sábado, 31 de maio de 2014

PRECISAMOS DE UM VERDADEIRO AVIVAMENTO DO CORAÇÃO (II)



Precisamos de um avivamento do coração QUANDO NÃO PRATICAMOS A ORAÇÃO INCESSANTE. A crise que vivemos constata que os cristãos não oram mais. Neste caso precisamos voltar a definir o que seja oração para que possamos entender tal afirmação. Na época da Antiga Igreja Cristã a oração foi desenvolvida fortemente pelos conhecidos “Pais apostólicos” e pelos “Pais do deserto”. Foram homens e mulheres que chegavam à conclusão que a vida deles não fazia sentido se não vivesse um relacionamento profundo e intenso com Deus. Tanto é que a palavra “teólogo” significava para aqueles dias “aquele que ora”, significando que aquele que orava possuía um profundo senso e conhecimento da Divindade. Sendo assim na época da Igreja Antiga, orar significava conhecer a Deus profundamente e viver intensamente a vida de Deus. Portanto, orar a Deus possui aspectos que extrapolam o racionalismo do que se define hoje por orar. Muitos pensam que orar é uma conversa com Deus como se fosse um “bate-papo”. Falamos de um lado, ele escuta do outro, reclamamos por alguma coisa e ele quando se quiser reponde ou não. Quando nada acontece, quando Ele não nos “responde”, pensam outros é porque não usamos as palavras corretas. Temos que dizer as “palavras-chaves” senão Ele não nos ouvirá e nem responderá a nossa súplica. Alguns outros aceitam a oração como uma barganha. Se formos fiéis a Deus ou estivermos “quites” com Ele, ele nos ouvirá e nos responderá de acordo com a nossa vontade. Enfim há uma série de condições impostas pela igreja institucional e pela popularidade religiosa sobre a oração. 

Quando afirmo que os crentes não oram mais, quero dizer que a oração tornou-se uma prática com muito palavrório, muita verborragia, muita falação. As reuniões de oração ou cultos de oração tem se caracterizado pelos discursos sobre Deus. Há muita gente que fala “sobre” Deus e não fala “a” Deus. Vivemos um deserto no que se refere a isso. Muitos estão concorrendo a reuniões de oração onde se pede muito e se suplica muito, onde há muita gritaria e histeria, mas pouca oração. Pessoas entram em transe, supondo que estão elas cheias de Deus, mas na verdade estão cheias delas mesmas. Deus nem se faz presente embora seja seu nome seja muito usado, mas aí Deus nem está. Perdemos o senso de um Deus que deseja se relacionar conosco e começamos a achar que Deus é bom por que é um “deus-feito-segundo-nossa-idéia-consumista”. 

Também percebo que os crentes não oram por que os seus pastores nunca oram e nem ensinam suas ovelhas a orar por que não sabem o que é isso. Vivem de eventos e de um ativismo inócuo, sem resultantes para a vida. São meros executivos de uma “empresa eclesiástica” que se autodenomina “igreja”. Este caso isso tem se tornado um círculo vicioso. Os pastores não sabem orar porque também em seus cursos de teologia nunca os ensinaram a prática da oração. Os Seminários se tornaram escolas de informação e não de formação espiritual. Da mesma forma os líderes da igreja e a própria comunidade os leva a executar tarefas que não envolvem a espiritualidade pastoral de fato e devido a manutenção econômica tais pastores acabam se submetendo ao esvaziamento de uma prática e de uma ação pastoral sem Deus.

Como consequência deste sistema consumista e tirano da vida, afirmo que os crentes não oram mais por que nem dão tempo para a oração, como também não sabem o que é oração incessante a qual o apóstolo Paulo e os Pais da Igreja falavam. As igrejas que se enchem de pessoas para os cultos de oração são na maioria apenas locais para praticas ritualisticas de pedir e clamar como último recurso no desespero da vida. Lotam templos de igrejas majoritariamente conhecidas como “neopentecostais” por que estão desesperadas e quase não há mais nada que fazer.

