sábado, 27 de fevereiro de 2016

NOSSA ESPIRITUALIDADE PASSA PELO BOLSO!







Essa famosa frase do passado, ainda é muito atual. Espiritualidade e uso do dinheiro e dos bens sempre foram muito mal compreendidos em toda a história. Nestes últimos anos temos sido oprimidos pelos pregadores televisivos se valendo da fé para roubar o dinheiro de muitos incautos que doam quantias enormes em prol de determinados “ministérios ungidos”. Por outro lado, em reação a esta mensagem do diabo há os que retêm a mão para ofertar e dizimar, não acreditando na fidelidade do Dízimo.

Há de fato muita confusão com o uso de alguns termos no meio cristão como caridade, esmola, donativo, contribuição, ofertas e dízimos. Contudo, é importante entendermos que embora sendo chamados a praticar a maior virtude chamada “amor”, isso não substitui nossa prática nas ofertas e nos dízimos, até porque ninguém é chamado a administrar o que devolve a Deus. Ele apenas pede 10% de tudo o que é dEle pois nada é nosso. 

Doar se traduz em ações e boas ações. Da mesma forma que somos chamados a renunciar nosso egoísmo e nos projetar em favor das pessoas, somos chamados a praticar nossa fidelidade a Deus no serviço para com nossos irmãos necessitados que nos pedem e batem à nossa porta. Também praticamos a mordomia cristã quando transformamos nossa espiritualidade em forma e afeto quando por exemplo, nos propomos a ajudar pessoas desalojadas, desabrigadas, que perdem tudo em uma determinada tragédia. As contribuições são positivas também por que são aquelas que assumimos em caráter provisório ou permanente destinadas às instituições filantrópicas, sociais e missionárias. 

Mas o dízimo e as ofertas que tem por base nossa produção, devem ser destinados a comunidade local onde servimos pois assim como os apóstolos recebiam as ofertas dos irmãos na Igreja Primitiva e as administravam, assim também entregamo-los como parte de nosso culto e adoração ao Senhor. 

Acima de tudo, em todas estas ações, devemos compreender que somente haverá bom uso ou Deus se agradará de nós se o fizermos pela fé com a motivação de gratidão e prazer em Deus. Alguns vivem o momento do ofertório no culto com indiferença, oferecendo seu dízimo como se fosse uma esmola. Deus não precisa de esmolas. Outros entregam sua oferta como se sentindo obrigados, uma vez que possuem a visão de um Deus amaldiçoador. E ainda outros o fazem para serem vistos pelos outros, envaidecendo-se de sua atitude.

Assim querido leitor, nosso amor pelo Senhor Jesus Cristo e pelas pessoas, está diretamente relacionado com a nossa ideia de justiça e santidade. Uma coisa não nos isenta destas outras. Todavia devemos estar seguros que não há valor em darmos o dízimo e sermos fofoqueiros, criadores de desavenças ou mesmo opressores de empregados, família, esposa, esposo ou filhos. A fé é uma virtude que envolve nossa vida de maneira integral. Portanto, pense seriamente nessa área da sua vida. Se você não tem sido fiel no dízimo e nas ofertas ou mesmo nas doações da “cesta da partilha”, comece a fazê-lo e pare de se sentir vítima da situação social do país. Obedeça pela fé. Você que embora esteja sendo fiel no dízimo mas não tem sido gracioso com sua família como um verdadeiro cristão, mas antes tem envergonhado o evangelho, mova-se a ser um cristão de maneira integral.

Não esqueça, nossa espiritualidade passa pelo nosso bolso!



Recife, 31 dias antes da páscoa de 2016 - Rev. Luiz Augusto Bueno

domingo, 21 de fevereiro de 2016

DISCÍPULOS DE CRISTOS OU MEROS CRENTES?



Nossos dias são confusos. A confusão é tanta que não se conhece mais um estilo de vida cristão. A cada dia que passa enquanto a tecnologia avança as pessoas estão mais preguiçosas, poucas são as que leem um livro por mês. A internet globalizou o conhecimento, mas também o vulgarizou e diluiu-o. Os que antes eram crentes e vinham de uma família tradicional possuíam um discipulado onde conhecer a Bíblia, suas histórias e tornar-se um discípulo de Cristo eram coisa muito comum. Hoje, encontrar alguém em comunhão em sua comunidade, realizando o discipulado e tornando-se um discipulador efetivo comprometido com pessoas é como procurar uma agulha no palheiro. Hoje nos tornamos pessoas dirigidas pelo “evento”. Eventos dirigem a vida dos crentes evangélicos, os eventos conseguem congregar os crentes. Mas quando há um culto comum, um encontro de oração no meio de semana, as igrejas que não são movimentadas e animadas por este “circo”, ficam vazias. 

