terça-feira, 31 de dezembro de 2013

COMO PODEMOS VIVER UM 2014 MELHOR?




Alegrai-vos sempre no Senhor (Filipenses 4.4)


Se formos seguir o curso deste mundo no qual vivemos, não temos muito que nos alegrar com respeito às expectativas no novo ano. Por isso gostaria de sugerir que você e eu pudéssemos inaugurar 2014 com alguns princípios básicos para nossa vida ser melhor do que 2013:

1º ) Em 2014, esteja certo que o novo ano não será melhor, se você não for melhor.Temos uma noção equivocada que se orarmos muito pelo ano que entra, teremos muita saúde, prosperidade e conforto. Isto é uma fantasia. A grande diferença entre um ano e outro é que os tempos serão melhores se pessoalmente tomarmos a decisão e tivermos perseverança de tratar nosso interior, isto é, nosso coração. Melhoramos sempre quando deixamo-nos ser tratados e quando somos ensináveis. Se continuarmos a pensar que dependemos de tempos e períodos de anos para nos sentir melhores, jamais o seremos. Esta ideia acaba por nos levar a demonizarmos as pessoas que estão ao nosso redor e esquecer que nós, pessoalmente, precisamos mudar interiormente, para que vejamos até mesmo nas calamidades, a presença de Deus.

2º) Em 2014, esteja certo que seguir os passos do discipulado de Jesus será bem melhor do que seguir a filosofia da sociedade atual. Outro ledo engano quando chegamos às portas de um novo ano é acreditarmos, mesmo passivamente, que a filosofia de nossa sociedade, manifestada pelos meios de comunicação, são interessantes e positivos. Há muitas igrejas que pregam a necessidade de sermos prósperos financeiramente e fisicamente como sinal da presença divina e o contrário como sinal de maldição. Por isso vemos tão poucas pessoas se doando por outras, pois a doação sugere renúncia e dedicação. O discipulado de Jesus elimina esta máxima demoníaca da prosperidade e nos leva a entender que somente há verdadeira felicidade quando aprendemos a ser verdadeiramente discípulos de Jesus vivendo em prol dos outros. 

3º) Em 2014, esteja certo que você poderá ter tantas oportunidades de alegria, se seus motivos de viver forem se alegrar em Cristo todos os momentos. Imagine se o apóstolo Paulo que estava encarcerado ao escrever aos Filipenses, segundo o texto bíblico acima, dependesse de circunstâncias e momentos para viver a alegria em sua vida? Pelo contrário, sua relação com o Senhor é que mudava o seu coração mesmo quando as oportunidades fossem as piores possíveis. Temos uma visão equivocada que podemos ter um ano novo melhor, se possuirmos coisas, objetos, se tivermos ascendência social e educacional, se conquistarmos títulos e ganharmos mais dinheiro. Essa é a filosofia do diabo. A verdadeira alegria não está nas coisas e sim unicamente no desenvolvimento de uma relação profunda com a Trindade Santa. 

Essa é minha ideia e meu conselho, antes de pensar no ano que virá, pense na pessoa melhor que você poderá ser em comunhão com o Deus da vida. Um Feliz 2014, em Cristo! 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

MOISÉS, JESUS E YASMIN


“Em Ramá se ouviu uma voz, lamentação e grande pranto: Raquel chorando os seus filhos, e não querendo ser consolada, porque eles já não existem”. (Mat 2:18)

Em nossa Sociedade o Natal não é apenas tempo de muita comida e bebida sem sentido, mas também de expressões sem sentido, palavras sem sentido e manifestações inócuas. Vivemos a Era dos eventos insanos e também histéricos. Há muita gente que celebra o Natal sem razão de ser, sem sentido algum. Alguns usam o período natalino até para cometer os atos mais desumanos e monstruosos que revelam o quanto, sem o Natal verdadeiro o “ser humano” é um “humanóide hedonista”.

Os primórdios destes atos monstruosos toma lugar no Egito Antigo quando do nascimento do grande libertador do povo de Israel. Devido ao crescimento numérico dos filhos de Israel no Egito, o Faraó decide exterminar todo menino que nascesse dos hebreus, por receio de que o povo que vivia escravo se tornasse mais forte que os egípcios. Por medo, Faraó mata milhares de crianças, mas por intervenção divina Moisés, um menino recém-nascido jogado às águas do Rio Nilo é resgatado pela filha do Imperador. É salvo, e torna-se conhecedor de toda a ciência egípcia e o grande libertador de Israel.