A oração é um elemento esquecido em nosso mundo ocidental. Embora a Reforma Protestante tenha trazido de volta a Escritura para o centro da Igreja, ela somente permanece no centro se houver profunda busca por Deus. No Oriente, as igrejas ensinadas pelos Pais do deserto, desenvolveram uma visão muito diferente sobre oração. No mundo ocidental, os protestantes somente foram ter uma noção um pouco mais profunda sobre isso quando os movimentos de despertamento espiritual que ocorriam às margens da cúpula da igreja começaram a surgir, pois embora possuíssem a Escritura como centro, o racionalismo cristão que atingiu a igreja no século XVIII transformou a oração em pura ação lógico-verbal. Mas o Pietismo como movimento de reavivamento para a igreja protestante alemã naquela época, foi fundamental a fim buscar a vida piedosa e oração como centro da vida. A Escritura somente possui seu incremento quando alimentada pela oração do coração, de uma piedade segundo Deus, de humilhação e quebrantamento interior.

Carecemos de um avivamento do coração a partir da oração porque o ser humano é um ser “místico”. Entenda-se o que quero dizer com a palavra “místico”. Não fomos criados a partir da matéria apenas, há um sopro divino em cada um, há uma alma que dá sentido a nossa humanidade como pessoa. Deus nos criou como parte de seu Espírito. 

Os antigos Pais afirmavam: “pássaros voam, os peixes nadam e o homem ora”. Isso diziam porque cada ser possui sua natureza. Não é possível ser um pássaro e não voar, se isso não acontece tal ser não é um pássaro. Assim a natureza do homem é a oração. Se não oramos não somos humanos, somos algo diferente, mas humanos com certeza não o somos. Por isso o encontro com o Deus-Homem, Jesus Cristo é inevitável para que o ser humano seja de fato humano e não um monstro. Ele por sua graça e pelo seu amor sacrificial na cruz e sua ressurreição restabeleceu a natureza do homem que lhe é própria. 

Portanto precisamos urgentemente de um avivamento do coração que revele ao ser humano o desejo de viver para Deus utilizando como canal a oração. 

Em primeiro lugar, por isso defendo a oração como um encontro com o Transcendente. Quando digo encontro, entendo que oração não pode e nem deve ser banalizada, nem superficializada como se fosse uma conversa que praticamos com nossa vizinha ou com qualquer pessoa. A oração é encontro com a Divindade. A oração é experiência e não discurso para um “deus-segundo-nosso-pensamento”. Se o assim fazemos, praticamos uma tipo de idolatria onde deus é o elemento que podemos domesticar ou mesmo fazermos dele uma imagem segundo nosso pensamento. A oração é uma prática que transcende o pensamento, a racionalidade ou as ideias mais bem montadas. A oração embora se utilize da razão não se fundamenta no racionalismo. Por isso há necessidade de se entender o encontro como algo empírico, algo que envolva o sentimento, a emoção, o caráter, a personalidade, enfim tudo que somos está envolvido neste encontro. Além disso, nos encontramos com Deus quando desenvolvemos nossos sentidos nesta prática: a fala, a audição, o olfato, o tato e o paladar são sempre envolvidos nisso pois o ser humano é tomado de forma completa e complexa para Deus. O que podemos entender que a oração não é mera verbalização de palavras, mas um próprio culto em si, de maneira individual. Da mesma maneira nossos cultos deveriam ser a coletividade de nossas orações individuais.

Em segundo lugar afirmo que a oração é uma prática de contemplação. Se Deus no Antigo Testamento e Cristo no Novo se deixaram ser contemplados, o Espírito Santo não é diferente para com isso. Ele está presente na contemplação que ocorre dentro de nossos corações. A contemplatividade da oração que muitos acham que seja de “fora para dentro”, desde que o Espírito Santo esteja presente em nós, essa mesma contemplação ocorre de “dentro para fora”. Por isso sabemos que oramos, quando praticamos a contemplação não com apenas olhos e ouvidos carnais mas sobretudo com olhos e ouvidos espirituais. O recôndito que os Salmos nos apresentam é o lugar desta contemplação (Sl 51.6). No interior de cada um de nós podemos vivenciar a prática e a contemplação de Deus que habita “em nosso peito”.

