sábado, 31 de janeiro de 2015

A CRISE DE LIDERANÇA (PASTORES, LÍDERES, OVELHAS)



Lembrem-se dos seus líderes, que lhes falaram a palavra de Deus. Observem bem o resultado da vida que tiveram e imitem a sua fé.


Obedeçam aos seus líderes e submetam-se à autoridade deles. Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas. Obedeçam-lhes, para que o trabalho deles seja uma alegria e não um peso, pois isso não seria proveitoso para vocês.

Hoje reconheço o quanto a ação dos pastores e líderes gananciosos do passado e do presente mancham e desautorizam as Escrituras Sagradas. Vivemos um tempo onde cada cristão é "uma cabeça e para cada cabeça uma sentença". Meu sentimento é de indignação e ao mesmo tempo  de tristeza. 

O mundo evangélico conseguiu incutir na mente de que cada pessoa não deve mais prestar reverência aos seus pastores. Cada um faz o que bem entende até que a Bíblia tenha algo a dizer o contrário. Aqueles que se dedicam a oração e ao ministério da Palavra não são mais levados em consideração. Sua palavra, seu conselho e sua determinação há muito estão engavetados nos porões da mente dos seus fiéis. 

Há também uma grande confusão histórica. Isso porque desde quando a Reforma Protestante disse "Só a Escritura", surgiu uma multidão de intérpretes amalucados. Não entenderam ou não se fizeram entender de que embora a Bíblia deva estar nas mãos de cada um, isso não lhes dá o direito de interpretá-la segundo seu ponto de vista. "Livre-interpretação" é bem diferente de "Livre-exame". Portanto, quando isso começou a acontecer, indiretamente a ideia de um deus-segundo-a-minha- mente foi criado e pulverizado.

Mas a crise de liderança da igreja evangélica mundial se acentua também pela fragmentação de seu próprio sistema. O movimento evangélico hoje é um "saco de gato". As diferenças hoje se estabelecem entre as denominações que vai desde um levantar ou não de mãos, passando pelas crenças fundamentais da Trindade e se sedimentam até em questões mais graves como o nascimento virginal de Cristo. Por incrível que pareça há pastores que não creem na encarnação de Cristo. 

Para agravar este estado de indiferença para com os líderes espirituais se já não bastassem as divisões a partir de denominações, os pastores perderam e continuam a perder suas ovelhas para elas mesmas. A vergonha é tamanha devido a pulverização destes líderes os quais jamais possuíram profundidade do conhecimento de Cristo, se tornaram alvos de chacota de suas próprias ovelhas. Sem contar o número absurdo de pastores e líderes que só pensam em lucrar como um meio de vida. 

Hoje em dia qual é a ovelha que busca em seu pastor ou líder religioso uma palavra determinante para sua vida? Qual é a mulher ou o homem que busca a prática da confissão e do aconselhamento para com seus guias? Uma das razões é de que embora estes homens e mulheres que se dizem "de Deus" possam ser excelentes teólogos (otimismo meu), nunca souberam tratar com gente, com seres humanos. Nunca aprenderam o caminho da humildade, da simplicidade e do amor ao semelhante. São arrogantes, se acham melhores que muitos, nunca aprenderam o caminho da graça e da misericórdia que eles mesmos são os primeiros alvos.

Por isso e muito mais encontramos um povo cristão que não possui o mínimo de reverência e entendimento no que diz respeito aos seus líderes. Não os tem como ponto de referência. Os crentes que buscam os cultos nos domingos perderam a concepção de que aqueles que pregam e ensinam deveriam em primeiro lugar chorar pelos seus próprios pecados. Mas ao contrário, estão devendo tanto a Cristo por sua arrogância e indisciplina espirituais que sua palavra não lhes causa nenhum constrangimento. Muitos estão sendo ordenados e consagrados ao ministério apenas porque concluíram um curso acadêmico de teologia. Ora bolas, quem disse que fazer um curso de teologia é condição sine qua non para uma ordenação ao sagrado ministério?

Vida, vida, vida em Deus. Precisamos apenas desse detalhe. Esquecemos há muito deste detalhe. Minha oração é de que sob a graça de Cristo, Deus nos envie um despertamento pessoal, profundo, sincero e verdadeiro para que cada um que seja de Cristo tenha a convicta atitude de uma profunda conversão e aqueles que estão na liderança de suas comunidades e igrejas sejam profundamente tocados pelo Espírito Santo. Que as ovelhas não sejam rebeldes e compreendam e se submetam aos pastores e líderes que por misericórdia estão buscando servir ao Senhor sob a Sua Graça.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

SE QUISERES A PAZ, PREPARA-TE PARA A GUERRA!



