quinta-feira, 22 de maio de 2014

QUANDO NECESSITAMOS DE UM AVIVAMENTO DO CORAÇÃO?




O caminho para Deus envolve o quebrantamento que começa no coração de qualquer ser humano. Este é o único caminho para qualquer tipo ou nível de restauração seja ela psicológica, social, econômica, política, isto é espiritual em seu sentido mais amplo. Os grandes movimentos religiosos no século XVI e XVII que ocorreram às margens do sistema eclesiástico e vigente foram responsáveis pelas consequências da obra missionária no século XVIII. No Ocidente, movimentos históricos que na época foram reconhecidos como o Puritanismo, o Pietismo, o Moravianismo e o Metodismo foram históricos e não mais se repetem. Mas o que deve se repetir é a descoberta de Deus. Entendo a palavra "Descoberta" como despertamento, afloramento, vislumbre do relacionamento com Ele e a plena satisfação e prazer de desenvolver isso em plenitude. Todas as vezes que o povo de Israel no Antigo Testamento e sua igreja a partir do Novo Testamento viviam de modo egoísta e usavam a religião como meio de consumo, em sua Soberania, o Espírito Santo produzia uma pequena ação para então purificar a natureza da fé e o estilo de vida que tornavam os valores do evangelho realmente sérios e relevantes diante do superficialismo da vida. Por isso os avivamentos e ou despertamentos "intensos" e "verdadeiros" foram as bases para uma purificação da fé que em determinados períodos acabava por se tornar sincrética e pagã. 

Mas o que estes movimentos tinham em comum? Quebrantamento. Essa era a palavra chave. Essa palavra é muito mais do que um mero discurso. O salmo 51.17 afirma que é a unica condição para que a Divindade encontre um meio de relacionamento com a humanidade. É a condição "sine qua non” para que alguém seja ele leigo ou estudioso sobre Deus. Não há como o homem desenvolver uma profunda relação com Deus se o coração não viver a busca incessante dele no seu interior humilde. Não existe "fé arrogante". Quando o coração ou nosso interior se move nesse sentido o profeta Isaías declara que a Divindade habita e se faz presente (Is 57.15) Neste texto Deus afirma pela boca de Isaías: "habito com o contrito e abatido de espírito". O abatimento, a contrição sincera e a humilhação do coração formam o ambiente onde Deus pode habitar. A contrição é o que chamamos de uma "tristeza segundo Deus". Essa tristeza é necessária e não há como vivermos para Deus sem a manifestação no coração deste sentimento. Quando falamos em tristeza muitos acham que este sentimento tem a ver com uma ação humana ou até demoníaca sobre nós. A história que o cristão deve viver sorrindo é uma falácia. O apóstolo Paulo afirma que existe um sentimento permanente de pesar pela condição de nosso coração. Ele assim afirma: "agora folgo, não porque fostes contristados, mas porque o fostes para o arrependimento; pois segundo Deus fostes contristados. Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, o qual não traz pesar; mas a tristeza do mundo opera a morte" (2a. Co 7.10). Assim a contrição é o caminho para uma relação saudável e verdadeira com Deus. O regozijo em Deus é mais importante que uma alegria efêmera fruto de conquistas egoístas. A tristeza de Deus é necessária para um avivamento do coração.

Já o apóstolo Tiago, Patriarca de Jerusalém, afirma em sua Carta Universal: "pedis e não recebeis por que pedis mal para gastardes em vossos prazeres" (Tg 4.1-10). Esta é uma das realidades que encontramos em nosso século e especialmente entre os "crentes" de maneira geral. Encontramos muita oração discursiva, muito movimento, ativismo e eventos, por que vivemos num século onde o consumismo tem sido a expressão de nosso estilo de vida. O sistema de vida direciona-nos e nos move a vivermos assim e assim tem sido nossa religiosidade. Nossas manifestações de crendice e religiosidade em todos os sentidos, sejam em quaisquer esferas da fé seja ela católica ou evangélica são pela busca de um deus que pode e se deixa ser consumido. Nisto, não há necessidade nenhuma de quebrantamento, de contrição ou de humilhação diante de Deus. Vivemos uma "farsa religiosa".