Em terceiro lugar, afirmo também que a oração deve ser incessante. A oração embora tenha um começo, um meio e um fim do ponto de vista dos exercícios devocionais pessoais, ela não cessa quando encerramos os mesmos, sejam eles individuais ou coletivos. Ela se processa na continuidade da vida. Estar em espírito de oração é estar também ligado ao Espírito da oração. Quando os Antigos Pais nos falam sobre isso, vemos que a oração incessante tem que necessariamente nos trazer a comunhão da mente e do coração ligados ao Espírito de Deus. Orar sem cessar é praticar a oração antiga: “Senhor Jesus Filho de Deus, tem misericórdia de mim, pecador”. Tanto mais repetimos esta afirmação, tanto mais ela se fará um canal não meramente de palavras, mas de uma conexão ou uma comunhão de nosso espírito com o Espírito de Deus. Aqui vale a pena revelar que a repetição é tão saudável quanto qualquer palavra repetida de modo consciente. Nosso Senhor ao afirmar que nossas orações não deveriam se assemelhar a vãs repetições, ele certamente está focando que nossas oração não sejam orações mecânicas, inócuas. O problema então não é a repetição mas a vã, a palavra vazia, sem consciência e sem coração. 

Em último lugar, a oração não se fundamenta na lei da “causa e efeito”. Aqui expomos a crise do ponto de vista coletivo e comunitário. Muitos templos vivem cheios de pessoas que suplicam a Deus porque estão orientadas a praticarem orações a um deus que por natureza, pensam elas, nos direciona a lei da “Causa e Efeito”. Esta lei é a grande motivação dos cultos. É a grande chave para que tenhamos templos numericamente cheios. Uma das espiritualidades que mais usa essa lei é a conhecida “teologia positivista ou da prosperidade”. Tanto quanto praticamos esta Lei, tanto mais matamos o nosso espírito e a nossa espiritualidade, como fundamental para nosso relacionamento com Deus. A vida do homem é uma vida de relação de vida com Ele. Não é meramente um pedir e receber, não há vida sem vivermos em relação a Deus. O que temos visto então? Igrejas e crentes que lotam templos para pedir e receber. Isso não é oração. Embora o pedir e receber estejam fazendo parte da prática da oração essas ações não são fundamentais. Se oração é um encontro empírico com o Espírito, se é uma contemplação e tudo ocorre no coração seja por meio dos exercícios devocionais, seja por meio da oração incessante então esta Lei acima referida não existe no propósito do que seja oração como um relacionamento intenso e profundo com Deus.

Portanto, precisamos de um verdadeiro avivamento do coração que possamos descobrir a fome pela oração e oração que sacia nosso verdadeiro relacionamento com a Divindade. Precisamos urgentemente de vida espiritual e esta vida somente pode acontecer se buscar a oração como essência de nossa natureza e não apenas como ritual religioso. Podemos substituir a oração por eventos, pragmatismo, encontros animados e cheios de louvor, porém se não vivermos estes fundamentos como essenciais a nossa natureza, de modo algum estaremos comungando com o Deus verdadeiro e vivendo uma idolatria sem saber que somos tão pagãos quanto qualquer ser humano que nunca possuiu sequer um lampejo da graça gloriosa de Deus.

Kyrie Eleison.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

QUANDO NECESSITAMOS DE UM AVIVAMENTO DO CORAÇÃO?




O caminho para Deus envolve o quebrantamento que começa no coração de qualquer ser humano. Este é o único caminho para qualquer tipo ou nível de restauração seja ela psicológica, social, econômica, política, isto é espiritual em seu sentido mais amplo. Os grandes movimentos religiosos no século XVI e XVII que ocorreram às margens do sistema eclesiástico e vigente foram responsáveis pelas consequências da obra missionária no século XVIII. No Ocidente, movimentos históricos que na época foram reconhecidos como o Puritanismo, o Pietismo, o Moravianismo e o Metodismo foram históricos e não mais se repetem. Mas o que deve se repetir é a descoberta de Deus. Entendo a palavra "Descoberta" como despertamento, afloramento, vislumbre do relacionamento com Ele e a plena satisfação e prazer de desenvolver isso em plenitude. Todas as vezes que o povo de Israel no Antigo Testamento e sua igreja a partir do Novo Testamento viviam de modo egoísta e usavam a religião como meio de consumo, em sua Soberania, o Espírito Santo produzia uma pequena ação para então purificar a natureza da fé e o estilo de vida que tornavam os valores do evangelho realmente sérios e relevantes diante do superficialismo da vida. Por isso os avivamentos e ou despertamentos "intensos" e "verdadeiros" foram as bases para uma purificação da fé que em determinados períodos acabava por se tornar sincrética e pagã. 