O ser humano tem perdido a noção do que seja liberdade... No país símbolo das máximas libertárias, as palavras "Liberté", "Egalité", "Fraternité" (Liberdade, Igualdade, Fraternidade) tem se deteriorado em ruídos de uma história que passou. A Liberdade tem se transformado em libertinagem, a Igualdade em preconceito e a Fraternidade em desrespeito. Por outro lado, o movimento islâmico que anuncia submissão a Alah, tem se transformado num empreendimento violento e cada dia é desmascarado pelos seus agentes, os mais fundamentalistas. 

Na verdade, nosso mundo é o reflexo de nossas almas, quando, em nome da liberdade ofendemos nosso semelhante, desrespeitamos a liberdade de consciência revelando o quanto desumanos somos. A filosofia ateísta e agnóstica francesa que pratica o desrespeito é absurdamente monstruosa e mata tanto quanto os terroristas islâmicos.

Por isso, Nosso Senhor vem não apenas para assumir a reconstrução de nossa humanidade como também para reconciliar pessoas, povos e nações. Ao afirmar a máxima do amor, Cristo define que amar a Deus é também ao mesmo tempo, amar o semelhante. E aqui, amar subentende-se todas as virtudes que transformam o ser des-humano em humano em sua plenitude. Portanto, nosso mundo e nossa sociedade jamais encontrarão a relação de paz - sinônimo de ordem e ausência de conflito, quando tão somente cada ser des-humano encontrar-se com o Homem-Deus e sejam transformados não de fora para dentro, mas, de dentro para fora, a partir de uma experiência de fé interior.

O mote: “se quiseres a paz, prepara-te para a guerra”, foi desconstruído na Cruz do Calvário. Nela, Deus nos ensina que Ele mesmo, rompeu os céus e desceu para dar o primeiro passo na conquista do ser des-humano a fim de que os mesmos fossem humanizados plenamente recebendo a boa-notícia: “Deus é amor”! 

O mundo ainda há de ver muito sangue sendo jorrado. Alguns por conhecerem este amor e amarem oferecendo suas próprias vidas, outros, por usarem o nome de Deus meramente como justificativa para seus atos egoístas e ainda outros por não compreenderem o que realmente significa liberdade. Nem a “libertinagem de expressão”, nem a degola em nome de Deus terão lugar no Reino de Cristo e dos santos.

sábado, 10 de janeiro de 2015

HUMILDADE: A GLÓRIA DA CRIATURA


A vida que Deus entregou é concedida não de uma vez, mas a cada momento, continuamente, pela operação incessante de Seu grandioso poder. A humildade, o lugar da plena dependência de Deus, é, pela própria natureza das coisas, a primeira obrigação e a virtude mais elevada da criatura, e a raiz de toda virtude. O orgulho, ou a perda dessa humildade, então, é a raiz de todo pecado e mal. Foi quando a serpente exalou o veneno do seu orgulho, o desejo de ser como Deus, no coração de nossos primeiros pais, que eles também caíram da sua posição elevada para toda a desgraça na qual o homem está, agora, afundado. 

Por isso, nossa redenção tem de ser a restauração da humildade perdida, o relacionamento original e o verdadeiro relacionamento da criatura com seu Deus. E, portanto, Jesus veio trazer a humildade de volta à terra, fazer-nos participantes dessa humildade e, por ela, nos salvar. Nos céus, Ele se humilhou para tornar-se homem. Sua humildade deu à Sua morte o valor que ela hoje tem e, então, se tornou nossa redenção. E agora a salvação que Ele concede é uma comunicação de Sua própria vida e morte, Sua própria disposição e espírito, Sua própria humildade. Jesus Cristo tomou o lugar e cumpriu o destino do homem, como uma criatura, por Sua vida de perfeita humildade. Sua humildade é nossa salvação. Sua salvação é nossa humildade. Com minúscula no original, não se referindo ao Espírito Santo, mas usada como sinônimo de disposição. 

Todo o relacionamento do ser humano com Deus tem de ser marcado por uma humildade que a tudo permeia. Sem isso, não se pode permanecer verdadeiramente na presença de Deus ou experimentar do Seu favor e o poder do Seu Espírito; sem isso não há fé, ou amor, ou regozijo ou força permanentes. A humildade é o único solo no qual a graça enraíza-se; a falta de humildade é a suficiente explicação de todo defeito e fracasso. A humildade não é apenas uma graça ou virtude como outras; ela é a raiz de todas, pois somente ela toma a atitude correta diante de Deus, e permite que Ele faça tudo. 

