quinta-feira, 26 de junho de 2014

UMA HERESIA CHAMADA G 12

Este trabalho é fruto de uma grande preocupação reinante no meio evangélico, por parte daqueles que têm encarado o Reino de Deus com a seriedade, a reverência e o temor que as Escrituras Sagradas impõem (I Coríntios 14:40), em relação ao movimento que tem grassado no nosso meio com a nomenclatura G 12, ou simplesmente Grupo dos 12.

A princípio, devo afirmar que o problema não está na visão proposta, a chamada “nova visão” para a igreja de Jesus nesta virada de milênio; a visão da igreja celular, que na verdade remonta à década de quarenta e que simplesmente se radicou na América Latina em meados da década de 90, através do pastor colombiano César Castellanos Dominguez, com a novidade do Modelo dos Doze, pregando que da mesma forma que Jesus reproduziu o Seu caráter nos doze apóstolos – preparando-os para se tornarem o fundamento (Efésios 2:20) ou incumbindo-os da proclamação da Revelação da qual Jesus, a pedra angular (Atos 4:11), é o ponto central – nós também podemos nos reproduzir em doze, estes em outros doze, e assim sucessivamente. O problema não está na visão em si, mas, nos meios pelos quais eles procuram inculcá-la – os encontros do G 12 com métodos e práticas de forte apelo psicológico – nos desvios doutrinários e nos seus reais objetivos.

A minha preocupação tem aumentado à medida que vejo cada vez mais pastores e líderes eclesiásticos, no afã de verem suas igrejas se multiplicando, visualizando um crescimento quantitativo muitas vezes desatrelado do qualitativo, agarrarem-se à visão e às suas propostas sem uma análise profunda e crítica, à luz da Palavra de Deus.

Diante de tanto sensacionalismo por parte daqueles que voltam dos chamados encontros; de tanto desvio doutrinário e distúrbio comportamental e psíquico-emocional, que tem gerado seríssimos prejuízos a nível individual e coletivo, é que me dispus a preparar esta avaliação com o objetivo duplo de instruir as ovelhas incautas e de compartilhar com o colegas de ministério aquilo que tenho pesquisado, para juntos crescermos e nos solidificarmos no propósito de não permitirmos que influências perniciosas atinjam os rebanhos que o Senhor Deus nos confiou.

Isto posto, convicto que estou de não ser um “Tobias” ou um “Sambalá” – opositores da obra de Deus (Neemias 4 e 6) – e na mais clara expressão de amor e zelo pela causa de Deus, é que coloco esta AVALIAÇÃO BÍBLICA E PSICOLÓGICA SOBRE O G 12 , à disposição de todos quantos desejam genuínos esclarecimentos.

FUNDADOR DO MOVIMENTO

A – PASTOR CÉSAR CASTELLANOS DOMINGUEZ

Missão Carismática Internacional

Ele diz ter se convertido a Cristo em 1972. Tornou-se evangelista e em seguida pastor. Durante nove anos pastoreou pequenas igrejas, a exemplo da última que pegou com 30 membros e no final de um ano atingiu a cifra de 120. Sentindo-se frustrado com seu pastorado, resolveu renunciá-lo no final do segundo semestre de 1982. Mas, numa noite do mês de fevereiro de 1983, ele se achava em gozo de férias na costa atlântica colombiana, quando recebeu uma visão específica de Deus que lhe dizia: “Sou o ancião de Dias! Prepara teu coração em adoração porque vou te usar... Sonhe com uma igreja muito grande, porque os sonhos são a linguagem do meu Espírito. A igreja que hás de pastorear será tão numerosa quanto as estrelas do céu e a areia da mar, que de multidão não se poderá contar... ”. Conta o pastor César “...que naquele mesma noite, quando o Senhor me perguntou: ‘Que igreja gostarias de pastorear?’, tomei Suas próprias palavras, quedei-me mirando a areia do mar e o milagre aconteceu: vi como que cada partícula de areia se convertesse em uma pessoa. O Senhor tornou a perguntar-me: ‘Que vês?’ Respondi-lhe: ‘Vejo centenas de milhares de pessoas!’ e replicou: ‘Isso e mais te darei, se fizeres minha perfeita vontade!’” (Seu livro: Sonha e ganharás o mundo, p.p. 20-21).

Então, no mês seguinte, março de 1983, iniciou na sala de sua casa a Missão Carismática Internacional (MCI) com apenas oito pessoas, e conta hoje com mais de cem mil membros consolidados em Santa Fé de Bogotá, com sedes satélites nas principais cidades da Colômbia e outros vários países do mundo (Contra capa do livro SONHA é Ganharás o Mundo).

Ele conta que quando a MCI tinha uns 3.000 membros, foi visitar a Igreja Central do Evangelho Pleno, de Paul Yongg Cho, em Seul na Coréia , ocasião em que ele ficou assombrado com o luxuoso auditório capacitado para vinte mil pessoas, rodeado de outros edifícios para-eclesiásticos. Deslumbrado com toda aquela beleza e aquele auditório repleto, diz ele: “...O Senhor voltou a desafiar-me, e foi quando pus em meu coração a visão de ter uma das maiores igrejas da América Latina... “ (SONHA é Ganharás o Mundo, p. 35).

Mas, foi somente em 1991 que ele recebeu a visão da Igreja em Células de Multiplicação no Modelo dos 12 (Apóstolos). Diz Castellanos: “...estando em um dos meus prolongados períodos de oração, pedindo a direção de Deus para algumas decisões, clamando por uma estratégia que ajudasse a frutificação de setenta células que tínhamos até então, recebi a extraordinária revelação do modelo dos doze...Deus o justificou, recordando-me o modelo como Jesus havia trabalhado com doze discípulos...Nessa ocasião, escutei ao Senhor, dizendo-me:



‘Vais reproduzir a visão que tenho dado em doze homens, e estes devem fazê-lo com outros doze, e estes por sua vez em outros doze!’” (p.p. 59-60 do livro SONHA e Ganharás o Mundo).

Foi assim que surgiu a visão do modelo dos 12 (G 12) para a igreja em células de multiplicação, desenvolvida pela MCI desde 1995 em Bogotá, fruto de um visionário sonhador, que se dispôs a submeter-se à vontade de Deus. Veja como o Pastor César define isto: “Deus dá visões, revelações e sonhos àqueles que se submetem integralmente à sua vontade...” (SONHA é Ganharás o Mundo, p. 33)

NO BRASIL= MANAUS: Pr. Renê de Araújo Terra Nova (MIR = Ministério Internacional da Restauração).

O pastor Renê pastoreia a Igreja Batista da Restauração em Manaus. Tendo participando de Encontro em Bogotá – Colômbia, em agosto de 1998, ele inspirou-se no pastor César Castellanos e criou o MIR (Ministério Internacional da Restauração), do qual é o presidente. O pastor Renê, fazendo a apresentação do Manual de Realização do Encontro, afirma na página 5: “Estamos debaixo da cobertura espiritual do tremendo ministério da Missão Carismática Internacional, e, sabendo que o casal Castellanos tem vontade que esta visão corra como a corça, em terras brasileiras, vamos contribuir, divulgando-a pela impressa escrita, falada e televisiva...”

Tendo enviado seus discípulos ao Encontro em Bogotá (1998), o Pr. Renê estabeleceu a MCI no Brasil através do MIR. E já realizou em Manaus dois Congressos Internacionais para Pastores e Líderes (Abril e outubro de 1999), visando a difusão da visão no Brasil. Além disso, ele tem viajado pelo Brasil fazendo conferências, dando palestras, etc., envidando todos os esforços possíveis para espalhar a visão é torná-la aquiescível.

É preciso ressaltar que o Pr. César Castellanos influenciou no Brasil não apenas o Pr. Renê, que tem procurado, com toda garra, estender na realidade brasileira a Missão Carismática Internacional (MCI), através do Ministério Internacional da Restauração (MIR). Em agosto de 1998 ele influenciou também a pastora Valnice Milhomens (Igreja Nacional do Senhor Jesus Cristo), tradutora do seu livro SONHA e Ganharás o Mundo; e em julho de 1999 o Pr. Robson Rodovalho (Ministério Comunidade Sara nossa Terra). Este é da nossa região e tem sido um dos principais fomentadores da visão na capital do Brasil, seu Estado e entorno. Já é sabido e amplamente divulgado o nome de vários pastores conhecidos que visitaram o Pr. César Castellanos em Bogotá, ou participaram de Encontros ou Congressos em Manaus com o pastor Renê e sua equipe, e voltaram armados em defesa da visão.

MINHAS CONSIDERAÇÕES

1ª Consideração: É curioso a ênfase dada pelo pastor César Castellanos quanto às suas visões “vindas de Deus”, geradoras dos seus empreendimentos espirituais. Aliás, não posso deixar de afirmar que o movimento como um todo é norteado por visões e profecias, e a principal profetiza é Cláudia Castellanos, esposa do pastor César. Longe de mim fazer juízos, mas, é curioso porque são visões sensacionalistas, semelhantes às de muitos fundadores de seitas espalhadas pelo mundo.. Veja alguns exemplos:


a) O tão conhecido Rev. Moon (Sun Myung Moon), fundador da “Igreja da Unificação”, nome fantasia da “Associação do Espírito Santo para a Unificação do Cristianismo Mundial”. Esta seita sutil e herética foi fundada pelo Rev. Moon em Seul, na Coréia, no ano de 1954, em atendimento a uma série de revelações recebidas no decurso de nove anos, a partir de 1936; quando ele tinha apenas 16 anos e se encontrava orando em um monte, Jesus Cristo apareceu-lhe dizendo que ele havia sido escolhido para a importante missão de completar o cristianismo inacabado. Daí o nome real e estratégico da seita: “Associação do Espírito Santo para a Unificação do Cristianismo Mundial”, que o considera como o Senhor do Segundo Advento, o Messias vivo na terra.

b) O sutil David Brandt Berg, em 1968, fundou a seita “Os Meninos de Deus”. Afirmou ter recebido uma revelação direta de Deus acerca de uma missão “diferente”, partiu para trabalhar entre Hipies e viciados em tóxicos, levando uma mensagem apocalíptica, atacando a sociedade americana e as igrejas organizadas. Começou na Califórnia, objetivando alcançar o mundo com a sua mensagem.

c) O complicado Joseph Smith Júnior, fundador da seita denominada “Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”, organizada em 1830, em Fayette, Estado de Nova Iorque. Ele afirma que aos 15 anos estava orando em um bosque, buscando encontrar a igreja que deveria pertencer, quando apareceram-lhe dois anjos resplandecentes – Deus e Cristo – e que Deus apontou para Cristo e lhe disse: “José, este é o meu filho, ouve-o”. Dois anos depois ele estava orando em seu quarto quando repentinamente uma luz fortíssima inundou o ambiente e, em meio à luz, apareceu-lhe o anjo Moroni transmitindo-lhe revelações que resultaram na criação da seita que o tem como profeta.

2ª Consideração: Particularmente creio que Deus nos fala pela Palavra Sagrada já revelada – A Bíblia Sagrada – fala-nos diretamente ao coração, a exemplo do sacerdote Neemias que diz: “...não declarei a ninguém o que o meu Deus me pusera no coração para eu fazer em Jerusalém...Então o meu Deus me pôs no coração que ajuntasse os nobres...” – Ne.2:12 e 7:5.

3ª Consideração: Não me surpreende os dados estatísticos do pastor César Castellanos, ao afirmar que começou a Missão Carismática Internacional em março de 1983 com oito membros e hoje, após 17 anos, conta com mais de 30 mil células e mais de 100 mil membros. Sabe por que não me surpreendo? Simplesmente, porque outros tantos movimentos neo-pentecostais, comprometidos com valores que não representam os genuínos valores bíblicos e com sutis objetivos que visam satisfazer o seu próprio ventre (Filipenses 3:19), têm crescido avassaladoramente. Veja o exemplo da IURDE (Igreja Universal do Reino de Deus): É também um movimento neo-pentecostal que com pouco mais de 20 anos de fundação já conta com cerca de oito milhões de seguidores (Correio Brasiliense do dia 12.02.2000, p.8). Este dado estatístico da IURDE significa dizer que ela é no mínimo oitenta vezes maior do que o MCI de César Castellanos.

PROPOSTAS DO MOVIMENTO

OBJETIVOS

1º - Aplicar na vida da igreja a idéia das Células de multiplicação, levando a igreja a funcionar em células. Note bem, o que a visão de César Castellanos propõe não é a igreja com células, isto é normal entre nós (Células de crescimento ou familiares), mas sim a igreja em células. As Células São heterogêneas, ou seja, compostas de pessoas de ambos os sexos e de todas as faixas etárias. Veja o que são as Células e como elas funcionam, de acordo com o Manual:

 “As células de multiplicação são as reuniões de pessoas salvas, já integrantes do povo de Cristo, e de pessoas que desejamos alcançar com o Evangelho (...) Cada célula é composta de, no mínimo, três componentes (...) Não deve ultrapassar o número de vinte e cinco, pois tendo a assistência de tal número, já possível a multiplicação” (Manual, Pag. 117).

 “As células são lideradas pelos membros do G12 que já tenham pelo menos começado a freqüentar a Escola de Líderes” (Manual, pag.119).

2º - Criar na vida da igreja Grupos de 12 (G 12). Veja o que são Grupos de 12, de acordo com o Manual:

 ”São grupos homogêneos, encarregados do processo de discipulado e edificação, onde homens discipulam homens e mulheres discipulam mulheres” (Manual, pag. 119).

É importante frisar que essa homogeneidade refere-se não apenas a pessoas do mesmo sexo, mas também à faixa etária, e que este princípio vale também para os Encontros. Esclarece ainda o Manual que:

“Os G 12 trabalham para conquistar as gerações:

1ª Geração – 12 discípulos

2ª Geração – 144 discípulos

3ª Geração – 1.728 discípulos

4ª Geração – 20.736 discípulos

 Só é possível começar a formar um G 12 quando já se puder contar com dois discípulos, para com eles formar uma célula (mínimo de três componentes)...” (Manual, pag. 122).

Vale a pena ressaltar ainda que “uma célula pode ser formada em uma semana, ou até em um dia, mas um G 12 pode levar bastante tempo... até diversos meses ou anos...” (Manual, pag. 12).

O quadro abaixo demonstra os chamados QUATRO PILARES da visão, também conhecidos como “ESCADA DO SUCESSO”. É a base do discipulado proposto pela visão, que abrange desde o chamamento (conversão), o doutrinamento e consolidação através dos encontros, até o treinamento, na chamada Escola de Líderes, que propõe um programa piloto onde, em seis meses, transmite-se a doutrina básica e a visão da igreja, habilitando a pessoa a não somente formar e liderar Células, como começar a criar o seu Grupo de 12, na perspectiva dos seus 144... e assim montar sua própria equipe de encontro e Escola de Líderes, objetivando alcançar cidades, estados e nações, por meio dos seus enviados.

MINHAS CONSIDERAÇÕES

1ª Consideração: A princípio, sem julgar o mérito da visão e antes de levantar os verdadeiros objetivos que estão por trás dela, devo admitir que o “projeto” (visão) é audacioso e bonito. Não reconhecer isto, é ter um comportamento tão somente confrontador, fundamentado-se somente nos aspectos negativos. Mas, reconheço que existem aspectos positivos, mesmo que, para o bom observador e analista, ofuscados pelos negativos que os suplantam e fundamentam a muitos a não abraçarem a visão, a exemplo da minha pessoa.