Belém tornou-se também um lugar controverso. A noite de Natal trouxe fé, paz e esperança, Jesus, filho de José e Maria, o filho de Deus acaba de nascer. A festa envolve a terra e o céu. Todavia, a alegria é trocada pelo pranto e desespero. Assim como Moisés, o grande libertador de Israel foi salvo de um infanticídio, Jesus Cristo foi poupado da insanidade de Herodes, o Tetrarca. Cheio de ira e tomado de medo, o incapaz rei extermina todas as crianças daquela pequena vila. Jesus é salvo, quando em sonhos José é avisado previamente e tomando Maria fogem para o Egito a fim do Menino-Deus ser guardado do Maligno. O evangelista Mateus, faz questão de registrar este fato em analogia a Moisés. 

Mas Yasmin, não teve a mesma sorte. Yasmin foi encontrada morta na segunda-feira dia 09/12, em uma obra, um dia após ter saído da casa da avó para ir até a feira onde a mãe estava trabalhando. No entanto, a menina não chegou ao destino. Após o sumiço, familiares e policiais chegaram a procurá-la, mas não a encontraram. Isso se deu em Catalão, uma cidade de porte médio no estado de Goiás. Não houve um "anjo", não houve uma "princesa" que a resgatasse das mãos do terrível estuprador. Juntamente com ela o Natal também se reveste de tristeza e dor, de indignação e crueldade. Yasmin é mais um caso perdido em uma Sociedade que banaliza vida e os que dizem acreditar no Menino-Deus se calam diante das atrocidades.

Para nossos dias, portanto, o Natal somente tem sentido se continuarmos crendo que por causa do amor a humanidade, Cristo se deu por todos, e num misto de esperança e senso de justiça, foi o menino Jesus poupado quando criança, porém cruelmente morto pela insanidade dos líderes políticos e religiosos que preferiram dar cabo de sua vida do que se submeterem a lei do amor que Ele plantara. 

O Natal somente faz sentido se como cristãos, continuarmos a lutar por justiça social e política, elementos que estarão presentes no Novo Reino do Messias, o Cristo. Enquanto a igreja cristã continuar subserviente ao Estado, aos líderes manipuladores das grandes massas religiosas, ainda muitas Yasmins continuarão morrendo tragicamente porque não tem havido fome e sede de justiça por parte de muitos que se dizem crentes em Cristo.

Natal não é somente festa, é tempo de rededicação e de compromisso com o Reino factível e verdadeiro, que rompe com as amarras da injustiça e da escravidão moral e da insensibilidade massificante. Natal só será Natal se fizermos mais do que apenas visitarmos os templos religiosos para nos desincumbir de nossos sentimentos de culpa, por não termos “tempo” para estendermos as mãos às Yasmins de hoje que morrem pela banalização da vida, seja no Brasil, seja em qualquer parte deste mundo.

Que o Senhor tenha misericórdia de nós!

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

COMO ELE AMOU O UNIVERSO



Deixou de soprar o fôlego de vida para receber oxigênio pelo cordão umbilical. Deixou de colocar o universo na palma de sua mão para ter sua mão formada no ventre da jovem mãe. Deixou agradáveis perfumes dos céus para nascer em meio ao fétido estábulo. Deixou de assentar-se no sublime trono para dormir na manjedoura improvisada de palha.



Deixou de emitir voz de retumbante trovão para exprimir-se através do choro rouco recém-nascido. Deixou o aplauso de toda criação em troca de ser levantado pelas mãos de um velho no templo. Deixou de comandar os exércitos celestiais para fugir da matança, ainda bebê, carregado no colo. Deixou sua posição de quem tudo sabe (e como sabe!) para sentar-se no banco escolar da sinagoga.



Deixou as riquezas imarcescíveis para viver do rendimento de um simples marceneiro. Deixou de caminhar em ruas de ouro para andar em estradas poeirentas. Deixou festas no paraíso para estar em jantares com coletores de impostos. Deixou a adoração de serafins e querubins para ouvir desaforos e provocações.



