as nações (etnias) como seu Deus. Deus não é exclusivista ou nacionalista, pelo contrário, Ele é o Deus soberano sobre todos os povos, línguas e nações (Apocalipse 5.7 e 7.9).

2. OUTRA VISÃO DE VER A HISTÓRIA HUMANA
Se Deus é o Senhor de todos e de tudo, é pertinente que possamos entender como Ele trabalhou na história da humanidade. Deus é um “ser-em-relação” que sempre amou o homem. Desde os primórdios ele escolheu se relacionar com toda a humanidade, muito embora nem sempre o homem quisesse este relacionamento. Portanto, para uma melhor apreensão desta visão é necessário que compreendamos a Missão de Deus em três grandes períodos da humanidade:
a) O primeiro período: Um relacionamento direto com a humanidade. (Gn 1-11): Teve seu início na Criação, relatando as suas origens, e genealogias. A ênfase da ação divina estava em se relacionar com todos os povos, exercer sobre eles sua soberania e juízo, sempre revelando seu amor, dando oportunidade para a humanidade se redimir, seja após a Queda (Gn 3), ou após o Dilúvio (Gn 6-9) ou mesmo após Babel (Gn 11). Em cada ação humana de se separar de Deus, Deus por misericórdia sempre buscou ao homem (Gn 3.9).
b) O segundo período: Um relacionamento mais particular. (Gn 12 até At 1): Após a terceira queda em Babel, Deus escolhe um povo a fim de se revelar nele. Embora Deus em sua soberania tenha escolhido Israel, não abandonou os outros povos que foram sempre seu objetivo principal. Deus não rejeitou os povos em detrimento de Israel, mas queria usar Israel para ser um reflexo dEle para as nações. Esse período tem seu início na chamada de Abraão, desenvolve-se no surgimento da nação de Israel, continua com a sua libertação do cativeiro Egípcio, a transformação de seu governo em monarquia, e conclui na apostasia de Judá e Israel e as conseqüências do julgamento de Deus através do cativeiro babilônico. Setenta anos mais tarde Israel é libertado e então retorna à sua terra para a restauração física e espiritual. Seguem-se aproximadamente 400 anos de silêncio profético, e atinge seu clímax com a vinda do Messias (Jesus Cristo), descrito nos evangelhos, concluindo com seu sofrimento, morte, ressurreição e ascensão.
c) O terceiro período: Um relacionamento com sua Igreja (At 2 a Apoc 22). O terceiro período de relacionamento envolve agora Sua igreja. A ascensão de Cristo e a vinda do Espírito Santo permitem que judeus e gentios sejam alvos do Seu derramamento num ambiente onde estão vários representantes de vários povos e idiomas. No passado as línguas que em Babel, tornaram-se maldição, agora com a vinda do Espírito Santo tornam bênção. O Espírito de Deus batiza a igreja composta de homens e mulheres sem distinção de língua, raça e cor. (Gal 3.28). Este período inaugura o chamado “últimos dias” até a volta do Senhor. O relato enfatiza mais uma vez os povos e retorna a primeira etapa da história humana, é a promessa do evangelho a todos os povos. A missão de Deus está diretamente ligada ao relacionamento com todos os povos (At 2.39).
Portanto, quando analisamos a história, não podemos pensar que Deus é exclusivista, porque todos nós somos alvo e objeto de seu grande amor que é eterno. Ao vermos a ação de relacionamento de Deus na história, vemos também que o ser humano nem sempre compreendeu o Seu amor e procurou seguir seus próprios passos. Mas a misericórdia de Deus é tão grande que Ele não levou em conta os atos da humanidade que sempre procurou o homem a fim de retornar ao seu projeto inicial como revela o Apocalipse.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Liderança Saudável ou Doentia?

“Quem faz o bem é de Deus; mas quem faz o mal não tem visto a Deus” 3ª. João 1.11. Uma liderança é caracterizada por palavras e atitudes. Todos nós manifestamos algum tipo de liderança. Seja em casa, no trabalho, na escola, na política secular ou na igreja. A liderança também possui estilos próprios e também motivações ou razões próprias. Quando falamos de liderança em comunidades cristãs, nos cansamos de ver homens e mulheres que nem sempre imprimem sua liderança pelo amor e sim pelo terror. O Novo Testamento nos relata a história de dois líderes ainda no final da vida do apóstolo João. O apóstolo escrevia a seu amigo e discípulo Gaio e se preocupava tanto com “Diótrefes” quanto com “Demétrio”.

Diótrefes gostava de ter a primazia diante das pessoas, tratava seus superiores cristãos com desrespeito e falava palavras maliciosas contra eles e por fim não acolhia as pessoas, pelo contrário, com seu estilo de líder opressor e egoísta, acabava por exercer uma liderança doentia e imprimia o medo nos outros.
Já Demétrio, o apóstolo chega a mencionar sua vida, palavras e ações num conjunto, afirmando que a “própria verdade testemunhava a favor dele”. Tudo indica que Demétrio exercia sua liderança pelo amor e não pelo terror.

Quando não lideramos por amor, acabamos desejando o que Lúcifer desejou: a proeminência. Assim como Diótrefes, hoje ainda temos muitos como este em nosso meio porque apenas desejam ter a primazia sobre pessoas e não se oferecem a eles, servindo-os através de seus dons e ministérios.

A igreja de Cristo sempre teve que enfrentar os líderes que desejavam aparecer no lugar do Senhor e sempre foram e ainda continuarão sendo precipitados para longe dEle como Lúcifer o foi.

O apóstolo Paulo fala de minitros não com a conotação de líderes que são servidos, mas de pessoas que servem e entendem que o propósito último de suas vidas é doarem-se pelos outros como foi a vida Cristo enquanto esteve aqui entre nós.

Os ministros, presbíteros ou diáconos são vistos como “mordomos” ou
“administradores” do que foi confiado a eles. Os ministérios jamais podem ser personalistas. Estes foram confiados por seu Senhor para que eles exerçam até o fim de suas vidas ou até quando o seu Senhor quiser. Eles são vistos como “despenseiros” porque dispensam e administram bens materiais e espirituais, trabalham com questões visíveis e invisíveis. E acima de tudo terão que prestar contas de tudo o que foi confiado a eles.

Assim, no tempo de hoje deveríamos ter menos líderes na concepção literal da palavra. O fato é que temos muitos ministros por causa de um “diploma” e devido a ansiosa busca por títulos. A “Simonia” que era a compra de cargos eclesiásticos ainda impera não pelo dinheiro, mas pela cobiça da proeminência. Deveríamos compreender que os que servem como líderes, o julgamento deles será duplicado (Tiago 3.1). É bom lembrar que há demanda e custo. O bônus não virá enquanto servimos aqui e sim depois da doação, da renúncia, da entrega e da oferta da própria vida como fizeram tantos apóstolos e discípulos durante toda a história da Cristandade.

Para isso, necessitamos fazer separação entre líderes que geram saúde e os que geram doença, os que produzem opressão e os que promovem libertação. Que voltemos nossos corações e nossos olhos aos "Demétrios" e extirpemos o espírito de "Diótrefes", pois cada um receberá de Cristo o que tiver feito por meio de sua vida.

terça-feira, 22 de junho de 2010

O que penso da formação teológica.

Nunca foi tão fácil pregar o evangelho e ao mesmo tempo nunca foi tão difícil encarná-lo como nos dias de hoje. Vive-se um evangelho tão confuso e sincretista que é complicado pensar em formação teológica. Antes, porém, se deveria questionar a que tipo de teologia nos propomos quando falamos em formação teológica.

O evangelho tornou-se sinônimo de qualquer idéia onde o nome “Jesus Cristo” esteja presente e seja o assunto a ser comunicado. Para alguns, pregar o evangelho é difícil quando este traz em seu conteúdo as máximas do Evangelho do Reino evidenciado pelos evangelistas do primeiro século. Para outros é até muito fácil, pois a pluralidade religiosa e a teologia da prosperidade são primas e tem andado juntas na maioria dos púlpitos de paróquias e igrejas.

A formação teológica que de início nada mais era do que a comunhão com o Deus-Encarnado como foi com o Colégio Apostólico, aprimorou-se e tomou forma de fato com a visão da transmissão da tradição na época dos Pais Apostólicos. Entendia-se que o pregador do evangelho deveria ser um “orante” antes de ser um “falante” do mesmo e este era conhecido como “teólogo”, não porque possuía formação acadêmica, mas porque conhecia a Deus.

Mas a partir do Escolasticismo a visão de formação teológica começou a tomar rumos que culminou no Academicismo e sedimentou a mesma como Ciência após a influência do Iluminismo. Agora que se “entendia” Deus pela razão e se podia então falar do evangelho com a força de um “Cartesianismo religioso”.

