sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

SER DISCÍPULO: EIS A QUESTÃO

Para que se compreenda o que vem a ser o discipulado, necessitamos recorrer à etimologia de algumas palavras que se apresentam nas Escrituras. A primeira palavra que traz a idéia do Discipulado é akolouteo. Traduzido por “seguir”, denota a ação de uma pessoa respondendo ao chamado do mestre e cuja sua vida inteira é reformulada no sentido da obediência. 

A idéia no grego clássico era de alguém que seguia a “deus” ou a “natureza” como idéia filosófica. O mesmo se identificava mediante uma “incorporação”. Esta palavra no Antigo Testamento corresponde à “halak” que dá a conotação de “ir atrás de”. No Novo Testamento embora sendo usada algumas vezes para denotar as multidões que “seguiam” a Jesus, ela somente terá uma importância maior quando atribuída ou vinculada a pessoas que estavam seguindo o Mestre. 

Alguns textos, principalmente os que estão narrando o chamado vocacional dos discípulos por Jesus, usam akolouteo para evidenciar um convite muito mais “desafiador” do que “diplomático”. Em Mateus 9.9, Jesus chama e diz “segue-me”. A mesma palavra é usada para o desafio colocado ao jovem rico, onde depois que este vendesse todos os seus bens e desse aos pobres, o rapaz deveria seguir o Mestre. Quando Jesus fala realisticamente sobre o ser discípulo usa akolouteo em Mateus 8.22 para denotar a “prioridade” que os seus seguidores deveriam ter para com o seu projeto. O que chama a atenção é que akolouteo possui uma força tanto histórica, como cultural para a época de Jesus. 

O discípulo se fazia “um com o seu mestre” e se identificava com o mesmo de tal maneira que o colocava em primeiro lugar, deixando todas as coisas para trás, despojando-as dos níveis mais elevados de compromisso. Aprender era de fato uma questão de vida, de exclusividade e de cumplicidade. Este aprender significava perder tudo para ganhar a vida fosse no aspecto filosófico ou no religioso. No aspecto espiritual, Jesus chamava seus discípulos com autoridade divina, como os próprios profetas eram chamados por Deus no Antigo Testamento. 

E você? Está no discipulado de Cristo, ou somente toma parte das atividades de uma igreja? É apenas um religioso ou se move na direção de imitar o Mestre em todos os aspectos da vida? Tem colocado seus dons e talentos para o aprendizado de vida ou meramente busca as bênçãos de Deus sem se envolver com Ele? O discipulado é muitas vezes distinto do que muitas igrejas pregam hoje. Como bem diz René Padilla: “A Igreja de Jesus Cristo está envolvida num conflito contra poderes do mal entrincheirados nas estruturas ideológicas que desumanizam o homem, condicionando-o para que relativize o absoluto e absolutize o relativo. Na esfera do pensamento, o acomodamento da igreja ao mundo se realiza principalmente por meio da redução do evangelho a uma mensagem puramente "além-túmulo". No nível mais básico, separa Cristo como “Salvador” de Cristo como “Senhor”. Isto produz um evangelho que permite que as pessoas mantenham valores e atitudes predominantes na sociedade de consumo, e ao mesmo tempo, desfrutem da segurança temporal e eterna que a religião lhes provê; que dividam sua vida entre o compartimento da religião e o de suas vidas seculares. Supõe-se que Deus tem algo a dizer a respeito da religião, mas não a respeito da vida cotidiana; que tem interesse no culto, mas não nos problemas sociais, econômicos e políticos, nos negócios ou nas relações internacionais”.

Nenhum comentário: