domingo, 31 de maio de 2015

Liderança Saudável ou Doentia?





“Quem faz o bem é de Deus; mas quem faz o mal não tem visto a Deus” 3ª. João 1.11

Uma liderança é caracterizada por palavras e atitudes. Todos nós espelhamos algum tipo de liderança. Seja em casa, no trabalho, na escola, na política ou na igreja. A liderança também possui estilos próprios e também motivações ou razões próprias. Quando falamos de liderança em comunidades cristãs, nos cansamos de ver homens e mulheres que nem sempre imprimem sua liderança pelo amor e sim pelo terror. O Novo Testamento nos relata a história de dois líderes no final da vida do apóstolo João. O apóstolo escrevia a seu amigo e discípulo Gaio e se preocupava tanto com “Diótrefes” quanto com “Demétrio”. 

Diótrefes gostava de ter a primazia diante das pessoas, tratava seus superiores cristãos com desrespeito e falava palavras maledicentes contra eles e por fim não acolhia as pessoas, pelo contrário, com seu estilo de líder opressor e egoísta, acabava por exercer uma liderança doentia e imprimia o medo nos outros. Já Demétrio, o apóstolo chega a mencionar que em sua vida, palavras e ações era um conjunto, afirmando que a “própria verdade testemunhava a favor dele”. Tudo indica que Demétrio exercia sua liderança pelo amor e não pelo temor. 

Quando não lideramos por amor, acabamos desejando o que Lúcifer desejou: a proeminência. Assim como Diótrefes, hoje ainda temos muitos deles em nosso meio porque apenas desejam ter a primazia sobre pessoas e não se oferecem a eles, servindo-os através de seus dons e ministérios. A igreja de Cristo sempre teve que enfrentar os líderes que desejavam aparecer mais do que Cristo e sempre foram e serão precipitados para onde está Lúcifer. 

O apóstolo Paulo fala de bispos, presbíteros e diáconos não com a conotação de líderes que são servidos, mas de líderes que servem e entendem que o propósito último de suas vidas é doarem-se pelos outros como foi a vida de Cristo enquanto esteve entre nós. 

O ministro, presbítero ou diácono são vistos como “mordomos”, ou “administradores” do que foi confiado a eles. O ministério não é deles, nem mesmo os seus ofícios. Este foi confiado por seu Senhor para que eles com fidelidade possam exercer até o fim. Eles são vistos como “despenseiros” porque dispensam e administram bens materiais e espirituais, trabalham com questões visíveis e invisíveis. E acima de tudo terão que prestar contas de tudo o que foi confiado a eles. 

Assim, nos nossos dias, deveríamos ter menos líderes na concepção literal da palavra. O fato é que temos muitos por causa de um “diploma” e devido à ansiosa busca por títulos. A “Simonia” que era a compra de cargos eclesiásticos ainda impera não apenas pelo dinheiro, mas pela ansiedade de proeminência. Deveríamos compreender que para os líderes, o julgamento será duplicado (Tiago 3.1). Portanto neste dia, quando escolhemos pessoas para a liderança da igreja deveríamos estar convictos de que ser líder é algo glorioso, porém há demanda e custo. O bônus não virá enquanto servimos aqui e sim depois do ônus da doação, da renúncia, da entrega e da oferta da própria vida como fizeram tantos apóstolos e discípulos durante toda a história da Cristandade.

Para isso, devemos pedir a Deus sensibilidade espiritual para escolher líderes. Fazer separação entre os que geram saúde e os que geram doença, os que produzem opressão e os que promovem libertação. Que voltemos nossos corações e nossos olhos aos Demétrios e extirpemos o espírito de Diótrefes, pois cada um receberá de Cristo o que já está decretado.

sábado, 16 de maio de 2015

PRESBÍTERO: SUA VIDA E MINISTÉRIO


Presbítero vem da palavra “presbyteros” e significa ancião. Na igreja antiga o presbítero era considerado o “pai espiritual” ou o “pastor” das ovelhas do Senhor. O apóstolo Paulo falava que o Senhor concedeu alguns para “pastores” (presbíteros) e que além de cuidar, sua função era também de supervisionar como um bispo (episkopos). Envolvia o cuidado, o zelo, a fim de que as igrejas locais, o Corpo de Cristo vivesse segundo a Vontade de Deus. O apóstolo Paulo afirmava também que os presbíteros deveriam apascentar a igreja de Deus, a qual o Senhor havia comprado com seu sangue (At 20.28). A igreja não era dos presbíteros, mas eles deveriam cuidar dela, como mordomos.

Vale a pena ressaltar que o ministério ou a função presbiterial é de uma extrema relevância para o Reino de Deus e para a própria comunidade. Ele é chamado de “embaixador de Cristo” (2Co 5.20), “ministro de Cristo” (1Co 4.1) e de “apologista ou defensor da Fé” (Fp 1.30; Tt 1.9). 

O comportamento positivo de um presbítero era se assemelhar a Cristo e aos Apóstolos. Os primeiros presbíteros foram os Apóstolos, função a qual envolvia, em seus primórdios, todas estas ações, dentre elas a perseverança na oração e no ministério da palavra (At 6.4). Pode-se dizer então que todo presbítero deveria se dedicar em primeiro lugar à piedade e a meditar nas Sagradas Escrituras (Fp 1.4-5). Além disso, sua característica não menos valiosa era seu caráter de “saber aprender” e “ensinar” aos outros. Esta missão era sua, primordialmente. O Apóstolo Paulo dizia que ao servo do Senhor não convinha contender e sim ter mansidão, sendo capaz de ensinar (2Tm 4.13) e que se dedicasse a leitura pública das Escrituras (1Tm 4.13). Ainda aos Romanos, Paulo dizia que eles deveriam ministrar, isto é, servirem e também instruir (Rm 12.7).

Eles também deveriam cuidar para não serem incoerentes no ministério. Os presbíteros deveriam abdicar de serem dominadores sobre o rebanho. Hoje há muitos que exercem opressão e não cuidado. Deveriam buscar também evitar o lucro vil. Paulo chama isso de cobiça de torpe ganância (At 20.33). Deveriam ser moderados, não ser briguentos ou avarentos (1Tm 3.3). Jamais deveriam ser “cheios de truques” isto é, astuciosos (2Co 4.2). Nem mesmo preocupados em agradar a pessoas (1Co 4.3; Gl 1.10). Paulo também diz que os presbíteros deveriam cuidar para não serem embaraçados com as coisas desta vida, isto é envolvidos e amealhados pelo mundo (2Tm 2.4). E não deveriam ser beberrões, nem glutões (Tt 1.7).



Portanto, assumir este ministério é viver transitando entre o divino e o humano, lutando pela santidade, buscando sempre ser fiel ao chamado de Cristo. Ser presbítero é estar convicto de sua vocação e não meramente exercer um cargo numa igreja. Que busquemos este alvo, para a glória de Deus.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

PASTOR NÃO É HOMEM! (Caleb Matos)



Eu sei que você se chocou com a frase.

Meu objetivo, porém, não é polemizar.
Essa frase eu ouvi de um de meus professores de Teologia, respeitadíssimo no seio da Igreja Presbiteriana do Brasil. Ele justificou a frase para dizer que, sob certas circunstancias, o pastor tem que esquecer sua masculinidade, em especial quando vai aconselhar moças em seu gabinete.
Além disso o pastor, dizia ele, tem que segurar suas emoções e ‘fazer-se’ de forte em momentos de conflito, seja conflito conciliar, seja na família, casamento e outras instâncias onde o clima pode vir a esquentar.
Confesso a você que há 24 anos segui religiosamente este conselho. Até quando ia aconselhar mulheres eu o fazia em lugares públicos como lanchonetes e padarias com muita gente, não sem levar inclusive meu caderninho e caneta para que todos vissem que se tratava de uma assessoria.
Mas de tanto deixar de ser homem nestes anos todos, de tanto abandonar meu lado humano e insistir neste mito de super-pastor eu adoeci por reprimir, me calar, engolir sentimentos e não dialogar com ninguém minhas mais profundas questões. Quer atividade mais solitária que a atividade pastoral?
Os católicos tem o seu dogma da infalibilidade papal: o papa não erra, nunca comete um só equivoco e sua palavra é sempre palavra de Deus. Os evangélicos não tem este dogma escrito mas para eles o pastor também é infalível: ele não erra, não peca, nunca perde a pose, não se irrita e engole todas as ofensas e faz de tudo o que pode e o que não deve para que seu lar seja aos olhos dos outros um pedacinho do céu.
Meu cardiologista me examinou e disse que estava tudo bem com meu coração, graças a Deus. Mas que minhas emoções estavam em frangalhos. Sugeriu que eu procurasse um psicoterapeuta. Muito relutante eu fui, afinal, como é que um pastor, um homem de Deus, um supercrente vai parar num divã com problemas emocionais?
Já faz um tempo que o divã é meu melhor repouso semanal. E que o amigo terapeuta meu melhor confessor. Descobri que não estou mesmo dando conta de muita coisa da minha vida, que por mais que tentasse ser o máximo em tudo ainda não era suficiente. Sugado, espremido, sem forças, exigido além dos limites, hoje procuro viver na dependência da Graça de Deus.
Recuperei minha humanidade. Fiz as pazes com ela. Como é bom ser de novo o simples Caleb. Amado e salvo por Jesus Cristo com a missão de compartilhar minha caminhada de fé com ele, (esta experiência é uma delas) com todos os outros necessitados.
Me desculpe professor. Deus me fez homem e como tal vou viver em plenitude minha humanidade. Acho que as ovelhas que cuido não querem um ser que finge e simula diante deles uma fé poderosa, uma coragem sem restrições e uma emoção blindada contra tudo. Descobri lendo a vida de Jesus em Isaias que ‘pelas suas feridas nós fomos sarados’. Jesus também foi ferido e por isso pode curar. Obrigado, Senhor, pelas minhas feridas, eu não tenho mais vergonha delas.
Caleb