2ª Consideração: Abraçar a visão implica abrir mão de todos princípios regimentais de sustentação da igreja organizacional, que vão desde pontos doutrinários a princípios de liturgia e ao sistema de governo. Já tenho visto isto acontecer em algumas igrejas que, no afã de contemplarem as multidões – crescimento quantitativo –, abraçaram a visão. Igrejas que antes mantinham uma postura doutrinária e litúrgica equilibrada, harmônica com a Palavra de Deus; sustentavam um sistema de governo coerentemente com a sua Constituição Interna, mas que romperam com o compromisso denominacional em nome da implantação da visão da igreja em células de multiplicação no modelo dos 12. Aliás, o pastor César Castellanos deixa isto bem claro em seu livro “Sonha é Ganharás o Mundo”:

 “A tomada de decisões para o progresso de nossas vidas e do ministério em geral, tem estado acompanhada de um princípio sem o qual o alcance de importantes metas teria sido impossível: a necessidade de inovar de forma radical e contínua. Toda visão implica em inovação. Estar disposto a romper com os moldes tradicionais, faz parte do risco...” (p.48)

 “A lista de mudanças é quase infinita, e a de vitórias também, tudo porque decidimos por em prática o poder da inovação, romper os velhos moldes. Definitivamente temos que ser criativos, o mundo é daqueles que inovam...” (p.52)

 Observe as palavras de Valnice Milhomens, em seu livro Plano estratégico para a redenção da nação, que segundo ela Deus lhe falou numa noite de dezembro de 1996: “É preciso romper as velhas estruturas para conter o novo mover. Vocês receberam uma visão na mente. Na prática, cada um está sendo e fazendo igreja de acordo com suas velhas estruturas (...) Ficamos absolutamente convencidos de que a Igreja em células ou nas casas, sem deixar as grandes celebrações de todo o corpo no templo, era o caminho de volta, no que concerne à estrutura” (Plano Estratégico para a redenção da nação, p. 10)

Acho extremamente perigosas as palavras dos pastor César Castellanos e também da pastora Valnice, ao proporem o rompimento dos moldes tradicionais e convencionais da igreja para o transicionamento da visão da igreja em células. Creio que não devemos ser “tradicionalistas extremados”, às vezes até induzidos a querer impor além da tradição bíblica, numa expressão autoritária e meramente humana. Mas creio que, com a autoridade que nos é assegurada na Palavra de Deus, devemos ser tradicionais bíblicos, independente da denominação a que pertencemos, e, desta forma, zelar pela tradição com fidelidade à denominação, na visão do Corpo ou da Igreja do Senhor Jesus, que é composta por todos os alcançados pela graça salvadora de Deus e vivem em obediência à Sua Palavra, espalhados pelo globo habitável, sem barreira denominacional. Ouça o que nos diz a Palavra de Deus: “Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa” – II Tessalonicenses 2: 15.

3ª Consideração: Tenho me cientificado de verdadeiros “rachas” em igrejas cujas lideranças abraçaram a visão, induzindo os seus membros a fazê-lo também, indo aos Encontros; ou de pessoas que, entristecidas, tiveram que deixar suas igrejas amadas e irem para outras por não concordarem com a visão. Ao mesmo tempo, tenho visto igrejas perdendo membros para outras comunidades, exatamente porque estes abraçaram a visão e não acharam mais espaço em suas igrejas para se projetarem, uma vez que estas, com genuíno discernimento, rechaçaram a visão. “Ora, as obras da carne são conhecidas, e são: (...) inimizades, porfias, ciúmes , iras, discórdias dissenções, facções (...) Mas o fruto do Espírito é amor...” – Gálatas 5:19-22.

BASE DO MOVIMENTO
(O Encontro e suas Fases)

ESTRATÉGIA
O movimento propõe, estrategicamente, a realização do Pré Encontro, do ENCONTRO e do Pós Encontro, conforme especificação abaixo:

1ª - Pré Encontro (Subdividido em quatro etapas para se desenvolver quatro lições). Veja:
1ª Lição: O Pecado e suas consequências
2ª Lição: O primeiro Adão e o último Adão. Morte e Ressurreição
3ª Lição: Somos santos e filhos de Deus
4ª Lição: Quem eu sou em Cristo?

2ª - O Encontro: (Acontece rigorosamente da Sexta feira à noite ao Domingo à tardinha, período que se desenvolve 12 palestras). Observe:
1ª Palestra: O que é o encontro
2ª Palestra: O que o Senhor faz durante o Encontro?
3ª Palestra: * Libertação (Quebra de Maldições)
4ª Palestra: Como devo me comportar no Encontro?
5ª Palestra: No Encontro ampliamos a nossa postura espiritual
6ª Palestra: * Cura Interior ( Regressão)
7ª Palestra: Indo à cruz
1ª Palestra: Oração como estilo de vida
2ª Palestra: A Nova Vida em Cristo
3ª Palestra: Implantando a visão da Igreja em Células...
4ª Palestra: * Batismo no Espírito Santo

3ª - O Pós Encontro: A exemplo do Pré, ocorre em quatro etapas ou quatro noites, visando solidificar o Encontro. (Manual, p. 138)
1ª Lição: A importância do Pós-Encontro
2ª Lição: Conservando a libertação e a cura interior
3ª Lição: As áreas de contra-ataque
4ª Lição: Como deter Satanás?

OBSERVAÇÃO
No Domingo à tardinha, próximo ao encerramento oficial do Encontro, acontece o chamado momento surpresa: “Após a oração e ministração do batismo no Espírito Santo, os encontristas são convidados a voltarem a sentar-se, fecharem os olhos por algum tempo e permanecerem orando. Neste momento as lembranças-surpresa são arrumadas em uma mesa ou no palco... Pede-se que ninguém abra as lembranças até que todos as recebam. Duas pessoas passam a chamar os encontristas pelo nome, enquanto outras vão entregando os presentes...“ (Manual, páginas 134 e 135).

As lembranças-surpresa são cartas, cartões, bilhetes, acompanhadas ou não de flores, chocolates, etc., (Esse detalhe varia de Encontro para Encontro). São mensagens de estímulo para que a pessoa persevere na visão que abraçou, dispondo-se a compartilhá-la com vista a sua implantação. Mensagens enviadas pelo pastor do encontrista, pelos seus pais, sua esposa (ou esposo), etc. (Manual, páginas 156/157).

PROBLEMÁTICA DO MOVIMENTO
(O ENCONTRO)

CONSIDERAÇÕES
1ª Consideração: Estudando tanto o livro de César Castellanos, “SONHA é Ganharás o Mundo”, como o “Manual para Realização de Encontros”, preparado pelo pastor Renê Terra Nova e sua equipe, tenho concluído que o maior problema da visão está no encontro, pelas razões que passo a enumerar:

1ª RAZÃO: A ênfase exagerada que dão ao ENCONTRO, ou ao denominado PENIEL, comparando-o com a experiência de Jacó no vale de Jaboque (Gêneses 32:30). Essa ênfase é tão sensacionalista que eles chegam ao absurdo de afirmar que a pessoa só desfruta da benção do verdadeiro encontro com Deus se participar do encontro do G 12; que a benção da unção está no encontro e que se a pessoa não se dispuser a participar ela não recebe a benção. Isto significa procurar condicionar a SOBERANIA e o PODER de Deus: “Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos, ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém.” – Efésios 3:20-21.

Uma rápida viagem pela Palavra de Deus é suficiente para nos mostrar encontros tremendos que muitos dos servos do Senhor tiveram com Ele. Encontros em ocasiões, circunstâncias e lugares distintos. Encontros que também impactaram, geraram mudanças e novos direcionamentos. Vejamos alguns exemplos:

 Adão e Eva tiveram um encontro tremendo com Deus quando se acharam desnudos espiritualmente no jardim do Éden, onde foram confrontados com a condição de desobedientes e transgressores, mortos em seus delitos pecaminosos (Efésios 2:1), separados de Deus pelo ato transgressor. E naquele tremendo encontro, ouviram de Deus a primeira Boa Nova de Salvação (Gêneses 3:15).

 Abraão teve um encontro tremendo com Deus na região idólatra de Ur dos Caldeus, na Mesopotâmia, ocasião em que Deus o impactou com o chamado para ser pai de uma grande nação (Gêneses 12:1-3).

 Moisés teve um encontro tremendo com Deus no campo, quando apascentava o rebanho do seu sogro Jetro, e, impactado por Deus foi desafiado a libertar o povo de Israel da opressão egípcia (Êxodo 3:1 a 4:17).

 Jacó, o suplantador, antes do PENIEL (A face de Deus), teve um encontro tremendo com Deus quando fugia de seu irmão Esaú, em destino a Harã. Ali ele reconheceu a presença augusta de Deus e chamou aquele lugar de BETEL - Casa de Deus - (Gêneses 2810-17).

 Elias teve um encontro tremendo com Deus numa caverna do Monte Horebe, quando fugia da terrível Jezabel (I Reis 19:1-18).

 Jonas teve um encontro tremendo com Deus no ventre do grande peixe que o tragou (Jonas 2).

 Os doze tiveram um tremendo encontro com o Deus vivo que se fez homem (João 1:14,18), face a face, durante três anos, todo dia e o dia todo, debaixo de sol ou de chuva, com fome ou com sede, andando pelas estradas poeirentas da Palestina ou na voragem do mar, nas cidades ou no campo, sozinhos ou em meio às multidões, ouvindo os Seus ensinamentos ou vendo os Seus feitos, na condição de testemunhas oculares e auriculares Dele (Mateus 4:18-22; 9:9; 10:1-4; João 15:27; Atos 4:20,33 etc.), tudo isto para se tornarem o fundamento ou os incumbidos da revelação da qual Jesus, a pedra angular, é mensagem central (Efésios 2:19-22).

 Os cento e vinte pioneiros da igreja primitiva tiveram um encontro tremendo com Deus, trancafiados no cenáculo com medo dos judeus que perseguiram Jesus Cristo. Esse encontro impactante os tornou cheios do Espírito Santo, portanto, intrépidos na revelação de Jesus (Atos 2; 4; 5:40-42, etc.).

 Saulo teve um encontro tremendo com Deus, no caminho de Damasco (Atos 9:1-9).

 João, o apóstolo, quando estava exilado na Ilha de Patmos teve um encontro tremendo com Deus, o qual resultou na revelação de um dos livros mais lindos da Bíblia, o Apocalipse (Apocalipse 1:1-20).

 Eu e você temos plena convicção do tremendo encontro que tivemos com Deus, quando Ele nos envolveu com a Sua graça salvadora, colocando-nos na posição de salvos (Tito 3:4-7), onde cada um de nós tem experiências específicas de data e circunstâncias desse encontro. Eu e você, a cada instante da nossa caminhada, temos nos desprendido a um constante encontro com Deus, onde abrimos os nossos corações e nos derramamos diante Dele, em busca de crescermos em santificação na Sua presença (Salmo 34:18; 51:17; 147;3; Isaías 57:15; I Tessalonicenses 4:3-7; Hebreus 12:14, etc.). Encontros tremendos, independentes do lugar ou das circunstâncias.

CONCLUSÃO: O nosso Deus não é limitado. Quem somos nós, limitados e finitos, para querer limitar Sua Soberania, Seu poder, Sua Operação. O nosso Deus opera em quem, onde, como e quando Ele quer. Ele é Soberano! (I Timóteo 6:15, Apocalipse 1:5,6).

2ª RAZÃO: A sacramentalização do encontro expressa claramente no Manual. Mas, por que sacramentalização? Porque todas as vezes que o Manual se refere ao encontro, do começo ao fim, ele o faz com a inicial em maiúsculo. Curioso não?

Isto reforça a importância sobrenatural que o movimento dá ao encontro e a exclusividade dele como canal ou veículo para se receber a unção.

3ª RAZÃO: A enfática afirmação de que a pessoa tem que ir ao Encontro para encontrar-se com Deus. Muitos saem do encontro expressando ignorância e claro desvio comportamental-psiquico-emocional, pelas manipulações a que são submetidos, e, entre outras coisas, chegam ao cúmulo de afirmar: “Eu vi Deus face a face. Você precisa ir lá para também ter um encontro com Ele”

Mesmo que esta afirmação seja metafórica, muitos, alimentando o mundo fantasioso a que foram induzidos e não tendo encontrado ainda o mundo real, afirmam isto tão fanaticamente que acabam confundindo aqueles que ainda não possuem base doutrinária

sólida. Muitos caem no absurdo de dizer que agora que viram Deus face a face é que são crentes. E assim relegam toda a experiência cristã pregressa de um, três, cinco, dez, quinze, vinte... anos, fundamentados nos jargões: “eu vi Deus face a face”, “eu morri e nasci de novo”, “o encontro é tremendo”, etc..

Lembre-se de que neste tabernáculo ou nesta matéria corruptível pela presença do pecado (I Coríntios 15:35-58), homem nenhum viu Deus face a face. Nem mesmo Moisés, que passou quarenta dias e quarenta noites no Monte Sinai, contemplando ali a glória do Senhor, expressão da Sua presença, pôde ver Deus face a face. Diz a Bíblia que Moisés subiu, uma nuvem cobriu o monte durante seis dias, ao sétimo ele ouviu a voz de Deus chamando-o, ao que prontamente se dispôs a entrar pelo meio da nuvem para encontrar-se com Deus. Ali ficou quarenta dias e quarenta noites. Que encontro tremendo! (Êxodo 24:12-18). Mas, nem assim, Moisés viu a face de Deus, a nuvem o impedia.

Numa outra ocasião Moisés, ansioso por ver Deus, começou a clamar: “...Rogo-te que me mostre a tua glória...”, ao que o Senhor lhe respondeu: “...não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face, e viverá. Disse mais o Senhor: Eis aqui um lugar junto a mim; e tu estarás sobre a penha. Quando passar a minha glória, eu te porei numa fenda da penha, e com a mão te cobrirei, até que eu tenha passado. Depois, em tirando eu a mão, tu me verás pelas costas; mas a minha face não se verá” (êxodo 33:18-23)

Tendo nos encontrado com a fonte única de salvação, Jesus Cristo (João 14:6; Atos 4:12), a imagem do Deus invisível (Colossenses 1:15; Hebreus 1:3), nós passamos a ver Deus com os olhos da alma (Jó 42:5). Mas na glória porvir, com corpos incorruptíveis, revestidos da nossa habitação celestial (I Coríntios 15:50-57; II Coríntios 5:1-3), veremos Deus face a face (Apocalipse 21:11).

4ª RAZÃO: As distorções doutrinárias impostas no Encontro e suas fases, especialmente quanto à doutrina do pecado.

Procurarei nesta avaliação destrinçar os estudos do Encontro e suas fases, mesmo que de forma objetiva, focalizando essas distorções.

DESTRINXANDO O MOVIMENTO
O ENCONTRO E SUAS FASES

Para facilitar a sua compreensão vou dissecar o Manual para realização do encontro, levantando, mesmo que objetivamente, tudo o que se estuda no encontro e suas fases. Farei isto mesmo ciente da chamada de atenção, escrita com letras grandes e em negrito na página três do Manual, como segue: “É expressamente proibida a leitura ou manuseio deste Manual por pessoas que ainda não passaram pelo Encontro. Os acontecimento não deverão ser descobertos, mas sim experimentados por todos aqueles que desfrutarão de três dias de Encontro com Deus”. Ainda que ciente desta advertência dissecarei o Manual com os objetivos supra, por razões simples:

1ª Razão: Se a obra é de Deus, por que ocultá-la? Jesus Cristo, ungido para a realização da maior de todas as obras divinas, a da redenção do homem pecador, desenvolveu Seu ministério terreno falando francamente ao mundo e nada dizendo em oculto, como ele mesmo afirma no Evangelho de João capítulo 18 versículo 20.

2ª Razão: Os discípulos do pastor César Castellanos espalhados pelo Brasil, integrantes de bases regionais, incumbidos de deflagrarem a visão, andam de igreja em igreja, independentemente do rótulo denominacional, incitando as pessoas a participarem, na mais clara expressão de falta de ética e de desrespeito para com as lideranças eclesiásticas. No dia treze de fevereiro do ano em curso, eu fui ministrar em uma da igrejas do presbitério de Taguatinga, e diga-se de passagem que não foi sobre o assunto em foco, e lá estava cinco desses discípulos tentando fazer a cabeça de vários jovens. Após o culto eles tiveram a ousadia de confrontar com insistência o pastor daquele igreja, simplesmente porque ele se mostrou contrário à visão. Ora, se eles não pedem licença quando vêm às nossas igrejas, então eu também não peço licença para dissecar o Manual, destrinçando assim o movimento, como segue:

EM RELAÇÃO AO PRÉ-ENCONTRO

As quatro lições são bem elaboradas; nelas se trabalha muito o método indutivo (Questionário de cada palestra para ser respondido em casa, com o objetivo de consolidar a absorção do ensino); são parecidas com os estudos de Bill Bright em suas revistas – Dez Passos Básicos para a Maturidade Cristã.

O único ponto questionável é quanto às duas primeiras lições (1ª. O PECADO E SUAS CONSEQUÊNCIAS; 2ª. O PRIMEIRO ADÃO E O ÚLTIMO ADÃO. MORTE E RESSURREIÇÃO – pp. 12 - 21 do Manual), onde as ministrações confrontam os futuros encontristas não como pessoas já convertidas, portanto salvas e já perdoadas por Deus, mediante o sangue remidor de Jesus Cristo, e sim como pecadores necessitados de arrependimento.

As mensagens, especialmente a primeira, têm um tom evangelístico, próprias para pessoas que ainda não passaram pela cruz de Jesus. Neste ponto o próprio Renê de Araújo se contradiz na apresentação do Manual, quando afirma: “O Encontro e suas fases não são apenas para novos crentes, mas também para líderes que querem implantar com êxito a visão de células de multiplicação e de grupos de 12...” – (Manual, p. 6)

Porém, este confronto é apenas uma “papinha” do que é sutilmente jogado de forma pesada no Encontro, procurando induzir as pessoas a desenterrarem os seus pecados que estão debaixo do sangue de Jesus, para novamente confessá-los e levá-los de novo à cruz.