Contudo, nos dias atuais a formação teológica passa pela crise da ideologia de cada denominação ao mesmo tempo em que tanto conservadores como progressistas teológicos tentam levantar suas bandeiras na ânsia de se tornarem detentores da verdade.

Levando em consideração o exposto necessitamos fazer o resgate da formação teológica de modo a não abrir mão da piedade e formação espiritual e juntamente com esta desenvolver uma teologia que possua tanto um viés acadêmico como encarnacional ou contextual.

Neste sentido necessitamos resgatar a formação teológica como formação ministerial. Ao se falar em formação ministerial, resgatamos o excelente ensino do Dr. Martinho Lutero quanto ao “Sacerdócio Universal de todos os Santos”. A formação teológica não deve ser privilégio de alguns poucos, mas de todos os cristãos. Então entendemos que esta formação não envolveria apenas áreas da teologia sistemática, mas, sobretudo somente poderia subsistir de forma interdiciplinar envolvendo todas as áreas do conhecimento científico para a formação de todos os ministros.

Se assim conseguíssemos, o déficit ministerial na Cristandade seria minimizado. Os missionários e pregadores teriam motivação não apenas para crerem num evangelho integral e livraríamos o mesmo do fracasso no qual o encerramos.

A vida ministerial e a espiritualidade atingiriam o púlpito e a visão ministerial deixaria de ser privilégio apenas de um clero “laicizado”. A visão consumista de expandir ministérios personificados em mega-projetos seria reduzida. A concorrência denominacional não somente entre igrejas, mas também entre pregadores diminuiria.

Quão bom seria que conseguíssemos aliar de fato a formação teológica ecumênica com uma formação espiritual equilibrada. Na verdade, estas proposições são a verdadeira resposta para o tempo do século XXI, onde os pregadores deveriam aprender a contextualizar o evangelho do Reino e ao mesmo tempo desenvolver uma nova visão da pregação para com as mais variadas religiões.

Eis a realidade, eis o desafio.

Humildade: o princípio do discipulado de Jesus

Jesus nos chama a um relacionamento que se desenvolve nos trilhos do que chamamos de discipulado. Porém uma das fortes marcas do discipulado de Jesus é a humildade. É importante que neste processo, onde todos nós estamos inseridos, possamos compreender o que é a humildade como virtude.

Se discipulado envolve a humildade logo de início devemos lembrar que o discípulo é um “seguidor”. Sim, o seguidor é aquele que anda “após”. Se não é seguidor então somente pode ser um “batedor”. O batedor nunca anda “após”, mas vai sempre à frente. Se é seguidor não pode ser um descobridor, nem um pesquisador autônomo. Ele é apenas um aprendiz. A virtude da humildade é que seja onde for o discípulo sempre se considera um aluno, um aprendiz, nunca uma pessoa completa e madura. Ele está sempre aprendendo.

Assim podemos nos perguntar: “E como é viver com humildade?” Para viver neste espaço, o discípulo tem que aprender a aceitar a disciplina. Nesse andar “após Jesus”, o discípulo precisa aceitar até mesmo fortes repreensões sem se escandalizar e sem abandonar a caminhada (Mateus 16:21-24). O discípulo não pode ter melindres. Não pode ser um “não-me-toques”. No discipulado a “ordem natural das coisas” é subvertida. Aprende-se que a ética do reino de Jesus é a contracultura da presente ordem de coisas (Mateus 20:25-28). Deve-se ficar claro que o lugar do discípulo é após Jesus como humilde aprendiz.

Mas também nesta caminhada devemos pensar no que evitar. Quando não tornamos nosso discipulado uma caminhada de humildade, podemos acabar por absorver a idéia de que somos melhores que outros e estarmos a um passo de sermos vistos como sectaristas e legalistas. Muito facilmente o discípulo pode confundir zelo com fanatismo, fidelidade com legalismo, paixão com revanchismo e coragem com ódio (Lc 9:55-56).

Hoje em dia não temos muitos discípulos na plenitude do termo. Temos sim, muitos disci-dentes. Gente que morde e que se morde apenas por receberem instruções, repreensões e questionamentos. O aprendizado para a obra de Deus dispensa os critérios de eliminação por erros. As instruções já estão dadas. Os perigos já estão apontados. Os métodos já estão definidos. (Mateus 10:5-42).

Freqüentemente nós precisamos sempre olhar para dentro e para fora de nós. A humildade deve ser nossa “pedra-de-toque”. Onde falta humildade, o Espírito Santo não está. Porém onde vemo-la presente em nós ou em outros, com toda certeza o discipulado de Jesus está se concretizando a cada dia, mesmo quando não esteja com o “jeito” e a “cara” que gostaríamos que tivesse. Isso não importa. O que importa é se este discipulado está sendo regado pela graça e pela humildade divinas. Muitos que acham que estão dentro estão fora e muitos que pensam estarem fora, estão dentro.

Extraído e adaptado de: Seguir Jesus, o mais fascinante projeto de vida. Caio Fábio D'Araújo Filho

sexta-feira, 28 de maio de 2010

A Família Cristã é maior do que você pensa!

“Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho, que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos...” Marcos 10:29,30

Quando experimentei minha primeira grande perda na vida, a de minha mãe, tinha apenas 10 anos, e meu tio, me afirmava no dia do funeral dela: “você terá muitas mães!”. De facto, naquela época eu não possuía noção do que isso significaria para mim no futuro. 

Hoje, ao olhar para trás, fundamentado no Santo Evangelho, sabemos que a experiência do amor de Cristo através da fé, nos faz entender que o Seu Reino neste mundo extrapola a idéia natural de família baseada na consangüinidade. Por isso a família cristã é maior do que podemos imaginar. 

Viver ao lado de Cristo, também é um convite para vivermos ao lado dos que amam a Cristo. E a família de Cristo é enorme, porque ela não se reproduz pela “carne e o sangue”, mas se reproduz por nascimento espiritual e pelo amor, pois os que pertencem a esta família “... não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo 1.13). Ela não se baseia em transmissão de regras e normas para se viver melhor aqui nesta terra, mas se reproduz de acordo com a lei do amor para se viver uma eternidade. Somente podemos perceber o amor de Deus quando percebemos que somos amados e acolhidos pelos outros. Quando amamos a Deus e buscamos vivenciar este amor com nosso semelhante aí de facto se revela a família cristã. 

Assim, a família cristã é maior do que imaginamos. Nela somos irmãos, embora sendo filhos, filhas, irmãos, irmãs, pais e mães, avôs e avós, ligados não por vínculos sociais, culturais, lingüísticos, políticos, geográficos, temporais, denominacionais, religiosos, mas pelo vínculo do amor ágape, isto é por meio da "renúncia-doação" em todo tempo.

O que de facto faz esta família ser cristã e ser grande, não é um modelo de vida religioso, palavras previamente decoradas, chavões de tratamento pessoal da religiosidade popular, mas a prática das boas obras, das ações cativantes, das atitudes de respeito e dos gestos cordiais. Por isso Jesus nos ensina já: “Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos” (Jo 15.13). 

Portanto a família cristã é maior do que pensamos. Minha família “de carne e sangue” é muito pequena, mas hoje vejo quantos pais e quantas mães, irmãos e irmãs, avôs e avós recebi por causa da graça de Cristo. Não porque merecia, mas pelo livre ato do amor de Cristo por mim: um “favor imerecido”. Nesta família não precisamos “pagar para entrar”, nem dar “oferta” para sermos recebidos ou pagarmos uma “taxa de manutenção” dos elos que nos ligam. Amamos de graça e somos amados por graça. 

Temos um vazio dentro de nós, porque fomos criados para amar e sermos amados. O que carregamos em nossa história de vida são exemplos de desamor e abuso. Geralmente, a nossa doação está proporcionalmente ligada a um ambiente que se alimenta da lei da “causa-efeito”. Mas ao olharmos para a Família Espiritual esta lei não é levada em conta. 

