segunda-feira, 4 de maio de 2015

PASTOR NÃO É HOMEM! (Caleb Matos)



Eu sei que você se chocou com a frase.

Meu objetivo, porém, não é polemizar.
Essa frase eu ouvi de um de meus professores de Teologia, respeitadíssimo no seio da Igreja Presbiteriana do Brasil. Ele justificou a frase para dizer que, sob certas circunstancias, o pastor tem que esquecer sua masculinidade, em especial quando vai aconselhar moças em seu gabinete.
Além disso o pastor, dizia ele, tem que segurar suas emoções e ‘fazer-se’ de forte em momentos de conflito, seja conflito conciliar, seja na família, casamento e outras instâncias onde o clima pode vir a esquentar.
Confesso a você que há 24 anos segui religiosamente este conselho. Até quando ia aconselhar mulheres eu o fazia em lugares públicos como lanchonetes e padarias com muita gente, não sem levar inclusive meu caderninho e caneta para que todos vissem que se tratava de uma assessoria.
Mas de tanto deixar de ser homem nestes anos todos, de tanto abandonar meu lado humano e insistir neste mito de super-pastor eu adoeci por reprimir, me calar, engolir sentimentos e não dialogar com ninguém minhas mais profundas questões. Quer atividade mais solitária que a atividade pastoral?
Os católicos tem o seu dogma da infalibilidade papal: o papa não erra, nunca comete um só equivoco e sua palavra é sempre palavra de Deus. Os evangélicos não tem este dogma escrito mas para eles o pastor também é infalível: ele não erra, não peca, nunca perde a pose, não se irrita e engole todas as ofensas e faz de tudo o que pode e o que não deve para que seu lar seja aos olhos dos outros um pedacinho do céu.
Meu cardiologista me examinou e disse que estava tudo bem com meu coração, graças a Deus. Mas que minhas emoções estavam em frangalhos. Sugeriu que eu procurasse um psicoterapeuta. Muito relutante eu fui, afinal, como é que um pastor, um homem de Deus, um supercrente vai parar num divã com problemas emocionais?
Já faz um tempo que o divã é meu melhor repouso semanal. E que o amigo terapeuta meu melhor confessor. Descobri que não estou mesmo dando conta de muita coisa da minha vida, que por mais que tentasse ser o máximo em tudo ainda não era suficiente. Sugado, espremido, sem forças, exigido além dos limites, hoje procuro viver na dependência da Graça de Deus.
Recuperei minha humanidade. Fiz as pazes com ela. Como é bom ser de novo o simples Caleb. Amado e salvo por Jesus Cristo com a missão de compartilhar minha caminhada de fé com ele, (esta experiência é uma delas) com todos os outros necessitados.
Me desculpe professor. Deus me fez homem e como tal vou viver em plenitude minha humanidade. Acho que as ovelhas que cuido não querem um ser que finge e simula diante deles uma fé poderosa, uma coragem sem restrições e uma emoção blindada contra tudo. Descobri lendo a vida de Jesus em Isaias que ‘pelas suas feridas nós fomos sarados’. Jesus também foi ferido e por isso pode curar. Obrigado, Senhor, pelas minhas feridas, eu não tenho mais vergonha delas.
Caleb

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