Assim trago aqui uma pergunta "quando necessitamos de uma avivamento do coração"? As respostas desejo desenvolver em algumas reflexões posteriores além desta primeira.

Em primeiro lugar carecemos de uma avivamento do coração QUANDO NÃO TEMOS FOME DA PALAVRA DE DEUS. A necessidade de alimentação física é fundamental para nossa subsistência. Em certo sentido, quando nos alimentamos de algo que nos satisfaz pelo gosto e sabor nem sempre estamos nos alimentando de modo correto. Hoje é muito costumeiro buscarmos nos alimentar nos "fast foods" e assim vivemos sem fome porém subnutridos e vulneráveis a doenças. Vivemos uma vida descompensada e desequilibrada do ponto de vista físico. Da mesma forma é nossa espiritualidade. Quando nos alimentamos de algo que "parece" com a Palavra de Deus mas apenas tem gosto ou sabor, o resultado será um crescimento desequilibrado e a infância espiritual será uma realidade perene. Por isso encontramos tantos "crentes-bebês" em nossos dias. Há muita coisa se parecendo com a Palavra de Deus embora não seja a Palavra de Deus. 

Para se alimentar corretamente da Palavra de Deus é necessário comer no lugar certo. Isso tem a ver com a interpretação que damos a própria Escritura. A Escritura sem a hermenêutica correta torna-se uma ferramenta até mesmo para justificar ações destruidoras. A interpretação correta começa quando nossos limites e nossas metáforas são direcionados a partir de Jesus Cristo. Ele é a Palavra Viva de Deus e a mensagem plena da Divindade. Toda Escritura quando não está averbada e abalizada pela pessoa de Cristo, sua vida e os princípios encarnados por ele, pode se tornar uma arma do Diabo. Quando buscamos outra coisa e não esta Palavra, vivemos, mesmo sem querer, uma farsa religiosa.

Por isso precisamos de um verdadeiro despertamento para com Deus. Onde temos buscado nos alimentar? O fiel é aquele que deseja discernir e distinguir entre a Palavra de Deus e os convites da heresia. Hoje inúmeras pessoas oferecem a mais variadas interpretações da Palavra de Deus. Muitos estão buscando a Palavra de Deus nos programas de Mídia ou em púlpitos mensagens das Escrituras que na maioria nada mais são do que expressões de um "cristianismo" egocentrista e consumista. 

Estamos necessitando encarecidamente de um avivamento. A Palavra de Deus está escondida. Na verdade, estamos distantes de Cristo. O profeta Jeremias já dizia na sua época a nação israelita: "os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam por intermédio deles; e o meu povo assim o deseja (Jer_5:31). 

Nosso Senhor Jesus Cristo afirmava aos Fariseus que embora possuíssem as Escrituras erravam desconhecendo-as e não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus (Mateus 22.29). Isso significa que a religiosidade quando usada como um fim em si mesmo, transforma a Escritura em mero instrumento de manobra do povo. 

O apóstolo Pedro já em sua primeira carta advertia a igreja: "Como crianças recém-nascidas, desejem de coração o leite espiritual puro, para que por meio dele cresçam para a salvação" (I Pe 2.2). 

Fome da Palavra de Deus é a condição sine qua non para maturidade e frutificação. Trocamos a Palavra por uma série de outros elementos que pensamos podem saciar nossa fome. Hoje temos muitos que oferecem um leite "batizado", os seja misturado. Os efeitos são os mais destruidores. 

Quando as denominações, os cultos, as liturgias, os eventos, os encontros e programações são mais interessantes do que o ensino e a mensagem da Palavra de Deus, então precisamos de um avivamento do coração. Quando estamos participando de nossos cultos mas não há fome, desejo, avidez pela Palavra de Deus como fonte norteadora da vida, estamos vivendo uma época de frieza espiritual embora façamos muito barulho, cantemos muitos louvores, toquemos muitos instrumentos, profiramos muito discurso. 

Kyrie eleisón






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