É a Santíssima Trindade o modelo para o aprendizado do amor. Aí há um ambiente cheio de amor, porque Deus é amor! Deus alimenta seu relacionamento por meio de três Pessoas. Tudo o Pai faz para o bem do Filho e do Espírito Santo e Estes o fazem para o bem do Pai. Entendo agora, porque Jesus orava por mim e por você, para que fôssemos “um” (Jo 17.21). Por que esse é o ambiente do Deus Triúno. Jesus deseja que nós alimentemos o mesmo ambiente de onde Ele aprendeu o amor. É um ambiente de doação recíproca. Esse foi o projeto inicial da criação. Esse é o projeto final na consumação eterna. A família espiritual nasce na Trindade e invade o coração e a alma de tantos homens e mulheres que se deixam acolher em cada acto, em cada gesto de amor que está em cada ser humano que se doa pelo outro. Por isso a família cristã é tão grande!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Missão, Evangelização e Proselitismo

Evangelização, dentro do uso do termo (em inglês), significa dizer ou espalhar a Boa-nova. Os quatro Evangelhos falam das boas novas sobre Jesus Cristo. Quando nós, como cristãos, dizemos aos outros o que Deus fez em Jesus Cristo, nós estamos evangelizando.
Proselitismo, de outro lado, significa "trazer pessoas para dentro", fazendo-as mudar suas convicções, seu partido, suas opiniões ou sua religião. No proselitismo há uma forte tendência de dizer às pessoas o quão ruim ou erradas são suas crenças atuais. Dizer às pessoas que suas crenças são más ou erradas não parece ser "Boa-nova". Se nós evangelizamos, não estamos dizendo "nossa religião é melhor que a sua religião". Não estamos nos colocando como seres moralmente ou espiritualmente superiores, e tentando conquistar pessoas para deixar sua religião juntando-se a nós, de forma que se sintam tão superiores como nós. Quando evangelizamos, dizemos, de fato, que Deus fez grandes coisas. Alguém descreveu uma vez a evangelização como "um mendigo dizendo a outro mendigo aonde conseguir pão". Para um mendigo faminto, esta é uma "boa-nova". E um mendigo transmitindo a outro mendigo tais "boas notícias" não pode se sentir vangloriado ou superior por este motivo.
Se as pessoas que ouvem a Sagrada Escritura dizem que querem seguir Cristo e ser batizados, então, é claro, haverá mais o que aprender. Se eles quiserem realmente seguir Cristo, então vão querer também aprender mais a respeito da fé cristã e sua aplicação em suas próprias vidas e comportamento. Às vezes eles surpreendem os missionários com seu fervor. Quando o Príncipe Vladimir de Ruskiev se tornou cristão em 988, ele surpreendeu os missionários ao buscar abolir a principal punição em seu reino. Houve uma mudança radical em seu estilo de vida.
Necessariamente, as pessoas não se tornam cristãs simplesmente mudando seu estilo de vida, especialmente se elas mudaram através da força ou fraude. Forçar tais mudanças nas pessoas é proselitismo e não evangelização. Evangelização é feita com espírito de humildade e amor, enquanto o proselitismo é caracterizado pela arrogância e orgulho. É muito mais fácil fazer proselitismo do que evangelizar; entretanto, somos chamados a evangelizar.
Tentei, neste artigo, indicar onde, segundo penso, residem as principais diferenças entre evangelização e proselitismo. A diferença é importante e acredito que é uma das mais sérias questões que os estudiosos de missiologia enfrentam nos dias de hoje.
(ADAPTADO DE Steven Hayes, Revista da OCMC - Outubro 2002)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

As formas de Poder segundo Jesus de Nazaré

Quase todos os dias ouvimos pelos meios de comunicação e dos mais variados púlpitos de igrejas idéias de poder, conquista, vitória e coisas do gênero. Há uma noção de que Deus abençoa com muito poder e domínio, bem como prosperidade aqueles que exercem sua fé nEle. Há também a idéia de que se alguém está subindo na vida ou mesmo atuando em instituições grandes e poderosas econômica e politicamente, tal pessoa, se é um “crente”, ela está cheia do Poder de Deus. Pois dizem que este “poder de Deus” é dado para seus filhos desfrutarem. Assim, é fácil entender que os cheios de poder são os que estão envolvidos com uma “prosperidade sem limites”. Mas isso não é verdade, e explico a razão:
Primeiro, Deus em sua soberania nunca trabalhou com a lei da causa e efeito. Se Deus trabalhasse com a lei da causa de efeito, ninguém poderia ser abençoado em qualquer área de sua vida. Pois se acreditarmos que Deus abençoa os fiéis, excluímos a idéia do que seja GRAÇA. A graça vem da compreensão que Deus concede aquilo que não merecemos, pois todos são pecadores e continuam pecando, pois ainda não foram glorificados. Embora aceitemos a Palavra de Deus e busquemos aprender a viver na fé, continuamos a pecar. Somos pecadores, todos os dias, todas as horas. Ora, se Deus fosse levar em consideração a fidelidade de cada um de nós, “quem seria suficiente para estas coisas” (2ª. Cor. 2.16). De fato, nenhum de nós teria a sua presença. Mas Deus derrama de sua graça não importando se você pecou mais ou pecou menos nesta semana. O fato de desejarmos viver uma vida de santidade reflete que estamos entendendo a cada dia mais o amor de nosso Deus, e é somente isso. Você não pode barganhar com Deus.
Segundo, Jesus mostrou que a visão de Poder de Deus é diferente. Enquanto esteve aqui, encarnado e vivendo plenamente sua humanidade, sabia que dominação e força não são as formas de Deus exercer seu domínio e soberania. Nosso Senhor Jesus Cristo rejeitou absolutamente as estruturas de poder humano porque ele intencionava demonstrar o verdadeiro Poder, uma nova forma de lei e de vida. Este poder envolve serviço, doação, renúncia, sofrimento e morte.
Assim, o verdadeiro modelo cristão não é o de ser maior e sim o menor, de não ser o primeiro e sim o derradeiro, porque quando se é fraco então é que se é forte. É o paradoxo da vida tantas vezes incoerente aos olhos humanos. Se você tem ouvido um evangelho diferente deste, então creia firmemente, este é um “outro” evangelho, o qual Jesus nunca pregou, mas está sendo propagado por pregadores dos quais o apóstolo Paulo já falava na segunda carta aos Coríntios (2ª. Cor 11.13-14).
O que mais deseja o inimigo de nossas almas é que creiamos num evangelho que pode tudo aos olhos do homem natural. Pois esta foi a tentativa de Satanás oferecida ao Senhor quando Este mesmo o rejeitou. Essa mensagem que se ouve por aí, não é absolutamente o evangelho de Nosso Senhor, Jesus de Nazaré e sim a mensagem de “poderosos” deste mundo caído, os quais Cristo aniquilará com o sopro de Sua boca. (2ª. Tessalonicenses 2.8).
(boletim n.15)

terça-feira, 6 de abril de 2010

CRISTO RESSUSCITOU! O CÉU NÃO É O LIMITE!

Cristo ressuscitou dos mortos, venceu a morte com a morte, aos que estavam no túmulo Cristo deu a Vida!

“Se é só para esta vida que esperamos em Cristo, somos de todos os homens os mais dignos de lástima”. 1Co 15:19

A ressurreição de Cristo é o maior evento do Cristianismo. Muitos pensam que a ressurreição de Nosso Senhor foi apenas um dos grandes eventos entre outros que marcaram a obra de Cristo por toda a humanidade. Contudo, a ressurreição possui significados ainda muito mais relevantes.

1- A ressurreição de Cristo inaugura uma Nova Criação. O Apóstolo Paulo em suas cartas afirma categoricamente que Cristo venceu a morte não apenas para Si mesmo, mas a ressurreição de Cristo inaugura efetivamente um novo tempo, para todas as gerações. Vencer a morte foi o maior ato pelo qual Deus decidiu conferir a restauração da imortalidade e a eternidade a todos os seres humanos que caíram com Adão e Eva.

2- A ressurreição de Cristo revela que o Céu não é final. Jamais podemos viver neste mundo apenas esperando que o Lar Celestial seja o tempo final de todos os seres humanos. A ressurreição proferida pelo Profeta Daniel (Dn 12) é referendada por Jesus (João 5.22-25) e sistematizada pelo apóstolo Paulo traz a inequívoca certeza de que embora os seres humanos passem pela morte como separação da alma e do corpo, a alma estará temporariamente com Deus, enquanto aguarda a ressurreição do Corpo para que na nova Terra e novo Céu, no último dia, haja a reunificação de ambos para a vida eterna. Portanto, a Vida Eterna não é uma promessa apenas para o descanso da alma, mas também do corpo.

3- A ressurreição de Cristo é maior evento do cristianismo de fato e como tal, precisa ser pregado fielmente pelo cristianismo evangélico que tem anunciado frequentemente uma obra de Cristo parcial alías, se parcial então margeando a "heresia". Por exemplo, quase todos os cristãos anunciam a Páscoa de Cristo como um ato onde Cristo se saiu vitorioso na morte e oferece a vitória e a renovação da alma ou do espírito. Isso é uma pregação parcial e incompleta. A igreja cristã ocidental precisa anunciar que ela crê na ressurreição do corpo, da carne e não somente do espírito, ou melhor, não existe ressurreição do espírito, porque "espírito nenhum morre". A morte é uma separação de alma (espírito) e corpo. Quando não se crê que haverá ressurreição final do nosso corpo, a mensagem deixa de ser cristã e bíblica para ser "espírita". A igreja cristã e seus pregadores precisam reavaliar o significado e o “conteúdo” de sua fé. Na lembrança da ressurreição, encaramos o fato que este evento permitirá que você e eu bem como todos os que amam a Cristo e se oferecem a Ele, não terão seus corpos eternamente separados de sua alma (espírito) e sim, na consumação obterão miraculosamente seus corpos outra vez, sendo tornados incorruptíveis, viverão fisicamente em uma Nova Terra e em Novo Céu. (I Coríntios 15; Apocalipse 21). Assim sendo, podemos dizer: Aleluia, Ora vêm Senhor Jesus!

segunda-feira, 8 de março de 2010

MARIA, MARIA....

