sábado, 22 de março de 2014

ORAÇÃO DE UM CONTEMPLATIVO



Ah Senhor, como quero te conhecer, entrar no incognoscível, entrar na nuvem onde esteve Moisés, viver o mistério de lhe ver entre a fumaça que enchia o templo quando Isaías lhe viu. Senhor quero te ver entre os querubins, contemplar tua presença, isso é o bastante. Não quero ouro, nem prata, não quero me enganar com fantasias que o mundo visível me oferecem. 

Quero te contemplar comunicando-me contigo, sentindo-te muito mais, vivendo junto de ti a eternidade, quero viver a plenitude de alegria na tua presença, quero sair do "Chronos" e viver o "Kairós". 

Minha alma o anela como terra seca, árida, inóspita, sem água. Quero sentir teu cheiro, o cheiro da eternidade, quero te absorver em meu corpo totalmente, quero viver a plenitude do prazer, falar-te com o coração e não com a boca. 

Senhor, estufa meu peito, abre minha alma, invada-me plenamente. Quero te ver na nuvem da transfiguração, quero te ver conversar com anjos com os santos profetas, gente que viveu tua presença intensamente. 

Senhor, isso me basta, me satisfaz. Leva-me ao encontro contigo Divindade Santíssima, faz-me entrar na nuvem do teu mistério e da verdade, onde não há dogmas, onde não discurso, onde não há logicidade. Quero te contemplar para que eu e Tu, óh Todo Poderoso, vivamos juntos, para sempre, por toda a eternidade, vendo-te e contemplando-te como tu és. (I João 3.2)

sexta-feira, 21 de março de 2014

PAGUE SEUS VOTOS A DEUS


“Aquele que me confessar diante dos homens eu o confessarei diante de meu Pai que está no céu” (Mt 10.32,33)

Meu avô me dizia que havia uma época que “palavra” era coisa séria. Tão séria que ninguém precisava assinar um documento ou pedaço de papel quando negociava ou adquiria algum bem. Esse negócio significava empenhar o seu nome. Na época de Jesus, Nosso Senhor, isso era como a Confissão. Confessar significava empenhar um compromisso de vida. Era “colocar a mão no fogo” por alguém. 

Em nossos dias não sabemos mais o que significa confessar. Vivemos uma vida tão rasa e superficial que mesmo assinando documentos não somos capazes de empenhar nossa palavra. Fazemos parte de uma sociedade que caminha a passos largos para a banalização da vida e da moral. Para que possamos continuar a fazer verdadeiras as palavras de Nosso Senhor, devemos compreender que confessar Cristo como Senhor é coisa séria.

1) Confessar é emitir uma palavra o que vai do coração. Quando o apóstolo Paulo afirma que “aquele que crê com o coração deve confessá-lo como Senhor”. Se a boca fala do que está cheio o coração então há necessidade de confissão.

2) Confessar é renunciar o antigo modo de vida que levamos. Este aspecto é muito pouco falado e vivido em nosso meio. As práticas e manias, comportamento e ideias avessas ao evangelho, práticas que envolviam nossa velha natureza, precisam ser sim renunciadas não somente com o coração, mas também com a boca. Nosso Senhor não vai jamais dividir a sua glória com nenhum outro senhor na vida de alguém. 

3) Confessar tem a ver com uma nova maneira de viver, não somente alimentando as coisas de Deus por meio da oração e de sua Palavra como também cumprindo votos que fizemos no momento da Confissão. A boa confissão tem a ver com compromissos assumidos diante da Trindade Santa e diante das pessoas, da igreja e daqueles que não são nem mesmo comprometidos com Deus, para o testemunho da vida.

Hoje, quando a Pública Confissão de Fé se tornou meramente um “Rito de Passagem”, precisamos evocar estes princípios. Muitos de nossos votos caem no esquecimento. Ser batizado, publicar a fé, ser membro comprometido com uma comunidade, serví-la em amor e ser um fiel mordomo dos bens que Ele nos concede, mantendo a comunidade com nossas ofertas e dízimos são votos que para muitos não tem valor nenhum, mas Cristo leva em conta. Por falarmos tanto sobre a Graça, pouco entendemos dela e acabamos por “barateá-la” em nossa vida. 