O chamado para a humildade tem sido muito pouco considerado na Igreja porque sua verdadeira natureza e importância têm sido muito pouco compreendidas. Humildade não é algo que apresentamos para Deus ou que Ele concede; é simplesmente o senso do completo nada-ser. Na vida dos cristãos sérios, aqueles que buscam e professam a santidade, a humildade tem de ser a marca principal de sua retidão. É frequentemente dito que isso não é assim. Não poderia ser uma razão para isso o fato de que, no ensinamento e exemplo da Igreja, a humildade nunca teve o lugar de suprema importância que lhe pertence? E que isso, por sua vez, é devido à negligência desta verdade: que, forte como é o pecado como um motivo para humildade, há uma influência mais ampla e mais poderosa, a qual faz os anjos, a qual fez Jesus, a qual faz o mais santo dos santos nos céus tão humildes: que a primeira e principal marca do relacionamento da criatura, o segredo de sua bem-aventurança, é a humildade e o nada-ser que permitem que Deus seja tudo? 

Portanto, essa humildade não é algo que virá por si mesma, mas deve ser feita o objeto de especial desejo, e oração, e fé e prática. Vamos estudar o caráter de Cristo até nossa alma estar cheia de amor e admiração por Sua humildade. E vamos crer que, quando temos a percepção de nosso orgulho e de nossa impotência para expulsá-lo, o próprio Jesus Cristo virá para dar essa graça também como parte de Sua maravilhosa vida dentro de nós.

Adaptado de Andrew Murray

sábado, 3 de janeiro de 2015

A DEFINIÇÃO DE UMA PESSOA SANTA



1. A Santidade é o hábito de ser de um mesmo parecer com Deus, segundo a descrição de sua mente, que encontramos em Sua Palavra. Representa o costume de estar de acordo com o Senhor em Seu juízo, aborrecer o que O aborrece, amar o que Ele ama e medir tudo no mundo com a norma da Sua Palavra.

2. A pessoa santa se esforçará para evitar TODO o pecado conhecido e guardar cada um dos mandamentos revelados. Terá uma decidida disposição mental para Deus, um desejo sincero de fazer a sua vontade, um medo maior de desagradar a Ele do que desagradar ao mundo. 

3. A pessoa santa lutará para ser igual ao nosso Senhor Jesus Cristo. 

4. A pessoa santa seguirá a mansidão, a resignação, a bondade, a paciência, a disposição amável e o domínio de sua língua. Suportará muito, tolerará muito, passará muito por alto e será lento para falar de afirmar os seus direitos. 

5. A pessoa santa seguirá a temperança e a abnegação. Se esforçará em fazer morrer os desejos do seu corpo, crucificará a sua carne com os seus afetos e inclinações, porá freio às suas paixões, reprimirá as suas tendências carnais. 

6. A pessoa santa se esforçará por fazer cumprir a regra de ouro, que consiste em fazer aquilo que gostaria que o próximo lhe fizesse. 

7. A pessoa santa seguirá uma atitude misericordiosa e benevolente para com os demais. 

8. A pessoa santa seguirá o temor do Senhor. (O temor do filho que ama tanto o Pai que não quer decepcioná-lo) 

9. A pessoa santa seguirá a humildade. Desejará com atitude modesta considerar todos os demais como superiores a ele mesmo. Verá mais maldade em seu próprio coração que em nenhum outro no mundo. 

10. A pessoa santa seguirá a fidelidade, concernente a todos os deveres e relações da vida. As pessoas santas deveriam colocar como meta: fazer o bem, sentir vergonha quando se permite realizar algo de maneira errada. Deveriam esforçar-se por serem bons maridos e boas esposas, bons pais e bons filhos, bons amos e bons servos, bons vizinhos, bons súditos, bons em privado, bons em público, bons no lugar de trabalho, bons no lar. 

11. A pessoa santa se esforçará por ter seus olhos completamente postos em coisas lá de cima, aspirará por viver como alguém que tem um tesouro no céu e por passar por este mundo como um estrangeiro e peregrino que viaja para o seu lar. Aspirará por ter comunhão com Deus em oração, na Bíblia, na reunião do seu povo. Estas coisas serão o principal deleite do homem santo. Valorizará cada coisa, cada lugar, cada companhia, segundo a medida em que os mesmos o aproximem mais de Deus. 



J.C. Ryle