Deixou de tocar as estrelas para tocar nossas feridas. Deixou de chamar as estrelas pelo nome para chamar, pelo nome, muita gente humilde. Deixou coros celestiais para ouvir sussurros e gemidos de miseráveis. Deixou de ser servido pelos anjos para servir os marginalizados.



Deixou a posição de Senhor para tornar-se o mais humilde servo. Deixou todo conforto do palácio para enfrentar as dores mais intensas. Deixou de viver acima e distante para viver bem pertinho no nosso meio. Deixou de agir como Deus, sem deixar de ser Deus, para agir como gente comum.



Deixou seu trono alto e sublime para fazer amigos. Deixou seu sangue ser derramado para fazer irmãos. Deixou sua vontade própria para tomar do cálice. Deixou-se morrer para nos ressuscitar.



Deixou o que não precisava deixar. Deixou pra trás o lugar onde todos desejariam estar. Deixou tudo para não nos deixar. Deixou tudo para nos salvar!



Rodolfo Montosa

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

UMA REFORMA QUIETISTA

Com a toalha na mão para lavar os pés uns dos outros nosso Senhor dizia que "se o sal vier a ser insípido, para nada mais presta senão para ser lançado fora e ser pisado pelos homens".

O avanço do Espírito Santo no Corpo de Cristo se dá como uma brisa, e não como uma tempestade. Por isso, o Espírito é como um vento, e assim é todo aquele que é nascido dele (João 3.8). 

Por isso, dentro de uma sociedade tão barulhenta e estressada, automatizada e impaciente quero denominar a ação do Espírito Santo como uma ação "quietista", silenciosa, sorrateira e  hesicasta.

O Reino de Cristo tem dado passos largos, sem discurso, sem barulho, sem vozes, sem cantoria, sem agitação. Foi a missão do Servo que implodiu o grande Império Romano do primeiro século. O Reino de Cristo não necessita de "trio elétrico", de agitação, de verborragia, de palavreado bonito. O Reino de Cristo somente cresce quando há quietude, silencio. A glória de Deus somente pode ser vista quando contemplamos os céus e o firmamento, sem palavras, sem discurso, sem som algum (Salmo 19.1-3).

Portanto nesta última hora, entendo que Cristo por meio do Espírito Santo quer agir assim: sem amarras, sem método, sem forma, sem padrões, sem uniformidade. Cristo é supra-cultural e supra-paradigmático.

Hoje o local mais crítico a ser vivido é dentro de uma igreja. Sim, a igreja é o maior campo missionário porque esta perdeu seu sentido comum, próprio, natural e simples. A necessidade da pompa, das vozes, dos gritos, da histeria, da anarquia tem sido o alimento destes últimos assim chamados "crentes".

Evoco uma revolução quietista. A começar do que se entende por "irmão de fé". A revolução quietista está além do conceito atual de "irmão" dentro das igrejas locais. A vida quietista enaltece o amigo. Não basta sermos bons fraternos, a vida somente tem sentido quando se vive a comunhão na amizade. Não é o coleguismo, o conhecido, mas a fé somente se faz quando há "amigo mais chegado que irmão" (Prov. 17.17). Só a um amigo é que doamos a própria vida.

Quero que me recebam como pastor, sim devido a minha função no Corpo de Cristo. Todos possuem sua participação individualmente, mas também quero que me recebam como amigo. Para tanto a igreja deveria viver como um grupo de amigos, fiéis e dispostos a serem disciplinados pelo Senhor. Precisamos voltar a busca da maturidade e isso significa suportar diferenças, pois somente é maduro espiritualmente aquele que sabe comungar na diversidade. 

Evoco uma revolução quietista porque não há espiritualidade sadia sem o Diálogo. Esta palavra é muito importante. Diálogo que deve produzir respeito e afeição de uns para com outros. O campo missionário chamado igreja evangélica hoje, necessita ser transformada a fim de que ela volte a possuir a alma de Cristo. Não sou mais evangélico. O movimento foi diluído há muito tempo. Preciso viver como um cristão verdadeiro, buscando agir e pensar como Jesus e não conforme uma uma filosofia denominacional que pensa e age para manter seu "status quo". A denominação pode ajudar, sim, como instrumento mas nunca como um fim em si mesma. Ao momento que esta se vê como a expressão exata do reino de Cristo, o evangelho da graça já a deixou e Cristo não mais reina como Centro da vida. 