Mas o que estes movimentos tinham em comum? Quebrantamento. Essa era a palavra chave. Essa palavra é muito mais do que um mero discurso. O salmo 51.17 afirma que é a unica condição para que a Divindade encontre um meio de relacionamento com a humanidade. É a condição "sine qua non” para que alguém seja ele leigo ou estudioso sobre Deus. Não há como o homem desenvolver uma profunda relação com Deus se o coração não viver a busca incessante dele no seu interior humilde. Não existe "fé arrogante". Quando o coração ou nosso interior se move nesse sentido o profeta Isaías declara que a Divindade habita e se faz presente (Is 57.15) Neste texto Deus afirma pela boca de Isaías: "habito com o contrito e abatido de espírito". O abatimento, a contrição sincera e a humilhação do coração formam o ambiente onde Deus pode habitar. A contrição é o que chamamos de uma "tristeza segundo Deus". Essa tristeza é necessária e não há como vivermos para Deus sem a manifestação no coração deste sentimento. Quando falamos em tristeza muitos acham que este sentimento tem a ver com uma ação humana ou até demoníaca sobre nós. A história que o cristão deve viver sorrindo é uma falácia. O apóstolo Paulo afirma que existe um sentimento permanente de pesar pela condição de nosso coração. Ele assim afirma: "agora folgo, não porque fostes contristados, mas porque o fostes para o arrependimento; pois segundo Deus fostes contristados. Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, o qual não traz pesar; mas a tristeza do mundo opera a morte" (2a. Co 7.10). Assim a contrição é o caminho para uma relação saudável e verdadeira com Deus. O regozijo em Deus é mais importante que uma alegria efêmera fruto de conquistas egoístas. A tristeza de Deus é necessária para um avivamento do coração.

Já o apóstolo Tiago, Patriarca de Jerusalém, afirma em sua Carta Universal: "pedis e não recebeis por que pedis mal para gastardes em vossos prazeres" (Tg 4.1-10). Esta é uma das realidades que encontramos em nosso século e especialmente entre os "crentes" de maneira geral. Encontramos muita oração discursiva, muito movimento, ativismo e eventos, por que vivemos num século onde o consumismo tem sido a expressão de nosso estilo de vida. O sistema de vida direciona-nos e nos move a vivermos assim e assim tem sido nossa religiosidade. Nossas manifestações de crendice e religiosidade em todos os sentidos, sejam em quaisquer esferas da fé seja ela católica ou evangélica são pela busca de um deus que pode e se deixa ser consumido. Nisto, não há necessidade nenhuma de quebrantamento, de contrição ou de humilhação diante de Deus. Vivemos uma "farsa religiosa".

Assim trago aqui uma pergunta "quando necessitamos de uma avivamento do coração"? As respostas desejo desenvolver em algumas reflexões posteriores além desta primeira.

Em primeiro lugar carecemos de uma avivamento do coração QUANDO NÃO TEMOS FOME DA PALAVRA DE DEUS. A necessidade de alimentação física é fundamental para nossa subsistência. Em certo sentido, quando nos alimentamos de algo que nos satisfaz pelo gosto e sabor nem sempre estamos nos alimentando de modo correto. Hoje é muito costumeiro buscarmos nos alimentar nos "fast foods" e assim vivemos sem fome porém subnutridos e vulneráveis a doenças. Vivemos uma vida descompensada e desequilibrada do ponto de vista físico. Da mesma forma é nossa espiritualidade. Quando nos alimentamos de algo que "parece" com a Palavra de Deus mas apenas tem gosto ou sabor, o resultado será um crescimento desequilibrado e a infância espiritual será uma realidade perene. Por isso encontramos tantos "crentes-bebês" em nossos dias. Há muita coisa se parecendo com a Palavra de Deus embora não seja a Palavra de Deus. 

Para se alimentar corretamente da Palavra de Deus é necessário comer no lugar certo. Isso tem a ver com a interpretação que damos a própria Escritura. A Escritura sem a hermenêutica correta torna-se uma ferramenta até mesmo para justificar ações destruidoras. A interpretação correta começa quando nossos limites e nossas metáforas são direcionados a partir de Jesus Cristo. Ele é a Palavra Viva de Deus e a mensagem plena da Divindade. Toda Escritura quando não está averbada e abalizada pela pessoa de Cristo, sua vida e os princípios encarnados por ele, pode se tornar uma arma do Diabo. Quando buscamos outra coisa e não esta Palavra, vivemos, mesmo sem querer, uma farsa religiosa.