Veja o resumo das lições do Pré-encontro:

1ª Lição: O PECADO E SUAS CONSEQÜÊNCIAS – Romanos 3:23

1. INTRODUÇÃO: A fronteira entre o homem e Deus – o pecado.

2. PRINCÍCPIOS ESPIRITUAIS: 2.1. Leis Espirituais – Leis físicas (Governam o universo) – Leis espirituais (Governam seu relacionamento com Deus); 2.2. Recompensa para o pecado: Morte eterna; 2.3. Legalidades para a entrada do pecado: “O pecado entrou por um homem (...) Pela rebelião foi estabelecido o pecado (...) Com o pecado, o homem ficou sem comunhão com Deus (...) Todo o homem em pecado está condenado...”

3. LEGALIDADE PARA SE MORTIFICAR O PECADO: “Jesus – o último Adão (...) Nele está a legalidade para se mortificar o pecado na nossa vida...”; 3.1. O plano de Deus para as nossas vidas – Vida em Cristo.

4. CONCLUSÃO: “Temos a herança do pecado (...) Somos pecadores (...) Só Jesus nos liberta do pecado...”

2ª Lição: O PRIMEIRO ADÃO E O ÚLTIMO ADÃO: MORTE E RESSURREIÇÃO – I Coríntios 15:22

1. INFLUÊNCIA DO 1º ADÃO E DO ÚLTIMO ADÃO: 1.1. O Primeiro – Herança pecaminosa/Morte; 1.2. O Último Adão – Vida. Agora colocamos Jesus, último Adão, não como nosso Pai, mas como nosso marido, significando uma categoria de parentesco que a todos Deus dá o direito de escolher. O último Adão influencia a todos que, de forma original, O aceitem, O queiram, sendo transformados em justos...

2. REDENÇÃO: ...ao cancelar nossas dívidas, Jesus, último Adão, liberta-nos do império das trevas, onde tínhamos a natureza pecaminosa, e nos transporta para o seu Reino, onde adquirimos a natureza justa.

3. O QUE JESUS FEZ POR MIM DIANTE DE DEUS: Substituiu-me na cruz. “Romanos 5:8 nos informa que a grandeza da prova do amor de Deus por nós está no fato de Jesus ter morrido por nós quando ainda éramos pecadores. Aí o apóstolo introduz o verso 9 dizendo ‘muito mais agora (no tempo em que não somos mais pecadores, mas justos), seremos salvos da sua ira’. Eu era pecador pela filiação de Adão, mas agora, quando Jesus é o meu marido, sou justo.

4. SANTIFICAÇÃO – O QUE JESUS ESPERA DE MIM.

5. ACUSAÇÃO – O QUE O DIABO SEMPRE FARÁ .

3ª Lição: SOMOS SANTOS E FILHOS DE DEUS = I João 3:11/ I Pedro 1:15-16

1. CHAMADOS COMO FILHOS PARA CUMPRIRMOS O PROPÓSITO: Frutificação;

2. CHAMADOS PARA ESTARMOS NO SEU PLANO: Santidade;

3. CHAMADOS PARA A VIDA EM CRISTO: Na base do seu amor e do seu perdão. O amor de Deus leva-nos a: reconhecer Sua grandeza; ministrá-lo a muitas vidas; saber Seus projetos para minha vida; desejar ser santo como Ele o é; ter uma vida plena...

4. CHAMADOS AO ARREPENDIMENTO: Através do Seu amor, Deus quer que todo homem chegue ao arrependimento...

4ª Lição: QUEM SOMOS EM CRISTO JESUS – Efésios 2:6

1. NOSSA REALIDADE EM CRISTO: 1. Recebemos Jesus; 2. Recebemos a vitória; 3. Recebemos o Reino pela fé.

2. NOSSA REALIDADE NO PROCESSO DE MUDANÇA: Arrependimento... Devemos deixar que Cristo faça a obra em nós, que Ele molde em nós Seu caráter. Devemos deixar que Jesus faça tudo o que Ele quer em nossa vida.

3. A REALIDADE DO CONTROLE DE JESUS SOBRE A VIDA PESSOAL: Declare: “A minha vida está debaixo de boa direção. O meu ‘eu’ não está mais no centro, Jesus é o centro da minha vida”

MINHAS CONSIDERAÇÕES

É incrível o fato de pessoas com um, dois...cinco...dez...vinte anos de comunhão com Deus em Cristo; que antes de irem ao encontro tinham plena convicção da sua morte e ressurreição com Cristo para o mundo e para o pecado (Romanos 6:1-14); plena certeza do perdão e da sua condição de nova criatura, redimida pelo sangue do Cordeiro (II Cor.5:17; 5:18-19; Rom.5:1-5; 8:1-17; Isaías 38:17; Jeremias 31:34/Hebreus 8:12; Miquéias 718-19), serem manipuladas e levadas a desenterrarem os seus pecados, para novamente confessá-los a Deus em “busca do verdadeiro perdão”. É importante lembrar que a palavra grega KAFAR (perdoar) significa COBRIR. Isto significa que, quando Deus perdoou-nos em Jesus Cristo, Ele cobriu os nossos pecados com o sangue remidor do Cordeiro, Jesus Cristo.

Portanto, se os seus pecados já estão debaixo do sangue de Jesus, pela graça de Deus que se revelou salvadora sobre a sua vida, por que se submeter a técnicas de manipulações psicológicas, induzido-lhe a desenterrar os seus pecados já confessados e perdoados?
“Não vos lembreis das cousas passadas nem considereis as antigas...Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não mais me lembro” – Isaías 43:18,25

“É assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura: as coisas antigas já passaram, eis que tudo se fez novo” – II Coríntios 5:17

EM RELAÇÃO AO ENCONTRO
Primeiro quero enfatizar que, ao longo do Encontro, especialmente nas oito palestras da Sexta-feira à noite ao Sábado à noite, pela própria natureza das palestras, o encontrista é violentamente bombardeado com ministrações que, como disse anteriormente, confrontam com suas prévias convicções de uma pessoa salva, redimida, perdoada. No Encontro são ministradas doze palestras. Destas, cinco são reconhecidas e declaradas no Manual como as mais importantes:

“Todos os encontreiros devem preparar-se com oração e jejum para o dia das ministrações de libertação e Cura Interior, bem como para a do batismo no Espírito Santo”. FUNÇÕES DO PRESIDENTE DO ENCONTRO: “...Determinar os ministradores para cada palestra, de acordo com a experiência e a competência espiritual... Fazer-se presente e/ou ministrar as palestras mais importantes:

Peniel, Libertação, Cura Interior/Indo à Cruz, Batismo no Espírito Santo” (Manual, p. 36)

Por que essas palestras são destacadas como as mais importantes em relação às demais?

1º Porque são através delas que os ministradores trabalham mais com a psique (a mente), com o departamento emocional da pessoa, utilizando-se de mecanismos psicológicos, numa verdadeira expressão de manipulação psicológica e emocional.

2º Porque especialmente nestas palestras é que os ministradores jogam pesado procurando induzir os encontristas a um arrependimento com profunda dor, exemplificando com Jacó no seu encontro com Deus no vau de Jaboque, levando-os a desenterrar os seus pecados passados, já perdoados e cobertos pelo sangue de Jesus, os seus traumas e feridas já curadas pelo sangue do Cordeiro (II Coríntios 5:17; Isaías 43:18,25; 53:1-12).

Por isto é que o pastor César Castellanos afirma em seu livro SONHA e Ganharás o Mundo:

“Os encontros são retiros de três dias, durante os quais o novo crente compreende a dimensão exata do significado do arrependimento, recebe a cura interior e é liberto de qualquer maldição que tenha imperado em sua vida. Logo a seguir se capacita como guerreiro espiritual, com a ministração do enchimento do Espírito Santo...” (p.91).

E também o pastor Renê de Araújo apresentando o Manual do Encontro, afirma:

“...O Encontro é tão significativo que não podíamos guardá-lo só para nós. Deus está sarando a sua igreja e promovendo um grande avivamento...” (p.p. 5,6).

Portanto, veja o resumo dessas palestras, à luz do Manual Para Realização do Encontro, páginas 44 a 134:

1ª Palestra: PENIEL (Gênesis 32:30 e 2 Samuel 12)

“INTRODUÇÃO: Peniel é um lugar de encontro com Deus (Gen.32:30) – Lugar de encontro consigo mesmo e com Deus. Em Peniel Deus mostrará quem você é. Lugar de luta, de arrependimento, de guerra, de choro, de pranto... Peniel tem como objetivos principais: Levá-lo ao arrependimento (...) levá-lo a estar face a face com Deus – tudo muda quanto vimos a Deus (...) Jacó sentiu profunda dor nesse lugar (Peniel). Você também sentirá essa dor, porém sairá daqui completamente curado e com uma nova identidade...VEJAMOS O QUE ACONTECE EM PENIEL:

1. SOMOS CONFRONTADOS: ...Todo confronto, quando há arrependimento genuíno, gera cura e libertação...

2. SOMOS CONDUZIDOS AO ARREPENDIMENTO: Diante da realidade do nossos pecados, não podemos nos arrepender pela metade (...) arrependimento sem dor não é arrependimento. Precisamos sentir dor pelo pecado (...) Quando o pecado é lembrado com dor, há cura...” (pp.45-51)

MINHAS CONSIDERAÇÕES

1ª consideracão: A palavra arrepender no original do Novo Testamento significa literalmente “dar meia volta”. Isto é: o homem morto em seus delitos e pecados, andando em direção oposta a Deus e a passos largos em direção à perdição eterna, ao crer nas Boas Novas do Evangelho ele se arrepende dos seus pecados, ou dá meia volta e passa andar em direção a Deus, submisso à Sua vontade. Por isto o arrependimento é sinônimo de mudança de mente, de coração, de comportamento... – Desta forma a Bíblia não trata de arrependimento com dor ou profunda dor, expressão um tanto Arminiana por transparecer um grande e heróico esforço do homem, pelo homem e para o homem, no que tange ao arrependimento proposto. A Bíblia trata do arrependimento como expus acima, o qual é obra do Espírito Santo que convence o homem do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8-11; Marcos 1:14-15; Tito 3:4-7, etc.).

2ª consideração: Observe que a linguagem deste estudo é própria para aquele que ainda não passou pela Cruz de Cristo; para aquele que ainda não abriu o seu coração para o evangelho que é poder de Deus para a Salvação de todo aquele que se arrepende crê e no Senhor Jesus.

3ª Consideração: Quem é o homem, meu semelhante, para julgar arrependimento fingido de outrem, ou arrependimento pela metade, se é que ele existe? Pois é, neste estudo você viu esse julgamento (Mateus 7:1). Saiba que o verdadeiro arrependimento verdadeiro é completo e eficaz, mesmo que imperfeito nesta vida, por contemplarmos a libertação do domínio do pecado, mas não da sua presença (Romanos 7:7-25).

ATENÇÃO

Varia de encontro para encontro, mas, geralmente, esta palestra é finalizada com a ministração de unção de arrependimento em cada encontrista, levando a maioria deles a um verdadeiro derramamento de lágrimas e muita comoção. Em muitos encontros por aí a fora o fenômeno do “cai cai”; a chamada benção de Toronto ou “unção do riso” ou “gargalhada sagrada, se instalam desde este primeiro momento de ministração de unção.


OBSERVAÇÃO

As duas palestras seguintes, já no Sábado, entre 6h e 7h, são uma preparação para o que vai ser ministrado à tarde, na terceira palestra (Libertação – Quebra de maldição). São duas palestras leves e sutis, que, ministradas numa atmosfera estritamente emocional, visam despertar, mover, quebrantar (...) o encontrista para a quebra de maldições. VEJA O RESUMO DELAS:

2ª Palestra: O QUE É O ENCONTRO? = Amós 4: 12b(1ª do Sábado)

Ela trata do encontro com o mundo, levanta as ilusões do mundo, tais como: a fama, o dinheiro, o prazer; contrapondo-se com o ENCONTRO COM JESUS, que gera felicidade, pela transformação que ocorre nesse encontro. De forma bem sugestiva, é lembrado que os samaritanos “...saíram, pois, da cidade e foram ter com ele” (João 4:1-30), frisando-se o importante passo dos encontristas, quando saíram da cidade para este encontro com Jesus, a fim de contemplarem a transformação de vida e a renovação do coração.

3ª Palestra: O QUE SE FAZ DURANTE O ENCONTRO = João 4:1-42 e Tiago 1:21-22 (2ª do Sábado)

Em preparação para a próxima palestra, sobre quebra de maldições, enfatizando-se o que acontece durante o Encontro, é lido mais uma vez o texto de João 4:1-42, frisando-se que a mulher samaritana recebeu a palavra, abriu o coração, foi liberta e tornou-se uma grande missionária. Isto posto, o ministrador faz a aplicação, dizendo que, do mesmo modo, Jesus opera na vida de cada encontrista: mostrando os seus pecados; restaurando a vida familiar e a vida religiosa; dando-se a conhecer; pondo em ordem todas as áreas da vida... restaurando o testemunho.

Após essas afirmações, a palestra passa a tratar, mesmo que de forma desconexa ao tema proposto, dos sonhos pessoais, que no Encontro tomam novas dimensões; enfatizando, entre outras coisas, que: Jesus restaura nossos sonhos; os sonhos de Deus para nós precisam ser ressuscitados; Jesus motiva-nos a sonhar...

COMENTÁRIO
Na verdade, esta parte da palestra é um enfoque ao que o pastor César Castellanos trata em seu livro SONHA e Ganharás o Mundo, especialmente no Cap. 3º: A ORIGEM DOS SONHOS. Ali ele faz muitas colocações boas, mas também colocações sem sentido, como atribuir a Deus a condição de um sonhador: “Tudo quanto temos feito como Missão Carismática Internacional, começou com um sonho, como todas as coisas criadas por Deus. Primeiro, Ele sonhou, depois planejou, desenhou e executou. A Bíblia diz que fomos criados à Sua imagem e semelhança; creio, portanto, que estamos capacitados a sonhar e planejar nosso futuro como Deus o fez.” – (p. 22) (Os negritos são do pastor César).

MINHA CONSIDERAÇÃO
Sonhos são projetos (humanos) a princípio utópicos, fantasiosos, ilusórios, inatingíveis... que, à medida que são alimentados, podem ou não se concretizar. Mas esta é linguagem próprio dos humanos, finitos, limitados...nunca do Deus infinito, Todo Poderoso, Senhor absoluto de tudo e de todos, Criador de todas as coisas nos céus e na terra. Aquele que, do nada, chamou à existência todas as coisas visíveis e invisíveis (Gêneses 1:1-27; João 1:1-3; Colossenses 1:13-17).

4ª Palestra: LIBERTAÇÃO – Quebra de Maldições – Tiago 4:7; I João 3:8; Efésios 4:27; I Pedro 5:8 e Êxodo 20:5 (3ª do Sábado)

MEU COMENTÁRIO
Veja a sutileza de como essa palestra é ministrada para os encontristas, sem falar nos enchimentos que cada ministrador dá ao esboço, como lhe é assegurado pelo manual. “...as anotações das palestras que compõem esse Manual são apenas um esboço; é desejável que sejam ampliadas segundo o Rhema de Deus para cada ministração” (p. 6). Assim, analise você mesmo a palestra:

“CONSIDERAÇÕES INICIAIS: Comece a fazer comentários sobre a possibilidade de crentes terem atitude demoníacas... A maldição repousa na 1ª , 2ª, 3 e até 4ª gerações (...) maldição encerra-se na 4ª geração (...) Libertação fala de ficarmos livres de algo que nos prendeu. Há maldições que nos acompanham e que nós temos que rejeitá-las. A maldição se infiltra na legalidade e abre portas para que demônios venham sobre a vida da pessoa... A manifestação da maldição revela a presença e atuação de demônios nas vidas... COMO SURGEM AS MALDIÇÕES?: Todo pecado é uma quebra de comunhão com Deus. Cada nível de pecado libera uma quantidade de demônios. Cada pecado atraí uma maldição. O pecado é que dá legalidade para a ação de demônios (...) Toda infidelidade é pecado e atrai maldição (...) Não há maldição que não possa ser quebrada (...) Remova a maldição de sua vida hoje, pois aqui mesmo ela pode ser quebrada. Deus vai quebrar toda maldição de sua vida (...) A maldição hereditária vem por níveis diferentes e através das gerações (...) COMPREENDENDO ALGUMAS REALIDADE ESPIRITUAIS: Anjos, demônios (...) AS BRECHAS ESPIRITUAIS POR ONDE ENTRAM AS MALDIÇÕES: Maldição hereditária, maldição voluntária, maldição de nação, maldição involuntária (...) O Mal Proveniente dos Traumas: Alguns demônios entram pelos traumas na infância, na adolescência, maturidade ou atitudes que partem de nós. Palavras Proferidas Carregadas de Sementes do Mal: O pecado da maledicência gera uma maldição instalada pela palavra maldita (...) PROCESSOS DE LIBERTAÇÃO: Arrependimento (...) É preciso cortar a raiz de maldição que entrou pelo pecado. Mesmo tendo sido uma maldição que entrou através do pai, avô, bisavô, etc., precisa ser fechada...” (Manual, pp. 65-76)

OBSERVAÇÕES DO MANUAL:
1ª - Após a ministração da palestra acontece a ministração da unção de quebra de maldição e de pactos sobre cada encontrista. Ao final, faz-se uma oração de gratidão e pede-se a todos para “...declararem em voz alta que estão livres. Peça que repitam: – Eu estou livre (3x) – Eu estou perdoado (3x) – Eu estou curado (3x)”.