A revolução quietista evoca uma espiritualidade do coração, interna, contemplativa, introspectiva. A oração do coração: "Senhor Jesus, Filho de Deus, tem misericórdia de mim pecador" é a oração mais querida e repetida, o maior desejo, o maior anelo, o maior alvo. Oração que vai além de palavras, de discurso, de ensino sobre a oração. Oração que move o coração é a oração que deixa o coração sentir e contemplar. Precisamos da quietude, do silêncio, da fé quietista, resignada, acalentada e hesicasta. A meditação é o caminho. Meditação que eleva o coração a Deus mas que traz Deus ao coração e que o encontra dentro do coração. Precisamos de uma revolução quietista.

A revolução quietista precisa ser missão centrípeta e não centrífuga. Precisamos de gente que possa estar junta e aprender do Mestre e uns com os outros. Pedagogicamente precisamos de momentos periódicos onde louvamos e dialogamos como grupo no evangelho. Assim, somente assim, estaremos cumprindo nossa missão, que para a missão quietista é muito mais do que um programa missionário, evangelístico ou que outro nome queira se dar. O Mestre dizia: "nisto todos conhecerão que vocês são meus discípulos se vocês aprenderem a se amar e comungar" (João 13.35). A comunhão de uns com os outros determina a eficácia da ação do Espírito Santo. Aí está nossa evangelização. Não é algo anormal e anti-natural. Não é um programa ou ministério da igreja, é muito mais do que distribuir folhetos no sinal de transito. É na vivencia que atraímos outros para Cristo, pois não falamos apenas dele como também e sobretudo, estamos aprendendo a viver juntos com Ele - o Espírito Santo entre nós. 

Estou cansado deste invólucro que nos enfiaram, como se viver Cristo não fosse viver de modo natural. Precisamos de um Corpo que viva mais o Espírito Santo e fale menos dEle. Nosso moto deve ser: "Quer conhecer a Cristo? venha e veja como a gente vive!". Foi isso que André disse ao seu irmão Pedro quando Cristo os chamou pela primeira vez (João 1.41-43).

Esta revolução quietista, não nos faz mais ricos materialmente, não nos torna famosos, não nos leva aos meios de comunicação de massa, não enche nosso ventre de comida, mas enriquece, engrandece, satisfaz e dá prazer porque vivemos para Deus.

Precisamos de uma nova reforma urgente, uma reforma silenciosa e cheia de graça, precisamos implodir a espiritualidade que paira no ar, que é anti-cristã. Precisamos desconstruir a crença na estrutura eclesiástica que se move baseada há tanto tempo sob regras, determinações, sistemas hierárquicos, para viver a vida que Deus oferece em Cristo, plena, frutuosa e saudável.

Precisamos de uma revolução quietista que se volte ao "toco" urgentemente pois Isaias, o profeta já predizia que "se ainda ficar na terra devastada a décima parte, tornará a ser consumida, como o terebinto, e como o carvalho, dos quais, depois de derrubados, ainda fica o toco. A santa semente é o seu toco".(Isaias 6.13)

Quem se habilita?

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

“NESTE NATAL, ARRUME SUA CASA”






“Não havia lugar para eles na hospedaria” (Lucas 2,6)

Aquele que fez o Universo, que criou as dimensões visíveis e invisíveis, que criou os sistemas destes mundos, que confeccionou tudo o que existe, desde a menor célula até o maior astro, aquele que culminou toda a sua criação com o ser humano – sua própria imagem e semelhança, aquele que embora já humano, tomou a decisão de encarnar a fim de resgatar o próprio mundo separado dele. Aquele que buscou em todos os momentos prover a restauração do relacionamento Criador-criatura – pois só há razão do cosmos existir quando há profunda comunhão do Céu com a Terra, ao tomar a forma humana, não encontrou sequer um lugar para poder nascer como qualquer ser humano nascera.