No dia internacional da Mulher, lembro-me de Maria, a mulher das mulheres, e fico pensando porque a I.E. (igreja evangélica) nunca deu lugar a esta mulher em plenitude. Será a antiga "guerrinha" contra a igreja romana, ainda? É mais fácil encontrar compôsições de hinos e cânticos sobre Barnabé e outros homens da Bíblia do que sobre a mãe de nosso Salvador. A I.E. critica loucamente a idolatria da igreja romana porém revela indiretamente que possui seus ídolos também (sem contar a "antropolatria" de seus líderes). Está escrito em Lucas 1,38: «Disse então Maria: 'Eis aqui a serva do Senhor: cumpra-se em mim segundo a tua palavra'». No versículo 37 está escrito: «E o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador». Maria é o mais belo exemplo do amor a Deus. Nenhum homem poderia espelhar melhor a graça divina senão Maria. O amor de Maria é o amor que faz cumprir a gloriosa palavra de Deus em sua vida. Todo esse amor está imbuído de gratidão, alegria, pureza, submissão e sofrimento. Essa manifestação do amor por Deus nos mostra ainda mais claramente a ilusão, o engano, o valor passageiro de tudo que parece ser bom neste mundo. A revelação desse poderoso amor é a arma que «dissipa os soberbos no pensamento de seus corações. Depõe dos tronos os poderosos, e eleva os humildes. Enche de bens os famintos, e despede vazios os ricos». (Lc 1, 51-53).
Precisamos voltar nossos olhos a Maria, pois embora a religiosidade evangélica se afirme não-preconceituosa, ainda mantém o preconceito contra a mulher, todas as vezes que não fala, não retrata e não valoriza esta mãe e filha de Deus, o paradigma do amor divino.
Kyrie Eleison.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Cansei de Ouvir e não vou reproduzir estes chavões

Registro aqui os chavões que a maioria do povo evangélico fala. Afirmo que cansei de ser "papagaio religioso" juntamente com o Pr. Ricardo Gondim que enumerou uma série deles:

1. Amém? Está fraco. AMÉM? Amém ou não amém?
2. Quem quer receber uma bênção de Deus hoje, levante a mão.
3. Existe a lei da semeadura, e o número da conta é...
4. Isso é roubo, meu irmão; você nasceu pra ser cabeça, não cauda!
5. Esse acidente aconteceu porque você deve ter dado brecha.
6. O Diabo quer lhe destruir.
7. Estou vendo uma obra de bruxaria em sua vida.
8. Vamos quebrar as setas inimigas.
9. Nada vai impedir que você seja um conquistador.
10.Não há nada de errado com o dinheiro; o único problema é o amor ao dinheiro.
11. Nossa denominação ainda vai conquistar o mundo.
12. A partir de hoje São Paulo nunca mais será igual.
13. Nós somos um povo que não conhece derrota.
14. Venha para Jesus e pare de sofrer.
15. Você é filho do Rei e não merece estar nessa situação.
16. Temos a visão de conquistar a Europa para Cristo.
17. Essa doença não existe, ela é apenas uma ameaça do Diabo.
18. Deus está nos dirigindo para abrirmos uma igreja em Boca Raton.
19. Vamos amarrar os demônios territoriais que estão sobre o Brasil.
20. Todos os que fizerem a campanha das sete semanas alcançarão seus sonhos.
21. Compre esta Bíblia fantástica com os comentários de...
22. Estamos num mover apostólico e o avivamento brasileiro é semelhante ao do livro de Atos.
23. Teremos uma explosão de milagres na maior concentração religiosa da história.
24. Vamos ficar em pé para receber o Grande Homem de Deus, fulano de tal, com uma salva de palmas.
25. Quando vejo essa multidão de quinze mil pessoas, só tenho vontade de dizer que amo cada um de vocês.
26. O Reino de Deus precisa de um candidato na Câmara; vamos eleger nosso irmão que vai fazer a diferença.
27. Deus abrirá uma porta de emprego para você, meu irmão.
28. Semana que vem teremos mais uma sessão de cura interior.
29. Enquanto não pedirmos perdão ao Paraguai pela guerra, nunca seremos uma nação próspera.
30. Os Estados Unidos são uma bênção porque o presidente deles é crente.
31. Tudo é miçanga, só Deus é jóia.
32. Não sou dono do mundo, mas sou filho do dono.
33. Este carro ficará desgovernado em caso de arrebatamento.
34. Crianças, cantemos: “Cuidado olhinho no que vê, cuidado mãozinha no que pega... nosso Pai está olhando pra você”!
35. Olhe para o seu irmão do lado e diga: Eu amo você!
36. O Espírito Santo está me revelendo que existem ladrões nesta igreja que não entregaram seus dízimos.
37. Ah, seu problema é maldição hereditária.
38. Quando você não entrega o dízimo na casa de Deus, Ele não tem compromisso financeiro com você.
39. Quero que vocês dêem uma oferta especial para manutenção do nosso programa de rádio e TV, pois foi Deus quem mandou pregar na mídia.
40. Ora em línguas aí, irmão.
41. Restitui, eu quero de volta o que é meu.
42. A visão da nossa igreja é evangelizar. Obra social é com o governo.
43. Abram suas Bíblias no livro "X". Quem encontrou diga amém, quem não encontrou diga misericórdia.
44. Eu gostaria de cumprimentar a igreja com a paz do Senhor (se gostaria, então cumprimente, ou vai ficar na vontade?).
45. Abra o seu coração (como?).
46. Deus está aqui (que algo mais óbvio que isso).
47 - Deus está curando voê, minha irmã, deste nódulo no seio que você nem sabia que tinha (depois dessa, dizer mais o que).
48. Deus está operando poderosamente (alguém já viu Deus operar "meia-boca"?).
49. Deus vai enxugar suas lágrimas (O que dizer? Como é fácil falar).
50. Tá amarrado! (alguém sabe quanto tempo o Diabo leva para se desamarrar?).
51. Deus vai dar à nossa igreja um programa na Globo (tô com uma pulga atrás da orelha. Acho que esse pastor quer figurar na novela das 8).
52. Irmãos, Deus me deu revelação. Esse será o ano de Elias, de Josué, de Gideão, de João Batista... (Não parece calendário chinês?).
53. Abra a boca e profetize; as palavras têm poder.
54. Hoje eu deixo de ser crente se Deus não operar um milagre. (Por favor, deixe mesmo!)
55. Meus irmãos, estas igrejas que usam rosas ungidas, sal grosso para descarrego, etc., não são de Deus!....Ao final do culto tragam seus documetos, carteira de trabalho, chave de casa e do carro para ungirmos, pois aqui a coisa é diferente, Deus opera!
56. Não diga isso. As palavras têm poder!!
57. Incendeia tua noiva, Senhor.
58. Seja um adorador extravagante!
59. Fui chamado para ser um levita na casa do Senhor. Posso cantar na sua igreja e vender meus CDs?
60. Não podemos fazer da igreja um clube.
61. Sendo dizimista, você pode colocar Deus contra a parede.
62. Meus irmãos, é hora de mudar o Brasil.
63. Quem tem um caroço em qualquer lugar do corpo, levante a mão que Jesus vai curar agora.
64. A Rede Globo conspira contra a igreja.
65. Quanto mais glória você manda pra cima, mais glória Deus manda pra baixo.
65. Não dá o dízimo na casa de Deus, mas acaba "dando" na farmácia (Hum, não sei não!)
66. Você que não dá o dízimo não tem moral pra exigir nada de Deus.
67. Vamos pisar na cabeça do diabo; o Diabo só conhece o número do meu sapato.
68. Quando o crente ora, deve esperar retaliação do Diabo.
69. Sabe qual o nosso problema? O mundo está entrando na igreja.
70.Eu soube que o Anticristo já nasceu e está se preparando para aparecer.
71. Eu soube de um pastor que encontrou uns feiticeiros que estavam jejuando para fazer os pastores caírem.
72. O Rei Leão da Disney é gay!
73. Minha irmã, você precisa da nossa cobertura! (essa é quase pornográfica).
74. Não esqueça de enviar os boletos bancários que eu prometo subir o monte nesta madrugada e interceder por sua vida.
75. Não fique triste com a morte do seu filho (ou com seu divórcio, ou com sei lá o que). Tudo tem um propósito e Deus sabe o que faz.
76. Irmãos, hoje o Senhor falou comigo pela manhã para trazer esta palavra.
77. Orei e a chuva parou.(então ora e manda chuva pro nordeste, não é?)
78. Estou sentindo uma opressão aqui.
79. Hoje vamos ouvir o testemunho do Irmão que era ex-gay, ex-traficante, ex-drogado, ex-macumbeiro, ex-cafetão, ex-morto, ex-satanista, ex-sei-lá-o-que e que agora é crente!!!
80. Todo inimigo, fora daqui!
81. Posso ouvir 3 aleluias e 8 améns?
82. Cuidado para não perder a benção, irmão.
83. Não adianta fugir de Deus, Ele vai ter pegar na curva.
84. Se não vier pelo amor, vem pela dor.
85. Sabe quanto custa uma consulta, uma internação? Dar o dízimo é mais barato.
86. Deus me revelou que 50 irmãos vão contribuir com mil reais cada um. Quem é o primeiro? Se não tem ninguém, então devem existir aqui 50 valentes que vão contribuir com quinhentos... Agora chegou a sua vez, meu irmãozinho querido. Todos vocês que sobraram tragam suas ofertas de um real. (Que leilãozinho ordinário, heim?)
87. Tomara que ao sair daqui um carro não passe por cima de você; vou orar para que Deus lhe dê mais uma chance.
88. Não troque sua salvação por um copo de cerveja.
89. Nesta noite Deus vai disribuir dar sapatos de fogo (Eu prefiro os de couro!)
90. Infelizmente ele preferiu morrer sem salvação do que voltar pra nossa igreja.
91. O diabo tentou impedir que você viesse aqui nesta noite, porque ele sabia que você seria revelado
92. Eu tinha preparado uma mensagem, porém o Espírito Santo quer que eu pregue sobre santidade (...E dê-lhe regrinhas!).
93. Deus confirmou a mensagem desta noite enquanto a irmã cantava aquele hino.
94. Dê o melhor que você tem , Deus não quer troco de ônibus.
95. Tire a melhor nota que você tem e ofereça o melhor sacrificio ao Senhor.
96. Tive uma visão que no estacionamento da igreja só tinha carro zero km.(Acho que ele confundiu a igreja com a concessionaria ao lado).
97. Minha teologia é joelho no chão!!!(Essa teologia é no mínimo esquisita).
98. Deus conhece a sinceridade do meu coração! Eu preciso da sua ajuda para manter este programa no ar e o número da conta é... (Sim, eu sei que Deus conhece tudo. Eu é que estou com alguma suspeita).
99. Se você sair de férias e não deixar o cheque do dízimo vai dar tudo errado na sua viagem. (E agora? Esqueci! Deve ser esse o motivo porque furou o pneu do carro)
100. Deus não escolhe os capacitados mas capacita os escolhidos. (Há muitos pastores repetentes nessa escola de capacitação).
101. Não toque contra o ungido do Senhor. (Chavãozinho para proteger os líderes inseguros).
102. Não diga a Deus que seu problema é grande; diga ao seu problema que o seu Deus é grande. (Poesia de quinta categoria]
103. Você é a menina dos olhos de Deus [com remela?]
104. Aqui é uma igreja diferente (Sério? Então tá].
105. Se vocês confiam em nós, pastores, para trazer a palavra de Deus, devem confiar na nossa administração das ofertas. Não precisamos prestar contas a ninguém, só a Deus [Hummm. Acontece que a palavra foi fraquinha).
106. Chega de esperar; hoje o seu milagre vai chegar (Posso reclamar no Procon?).
107. Plante sua semente que você vai colher a cento por um (Pequenas igrejas, grandes negócios).
108. Deus sabe de todas as coisas (Que clichê cruel, na hora que não tem respostas para uma questão).
109. "Mateus, Mateus, primeiro os teus" [Não entendi, hã?]
110. Comunico o falecimento do irmão Fulano. Infelizmente, perdemos um bom dizimista (A família enlutada agradece pelo gesto de solidariedade...).
111. Depois do culto, compre meus livros e CDs de mensagens. Vão abençoar o ministério infantil que cuido. Tenho quatro filhos (Se a piada é sem graça, imagine a mensagem dos Cds e livros.).
112. Olhe para o irmão do lado e diga "você está bonito hoje" (Por que tenho que fazer esse tipo de coisa? Logo eu que sou gaúcho?).
113.Tem gente que lê muito e só cresce em sabedoria humana. O importante é o conhecimento de Deus ["conhessimento" com dois "esses", provavelmente...]

