segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O DOM DE LÍNGUAS


As Línguas e o Batismo com o Espírito Santo


Aprouve a Deus que o batismo com o Espírito Santo, ocorrido no dia de Pentecoste, como um evento histórico-escatológico crucial, fosse marcado por manifestações especiais, como o som de vento impetuoso, línguas de fogo e o falar em línguas estrangeiras. 

As duas primeiras destas manifestações foram restritas àquele evento, e a última ocorreu ocasionalmente na era apostólica. Todas elas estavam ligadas ao processo de universalização do Evangelho, segundo At 1.8, e pertenceram assim, como sinal do cumprimento da promessa do Espírito, àquele período específico da história da redenção. 

É importante notar que ao relatar à Igreja de Jerusalém a descida do Espírito sobre Cornélio e os de sua casa, o apóstolo Pedro só pôde referir-se a uma experiência semelhante, ocorrida alguns anos antes, ou seja, à de Pentecoste, e não a experiências mais recentes. Isto sugere que entre o Pentecoste e a conversão de Cornélio, que ocorreu vários anos depois, nenhuma outra experiência semelhante à do Pentecoste havia ocorrido que pudesse servir de referencial mais recente.

Alguns têm entendido e afirmado que as línguas são a evidência inicial mais importante do batismo com o Espírito Santo. Essa afirmação baseia-se principalmente nas narrativas do livro de Atos em que o batismo com o Espírito Santo é seguido pelo falar em línguas. Entretanto, o livro de Atos igualmente relata várias outras ocasiões, que podem ser descritas como “batismo com o Espírito Santo,” em que as línguas não



aparecem, como a conversão dos três mil no dia do Pentecoste, o caso dos Samaritanos, e a conversão de Saulo. Embora o argumento do silêncio não seja conclusivo, no mínimo revela que, para o autor de Atos, as línguas não eram indispensáveis como evidência do batismo com o Espírito Santo. 

Quando o autor de Atos as menciona ao narrar o ocorrido na casa de Cornélio e com os discípulos de João Batista, seu propósito é deixar claro que a descida do Espírito sobre estes grupos foi da mesma ordem do ocorrido no Pentecoste, como desdobramentos de um evento inaugural único. Em nenhum lugar do Novo Testamento as línguas são mencionadas como a evidência normal do batismo com o Espírito Santo, ou da Sua plenitude, para os crentes, após o Pentecoste. A evidência inconfundível da plenitude espiritual, segundo Paulo, é o fruto do Espírito. Portanto, o falar em línguas não deve ser considerado como a evidência de nenhuma destas duas experiências. 

Extraído: Carta Pastoral da Igreja Presbiteriana do Brasil

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