Assim como os belemitas não abriram as portas de suas casas para acolher José, Maria e o Menino-Deus - o Desenhista do Universo - ainda hoje, os seres humanos continuam a não acolhê-lo. A famosa frase “veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1.11), “latu senso” envolve a todos os que de fato foram criados e amados por Deus, na pessoa de Cristo e que não o receberam em seus corações.

O homem continua a rejeitar Cristo. Esta rejeição por vezes até parece não existir, pois muitos falam de Deus, nações falam de Deus, igrejas falam de Deus, porém embora discursando sobre Deus, muitos ainda nem sequer o conhecem. Não somente os ateus, mas os que se dizem cristãos, precisam abrir as portas de suas vidas ao verdadeiro Cristo, pois muitos se abrem para uma ideologia cristã, um programa cristão, para uma denominação eclesiástica, para um sistema de vida diferenciado, para uma liturgia ou um tipo de culto, para um pensamento que envolva as doutrinas cristãs, mas continuam fazendo o que os moradores da cidade de Belém fizeram ao ponto de deixá-lo nascer em um dos locais mais insalubres, num curral - recinto onde se recolhe o gado. É num local imundo onde ainda mantemos o Criador-do-Universo.

Cristo precisa nascer no coração do ser humano. Porém ele é também imundo. O Santo Menino-Deus não faz caso de nascer neste local, pois assim como nascera isento de pureza física e o purificou com sua santidade, maior problema seria nascer em um local de impureza espiritual. Eis aí o coração humano – o local mais inóspito e sujo do mundo todo.

Neste Natal, ao celebrar mais uma vez a Encarnação do Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem, não deixe a sua casa desarrumada e desarranjada, cheia de imundície. Abra-se a possibilidade, com fé, de começar a conhecer a Cristo e permita que ele entre em sua casa-interior. Jogue fora a sujeira que se acumulou durante o ano todo. Somente assim você estará nascendo para quem já nasceu e morreu para que por meio da sua ressurreição você possa viver eternamente.

sábado, 7 de dezembro de 2013

PRINCÍPIOS PARA A VIDA QUE JAMAIS DEVEMOS NOS ESQUECER


Parênese por ocasião da sessão solene de Formatura no Seminário de Educação Cristã - SEC

2Tm 4:1-5: Conjuro-te diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua vinda e pelo seu reino; prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério. 

Excentíssima Sra. Daisy Santos Correia de Oliveira –  Presidente do Conselho Administrativo do SEC; Mui Digna Profa. Ábia Saldanha Figueiredo - Diretora Executiva do Seminário de Educação Cristã; Excentíssimo Prof. Ivanildo Alves Lopes, Coordenador Acadêmico do SEC, Excelentíssima Profa. Mônica Cristina Santos Torres - Patronesse da Turma de formandos 2013; Excelentíssimo Prof. Pr. Ney Ladeia – Pastor Titular da Igreja Batista da Capunga, a qual nos hospeda neste momento; Queridas formandas, querido formando, Digníssimos Professores e Professoras, funcionários e funcionárias da Casa, demais irmãos e amigos em Cristo Nosso Senhor.

Falar nestes últimos momentos quando nos despedimos de pessoas queridas com quem convivemos de perto, não é tão simples assim. Nossa vida sempre é marcada pelas saudações dos começos e pelas despedidas das conquistas. Lembro-me aqui da despedida do apóstolo Paulo dos irmãos da igreja de Éfeso quando no livro de Atos dos Apóstolos (20.17ss) narram uma das passagens mais lindas onde revela o quanto Paulo e os seus presbíteros eram amigos, mais chegados que irmãos. Paulo ali dá aos mesmos um relato sobre sua vida, conselhos e revela um coração cheio de emoção. 

Deus tem seus tempos de abraçar e tempos de deixar de abraçar. Estar no serviço do Senhor requer coragem e ousadia para que seu nome seja levado até os confins da terra e conviver com as despedidas também. 

Durante estes anos que passamos juntos, posso observar que tivemos alguns pontos em comum: Convivemos juntos nas aulas de segunda feira à noite, passamos pelas provas, provações, necessidades e alegrias. Não apenas tratamos sobre conteúdos das disciplinas, mas também compartilhamos as coisas da vida. Tivemos o privilégio de chorar com alguns e nos alegrar com todos. O Currículo do programa foi conquistado passo a passo, semestre após semestre. Sabemos que nem tudo, vocês puderam absorver completamente, mas vocês mesmos irão posteriormente usufruir das matérias estudadas como ferramentas no Campo Missionário e Ministerial. 

