sábado, 28 de fevereiro de 2015

NÃO HÁ RESSURREIÇÃO SEM CRUZ


“E dizia a todos, se alguém deseja seguir-me, negue-se a si mesmo. Tome a sua cruz, dia após dia, e caminhe após mim.” (Lucas 9.23)

A cruz para o contexto do Antigo e Novo Testamento tem o sinônimo de morte. Nenhum homem ou mulher que fosse pendurado em uma cruz possuía a certeza de vida, pelo contrário, era a pena capital. Muito diferente do evangelho de hoje pregado pelos púlpitos nas Igrejas, a fé cristã tornou-se sinônimo de conquista e prosperidade. O evangelho que Nosso Senhor Jesus veio anunciar sempre foi o evangelho da cruz. 

A fé que é dos crentes verdadeiros não é uma fé para viver, mas para aprender a morrer. Tomar a cruz, então, para o verdadeiro cristão e seguidor de Jesus Cristo, é o anúncio de sua morte. É morrer para viver! Não há vida sem morte. Não há vida sem sofrimento. Não há ressurreição sem cruz, não há poder se não na fraqueza. Por isso todos nós somos convidados por Nosso Senhor a morrer por que sem a morte a vida verdadeira não desabrochará dentro de nós. Lembra-se de quantas vezes Ele anunciava? Quem quiser viver, deve aprender a morrer. Quem quiser ganhar, irá perder. Quem desejar ser o maior que seja o menor. 

Neste tempo que antecede a festa da Páscoa e da Ressurreição de Nosso Senhor, somos convidados a tomar a nossa Cruz dia após dia e então:

1) Morrermos para nossos pecados. Enquanto o homem não aprender o caminho da cruz, nunca viverá eternamente. Somente quando nos desarmamos e confiamos em Cristo, como o único possível para dar vida, morremos para os nossos pecados. Morrer para nosso pecado é deixar que Cristo nos liberte da escravidão a qual estamos. Nosso Senhor dizia aos Judeus: “Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36). O pecado dentro de nós nos amarra, nos torna servidores dele mesmo. Para isso, foi revelado Nosso Senhor, para nos libertar. Confiar em Cristo e entregar-se a Ele é o primeiro passo. 

2) Esvaziarmo-nos de nós mesmos. Nosso coração é enganoso e nos engana a todo o momento. O pecado jaz em nosso íntimo. Nossa vaidade é a maior manifestação do pecado que existe em nós. Nosso Senhor nos ajuda a entender dizendo que “o mal não é o que entra em nós senão aquilo que sai de nós”. O primeiro engano que trazemos dentro de nós é a autoconfiança, que somos bons, que somos verdadeiros e sinceros. Por isso aquele que não possuir uma visão correta de si mesmo sofrerá mais. Precisamos dia a dia morrer para nós mesmos.

3) Doarmo-nos para outros. Nosso Senhor disse: “Não existe maior amor do que este, de alguém que dê a sua vida em prol de seus amigos”. Quando renunciamos nosso amor-próprio e nos doamos aos outros, estamos morrendo por eles, porque renunciamos algo em nós. Cristo nos deixou o exemplo para seguirmos os seus passos. Isso não significa suicídio mental ou intelectual. 

Portanto, essa é a essência da vida. Não vivemos melhor quando tudo está em ordem ou estamos conquistando muito, ou quando estamos abastados financeiramente, mas quando entramos na luta. 

Essa luta que começa dentro de nós, possui um alvo: ressuscitar com Cristo. Não há nada nesse mundo que possa trazer ao ser humano a verdadeira graça senão de se encontrar em Cristo e com Ele. 

A isso, chamamos de santificação interior, pessoal e comunitária. Prepare-se para ressuscitar, mas antes entre no bom combate. Aquele que passa pela luta interior terá a coroa da vida. 

Um comentário:

Claudio Elias Do Nascimento disse...

Belas palavras é verdade!!!