Que voltemos a nos conscientizar da importância da Confissão, para que se a fizermos, iremos ter de Cristo a mesma atitude diante do Pai naquele Dia. Mas lembremo-nos: Ele jamais levará adiante Sua palavra se não formos verdadeiros. Que saibamos cumprir nossos votos como resultado de nossa Boa Confissão!

sexta-feira, 14 de março de 2014

PRINCÍPIOS INEGOCIÁVEIS DO EVANGELISMO


                                             
O conceito de evangelizar nos nossos dias tem se diluído. As imposições doutrinárias e o espírito de intolerância transformam os atuais “crentes” em gente que só se preocupa em encher cada vez mais seus templos. Não vemos as pessoas pregando a “Cristo, o Senhor” e sim grupos que se esforçam por fazer propaganda de sua própria denominação ou igreja. Por vivermos neste mundo tão confuso e doente, exponho aqui algumas dos princípios que reconheço serem fiéis a prática e ao conceito da evangelização:

1) O evangelismo implica testemunhar o que Deus fez, está fazendo e fará. Portanto inclui os "eventos do evangelho" (morte e a ressurreição de Nosso Senhor). 

2) O evangelismo sempre representa um convite. Evangelizar é comunicar alegria, é transmitir uma mensagem positiva, é esperança que oferecemos ao mundo. O evangelismo jamais deveria ser uma ameaça. 

3) Evangelizar não é oferecer uma “panaceia psicológica” para as frustrações e os desapontamentos das pessoas.

4) Evangelizar não é encher as pessoas de sentimentos de culpa para que elas em desespero, se voltem a Cristo.

5) Evangelizar não é assustar as pessoas, a fim de que se arrependam e se convertam com estórias sobre os horrores do inferno. 

6) A pessoa que evangeliza é uma testemunha, não um juiz. Jamais posso ter tanta confiança na autenticidade de meu testemunho que me permita saber se a pessoa que rejeita meu testemunho rejeitou a Jesus. 

7) O evangelismo só pode acontecer quando a comunidade que evangeliza (a igreja) é uma manifestação radiante da fé cristã e exibe um estilo de vida atraente. 

8) Evangelismo não é “proselitismo”. Muitas vezes existe uma sugestão explícita de que a competição é necessária e as pessoas de outra comunidade são encaradas como "candidatos" a serem ganhos, com o objetivo de se construir “impérios e dinastias eclesiásticas” e as igrejas não conseguem resistir à tentação de abrir outra filial em uma área que parece “promissora".

9) Evangelismo não é o mesmo que extensão eclesiástica. Evangelismo não pode se confundir como extensão da igreja do ministério do pastor Fulano de Tal. 

10) No evangelismo, só é possível dirigir-se a pessoas, e só elas podem responder. Muitos “evangelistas” acabam por responder pelos “não-crentes” constrangendo-os a manifestarem-se contra ou a favor dos pregadores. O evangelho é o anúncio de um encontro pessoal, mediado pelo Espírito Santo, com o Cristo vivo, recebendo seu perdão e aceitando pessoalmente seu chamado ao discipulado.

11) O evangelismo autêntico sempre é contextual. Um evangelismo que separa as pessoas de seu contexto vê o mundo não como um desafio, mas como um empecilho, desvaloriza a história e somente consegue enxergar os "aspectos imateriais da vida", é espúrio. 

12) O evangelismo não pode ser divorciado da prática da justiça. O que temos visto é que há muito discurso e pouco engajamento social. Se entendermos o evangelismo como uma simples oferta de salvação eterna a almas individuais e como uma tentativa de apressar o retorno de Cristo, ele estará divorciado da missão segundo o coração de Deus.

13) O evangelismo é apenas o primeiro passo que tomamos em direção aos outros, o restante o Espírito Santo vai fazer e ponto final (João 3.8). 

Por esses e por outros princípios é que somos desafiados a continuar lutando para que o evangelismo faça parte da “vida natural” dos cristãos. Ninguém, absolutamente, pode ser constrangido por outrem a se tornar cristão a não ser que seja apenas e tão somente constrangido pelo Espírito de Deus, onde nós somos apenas facilitadores da boa nova. 

domingo, 2 de março de 2014

EM CRISTO TEMOS TUDO!



Se queres curar tua ferida, ele é o médico.
Se ardes em febre, ele é a Fonte.
Se precisas de socorro, ele é a Força.
Se temes a morte, ele é a Vida.
Se foges das trevas, ele é a Luz.
Se tens fome, ele é o Alimento: Provai e vede como o Senhor é bom.
Feliz o homem que espera nele (Sl 34,9)".
Ambrósio de Milão (Pai da Igreja)