kyrie eleison...

Evangelizar ou "pescar no aquário dos outros"

..." e farão comércio de vós"... II carta do apóstolo Pedro 2,3

A cada dia que passa, vai se cumprindo a profecia de Cristo. A igreja de Cristo, progressivamente tem visto como os sistemas denominacionais (igrejas locais) e seus "pastores" tem feito comércio dos que desejam viver pela fé. Estou abominando este tipo de igreja. Cansei de ser chamado "evangélico" segundo a idéia popular. Não apoio nenhum evento evangelístico de massa. O evangelicalismo que hoje existe, tem muito mais de exploração de fé mercadológica do que da vivência e da pregação com simplicidade e humildade de Cristo. Não tenho desejo de apoiar ministérios personalistas. Hoje quando se diz: Vou a igreja. A pergunta que se faz é: De qual pastor? A igreja não é de pastor nenhum, de líder nenhum. "Ah vamos a igreja do Pr. fulano, ali a igreja é quente". Vivemos dias de confusão generalizada. Evangelizar, é anunciar a sua denominação. Se isso é evangelizar então não conte comigo. Prefiro a evangelização que passa pelo coração e não o discurso denominacional inócuo, vazio e cheio de chavões evangélicos. A evangelização que se faz por aí, é personalista porque a chamada evangelística tem uma motivação pessoal e não a glória de Deus. Há muita gente que prega o evangelho da igreja Tal. Cada dia mais os pastores-mídia, os mega-apóstolos estão pregando um outro Jesus que o cristianismo primitivo não pregou. E nesta "evangelização" o dinheiro é o foco principal. Não há como ser complacente com a heresia. Se os apóstolos foram vorazes contra a falsa verdade, nós não podemos abrir mão desta tarefa, mesmo que isso nos custe a própria vida. Por isso o Apóstolo Pedro já advertia: Estes, farão comércio de vós...Deus tenha misericórdia! Kyrie Eleison.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

JESUS CRISTO E O JESUS ANUNCIADO POR AÍ

Jesus não pregou a vinda do Reino com armas nas mãos. Jesus não causou feridas, mas curou feridas. Jesus não decretou a luta de classes, nem a guerra santa em nome de qualquer tipo de libertação. Jesus não quis dominar, mas servir. Jesus recusou todo tipo de poder, a demagogia, a violência, a manipulação de pessoas, a força, a coação. Jesus não se comprometeu com nenhum grupo, partido político ou religioso. Jesus vem a ser um revolucionário no sentido verdadeiro e radical da palavra. Por seu modo de pensar, falar e agir. A maneira de ser de Jesus renova e transforma a pessoa de dentro para fora, remove a revolução por motivações políticas, econômicas, sociais, culturais religiosas, profundamente injustas, opressivas e desumanas.

Jesus promove a verdadeira religião contra qualquer sistema pseudo-religioso que produza discípulos em série, que envolva o domínio do marketing da fé consumista, enquanto refreie a possibilidade das pessoas pensarem livremente. A revolução que Jesus realiza vai confrontar um sistema opressivo e não libertador que instigue relações de simbiose entre pessoas. Jesus profetiza contra a concorrência denominacionalista evangélica que prega um messianismo pessoal e interesseiro.

Jesus veio para romper com tudo isso. Jesus veio mostrar que o ser humano somente pode se entender “humano” quando se somente quando resigna-se com a graça de Deus. Jesus Cristo vai confrontar o cristianismo consumista pois não lhe pede nada, não lhe imprime nada, não negocia nada, apenas mostra que, seja o que for e como for, o amor de Deus é plural, é a-paradigmático, é inextinguível, é anti-segregacional, é a-religioso, é a-temporal.

Jesus revela na cruz que Ele ama a quem quer, como quer, do jeito que quer, quando quer (Ele quer sempre). Jesus vem mostrar que embora todas as estruturas religiosas de poder possam “eliminar” faltosos e "pecadores", ele continuará acolhendo, para ir transformando e convertendo o desumano para se tornar como Ele, humano de corpo e alma, amando e sendo amado, sem eliminar, excluir, sem descartar, sem consumir. Por isso Jesus é um revolucionário. Esse é o verdadeiro Jesus e não o caracturado por tantos púlpitos nefastos e diabólicos que mancham e desfiguram a mensagem da cruz.
Rev. Luiz Augusto C. Bueno
Jardim São Paulo, carnaval de 2010

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O MAIOR PEDIDO DA ALMA!

«Cria em mim, ó Deus, um coração puro» (Sl 50, 12).
A pureza do coração corresponde ao grau de amor e de graça de Deus; assim, quando o nosso Salvador chama bem-aventurados àqueles que têm o coração puro (Mt 5, 8), fala daqueles que estão cheios de amor, porque a beatitude é-nos dada segundo o grau do nosso amor. Aquele que ama verdadeiramente a Deus já não cora diante do mundo por aquilo que faz para Deus, não o esconde com atrapalhação, ainda que o mundo inteiro venha a condená-lo. Aquele que ama verdadeiramente a Deus vê como um ganho e uma recompensa a perda de todas as coisas criadas, e até a própria perda de si próprio por amor a Deus [...]. Aquele que trabalha para Deus com um amor puro, não só não se perturba por ser visto pelos homens, como também não age de forma a ser visto por Deus [...]. É coisa grande exercitarmo-nos muito na prática do amor santo, porque a alma que atinge a perfeição e a concepção do amor não tardará, seja nesta vida, seja na outra, a ver o rosto de Deus. Aquele que tem o coração puro aproveita igualmente quer da exaltação quer da humilhação para se tornar sempre mais puro, enquanto que o coração impuro disso só se serve para produzir ainda mais frutos de impureza.
O coração deposita em todas as coisas um saboroso conhecimento de Deus, puro, espiritual, cheio de alegria e de amor.
João da Cruz, contemplativo, doutor da igreja (+1591)

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A COMUNHÃO AFETA NOSSA SANTIFICAÇÃO??

"Se, porém andarmos na luz, como ele está na luz, temos Comunhão uns com os outros e o sangue de Jesus, Seu Filho nos purifica de todo pecado”. (1 João 1.7)

E como afeta! Sem dúvida alguma a graça de receber perdão está diretamente ligada a graça de perdoar. Por causa do materialismo e consumismo existente hoje nos arraiais evangélicos, a idéia de perdão e comunhão se tornou muito verticalizada. Há muitos cristãos que acreditam que a área mais importante de suas vidas é estar em comunhão com Deus do ponto de vista pessoal e que a realidade horizontal, isto é, os relacionamentos tem pouco a oferecer a eles. Na verdade, esta idéia é mais pagã do que cristã. E sem querer, nos encontramos mais paganizados do que cristianizados. A época da Igreja primitiva é marcada pelos cultos pagãos que eram oferecidos a deuses e a deusas que exigiam um culto individualista. Há muita razão em Paulo questionar a espiritualidade dos Coríntios devido ao culto a Deus transformado quase em um culto pagão, pois as mesmas línguas que eram faladas no culto corintiano pagão eram também repetidas no culto cristão, especialmente as línguas estranhas que eram segundo os politeístas um testemunho da espiritualidade estática dos adoradores nas religiões de mistério.
Quando Jesus aparece, ele vem questionar toda esta espiritualidade mórbida e estática que havia e mostrar que a comunhão vertical está ligada a comunhão horizontal. Não posso ser perdoado, se ainda não perdoei. Os apóstolos e mais especificamente João compreendeu essa visão e então nos mostra que os relacionamentos humanos tem muito a ver com a comunhão com Deus. Não posso amar a Deus a quem não vejo, se não amo a meu irmão a quem vejo. E por isso, analisando este texto acima citado, podemos chegar a algumas conclusões práticas:
1. A comunhão uns com os outros é essencial para sermos moldados por Deus. Não há dúvida que quando aprendemos a conviver e aceitar pessoas diferentes, nos tornamos mais humanos. Quando nos relacionamos e nos submetemos uns aos outros, várias virtudes brotam de dentro de nós e elas são conseqüências da ação do Espírito Santo. Não somos mais bondosos se não houver um ambiente para que demonstremos isso. Seremos mais tolerantes e pacientes e essa virtude refletirá a paciência de Deus para conosco.

2. A comunhão uns com os outros produz espiritualidade sadia. João diz: E o sangue de seu filho nos purifica de todo o pecado. Há muita gente doente emocionalmente porque nunca aprendeu o que é perdoar e ser perdoado. Há muita espiritualidade esquizofrênica. A espiritualidade verdadeira só se encontra nos relacionamentos humanos. João diz que a comunhão é resultado de andar na luz. Então, vemos que jamais seremos iluminados por Deus se não aprendermos os passos de Jesus. Crescemos espiritualmente não só quando estamos estudando a Palavra, mas quando nos mostramos acessíveis a pessoas, externalizando nossas fraquezas, buscando ajuda uns com os outros, desenvolvendo relacionamentos que sejam respeitosos e amigáveis. Aqueles que se mantém embrutecidos e rígidos em seus relacionamentos não aprendem o que é a Graça de Deus. Por isso não existirá jamais uma igreja virtual. Só há amor quando nos colocamos debaixo de um mesmo ambiente. Foi isso que Deus fez quando se encarnou.

3. A comunhão uns com os outros nos ensina a sermos um mesmo na diversidade. A comunidade dos discípulos de Jesus é a única sociedade que pode mostrar ao mundo o verdadeiro amor, porque aprendem que existe um vínculo muito mais forte que os une do que os pequenos vínculos que pode fazê-los desunidos. Vez por outra, ouvimos de Igrejas inteiras que se dividem por que aspectos periféricos de cultura ou mesmo litúrgicas acabam por separar o corpo de Cristo. Há muitos que se convertem a um método cristão e não a Cristo. Há os que acreditam que ser verdadeiro cristão é manter uma forma de liturgia sem quaisquer vínculos com os seus semelhantes.
Deus usa o Espírito Santo para espalhar a diversidade no mundo. Este é nosso maior desafio. A diversidade jamais poderá nos separar, porque o que nos une é a pessoa maravilhosa de Cristo, seu amor, seu sacrifício, sua vida, sua morte e sua ressurreição. Portanto somos desafiados a olhar para a nossa espiritualidade, olhando para o nosso irmão. Quanto mais soubermos conviver na diferença, mais estaremos encontrando uma comunhão sadia para a glória de Deus.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O SACRAMENTO - PREPARAÇÃO PARA A GLÓRIA

São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero em Antioquia e posteriormente Bispo de Constantinopla, Doutor da Igreja
Homilias sobre a 1.ª Carta aos Coríntios, n.° 24, 4 ; PG 61, 204 (a partir da trad. Delhougne, Les Pères commentent, p. 383)
«Tomou, então, o pão e, depois de dar graças, partiu-o e distribuiu-o por eles, dizendo: 'Isto é o Meu corpo, que vai ser entregue por vós'» (Lc 22, 19)

Para nos levar a amá-l'O mais ainda, Cristo deu-nos a Sua presença como alimento. Aproximemo-nos então d'Ele com muito amor e fervor. [...] Os magos adoraram-n'O, esse pequeno corpo deitado na manjedoura. [...] Ao verem o Menino, Cristo, numa manjedoura, debaixo de um pobre tecto, e não vendo nada do que vós vedes, aproximaram-se d'Ele com grande respeito.

Já não O vereis numa manjedoura, mas no altar. Já não vereis uma mulher que em seus braços O segura, mas o sacerdote que O oferece; e o Espírito de Deus, em toda a Sua generosidade, plana sobre as oferendas. Porém, não só é o mesmo corpo que os magos viram que agora vedes, como para além disso conheceis a Sua força e sabedoria, e nada ignorais do que Ele cumpriu. [...] Despertemos então, e despertemos em nós o temor a Deus. Tenhamos pois muito mais piedade do que esses estrangeiros, para podermos ser dignos de nos aproximarmos do altar [...].

Essa mesa fortifica-nos a alma, unifica-nos o pensamento, sustenta-nos a certeza, a segurança; é a nossa esperança, a salvação, a vida. Se deixarmos a terra depois deste sacramento, entraremos com perfeita segurança nos átrios celestes, como se estivéssemos protegidos, por todos os lados, por uma armadura de ouro. Mas porquê falar do futuro ? Já aqui neste mundo, o sacramento transforma a terra em céu. Abri pois as portas do céu, e vede o que acabo de dizer. O que há de mais precioso no céu, mostrar-vo-lo-ei na terra. O que vos mostro, não são nem os anjos, nem os arcanjos, nem os céus dos céus, mas Aquele que é o seu Mestre. Vós vedes então de uma certa maneira, na terra, o que há de mais precioso. E não somente O vedes, como O tocais, O comeis. Purificai pois a alma, preparai o espírito.

sábado, 28 de novembro de 2009

Muito mais do que um evangélico!

"Porque a ninguém tenho de igual sentimento que, sinceramente, cuide dos vossos interesses; ... e conheceis o seu caráter provado, pois serviu o evangelho, junto comigo. Por um lado, meu irmão, cooperador e companheiro de lutas; e por outro lado, vosso mensageiro e vosso auxiliar nas nossas necessidades. Honrai sempre a homens como esse... visto que por causa da obra de Cristo, se dispôs a dar a própria vida, para suprir a vossa carência de socorro para comigo". Filipenses 2.20,22,25,29,30
"Tu porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão. Combate o bom combate da fé. Toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado e de que fizeste a boa confissão perante muitas testemunhas" I Timóteo 6.11,12.