De agora em diante vocês começarão a andar com seus próprios pés, aprenderão na prática as questões que puderam apenas ver na teoria. A maior lição que podemos aprender é de que sempre seremos aprendizes. Enquanto formos discípulos do Mestre Nosso Senhor Jesus Cristo, sempre estaremos no nível de alunos. Aprendizes, sobretudo no conhecimento da intimidade com Deus, dos seus segredos, dos seus desejos, do seu plano. Seremos discípulos para aprender da Autoridade Divina, do Poder Divino, mas também da Misericórdia Divina.

Eu não posso esquecer de dizer sobre o cafezinho! Ah o cafezinho no intervalo! Não posso deixar de agradecer o cafezinho, às vezes com torrada, às vezes com bolachinha. Vocês sabem cuidar de seus professores. Muito obrigado!

Durante três anos, vocês viram, e ouviram muitas palavras, frases, sermões, aulas, orações, mas mesmo que vocês se esqueçam de tudo que vocês ouviram e viram, mesmo que tenham momentos de colocar em jogo tudo que vocês pensam acerca de seus ministérios, eu gostaria de deixar quatro conselhos que para mim são inegociáveis para alguém que está engajado e comprometido com o ministério missionário de Cristo, coisas que, se vocês perderem tudo, se tudo o que vocês planejarem não der certo, se aquilo que vocês esperavam não acontecer, se vocês passarem pela pressão do ministério, por provas, por aflições, seja a situação que vocês passarem aqui, ou onde estiverem nunca se esqueçam destes quatro conselhos que deixarei para vocês:

Em primeiro lugar, “Nunca abram mão de seus princípios”: 
O monge agostiniano e reformador da igreja do séc. XVI, Martinho Lutero na Dieta de Worms, quando convocado para se retratar diante do Papa e do Rei Carlos V fez a seguinte afirmação: “A menos que vocês provem para mim pela Escritura e pela razão que eu estou enganado, eu não posso e não me retratarei. Minha consciência é cativa a Palavra de Deus. Ir contra a minha consciência não é nem correto nem seguro. Aqui permaneço eu. Não há nada mais que eu possa fazer. Que Deus me ajude". 

Os métodos, formas, didática, adequações para melhorar a vida não são mais importantes que os princípios que devem reger uma vida. Os princípios a gente vai levar para o túmulo e para a vida eterna, por eles vivemos, por eles morremos. Pelos princípios que temos dentro de nós é que nos doamos a pessoas, aos projetos e planos e por outros que talvez nunca iremos conhecer. Uma pessoa sem princípios é alguém sem passado, sem presente e sem futuro. Alguém que não sabe o que é, e nem para que veio fazer aqui neste planeta. As pessoas que realizam alguma obra, um feito, deixam gravados na história os seus princípios. Quando negociamos estes princípios nos tornamos “massa de manobra” de outros que detêm o poder das massas e manipulam o povo a partir de suas paixões. Nos tornamos marionetes e fantoches da história de outros. 

Na missão de Deus, somos servos de Cristo, servos que possuem os princípios de Cristo, que embora aprendendo a submissão a Deus, não podemos deixar de reger a nossa vida por princípios que a Palavra de Deus comunica aos nossos corações. A frase histórica de Martinho Lutero nos ensina a manter a palavra até mesmo quando nossa reputação está sendo questionada e colocada em jogo. Se vocês alimentarem sua relação com Cristo e desenvolverem a comunhão com Ele, buscando ser seguros na Palavra, na confiança, no caráter, então seus princípios serão preservados e acima de tudo vocês glorificarão a Deus e serão agradáveis a Ele. Portanto não se esqueçam de viverem pelos seus princípios.

