sexta-feira, 11 de julho de 2014

CONVERSÃO: DESCONFIANÇA PARA CONFIANÇA



"O pecador salvo pela graça é assombrado pelo Calvário, pela cruz e especialmente pela pergunta: Por que ele morreu? Uma indicação vem do Evangelho de João 3:16: "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna". Outra indicação da declaração de Paulo em Gálatas: "[ele] me amou e a si mesmo se entregou por mim". A resposta está no amor.

Mas a resposta parece muito fácil, muito pronta. Sim, Deus salvou-nos porque nos amou. Mas ele é Deus. Ele tem uma imaginação infinita. Ele não poderia ter sonhado uma redenção diferente? Não poderia Deus ter nos salvado com um sorriso, com um espasmo de fome, uma palavra de perdão, uma única gota de sangue? E se ele tinha de morrer, então pelo amor de Deus — pelo amor de Cristo — não poderia ter morrido no leito, morrido com dignidade?

O pecador salvo está prostrado em adoração, perdido em assombro e louvor. Ele sabe que o arrependimento não é o que fazemos para obter o perdão; é o que fazemos porque fomos perdoados. Ele serve como expressão de gratidão em vez de esforço para obtenção do perdão. Portanto, a seqüência: perdão primeiro e arrependimento depois (e não arrependimento primeiro, perdão depois) é crucial para a compreensão do evangelho da graça.

Muitos de nós, no entanto, não conhecem nosso Deus e não compreendem seu evangelho da graça. Para muitos, Deus está ali sentado como um Buda, impassivo, imóvel, inflexível como rocha.

O Calvário, no entanto, fala mais alto do que qualquer livro de teologia: não conhecemos nosso Deus. Não apreendemos a verdade da primeira carta de João: "Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados". A cruz revela a profundidade do amor do Pai por nós: "Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos".

O discípulo que vive pela graça em vez da lei já experimentou uma conversão decisiva: uma mudança de desconfiança para confiança. A característica mais destacada de se viver pela graça é confiança na obra redentora de Jesus Cristo.

Crer profundamente é compreender que sou o filho amado deste Pai e, portanto, livre para confiar. Isso faz uma diferença profunda no modo como me relaciono comigo mesmo e com os outros; faz uma enorme diferença no modo como vivo. Para confiar em Abba, na oração e na vida, é postar-se de pé em abertura infantil diante do mistério do amor e da aceitação da graça.

Numa religião legalista, a tendência é desconfiar de Deus, desconfiar dos outros e, conseqüentemente, desconfiar de nós mesmos. Você realmente acredita que o Pai de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é gracioso e que ele se importa com você? Você realmente crê que ele está presente sempre, infalivelmente, como companheiro e como auxiliador? Você realmente crê que Deus é amor?"

(Brennan Manning – O evangelho maltrapilho)



Nenhum comentário: