sábado, 13 de fevereiro de 2016

JE SUIS ABRAÃO!


(EU SOU ABRAÃO)

Usando a frase que ficou famosa após o atentado terrorista que matou várias pessoas de um jornal na França no ano passado, enquanto meditava neste mês na história Abraão, pude me impressionar mais uma vez com o drama do Patriarca e buscar aplicar a sua história em minha história. 

Ao ler as páginas do Antigo Testamento, recebemos a dedução de que o mesmo foi canonicamente escrito para que nos vejamos nas múltiplas histórias de suas personagens. Neste caso, a história de Abraão em princípio é a minha história e a sua, meu leitor. Desde que Deus (Elohim) o chama para sair de sua terra e ir para uma terra que o Criador iria mostrá-lo, o Patriarca se põe a caminho e na sua peregrinação passa por fortes experiências com Deus, mas ao mesmo tempo sucumbe ao domínio de sua pecaminosidade. A vida de peregrinação acaba por se tornar o enredo de nossas vidas também. 

Ao lermos a caminhada do “Pai da Fé”, vemos quantas vezes Deus esteve ao seu lado fazendo promessas que jamais viu, mas que objetivamente deveria manter sua confiança nEle. Quantas vezes o “amigo de Deus” colocou a sua esposa em situação vulnerável? Quantas vezes enquanto recebia de Deus ajuda e providência, Abraão disse não ao propósito divino? Quantas vezes abriu mão de esperar e se antecipou buscando outro “herdeiro” que não fosse Isaque? 

Em nossa peregrinação aqui, tantas vezes, chamados a confiar em Cristo e entregar nossa vida a Ele, titubeamos em confiar, e nos expomos diante de nós mesmos como um “tipo” de Abraão? Quantas vezes, cheios de nossa auto segurança, nos tornamos vulneráveis ao pecado e levamos outros a pecar contra Deus também? Ademais da fé que recebemos devemos estar certos que não abandonamos nossa miséria humana e acabamos declinando diante de tantas experiências negativas, embora, passemos por situações as mais extáticas com Deus. Portanto, querido leitor, não nos fiemos a nós mesmos. Assim como Abraão somente foi justificado e aceito por Deus por causa de Sua misericórdia, assim também nós, somente somos aceitos por Deus e em Deus, se a graça de Cristo estiver presente em nosso coração. Se a salvação e a vida sob o senhorio de Cristo são possíveis a nós, meros pecadores, assim também devemos trabalhar esta fé em nós a tal ponto que esta seja manifesta em nossas ações, isto é nas nossas boas ações.

Lutemos e coloquemos a prova nosso coração a todo instante e vamos chegar à conclusão que somente somos o que somos por que Deus é Deus e nos possibilita por amor de Seu nome nos incluir em sua vida eterna. Portanto, joguemos no lixo nossa justiça própria, nosso dedo acusador, nossa língua ferina, por que afinal nous sommes tous Abraão (Nós todos somos Abraão).



- 38 dias antes da páscoa de 2016 -



Rev. Luiz Augusto Bueno

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