sexta-feira, 30 de outubro de 2015

“ECCLESIA REFORMATA ET SEMPER REFORMANDA EST”



“Pois não me envergonho do evangelho... 
porque o justo viverá da fé”

Deus nunca se deixou ficar sem testemunho. Há quase 500 anos um monge agostiniano motivado pelo seu amor a Cristo, assistindo aos horrores que vivia sua igreja, decidiu ser contra a nefasta decadência espiritual que ela vivia e iniciou um movimento por uma reforma religiosa. Martinho Lutero foi o nome deste padre.

Durante a história da igreja, vários outros chegaram a tentar uma reforma, porém eram mortos pela “santa inquisição”. Um dos lemas que se perpetuou no seio da igreja protestante foi “Ecclesia reformata et semper reformanda est” (Igreja Reformada está sempre se reformando) significando que a quando igreja se torna apática diante deste mundo e da sociedade, quando ela perde o seu sabor como sal da terra e deixa de iluminar nas trevas ela precisa de uma nova reforma. A igreja de nossos dias precisa de tal coisa e portanto aqui exponho algumas razões:

1- Uma Reforma Doutrinária: A igreja evangélica brasileira tem se deixado contaminar com os erros doutrinários e com heresias grosseiras. Tanto a teologia da prosperidade e o movimento neo-apostólico, bem como o denominacionalismo que tem emergido dos movimentos extremistas tanto do fundamentalismo como do liberalismo tem fragmentado esta igreja. Os pastores evangélicos tem se deixado levar por uma forma modernista. A igreja voltou a vender indulgências. A barganha é um fato dentro dos palácios evangélicos.

2- Uma Reforma Litúrgica: Os movimentos Gospel e os cantores “levitas” tem transformado a igreja num “Circo” onde se paga bem para se sentir bem. É triste ver uma igreja que não adora mais a Deus. Há muita cantoria e pouco louvor, há muita vaidade celebrativa e pouca simplicidade para adorar em cultos que se parecem mais com produções teatrais.

3- Uma Reforma Missionária: Se a igreja não está ligada a obra missionária em todos os níveis e áreas da vida, ela não é igreja. Se não apóia e nem envia missionários, se não ensina o sacerdócio universal de todos os santos aos seus membros há muito perdeu sua natureza missionária. Se os crentes não sabem viver o evangelho como manifestação natural de Cristo em sua vida e em suas profissões, na política, na ética então a crise é grave.

Por isso e por causa do compromisso com a Palavra de Deus, precisamos de uma nova reforma. Quem se propõe a correr na contra-mão da história? Quem deseja ser fielmente discípulo de Cristo? Quem deseja amar a Deus sobre tudo e não se deixar corromper? Só a Escritura, Só a Fé, Só a Graça. Só Cristo. Só a glória a Deus!      

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

POR QUE LOUVAR A DEUS? UMA PERSPECTIVA DOS SALMOS






Os Salmos ensinavam e rememoravam ao povo de Israel que sua liturgia deveria envolver todos os povos como atividade última de Deus por meio da nação eleita. Assim vemos que existe uma estreita ligação entre a adoração e a missão. Elas sempre andam juntas e uma depende da outra. 

O caráter que forma a natureza missionária do povo de Deus se mostra através de sua relação com Deus. A missão tem uma profunda e forte ligação com a adoração. Esta é o combustível da missão. O povo que falava a Deus por meio dos Salmos, não somente enaltecia a Deus e as suas obras, como também recebia forte impressão acerca do Seu domínio universal. Além disso, Israel como povo escolhido, deveria responder a Deus sinceramente tanto quanto mais conhecesse a amplitude de sua Soberania.

É imprescindível que adoração e missão andem juntas. Liturgia sem missão é como um rio sem uma fonte. Missão sem adoração é como um rio sem o mar. Adoração é o combustível e o alvo em missões (T.C.). Ela é o alvo de missões, porque em missões, nós tentamos trazer as nações para dentro do gozo supremo da glória de Deus. O alvo de missões é a alegria dos povos diante da grandeza de Deus. Paixão por Deus na adoração precede o que Deus oferece na pregação. Você não pode recomendar o que não é valorizado. Missões começa e termina em adoração” (J.P.).

Mas vivemos uma pobreza na vida devocional. "Quando a chama do culto queima com o calor da verdadeira dignidade de Deus, a luz da obra missionária brilhará até os povos mais distantes da terra" (J.P.). Quando a paixão por Deus está fraca, o zelo por missões certamente será fraco também. 

Os nossos cultos fervem com a exaltação da glória de Deus? O zelo pela glória de Deus no culto motiva a obra missionária? (C.T.) Assim os Salmos mostram o homem falando a Deus de maneira pessoal e devocional. Israel deveria ser assim. Todos nós devemos nos avaliar se realmente estamos adorando a Deus.

Além disso, os Salmos nos dão uma orientação a respeito das formas culturais da época. A comunicação litúrgica mantinha sempre dois canais abertos. Um era o canal horizontal, onde o salmista falava a Deus, o segundo era o ensino que invadia o canal vertical, isto é, não havia somente louvor, mas também instrução e memorização das verdades ali registradas. Ao analisar os Salmos vemos quão importante é falar ao coração do povo. Então o contexto cultural era levado em consideração. Há salmos que traduzem o coração e a emoção do salmista para com a sua realidade, por meio de formas e estilos literários próprios. Os salmos revelam uma linguagem contextual e comunicam afetivamente ao coração de Deus o que o povo cantava. 