Em segundo lugar, “Nunca abandonem a fidelidade a Deus”: 
Uma das passagens bíblicas que mais marcaram a minha vida quando estudava no seminário era a de I aos Coríntios 4.2 que diz: “Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um seja encontrado fiel”. É verdade sim que para Deus ninguém é fiel, porque todos são pecadores e somente são o que são pela graça de Deus. Nossa busca pela fidelidade é o nosso ideal. Ser fiel a Deus como ideal é viver na busca de ser parecido com Cristo. Hoje este ideal de vida, isto é “ser fiel a Deus” ou se tornou coisa de somenos importância ou tem sido um mero chavão verbal usado pelos crentes e lançado ao ar sem o menor compromisso com Deus. Hoje é possível você estar na liderança eclesiástica e continuar mantendo um procedimento questionável, é possível ser um religioso, um pastor, um presbítero, um líder missionário, mas sem compromisso com Deus e Seu Reino. O texto de 1ª. aos Coríntios deve ser não apenas o lema de nossa vida, mas a motivação para nosso ministério. Pode ser que vocês não sejam ótimos e ótimas nas línguas originais, em Grego, Velho Testamento, Missiologia, mas uma coisa vocês não podem deixar de ser: fiéis a Deus. Quando digo fidelidade a Deus digo acerca de questões práticas: Como vocês estarão sendo mordomos de Deus. Como administrarão o tempo, o dinheiro que receberão, a sua profissão, o trabalho de evangelização entre tantas coisas. Como serão fiéis a Cristo na submissão às autoridades constituídas sobre vocês. Isto significa que buscar ser fiel a Deus, resulta também em uma contracultura cristã. Fidelidade até para poder se posicionar diante daquilo que é certo e daquilo que é errado. Elden Peterson diz: "Se o seu inicio foi desastroso, não se preocupe. O que realmente importa é a maneira como você irá terminar." Fidelidade não olha para quanto você faz, mas como você faz. Fidelidade não fala sobre início maravilhoso, mas em término vitorioso. Portanto nunca abandonem a busca por serem fiéis a Cristo.

Em terceiro lugar: “Nunca abandonem a Integridade”. 
Morris Mandel, um judeu polonês radicado nos Estados Unidos certa feita afirmou: "Integridade: Um nome que traz consigo um selo de tudo aquilo que chamamos de caráter. Você pergunta: ‘O que é um nome?’ Eu respondo: ‘Tudo aquilo que você faz’.

Hoje vivemos uma crise de integridade. Há muita gente com Carisma, mas sem caráter. As pessoas não estão tão preocupadas mais com esta virtude interior. Apenas vêem as coisas e as pessoas como produto de marketing. O ditado que diz que os fins justificam os meios, tem campeado até dentro das igrejas. 

Integridade é o selo de nossa vida. É o quanto você vale. Isso não significa se você é a pessoa mais completa, pois integridade não quer dizer isso. Integridade tem a ver com dignidade. A coisa mais terrível é quando o seu nome e a sua dignidade são colocadas em cheque. A integridade não se adquire da noite para o dia. É preciso tempo. É preciso experiência. É preciso levar em consideração o que já se fez, é preciso ter história. E esta história se for digna, parecida com a de Nosso Senhor, revelará o caráter de Cristo que há em você. Esta integridade deve nos conduzir a persistirmos mesmo em tempos chamados “difíceis”. Quando nos lembramos dos fariseus e saduceus da época de Jesus, vemos claramente que eles eram muito devotados a Lei ao sistema social e religioso, mas não possuíam integridade não passavam de pessoas vazias. O Rei David era íntegro não porque era completo, mas por que era sincero e verdadeiro para com Deus. Seus Salmos revelam o quanto ele o amava apesar de tantas vezes ter sido reprovado. Tantas quantas foram suas reprovações tanto quanto revelou o coração sincero para com Deus, isso é dignidade, isso é integridade. Portanto, não abandonem a busca pela integridade. 

