segunda-feira, 22 de agosto de 2016

SONHO DE PASTOR



Se puder chamar o que vou escrever aqui de sonho, então chamarei. Talvez seja a manifestação de minhas orações ao longo destes sete anos onde estive pastoreando a IPJSP. Na verdade ao colocar estas linhas diante de teus olhos, querido leitor, me torno mais uma vez alvo de teus julgamentos pessoais, porém, não me dou por me sentir julgado por você e sim por Deus que conhece meu coração. 

Sim, sonhei e diante de Deus sempre desejei que ao deixar um dia a IPJSP, pudesse vê-la não maior em número de pessoas ou que ela estivesse mais rica financeiramente. Sempre sonhei com uma comunidade madura espiritualmente. Sonhei com pessoas mais engajadas não por obrigação, mas sim pelo amor que possuem por Cristo. Sonhei com uma liderança segura e forte, comprometida com a visão e a missão de ser igreja no nosso bairro e na nossa cidade. Nunca pensei em implementar modelos de outras igrejas em nossa comunidade. Sempre entendi que cada igreja tem sua forma de ser e por isso esperei sempre que a nossa IPJSP pudesse ter um estilo próprio, um jeito próprio de ser na liturgia do culto, nos cultos de oração e no exercício dos dons de cada um. 

Por isso sempre esperei que cada membro e congregado pudesse compreender meus pensamentos através dos inúmeros sermões e inúmeras aulas de escola dominical. Sempre esperei que cada um pudesse aprender comigo como se fazia tal coisa, como se postava em determinado problema... 

Nossa igreja ainda está passando por uma transição, assim vejo eu. O movimento de pessoas que passam por nós e que não se enraízam é porque não compreenderam que o lugar deles seja ali. Porém muito me entristece quando ao receber uma pessoa por transferência, por batismo ou profissão de fé, no insistir com elas de que é um voto ao Senhor que fazem no momento de seus batismos, e logo depois elas abandonam a igreja, somente posso entender que estas não haviam de fato submetido suas vidas ainda a autoridade da Palavra de Deus e que a sua prática de vida precisava se moldar ao discurso delas.

Sonhei durante estes sete anos com uma igreja missionária. Não entenda missionária porque há um departamento de missões encabeçando projetos e promovendo conferencias, mas uma igreja onde cada um sabe de fato o seu lugar no Corpo de Cristo. Uma igreja madura e um cristão maduro sabe muito bem o que está fazendo para Cristo e para os outros.

Sonhei com uma igreja madura onde cada um vive com alegria a sua função no corpo e está comprometido com isso, evitando assim a murmuração, a fofoca e as múltiplas obras carnais tão nefastas para as comunidades de hoje. 

Sonhei com uma igreja onde os pais e avós estivessem cuidando de trazer seus filhos e netos para a escola dominical, onde o engajamento do serviço social e diaconal fosse um esforço de alegria e dedicação entre todos.

Sonhei com uma igreja adoradora, não porque cantasse muito nos cultos, nem que tivéssemos muitos louvores, mas que entendesse que o centro de toda a adoração fosse Cristo, o Senhor!

Posso dizer meu querido leitor que ainda sonho. A nossa igreja cresceu muito, mas ainda falta amadurecer bastante. Espero que ao olhar para trás depois de muitos anos passados, possa eu sentir que durante este tempo que aqui passei não tenha corrido em vão. Sem dúvida, disso já me sinto em paz, pois nada do que realizei aqui foi para minha glória e sim para que Cristo fosse glorificado nas palavras e nos atos de minha vida, muitas vezes nem sempre compreendido, mas de fato acalentado em meu coração.



Rev. Luiz Augusto

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