O que você está cantando a Deus? Como está cantando? Mais do que cantar é o adorar? Como está adorando a Cristo? Ele está no centro de seu louvor? A adoração e o louvor são produtos de um coração que conhece a Deus profundamente. Como você O tem conhecido? Em nosso mundo há muita cantoria, mas pouco louvor e adoração. A adoração tem sido o alimento para tua missão, teu testemunho e o teu serviço?

Volte a buscar a Cristo e somente a Ele. Faça de seu coração o altar onde você o encontra, por que Ele não está do lado de fora de você e sim do lado de dentro.


J.P. - John Piper
C.T. - Timóteo Carriker

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

A CONFERENCIA MISSIONÁRIA E o AVIVAMENTO


“De fato, todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos”. 2 Timóteo 3:12

Ainda estou buscando experimentar e verificar os resultados da 3ª. Conferência. Não posso negar, orei por ela e sonhei em ver algo novo acontecendo em nosso meio principalmente no que diz respeito às vidas. Vidas que se engajariam no compromisso com a expansão do Reino de Cristo e vidas que se dedicariam a Cristo se sentindo pecadoras e miseráveis. Desejei isso porque, entendo que não há outro resultado mais claro de um “encontro” onde se reflete se prega, se ensina e se ora sobre um assunto tão sério do que a promoção de um avivamento missionário da parte de Deus. 

Avivamento não se produz por obra humana. Não se orquestra um avivamento com métodos de manipulação de massa. Não se promove um avivamento. Avivamento é o resultado de vidas que vivem segundo a Palavra de Deus. Só isso. O resultado de um avivamento são pessoas engajadas nos princípios e na prática do Reino de Cristo na terra. “Avivamento é o derramar de Deus sobre uma comunidade. É uma ação poderosa de Deus que começa de dentro para fora. Avivamento é o transbordar natural de uma vida de acordo com as Escrituras”. (Erlo Stegen)

Onde estão os nossos projetos missionários? Onde está nosso engajamento social? Onde estão as vidas que desejam se entregar aos campos missionários? Quais são os jovens que decidiram fazer de suas vocações e profissões um sacerdócio cristão? Onde estão os planos para os próximos 10 anos? Quem são os que se decidiram ir aos campos aonde ninguém chegou ainda para compartilhar do amor de Cristo? 

O meu único e maior temor é que tornemos esses encontros apenas “encontros” como tantos, de tantas denominações e igrejas, onde se fala muito, se canta muito, há muito choro e sentimentalismo, há muita informação e conhecimento, mas não há oração responsável, não há compromisso real, não há entrega incondicional de vidas a Cristo verdadeiramente que nos leve a entregar tudo, até a própria vida. Espero ainda ver os resultados da 3ª. Conferência. De modo mais prático e menos discursivo, menos cantado e mais adorado, mais engajado e não indiferente. Pense seriamente nisso! 

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

TRISTEZA SEGUNDO DEUS


Cada dia que passa estamos vendo a Sociedade descrendo da existência de Deus. Poderíamos evocar aqui as mais diversas razões filosóficas e científicas para isso, mas há uma prova disso muito simples: As pessoas estão perdendo a noção de contrição. Sim, a falta de contrição é a maior razão de que estamos nos tornando distantes de Deus. Sem a contrição pessoa alguma pode chegar-se a Deus, não pode arrepender-se e nunca conseguirá viver a vida cristã de modo real e verdadeiro. Não afirmo que isso é apenas uma manifestação prática nos “descrentes”, mas também nos “crentes”. É a contrição que nos faz abertos a Deus. Definimos contrição como tristeza profunda, aceitação da miséria espiritual e uma real condição sobre nossos pecados.

Sem a contrição podemos chorar, mas não sentir, sem a contrição podemos cantar e não louvar, sem a contrição podemos professar a fé mas sem experimentar Cristo. A contrição é o que torna o crente consciente de que suas ações são obras sem valor algum, que a graça é que nos basta e a aceitação que tudo vem de Deus, até mesmo o sofrimento.

Vivemos um espírito tão vaidoso que perdemos de vista este sentimento tão necessário para nos relacionar com Deus e com nossos semelhantes. A contrição provoca tristeza segundo Deus. Essa tristeza é a consciência de que estamos separados de Deus, que Deus é a única fonte de satisfação para qualquer pessoa e sem Ele jamais teremos vida plena e satisfação plena.

O que mais temos visto são pessoas preocupadas com coisas e não com Deus! Quando não sentimos contrição é sintoma de que nossa noção de arrependimento é superficial. Por isso tantos de nós nos preocupamos com aquilo que comemos, bebemos ou vestimos. Quando nos preocupamos demasiadamente com a forma e com a estética precisamos retornar a contrição real. O mundo e suas vozes existem para nos tornar insensíveis para com Deus.

Não se engane, lute por pensar e se aprofundar em Deus, lute por orar e se ligar a Deus, mas acima de tudo lute por pedir a Deus que mostre seus pecados, lhe revele uma verdadeira noção de pecado. Lute por uma contrição verdadeira, sem a qual ninguém verá a Cristo. Faça isso todos os dias. Não se deixe levar por fantasias. Busque a Deus somente e então se Ele quiser te revelar algo mais, Ele o fará. Por que se fugirmos da contrição, fugiremos de Deus. Cristo jamais desejará salvar quem ele não pode mandar.



Rev. Luiz Augusto