Por isso precisamos de um verdadeiro despertamento para com Deus. Onde temos buscado nos alimentar? O fiel é aquele que deseja discernir e distinguir entre a Palavra de Deus e os convites da heresia. Hoje inúmeras pessoas oferecem a mais variadas interpretações da Palavra de Deus. Muitos estão buscando a Palavra de Deus nos programas de Mídia ou em púlpitos mensagens das Escrituras que na maioria nada mais são do que expressões de um "cristianismo" egocentrista e consumista. 

Estamos necessitando encarecidamente de um avivamento. A Palavra de Deus está escondida. Na verdade, estamos distantes de Cristo. O profeta Jeremias já dizia na sua época a nação israelita: "os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam por intermédio deles; e o meu povo assim o deseja (Jer_5:31). 

Nosso Senhor Jesus Cristo afirmava aos Fariseus que embora possuíssem as Escrituras erravam desconhecendo-as e não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus (Mateus 22.29). Isso significa que a religiosidade quando usada como um fim em si mesmo, transforma a Escritura em mero instrumento de manobra do povo. 

O apóstolo Pedro já em sua primeira carta advertia a igreja: "Como crianças recém-nascidas, desejem de coração o leite espiritual puro, para que por meio dele cresçam para a salvação" (I Pe 2.2). 

Fome da Palavra de Deus é a condição sine qua non para maturidade e frutificação. Trocamos a Palavra por uma série de outros elementos que pensamos podem saciar nossa fome. Hoje temos muitos que oferecem um leite "batizado", os seja misturado. Os efeitos são os mais destruidores. 

Quando as denominações, os cultos, as liturgias, os eventos, os encontros e programações são mais interessantes do que o ensino e a mensagem da Palavra de Deus, então precisamos de um avivamento do coração. Quando estamos participando de nossos cultos mas não há fome, desejo, avidez pela Palavra de Deus como fonte norteadora da vida, estamos vivendo uma época de frieza espiritual embora façamos muito barulho, cantemos muitos louvores, toquemos muitos instrumentos, profiramos muito discurso. 

Kyrie eleisón






quinta-feira, 15 de maio de 2014

SOMOS TÃO BONZINHOS!


Miserável homem que eu sou! (Romanos 7.24)

Quem começou com esta ideia foi um tal de Pelágio. Um teólogo da igreja nos idos de 410 de nosso tempo que começou a ensinar que não havia pecado original e que o homem podia se salvar apenas redirecionando sua moral. Nestes últimos dias vemos assustados, as consequências do que tem sido a ausência da Força Civil em nosso Estado. As Instituições Escolares fechando as portas, o Comércio sendo saqueado, pessoas assassinadas, tão somente porque a Polícia Militar entrou em greve. Todos nós recriminamos os “vândalos” por saquearem lojas e invadirem os condomínios. 

Mas, na verdade, o que vemos é a manifestação do que entendemos sobre “Pecado Deliberado”. Quem desenvolveu no Ocidente a doutrina do pecado como inerente a natureza humana foi “Santo Agostinho”, o teólogo cristão, norte-africano que combateu os ensinos de Pelágio e afirmava que o pecado de toda pessoa é voluntário, que toda raça humana pecou junto com Adão, e após a queda, a humanidade ficou totalmente depravada e incapaz de desejar o verdadeiro bem, aquilo que é bom aos olhos de Deus.

Nossa realidade decadente nos revela também que não temos ouvido mais a “voz profética” da igreja (entenda-se “profética” como voz que denuncia o pecado). O que temos visto nas igrejas atuais é uma verdadeira panaceia com discursos e frases de efeito que não redundam em mudança de vida. O ensino que afaga o coração dos ouvintes com falsas promessas, mensagens de auto-ajuda, acabam por disseminar o ensino demoníaco da “teologia da prosperidade”. 

Como igreja também somos responsáveis por ensinar o que deve ser ensinado: O ser humano é mau por natureza e somente por meio da graça e da livre operação do Espírito Santo pode este ser redirecionado para Deus. Enquanto a igreja não se pronuncia assim, vemos o Estado e os Meios de Comunicação ensinando o “neo-paganismo”, fazendo as pessoas acreditarem que são boas e que merecem ser abençoadas por Deus, promovendo uma fé abstrata por um “mundo mais feliz” onde todos podem viver do jeito que bem entenderem, camuflando a corrupção social e inconscientemente tornando-se “agentes do Anticristo”. Quando deixamos de tratar a nossa natureza humana como maligna, acabamos nos esquecendo o quanto somos propensos ao mal e nos assemelhamos a ele. 

A igreja cristã precisa elevar sua voz e viver segundo as máximas do evangelho “nas praças” quando o “magistrado civil” não cumpre com sua missão de esforçar-se pelo “bem-comum”. Na teologia estudamos que a Graça Comum atua como “repressora” do pecado por meio das estruturas sociais. Mas quando elas estão sob o poder do Anticristo, o que esperar? Enquanto a igreja não se pronunciar contra os pecados em todas as suas formas será ela também julgada como o Anticristo. Graça Comum não deve ser vista como qualquer graça senão a que também vem de Deus para que os homens vivam em paz e em acordo. Oração somente não basta. Pode ser o começo, mas só isso não é suficiente. Os avivamentos históricos promoveram mudanças sociais e políticas. 

Nesse sentido lembramos que não somos tão bonzinhos assim, pois o que muitos fazem dinamicamente com seu pecado, nós o guardamos em nosso coração bem escondido. Ninguém é bom (Rm 3.1ss). Por isso cuidemos de tratar deles olhando incessantemente para a graça de Cristo, dia após dia, mas também unindo esforços pela fé verdadeiramente evangélica (Jd 4) que promova um mundo melhor e deixemos de ser fatalistas. Cumpramos a missão política e social da igreja a fim de que o Reino de Deus continue no embate contra as trevas e não nos deixemos “corromper pelo mundo” (Tg 1.27), para que venhamos a nos tornar "verdadeiros e irrepreensíveis, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e depravada, na qual brilhamos como estrelas no universo” (Fp 2.15), salvando e promovendo dignidade àqueles que estão perecendo.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

“A BENÇÃO DE UMA FAMÍLIA”


Sinto certa “inveja” daqueles que possuem uma família grande. Grande em número e grande em amor-doação. Quando perdi minha mãe com apenas dez anos, meu tio me disse no dia do funeral dela: “A partir desse dia, você terá muitas mães”. De fato, isso tem sido uma verdade para mim e como tem me confortado e me encorajado a encorajar outros que passam pela mesma situação e que ficam órfãos de pai ou mãe. A família da fé é muito maior do que pensamos.

Minha família “nuclear” sempre foi pequena. Porém, quando vejo pais já idosos ainda vivos com seus filhos e netos, sejam eles adultos ou não, penso no privilégio que eles possuem pois podem transmitir uns aos outros a essência da fé e da doação uns para com outros.

Na verdade, temos um grande “vazio” dentro de nós mesmos. Fomos criados para amar e ser amados num ambiente de doação de uns para com os outros e o “vazio” ocorre porque não sabemos amar e retribuir amor. Nossa doação de vida de uns para com outros está diretamente ligada a nossa aceitação dentro deste ambiente que se retro-alimenta em amor. 

Porém sabemos que nem sempre isto é uma realidade devido ao nosso egoísmo. Manifestamos nosso egoísmo e nos tornamos um fator desagregador por causa de nossa natureza humana. 

Quando olhamos para nós, gente de carne e osso, devemos nos mirar da Família Eterna. A Santíssima Trindade é o maior modelo pelo qual todas as famílias deveriam se moldar. Se há um ambiente mais cheio de amor esse é o ambiente da Trindade. Por muitas vezes, Jesus enquanto aqui, expressava “lampejos” de amor ao Pai. Dizemos “lampejos” porque não temos ideia do que seja Deus coexistindo por meio de seus relacionamentos em três pessoas distintas em nível eterno e transcendente. Tudo o Pai faz para o bem do Filho e o Espírito Santo faz para o bem destes dois.

Entendemos porque Jesus orava por mim e por você para que fôssemos “um”. Para nos preparar para vivermos a unidade que é o ambiente da Trindade, eternamente. Deus deseja que seus filhos comunguem do mesmo ambiente do Deus-Triúno. Esse foi o projeto inicial da criação. Esse é o projeto final da salvação eterna. 

Portanto, que possamos orar: Senhor ajuda-me a fazer de minha família um reflexo da família eterna em doação e em renúncia. Ajuda-me a amar meus pais e a me doar por meus filhos e irmãos. Retira de mim o fator desagregador que é o egoísmo.