2ª - Após a unção, há uma chamada de “ATENÇÃO: A brecha é fechada na cruz. Satanás só se torna ilegal se você fechar a legalidade. Se não, ele está agindo na legalidade, porque todos, sem Cristo, estão debaixo da maldição da lei, ou seja, da maldição do pecado”

ATENÇÃO
Esta chamada parece mais uma contradição pelo que acabou de acontecer, mas na verdade ela é uma preparação para as palestras sobre CURA INTERIOR (Regressão) e INDO À CRUZ, que estrategicamente são precedidas por outras duas palestras também preparatórias (4ª e 5ª do Sábado).

MINHAS CONSIDERAÇÕES
1ª CONSIDERAÇÃO - O que você viu é apenas um resumo da palestra. Notou quantas barbaridades, quantas coisas absurdas jogadas aliciadamente sobre a pessoas que até o momento que entraram no encontro, durante toda a vida, testificaram sua condição de novas criaturas (João 8:32,36; II Coríntios 4:16-18; 5:17; Romanos 5:1-5; 8:1-11)? É por isto que muitos, despreparados doutrinária e psicologicamente, induzidos pelos mecanismos psicológicos utilizados para inculcar essas barbaridades, saem do Encontro em “parafuso”. Alguns, ao invés de saírem “sarados”, saem doentes e conduzidos imediatamente ao socorro médico.

2ª CONSIDERAÇÃO – Maldições hereditárias representam uma violenta distorção doutrinária introduzida no Brasil por Marilyn Hichey, que veio várias vezes ministrar na ADHONEP (Associação de Homens de Negócios do Evangelho Pleno) do Brasil, e influenciou, entre outros, Valnice Milhomens (Grande difundidora dessa heresia através de seu programa televisivo), Jorge Linhares (Autor do livro Benção e Maldição) e Robson Rodovalho (Autor do livro Quebra de Maldições). Ela é conhecida também por “maldição de família” ou ainda “pecado da geração”.

Veja o que diz Marilyn em seu livro “Quebre a cadeia da Maldição Hereditária”: “Se você ou algum de seus ancestrais deu lugar ao diabo, sua família poderá estar sob a ‘Maldição Hereditária’, e esta se transmitirá a seus filhos. Não permita que sua descendência seja atingida pelo diabo através das maldições de geração. Os pecados dos pais podem passar de uma a outra geração, e assim consecutivamente. Há na sua família casos de câncer, pobreza, alcoolismo, abusos sexuais, obesidade, adultério? Estas são algumas das características que fazem parte da maldição hereditária nas famílias. Contudo elas podem ser quebradas!” (Contracapa)

Os defensores desta heresia tomam Êxodo 20:4-6, como texto básico para fundamentá-la: “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem em baixo ne terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o Senhor teu Deus. Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e Quarta geração daqueles que me aborrecem, e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam, e guardam os meus mandamentos”. Ora, é preciso observar o contexto do texto para não se cair numa hermenêutica errada. Observe que ele está tratando de idolatria e não de padrão moral de comportamento que alguém possa ter e que seus filhos podem absorver ou não. Meu querido pai, por exemplo, fumou mais de sessenta anos e nem por isso qualquer um de seus filhos aprendeu a fumar. E se, de repente, algum dos filhos tivesse aprendido? Seria compreensível porque este era um segundo padrão de comportamento no nosso lar. Num mesmo lar, onde pais fumam ou bem ou tem qualquer outro vício, alguns filhos absorvem e outros não. E uma coisa é certa: ainda que a pessoa absorva algum padrão moral de comportamento negativo, quando ela passa pelo cadinho da regeneração, transforma-se, nasce de novo, deixando debaixo da cruz de Jesus Cristo o jugo de seus pecados (João 8:32,26; II Coríntios 5:17, etc.). Mas note ainda que, no final versículo quinto de Êxodo 20, há a afirmação de que a maldição viria sobre aqueles que aborrecessem a Deus, e isto não se passa com nenhum servo de Deus, remido do Cordeiro (Salmo 1:2; 40:8; 119:16, 24, 47, 77, 92111, 143. 174, etc.).

É importante lembrar ainda que o Senhor Deus afirma em Sua Palavra que a responsabilidade pelo pecado diante Dele é individual: “Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá” (Ezequiel 18:4).

Marilyn chega ao cúmulo de afirmar que as doenças reconhecidamente transmitidas por herança genética são maldições hereditárias espirituais. Veja mais uma vez o que ela diz em seu livro: “Será que você já observou sua família na qual todos os membros usam óculos? Desde o pai e a mãe até a criança menor, todos estão usando óculos, e geralmente os do tipo de lentes grossas. Essas pobres criaturas estão debaixo de uma maldição, e precisam ser libertas” (p. 60). Este é mais um ensinamento sem o respaldo da Bíblia.

Marilyn fala ignorantemente quando ensina sobre nomes próprios carregados de maldição, ponto tão enfatizado por Jorge Linhares em seu livro supracitado: “A verdade é que há nomes próprios que estão carregados de maldição – já trazem prognóstico negativo (...) Por isso não convém dar aos nossos filhos nomes que tenham conotação negativa, que expressem derrota, tristeza, dureza...” (Benção e Maldição, pp. 34 e 35).

É verdade que, na cultura hebréia, alguns pais colocavam os nomes nos filhos pela circunstância do nascimento deles ou vislumbrando o potencial do caráter que eles levariam, mas isto não era regra. O exemplo é o nome de Moisés (tirado das águas), de Benjamim (filho da mão direita ou de felicidade), Samuel (Nome de Deus), etc. E isto não significa que a Bíblia não revela nomes com significados bons de pessoas de mal caráter e pessoas de caráter bom com nomes de significados ruins. Veja alguns exemplos: Amnon (Fiel), filho incestuoso de Davi, que ousou desonrar a própria irmã (II Samuel 13;1-21); Absalão (pai da paz) foi um homicida e parricida, que tentou matar seu pai, objetivando usurpar o seu trono (II Samuel 15:1-18); Tiago (Forma da palavra Jacó = Suplantador), um dos primeiros discípulos de Jesus (Mateus 3:17); Apolo (destruidor), homem “...eloqüente e poderoso nas Escrituras. Era ele instruído no caminho do Senhor; e sendo fervoroso de espírito falava e ensinava com precisão a respeito de Jesus...” (Atos 18:24-28), etc.

4ª Palestra: COMO DEVO ME COMPORTAR NO ENCONTRO = Gênesis 32:1-2 e 30 (5ª do Sábado): “...1. CARACTERÍSTICAS COMUNS A TODO ENCONTRO; 2. CAUSAS DE UM ENCONTRO, 3. PREPARO PARA UM ENCONTRO DE SUCESSO; 4. CONCEITUAÇÃO APROPRIADA PARA OS PARTICIPANTES DO ENCONTRO; 5. O QUE DEVO FAZER PARA TER UM ENCONTRO DE SUCESSO...” (pp.77-80)

5ª Palestra: NO ENCONTRO AMPLIAMOS NOSSA POSTURA ESPITIRUAL = Lucas 11:37-44 e Atos 9:9 (6ª do Sábado):

“1. AS CARACTERÍSTICAS DE SAULO; 2. NOSSA REALIDADE É SEMELHANTE A DE SAULO; 3. CONCLUSÃO – ‘Não mais vivo eu, mas Cristo vive em mim’ . O velho homem que lhe regia morreu, e quem vivem em você é o Espírito Santo. Por isso você não tem mais livre arbítrio. Somo servos, e servos não têm querer. A cruz nos prendeu a Jesus Cristo. – Tudo isto é possível através do arrependimento e da busca sincera – Devemos confessar que erramos, que pecamos (...) O arrependimento é a chave para um coração puro. Não diga: ‘Ah, eu já ouvi tanto sobre arrependimento...’ Você ouvirá mais ainda, se o Senhor julgar necessário. Busque no seu coração algo de errado que ainda está lá” (pp. 81-83)

OBSERVAÇÕES
Como disse, a 4ª e a 5ª palestras são de preparação para a palestra seguinte sobre CURA INTERIOR - Regressão. Elas não têm muito o que se comentar, senão a proposta para o encontrista de que, se ele quer ir ao encontro (parece que até agora, depois de tudo que já aconteceu, ele ainda não desfrutou do Peniel ou do encontro com Deus como é proposto), precisa, entre outras coisas, ser HONESTO (...) “Mostrando-me nu diante d’Ele, chorando a área em que percebo que ainda preciso de cura (...) Ele quer trazer libertação de cada problema, de cada pecado, quer sejam grandes ou pequenos”(pp. 78 e 79); ser HUMILDE (...) “A mulher (cananéia) decidiu humilhar-se até o nível de cachorro, aceitando tal tratamento, sabendo que humilhando-se a tal ponto, a benção estaria garantida...” (p. 79).

1. Na 5ª palestra, especificamente, o palestrante relaciona a experiência do apóstolo Paulo com o encontrista, enfatizando que Paulo teve um encontro tremendo com Deus, ficou três dias longe de tudo, ao final recebeu a oração e imposição das mãos por parte de Ananias, caíram de seus olhos como que escamas e Paulo vislumbrou a grande comissão de Jesus. Sugestivo, não?

Agora OBSERVE AS INSTRUÇÕES PARA O MINISTRADOR: “orar para que caiam as escamas dos olhos dos encontristas e para que se tornem ganhadores de almas. Quebrar as fortalezas da religiosidade” (Manual, p. 83)

6ª Palestra: CURA INTERIOR – REGRESSÃO = Sal.32; Os.2:14; Jer.17:9-10; 24:7 (7ª do Sábado)

2. ENTENDENDO O QUE É CURA INTERIOR: Cita longos trechos do livro Cura Interior de Betty Tapscott, enfatizando que “Cura interior é a cura de nosso homem interior: da mente, emoções, lembranças desagradáveis, sonhos (...) libertação de sentimentos de ressentimento, rejeição, autopiedade, depressão, culpa, medo, tristeza, ódio, complexo de inferioridade, autocondenação e senso de desvalor, etc.” (p. 84).

3. COMO SABER SE TENHO CURA INTERIOR? Aqui há uma explicação sobre a diferença entre espírito, alma e corpo, enfatizando que a “alma ou mente ou psique, é o elemento com o qual contactamos a Humanidade (Eu e os Outros)" (p. 85) e que é no plano da alma que residem todos os traumas e feridas acometidos. Nesta altura, a palestra focaliza vinte e cinco tipos de feridas da alma.

SITUAÇÕES QUE NOS FEREM EMOCIONALMENTE. Após citar alguns exemplos bíblicos de pessoas que tinham doenças na alma, a exemplo de Moisés – língua pesada; Elias – sentimento de inferioridade e incapacidade para enfrentar Jezabel; Míriam – complexo de inferioridade em relação a Moisés, etc., a palestra conduz a ALGUMAS PORTAS QUE PODEM SER ABERTAS, GERANDO FERIDAS e “...acesso a cadeias, corrente, grilhões e demônios” – Assustador, não? – (p. 89): 1. Rejeição por causa: Do nome próprio (Aqui comenta-se fortemente sobre a questão de nomes com significados ruins, portanto, malditos ou causadores de maldições...); da morte do pai ou da mãe; da gravidez indesejada; do divórcio dos pais; das “Profecias auto-realizadoras. A mãe ou o pai que lançou palavras de maldição sobre os filhos, chamando-os de burro(a), prostituta, gay, dizendo que os filhos não deveriam ter nascido, não prestavam para nada... Palavras geram maldições, traumas...”; 2. Auto-rejeição: Deficiência física; magreza; obesidade; cravos e espinhas...; 3. Culpa: (Sentimento de culpa por algum ato praticado); 4. Abusos sexuais (Sofridos); 5. Desvios Sexuais (pp. 89-93). A esta altura, o encontrista é confrontado com dois passos para a contemplação da cura: 1. ROMPER O DOMÍNIO DE SATANÁS E TOMAR POSSE e 2. RECEBER A CURA DAS LEMBRANÇAS PASSADAS. Nesta hora é enfatizado que os resultados da cura interior podem ser resumidos numa única palavra: PAZ, e que muitas personalidades da Bíblia tiveram problemas graves, mas que depois receberam essa paz interior. Portanto, é solicitado aos encontristas que declarem uns aos outros: “Estou aberto ao que Deus vai fazer em minha vida”, “Toda minha cura interior e libertação da minha alma depende da cruz” (pp. 94-97).

Isto posto, procede-se a cerimônia de cura interior, que se divide em três partes distintas: 1ª) Regressão, 2ª) Confissão e 3ª) Unção. É solicitado que se “coloque uma música de adoração. Alguns momentos de música levarão as pessoas a lembranças amargas e arquivadas na memória” (Sutil, não?) “Avise que, durante, a ministração não há problema se a pessoa quiser chorar, gritar, berrar, se encolher no chão...” (p.98) (Bastante sugestivo, concorda?)

Observe os três passos para a operação da cura interior:

1ª Regressão/Visualização: “Tente visualizar o encontro do espermatozóide do seu pai com o óvulo de sua mãe. Ali Deus já planejava cada momento da sua vida. (Cite trechos do Salmo139).Veja-se no útero materno, sendo formado...Veja-se em cada momento da gestação...Tente lembrar os sentimentos que recebeu: amor, ódio, rejeição, tentativa de aborto, perigo de vida por conta de doenças, insegurança quanto ao nascimento... Veja-se nascendo, sendo recebido por sua mãe. Saiba que nesse momento Jesus também estava te recebendo e te amando (talvez seu pais não estivessem lá, mas Jesus estava). Jesus lhe recebeu e lhe colocou no colo... Veja-se crescendo: com um ano de idade... dois.. . três...Obs.: em cada faixa etária, desde a infância até à vida adulta, o ministrador deverá instruir os encontristas a se lembrarem de momentos difíceis, amargos, traumatizantes, etc. Eles precisam liberar perdão às pessoas envolvidas em cada fase e até mesmo a Deus. Libere perdão a: Pai; mãe; irmãos; familiares; Deus”. (Que absurdo! Liberar perdão a Deus?)

2ª Confissão: “Cada pessoa do grupo deve escolher um parceiro para confessar as dores...As duplas sentam-se de frente, par a par. O ministrador dá 10 minutos para o primeiro confessar suas dores...O parceiro ouvinte não pode dizer coisa alguma, a não ser ‘hum, hum...’. Isto se faz para que não aconteça de ser feita alguma observação imprópria. É proibido ao ouvinte aconselhar qualquer coisa. Deve limitar-se apenas a demonstrar que está ouvindo, prestando atenção (...) Ao fim de 10 minutos o ministrador dirá com voz suave:

‘Estamos interrompendo sua confissão. Agora você receberá a oração de seu irmão’. Obs.: Novamente, para não se correr o risco de orações prejudiciais, o ouvinte repetirá a oração que o ministrador fará (...) Invertem-se os papéis. O parceiro que confessou, agora ouvirá durante 10 minutos e, só depois desse tempo, repetirá com o ministrador a oração”

3ª Unção: Depois da regressão e da confissão, procede-se a unção a cada um dos encontristas. A esta altura do campeonato, daqueles que ainda não caíram a maioria cai.

“Logo em seguida pede-se que cada um volte ao seu lugar e inicia-se a preleção sobre a cruz” (Manual, pp. 101 e 100).