Você meu leitor, sabe por que isso tem acontecido? Por que o discipulado de Cristo foi esquecido. A igreja deu as costas ao processo de integração de pessoas e alimentou o povo com a cultura do “pão e circo” evangélico. Quantos estão sendo encaminhados na vida cristã por que estão em discipulado? Quantos estão sendo integrados na igreja de modo efetivo? Por que não há mais discipulado! Os líderes não discipulam por que nunca passaram por um discipulado. Nós nos satisfazemos com cultos especiais, louvores especiais, escolas animadas, pregadores especiais, mas não conseguimos mais fazer homens e mulheres desejarem se submeter ao processo de integração pelo discipulado e estarem prontos a fazer novos discípulos.

Este ano o pastor elegeu o ano do discipulado na igreja. Neste ano desejamos fazer todo o possível para que todos possam estar comprometidos com o discipulado de Cristo. A igreja, quando não é sustentada pelo discipulado de Jesus, há desintegração. As pessoas ficam soltas na igreja, não sabem o que fazer, muitas saem pelas portas dos fundos da igreja e nunca mais voltam. Com isso inchamos as igrejas e não as transformamos num hospital de feridos, mas fazemo-las museus de crentes estagnados. 

Desafio você a partir de hoje a entrar no discipulado de Jesus. A se submeter a outros irmãos que estarão lhe discipulando, para que você discipule a outros. Se isso ainda não aconteceu em sua vida, talvez você nunca tenha se encontrado com Cristo, mesmo com tantos anos de membresia na igreja buscando eventos especiais.

Vamos redirecionar nossas energias, esforços e planos ao discipulado. O que você está fazendo se ainda não é um discípulo-discipulador? 

(31 dias antes da páscoa de 2016)



Rev. Luiz Augusto Bueno

sábado, 13 de fevereiro de 2016

JE SUIS ABRAÃO!


(EU SOU ABRAÃO)

Usando a frase que ficou famosa após o atentado terrorista que matou várias pessoas de um jornal na França no ano passado, enquanto meditava neste mês na história Abraão, pude me impressionar mais uma vez com o drama do Patriarca e buscar aplicar a sua história em minha história. 

Ao ler as páginas do Antigo Testamento, recebemos a dedução de que o mesmo foi canonicamente escrito para que nos vejamos nas múltiplas histórias de suas personagens. Neste caso, a história de Abraão em princípio é a minha história e a sua, meu leitor. Desde que Deus (Elohim) o chama para sair de sua terra e ir para uma terra que o Criador iria mostrá-lo, o Patriarca se põe a caminho e na sua peregrinação passa por fortes experiências com Deus, mas ao mesmo tempo sucumbe ao domínio de sua pecaminosidade. A vida de peregrinação acaba por se tornar o enredo de nossas vidas também. 

Ao lermos a caminhada do “Pai da Fé”, vemos quantas vezes Deus esteve ao seu lado fazendo promessas que jamais viu, mas que objetivamente deveria manter sua confiança nEle. Quantas vezes o “amigo de Deus” colocou a sua esposa em situação vulnerável? Quantas vezes enquanto recebia de Deus ajuda e providência, Abraão disse não ao propósito divino? Quantas vezes abriu mão de esperar e se antecipou buscando outro “herdeiro” que não fosse Isaque? 

Em nossa peregrinação aqui, tantas vezes, chamados a confiar em Cristo e entregar nossa vida a Ele, titubeamos em confiar, e nos expomos diante de nós mesmos como um “tipo” de Abraão? Quantas vezes, cheios de nossa auto segurança, nos tornamos vulneráveis ao pecado e levamos outros a pecar contra Deus também? Ademais da fé que recebemos devemos estar certos que não abandonamos nossa miséria humana e acabamos declinando diante de tantas experiências negativas, embora, passemos por situações as mais extáticas com Deus. Portanto, querido leitor, não nos fiemos a nós mesmos. Assim como Abraão somente foi justificado e aceito por Deus por causa de Sua misericórdia, assim também nós, somente somos aceitos por Deus e em Deus, se a graça de Cristo estiver presente em nosso coração. Se a salvação e a vida sob o senhorio de Cristo são possíveis a nós, meros pecadores, assim também devemos trabalhar esta fé em nós a tal ponto que esta seja manifesta em nossas ações, isto é nas nossas boas ações.

Lutemos e coloquemos a prova nosso coração a todo instante e vamos chegar à conclusão que somente somos o que somos por que Deus é Deus e nos possibilita por amor de Seu nome nos incluir em sua vida eterna. Portanto, joguemos no lixo nossa justiça própria, nosso dedo acusador, nossa língua ferina, por que afinal nous sommes tous Abraão (Nós todos somos Abraão).



- 38 dias antes da páscoa de 2016 -



Rev. Luiz Augusto Bueno