sexta-feira, 25 de abril de 2014

UMA GRAÇA BARATA?

“...fostes chamados a liberdade. Porém não useis da liberdade para dar ocasião a carne” (Paulo aos Gálatas 5.13)

Vivemos o século da banalização da vida. Nada mais fácil do que tratar as coisas e as pessoas de modo superficial. Nossa sociedade se encontra num nível onde o ser humano tem invertido valores e tornado tudo que era antes absoluto em algo relativo. O ser humano não possui mais valor. Mata-se gente como se esmaga uma formiga. A vida se tornou fútil. As pessoas são como uma peça de xadrez. 

Do mesmo modo o processo da fé tornou-se fútil. Todos os elementos religiosos e sagrados no século passado eram até então bem considerados. Hoje a fé tornou-se uma peça de museu e a Graça antes valorizada hoje está barateada. O sacrifício de Deus pelo homem está se tornando tão irrelevante que os conceitos éticos e morais estão perdendo seu valor. A salvação tornou-se meramente um recurso verborrágico. É possível hoje ser um “crente”, porém sem qualquer compromisso com Cristo e com o Senhor da igreja. Portanto devemos cuidar para que não recebamos em vão a graça de Cristo (2 Co 6.2). Eis alguns princípios:

1) A graça não é barata porque a fé sempre exigirá as obras. A fé não existe sem uma relação, isto é possui caráter comunitário. Para que nossa relação com Cristo seja de fato uma realidade a fé deve me levar a viver com pessoas e a me doar por elas. Uma fé virtual é uma fantasia. O “cristão” somente o é se viver a fé em relação a Deus e ao semelhante. Por isso uma fé que não me conduz ao semelhante é meramente uma crendice.

2) A graça não é barata por que a fé sempre exigirá uma resposta ética. O evangelho é um recipiente de valores que me ensina a viver a mensagem de Jesus com resultados éticos, políticos e sociais. Nossa ética está diretamente ligada com o que falo, como vivo, quais as minhas decisões políticas, como uso meu dinheiro, o quanto acumulo e como uso meus bens. Minha fé me leva a enxergar as pessoas antes das coisas e exercer meu posicionamento em relação à corrupção e a injustiça sociais. Ela me leva a me posicionar quanto ao que é eterno e o que é efêmero. Minha fé determina o que consumo e quanto consumo.

3) A graça não é barata por que a fé sempre me levará a me envolver com o Corpo de Cristo. O contrário disso é egoísmo. Portanto, identificar-se com Cristo é envolver-me com gente. Meu egoísmo deve ir diminuindo ao passo que me comprometo com outros, onde eu posso servi-los e ser servido, acolhendo e sendo acolhido como Cristo fez. Então a graça será valorizada e relevante em minha vida. 

Viver a Graça de Cristo é viver com alegria e na busca de um equilíbrio saudável entre a fé que nos leva a Deus e a fé que nos conduz as pessoas. Nossa espiritualidade possui dois vértices, um vertical e outro horizontal. A graça jamais será vã se aprendermos a viver segundo as marcas da Cruz.  

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