Levi Accioly Lins foi educado e instruído na disciplina do Senhor. De uma família presbiteriana, seu pai foi um dos fundadores da Igreja Presbiteriana da Madalena. Sua mãe, fiel serva de Deus, encaminhou-o na vida cristã e na igreja.
Sua instrução cristã foi além de sua parentela. Amigo dos filhos de missionários fundadores das instituições presbiterianas de Pernambuco, morou por algum tempo com a família Arehart, fundadora do Instituto Bíblico do Norte, em Garanhuns, PE. Experimentou a bênção de estudar por alguns anos no histórico Colégio XV de novembro, e teve sua educação fundamentada no Colégio Agnes Erskine. Sua experiência com vários missionários americanos, foi parte integrante de sua educação.
Era o caçula dos irmãos e em certo momento de sua juventude, tomou a decisão do filho pródigo como conta-nos a parábola de Lucas 15. Deixou sua família no Recife e foi para o Rio de Janeiro "tentar a vida". Abandonou os ensinos cristãos e dissolutamente gastou sua vida entre a classe artística do Rio de Janeiro nas décadas de 60 e 70. Passou 20 anos, longe da fé, chegando a tornar-se um dos carnavalescos mais conhecidos em sua época, trabalhando diretamente na Escola de Samba Império Serrano.
Desenvolveu ali os talentos e habilidades que possuía, mas não era definitivamente feliz.
Sua felicidade, tornou-se plena e concreta, quando Deus o chamou na cidade do Rio de Janeiro, na Igreja Presbiteriana de Copacabana, passando ao lado da Igreja ouviu o cântico: "Meu coração transborda de amor... por que meu Deus é o Deus de amor"! Seu coração desabrochou e sua alma voltou-se para Cristo. Deus na sua infinita misericórdia e graça, soberanamente o chamara para voltar ao lar. E Levi embora vivendo em uma das coberturas dos edifícios na avenida Copacabana, rejeitou radicalmente sua maneira de viver e retornou para o Recife. Mas sua saúde nestes tempos já era débil, conseqüência do estilo de vida longe do Senhor.
Retornando ao Recife, com um câncer nas costas, Deus o curou, dando a segurança e garantia de sua graça em seu coração. A partir dali, devotou-se ao serviço de Cristo como membro da Igreja Presbiteriana da Madalena, foi acompanhado pelo seu pastor Rev. Edijéce Martins Ferreira e eleito diácono, onde serviu por longos anos. Sua eleição para presidente da Junta Diaconal, foi apenas o referendum de sua dedicação. Fosse na assistência social, fosse na ajuda para qualquer atividade extra igreja, estava lá, Levi, o fiel cristão e dedicado. Tal foi sua fidelidade ao trabalho de Deus, que ao completar 50 anos de fundação a Igreja Presbiteriana da Madalena, conferiu-lhe uma homenagem sincera e cheia de gratidão pelos serviços prestados e pelo fiel testemunho cristão ao longo dos anos. Ali, Levi pôde cursar e formar-se no Instituto Bíblico Samuel Falcão, extensão do Instituto Bíblico do Norte de Garanhuns e se concentrando especialmente no estudo do Antigo Testamento, se especializou, tendo instrução direta do missionário holandês Dr. Francisco Leonardo Schalkwijk. Seus estudos sobre o Tabernáculo, o levaram à várias igrejas e congregações com seu flanelógrafo e seus ensinos sobre a Soberania de Deus e a vida Cristã. Seu envolvimento no apoio e ajuda aos seminaristas do Seminário Presbiteriano do Norte, o tornou conhecido por muitos pastores que hoje estão espalhados pelo Brasil e pelo mundo.
Mas o seu serviço despretensioso, que marcara a vida da I.P. Madalena agora se expandia. Em 1995 chamado pelo então Diretor do IBN, Rev. Maely Ferreira Vilela, aceitou o convite para ser professor da área de Antigo Testamento onde perseverou na multiplicação de missionários e missionárias que hoje estão batalhando nos campos de todo Brasil.
Com a chegada de seu amigo e irmão, Rev. Luiz Augusto Corrêa Bueno para a direção do IBN em 1996, Levi desenvolveu não somente o ministério docente como também de coordenador geral do internato dos alunos. Seu carisma e sua dedicação aos alunos, bem como a experiência com os missionários americanos do passado o havia habilitado para ser líder ali. Mas esta função era apenas oficial, pois o ministério de Levi extrapolava o cumprir estes mandatos. Era o conselheiro, o pai, o irmão, o professor, o cozinheiro, o alfaiate, o administrador, o decorador, o pintor, o pedreiro, o evangelista, o missionário, o pastor, o defensor dos alunos, o fiel amigo de todas as horas.
Foi ao longo deste ministério no IBN, que hoje esta escola missionária se desenvolveu ainda mais. Com a chegada do administrador Diácono Wagner de Siqueira Felipe, Levi se dedicou fortemente ao trabalho de liderar o internato do IBN.
Mas sua saúde era extremamente fraca. No Natal de 2000, precisou fazer uma angioplastia. E no dia 3 de maio de 2002 foi internado em uma clínica em Garanhuns, e após um AVC, não conseguindo resistir a esta situação, Levi foi chamado à glória de Deus. Seu sepultamento se deu no dia 4 de maio, Domingo, no Cemitério Parque das Flores no Recife.
Levi Accioly Lins, marca a vida não somente da Igreja Presbiteriana do Brasil, mas também do Reino de Deus. Exemplo de vida, testemunho e dedicação ao ser humano, Levi foi instrumento de Deus para a formação vocacional de muitos que passaram pelo IBN em Garanhuns, e continuará na memória de todos aqueles que hoje estão pelos campos, a serviço do Senhor. Sua vida é motivo de rendermos toda glória e honra ao Senhor Jesus, que regenera, cuida, vocaciona e usa servos como Levi. A Deus toda glória e louvor.
Rev. Luiz Augusto Corrêa Bueno
ex-Diretor do Seminário Presbiteriano do Norte e ex-diretor do Instituto Bíblico do Norte amigo pessoal de Levi Accioly Lins

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Crescimento numérico = vontade de Deus! Nem sempre!

Uma das questões que me traz preocupação é como os líderes religiosos de hoje idealizam uma comunidade segundo a vontade de Deus. Para muitos uma igreja ou congregação que vive segundo a vontade de Deus tem que estar em amplo crescimento numérico. Eu questiono essa afirmação e digo: “nem sempre”. Afirmo isso porque nem sempre as pessoas sabem o que significa crescer e relacionam este crescimento de acordo com um número de pessoas que se congregam para adorar a Deus nos domingos, num templo.
Quanto a isso, devemos ter uma visão mais amadurecida. Somos fruto de uma série de movimentos no decorrer da história que relacionavam crescimento numérico + vontade de Deus = Glória a Deus. Os muitos movimentos evangelicais na história criaram uma noção de que Deus quer que cresçamos em número.
Que o crescimento de uma comunidade aconteça a partir de um evangelho vivido entre os discípulos de Cristo, isso é verdade, porém estudando mais a fundo e experimentando o ministério depois de 21 anos, acabo vendo que em 90% dos casos de crescimento numérico nada mais são do que a aplicação de modelos e princípios empresariais.
Ora, o que vem a ser crescimento? Primeiro é bom lembrar que nenhum dos evangelhos afirma que Jesus usou o termo “plantem igrejas”! O termo plantar é bem recente. Nem mesmo as missiologias até meados do século XX usavam este termo para designar o testemunho. Na verdade o termo “plantar igreja” foi trazido dos Estados Unidos da América, fruto primeiramente do então Movimento de Crescimento de Igreja com Donald McGravan e Peter Wagner, se desenvolveu mais recentemente com o Movimento de desenvolvimento natural com Christan Schwarz e então desembocou no Movimento de Igrejas Dirigidas pelo Marketing com Bill Hybels e a “Igreja com propósito” com Rick Warren.
É importante sabermos que embora possuindo princípios sinceros, estes movimentos tentaram ser uma mola ou um gerador para “tirar a igreja da inércia espiritual” e produzir “necessariamente” uma dinâmica do ponto de vista humano. Como todo movimento estes possuem uma forte tendência pragmática e utilitarista. E é aí que me proponho a refletir.
Não questiono o crescimento “natural”, mas questiono o muito ativismo e consumismo religioso abafando o crescimento produto de uma vida cristã saudável. O ativismo torna as comunidades locais num “que-fazer” sem-sentido e tem gerado cristãos que vivem do ativismo cruel sem dar conta que estão cavando a própria “cova espiritual”.
Digo isso porque há movimentos dentro das comunidades sem sentido algum. Há tantos cristãos que em troca de uma idéia de agradar a Deus e a si mesmos, colocam em jogo suas vidas e suas famílias entregando-as a falência. Já vi vários casais que viviam aparentemente estáveis, após uma vida de encontros e eventos eclesiásticos se separaram. Isso demonstra que nenhum movimento por mais belo e tocante que seja pode produzir mudanças profundas e graves na vida de pessoas se isso não for ocupado pelo trabalho diário e perseverante por meio da vivência mútua do fiéis. Na maioria das vezes vive-se um ativismo “ignorante” tornando os eventos “um fim-em-si-mesmos”.
Por isso o Novo Testamento foi escrito a fim de que possamos compreender nosso papel como discípulos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Viver a vida cristã de modo saudável implica em compreendermos a finalidade para a qual a igreja de Cristo vive neste mundo.
O grande segredo dos cristãos é compreenderem a igreja como uma comunidade e não apenas como uma instituição. Para entendermos melhor esta frase, devemos lançar mão de algumas palavras usadas no Novo Testamento. A primeira é Koinonia, a segunda é Querygma, a terceira é Diaconia e a quarta Martyria.
A Koinonia significa comunhão e é o estilo de vida esperado por aqueles que vivenciam a fé cristã. Comunhão e amor é a sintese da Lei (Mc 12.29-31), a comunhão que regula a relação entre Jesus e o Pai e o Espírito Santo deve ser a mesma que regula as relações de seus filhos (Charles Barret). O amor dos discípulos uns pelos outros não pode ser meramente um teatro, mas de fato objetivo deve revelar o Pai e o Filho nos relacionamentos cristãos. Seus seguidores devem reproduzir o amor mútuo, o amor que o Pai mostrou ao enviar seu Filho, o amor que o Filho mostrou ao entregar a vida. (Charles H. Dodd). Não é meramente sentimentalismo provocado pela emoção, mas sim um tipo de ação que o Pai e o Filho e seus discípulos assumiram para si por amor ao mundo. Essa reação é ordenada aos discípulos. Esta koinonia é encarnacional, vivida entre pessoas diferentes porém obedientes a fé de Cristo (Jo 14.23). Ao falar de missão, Jesus em João 13.35 a relaciona com a vida em amor. Não há missão sem unidade, comunhão e vivência. A vida em comunhão constrangerá os de fora. É uma relação centrípeta, porém não voltada para uma auto-preservação. A instituição sempre fará da koinonia um meio para se auto-preservar, porém o organismo espiritual sempre promoverá a koinonia como o elemento principal para a vida espiritual saudável resultado naturalmente numa missão incoercibível.
O Querygma é a segunda palavra. A própria Koinonia envolve uma proclamação (kerigma) do Senhorio de Jesus. O senhorio de Cristo impulsiona a Igreja para fora na proclamação do evangelho ao mundo. Harry Boer diz: “Há um elo entre o ensino neo-testamentário do senhorio de Cristo e o propósito universal de Deus”. ( Rm 11.25-26; 16.25; Ef 1.9-10; 3.3-11; 5.32; Cl 1.26-27 e 1 Tm 3.16). “O senhorio de Cristo não é apenas um senhorio na Igreja e sobre o indivíduo que crê, mas sim um senhorio com proporções cósmicas e universais”. (At 4.25-30). O conteúdo do Querygma é a mensagem “Jesus é o Senhor”. Sendo assim necessariamente implica num movimento. “Jesus é o Senhor” significa “Jesus é o Senhor do mundo”. (Mt 28.19-20; Cl 1.15-20). “Não se pode confessar que Jesus é o Senhor sem, ao mesmo tempo proclamar o seu senhorio sobre todos”. Há aspectos muito fortes aqui de duas marcas da igreja: sua catolicidade e sua apostolicidade. Ao vivenciarmos Jesus como Senhor (kyrios) e não apenas como salvador (soter) estamos revelando que nossos valores foram alterados e não vivemos subjugados pelos valores da sociedade. Isso tem um resultado na vida, no comércio, nas decisões institucionais. Enfim, se Jesus Cristo é o Senhor, o mundo será mudado por ser Ele o Pantocrator (todo-poderoso, onipotente, governador). Ele é o Senhor de todas as pessoas, de toda a criação e da igreja, chamando todos para um encontro radical com Ele. Essa consciência faz naturalmente brotar uma energia que impele a comunidade para a frente por meio de atos e palavras, não num evento realizado, mas tão somente na vida cotidiana.
A Diaconia é a terceira palavra. Numa das afirmações do Donald McGravan encontramos que “a igreja é a comunidade dos crucificados”. Sem dúvida alguma levando em consideração que todos os cristãos vivem para um único propósito que é servir ao seu semelhante, as palavras de Jesus continuam ecoando: “O servo não está acima de seu Senhor” (Mt 10.24; Jo 13.16; 15.20). Portanto as experiências do discípulo serão as experiências de seu mestre. Não podemos fazer diferente. Uma comunidade saudável que vive segundo a vontade de Deus, está em serviço dinâmico entre seus irmãos de fé e também com os de fora. O “lavar os pés uns dos outros” é a primeira conseqüência da presença de Cristo em uma vida, a começar o líder, seja ele quem for. (Jo 13.16). A postura do discípulo será sempre o de servir com humildade (Jo15.20) e servir sem esperar retorno. Se ainda não conseguimos fazer isto, Cristo não está em nosso coração completamente. O Conceito de servo no Novo Testamento é uma junção de vários termos: doulos (servo como escravo), leitourgos (servo como condutor), diakonos (servo pessoal e livre). Assim a comunidade de discípulos de Jesus vive servindo uns aos outros por meio de seus dons, habilidades pessoais e talentos naturais. Não há honra nisto porque essa atitude é tão simples como natural de cada servo. Fazem isso não por obrigação mas por natureza e peculiaridade. Quer saber quem está na caminhada cristã, veja os que servem sem esperar retorno. “Para a igreja o ministério da diaconia são as mãos e os braços”. “A Igreja se torna então uma comunidade diaconal de amor”. Qualquer pessoa desejará viver nesta comunidade, se vir cada um deles servindo em amor. Isso é missão como resultado da diakonia. A diaconia não pode ser isca para qualquer tipo de evangelização. Jesus jamais afirmou tal coisa. Como bem afirma van Engen: Diaconia é a manifestação inevitável e necessária da natureza essencial da igreja como comunidade dos discípulos de Jesus. Diaconia não é simplesmente uma coisa boa, é a natureza fundamental da igreja cristã. Ministrar a todos os necessitados de todos os lugares (At 1.8). Quando a igreja missionária de Deus deixa de lado o ministério diaconal, algo de sua natureza missionária deixa de brotar”.
Martyria é a quarta palavra. A comunidade dos discípulos de Cristo é a comunidade de “testemunhas”. O testemunho é o termo usado por São Lucas tanto em seu Evangelho como em Atos dos Apóstolos. Não tem a idéia apenas de testemunha ocular, mas também de uma testemunha que coloca todas as coisas em jogo, até a sua própria vida para testificar tal verdade podendo chegar ao martírio. Isso tem a ver com o princípio da entrega da vida em prol de uma verdade iniludível. Assim o evangelho deixa de ser apenas uma coisa boa, para ser a razão da existência. O evangelho deixa de ser um produto a ser oferecido a qualquer um para ser um estilo de vida. O evangelho deixa de ser um meio para que possamos receber bênçãos para ser um meio onde se oferece Dons e talentos por meio da doação e renúncia. Martyria extirpa de vez a idéia do consumismo, demônio presente nas verbalizações de muitos pregadores atuais. Assim “as pessoas que não conhecem a Jesus devem conhecê-lo na presença, proclamação e nos atos e palavras da igreja”. É coerente lembrar que a igreja quando se faz presente por meio de suas palavras e atos já é a própria essência da evangelização. A visão de embaixadores se faz presente não pela importância pessoal, mas pela presença autorizada de Cristo, sob a graça (2ª. Co 5.18-21).
Portanto, vale a pena procurar de tempos em tempos, fazermos uma autocrítica a fim de avaliarmos o que estamos fazendo com a missão e evangelização em nossos dias. Se estas são fruto de idéias pré-concebidas dentro de um mercado globalizado levando a igreja a ser subserviente a um sistema satânico que aí está ou se nossas comunidades buscam viver a simplicidade e a sinceridade de Cristo, resultando em uma missão produto natural da vivência uns com os outros e com a própria Divindade. Bom é lembrar o cuidado de São Paulo: “O que receio, e quero evitar, é que assim como a serpente enganou Eva com astúcia, a mente de vocês seja corrompida e se desvie da sua sincera e pura devoção a Cristo”. ( 2ª. Coríntios 11.3)

Farto!

Estou farto de caprichos e melindres,  de queixumes dos que vivem a lustrar as moedas de seu passado. Estou farto dos caciques eclesiais. Qu...