Em quarto lugar, “Nunca percam a visão missionária”. 
A visão tem a ver com amplitude dos olhos de Deus. Nem todos estão indo aos campos missionários, mas todos devemos ver a mundo como Deus vê. Hoje o que melhor temos em nossas igrejas é a missão e visão missionárias restritas a um departamento ou um grupo que fale ou faça a missão. Para que a missão de Deus seja eficaz em nós precisamos de igrejas visionárias. A visão de Deus é que fará de vocês grandes pessoas. Não podemos olhar apenas para nossas denominações, temos que olhar para o Reino de Deus. Quando olhamos como Deus olha e vemos como Deus vê, aprendemos a nos submeter ao Espírito Santo que é como um vento que “sopra onde quer, e não sabemos de onde ele vem e nem para onde vai”. Uma das frases mais impressionantes do Pai das Missões Modernas, o missionário William Carey é: “Esperai grandes coisas de Deus, Empreendei grandes coisas para Deus”. É a visão que nos motivará a dinâmica da vida e de nossos ministérios. São as obras que são a consequência de nossa visão. É a visão que nos fará pessoas determinadas e persistentes, é a visão que nos fará correrem riscos por amor a Jesus. Portanto, jamais percam a visão missionária.

Termino com outra frase, desta vez de Lester Sumral. Ele diz: "GENTE VITORIOSA SÃO PESSOAS MUITO ESPECIAIS. SÃO AQUELAS PESSOAS QUE TEM A HABILIDADE DE VER ALEM DOS PERIGOS, DOS RISCOS, DOS OBSTÁCULOS E DAS DIFICULDADES." 

Que Deus os abençoe. Seja o que acontecer se lembrem dos seus princípios, da sua fidelidade a Cristo, da busca de uma vida com integridade e jamais deixem de ver o mundo com os olhos de Cristo, essa será a visão missionária de vocês. E esperem aquela grande declaração de Nosso Senhor quando vocês estiverem diante dele: “Servo bom e fiel, foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei”! 

Sim, mais uma vez, muito obrigado pelos cafezinhos no meio das aulas.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

“NATAL DESNATADO”

“Guarda o depósito que te foi confiado, por meio do Espírito Santo que habita em nós” (Paulo a Timóteo, II – 1,14)
Nosso tempo se caracteriza pelo esvaziamento dos conteúdos. Nossa sociedade enaltece e honra os que têm aparência, mas não tem essência. Somos a cultura da música que balança muito, mas não encanta nada. Somos um mundo de modismos que vai do sapato que usamos até o penteado que fazemos. Enfim, nossa cultura é a cultura do vazio. 

No que se diz respeito a manutenção dos costumes e da história o mundo ocidental tem perdido as tradições, os ritos de passagem e as cerimônias que fazem parte da natureza do ser humano. Logo, estamos nos desumanizando com tanta rapidez que não damos mais o devido valor a nada, por que não há mais nada de valor em que fazemos. Não há mais conteúdo.

Assim são as festas, assim é a religião. A religião que se vive não é religião. É uma confusão de ideias e a cada instante os que dominam a religiosidade do povo tem que inventar algo diferente porque a sociedade é impaciente e logo perde o “afã” pelas coisas e pelos acontecimentos. Os pregadores agora devem ser animadores de auditório a fim de atrair outros pela novidade. 

As festas religiosas como o Natal também passa pela mesma necrose. Há muito que ele já morreu, dando lugar meramente às motivações comerciais. As igrejas evangélicas já não falam dele e nem mais o querem celebrar. Não possuem lastro histórico e o consideram como uma festa mundana qualquer.

A igreja cristã primitiva e dos pais apostólicos ensinava a preservar a celebração da Encarnação de Deus. O apóstolo Paulo ensinava ao seu discípulo Timóteo a preservar o depósito da fé, as tradições que alimentavam a alma e que geravam a esperança no coração da igreja. 

Hoje somos desafiados a guardar a celebração da Encarnação de Deus como o grande acontecimento da vida para toda a humanidade. Deus se fez gente. Encarnou-se, veio para viver o que ele nunca havia experimentado antes: ser humano, plenamente humano a fim de humanizar o que homem desumanizou. 

Nestes dias, preparemos nossos corações para exaltarmos e glorificarmos ao Filho de David que é ao mesmo tempo o Filho de Deus. Aquele que abriu mão de sua glória e se esvaziou, tornando-se semelhança de homem e tendo assumido a forma de escravo foi obediente até a morte e morte de cruz. Exaltemos aquele que embora possuindo a imortalidade se fez mortal a fim de que recebêssemos a imortalidade pela fé. Alegremo-nos pelo Natal condensado, rico e verdadeiro e abandonemos o Natal que embora tão pomposo e cheio de glamour não passa de um "natal desnatado".