sexta-feira, 22 de julho de 2016

“BASTA SER COMO UMA CRIANÇA”


O país vive uma crise de autoridade. Autoridade que depende não somente de legitimidade para governar como também condições, qualificações e caráter para tal. O sistema no qual vivemos sempre afirma a autoridade daquele que está “por cima”. O Reino de Cristo apregoa uma autoridade daquele que está “por baixo”. Certa vez nos evangelhos surgiu uma questão entre os discípulos a respeito de quem era o maior no Reino, devido ao fato de alguns terem estado juntos com o Mestre no Monte da Transfiguração. Jesus, ao entender a questão enfatizou que participar do Reino, deveria ser a preocupação central dos discípulos, pois esta questão seria muito mais difícil do que se imaginava. Olhando para a criança o Senhor nos ensina que: 

Primeiro, para entrar no Reino de Deus é preciso uma mudança de caráter. Nosso Senhor disse: “... se não vos converterdes...” (Mt 18.3) e então colocou uma criança como modelo. A regeneração faz que voltemos ao nosso estado simples (Jo 3.3-6). A conversão a Cristo fala de uma reviravolta completa nos propósitos pessoais. Os habitantes deste Reino rejeitam os valores mundanos, comuns ao ser humano como orgulho, honra humana, posição elevada, fama, preconceito e discriminação.

Segundo, para entrar no reino de Deus é preciso aceitar o seu lugar e sua posição. Nosso Senhor diz: “...e se não vos fizerdes como crianças...” (Mt 18.3,4). A simplicidade é a característica básica do Reino de Deus. É o elemento vital de grandeza deste Reino. Jesus mostra que é impossível para qualquer um querer um relacionamento com Deus e continuar sendo orgulhoso e vaidoso. Esta simplicidade é exemplificada nas crianças que Cristo acolhe. Quando nosso caráter é moldado pela simplicidade de Cristo o comportamento faz diferença numa sociedade que enaltece o luxo, a dubiedade, o engano e a vantagem pessoal. Ao escrever aos Coríntios, o apóstolo Paulo já dizia que possuía receio de que os Coríntios passassem da simplicidade e se tornassem cegos para com a verdade do Reino de Deus (II Co 11.3). A igreja cristã em todos os tempos nunca soube lidar bem com a aparência, o dinheiro e o luxo.

Terceiro, para entrar no reino de Deus é preciso participar com aceitação e empatia cristãs. Jesus dizia: “.... qualquer que receber esta criança em meu nome a mim me recebe....” (Mt 18.5). A aceitação e a empatia são o cumprimento da Lei de Cristo onde “amar a Deus” é “amar ao próximo como a si mesmo”. Ser empático é base de fé (Rm 15.7). Acolher significa receber os que vivem à margem das estruturas sociais, religiosas e espirituais que criamos no decorrer dos anos. Por isso Nosso Senhor acolhia também as crianças, pois estas sempre eram consideradas pelos adultos desprovidas de entendimento. A prática do acolhimento e da empatia é a valorização do ser humano como imagem de Deus. Diferentemente do que muitos já fizeram na história oprimindo pessoas, raças e culturas diversas precisamos nos abrir para a igualdade e a caridade a todos: ricos e pobres, mulheres e crianças. Quando somos simples como Cristo compartilhamos do evangelho, mesmo sem notar, inconscientemente.

Portanto, ser como uma criança é buscar a simplicidade e a pureza em Cristo. Somos então orientados a olhar para a criança e desejar ser como uma delas, tendo nosso coração purificado com o evangelho e nos tornado simples. Para isso precisamos deixar o coração nas mãos de Cristo. Ser criança é viver com o coração aberto para Deus a fim de que nosso interior seja tocado por Ele para acolhermos as pessoas feitas a nossa imagem. Por isso basta ser como uma criança!



Rev. Luiz Augusto (por ocasião da EBF – Escola Bíblica de Férias)

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