quinta-feira, 15 de maio de 2014

SOMOS TÃO BONZINHOS!


Miserável homem que eu sou! (Romanos 7.24)

Quem começou com esta ideia foi um tal de Pelágio. Um teólogo da igreja nos idos de 410 de nosso tempo que começou a ensinar que não havia pecado original e que o homem podia se salvar apenas redirecionando sua moral. Nestes últimos dias vemos assustados, as consequências do que tem sido a ausência da Força Civil em nosso Estado. As Instituições Escolares fechando as portas, o Comércio sendo saqueado, pessoas assassinadas, tão somente porque a Polícia Militar entrou em greve. Todos nós recriminamos os “vândalos” por saquearem lojas e invadirem os condomínios. 

Mas, na verdade, o que vemos é a manifestação do que entendemos sobre “Pecado Deliberado”. Quem desenvolveu no Ocidente a doutrina do pecado como inerente a natureza humana foi “Santo Agostinho”, o teólogo cristão, norte-africano que combateu os ensinos de Pelágio e afirmava que o pecado de toda pessoa é voluntário, que toda raça humana pecou junto com Adão, e após a queda, a humanidade ficou totalmente depravada e incapaz de desejar o verdadeiro bem, aquilo que é bom aos olhos de Deus.

Nossa realidade decadente nos revela também que não temos ouvido mais a “voz profética” da igreja (entenda-se “profética” como voz que denuncia o pecado). O que temos visto nas igrejas atuais é uma verdadeira panaceia com discursos e frases de efeito que não redundam em mudança de vida. O ensino que afaga o coração dos ouvintes com falsas promessas, mensagens de auto-ajuda, acabam por disseminar o ensino demoníaco da “teologia da prosperidade”. 

Como igreja também somos responsáveis por ensinar o que deve ser ensinado: O ser humano é mau por natureza e somente por meio da graça e da livre operação do Espírito Santo pode este ser redirecionado para Deus. Enquanto a igreja não se pronuncia assim, vemos o Estado e os Meios de Comunicação ensinando o “neo-paganismo”, fazendo as pessoas acreditarem que são boas e que merecem ser abençoadas por Deus, promovendo uma fé abstrata por um “mundo mais feliz” onde todos podem viver do jeito que bem entenderem, camuflando a corrupção social e inconscientemente tornando-se “agentes do Anticristo”. Quando deixamos de tratar a nossa natureza humana como maligna, acabamos nos esquecendo o quanto somos propensos ao mal e nos assemelhamos a ele. 

A igreja cristã precisa elevar sua voz e viver segundo as máximas do evangelho “nas praças” quando o “magistrado civil” não cumpre com sua missão de esforçar-se pelo “bem-comum”. Na teologia estudamos que a Graça Comum atua como “repressora” do pecado por meio das estruturas sociais. Mas quando elas estão sob o poder do Anticristo, o que esperar? Enquanto a igreja não se pronunciar contra os pecados em todas as suas formas será ela também julgada como o Anticristo. Graça Comum não deve ser vista como qualquer graça senão a que também vem de Deus para que os homens vivam em paz e em acordo. Oração somente não basta. Pode ser o começo, mas só isso não é suficiente. Os avivamentos históricos promoveram mudanças sociais e políticas. 

Nesse sentido lembramos que não somos tão bonzinhos assim, pois o que muitos fazem dinamicamente com seu pecado, nós o guardamos em nosso coração bem escondido. Ninguém é bom (Rm 3.1ss). Por isso cuidemos de tratar deles olhando incessantemente para a graça de Cristo, dia após dia, mas também unindo esforços pela fé verdadeiramente evangélica (Jd 4) que promova um mundo melhor e deixemos de ser fatalistas. Cumpramos a missão política e social da igreja a fim de que o Reino de Deus continue no embate contra as trevas e não nos deixemos “corromper pelo mundo” (Tg 1.27), para que venhamos a nos tornar "verdadeiros e irrepreensíveis, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e depravada, na qual brilhamos como estrelas no universo” (Fp 2.15), salvando e promovendo dignidade àqueles que estão perecendo.

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