8ª Palestra: INDO À CRUZ = Mateus 10:38; 16:24; Gálatas 2:20; 5:24; 6:14 (7ª do Sábado):

É introduzido aos encontristas que “o propósito da cruz é: pagar as nossas dívidas; trazer-nos reconhecimento de pecados; trazer-nos arrependimento genuíno; anular a maldição; dar-nos a remissão dos pecados pelo sangue. Receber a vida eterna com Deus (...) É dito que “1. A CRUZ APRESENTA DIFERENTES SIGNIFICADOS (...) 2. A CRUZ FALA DE CONQUISTAS (...) 3. O PROCESSO DA CRUZ (...)”. Neste ponto acontecem três coisas específicas: 1ª visualização, 2ª confissão escrita e 3ª queima na fogueira:

1ª VISUALIZAÇÃO: Da pessoa de Jesus e da Sua obra, desde o Seu nascimento à Sua morte e ressurreição. O ministrador pede para as pessoas se ajoelharem ou se deitarem no chão e se imaginarem dentro do quadro que passará a ser narrado, geralmente de forma muito dramática, dependendo do ministrador até com lágrimas. Começa a “visualização da Pessoa de Jesus desde o seu nascimento, numa manjedoura de uma estrebaria; sua apresentação no templo; seu crescimento em graça, sabedoria e estatura diante dos homens e de Deus; Jesus no monte das bem-aventuranças ministrando (...); realizando seus prodígios e milagres; no Getsêmane com seus discípulos (...) Veja judas beijando Jesus e entregando-o aos soldados (...) Veja Jesus calado ante os insultos da multidão. Imagine que você está no meio da multidão (...) Veja Jesus recebendo sobre seus ombros uma pesada cruz de madeira (...)Veja Jesus caindo algumas vezes por causa do peso dos seus pecados (...) Veja os soldados cravando as mãos de Jesus com cravos enormes(...) Jesus sangra, sangra muito. Agora a dor aumenta porque estão levantando a cruz e fixando-a verticalmente. Jesus foi à cruz por minha causa, por sua causa, pelo mundo inteiro. Você está no meio da multidão que assiste tudo (...) Imagine Jesus dizendo a você: Não foram os romanos que me crucificaram, não foram os judeus (...) Eu estou aqui por causa de você (repita esta frase pelo menos três vezes) (...) Agora Jesus morreu. Ele está morto (Dê um pequeno intervalo para que haja reflexão do auditório). Veja o soldado furando o lado do Senhor e de lá saindo sangue e água. Jesus é tirado da cruz e é envolvido em um lençol de linho fino. José de Arimatéia sepulta-o num túmulo novo (...) A multidão se retira (...) Você se retira. Três dias se passaram. A notícia se espalha: Jesus Nazareno ressuscitou! Você ouviu?”. Jesus ressuscitou por você e por mim. Agora Jesus está vivo, ponha-se debaixo da cruz e sinta o sangue do Senhor caindo sobre você. Receba a remissão dos seus pecados, receba o perdão do Senhor todo Poderoso (...) Você ressuscitou com Cristo. A morte e o pecado não mais têm domínio sobre você. Celebre com palmas, abrace seu irmão e dê gritos de vitórias: Jesus ressuscitou!” (Isto é apenas um resumo do que está no manual como proposta para a visualização)

2ª CONFISSÃO ESCRITA: “O ministrador deverá pedir que os encontristas escrevam tudo o que o Espírito Santo os lembrar sobre acontecimentos ruins, pecados, traumas, etc., numa folha de papel, que será queimada na fogueira...”

3ª QUEIMA NA FOGUEIRA: “Após escrever, todos devem caminhar rumo à fogueira (...) O ministrador deverá também informar que peças de roupa que tenham símbolos da Nova Era, cartas de pessoas com quem tiveram relacionamentos ilícito, CDs mundanos (...) e todos os objetos que se relacionam com algum pecado, devem ser queimados (...) diga-lhes que Deus já os perdoou, e que devem pegar o papel, bem como os objetos, e queimá-los na fogueira (...) Próximo à fogueira, divida-os em grupos de 12. Eles deverão jogar ao fogo os papéis e objetos e juntos gritarem: ‘ESTÃO ANULADOS TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE MINHA VIDA!’ ” (Manual, pp. 99-106).

MINHAS CONSIDERAÇÕES
1ª CONSIDERAÇÃO: Nada contra a cura interior em si. Ela é importante e saudável! Mas contra sim o OBJETO DA CURA, O MÉTODO DE APLICAÇÃO DA CURA e O SENSACIONALISMO NA CURA, como o Manual propõe:

OBJETO DA CURA: Jamais o servo de Deus, já alcançado pela Sua Graça Salvadora e Libertadora, nascido de novo e, portanto, já liberto e curado interiormente, que testifica através de palavras e atos que não apenas é vencedor, porém mais que vencedor em Cristo Jesus (Romanos 8:37), pode ser objeto deste processo de cura interior. O fazê-lo significa anular a Cruz de Cristo, tão enfatizada no oitavo estudo (I Coríntios 1:17; II Coríntios 5:17; João 8:32,36; Isaías 53:4-6).

O MÉTODO DE APLICAÇÃO DA CURA: É inaceitável o método de regressão utilizado na busca da cura interior, como está literalmente proposto no Manual. Esse artifício “psicoterapeuta”, mais utilizado pela parapsicologia e muito questionado pela ciência que estuda o comportamento humano em todas as suas ramificações – psicologia, psiquiatria e psicanálise – é radicalmente rechaçado pelos profissionais sérios da área.

Como muitos têm se levantado para defender esta prática no encontro, afirmando que não acontece regressão, quero esclarecer que a regressão é levado a efeito não apenas quando a pessoa é hipnotizada ou está em transe, mas também em estado consciente, como acontece no encontro, e que de uma forma ou de outra ela pode ser usada para diagnóstico, como acontece no encontro quando o encontrista é levado regredir até uma idade que os possíveis sintomas surgiram pela primeira vez. No momento da regressão, como propõe o Manual, o ministrador é um verdadeiro terapista induzindo o encontrista a reviver experiências desagradáveis e perturbadoras do passado até o presente.

Na verdade os promotores do movimento G 12 não estão sendo honestos ao proporem esse mecanismo que a própria ciência repudia. Esta é mais uma estratégia desonesta para manipular psicologicamente os encontristas (II Pedro 2:1-3; Jeremias 23:13).

O SENSACIONALISMO NA CURA: Você há de convir comigo que mexer com os sentimentos alheios, procurando atingir de cheio o mundo interior das pessoas através de mecanismos e práticas de forte apelo psicológico, implica levá-las ao sensacionalismo, mesmo que elas disto não se apercebam. Qualquer pessoa que se permite sujeitar a esses métodos, torna-se passível de descontrole da razão, e, conseqüentemente, exterioriza comportamentos sensacionalistas. Aliás, o Manual é claro quando sugestiona:

“Avise que, durante, a ministração não há problema se a pessoa quiser chorar, gritar, berrar, se encolher no chão...” (p. 98)

2ª Consideração: Quanto à queima das listas contendo a confissão escrita dos pecados, a revelação das feridas interiorizadas, etc. (Manual, pp. 105 e 106).Sinceramente, é o cúmulo do absurdo fazer a aplicação do texto de Atos 19:19, como propõe o Manual para esse momento formal de queimas dessas listas. O fazê-lo, mesmo que em nome de um ato simbólico, significa forçar a exegese do texto, uma vez que ele não oferece base para tal prática. O texto fala dos convertidos em Éfeso através do testemunho do apóstolo Paulo e dos que dentre estes haviam praticado artes mágicas, e que uma vez convertidos resolveram queimar os seus livros de magia. Somente isto! Esta, inclusive, é uma atitude normal. Muitas pessoas, ao se converteram ao Evangelho, ajuntam seus objetos de idolatria, feitiçaria... e os destruem! Mas, fazer listas de pecados já perdoados; de traumas já curados; de lembranças ruins já transformadas, para serem queimadas em fogueira, é simplesmente um absurdo, é torcer o texto de supracita, é querer trazer à tona as práticas medievais de materialização da fé (o que não é novidade por parte dos neo pentecostais). Não há nenhuma base bíblica para isto. Essa prática é mais um inovacionismo extra bíblico para tratar a questão pecado. Diz o Manual que, divididos em grupos de doze, ao jogar na fogueira os papéis, juntos devem gritar: “ESTÃO ANULADOS TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE MINHA VIDA”(Manual, p. 196). Isto Significa que estão anulados somente agora, depois da queima? Então, tudo que aconteceu desde o “Peniel” na Sexta feira à “quebra de maldições”, “cura interior” e a “ida à cruz”, não teve nenhum sentido? Cuidado com as novidade que dissimuladamente têm sido introduzidas na igreja de Jesus. Atente-se para as palavras do apóstolo Paulo em Gálatas 1:8: “mas ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema”

9ª Palestra: ORAÇÃO COMO ESTILO DE VIDA = Mateus 6:9-15 / Lucas 11:1-4 / II Crônicas 7:14 (1ª do Domingo)

Não há muito o que comentar. Ela desenvolve oito PRINCÍPIOS PARA A ORAÇÃO; O NOSSO ESTILO DE ORAÇÃO quanto ao local, tempo, tamanho e modo de orar; lembra os DEZ ÍTENS QUE JESUS ESTABELECEU NA ORAÇÃO dominical: Redenção; Autoridade; Adoração; Governo; Evangelização; Provisão; Perdão; Proteção; Libertação e Segurança. É uma excelente palestra que tem o objetivo de estimular a oração como estilo de vida. (Manual, pp. 107-112).

10ª Palestra: A NOVA VIDA EM CRISTO = Gálatas 5:1,4,5,13,14,16-25/ Colossenses 3:5-10 / I Coríntios 5:17 (2ª do Domingo)

Esta palestra, baseada em II Coríntios 5:17, se divide em duas partes: 1. NA NOVA VIDA EM CRISTO DEVO ELIMINAR AS OBRAS DA CARNE; e 2. EM CRISTO, EU DEVO SER FIEL. (Manual, p.p. 113-115)

A primeira parte é desenvolvido em forma de encenação e com algumas incoerências. O ministrador vai desenvolvendo os quadros com citações bíblicas, e pessoas previamente selecionadas vão fazendo as encenações desses quadros. Toda a encenação é voltada ao que já aconteceu no peniel, e especialmente nas ministrações de libertação, cura interior e indo à cruz. Aparece uma pessoa ilustrando um novo convertido carregando um fardo (Estranho, não? “Um novo convertido carregando um fardo”, quando a pessoa que passa pela cruz de Cristo, deposita ali o seu fardo pecaminosa e se levanta uma nova criatura liberta de todo jugo = João 8:32,36 e II Coríntios 5:17); uma outra pessoa faz a figura do inimigo trazendo mais fardos (Estranho, já fomos libertos dos fardos e do jugo do diabo); A essa altura o ministrador afirma que “quando nos encontramos com Jesus Cristo, Ele nos liberta” e entra “alguém coberto com um lençol branco, como se fosse o espírito Santo, vem e tira o fardo da pessoa”. Aí o ministrador afirma que “quando nos encontramos com Jesus, o Espírito Santo nos mostra os nossos pecados(...) como Ele fez aqui no Encontro, Ele continuará fazendo” (O mais incrível é que tudo vai acontecendo de forma a sugerir que o encontro de cada um ali com Jesus ou com Deus, ocorreu no encontro do G 12). Agora, “A pessoa que representa o novo convertido deve ter em seu bolso pedaços de papéis recortados, onde estejam escritas, em cada um, as obras da carne. A pessoa que representa o Espírito Santo vai apresentando papéis (pecados) um a um, com a explicação do ministrador. O ministrador dirá que o Espírito Santo nos revelará cada pecado, passo a passo. Nesse Encontro o Espírito Santo revelará os pecados para remover toda obra da carne: Na área espiritual: idolatria e feitiçaria (...). Na área do relacionamento: inimizades, ciúmes (...), iras (...), facções (...), invejas, vícios (álcool, fumo, drogas). Fl. 2:25). (A pessoa tira dos bolsos carta amassada, cigarro, retratos rasgados, etc.). Na área sexual: prostituição, impureza (...) (a pessoa tira dos bolsos uma revista mundana, como fotonovela, por exemplo) (...)”. Desta forma fecha o tópica enfatizando que “Se não resistirmos e dermos brecha, o diabo entra (...) - Se nos desviarmos vem mais 7 demônios (...) – Precisamos vigiar para que satanás não encontre brecha para agir em nós (...)”. Não há o que comentar no segundo tópico, senão a ênfase que se dá ao encontro do G 12, quando o ministrador afirma que “Jesus há muito tempo preparou esse Encontro para você. Entenda que você foi alcançado pela misericórdia de Deus e, por isso, não vive mais no passado: agora é nova criatura”. (Entendeu? Realmente toda a experiência de comunhão com Deus antes de ir para o encontro, toda a experiência de vida cristã, não vale absolutamente nada, porque como propõe o movimento o encontro com Deus se dá no encontro do G 12. Notou a ênfase: “agora é nova criatura”, antes de ir para o encontro não era.

11ª Palestra: IMPLANTANDO A VISÃO DA IGREJA EM CÉLULAS NO MODELO DOS 12 = Mateus 28:18 (3ª do Domingo)

Esta palestra também não carece de comentários, porque nela se trata exatamente do que você já viu no segundo ponto desta avaliação: PROPOSTAS DO MOVIMENTO. Tratando da multiplicação, ela explica o que são as células de multiplicação e como elas funcionam; fala das Redes principais e de apoio. Tratando da edificação, ela explica o que são os 12 e como funcionam e ainda da forma de transicionar a visão para uma igreja formada. (Manual, pp. 116-130).

12ª Palestra: BATISMO NO ESPÍRITO SANTO = Atos 1:8 (4ª do Domingo e a última do Encontro)

Esta palestra baseada, em Atos 1:8, desenvolve O PROPÓSITO e OS RESULTADOS DO BATISMO NO ESPÍRITO SANTO; AS CONDIÇÕES PARA RECEBER O BATISMO NO ESPÍRITO SANTO; O FALAR EM LÍNGUAS É UMA DAS EVIDÊNCIAS DO BATISMO NO ESPÍRITO SANTO e a NECESSIDADE DE SE ESTAR CHEIO DO ESPÍRITO SANTO. Após a palestra, o ministrador é instruído a utilizar músicas que enfatizem a presença e o batismo no Espírito Santo, a começar a ministrar em cada pessoa o batismo no Espírito Santo, permitindo que, aqueles que querem orar em línguas, orem livremente, e que os que ainda não oram, sejam ministrados para que recebam esse sinal. (Manual, pp. 131-134).

MINHAS CONSIDERAÇÕES

1ª Consideração: Creio plenamente na doutrina do batismo no Espírito Santo, não como uma segunda benção maior do que a primeira – a salvação – como ensinam alguns e como é passado para os encontristas, transformando muitos finais de encontros em verdadeiros festivais de batismo no Espírito Santo. Creio no batismo no Espírito Santo como uma benção simultânea à operação da salvação, como nos é ensinado pela Bíblia Sagrada, a nossa única regra de fé de prática. Ouça o que nos diz o apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo: “Pois, em só um Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber um só Espírito” (I Coríntios 12:13). E quando isto aconteceu? “Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com os homens, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo nosso Salvador”(Tito 3:4-7); “em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa” (Efésios 1:13). Daí conclui o apóstolo: “...E se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Romanos 8:9). E tantos outros textos: I Coríntios 3: 16; 6:19; II Coríntios 6:16, etc.). Portanto, creio no batismo no Espírito Santo, mas como uma benção simultânea à benção da Salvação, operada por Deus, através do Espírito Santo e na base do sacrifício vicário de Jesus Cristo.

2ª Consideração: Creio plenamente nas evidências do batismo no Espírito Santo, mas as evidências esposadas pela Palavra de Deus. Creio que a primeira evidência desse batismo é a regeneração, ser nova criatura (Tito 3:4-7; II Coríntios 5:17); que a segunda é a fé objetiva, a fé em exercício que nos leva a uma total e genuína entrega e dependência de Deus (Salmo 37:3-5; 125; Jeremias 17: 7-8; Hebreus 11, etc.); que a terceira evidência é o amor, o verdadeiro amor nos termos que Jesus ensinou nos Evangelhos, amor vertical e horizontal, amor a Deus de todo coração, de toda alma e de todo entendimento e amor ao próximo como amamos a nós mesmos (Mateus 22:37-40; Romanos 13:8-10; I Coríntios 13; Hebreus 10:24; I João 3:11, 16-18 e 4:20, etc.).

3ª Consideração: Não vejo na Bíblia Sagrada nenhuma indicação de que língua espiritual é evidência do Batismo no Espírito. Querer se fundamentar em Atos 2:1-13 para fazer tal assertiva é expressão de “santa ignorância”, porque o texto não trata de língua espiritual e sim de língua pátria, idiomas terráqueos. Diz o texto sagrado que dos integrantes daquelas quatorze raças estrangeiras presentes por ocasião do pentecostes (Levítico 23:15-21; Deuteronônio 16:9-11), todos os ouviam falar na sua própria língua materna (Atos 2:6-8).

4ª Consideração: Creio na evidência do dom de língua espiritual, mas dentro da perspectiva que a própria Palavra de Deus traça de Gênesis à Apocalipse, e como Paulo bem colocou para a igreja de Corinto na sua primeira carta capítulo 12 versículos de 1 a 11. Observe que neste texto Paulo alista os dons por ordem de importância na vida da Igreja e coloca línguas em último lugar. Esta é a perspectiva bíblica. Você não encontra absolutamente nenhum texto no Velho Testamento ensinando sobre o assunto; relatam-nos, os quatro Evangelhos, os preciosos ensinamentos de Jesus Cristo e entre eles não há nenhum sobre línguas, aliás nem mesmo Jesus, perfeitamente santo, falou em línguas espirituais; você não encontra em nenhuma outra carta do Novo Testamento qualquer ensinamento sobre o assunto, senão na I Epístola de Paulo aos Coríntios. Sabe por que? Porque aquela igreja se auto afirmava ser a mais santa entre as demais igrejas, só porque ela “falava em línguas espirituais”. Então Paulo, através de sua Carta, exorta aqueles irmãos: Vocês se acham melhores só porque afirmam “falar em línguas”, mas aonde está o amor de vocês? “Pois a vosso respeito, meus irmãos, fui informado, pelos da casa de Cloe, de que há contendas entre vós. Refiro-me ao fato de cada um de vós dizer: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo. Acaso Cristo está dividido? Rogo-vos, pois, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que falem todos a mesmo cousa, e que não haja entre vós divisões (...) porquanto, havendo entre vós ciúmes e contendas, não é assim que sois carnais e andais segundo o homem?...” (I Coríntios 1:11-13a , 10 e 3:3 ;1-9; 11:17-19). “Geralmente, se houve entre vós imoralidade, imoralidade tal, como nem mesmo entre os gentios, isto é, haver quem se atreva a possuir a mulher de seu próprio pai, e, contudo, andais vós ensoberbecidos, e não chegastes a lamentar, para que fosse tirado do vosso meio quem tamanho ultraje praticou? (I Coríntios 5:1-5). Vocês, continua Paulo, quando se reúnem para a festa do ágape – amor – (Celebração da Santa Ceia), “...não é a ceia do Senhor que comeis. Porque, ao comerdes, cada um toma antecipadamente a sua própria ceia; e há quem tenha fome, ao passo que há também quem se embriague. Não tendes, porventura, casa onde comer e beber? Ou menosprezais a igreja de Deus...?” (I Coríntios 11:20-34). É para esta igreja, tida por ela mesma como a mais santa, só porque dizia falar em línguas espirituais, que Paulo abre um parêntese entre os capítulos 12 e 14 e diz: “E eu passo a mostra-vos ainda um caminho sobremodo excelente. Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine...O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão, havendo ciência, passará...Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três: porém o maior deste é o amor” (I Coríntios 13). Agora ele entra no capítulo quatorze e normativa a questão de línguas, normas estas que não se verificam nos movimentos atuais.

EM RELAÇÃO AO PÓS-ENCONTRO

O pós-encontro tem como objetivo consolidar todos os ensinamentos transmitidos durante o encontro e incentivar a pessoa a participar da Escola de Líderes. Ele se divide em quatro lições, que devem ser ministradas em quatro reuniões de uma hora cada, uma vez por semana, ou em duas reuniões de duas horas, uma vez por semana. Não há muito o que se comentar dessas quatro lições, que são:

1ª Lição: A IMPORTÂNCIA DO PÓS-ENCONTRO = Mateus 4 / I Pedro 5:8
“Após o encontro, o inimigo tentará nos intimidar para sairmos da benção (...) O que devemos fazer, então? (...) Os contra-ataques do inimigo virão, por isso devemos estar vigilantes e preparados (...) 1. O CONTRA-ATAQUE DO INIMIGO – 1.1. De Onde vem o Contra-ataque? (...) 2.2. Como neutralizar o Contra-ataque? (...) (Manual, pp. 140-142)

2ª Lição: CONSERVANDO A LIBERTAÇÃO E A CURA INTERIOR = Efésios 6:10-18
1.1.
1. Revestindo-se de Toda a Armadura de Deus
2. Confessando a Benção
3. Permanecendo nas Escrituras
4. Crucificando a Carne
5. Desenvolvendo uma Vida de Louvor e de Oração Contínua
6. Mantendo uma Vida de Comunhão e um Ministério Espiritual
7. Entregando-se por Completo a Cristo
8. Fechando as Janelas da alma (Os órgãos do sentido)
(Manual, pp.143-146)

3ª Lição: AS ÁREAS DE CONTRA-ATAQUE = Êxodo 14:9 / Tiago 4:4 / I Coríntios 15:30
“Depois que o povo de Israel tinha saído do Egito, Faraó armou o contra-ataque (Êxodo 14). Satanás quer fazer o mesmo. Jesus nos tomou das mãos de satanás, mas o inimigo quer nos pegar de volta para sermos seus escravos. Ao declarar sua libertação o diabo vai querer agir.

1. AS ÁREAS DE CONTRA-ATAQUE
1.1. Amigos do Passado
1.2. Alguém da sua Família
1.3. Saúde. O diabo vai querer mexer em sua saúde...
1.4. Finanças. Seja fiel nos dízimos e nas ofertas...
1.5. Ataques na Mente e na Alma – O tempo todo você poderá sentir a vontade de questionar, dizendo: Será que isto é verdade? Estou mesmo no lugar certo? (...) Rejeite todo pensamento do inimigo (...) Recebemos a mente de Jesus Cristo, por isso Ele vai transformá-la, tirar todo o lixo do diabo... (Manual, pp. 147-149)

4ª Lição: COMO POSSO DETER SATANÁS? = Marcos 3:27 / Efésios 6:10-18

2. COMO DETER SATANÁS
2.1. Amarrando as forças das trevas
2.2. Usando a autoridade dada por Deus
2.3. Evitando brechas

3. CONHECENDO OS INIMIGOS (O mundo, a carne e o diabo)

4. COMO GUERREAR CONTRA SATANÁS

5. COMO VENCER O CONTRA-ATAQUE
5.1. Saiba quem você é
5.2. Conheça o plano da cruz - Não baixe a guarda
5.3. Retenha a confissão de esperança
5.4. Feche as portas para o pecado

6. COMO CONSERVAR A VITÓRIA
(Manual, pp. 150-153)

MINHAS CONSIDERAÇÕES
1ª Consideração: É incrível a ênfase de libertação que ainda ocorre nas ministrações das lições do pós-encontro, como sugerem essas lições pelo seu conteúdo e como sugerem as orientações para os ministradores ao final das lições. Veja, por exemplo: “Ore por todos. Leve-os à cruz novamente. Siga os mesmo desígnios da palestra – Cruz” (p.1142). Parece uma incoerência com tudo o que já aconteceu no encontro, você não acha?

2ª Consideração: Não sou cético com relação à batalha espiritual. Ela é uma realidade inquestionável na Palavra de Deus. Aliás, o exemplo mais claro desta realidade está exatamente no grande conflito vivenciado por Jesus, quando tentado pelo diabo no deserto (Mateus 4:1-11). E quantos outros exemplos bíblicos que não nos deixam dúvidas desta realidade (Jó 1:12-19; Marcos 5:1-20; 9:14-22: Lucas 8:2; 13:11-13; I Pedro 5:8,9, etc.) Porém, essas lições do pós-encontro, especialmente a primeira, terceira e a quarta, fazem uma alusão exagerada, violenta e até assustadora em relação à chamada batalha espiritual. Este na verdade é o tema principal dessas lições, que procuram levar os ex-encontristas a se engajarem na guerra espiritual, como que medindo forças com o inimigo. Essas lições trazem no seu escopo uma influência muito grande dos exageros de Peter Wagner e de outros expoentes que entraram nessa área de forma obcecada, estabelecendo conceitos que vão além da revelação bíblica, a exemplo de espíritos territoriais. É bom que se diga que de encontro para encontro, a depender dos ministradores, esse tema é desenvolvido sob influências exageradas de Peter Wagner, Rita Cabezas, Merrill f. Unger, John Wimber, Neuza Itioka (do Brasil), etc.

Creio plenamente que os demônios existem e se aproveitam das brechas que lhes são dadas, mas não atribuo a eles os padrões morais negativos, ao ponto de sair afirmando que na lista dos nomes dos espíritos maus encontram-se os demônios da prostituição, impureza, lascívia, idolatria, invejas, bebedices, glutonarias, etc. Isto não são demônios e sim obras da carne, como o apóstolo Paulo descrevem em Gálatas 5:19-21.

Creio firmemente que a vitória sobre o diabo está na conversão (João 8:32,36) e no processo de santificação, quando o crente passa a andar no Espírito e não satisfazer às concupiscência da carne, produzindo o fruto do Espírito, que é “...amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio...” (Gálatas 5:22-26).

“Por isso, cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo. Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos, também vós mesmo em todo vosso procedimento, porque escrito está Sede santos porque eu sou santo (...) Despojando-vos portanto, de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas, e de toda sorte de maledicências desejai ardentemente como crianças recém-nascidas o genuíno leite espiritual, para que por ele vos seja dado crescimento para salvação, se é que já tendes a experiências de que o Senhor é bondoso (...) humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós. Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém par devorar; resistí-lhe firme na fé...” – II Pedro 1:13-16; 2:1-3 e 6-9.

O QUE REALMENTE ESTÁ POR TRÁS DO MOVIMENTO

A – OBJETIVOS SUTÍS:
1. Demover das mentes dos encontristas convicções bíblico-doutrinárias previamente estabelecidas, e inculcar as convicções doutrinárias da Missão Carismática Internacional, repassadas para a sua extensão no Brasil, o Ministério Internacional da Restauração, como vimos nas lições do pré-encontro e nas palestras do encontro, confirmadas nas palestras do pós-encontro. Assim, ouça o que diz o pastor Renê de Araújo Terra Nova, na apresentação do Manual: “A elaboração deste Manual decorreu da necessidade de mantemos e conservamos com integridade a visão sobre a realização de Encontros em nossas Igrejas. É resultado de um riquíssimo tempo gasto com o pastor César Castellanos Dominguez, com sua esposa Cláudia Castellanos, e com toda a sua equipe, que incansavelmente nos ministraram para que tivéssemos este material em mãos” (Manual, p. 5)

2. Proclamar um falso avivamento condicionado ao encontro, fundamentado numa atmosfera estritamente emocionalista, desde às recepções calorosas com fogos de artifícios, às manipulações psicológicas com fundo musical estratégico, orientações de manipulações verbais para os líderes, ministrações de unções, etc.

3. Desestruturar as igrejas denominacionadas, destruindo seu sistema de governo, sua liturgia, sua base doutrinária, etc. Ouça o pastor César Castellanos em seu livro “SONHA e ganharás o mundo”:

“A tomada de decisões para o progresso de nossas vidas e do ministério em geral, tem estado acompanhado de um princípio sem o qual o alcance de importantes metas teria sido impossível: a necessidade de inovar de forma radical e contínua. Toda visão implica em inovação. Estar disposto a romper com os moldes tradicionais, faz parte do risco” – p. 49 (...) Ao conhecer a importância de inovar constantemente, demos um passo a uma renovação que não apenas facilitou o crescimento, senão que tem sido modelo para todo o mundo. Durante os primeiros seis anos de nosso ministério éramos pastores comuns é triviais, apegados a certos tradicionalismos e conceitos errados (...) O Espírito Santo começou a romper todos esses modelos, a derrubar os muros que impediam o crescimento. Deus ministrou a unção da criatividade em nossas mentes, levando-nos a uma mudança total, que se iniciou na própria escolha do nome da igreja – Missão Carismática Internacional (...) Continuamos com mudanças nas reuniões de mocidade, as quais se haviam convertido em nossa dor de cabeça, porque a assistência flutuava entre os cinquenta e setenta jovens; assim que deixamos de lado os coros tradicionais, colocamos música moderna, uma equipe de dança bem organizada, os resultados não se fizeram esperar: milhares e milhares de jovens começaram a ver a igreja como o lugar de encontro para serem abençoados nos finais de semana” – p. 51. A lista de mudanças é quase infinita, e a de vitórias também, tudo porque decidimos por em prática o poder da inovação, romper os velhos moldes. Definitivamente temos que ser criativos, o mundo é daqueles que inovam (...) Tudo quanto temos alcançado até o momento, tem sua origem num propósito divino, associado à renovação de nossas mentes, uma mente decidida sempre a sonhar, inovando no atuar” – p. 52.

4. Implantar a globalização dos evangélicos (G 12). Aliás, esta é a linguagem desta virada de milênio em todos os setores. É a linguagem também da Missão Carismática Internacional (Pastor César), através das suas extensões: Ministério Internacional da Restauração (Pastor Renê), da Igreja Nacional do Senhor Jesus Cristo (Pastora Valnice) e do Ministério Comunidade Sara Nossa Terra (Pastor Robson Rodovalho), e de quantas igrejas locais ou ministérios independentes abraçarem a visão, porque o fazê-lo implica automaticamente em se integrar na prática à Missão (Igreja) do pastor César, mesmo que teoricamente continue vinculado à denominação original. Ouça o que o Pastor César diz em Seu livro “Sonha e Ganharás o Mundo”, ao falar sobre o nome da sua igreja, deixando bem claro essa sua estratégia da globalização ou do ecletismo dos evangélicos:

“... Parecia-nos estratégico não colocar nenhum termo que associasse com o evangélico, para que não produzisse rejeição, ou apatia, e a estratégia funcionou” (p. 51).

E realmente, em parte, a estratégia está funcionando. As bases do movimento nos estados e nas cidades não estão dando trégua, estão enviando seus discípulos nas igrejas locais com o objetivo de, dissimuladamente, convencerem suas lideranças a participar dos encontros para absorverem a visão. Quando não alcançam os líderes, tentam incentivar membros das igrejas. É uma verdadeira corrida contra o tempo nessa pescaria em aquários alheios, tudo em nome da globalização dos evangélicos. Já se houve dizer que a Missão Carismática Internacional de César Castellanos, que começou com oito pessoas em 1983 e conta hoje com mais de cem mil membros, tem um desafio até o ano 2001: atingir a casa de um milhão de membros. Não tenho dúvida de que ela atingirá esta cifra, aliás, até mais do que isto, dado à forma precipitado de muitos grupos ou igrejas abraçarem a visão, muitas vezes sem nenhuma avaliação prévia, rompendo precipitadamente com todos os moldes tradicionais da denominação, como propõe o movimento.

MÉTODOS UTILIZADOS PELO MOVIMENTO PARA INCULCAR SEUS OBJETIVOS

CONDICIONAMENTO PSICOLÓGICO DO ENCONTRISTA
Nos encontros um dos principais alvos é a psique (ou mente) do encontrista que é violentamente bombardeada. A pessoa que vai ao encontro se submete a exaustivas sessões repletas de métodos e práticas de forte apelo psicológico, de auto induções e sugestões do começo ao fim, levando-a a se tornar passível de uma verdadeira manipulação psicológica, para absorver com facilidade os objetivos do encontro: inculcar suas idéias, suas doutrinas, suas práticas e sua visão: a nova visão para igreja do século XXI.

Agora preste atenção: Para que estes objetivos sejam alcançados o Manual propõe, de forma muito sutil, várias técnicas da psicologia. É importante notar que organizadores de encontros conscientes e sinceros, admitem o uso estratégico de métodos psicológicos nos encontros, como forma de corroborar com os encontristas, levando-os a se tornarem acessíveis, sensíveis e abertos para o que é proposto.

As terminologias que definem essas técnicas não aparecem no Manual, o que Manual relata são as práticas delas. Porém, um pequeno conhecimento de psicologia é suficiente para detectá-las e denominá-las, como segue:

1. PRIVAÇÃO DE SENTIDOS
Esta técnica é denominado também de: Isolamento, Isolamento perceptual, entrada sensorial reduzida e interferência com o contato da realidade.

Mas, como privação de sentidos, dizem os questionadores, se a pessoa no encontro ouve, vê, toca, cheira, ou seja, está com todos os chamados órgãos do sentido em pleno funcionamento? Será verdade esta afirmação? Não, não é verdade! No encontro os encontristas ouvem e vêem (tocam e cheiram), mas, submetidos a um esquema muito bem montado, no qual os chamados órgãos do sentido são manipulados. No encontro tudo é muito bem elaborado no sentido de bloquear o alcance normal de recepção do encontrista. Infelizmente no encontro a chamada pela psicologia de estimulação sensorial é reduzida ou limitada somente ao que interessa ou ao que é proposto. E essa manipulação ocorre de forma muito sutil e às vezes imperceptível por parte dos que se submetem ao esquema. Analise você mesmo os caminhos dela:

1.1 – A omissão do local do encontro: O local do encontro é desconhecido dos encontristas, por mais que o manual afirme que o destino deve ser mencionado (p.11, item 4). Na nossa realidade de Distrito Federal, há organizadores de encontros que na intenção de tornar os encontristas ignorantes do local do encontro, têm a capacidade de ficar dando voltas aleatórias com os ônibus que os conduzem, para confundir suas mentes.

1.2 – O isolamento do encontrista: O encontrista fica totalmente isolado do seu mundo exterior durante os dias do encontro, ouça o Manual: “Não é permitido o uso de telefones celulares: exceto em caso de extrema necessidade previamente autorizado pela direção do encontro. Sua família sabe que você está no encontro, por isso qualquer emergência será comunicada à equipe. Cada caso será julgado pela equipe.(O negrito é meu) Se Deus não pode cuidar dos seus negócios e família nesses três dias, você também não pode. Então, descanse. Concentre-se aqui. Se alguém trouxe qualquer serviço extra do seu trabalho, faculdade, etc., não está autorizado a fazê-lo” (p.43, itens 9 e 10); “É proibido ir ao banheiro, beber água, etc.(durante as ministrações)...(p.43, item 3)

1.3 – A rigidez dos horários: No encontro os horários são rígidos e estabelecem pequenos intervalos apenas para a alimentação, a higiene pessoal e o repouso. O encontro inicia-se na noite da Sexta feira, estende-se até à meia noite (ou uma hora da manhã do Sábado), horário que todos vão lanchar (ou jantar), para em seguida irem repousar e despertar às 6h00 da manhã, para iniciarem as atividades do Sábado com a primeira palestra do dia, para então irem tomar o café da manhã, lá pelas nove ou dez horas. Em seguida partem para mais duas palestras que se estendem até às 14h00 ou 15h00 (mais ou menos). Segue-se o almoço e mais uma sessão de palestras, interrompida à noitinha para um pequeno lanche e estendida até à solenidade de queima na fogueira, que pode acontecer meia noite, uma hora da manhã do Domingo, ou mais. Só ai é que vão jantar para irem dormir e acordar novamente às 6h00 da manhã do Domingo, a fim de continuarem as sessões de palestras, no mesmo ritmo do Sábado. Ouça o Manual: “Os horários deverão ser seguidos rigidamente. Isto gera a organização necessária para um Encontro de sucesso” (p.158, item 2): “Guardar a pontualidade – não esperar um pelo outro. O horário aqui é cumprido rigorosamente,. Tudo deve ser organizado, as pessoas que estarão ministrando são disciplinadas” (P.41, item 4)

1.4 – O silêncio absoluto durante o encontro: Basta você atentar para o que diz o Manual: “Durante a ministração não se pode conversar, nem fazer perguntas ao companheiro; a atenção deve estar direcionada ao que se ouve. (P. 42, item 2).“Após a ministração desta noite (Sexta feira: Peniel) deve ser feito o maior silêncio possível. Durante o Encontro Deus estará falando diretamente com você; sua comunhão nesses dias será com Deus e não com o seu companheiro. Observação para o instrutor: os encontristas só estarão liberados para conversarem com os outros após a hora da fogueira” (P. 43, itens 11). Aliás, diga-se de passagem que alguns organizadores de encontro, ao contrário do que rege o Manual, proíbem os encontristas de falarem com seus companheiros durante todo o encontro. “Após a ministração Peniel e a oração o supervisor espiritual deverá encaminhá-los ao refeitório para o lanche e mencionar novamente que não devem conversar com ninguém, que os encontristas devem deixar-se ser ministrados pelo Senhor... “ (p. 44, item 4). “Mencionar que não devem conversar com ninguém antes, durante e após o jantar...” (p. 52, item 6). No encontro o silêncio é absoluto. O encontrista não pode falar com ninguém, em momento algum em qualquer circunstância, quer na fila do refeitório ou do banheiro, quer assentado no refeitório ou nos pátios... –– ele não pode se expressar e sim somente refletir sobre o que lhe é proposto.

1.5 - A busca de manter a mente do encontrista sempre ocupada com o que é proposto . Parece incrível, mas esta é mais uma estratégia para estimular o sensorial do encontrista, porém limitado ao que é proposto, expressando claramente o bloqueio do seu alcance normal de recepção. Por isso, nos poucos intervalos existentes ao longo do encontro, com exceção os das duas noites para o descanso, o encontrista é submetido ao som de músicas (muitas vezes extremamente altas) previamente preparadas, letra e melodia, de acordo com o contexto que ali é tratado, exatamente para manter a sua mente sempre ocupada e em constante reflexão, presa às propostas do encontro.

Imagine-se num encontro dos 12: isolado do seu mundo exterior real; isolado dos seus entes queridos e de tudo quanto está à sua volta, sem saber nem mesmo o local em que você se encontra; confinado num auditório (Adoratório) e submetido a exaustivas sessões de palestras, sem poder sair se quer para ir ao banheiro; horizontalmente incomunicável interna e externamente; podendo ouvir, mas somente o que é proposto e sem direito de se pronunciar; podendo ver, mas visão podada e limitada ao que ali é auto-sugerido; enfim, com todos os órgãos do sentido, mas claramente manipulados e subjugados por um esquema que não permite a liberdade de expressão, antes demonstrando uma excelente estratégia de bloqueio do alcance normal dos encontristas.

Tudo isto pode ter alguma variação de encontro para encontro, mas no geral é exatamente isto que acontece nos encontros, que mais parecem campos de concentração. A propósito, sobre este assunto de campo de concentração quero deixar registrado o sentimento de um encontrista num seu relato escrito, ao descrever o que gostou e o que não gostou do encontro que participou: “(...) não gostei da atmosfera de campo de concentração (quase) (...)”. Infelizmente este é o real sentimento! Você sabe onde geralmente a chamada privação de sentido era levada a efeito? Nos campos de concentração utilizados para reeducar os presos e substituírem suas antigas crenças por outras novas. Agora, avalie você mesmo a realidade do que se passava nos campos de concentração e compare com os chamados encontros do G 12, considerando inclusive a mudança que ocorre de um encontro para outro, de acordo com seus líderes e suas bagagens pessoais: nos campos de concentração as pessoas também ouviam e até falavam, tocavam e até cheiravam, mas somente o que interessava aos seus algozes na busca de manipulá-las e dominá-las.

Por isto, em relação aos encontros do G 12, o fato dos encontristas se acharem isoladas de seu mundo exterior real; proibidos de conversarem horizontalmente, em nome de uma reflexão que deve norteá-los durante todo o encontro que é vertical (do homem com Deus); abertos somente para ouvir, ouvir, ouvir... sem poder responder, questionar, discordar ou concordar, enfim, emitir seus juízos e suas idéias, mostra que ali eles sofrem de privação sensorial. Não há como não admitir que no encontro, desde a primeira palavra na sexta-feira e no decorrer dele, o encontrista é induzido ao processo de redução da sua entrada sensorial, ou seja, da sua capacidade de controlar a sua consciência, quando é proibido de falar com quem quer que seja, e especialmente quando os seus órgãos do sentido, embora abertos, são literalmente manipulados pelo esquema proposto, que, com exceções, leva o encontrista a perder o controle da sua consciência e o incapacita a fazer diferença entre o mundo real e o mundo da fantasia.

Nós, seres humanos, nos orgulhamos por manter um perfeito controle da nossa consciência, em saber quem somos e em sermos capazes de diferenciar entre a fantasia e a realidade. Mas, no encontro a pessoa é privada disto. Lá tudo é programado para não ocorrer a estimulação sensorial da pessoa, a não ser exclusivamente dentro da proposta do encontro. Por isso o encontrista é proibido de emitir suas idéias e exteriorizar seus juízos. No encontro tudo é programado no sentido do encontrista ser influenciado, sem influenciar ninguém.

É preciso frisar que a psicologia afirma que “Se ficarmos privados de estimulação sensorial, a nossa percepção da realidade pode se desintegrar, apesar dos heróicos esforços para impedi-la” , e que “Experiências provam que apenas 2 horas de privação sensorial são suficientes para produzir alucinações (...) Ficamos rapidamente desorganizados mentalmente, quando diminui o nosso alcance normal de recepção de estímulos sensoriais” (Psi. Experimental, pp. 272 e 273). Veja bem o que diz a psicologia: “apenas duas horas”. Você já imaginou o que acontece no encontro? Lá a pessoa se submete a privação de sentidos durante mais ou menos vinte oito horas (da sexta-feira ao sábado) ou, de acordo os organizadores do encontro, no mínimo quarenta e seis horas (da sexta-feira ao domingo à tardinha).

2. TERAPIA DE GRUPO ATRAVÉS DA MÚSICA
Diz o Manual na página 34, item 8, que “o número ideal de encontristas é de 100 (Cem) pessoas. Mais do que isto gera problemas administrativos para os organizadores”. É certo que alguns organizadores, no afã de verem a coisa contagiando multidões, tem realizado encontros com números maiores de encontristas. O número está determinado pelo Manual, mas não importa o tamanho do grupo, o método é o mesmo. Não tenho nada contra a terapia, mas numa causa justa. Porém, dentro da finalidade para a qual ela é proposta no encontro não tem como ser a favor: SUBMETER OS ENCONTRISTAS A TERAPIA ATRAVÉS DA MÚSICA, na tentativa de levá-los à relaxação, à diminuição de toda tensão, e assim condicioná-los psicologicamente para que passivamente absorvam as propostas lançadas, que como vimos são, no geral, absurdas. Observe o que diz o Manual:

“Deixe à disposição um bom gravador com músicas que falem sobre a dependência de Deus, o amor de Jesus, o seu perdão, etc. A música deverá ser tocada na hora da oração de arrependimento e quebrantamento: é bom que seja sempre a mesma música, para ficar como um marco na lembrança dos encontristas” (p. 44, item 3)

“Ao fundo deverá estar tocando a música escolhida para esses momentos (...) Deixe a música tocando e ore por entre o povo. Os intercessores devem ter lenços de papel nas mãos para auxiliarem aqueles que necessitarem caso estejam chorando” (p. 52, itens 3 e 4)

Ao Final das Ministrações da Palavra e nos Momentos das Ministrações de Unção:
• “Não esquecer da música de fundo” (p. 64= Instruções para o ministrador)
* “A música deverá estar tocando durante todo o tempo de oração” (p. 83= Instruções para o ministrador)
* “Coloque uma música de adoração. Alguns momentos de música levarão as pessoas a lembranças amargas e arquivadas na memória” (p. 98= Sugestão para esse momento de confissão)
* “(...)O ministrador também não deve esquecer de providenciar uma música de fundo. A música deve ser orquestrada e não conter uma letra, para que a atenção não se volte para a mensagem da letra. Sugere-se usar uma música clássica lenta, suave, ou que contenha ruído de mar ou de passarinhos” (p. 99, item 2 de outra sugestão) (O negrito é meu)
* “A música deve continuar tocando durante todo esse processo” (p. 100= Após o momento de confissão)
• No momento do Batismo no Espírito Santo – “Utilize músicas que enfatizem a presença e o Batismo no Espírito Santo” (p. 134, item 3)

Como já tive a oportunidade de afirma anteriormente, nos encontros a psique ou a mente do encontrista não tem trégua, mesmo nos intervalos ele está sempre entregue a músicas previamente selecionadas, com letras e melodias repletas de auto-sugestões, demonstrando claramente o propósito da manipulação psicológica para facilitar a inculcação de tudo que é proposto.

3. LAVAGEM CEREBRAL (Limpeza de mente)

A forma como se desenvolve o encontro no intuito de alcançar seus objetivos o denuncia como utilizador deste terrível mecanismo denominado de lavagem cerebral, limpeza de mente ou reforma de pensamento, que nada mais é do que o “processo pelo qual uma pessoa é reeducada e antigas crenças são substituídas por outras novas”, como define a psicologia (Psicologia Experimental, p. 275).

É bom lembrar que “os programas de reforma de pensamento foram levados a efeito logo após a China se tornar comunista. Os observadores desse fenômeno descreveram-no como uma ‘conversão religiosa induzida’, bem como ‘uma forma coercitiva de psicoterapia’ ou uma ‘persuasão coercitiva’, a fim de controlar as mentes dos homens” (Psi. Experimental, p. 275).

E você quer saber quais são os MECANISMOS UTILIZADOS PARA APLICAR LAVAGEM CEREBRAL , os quais foram muito usados em campos de concentração chineses, com o objetivo de inculcar o comunismo? Pois bem, anote-os: REPETIÇÃO, CONFISSÃO e SOLICITAÇÃO A RESPONDER POR ESCRITO OU FALANDO.

Agora pasme: Estes são os mesmos mecanismos utilizados nos encontros do G 12. Verifique e comprove você mesmo:

3.1 - Repetição
No Encontro as pessoas são induzidas a fazerem várias repetições ao longo das ministrações, no claro processo ou método da fixação. A idéia básica é: Quanto mais repetir, mais fácil fica a fixação do que é proposto.

Veja apenas algumas das repetições, porque outras tantas variam de acordo com cada ministrador: “Bem-vindos à igreja do Avivamento”; “O nosso Deus é tremendo”; “O Encontro é tremendo”; “Uma unção tremenda”, “Fui impactado”. * Após a ministração da unção de libertação os encontristas são levados a declararem em voz alta, três vezes, cada uma das seguintes frases: “Eu estou livre”; “Eu estou perdoado”; “Eu estou curado” (Manual, P.75, item 8). * Para a ministração de cura interior: “Estou aberto ao que Deus vai fazer em minha vida”, “Toda minha cura interior e libertação da minha alma depende da cruz” (Manual, P.97). * Após queima das listas de pecados os encontristas são levados a repetirem: “Estão anulados todos os argumentos sobre minha vida” (Manual, P 106). * No domingo, após a ministração sobre a nova vida em Cristo: “Eu sou livre”, “Eu tenho uma nova vida em Cristo!” (Manual, P. 115). * Após o momento surpresa “(...) o líder espiritual pode perguntar: Como é o Encontro? Todos responderão: É TREMENDO!!!”. Aliás esta é uma pergunta repetitiva desde o pre-encontro e ao longo do encontro.

Estas são apenas algumas das frases ou expressões entre tantas outras, que regam o encontro e são levados a efeito na mente dos encontristas.

3.2 - Confissão:
No encontro, como vimos, após a palestra de “Cura Interior”, os encontristas são induzidos à confissão de seus pecados, um a um, nominalmente, inclusive declarando a época que eles foram cometidos. Observe o que diz o Manual:
Página 94: “É importante que antes de receber oração por cura da alma, se expresse em forma de confissão o material doloroso, limitador. Só após a confissão a oração deve ser feita”

Como se procede a confissão? Página 99:

“Cada pessoa do grupo deve escolher um parceiro para confessar as dores (...) As duplas sentam-se de frente , par a par. O ministrador dá 10 minutos para o primeiro confessar suas dores...O parceiro ouvinte não pode dizer coisa alguma, a não ser ‘hum, hum...’. Isto se faz para que não aconteça de ser feita alguma observação imprópria. É proibido ao ouvinte aconselhar qualquer coisa. Deve limitar-se apenas a demonstrar que está ouvindo, prestando atenção (...) Ao fim de 10 minutos o ministrador dirá com voz suave: ‘Estamos interrompendo sua confissão. Agora você receberá a oração de seu irmão’. Obs.: Novamente, para não se correr o risco de orações prejudiciais, o ouvinte repetirá a oração que o ministrador fará (...) Invertem-se os papéis. O parceiro que confessou, agora ouvirá durante 10 minutos e, só depois desse tempo, repetirá com o ministrador a oração”

OBSERVAÇÃO IMPORTANTÍSSIMA: “Quando os homens confessam publicamente seus erros anteriores de dogma, doutrina ou crenças, o público em geral admite que os mesmos foram expostos a processos psicológicos especiais de produzir uma conduta aquiescente...” (Psi. Experimental, p. 275).

3.3 - Solicitação a responder falando ou por escrito

Lembra o que disse anteriormente? Após a Palestra sobre cura interior os encontristas são levados a formarem duplas e confessarem seus pecados um para o outro; simultaneamente, ouvem mais uma palestra sobre Indo à Cruz, visualizando a pessoa e a obra de Jesus Cristo, passo a passo, desde o seu nascimento à sua morte e ressurreição; em seguida o ministrador pede “...que os encontristas escrevam tudo o que o Espírito Santo os lembrar sobre acontecimentos ruins, pecados, traumas, etc., em uma folha de papel, que será queimada na fogueira...” (Manual, p. 105). Está claro, não?

MINHA CONSIDERAÇÃO

É inadmissível um movimento que tem proclamado ser o instrumento de Deus para um grande avivamento da Sua igreja nesta virada de milênio e o detentor da “nova visão” para a igreja do século XXI, jogar tão sujo assim. Essas atitudes propostas pelo Manual e aplicadas durante a realização dos Encontros são expressões de ações meramente humanas, que procuram condicionar a ação poderosa do Espírito Santo de Deus, o verdadeiro Agente curador e avivador, o qual não depende de contribuições sujas para efetuar Sua operação na vida da Igreja. Como diz o jornalista Boris Casoy: “Isto é uma vergonha”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE O MOVIMENTO

1ª) É extremamente preocupante a corrida acelerada de muitos pastores e líderes, que no afã de verem suas igrejas se multiplicando numericamente, têm abraçado a visão sem uma acuração profunda e séria dela e dos fatos à sua volta. Alguns dizem: “Ah, o pastor fulano, o beltrano e o sicrano já abraçaram a visão”. Isto não importa! O fato de vários pastores e líderes conhecidos e até renomados terem se aberto para a visão, não significa que podemos e devemos aquiescê-la sem antes avaliarmos. Veja o exemplo dos crentes de Beréia: era o renomado e pleno de autoridade apóstolo Paulo quem lhes ensinava, mas nem por isso eles deixavam de averiguar as Escrituras Sagradas todas os dias, para verem se as cousas eram de fato como Paulo dizia. Inclusive, por esta prudente atitude eles foram declarados mais nobres do que os de Tessalônica (Atos 17:11).

A Bíblia Sagrada nos ensina a examinar e colocar à prova tudo (I João 4:1; I Tessalonicenses 5:21 e I Coríntios 2:13). A Bíblia ainda nos ensina a não sermos precipitados, o que é pecado! (Provérbios 19:2).

2ª) É preocupante esse “grande avivamento dos últimos dias” para a igreja de Jesus Cristo nesta virada de milênio (Manual, p.6), chamado por alguns de “novo avivamento baseado no novo modelo dos 12”. Que avivamento é este: Fruto de um ato (o encontro) e não de um processo de vidas quebrantadas e rendidas diante de Deus através da Sua Palavra e da oração; fruto de dois ou três dias em “retiro espiritual”, submetido a práticas e métodos de forte apelo psicológico, recheado de manipulações, induções e auto-sugestões? Que avivamento é este condicionado ao encontro e, portanto, proporcionado somente aos que dele participam, como que se ele é a fonte?

Não, não vejo base bíblica para esse “novo avivamento” condicionado ao encontro, o avivamento ‘aqui e agora’, na base do ‘vapt-vupt’ ou do ‘abracadabra’, avivamento ‘a toque de caixa’. Os avivamentos ocorridos na história da igreja do Senhor Jesus foram frutos de um longo processo de vidas quebrantadas pelo mover do Espírito Santo, rendidas diante de Deus através da oração e da Palavra Sagrada (I Timóteo 4:5), em busca de consertos de vida, de piedade cristã e de genuína consagração, sem nenhuma pressão exterior de manipulação e indução.

3ª) É preocupante a confrontação do pecado seguida de libertação e cura, tudo em nome de uma santificação plena, também ocorrida num ato (o encontro), e não santificação contínua fruto de um processo de verdadeira comunhão com Deus, por meio da Sua Palavra e da Oração (I Timóteo 4:5), ao longo desta peregrinação terrena (I Pedro 1:13-212:11-12; Efésios 4:17-24, etc.). Por isto, muitos saem do encontro convictos que não pecam mais, entre outras afirmações proclamando que agora são crentes cem por cento. Certamente é por isto que muitos vão parar em consultórios de psicólogos e psiquiatras e alguns até internados em clínicas de psiquiatria, deprimidos e tomados de distúrbios devido a sentimentos de culpa. Saem dos encontros alimentando a idéia de plena santificação nesta vida, e daí, no primeiro passo em falso, por conseqüência da presença do pecado, entram em crise.

O pastor Renê procura explicar isto complicando ainda mais, quando afirma que o problema está na condução do pós-encontro. Segundo ele sete áreas da vida do encontrista são abertas no encontro, e é nos pós-encontro que elas devem ser fechadas. Daí, conduzir o pós-encontro inadequadamente pode ocasionar os resultados supra. Observe bem que afirmação lacônico e evasiva, e ao mesmo tempo absurda e extremamente perigosa: 1º) O que significa para o pastor Renê a falta de conduzir o pós-encontro adequadamente? Ele não explicou! 2º) Se é assim como afirma o Pastor Renê, você já imaginou como fica a situação dos encontristas que não fazem o pós-encontro? 3º) Conquanto sob proteção espiritual durante o encontro, advinda das constantes correntes de oração intercessórias, como fica essa proteção ao sair do encontro?

4ª) É também preocupante a afirmação do pastor Renê de Araújo, quando no congresso realizado no Distrito Federal no final de fevereiro (2.000), quanto à “unção da multiplicação” que é proposta, o que, segundo ele, torna o encontro necessário por ser o único meio de recebê-la, uma vez que é nos encontros que estão as pessoas que receberam a chave para transmiti-la. Ora, esta é uma afirmação absurda! O Espírito Santo é soberano e unge a quem Ele quer, independente de lugar ou circunstância, usando não obrigatoriamente o pastor Renê, e/ou quem supostamente recebeu a chave da parte dele.

5ª) Outra coisa muito perigosa e que a maioria dos líderes eclesiásticos não percebeu ainda, é que a visão tem dono e os donos da visão são homens e esses homens formam uma verdadeiro pirâmide: Pastor César Castellanos (MCI = Colômbia) e Pastor Renê de Araújo (MIR = Brasil). Por isto, o pastor Renê quando realizou o congresso no Distrito Federal (item anterior), bateu enfaticamente em duas teclas: 1ª) A questão de liderança única: a célula tem um líder; a igreja tem um líder; uma região tem um líder e a visão toda tem um líder. 2ª) Insistiu inúmeras vezes na necessidade de seguir a sua cartilha à risca (o Manual para realização do encontro). Daí não se admitir adaptações: ou abraça como é, ou não abraça. Diga-se de passagem que Renê veio ao Distrito Federal exatamente para coibir as distorções que os pastores da região estão cometendo e reconduzi-los ao Manual.

6ª) É simplesmente inviável abraçar a visão proposta pela Missão Carismática Internacional do pastor César Castellanos Dominguez, esposada em seu livro SONHA e Ganharás o Mundo e no Manual para realização do Encontro do Ministério Internacional da Restauração do Pastor Renê de Araújo Terra Nova. Porque não obstante a visão ter uma aparente beleza, em suma ela é extremamente perigosa para a vida da igreja.. Esta afirmação contundente se fundamenta em pelo menos duas das principais conseqüências ao absorver a visão e transiocioná-la para a igreja:

1º) Romper com os moldes tradicionais e convencionais do sistema organizacional, desde os departamentos internos ao governo eclesiástico e desde posturas litúrgicas a doutrinárias.

2º) Desatrelar-se da denominação de origem e se vincular ao MIR do pastor Renê de Araújo em Manaus, ou eventualmente à MCI do pastor César Castellanos na Colômbia.

Veja novamente você mesmo as palavras do Pastor César em seu livro supracitado: “A tomada de decisões para o progresso de nossas vidas e do ministério em geral, tem estado acompanhado de um princípio sem o qual o alcance de importantes metas teria sido impossível: a necessidade de inovar de forma radical e contínua. Toda visão implica em inovação. Estar disposto a romper com os moldes tradicionais, faz parte do risco...” (p. 51) (O negrito é meu) “...A lista de mudanças é quase infinita, e a de vitórias também, tudo porque decidimos por em prática o poder da inovação, romper os velhos moldes. Definitivamente, temos que ser criativos, o mundo é daquele que inova...” (p. 52) (O negrito é meu).

Certamente você já ouviu dizer que abraçar a visão não implica em romper com a sua base denominacional. Não é verdade! Essa é mais uma colocação sutil e enganosa. A prova está no próprio MIR fundado por Renê de Araújo. Veja o antes e o depois: Antes a Igreja Batista da Restauração de Renê era vinculada à Convenção Batista, hoje essa igreja fundadora do Ministério Internacional da Restauração desenvolve o seu próprio ministério, coligado sim, mas à MCI de César Castellanos. O pastor Renê rompeu com a convenção batista para criar o seu ministério.

Outro ponto importante a ser avaliado: Observe que todas a igrejas locais que abraçaram a visão e a transicionaram ou estão em fase de transicionamento, já vinham desenvolvendo um trabalho totalmente independente, mesmo que com aparente ou teórico vínculo denominacional. São igrejas que há muito tempo não prestam mais relatórios de compromissos às suas bases denominacionais e, quando se toca no assunto elas covardemente procuram sair pela tangente, não têm coragem de assumir. Ora, como fica a questão da verdade, sinceridade, autenticidade, transparência, honestidade... – características da postura genuinamente cristã?

7ª) São extremamente preocupantes no encontro as constantes manipulações para induzir os encontristas ao emocionalismo, e as práticas e os métodos propostos para se atingir os reais objetivos do movimento. Se a obra é divina, por que não se deixar operar exclusivamente pelo Espírito Santo – o único que convence o homem do pecado, da justiça e do juízo– sem a utilização de técnicas, práticas e métodos da parapsicologia e da psicologia, na mais clara expressão de manipulação humana? Aonde está escrito nas Escrituras Sagradas que eu, ministro de Deus, preciso utilizar de artifícios psicológicos para contribuir com o Espírito Santo na operação de convencimento ou de conversão das pessoas? Aonde está escrito que eu preciso dramatizar, chorar, condicionar psicologicamente as pessoas, privando o sensorial delas, fazendo auto-sugestões, enfim, jogando sujo, inclusive utilizando mecanismo reprováveis cientificamente, tudo com o objetivo de manipulá-las psicologicamente?

8ª) Há resultados positivos por parte de alguns que voltam dos encontros, em detrimento da maioria que volta exteriorizando resultados negativos. Portanto, é preocupante os verdadeiros resultados exteriorizados por parte da maioria que volta expressando desvio comportamental e psíquico. Muitos exteriorizando um fanatismo religioso exacerbado, ao ponto de relegar toda a vida de experiência religiosa pretérita; afirmando, entre outras coisas, que agora é que são crentes; que morreram e nasceram de novo; que agora são crentes cem por cento, etc. Predispondo-se a cortar laços antigos de amizades; a discriminar e censurar que não participou ainda do encontro do G 12; a vender a televisão, o vídeo cassete, o vídeo game; a jogar fora jogos inocentes, a exemplo da dama, dominó, xadrez, etc. Devotando-se somente à leitura da Bíblia, jejum e oração, tudo em nome de uma santificação plena adquirida na base de um ato – o encontro – e não de um processo de vida de íntima comunhão com Deus todo dia, o dia todo e em qualquer circunstância. Muitos voltam do encontro tão “santos” que passam a viver à semelhança dos eremitas que se isolam do mundo externo à sua volta, colocando-se num suposto pedestal de superioridade espiritual. Já houve o caso, inclusive, de uma pessoa que voltou tão fanática que passou a afirmar que era deus. Tenho testemunhos de pessoas que voltaram do encontro acometidas de desvios psíquicos, ao ponto de serem encaminhadas a consultas psiquiátricas, inclusive caso de internação.

9ª) É preocupante os prejuízos já verificados a nível eclesiástico, especialmente por parte das igrejas que não abraçaram a visão. Quantas pessoas já deixaram as suas igrejas-mãe atrás desse modismo denominado G 12, afirmando de auto e bom som: “estou na visão, sou G 12”; “fui ao encontro dos 12, estou na visão”, etc. Quantas igrejas literalmente rachadas ou totalmente esfaceladas? Quantas igrejas que já cortaram o cordão umbilical com a sua base denominacional, entregando-se totalmente à visão da igreja celular no modelo dos 12, em nome do jargão de que “tem que prestar contas é a Deus e não a homens”, mesmo que reconheçam que esses homens são de Deus?

10ª) É preocupante a ênfase que se dá nos encontros quanto ao silêncio absoluto, levando as pessoas a não falarem nada sobre o que acontece no encontro: “Não se pode divulgar nada do Encontro a ninguém, nem as regras (que são rígidas), nem as palestras, etc. Sempre se deve mencionar que tudo o que aqui acontecer não se pode divulgar em hipótese alguma, a não ser dizer que ‘o Encontro foi tremendo’” (Manual, P. 43, item 14) É preocupante o solene voto de compromisso que os encontristas fazem no final do encontro “Faça com os encontristas o Voto de Compromisso, ou seja, leve-os a se comprometerem a não dizer a outras pessoas que ainda não fizeram o Encontro, absolutamente nada sobre o que ocorreu nesses dias. Peça-os para ficarem de pé e repetirem o seguintes compromisso: ‘Eu me comprometo a não mencionar nada do que aconteceu no Encontro. Terei a responsabilidade de incentivar outros a fazerem o Encontro e a experimentar como o Encontro é TREMENDO!’” (Manual, P. 135, item 10). Aliás, em muitos encontros os encontristas ao invés de fazerem o voto de compromisso, são levados a fazerem um pacto de silêncio; em outros são levados a fazerem um juramento, infringindo assim o que o Senhor Jesus preceitua em Mateus 5:34-37.

Ora, se a obra é divina e abençoada por Deus por que não pode ser contada, inclusive com todos os detalhes? Venhamos e convenhamos, dizer que o silêncio que se limita apenas a dizer que o encontro é tremendo e que a experiência é pessoal, visa motivar e despertar as pessoas a participarem, é, no mínimo, desonesto. O que motiva alguém a participar ou não de algo é exatamente ter um conhecimento prévio do que se propõe e do que acontece. É mais honesto e producente a pessoa tomar conhecimento de tudo e se posicionar, dizendo: Se é assim eu quero e vou, ou o contrário.

Ademais, o que há de oculto no encontro que não pode ser revelado? Isso é preocupante!

Ouça as palavras do Senhor Jesus e tire as sua próprias conclusões: “Declarou-lhes Jesus: Eu tenho falado francamente ao mundo; ensinei continuamente tanto nas sinagogas como no templo, onde todos os judeus se reúnem, e nada disse em oculto” (João 18:20). “...pois não há nada encoberto que não seja revelado; nem oculto, que não venha a ser conhecido. O que vos digo às escuras, dizei-o a plena luz; e o que se vos diz ao ouvido, proclamai-o dos eirados” (Mateus 10:26,27)

11ª) Lembre das várias advertências bíblicas sobre os últimos tempos. Veja algumas delas:

 “Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar se possível, os próprios eleitos” – Mateus 24:24

 “Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios” – I Timóteo 4:1

 “Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres, segundo as sua próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” – II Timóteo 4:3,4)

 “Assim como no meio do povo surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão dissimuladamente heresias destruidoras...E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamada o caminha da verdade; também movidos por avareza farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme” – II Pedro 2:1-3

 “Irmãos, relativamente aos tempos e às épocas, não há necessidade de que eu vos escreva; pois vós mesmos estais inteirados com precisão de que o dia do Senhor vem como ladrão de noite. Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vem a dor do parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão” – I Tessalonicenses 5:1-3

(adaptado do escrito do Pastor: Euclides Luiz Ferreira)

FONTES DE PESQUISA

1. A Bíblia Sagrada (Edição Revista e Atualizada no Brasil)
2. Dicionário da Bíblia (John D. Davis)
3. Chave Bíblica (Sociedade Bíblica do Brasil)
4. O Novo Testamento Interpretado (Russell Norman Champlin)
5. Commentary on the Wholy Bible (Jamieson Fausset and Brown)
6. Benção e Maldição (Jorge Linhares)
7. Super Crentes (Paulo Romeiro)
8. Evangélicos em Crise (Paulo Romeiro)
9. PSICOLOGIA EXPERIMENTAL o Fato de ser Humano (elton b. maneil)
10. Defeitos da vontade (Miguel Rizzo)
11. religiões, seitas e heresias (J. Cabral)
12. SONHA e Ganharas o Mundo (César Castellanos)
13. MANUAL DE REALIZAÇÃO DO ENCONTRO (MIR)
14. Apostila via internet (I)
15. Apostila via internet (II)
16. Apostila = G 12 Uma Velha Mentira com Cara de Nova (Alan F. de Souza)
17. Depoimento Escrito I (Encontrista)
18. Depoimento Escrito II (Encontrista)
19. Depoimento Verbal I (Encontrista)
20. Depoimento Verbal II (Encontrista)
21. Depoimento Verbal III (Encontrista)
22. Depoimento Verbal IV (Encontrista)
23. Depoimento Verbal V (Encontrista)
24. Depoimento Verbal VI (Encontrista)

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